Pesquisas e leituras no domínio das indústrias culturais (imprensa, rádio, televisão, internet, cinema, vídeo, videojogos, música, livros e centros comerciais) e das indústrias criativas (museus, exposições, teatro, espectáculos). Blogueiro desde 26 de Dezembro de 2002. Endereço electrónico: Rogério Santos.

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Leiam jornais de referência em papel. Ouçam fado e hip-hop em CD ou MP3. Vejam teatro. Apoiem a informação e a cultura portuguesa. The International Conference on Media and Sports promoted by the Research Center for Communication and Culture (Catholic University of Portugal) aims both at a polyphonic discussion of sports representations in the media and at a reflection upon sports language worldwide. Drawing on recent analyses of sports language from semiotic, linguistic and sociological angles, the event wishes to provide insights into the core issues of Sports Media and Power, Sports Media and Fiction and Sports and Globalisation. Abstracts (200 words) and short vita should be sent to media-and-sports-cecc@lisboa.ucp.pt until September, 15, 2008.

24.7.08

JORNALISMO EM MUDANÇAS


Para Mark Glaser, do sítio Media Shift, em texto editado ontem, no momento em que sucedem notícias de despedimentos e venda de media nos Estados Unidos, há outra questão em discussão: os jornalistas mais jovens não querem permanecer nos media onde trabalham porque sentem que estes são lentos a mudar a sua cultura empresarial.

Glaser entende haver a necessidade de mudar o modo como historicamente as redacções funcionam, com os editores a reunir à parte para tomada de decisões sobre o que se deve escrever na edição daquele dia. Segundo ele, as ideias de inovação acabam por não vingar, o que frustra a vontade dos jornalistas mais jovens.


No sentido de fortalecer a sua opinião, Mark Glaser, jornalista e crítico dos media, parte de um estudo feito por Vickey Williams em dez salas de redacção, num projecto que se desenrolou entre 2004 e 2007, onde se detalham as mudanças ocorridas na cultura jornalística (ver relatório All Eyes Forward, em PDF).

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16.7.08

DEFINIÇÃO DE JORNALISMO DE CIDADÃO


Quando as pessoas anteriormente conhecidas como audiência utilizam as ferramentas da imprensa que existem para informar outras, isso é jornalismo do cidadão (Jay Rosen, Press Think, 14.7.2008).

Ver como Alexandre Gamela comenta esta definição no seu blogue
O Lago (14.7.2008).

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14.7.08

PERFIL SOCIOLÓGICO DOS JORNALISTAS PORTUGUESES


Recebi hoje o número 12 da revista Trajectos, do ISCTE e dirigida por José Rebelo. O tema de capa é dos assuntos mais importantes no tocante aos jornalistas portugueses, dado apresentar os primeiros dados de um estudo de equipa liderada pelo próprio José Rebelo, intitulado Perfil sociológico do Jornalista Português e financiado pela FCT, que decorreu no CIES (Centro de Investigação e Estudos de Sociologia) entre 2005 e 2008. A metodologia assentou em cinquenta entrevistas semidirectivas a jornalistas, permitindo as representações dos próprios quanto à vida e actividade profissional. O estudo, no seu todo, será publicado proximamente.

Vou ler atentamente o que agora se publica (textos de Alexandre Manuel, Avelino Rodrigues, Adelino Gomes, José Luiz Fernandes, Isabela Salim, Pedro Diniz de Sousa e Diana Andringa).

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11.7.08

AGENDAMENTO DE NOTÍCIAS

Comparado com os dias anteriores, o dia de hoje está mais calmo (leia-se: reflexivo) em termos de notícias de política.

Desde as eleições internas do PSD (principal partido da oposição, agora liderado por Manuela Ferreira Leite) até ontem (debate parlamentar do Estado da Nação), as notícias foram em crescendo de dramatismo, incluindo um estudo da SEDES, uma associação cívica com existência desde o começo da década de 1970. O agendamento (temas mais empregues nos media e nos meios políticos) surgiu dividido em dois. O primeiro, a identificação da crise económica e financeira interna, crise económica e financeira externa. Do lado do partido do governo (PS), defendeu-se a ideia que a crise interna está debelada e dos esforços se concentrarem na redução dos riscos quanto à crise externa, de que o governo não é responsável e não pode controlar a totalidade das variáveis (aumento dos preços dos combustíveis e dos produtos alimentares, bens importados). Do lado do PSD e da restante oposição à esquerda e à direita do PS no leque parlamentar, a acusação de que ambas as crises estão incontroláveis. O segundo tema de agenda foi o das obras públicas, que o PS considera importantes para rearrancar a produção industrial (comboio de alta velocidade, aeroporto de Alcochete, novas autoestradas) e que o PSD entende servir para aumentar a despesa pública (caso do TGV e das autoestradas).


O dia D era ontem, onde o debate parlamentar iria opor o novo líder da bancada parlamentar do PSD, Paulo Rangel, ao primeiro-ministro, José Sócrates. Os media, quer a televisão quer os jornais, apostaram muito neste embate, como se fosse um jogo desportivo, à espera da derrota de um ou de outro, estilo corrida de cavalos, como os investigadores dos media estudam e que, entre nós, Estrela Serrano também o fez. Objectivo: reduzir as ideias, as propostas daqueles políticos e dos outros parlamentares a um jogo de quem fica à frente ou ganha.

Vi o que a televisão mostrou ontem; comprei os jornais para ler hoje. Seleccionei três jornais: Público, jornal sério e de referência, Diário de Notícias, jornal sério e de qualidade com uma tendência para popular, e Correio da Manhã, jornal popular. As capas dos três estão acima, observando-se que o Correio da Manhã não dá qualquer informação, de modo oposto ao dos outros dois. Público e Diário de Notícias dividem quase igualmente os destaques ou manchetes por dois assuntos: discussão do Parlamento, com referências a Sócrates, e venda do iPhone em Portugal.

Entrando dentro dos jornais, o primeiro grande destaque do Correio da Manhã é precisamente a discussão do Estado da Nação (duas páginas, com quatro fotos dos líderes do PS, PSD, CDS e BE), a que se segue a sua manchete (Quique Flores, treinador do Benfica, ameaça sair). No espaço dedicado à política, as duas páginas dividem-se em sete notícias e uma coluna de citações, espaços muito próximos do modelo da internet, com cor nas fotografias e notícias curtas. Informação muito equilibrada, fica em três linhas a ideia que a prestação do novo líder parlamentar do PSD não convenceu.

O Diário de Notícias dedica cinco páginas, com textos jornalísticos e comentários (João Lopes, António Costa Pinto, Francisco Almeida Leite), num total de 14 peças jornalísticas e 7 jornalistas em acção, o que dá conta do esforço de informação do jornal. Além da referência aos principais pontos das medidas preconizadas pelo primeiro-ministro, o Diário de Notícias anota igualmente as posições dos partidos e a posição das empresas de combustíveis, alvo de um novo imposto. Os textos dos jornalistas são, a meu ver muito isentos, citando as ideias mais importantes dos discursos dos vários líderes parlamentares. Já os textos dos comentadores são subjectivos, no sentido de considerarem que o dirigente do PSD não saiu a ganhar.

O Público dedica quatro páginas com trabalhos de seis jornalistas, num total de seis textos. Mais à frente, na coluna do editorial, o director escreve sobre e contra Sócrates. Como nos outros jornais, neste jornal há, dentro de uma caixa, informação sobre as principais medidas anunciadas pelo poder. Os textos assinados pelos jornalistas são, como nos outros dois jornais, muito equilibrados e isentos, embora uma das peças indique, com base num comentário de dirigente do PS, que a saída da sala de parlamentares do PSD queria dizer que estes não teriam gostado da intervenção do seu líder. "Desalinhado" com o distanciamento dos jornalistas, o director usa a prerrogativa dos comentadores do Diário de Notícias mas, ao invés destes, toma uma posição diferente, de oposição ao primeiro-ministro, falando em demagogia na medida de imposto sobre as empresas que vendem combustíveis e pedindo para este concretizar melhor as medidas anunciadas.

Sem contar com o Correio da Manhã, que não tem comentadores sobre a matéria, o que mais importante foi dito nos jornais reside nos comentadores, pois são marcas de água (ideológicas, se quisermos). Não obrigados à objectividade dos jornalistas, mostram para que lado pendem. E, nesta minha leitura, o Diário de Notícias está mais próximo do PS e o Público do PSD (ou da oposição em geral).

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JORNALISMO


Foi agora distribuído o número 34 da revista Jornalismo & Jornalistas (Abril/Junho). Destaco o tema principal, a imprensa gratuita, e a entrevista de Michael Schudson.

Sobre a imprensa gratuita, Helena de Sousa Freitas (Lusa) começa por ouvir os directores daquele tipo de jornais. Um deles disse: "as grandes cidades têm hoje um conjunto de pessoas activas com um poder de compra bem inferior ao que seria desejável". Outro acrescentou: "A vida acelerada dessas pessoas não lhes permite ler jornais com tanta profundidade". E um responsável por um dos jornais concluiu que os jornais pagos não se moldaram "à evolução de uma sociedade em que o ritmo de vida das pessoas durante a semana é incompatível com páginas e páginas de notícias demasiado longas". Posição contrariada por um dos directores: "julgo que sobreviverão sempre os jornais pagos que acrescentarem o comentário, a análise cuidada e aprofundada, a reportagem no local, a opinião".


A jornalista escreve também sobre os projectos que se goraram. Um responsável por um destes projectos falhados desabafa que faltou "uma estrutura muito forte na área comercial", havendo necessidade de "existir um grande grupo por detrás", reflecte outro interveniente no sector. O que significa que a publicidade é fundamental para a criação e manutenção dos gratuitos.

Estão aqui, se quisermos, os principais argumentos presentes na discussão entre jornais pagos e gratuitos. Os directores destes últimos têm consciência dos limites dos seus jornais, como os responsáveis dos pagos também sabem o que corre bem e o que corre mal nas suas empresas.

Do conjunto de peças assinadas por Helena de Sousa Freitas, a minha atenção foi ainda para uma entrevista com João Vieira, que escreveu uma tese (presumo de licenciatura) sobre os jornais gratuitos e o contributo para a leitura. Vieira entende que os gratuitos transportam uma informação complementar, proporcionando uma leitura rápida dos principais acontecimentos da actualidade em tempos mortos (viagens casa/trabalho e de retorno), mas não dispensam leituras aprofundadas nos media mais clássicos (televisão, jornal, internet).

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7.7.08

JORNALISMO

  • O ideal é [o jornalista] ser o mais independente possível, mas a vida está longe de ser um ideal. O jornalista é alvo de muitas e diversas pressões para escrever o que o patrão quer que ele escreva. A nossa profissão é uma luta constante entre o nosso sonho, a nossa vontade de sermos completamente independentes e as circunstâncias reais em que nos encontramos, que nos obrigam a ser, ao invés, dependentes dos interesses, dos pontos de vista e expectativas dos nossos editores.
Ryszard Kapuściński (2008). Os cínicos não servem para este ofício. Lisboa: Relógio d'Água, pp. 40-41
  • de entre as actividades humanas, os meios de comunicação são os mais manipulados, na medida em que são instrumentos para influenciar a opinião pública e podem ser usados de várias formas consoante quem os gere. Existem diversas técnicas de manipulação. Nos jornais, podemos fazer uma manipulação através do que decidimos pôr na primeira página, do título que escolhemos e do espaço que damos a um acontecimento.

Idem, pp. 42-43

De Os cínicos não servem para este ofício, ressalto as páginas sobre o jornalismo (uma espécie de teoria sobre) (pp. 26-31), sobre a África (pp. 49-59), o diálogo com o escritor e crítico de arte John Berger (a partir da p. 65), em especial a sua análise sobre o desaparecimento dos camponeses e a postura - para ele negativa - das ONG humanitárias (pp. 74-77).

A editora Campo das Letras publicou alguns dos livros deste jornalista polaco falecido o ano passado: Mais um dia de vida - Angola 1975, O imperador, O império, Ébano - febre africana. Gostaria de ler La prima guerra del football e altre guerre di poveri (título em italiano retirado do livro de que fiz duas citações).

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GÉNEROS JORNALÍSTICOS NOS MEDIA DIGITAIS


Gêneros emergentes no jornalismo digital: ensaio sobre a tipologia da notícia em sítios eletrônicos, de Thaïs de Mendonça Jorge, é um dos textos da Revista Científica de Comunicação Contra&Dição, da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Brasil), no seu volume I.

Do resumo, retiro o seguinte:

  • O gênero jornalístico é fenômeno histórico e social integrado aos chamados cibermeios, configurando nova economia da escrita. Com base em pesquisa nos sítios eletrônicos uol.com.br e clarin.com, maiores portais em língua portuguesa e espanhola, este artigo estuda os gêneros que estão surgindo nas páginas noticiosas da rede mundial de computadores. Entre os tipos de notícia encontráveis, nem todos são novos. Há os que estão em transformação, os que se mantêm e os que passam por uma reciclagem. O relato colocado na página eletrônica, com recursos multimídia, seria apenas uma notícia ou o nome tornou-se inadequado? Examinando o jornalismo na internet a partir dos sítios eletrônicos brasileiro e argentino, o argumento principal é o de que a notícia está em processo de desenvolvimento, conseqüência da mutação que outros gêneros também sofrem ao se adaptar ao meio digital.

O texto completo pode ser lido aqui.

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26.6.08

LIVRO DE JOAQUIM FIDALGO É APRESENTADO EM ESPINHO


Apresentação do livro O Jornalista em construção, de Joaquim Fidalgo (Porto: Porto Editora, 2008), pelo jornalista Rui Osório, amanhã, dia 27 de Junho, às 21:30, na Biblioteca Municipal de Espinho. Entrada livre.

Iniciativa da Câmara Municipal de Espinho.

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BARBIE ZELIZER EM PORTUGAL


Barbie Zelizer (docente da Annenberg School for Communication, da Universidade da Pensilvânia, Estados Unidos) vai proferir uma conferência na Universidade Católica Portuguesa. Intitulada Reporting War, ela decorrerá no dia 30 de Junho (9:00/13:00), na Sala Brasil, Piso 1, Edifício da Biblioteca João Paulo II , naquela universidade.

Da parte da tarde (14:30/16:30), e no mesmo local, haverá lugar a uma mesa redonda intitulada Journalism, War and Media Incitement, com Isabel Capeloa Gil (Universidade Católica), Cândida Pinto, José Manuel Rosendo e Amir Sagie.

Trata-se de realizações integradas na Summer School Politics, Law and Security Policies in the European Union, organizada em conjunto pela Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica Portuguesa e Faculdade de Direito da mesma universidade com a Georgetow University, Washinghton D.C. (Estados Unidos).

A conferência e a mesa redonda estão abertas ao público em geral.

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15.6.08

NOVOS CONTEÚDOS NOTICIOSOS


Vera Moutinho é licenciada em Jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social e trabalha há cerca de um ano na SAPO Noticias, portal que apostou na produção própria de conteúdos noticiosos. A jornalista trabalhou o tema "Novas Oportunidades", um programa governamental destinado ao reconhecimento de competências escolares, tendo passado algum tempo na na Escola Secundária Anselmo de Andrade (Almada). Um desses trabalhos, intitulado O dia a dia de um aluno, fala da vida profissional de Mário Paiva (autorização dada pela autora para reprodução do vídeo neste blogue).

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12.6.08

SOBRE O FUTURO DO JORNALISMO - UM IMPORTANTE ARTIGO DE JOSÉ MANUEL FERNANDES NO PÚBLICO DE HOJE


Excerto do artigo:

  • Ilicco Elia, da Reuters, contou como na agência até alguns dos seus mais experientes fotógrafos começaram a utilizar, a par das suas câmaras profissionais, também um telemóvel que a Nokia desenvolveu especialmente para obter boa qualidade de imagem (fotografia e vídeo), o N95. Com esse pequeno aparelho a agência não só complementa a sua oferta clássica, como inova: durante o último Fórum de Davos, na Suíça, a Reuters pediu a alguns dos delegados para filmarem, utilizando esses telemóveis, depoimentos de outros delegados, um "jogo" a que estes se prestaram. Depois de editadas, essas imagens foram retomadas por muitos órgãos de informação clientes daquela agência de notícias. [...] Só que isso também implica uma relação diferente com os leitores e com o público. Se a imprensa quiser acrescentar valor já, não lhe basta, como no passado, produzir "notícias que tenham utilidade" - e utilidade no sentido mais alargado do termo, que vai da utilidade para a formação da opinião a uma utilidade mais directa, palpável, com reflexos no dia-a-dia ou no poder de recomendação dos jornais. Agora necessita que os leitores sintam essa utilidade quando "partilham" entre eles a informação nas comunidades que estão a crescer na Web 2.0. O que passa por olhar para o jornalismo com outros olhos.

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25.5.08

LER JORNAIS VERSUS VER TELEVISÃO


O meu ponto de partida pode ser bizarro, quando defendo a importância da leitura de jornais face aos noticiários televisivos: a distância do olhar ao objecto olhado. Quando vemos televisão, a distância é elevada, existindo focos de atenção entre nós e o aparelho, que nos desconcentra. A aliar a isso, uma menos capacidade de atenção do meio visual, em que a imagem vale mais do que o texto. Por seu lado, quando lemos um jornal ou um livro, a distância entre o olhar e o objecto é a distância focal do indivíduo, obrigando a uma mais elevada concentração dos sentidos.

Isso, a meu ver, justifica porque compreendo melhor as situações actuais na China e na África do Sul lendo os jornais do que vendo os noticiários da televisão. No Público, Jorge Almeida Fernandes explica-nos porque "O mundo gosta da China". Porque o recente terramoto naquele país foi acompanhado quase em directo e permanência pelos governantes e pelos media, dando um retrato do desastre mas, em especial, das medidas de solidariedade nacionais e internacionais, quando em contraponto com o isolamento total (informativo e governamental) em tragédia semelhante em 1976.

Já no Observer, John Carlin explica o que se está a passar na África do Sul ("Blame it on apartheid's cruel legacy of bad schooling and joblessness"). A morte e a violência nas cidades daquele país explicam-se por aquilo a que Carlin chama de negrofobia: não são os brancos os principais alvos da violência mas os imigrantes de Moçambique, Malawi, Somália, Congo e Nigéria. Neste momento, a África do Sul tem 40% de população desempregada; os imigrantes são mais bem qualificados e ganham aos naturais do país os empregos em concurso, o que os põe zangados, impotentes, ressentidos e, em especial, com fome. Pergunta Carlin: imaginem que 40% dos naturais de países como a França, Reino Unido ou Espanha estivessem desempregados e os novos empregos fossem para imigrantes do leste europeu ou de outras origens. O que fariam?

Por isso, retomo a minha perspectiva: a distância do olhar ao objecto olhado é um elemento fundamental na compreensão e conhecimento dos factos. A reflectir com mais profundidade numa outra ocasião.

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LIVROS


A página inteira do Público dedicada à Feira do Livro que abriu em Lisboa, depois das polémicas dos dias mais recentes, dá conta de muita gente visitante no primeiro dia de feira. E a jornalista Isabel Coutinho destaca o merchandising e as promoções, ou "os produtos associados ao livro", a ganhar terreno.

As três páginas do Observer, assinadas por Robert McCrum, assinalam outra realidade. Se o texto do Público é sobre um acontecimento, com informação impressionista sobre a abertura da feira do livro, o trabalho do Observer é sobre uma problemática, a do negócio do livro na última década.

Escreve McCrum que, em dez anos, se deixou de associar livros a cigarros, cafés e bebidas fortes, numa mudança para o "politicamente correcto". O editor literário do jornal inglês fala em dez principais mudanças nesta década no que diz respeito ao livro. Destaco apenas alguns tópicos, por desconhecimento dos outros: o aparecimento de novos escritores (ver o caso de JK Rowling com Harry Potter), os grandes negócios em torno do livro, a internet (a www.amazon.uk.com, entre outras), o leitor electrónico e portátil de livros Kindle, os prémios e os festivais literários [aconselho a leitura de todo o texto de McCrum, a procurar na internet].

Volto ao Público e à página do provedor do leitor. Joaquim Vieira, a partir de uma carta de leitor, analisa um texto publicado no jornal sobre o grupo editorial Leya, onde se falava de "tentáculos de grandes grupos", "sinal de alarme", "vítimas", expressões usadas para salientar a concentração na indústria livreira. Escreveu o leitor: "Parece que a jornalista terá preferência por determinado modelo económico". Na verdade, uma coisa é descrever um facto, outra é olhá-lo com um quadro teórico ou político ou económico. O provedor chama a atenção para o livro de estilo do jornal, onde se distinguem as matérias de facto e de opinião.

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APONTAMENTO SOBRE O ENSINO DO JORNALISMO


Pelo cálculo do Via Michelin, Vila Real dista do Barreiro 437 quilómetros (Portugal é um país pequeno). Contudo, o anúncio colocado no blogue Comunicamos, pertencente a um departamento ligado à Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, considera Barreiro como ficando no estrangeiro, estranha forma de dizer que a distância entre o produtor da mensagem e o local de emprego é considerável.

Não sou favorável ao controlo dos conteúdos, mas basta haver bom senso para eliminar tais erros. Ninguém, absolutamente ninguém, lucra com estes erros infantis.

Já agora, sigo com atenção a produção de todo o conjunto de blogues
Comunicamos, excelente meio de colocar professores e alunos a trabalhar com novas ferramentas de comunicação. Um exemplo são os curtos vídeos colocados, como este. Há grandes potencialidades no seu uso, perspectivando a criação de televisões locais na internet. O grande obstáculo é o lado financeiro de tais projectos, possivelmente ultrapassado se associados com outros media mais clássicos como a imprensa e a rádio.

Um reparo, apesar da bondade das propostas feitas na área das ciências da comunicação daquela universidade: o Manual de Jornalismo Impresso tem, como bibliografia, apenas quatro referências: 1) Gradim, A. (s.d.). Manual de Jornalismo Livro de Estilo do Urbi et Orbi. Obtido de BOCC:
http://www.bocc.ubi.pt/, 2) Livro de Estilo Público (2ª ed.). (2005). Lisboa: Gradiva, 3) Sousa, J. P. (2001). Elementos de Jornalismo Impresso. Porto: BOCC (http://www.bocc.ubi.pt/), 4) Tuchman, G. (1993). A objectividade como ritual estratégico: uma análise das noções de objectividade dos jornalistas. In N. Traquina, Jornalismo: Questões Teóricas e Estórias (pp. 74-90). Lisboa: Vega. Não será de menos? A produção nacional, nomeadamente as colecções de livros da MinervaCoimbra, da Porto Editora e dos Livros Horizonte, não têm qualidade? Autores como Cristina Ponte, Joaquim Fidalgo, Manuel Pinto, Fernando Cascais, Estrela Serrano, Mário Mesquita não devem ser incluídos num manual deste tipo? Ou Michael Schudson ou Thomas Patterson? Formam-se estudantes num mínimo de informação? Não devem ser profissionais críticos?

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12.5.08

JORNALISMO DIGITAL


Comecei no blogue de Rodrigo Savazoni (aconselhado num post numa rede social por Rodrigo Furtado Costa, da Universidade do Estado de Minas Gerais, Campus de Frutal & Faculdade Frutal, do Brasil).

Savazoni escrevia no passado dia 1 sobre a
Garapa, uma produtora multimedia, e refere "reportagens de altíssima qualidade. Isso é resultado da explosão do jornalismo digital nos últimos dois anos. Texto, áudio, vídeo, foto, mashups, mapas reunidos por criativos jornalistas resultam em histórias contadas de um jeito que jamais se viu. Alguns chamam de multimídia. Eu gosto da expressão hipermídia".

Depois,
Rodrigo Savazoni encaminha-nos para a MediaStorm, de Brian Storm, ex-director da MSNBC,

  • que resolveu apostar seus dotes e dólares na construção de uma produtora digital para a rede. O MediaStorm tem trabalhos publicado por veículos da grande mídia americana, entre os quais a própria MSNBC, o Washington Post e o Los Angeles Times. É impossível não se emocionar com trabalhos como o Blodlines, finalista do Emmy, ou o sensacional Kingsley Crossing, vencedor do Emmy. Na época do vídeo fácil, doYouTube, o MediaStorm tem apostado em trabalhos de altíssima qualidade, baixo orçamento e muita criatividade. E tem contribuído para ampliar os horizontes de quem trabalha contando histórias no mundo digital.
Aconselho a entrar no MediaStorm e a ver, por exemplo, The ninth floor, de Jessica Dimmock, onde se conta a história de gente com problemas de adicção mas que procura recuperar a dignidade.


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10.5.08

CADERNOS DE JORNALISMO


No dia 15, pelas 21:00, na Galeria Santa Clara, em Coimbra, é lançado o número 1 dos Cadernos de Jornalismo, do Instituto de Estudos Jornalísticos (Coimbra).

Reune vários temas, nomeadamente na rubrica Reportagem, que "apresenta peças que reportam a realidades diversificadas como as touradas aos quotidianos tão longínquos como Trás-os-Montes e o Timor português", segundo Isabel Ferin, directora daquele instituto. Nas rubricas Dossiê e Bloco de Notas, destaca-se uma dissertação sobre relações entre literatura e jornalismo. Na secção Best Of apresenta-se uma experiência de estágio bem sucedida no jornal Público e na rubrica Por Falar aborda-se o teatro de Tchekhov e uma entrevista ao encenador Andrzej Kowalski.


O número é coordenado por Clara Almeida Santos e João Figueira e o design pertence a António Barros.

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7.5.08

A TENDÊNCIA DOS JORNAIS GRATUITOS


Retiro a informação da newsletter de hoje do European Journalism Centre: os jornais, no futuro e devido à concorrência da internet, serão gratuitos e com maior ênfase no comentário e opinião (a partir de um relatório da Zogby International para a World Editors Forum e a Reuters, onde foram inquiridos 704 responsáveis seniores dos jornais).

Isto significa, por outro lado, que os editores estão optimistas quanto à digitalização. Cerca de 86% acreditam que as salas de redacção terão uma maior integração de serviços digitais e 2/3 dos respondentes acreditam que o consumo de notícias será maioritariamente através dos media electrónicos tais como o online e os telemóveis, no espaço de uma década. Conforme o inquérito, 56% dos entrevistados acredita que a maioria das notícias será gratuita, quer se trate de impressa ou online (há um ano, 48% dos inquiridos pensavam deste modo). O modelo dos jornais gratuitos está a atingir mercados "emergentes" como América do Sul, Europa oriental, Rússia, Médio Oriente e Ásia (segundo 61% dos respondentes). Já 48% dos inquiridos na Europa ocidental pensam que os jornais serão totalmente gratuitos, ao passo que 50% de responsáveis americanos aceitam a mesma perspectiva. A maior ameaça à indústria é a queda de leitores entre os mais jovens, ao mesmo tempo em que há mais qualidade no jornalismo.

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29.4.08

COLÓQUIO SOBRE JORNALISMO EM OEIRAS


Os jornalistas Inês Serra Lopes, Sérgio Figueiredo e Paulo Rego participam na Tertúlia Oeiras à Conversa, amanhã, dia 30 de Abril, pelas 18:30, no "Pólvora Café" (Fábrica da Pólvora de Barcarena).

O tema é Somos todos jornalistas? - A Internet e os desafios do jornalismo no contexto regional e assinala o Dia da Imprensa Regional do concelho de Oeiras.

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21.4.08

MICHAEL SCHUDSON EM LISBOA


Michael Schudson foi, para uma assistente ao seminário dado por ele na semana passada, a (sua) bibliografia ao vivo. Leitora profícua dos trabalhos de Schudson, ela seguiu atentamente o que o sociólogo dizia, no seu tom sereno e lento, muito contido, transparecendo pouco as suas emoções.

Que me ficou dele? Foi a primeira vez que veio a Portugal, a avenida da Liberdade lembrou-lhe Paris (Champs Elysées), gostou de andar a pé pela baixa lisboeta, viu o castelo de S. Jorge e o museu do Chiado, andou de metro e deu entrevistas (ao Público e à SIC sei que deu). Proferiu uma conferência na FLAD (Fundação Luso-Americana) e deu nove horas de seminário de Sociologia do Jornalismo a alunos de doutoramento e mestrado da UCP.


Antes de o conhecer, o perfil que eu tinha dele era o de historiador e sociólogo do jornalismo, em especial a imprensa. Mas rapidamente percebi outras características na sua investigação: cidadania, participação cívica, democracia, jornalismo. Retive logo o seu amplo conhecimento pela história americana, pelos pais fundadores e como a democracia americana é peculiar: eleições com churrascos, festas, procissões. Se o ponto forte de Schudson é o conhecimento da América, a sua fragilidade é a de conhecer menos bem a realidade europeia (em que Portugal se dilui, claro).

A sua investigação incide na imprensa, como escrevi acima, mas refere com frequência a televisão. Se dá menos espaço à internet, considera a importância de haver quem seleccione a vasta informação nela disponibilizada, à imagem da abertura do seu livro The power of news: os jornalistas continuarão a ser precisos para seleccionar e interpretar alguns dos acontecimentos, organização fundamental quando há milhares de ocorrências e não existe tempo de atenção para todos.

Fixei também o método de ensinar. Faz uma pequena introdução, aponta os textos a discutir, escreve tópicos no quadro e vai procurando envolver os alunos. Às perguntas respondeu lentamente: enquadrava a questão, dava um apontamento, argumentava. Do que disse percebiam-se os seus livros: Discovering the news, The power of news, The good citizen. Falou menos dos assuntos do livro The sociology of news, embora destacasse o papel das fontes de informação. Traçou sete pontos em que o jornalismo pode ajudar a democracia (mobilização, informação, investigação, explicação, empatia social, fórum público, ensino da democracia), desenhou um esquema de profissionalismo (o vídeo, de cerca de 11 minutos, foi retirado da sessão de 16 de Abril).




Mal chegou a Portugal, quis conhecer o perfil dos estudantes do seminário, que jornais nacionais e locais havia e como era a televisão (ficou mais interessado quando soube que shows de informação americanos passam nos canais de cabo portugueses). No seminário falou frequentemente do New York Times e do Los Angeles Times e dos media da sua cidade californiana San Diego e das eleições quer no seu estado quer das presidenciais deste ano.

Agora que vou reler Schudson, vou fazê-lo lembrando-me da sua voz e do modo de explicar os temas. Aprendi muito.

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16.4.08

SOBRE A AULA DE AMANHÃ DE MICHAEL SCHUDSON