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segunda-feira, 10 de novembro de 2008

LEITURA DE BANDA DESENHADA


Dado o sucesso de sessões anteriores, a Bedeteca vai manter o Grupo de Leitores de Banda Desenhada (GLBD), actividade da Bedeteca de Lisboa, concebida em colaboração com Sara Figueiredo Costa e Pedro Moura. O novo ciclo terá Sara Figueiredo Costa como moderaradora (a Sara é a autora do blogue Cadeirão Voltaire, agora com problemas informáticos de actualização).

O objectivo principal do GLBD é partilhar leituras de títulos de banda desenhada. As sessões decorrem no auditório da Bedeteca de Lisboa, às 16:30, de 15 em 15 dias. Na sessão do passado sábado, o GLBD terá discutido a lista de livros para selecção.

Para saber mais, enviar um email para
bedeteca@cm-lisboa.pt.

Fonte:
Bedeteca

sábado, 25 de outubro de 2008

19º FIBDA


O 19º Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora (FIBDA) inaugurou ontem, este ano com o tema central da Tecnologia e Ficção Científica.

Recorda-se o herói Flash Gordon (de Alex Raymond), que procura liquidar o terrível imperador Ming, Valerian (de Pierre Christin e Jean Claude Mézières) que chega no ano 2770, a Guerra das estrelas e Blake & Mortimer. Luís Henrique é o autor em destaque, tendo ganho o Prémio para Melhor Desenho do FIBDA 2007 (ler o texto de Sara Figueiredo Costa no catálogo da exposição).



O catálogo é um elemento fundamental para a compreensão da filosofia da exposição central. No texto que justifica o tema e os autores escolhidos para essa exposição, escreve Pedro Mota que o ponto de partida seria o estudo de Jorge Magalhães, Banda Desenhada e Ficção Científica - as Madrugadas do Futuro (2005). Definido o universo, escolheram-se obras dos seguintes autores portugueses: Jayme Cortez, Fernando Bento, Vítor Péon, António Barata, José Garcês, Monteiro Neves, Nuno San Payo, Júlio Resende, Jorge Brandeiro, Relvas, Victor Mesquita, Augusto Mota e Nelson Dias, Luís Louro, Luís Diferr e José Ruy.

De leitura obrigatória, o ensaio do próprio Jorge Magalhães no catálogo, O Século XX e a BD de Ficção Científica em Portugal, um longo e magnífico texto de 31 páginas.

Já hoje à tarde, e em edição da Plátano Editora, Jorge Miguel lançou o álbum Camões. De vós não conhecido nem sonhado? Apenas posso dizer que me vou deliciar hoje à noite a ler a história e a olhar para os magníficos desenhos de Miguel (à esquerda na imagem em baixo). Só de olhar para o quadrinho da Rua Nova dos Mercadores (p. 8), cresce água na minha boca.

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

BANDA DESENHADA NA AMADORA


O 19º Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora aproxima-se, pois decorre entre 24 de Outubro e 9 de Novembro, no Fórum Luís de Camões, na Brandoa.


O tema principal deste ano é a tecnologia e a ficção científica. Haverá lugar para um tributo ao mestre José Garcês e uma homenagem a José Ruy, cuja exposição está patente até Março do próximo ano.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

ÁLBUNS DE BANDA DESENHADA


O primeiro é o melhor livro italiano de banda desenhada atribuído este ano pelo Festival de BD de Roma - ROMICS 2008 e pertence a Giorgio Fratini, com tradução de Selena da Cruz Testolina. Chama-se As paredes têm ouvidos e é editado pela Campo das Letras.

O segundo é a edição polaca de Tu és a mulher da minha vida, ela a mulher dos meus sonhos, de Pedro Brito (argumento) e João Fazenda (desenho), sob o título Kobieta mego życia, kobieta moich snów. O livro foi vencedor dos prémios "Melhor Álbum Nacional" e "Juventude" no Festival de Banda Desenhada da Amadora de 2000. A obra já tem uma edição francesa saída este ano (mais informações em
Taurusmedia).

quarta-feira, 30 de julho de 2008

19º FESTIVAL INTERNACIONAL DE BANDA DESENHADA DA AMADORA


O 19º Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora (FIBDA) realiza-se entre 24 de Outubro e 9 de Novembro deste ano.

Nessa ocasião, organizam-se Concursos de BD e de Cartoon com objectivo "de encontrar novos valores, incentivar a produção da Banda Desenhada e proporcionar a sua apresentação pública". O tema central do FIBDA e dos concursos é Tecnologia e Ficção Científica.

Na categoria de Banda Desenhada, existem dois escalões etários: A (17-30 anos) e B (12-16); na categoria de Cartoon existe um só escalão, indo dos 16 aos 30 anos.

Para conhecer as normas de participação nos Concursos de BD e de Cartoon e a ficha de inscrição, ver
aqui.

quarta-feira, 16 de abril de 2008

CERCA - O ÁLBUM ILUSTRADO DE NATALIA COLOMBO



A argentina Natalia Colombo ganha o I Prémio Internacional Compostela com o álbum intitulado Cerca.

O I Prémio Internacional Compostela para Álbuns Ilustrados foi organizado pelo Departamento de Educação do Concelho de Santiago de Compostela e pela editora Kalandraka. O galardão tem um valor pecuniário de 12 mil euros, sendo o livro publicado no final de 2008 pela Kalandraka nas cinco línguas peninsulares. O júri avaliou 335 trabalhos provenientes de inúmeros países. Houve menções honrosas para os trabalhos dos portugueses José António Gomes e Gémeo Luís, e Isabel Minhós Martins e Yara Kono.

Informações suplementares: comunicacion@kalandraka.com
.

domingo, 16 de março de 2008

INTERTOON


Muitos dos cartunes referem a vida da cidade da Guarda e da região onde Luís Veloso vive. O seu blogue Intertoon, de "Alguns momentos de HUMOR imaginados e criados no planeta TERRA" é muito interessante, pois combina a crítica política mais geral e cenas do quotidiano mais local. Quase sempre usa dois quadradinhos para contar a sua história, com personagens tipificados - o casal em torno de uma mesa ou dois amigos lendo o jornal e reflectindo acontecimentos recentes, o funcionário público versus um cidadão recorrendo aos serviços do Estado, visões de D. Quixote e Sancho Pança (em Portugal), o paciente com o psicanalista. A apreciar.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

BANDA DESENHADA


Foi numa aula da semana passada que ouvi Nelson Dona, o responsável pelo Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora (FIBDA). Ele falou da banda desenhada (BD) enquanto arte (a 9ª), da linguagem da BD, da apresentação do festival da Amadora e da indústria da BD (mundo editorial).


A BD enquanto arte nasce, conjuntamente com o cinema, do contexto da revolução industrial, com base na imprensa. Logo, a BD implica reprodução – é uma indústria cultural –, onde se fala da imprensa, de revistas, do livro. Em Portugal, o primeiro autor foi Rafael Bordallo Pinheiro, ainda no século XIX. Até aos anos de 1920, usava-se o termo ilustrado para designar um tipo de imagem, caricatura ou desenho. A BD aparecia em jornais. Entre os anos 1930 e meados dos anos 1960, a designação passou a ser história aos quadradinhos (vinheta ou moldura).

Nesses anos 1930, surgiam revistas especializadas com artistas como Almada Negreiros, Stuart Carvalhais e Cottinelli Telmo. Os nomes dessas publicações eram Camarada, Gafanhoto, Pim-pam-pum, designações que evocam públicos-alvo específicos: crianças e adolescentes. E o bissemanal Mosquito (1936-1953), de António Cardoso Lopes, em que as histórias mais longas continuavam em números seguintes, atingindo cem mil exemplares cada número. O Mosquito tinha um suplemento feminino, A Formiga, em tamanho mais pequeno que a revista, dirigido pela tia Nita (mãe do actor Mário Viegas), que escrevia número a número cartas tipo correio sentimental. A partir dos anos 1960, surge a revista Tintim, coordenada por Vasco Granja, começando a privilegiar-se a BD franco-belga. A revista portuguesa seria a primeira feita fora de França e a primeira editada a cores em todo o mundo.

BD, designação adoptada desde finais dos anos de 1960, vindo do francês, significa tira desenhada (inglês: strip) e tira dominical, adquire palavras específicas em cada país. Assim, no Brasil é quadrinho, na América Latina historieta, na Itália fummeto e no Japão mangá. Nos Estados Unidos mantém a designação comics.

A BD é uma narrativa dupla de texto e imagem, situando-se entre a cultura literária e as artes visuais. Um dos pais da BD é Rodolphe Töpffer (1799-1846), gravador e teórico da futura BD, para quem esta era uma associação de literatura e história ilustrada – a literatura gráfica. Outro pioneiro da BD foi Richard Felton Outcault (1846-1905), o primeiro a inserir o balão como espaço de inserção do texto nas vinhetas.

Ora, balão e vinheta fazem parte da gramática da BD, a par de figuras/personagens, onomatopeia, linhas cinéticas (de movimento), quadro (o que está dentro da vinheta), prancha (página), elipse (tempo existente entre duas vinhetas). À gramática junta-se o tempo de trabalho de um álbum: estima-se que um livro como o Tintim demorasse dois a três anos a fazer. E a discussão sobre se a BD é cultura de comunicação de massas – eu prefiro a designação de indústria cultural, dada a sua reprodutibilidade técnica e massificação, como o cinema, a televisão e a internet. A BD perdeu a conotação de ser uma actividade voltada para públicos muito jovens, agarrando hoje leitores de todas as idades.

O FIBDA

O Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora (FIBDA) arrancou em 1990, com apoio da Câmara Municipal da Amadora. Começou com a ideia de jovens quererem fazer um fanzine (fanáticos de magazine). Entretanto, corria um concurso sobre aviação portuguesa em BD, o que ajudou a alicerçar a ideia. Por outro lado ainda, a Amadora era um concelho em que residiam (ou tinham residido) artistas ligados à BD, como António Cardoso Lopes, o responsável pelo Mosquito. Nesse arranque do que é hoje o FIBDA fez-se uma pequena exposição. Simultaneamente, vivia-se um boom da BD, levando os promotores do evento a internacionalizarem-no na terceira edição.

O FIBDA é, actualmente, para além da mostra de novos artistas, lugar para exposições temáticas e de outras estéticas, conferências, venda de livros e promoção da leitura, e prémios (os nossos óscares na BD), com um custo total anual rondando os 400 mil euros, suportados maioritariamente pela autarquia. O festival funciona com um cariz artístico e que integra eventos paralelos que atraem públicos distintos (caso do FIBDA júnior, com ateliês). O FIBDA – e actividades e instituições como o Centro Nacional de Banda Desenhada e Imagem e o serviço de itinerância de exposições – emprega seis colaboradores a tempo inteiro, mas atinge as 200 pessoas por ocasião do festival. A itinerância de exposições está a alcançar diversos pontos do globo, prova da notoriedade e reconhecimento do bom trabalho desenvolvido pela equipa.

A próxima edição do festival vai ter uma boa representação da BD chinesa, grande potência mundial e com elevada qualidade estética, a qual esteve no centro do muito recente festival de Angoulême (França). A entrada da China no mercado mundial da BD veio alterar a correlação de forças entre as várias áreas do planeta. Se os Estados Unidos são o principal produtor e exportador de BD, o eixo França-Bélgica (20% da indústria editorial reside na BD) e o Japão eram outros pólos fundamentais da indústria.

terça-feira, 23 de outubro de 2007

O MOSQUITO E TIOTÓNIO, O SEU CRIADOR

Escreve Carlos Pessoa na edição de hoje do Público sobre o Mosquito (1936-1953) e o seu criador, António Cardoso Lopes, mais conhecido por Tiotónio.


Tiotónio nasceu na Amadora, cidade onde decorre o Festival Internacional de Banda Desenhada (FIBDA) e que o homenageia nesta edição. Ele e Raúl Correia fundariam o Mosquito, publicação que chegou a ter tiragens semanais de 60 mil exemplares (nas imagens acima: página do Público de hoje, meia página do catálogo sobre o Mosquito, produto de exposição realizada em 2006-2007 na Amadora, e capa do livro sobre práticas culturais dos visitantes do 16º Festival Internacional de banda Desenhada da Amadora, publicação a que espero regressar em breve).

Tiotónio nasceu em 12 de Junho de 1907 e foi responsável por figuras como Zé Pacóvio e Grilinho. Director artístico do Mosquito, o autor passara pela revista Tic-Tac (onde conheceria o outro fundador do Mosquito, Raúl Correia), O Bébé e Có-Có-Ró-Có, entre outras publicações. mais tarde, António Cardoso Lopes Júnior partiu para o Brasil, começando uma nova vida familiar e profissional, ligada ainda às actividades gráficas mas nunca conseguindo atingir o brilho que obtivera com as publicações em Lisboa. O autor de O Mosquito faleceria em 1985, no Rio de Janeiro (Brasil), exactamente no mesmo ano em que o seu companheiro Raúl Correia desaparecia igualmente.

domingo, 21 de outubro de 2007

18º FESTIVAL INTERNACIONAL DE BANDA DESENHADA DA AMADORA 2007


Abriu anteontem o 18º Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora (FIBDA), o qual se prolonga até 4 de Novembro. O essencial da programação decorre no Fórum Luís de Camões, na Brandoa, Amadora, local recente e com um bonito jardim circundante.

No FIBDA, apresentam-se diversas exposições, merecendo destaque, por exemplo, as exposições de 10 BD do século XX (Little Nemo, Krazy Kat, Tintin, Batman, The Spirit, Peanuts, Forte Navajo, Corto Maltese e Maus). Mas também uma mostra de BD italiana (exposição interdita a menores de 18 anos) que reúne, entre outros autores, Milo Manara e Liberatore.

O Festival é ainda motivo para uma exposição do centenário de António Cardoso Lopes, fundador de O Mosquito (a seguir, reprodução parcial da notícia ontem editada no Público e assinada por Carlos Pessoa e imagens recolhidas do Festival, incluindo um conjunto separado com imagens de trabalhos de António Cardoso Lopes, também conhecido por Tiotónio).


Mais informações: ver sítio http://www.amadorabd.com/.

domingo, 14 de outubro de 2007

BANDA DESENHADA NA AMADORA


O Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora (FIBDA), o "mundo dos quadradinhos", agora na sua 18ª edição, abre na próxima sexta-feira, dia 19, e prolonga-se até 4 de Novembro. Exposições, autógrafos, área comercial e cinema de animação, entre outras áreas, fazem do FIBDA a maior Festa da Banda Desenhada. Isto é, a Amadora vai acolher, uma vez mais, o que de melhor se faz na 9ª Arte.

No âmbito do FIBDA, atribuem-se anualmente troféus em homenagem a António Cardoso Lopes Júnior, o Tiotónio, nascido na Amadora (Junho 1909), autor de banda desenhada e director dos jornais infantis Pim-Pam-Pum, Cócórócó, O Bébé, Tic-Tac e O Mosquito. Há, este ano, uma exposição dedicada ao centenário do nascimento do autor.


Para conhecer todos os álbuns nomeados nas diferentes categorias seleccione:
Melhor Álbum Português, Melhor Argumento para Álbum Português, Melhor Desenho para Álbum Português, Melhor Álbum de Autor Português em Língua Estrangeira, Melhor Álbum de Autor Estrangeiro, Melhor Álbum de Tiras Humorísticas, Melhor Livro de Ilustração Infantil e Melhor Fanzine Clássicos da Nona Arte.

Para saber mais informações, consultar o sítio do
Centro Nacional de Banda Desenhada e da Imagem.

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

CONCURSO DE ÁLBUNS ILUSTRADOS


O Departamento de Educação da Câmara Municipal de Santiago de Compostela (Galiza), em colaboração com a editora Kalandraka, e no âmbito da sua VIII Campanha de Animação à Leitura, vai realizar o I Prémio Internacional Compostela para Álbuns Ilustrados.

Por álbum ilustrado entende-se o livro composto por imagens e texto contando uma história. As obras a concurso, num máximo de 40 páginas cada, devem ser originais e inéditas e podem apresentar-se em qualquer língua ibérica - logo, o português está incluido.

Para saber mais informações, procurar em Kalandraka Editora (
editora@kalandraka.com; http://www.kalandraka.com/) ou Ayuntamiento de Santiago (dptoeducacion@santiagodecompostela.org; http://www.santiagodecompostela.org/).

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

HISTÓRIAS EM QUAD[RAD]INHOS


A História - Imagem e narrativas é uma publicação online brasileira de inegável interesse científico. O número mais recente é dedicado à redescoberta dos quadrinhos em tempos de mídia planetária. Aconselho, por exemplo, a ler A atualidade das histórias em quadrinhos no Brasil:a busca de um novo público, de Waldomiro Vergueiro.

terça-feira, 18 de setembro de 2007

BANDA DESENHADA (II)


[continuação de ontem]

O mundo dos leitores de BD é um universo fechado: lê-se especialmente em casa. E é um mundo masculino. A própria indústria ignorava as potenciais leitoras (estas, interpreto eu, tinham outras áreas de lazer: liam fotonovelas ou romances, preparando-se para assistir às historicamente mais recentes telenovelas). Embora ainda resista a ideia de clube masculino, o surpreendente, esclarece Douglas Wolk, é o padrão estar a mudar. Em parte porque a cultura do criador de BD se foca no fã. Depois, porque, nos Estados Unidos, o fenómeno da manga (BD japonesa) é uma tendência das raparigas. Mesmo entre os criadores, aparecem mulheres. A leitura das mangas e a cultura da internet fornecem parceiros de gosto.

Além disso, o mundo de leitores de BD é juvenil, onde se cultivam os super-heróis. A história do super-herói tem rituais e fórmulas que se traduzem em repetição (o fenómeno estende-se ao cinema do fantástico que tem sido moda nos últimos 20 anos). Com o crescimento da cultura de colecção, alarga o universo dos super-heróis. Virtualmente todos os autores de BD trabalharam, em algum momento da sua actividade, na iconografia dos super-heróis: eles são o Flash Gordon, o Homem Aranha, o Super Homem, o Batman, a Mulher Maravilha. A ideia de BD dos super-heróis dura mais do que uma vida humana, o seu culto quase que passa de pais para filhos.

Apesar de a BD ser um meio para leitores individuais, que a consomem nos seus lares, há um aparato social como a ida semanal à loja, a ida à convenção, a discussão on-line pós-leitura (em fórum).

Wolk fala dos termos em inglês: comic, comic book, graphic novel. Cria-se a ideia séria da BD por oposição à simples BD e surge a ideia de cultura própria do medium. Há igualmente a ideia de um mundo de fantasia, um prazer partilhado na leitura de uma BD ou no simples decifrar de uma onomatopeia ou até a interpretação de personagens e adereços. O medium BD é construido igualmente na ideia de escapismo e do prazer que ele nos dá. A BD de género promete um escape com uma versão de mundo intensa e excitante ou, se quisermos pensar de modo distinto, um tipo de visão diferente.

O facto mais significativo da BD é que ela assenta em desenhos e não pretende alcançar a representação da realidade como a fotografia ou o filme. A BD é sempre uma coisa ou pessoa, real ou imaginada, movendo-se no espaço ou no tempo, transformada pelo olhar e mão de alguém. Há o desenho de caneta, rápido na feitura da imagem e rápido na impressão. Claro que o desenho clássico procura aproximar-se daquilo que o artista vê. Se ele simplifica detalhes é porque não dá relevo ao que a retina apanha. O cartoon é um desenho diferente, com um objectivo de distorcer e fazer a abstracção simbólica. O cartoon é um efeito de interpretação.

Assim, se a BD está próxima da literatura, ela é mais visual e menos verbal. Uma imagem sem texto para ler entende-se como uma pausa. Sem um acto de linguagem como temporizador ou sinal contextual para compreender a imagem, cada mudança visual obriga o leitor a parar e procurar entender o que se passa. O domínio da combinação da palavra e da imagem é espaço e tempo. Às vezes, nem sequer existe a linha a enquadrar a imagem, o que permite parar ou saltar para compreender.

A mensagem acompanha de perto o texto de Douglas Wolk (2007). Reading comics. How graphic novels work and what they mean. Cambridge: Da Capo Press (em especial a primeira parte, até à página 134, que trata da teoria e história da BD; a segunda parte apresenta sugestões de leituras).

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

BANDA DESENHADA (I)


A banda desenhada (comics em inglês americano) não é apenas para crianças lerem. Também os adultos consomem a banda desenhada. E esta não está somente nas lojas de ou quiosques de revistas; hoje, enche as paredes de galerias e museus. Além de antologias anuais das melhores bandas desenhadas nos Estados Unidos e do surto de coleccionadores. Eis o tema do livro de Douglas Wolk, Reading comics (2007).

O autor fala de uma idade de ouro da banda desenhada (BD), iniciada por volta de 1937-1938. Os seus criadores eram jovens empreendedores mas muito mal pagos.

Nos Estados Unidos, formam-se duas escolas, a dominante (mainstream) e a de arte. Mas ambas fazem parte de um medium cada vez mais importante nas indústrias culturais. Com géneros específicos: western, filme negro, guerra, horror, desporto, romance, com animais engraçados, crime, juvenil, super-heróis. E categorias específicas de temas e convenções no conteúdo e na apresentação. Se há BD de autor e BD de arte, realça-se mais a componente de história económica da arte da BD do que a sua história estética.

Nos anos de 1950, com livros e tiras diárias nos jornais, havia experimentações visuais. Algumas BD ganharam audiências e leitores fixos (fãs), onde se dedicava atenção aos autores em vez de personagens específicas.

Já nos anos de 1960, as grandes editoras, até aí as únicas responsáveis pela edição de livros, dado o custo, passavam a ter a concorrência de pequenas editoras de contracultura, através de lojas que vendiam BD a preto e branco, com temas de transgressão e artísticos. Algumas BD de contracorrente assumiam deliberadamente figuras feias, grotescas e repulsivas como personagens principais das histórias. E pequenas editoras granjearam sucesso, entrando em livrarias outrora renitentes ao produto BD - ganhava-se respeitabilidade.

Os anos de 1970 dão um cariz diferente ao negócio: ao lado de lojas que vendiam as novidades, surgiam fundos de catálogo para coleccionadores de BD, funcionando o marketing directo.

Muito projectos começaram por ser simples panfletos, serializando-se depois em 20 a 40 páginas de dimensão. Se alcançavam boas audiências, eram republicados sob a forma de livro. Isto enquanto, e como se disse atrás, nasce a ideia de coleccionar, frequentemente associada ao mercado da nostalgia. Se eu, em criança, li determinada série de BD, mas não a comprei ou a deitei fora, agora quero recuperá-la e pô-la na estante ao lado dos livros sérios. É tentar voltar à infância e à juventude onde se foi feliz.


[continua amanhã]

sábado, 19 de junho de 2004

Mandrake o Mágico faz 70 anos

Mandrake o mágico iniciou a sua aventura em 1934. Foi criado por Lee Falk durante a Grande Depressão (após a crise económica de 1929), quando se pretendia que a banda desenhada de aventuras contribuísse para a construção de uma moral nova, que elevasse de novo o espírito americano.

O mágico, com capa, cartola e bigode, tornar-se-ia um das mais conhecidas personagens de banda desenhada (comics), com as suas tiras editadas em jornais de todo o mundo (imagem retirada do sítio Big Little Book). Em Portugal, é exemplo o Jornal de Notícias (Porto), que edita as suas estórias desde 1978, e referiu os 70 anos de Mandrake no passado dia 11, em texto assinado por F. Cleto e Pina. Mandrake o mágico usa um poder lendário de hipnotismo e ilusão para combater o crime, seja aqui como no espaço imaginário interplanetário. Curiosamente, surgiram outras figuras de mágicos na banda desenhada mas nenhuma teve o êxito e perdurou no tempo como este.

Outro pormenor a salientar é que Mandrake foi a primeira banda desenhada multirracial, dado que teve, desde o princípio, a acompanhá-lo o gigante Lotário, primeiro como fiel servidor e depois como assistente e amigo. E, como nas outras bandas desenhadas – e até no cinema –, teve sempre uma namorada, a encantadora e exótica princesa Narda. Sem se notar o envelhecimento até hoje, Mandrake foi desenhado, como se escreveu em cima, por Lee Falk, mas passou a tarefa ao artista Phil Davis, responsável pelas tiras até 1964, quando faleceu. Fred Fredericks passou a desenhar Mandrake e, desde 1999, com o desaparecimento do próprio Falk, também o argumento.

Mandrake foi visto na televisão em 1939 (mesmo no arranque do meio, nos Estados Unidos) e no cinema em 1942. Mais recentemente voltou à televisão, acompanhado por outros heróis dos comics.