Textos de Rogério Santos, com reflexões e atualidade sobre indústrias culturais (imprensa, rádio, televisão, internet, cinema, videojogos, música, livros, centros comerciais) e criativas (museus, exposições, teatro, espetáculos). Na blogosfera desde 2002.
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009
JORNAIS DESPORTIVOS
Seis dos principais jornais desportivos do mundo formaram uma associação internacional, a International Association of Sports Newspapers (IASN), para defender e promover os interesses e liberdade da imprensa desportiva. Os membros fundadores da IASN são o italiano La Gazzetta dello Sport, os espanhóis El Mundo Deportivo e Marca, o francês L'Equipe, o argentino Olé e o brasileiro Lance. Santi Nolla, director do El Mundo Deportivo é o primeiro presidente da associação, enquanto Rosarita Cuccoli, parisiense nascida em Itália e especialista em relações internacionais, é a secretária-geral. A sede da IASN, associada da World Association of Newspapers, fica em Paris e a frase da associação é Imprensa desportiva para o desporto na sociedade (fonte: World Association of Newspapers).
O BLOGUE DO CENTRO NACIONAL DE CULTURA
O endereço é este. No texto de hoje, indica o cartoon de Alexandre Romão e de André Gonçalves no Pior de Tudo. E destaca ainda as Correntes d’Escritas – Encontro de Escritores de Expressão Ibérica, entre 11 e 14 de Fevereiro na Póvoa de Varzim, quando este evento comemora dez anos.
ASSÍRIO & ALVIM NO CIBERESCRITAS
O blogue da editora Assírio & Alvim visto através do Ciberescritas, de Isabel Coutinho, com um vídeo de alunos da Universidade Autónoma de Lisboa.
domingo, 8 de fevereiro de 2009
ANO EUROPEU DA CRIATIVIDADE E INOVAÇÃO

Leonel Moura, artista conceptual (fotografia ao lado), é um dos embaixadores do Ano Europeu da Criatividade e Inovação, conforme se pode conferir aqui.
Os outros são Ferran Adrià Acosta (ES), cozinheiro do El Buli, Esko Tapani Aho (FI), vice-presidente da Nokia, Karlheinz Brandenburg (DI), professor e investigador em tecnologias da informação e comunicação, Jean-Philippe Courtois (FR), presidente da Microsoft International, Edward de Bono (MT), autor e conferencista em criatividade e pensamento lateral, Anne Teresa de Keersmaeker (BE), coreógrafa de dança, Ján Ďurovčík (SK), coreógrafo de dança, Richard Florida (EUA, CA), autor, professor e economista, Jack Martin Händler (SK), maestro, Antonín Holý (República Checa), professor e químico, Remment Lucas Koolhaas (HO), professor, arquitecto e planeador urbano, Damini Kumar (IE), designer e inventora, Dominique Langevin (FR), professora e físico, Rita Levi-Montalcini (IT), professora laureada com o Nobel e neurologista, Áron Losonczi (HU), arquitecto e inventor, Bengt-Åke Lundvall (DI), professor e investigador em inovação, Javier Mariscal (ES), designer, Radu Mihăileanu (FR, RO), realizador de cinema, Blanka Říhová (República Checa), professora e microbiologista, Ken Robinson (RU), professor e autor em criatividade e inovação, Ernő Rubik (HU), professor, arquitecto e designer, Jordi Savall i Bernadet (ES), músico e professor, Erik Spiekermann (AL), professor e designer de tipografia, Philippe Starck (FR), criador, director artístico e designer, Christine van Broeckhoven (BE), professora e neurocientista molecular, Harriet Wallberg-Henriksson (SE), professora e presidente do Karolinska Institutet.
A REPRESENTAÇÃO DA MULHER NO CINEMA
Diz a professora de Oxford, Diane Purkiss, que as heroínas de Hollywood são cada vez mais representadas como neuróticas, idiotas e obcecadas com homens, peso, compras e casamentos (jornal Observer de hoje). Em análise cinco décadas de cinema, em que Purkiss encontra desde actrizes da época dourada de Hollywood, como Katharine Hepburn, Audrey Hepburn e Bette Davis, que representavam personagens completas mas com graça, a personagens como Bridget Jones, que, menos emancipada e inteligente que as anteriores, ainda o é mais do que as personagens de hoje.
Purkiss refere-se a filmes como He's just not that into you e Confessions of a shopaholic, que eu não conheço, em que se representa um estereótipo de mulher misógina e neurótica. Hollywood tinha respeito pelas mulheres nas primeiras décadas do cinema, visto que elas eram a maioria das espectadoras das salas. Além disso, e ainda hoje, menos de 10% dos filmes são escritos por mulheres e menos de 6% são por elas dirigidos. A investigadora diz que os homens não querem combinar mulheres de carácter forte com sensualidade.

A meu ver, é essa a fragilidade do último filme de Woody Allen, em que as personagens de Scarlett Johansson, Rebecca Hall e Penélope Cruz reproduzem esses esterótipos, ao lado do estereótipo de macho latino desempenhado pela personagem interpretada por Javier Bardem. Ou a fragilidade do filme de Sam Mendes, Revolutionary Road, em que a personagem desempenhada por Kate Winslet é a de uma mulher neurótica, sem muitas possibilidades de sobreviver ao esmagamento provocado pela força da personagem masculina.
Purkiss refere-se a filmes como He's just not that into you e Confessions of a shopaholic, que eu não conheço, em que se representa um estereótipo de mulher misógina e neurótica. Hollywood tinha respeito pelas mulheres nas primeiras décadas do cinema, visto que elas eram a maioria das espectadoras das salas. Além disso, e ainda hoje, menos de 10% dos filmes são escritos por mulheres e menos de 6% são por elas dirigidos. A investigadora diz que os homens não querem combinar mulheres de carácter forte com sensualidade.

A meu ver, é essa a fragilidade do último filme de Woody Allen, em que as personagens de Scarlett Johansson, Rebecca Hall e Penélope Cruz reproduzem esses esterótipos, ao lado do estereótipo de macho latino desempenhado pela personagem interpretada por Javier Bardem. Ou a fragilidade do filme de Sam Mendes, Revolutionary Road, em que a personagem desempenhada por Kate Winslet é a de uma mulher neurótica, sem muitas possibilidades de sobreviver ao esmagamento provocado pela força da personagem masculina.
ENTREVISTA DE AZEREDO LOPES AO DIÁRIO DE NOTÍCIAS
A entrevista de Azeredo Lopes, presidente da ERC (Entidade Reguladora para a Comunicação Social), ao Diário de Notícias ocupa quatro páginas.
Leitura imediata: 1) espaço excessivo (caso da primeira página, onde se explica a razão pela qual não aceitou ser entrevistado por um jornalista do Expresso), 2) vitória simbólica (sobre os que têm criticado a sua acção), 3) poucas novidades, embora consubstancie, certamente, o que disse recentemente no Parlamento.
Gostei do final de duas perguntas. Sobre a relação sucesso comercial e qualidade informativa, o responsável da ERC considera ser importante haver estabilidade económica e financeira de um meio de informação e expectativa de uma maior liberdade de imprensa, plural porque menos dependente. Sobre anúncios eróticos, área que precisa de regulamentação, o mesmo responsável entende que as dificuldades financeiras invocadas pelos media não devem sobrepor-se aos direitos dos cidadãos.
Leitura imediata: 1) espaço excessivo (caso da primeira página, onde se explica a razão pela qual não aceitou ser entrevistado por um jornalista do Expresso), 2) vitória simbólica (sobre os que têm criticado a sua acção), 3) poucas novidades, embora consubstancie, certamente, o que disse recentemente no Parlamento.
Gostei do final de duas perguntas. Sobre a relação sucesso comercial e qualidade informativa, o responsável da ERC considera ser importante haver estabilidade económica e financeira de um meio de informação e expectativa de uma maior liberdade de imprensa, plural porque menos dependente. Sobre anúncios eróticos, área que precisa de regulamentação, o mesmo responsável entende que as dificuldades financeiras invocadas pelos media não devem sobrepor-se aos direitos dos cidadãos.
PORTO, RUA DE CEDOFEITA
O Diário de Notícias de hoje indica que poderá estar para breve a implantação de uma cobertura para a rua de Cedofeita, de modo a transformá-la num enorme centro comercial ao ar livre, entre a Praça Carlos Alberto e a rua do Breyner. Aberta em 1784 e até há poucas dezenas de anos com tráfego rodoviário, a rua tem muito comércio tradicional que está a perder a sua vitalidade de sempre. O projecto pertence ao arquitecto Germano de Castro Pinheiro, ideia que segue um exemplo de Milão.
SALAZAR NÃO CAIU DA CADEIRA MAS NA BANHEIRA
É a tese da minissérie hoje e amanhã a emitir pela SIC, A vida privada de Salazar. Produção de Manuel S. Fonseca, antigo director de programas daquela estação, a história reconta os episódios que levaram à doença de Salazar (e substituição por Caetano).
O Diário de Notícias faz uma entrevista a Jaime Nogueira Pinto, docente universitário que se identifica muito com o pensamento de Salazar. O Público prefere falar com Irene Pimentel, historiadora e com uma ideia diferente de Salazar. "Salazar vende bem", diz ela. Nogueira Pinto confirma, referindo o êxito do seu livro António de Oliveira Salazar: o outro retrato.
O Diário de Notícias faz uma entrevista a Jaime Nogueira Pinto, docente universitário que se identifica muito com o pensamento de Salazar. O Público prefere falar com Irene Pimentel, historiadora e com uma ideia diferente de Salazar. "Salazar vende bem", diz ela. Nogueira Pinto confirma, referindo o êxito do seu livro António de Oliveira Salazar: o outro retrato.
sábado, 7 de fevereiro de 2009
MAIS DE 650 MIL MILHÕES DE EUROS VALEM AS INDÚSTRIAS CULTURAIS NA EUROPA
- Uma das apostas de Sheffield foi na criação de uma "marca" - Creativesheffield -, associando a estratégia de marketing ao plano de desenvolvimento económico. O city branding é importante mas não essencial para todos os casos, afirma Jan Runge, da KEA European Affairs, a empresa baseada na Bélgica que foi responsável pelo estudo que concluiu que as indústrias culturais representaram em 2003 na Europa 654 mil milhões de euros, enquanto, por exemplo, a indústria automóvel representou 271 mil milhões.
OUTRA POSIÇÃO QUANTO AO PESO DAS INDÚSTRIAS CULTURAIS
- [Manuel Maria Carrilho] Desmontou, por exemplo, o relatório da Comissão Europeia que, com base em dados de 2003, estima que o peso das indústrias culturais no PIB da EU ronda os 2,6 por cento, situando-se, em Portugal, em 1,4 por cento. Segundo Carrilho, só o facto de o relatório incluir na produção cultural sectores como a televisão ou a publicidade, entre muitos outros, permite chegar a tais números. Afirmando que a cultura não precisa de ver artificialmente empolada a sua relevância económica, continua a achar que, em Portugal, exigir um por cento do Orçamento do Estado (OE) para o Ministério da Cultura (MC) é um objectivo realista.
TELEVISÃO - O 5º CANAL
O 5º canal de livre acesso (feixe hertziano) ainda não abriu - aliás, ainda não tem sequer vencedor do concurso - mas já está a provocar polémica. Em termos de partidos políticos, houve algumas intervenções, passando agora a discussão para os agentes no terreno.
Um concorrente, a Telecinco, quer o outro, a Zon, fora do concurso. Confesso que não percebi ainda as razões daquele concorrente, que alega erros processuais. No Público de anteontem, Luís Mergulhão, da Omnicom Media Portugal, dizia à jornalista que havia a perspectiva de uma quebra de 8,2% do investimento publicitário para 2009, seguindo a tendência de 2008 (baixa de 1,1%) Os 8% iam atingir nessa proporção os três canais televisivos de sinal aberto, dependentes em 90% da publicidade. Daí, ele pensar que a imprensa e a televisão se ressintam ainda mais com o aparecimento do 5º canal na plataforma de televisão digital, caso da Telecinco, que se propõe conquistar 20 a 25% das audiências. Já no Diário de Notícias de ontem, Frederico Ferreira de Almeida, presidente da APIT (Associação de Produtores Independentes de Televisão), dizia ser uma nova oportunidade para a indústria do audiovisual o surgimento de mais um canal. Quantos mais canais, mais possibilidades há em fazer programas.
De Luís Mergulhão compreendo o receio da dispersão de publicidade por mais um canal, mas não sei se o novo canal vai conseguir a quota de 20% ou mais de mercado. Que programação é que vai trazer o novo canal para conquistar tamanha audiência? E quem são os dirigentes da Telecinco? Acredito na dispersão mas haverá receio por parte dos anunciantes? Quanto a Ferreira de Almeida, partilho com ele a convicção de que mais canais significam mais possibilidades de produção externa. O ponto de partida dele é a existência de espaço de crescimento de produção fora dos canais, incluindo a TVI. Mas deste canal não se ouve a opinião, ao contrário da SIC, que teme a concorrência e assume uma posição pessimista sobre a abertura do novo canal.

Um concorrente, a Telecinco, quer o outro, a Zon, fora do concurso. Confesso que não percebi ainda as razões daquele concorrente, que alega erros processuais. No Público de anteontem, Luís Mergulhão, da Omnicom Media Portugal, dizia à jornalista que havia a perspectiva de uma quebra de 8,2% do investimento publicitário para 2009, seguindo a tendência de 2008 (baixa de 1,1%) Os 8% iam atingir nessa proporção os três canais televisivos de sinal aberto, dependentes em 90% da publicidade. Daí, ele pensar que a imprensa e a televisão se ressintam ainda mais com o aparecimento do 5º canal na plataforma de televisão digital, caso da Telecinco, que se propõe conquistar 20 a 25% das audiências. Já no Diário de Notícias de ontem, Frederico Ferreira de Almeida, presidente da APIT (Associação de Produtores Independentes de Televisão), dizia ser uma nova oportunidade para a indústria do audiovisual o surgimento de mais um canal. Quantos mais canais, mais possibilidades há em fazer programas.
De Luís Mergulhão compreendo o receio da dispersão de publicidade por mais um canal, mas não sei se o novo canal vai conseguir a quota de 20% ou mais de mercado. Que programação é que vai trazer o novo canal para conquistar tamanha audiência? E quem são os dirigentes da Telecinco? Acredito na dispersão mas haverá receio por parte dos anunciantes? Quanto a Ferreira de Almeida, partilho com ele a convicção de que mais canais significam mais possibilidades de produção externa. O ponto de partida dele é a existência de espaço de crescimento de produção fora dos canais, incluindo a TVI. Mas deste canal não se ouve a opinião, ao contrário da SIC, que teme a concorrência e assume uma posição pessimista sobre a abertura do novo canal.

AS TELEVISÕES PÚBLICAS NA ÓPTICA DE FRANCISCO PINTO BALSEMÃO
O texto que Francisco Pinto Balsemão, da Impresa (Expresso, Visão, SIC), escreveu no Público do dia 5 de Fevereiro é um documento importante para ler e comentar.
A base do seu pensamento é já conhecida: ele é favorável a um mercado de media saudável e privado e quer uma legislação adequada nas regras de financiamento da televisão pública. Assinando o artigo na qualidade de presidente da European Publishers Council (EPC) e na de dirigente (CEO) da Impresa, Balsemão entende que a televisão pública está a alargar as suas actividades na televisão digital, por cabo e na internet quando não está legislado a migração para essas plataformas. A televisão pública é financiada pelo erário público e deve restringir-se ao legislado.
A base do seu pensamento é já conhecida: ele é favorável a um mercado de media saudável e privado e quer uma legislação adequada nas regras de financiamento da televisão pública. Assinando o artigo na qualidade de presidente da European Publishers Council (EPC) e na de dirigente (CEO) da Impresa, Balsemão entende que a televisão pública está a alargar as suas actividades na televisão digital, por cabo e na internet quando não está legislado a migração para essas plataformas. A televisão pública é financiada pelo erário público e deve restringir-se ao legislado.
AUTO-REGULAÇÃO NA PUBLICIDADE DENTRO DOS PROGRAMAS

Peças publicadas no Público e Diário de Notícias de ontem davam conta do acordo entre os canais generalistas das regras para publicidade dentro dos programas (product placement). Este esforço de auto-regulação, que surge na sequência de numa directiva europeia, resultaria num acordo a assinar pela Conferederação Portuguesa dos Meios de Comunicação Social (CPMCS) e pelo Instituto Civil de Autodisciplina da Publicidade (ICAP), após 12 meses de negociação. As notícias indicam também ser Portugal o primeiro país a aplicar legislação para o product placement.
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009
RÁDIOS LOCAIS - UMA CARACTERIZAÇÃO
O estudo agora publicado pela ERC, Caracterização do Sector da Radiodifusão Local, considera os seguintes meios relacionados com a transmissão de conteúdos de rádio: rádio hertziana, online, satélite, digital, podcast e telemóvel. Observa que as audiências têm baixado lentamente ao longo dos anos, e um movimento semelhante quanto a investimentos publicitários.
Quanto às rádios locais, eixo central do estudo, indica que há pouca informação em termos de audiências e investimentos publicitários. Curiosamente, uma das principais fontes de informação do estudo é a Marktest e os resultados que esta entidade publica regularmente; daí que o estudo parta do preço médio de um spot publicitário a partir de preços de tabela indicados nos estudos da Marktest - 198 euros numa rádio nacional e 15 euros numa rádio local. Com as taxas de desconto a poderem ir até aos 80% nas rádios nacionais e 60% nas rádios locais, os valores reais são de 40 euros numa rádio nacional e 6 euros numa local (aqui, pode descer até aos 3 euros, conforme se explicita melhor na página 126).
O estudo assenta em dois sectores fundamentais (análise internacional: Estados Unidos, Espanha, Reino Unido, França; análise nacional, com especial incidência nas rádios locais) e em duas metodologias: inquérito (165 rádios locais; num outro sítio, li 181 rádios) [ver análise nos parágrafos seguintes] e 8 entrevistas a responsáveis de rádios locais. Das estações analisadas, apenas 7 têm facturação superior a 500 mil euros, 25 entre 200 e 500 mil euros e as restantes abaixo de 200 mil euros. Assim, o valor da média de facturação por rádio anda nos 23180 euros, apesar de ser um dado meramente estimativo, quanto se percebe do estudo (página 141), com as áreas da Grande Lisboa e Grande Porto a serem as maiores geradoras de publicidade. Quanto a recursos humanos, a média em cada rádio local é de 4 empregados (aparece um desvio na zona do Ave, com 15 empregados, como se lê na página 136, certamente um erro de preenchimento não explicado; da mesma forma, o Ave aparece em primeiro lugar na facturação média, como se lê na página 121). As 20 rádios mais rentáveis têm poucos ou nenhum empregado (esta observação parece-me estranha, pois pelo menos deve haver alguém que liga a electricidade e os computadores que transmitem música), com custo anual por empregado de 7 mil euros. A audiência média é de 23 mil habitantes (a nomenclatura melhor seria ouvintes) (página 21).
A maioria da programação das rádios locais é generalista (94%) e temática (as restantes). A caracterização do mercado das rádios locais começa na página 65 do estudo (83 rádios do litoral, 70 do interior, 12 das regiões autónomas). A programação temática dos operadores abrange cultura (86%), música portuguesa (81%) e crenças religiosas (47%). Mas muita da produção é externa às estações, caso da cultura, com 60%, o que permite uma estrutura mais flexível de custos. Em termos de regularidade de programas em diversas temáticas ficam aqui alguns números: 58% em ambiente, 53% para públicos femininos, 84% sobre cultura, 78% para públicos infanto-juvenis, 96% quanto a música portuguesa, 39% em termos de noticiários em cada hora, 92% quanto a informação regional, 79% com participação pública, 91% dedicados a informação desportiva.
Anoto alguns problemas no estudo, o principal dos quais é inerente ao inquérito: responder não significa que os dados reflictam a realidade do sector. A mim, parecem-me exagerados os valores da programação regular, excepto no desporto. Não há forma de despistarmos os dados com este método, sem qualquer análise qualitativa à programação. As entrevistas ajudam a colmatar algumas das dificuldades identificadas, apesar da incidência em rádios a norte do Mondego, o que compromete a leitura do país. Outra falta é a ausência de bibliografia: apesar da evidência de poucos estudos, eles fizeram-se, caso dos do Obercom. Igorar isso é falta de consideração.
Mas o balanço é muito positivo, pois o inquérito representa o melhor estudo sobre a rádio que eu conheço, o que permite olhar melhor para o sector.
Autores: Change Partners (José Bastos, Maria João Rego, Rui Lopes) e Escola Superior de Comunicação Social (André Sendim, António Belo, Carlos Andrade)
Quanto às rádios locais, eixo central do estudo, indica que há pouca informação em termos de audiências e investimentos publicitários. Curiosamente, uma das principais fontes de informação do estudo é a Marktest e os resultados que esta entidade publica regularmente; daí que o estudo parta do preço médio de um spot publicitário a partir de preços de tabela indicados nos estudos da Marktest - 198 euros numa rádio nacional e 15 euros numa rádio local. Com as taxas de desconto a poderem ir até aos 80% nas rádios nacionais e 60% nas rádios locais, os valores reais são de 40 euros numa rádio nacional e 6 euros numa local (aqui, pode descer até aos 3 euros, conforme se explicita melhor na página 126).O estudo assenta em dois sectores fundamentais (análise internacional: Estados Unidos, Espanha, Reino Unido, França; análise nacional, com especial incidência nas rádios locais) e em duas metodologias: inquérito (165 rádios locais; num outro sítio, li 181 rádios) [ver análise nos parágrafos seguintes] e 8 entrevistas a responsáveis de rádios locais. Das estações analisadas, apenas 7 têm facturação superior a 500 mil euros, 25 entre 200 e 500 mil euros e as restantes abaixo de 200 mil euros. Assim, o valor da média de facturação por rádio anda nos 23180 euros, apesar de ser um dado meramente estimativo, quanto se percebe do estudo (página 141), com as áreas da Grande Lisboa e Grande Porto a serem as maiores geradoras de publicidade. Quanto a recursos humanos, a média em cada rádio local é de 4 empregados (aparece um desvio na zona do Ave, com 15 empregados, como se lê na página 136, certamente um erro de preenchimento não explicado; da mesma forma, o Ave aparece em primeiro lugar na facturação média, como se lê na página 121). As 20 rádios mais rentáveis têm poucos ou nenhum empregado (esta observação parece-me estranha, pois pelo menos deve haver alguém que liga a electricidade e os computadores que transmitem música), com custo anual por empregado de 7 mil euros. A audiência média é de 23 mil habitantes (a nomenclatura melhor seria ouvintes) (página 21).
A maioria da programação das rádios locais é generalista (94%) e temática (as restantes). A caracterização do mercado das rádios locais começa na página 65 do estudo (83 rádios do litoral, 70 do interior, 12 das regiões autónomas). A programação temática dos operadores abrange cultura (86%), música portuguesa (81%) e crenças religiosas (47%). Mas muita da produção é externa às estações, caso da cultura, com 60%, o que permite uma estrutura mais flexível de custos. Em termos de regularidade de programas em diversas temáticas ficam aqui alguns números: 58% em ambiente, 53% para públicos femininos, 84% sobre cultura, 78% para públicos infanto-juvenis, 96% quanto a música portuguesa, 39% em termos de noticiários em cada hora, 92% quanto a informação regional, 79% com participação pública, 91% dedicados a informação desportiva.
Anoto alguns problemas no estudo, o principal dos quais é inerente ao inquérito: responder não significa que os dados reflictam a realidade do sector. A mim, parecem-me exagerados os valores da programação regular, excepto no desporto. Não há forma de despistarmos os dados com este método, sem qualquer análise qualitativa à programação. As entrevistas ajudam a colmatar algumas das dificuldades identificadas, apesar da incidência em rádios a norte do Mondego, o que compromete a leitura do país. Outra falta é a ausência de bibliografia: apesar da evidência de poucos estudos, eles fizeram-se, caso dos do Obercom. Igorar isso é falta de consideração.
Mas o balanço é muito positivo, pois o inquérito representa o melhor estudo sobre a rádio que eu conheço, o que permite olhar melhor para o sector.
Autores: Change Partners (José Bastos, Maria João Rego, Rui Lopes) e Escola Superior de Comunicação Social (André Sendim, António Belo, Carlos Andrade)
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009
PORTO
A taxista disse-me não confiar em políticos nem nos bancos mas nos jovens como ela. Por isso, sobre a degradação da cidade, ela acha que apenas os jovens podem inverter a situação. A contradição sobre quem tem poder começa aqui: contou-me que procurou um apartamento ali na rua Mouzinho da Silveira mas tinham-lhe pedido 400 mil euros, uma verba que ela, obviamente, não tinha.
Foge do estereótipo do taxista mais velho, que recorda Salazar. Nem referiu o escândalo do Freeport.

Foge do estereótipo do taxista mais velho, que recorda Salazar. Nem referiu o escândalo do Freeport.

TELEFONES E REDES
Do Telefone à Central Digital foi um livro-álbum que publiquei em 1989, há vinte anos, com a chancela "Telefones de Lisboa e Porto", empresa desaparecida numa fusão em 1994 e que originou a actual Portugal Telecom. Embora sem a cor original, apresento abaixo o conteúdo do livro (para ver em ecrã inteiro, clicar no segundo símbolo a contar da direita na barra inferior do slide). Espero que os leitores do blogue gostem.
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009
COMUNICAÇÃO NO PAPEL E NO ECRÃ EM CONFERÊNCIA NA MADEIRA
No âmbito do Programa Carnegie Mellon University Madeira (CMU – Madeira), a Universidade da Madeira e o Madeira Tecnopolo organizam uma conferência com o Professor Dan Boyarski, dia 6 de Fevereiro, às 17:00 (Sala Ursa Menor no Madeira Tecnopolo).
O título da conferência é Moving Messages: the art of kinetic typography, onde o docente da Escola de Design da Carnegie Mellon University aborda questões como as diferenças da comunicação no papel e no ecrã e as suas distintas interpretações. A apresentação terá carácter prático (com exemplos reais).
O título da conferência é Moving Messages: the art of kinetic typography, onde o docente da Escola de Design da Carnegie Mellon University aborda questões como as diferenças da comunicação no papel e no ecrã e as suas distintas interpretações. A apresentação terá carácter prático (com exemplos reais).
UMA CÂMARA VÍDEO NO OLHO HUMANO

Rob Spence, operador de câmara canadiano que elabora documentários, perdeu o seu olho direito aos 13 anos. Agora, ele e uma equipa mista (médica, de engenharia e informática) estão a desenvolver um sistema de implantação de câmara vídeo nesse olho (um vídeo sobre o assunto pode ser visto aqui, depois de um curto anúncio. Chamo a atenção para quem é sensível a cenas de violência, pois o vídeo pode cair nessa classificação).
Spence quer ser uma espécie de little brother biónico (por oposição ao "Big Brother" do livro de Orwell). Mais pormenores no sítio Eyeborgblog. Spence irá discursar na conferência 2009 “Digital News Affairs (DNA), pelo que, algures em San Francisco, se está a trabalhar afanosamente para produzir um protótipo a tempo da sua participação nesse evento. É a prótese quase ideal para o registo e cópias futuras de tudo o que se vê, ideia simultânea de sonho (dar visão aos cegos) e de terror (a manipulação que o uso pode originar).
CINEMA DE ANIMAÇÃO

A MONSTRA, Festival de Animação de Lisboa, a decorrer de 9 a 15 de Março próximo, comemora na sua oitava edição os 93 anos do Manifesto Dadaísta e os 90 anos da sua expressão inicial no Cabaret Voltaire. Para além de workshops, exposições e masterclasses, destacam-se as longas-metragens de animação Fear(s) of the Dark, de múltiplos realizadores, e Sita Sings the Blues, de Nina Paley, vencedora do prémio de melhor filme em festivais internacionais de animação, como o Annecy Film Festival. Têm presença confirmada o realizador e professor chinês Charles Zee, a realizadora japonesa Maya Yonesho e o compositor belga Nick Phelps.
terça-feira, 3 de fevereiro de 2009
MENDELSSOHN
Felix Mendelssohn Bartholdy nasceu em 3 de Fevereiro de 1809, faz hoje duzentos anos. Oriundo de uma família judaica convertida ao cristianismo, foi pianista e compositor de sinfonias, concertos, oratórias e música de câmara, no começo do Romantismo (as imagens abaixo são da sua casa de Leipzig, não muito longe da de um outro génio da música alemã, Schumann, que nasceria no ano seguinte).






CENTENÁRIO DO NASCIMENTO DE SIMONE WEIL
Simone Weil nasceu em Paris, em 3 de Fevereiro de 1909. Ver vídeo dirigido por Julia Haslett e produzido por Fabrizia Galvagno & Julia Haslett (a partir de link disponível no blogue da Assírio & Alvim, editora da obra de Weil, Espera de Deus, aqui).
O MITO DA BIBLIOTECA UNIVERSAL

Com o título O Mito da Biblioteca Universal, José Afonso Furtado observa as referências eufóricas e recorrentes à biblioteca universal online e às bibliotecas digitais. Mas, acrescenta: "os supostos atributos de uma biblioteca ideal não são nem recentes nem resultam de um novo ambiente tecnológico, pois são um sonho partilhado por todas as culturas dependentes da palavra escrita".
Editado pela BAD, Associação Portuguesa de Bibliotecários, Arquivistas e Documentalistas, é um texto de 20 páginas que fala das bibliotecas ideais de Alexandria e de Babel, Jorge Luis Borges, acumulação do saber e angústia da perda e do renascimento do sonho: a biblioteca digital. Hipertexto, links, livro digital, infra-estruturas da informação (Google, Amazon, iTunes), blogues e enciclopédia são outras das existências ou ideias do texto de Furtado. A ler com atenção.
TEORIA DOS MEDIA, TEORIA DA COMUNICAÇÃO
Hesmondhalgh e Toynbee (2008) distinguem a teoria da comunicação e a teoria dos media. A chamada teoria da comunicação origina-se no desenvolvimento da pesquisa nos Estados Unidos, frequentemente designada como investigação administrada (teoria dos efeitos) e que se afirma contra a teoria crítica de Adorno e de outros investigadores da escola de Frankfurt. A teoria da comunicação produz novos elementos de pesquisa nos anos 1950 e 1960 e prolonga-se nas duas décadas seguintes.
Por seu lado, a forma mais habitual de dividir a teoria dos media segue o triângulo clássico de produção, textos e audiências, caso dos manuais de teorias da comunicação de McQuail (2005), Williams (2003) e Gripsrud (2002). A base é o modelo de circuito da cultura da Open University (Hall, 1997), o qual alarga a discussão tida por Hall no modelo de codificação e descodificação (Hall, 1973). No texto da Open University, acrescentam-se ao triângulo os tópicos de representação, regulação e identidade. Deste modo, surgem especialistas em análise textual, em análise de produção e em estudos de audiências, com interesses teóricos e fontes associados a cada um dos tópicos.
Estes contributos de ensinar a teoria dos media são ecuménicos. Mas têm, para Hesmondhalgh e Toynbee, um valor estreito, dado o mediacentrismo da proposta. Os autores salientam dois pontos essenciais: 1) os estudos dos media pensam-se como críticos, 2) a teoria dos media opera o conceito de causalidade, a ideia que as coisas acontecem de uma dada maneira. Os autores entendem que falta reflectir o problema da causalidade social. No centro está o longo debate entre estrutura e acção, com partidários de ambos os lados (por exemplo, a disputa funcionalista-interaccionista), mas igualmente a síntese necessária aos dois lados.
Por seu lado, a forma mais habitual de dividir a teoria dos media segue o triângulo clássico de produção, textos e audiências, caso dos manuais de teorias da comunicação de McQuail (2005), Williams (2003) e Gripsrud (2002). A base é o modelo de circuito da cultura da Open University (Hall, 1997), o qual alarga a discussão tida por Hall no modelo de codificação e descodificação (Hall, 1973). No texto da Open University, acrescentam-se ao triângulo os tópicos de representação, regulação e identidade. Deste modo, surgem especialistas em análise textual, em análise de produção e em estudos de audiências, com interesses teóricos e fontes associados a cada um dos tópicos.
Estes contributos de ensinar a teoria dos media são ecuménicos. Mas têm, para Hesmondhalgh e Toynbee, um valor estreito, dado o mediacentrismo da proposta. Os autores salientam dois pontos essenciais: 1) os estudos dos media pensam-se como críticos, 2) a teoria dos media opera o conceito de causalidade, a ideia que as coisas acontecem de uma dada maneira. Os autores entendem que falta reflectir o problema da causalidade social. No centro está o longo debate entre estrutura e acção, com partidários de ambos os lados (por exemplo, a disputa funcionalista-interaccionista), mas igualmente a síntese necessária aos dois lados.
TEORIAS DA COMUNICAÇÃO
Acompanham a evolução dos media e dos transportes, das alterações do tempo e do espaço, da ideia de viagem.
As teorias principais referem produtos: notícias, bens culturais, da produção ao consumo, da propaganda ou publicidade à percepção e à recepção. Elas trabalham conceitos de outras ciências sociais: sociologia, psicologia, semiótica, cibernética. E a arte e a cultura. As teorias aplicam-se a vários domínios: podemos interpretar um filme, uma peça musical ou teatral, um texto de jornal, um livro como Diários de Viagem (de Eduardo Salavisa, 2008, com a primeira edição já esgotada). São meios para explicar como se processa uma mensagem, como se prepara, como chega ao receptor, se este é passivo ou activo. Um texto presta-se a ser interpretado, de acordo com a nossa idade, nível cultural e económico. É isso que os cultural studies explicam. Ao invés, a teoria hipodérmica nasceu com um pressuposto científico: uma mensagem chegava a todos com igual incidência.
As teorias são como conversas, termos e conceitos sobre uma actividade, um assunto. As teorias ocupam-se da produção, da recepção, da transmissão no indivíduo e na sociedade. Estudam os seus modos de organizar e de interpretar. A sua pluralidade significa pontos de vista, dificuldades de afirmação universal de uma perspectiva, mesmo que se afirme científica. As teorias da comunicação demonstram essa capacidade de multiplicar e discernir pontos de vista.
As teorias da comunicação surgem, frequentemente, divididas entre: 1) teoria, e 2) estrutura social e métodos. Provêm de pontos de vista: 1) teorias cuja origem se destina a explicar a organização capitalista do mundo, como as dos efeitos (ilimitados, limitados) ou investigação administrada (Lasswell e trabalhos de Lazarsfeld), 2) com influências marxistas, como as dos culturais studies (Stuart Hall, Open University) e da escola de Frankfurt (Adorno e Horkheimer), 3) teorias fundadas na linguagem, como a semiótica (Barthes, Peirce), 4) sociologia do jornalismo (produção e constrangimentos profissionais, recepção e audiências) (Michael Schudson), 5) determinismo tecnológico (McLuhan), 6) teoria matemática da informação.
As teorias principais referem produtos: notícias, bens culturais, da produção ao consumo, da propaganda ou publicidade à percepção e à recepção. Elas trabalham conceitos de outras ciências sociais: sociologia, psicologia, semiótica, cibernética. E a arte e a cultura. As teorias aplicam-se a vários domínios: podemos interpretar um filme, uma peça musical ou teatral, um texto de jornal, um livro como Diários de Viagem (de Eduardo Salavisa, 2008, com a primeira edição já esgotada). São meios para explicar como se processa uma mensagem, como se prepara, como chega ao receptor, se este é passivo ou activo. Um texto presta-se a ser interpretado, de acordo com a nossa idade, nível cultural e económico. É isso que os cultural studies explicam. Ao invés, a teoria hipodérmica nasceu com um pressuposto científico: uma mensagem chegava a todos com igual incidência.
As teorias são como conversas, termos e conceitos sobre uma actividade, um assunto. As teorias ocupam-se da produção, da recepção, da transmissão no indivíduo e na sociedade. Estudam os seus modos de organizar e de interpretar. A sua pluralidade significa pontos de vista, dificuldades de afirmação universal de uma perspectiva, mesmo que se afirme científica. As teorias da comunicação demonstram essa capacidade de multiplicar e discernir pontos de vista.
As teorias da comunicação surgem, frequentemente, divididas entre: 1) teoria, e 2) estrutura social e métodos. Provêm de pontos de vista: 1) teorias cuja origem se destina a explicar a organização capitalista do mundo, como as dos efeitos (ilimitados, limitados) ou investigação administrada (Lasswell e trabalhos de Lazarsfeld), 2) com influências marxistas, como as dos culturais studies (Stuart Hall, Open University) e da escola de Frankfurt (Adorno e Horkheimer), 3) teorias fundadas na linguagem, como a semiótica (Barthes, Peirce), 4) sociologia do jornalismo (produção e constrangimentos profissionais, recepção e audiências) (Michael Schudson), 5) determinismo tecnológico (McLuhan), 6) teoria matemática da informação.
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009
EUROVISION

Nos dias 29 a 31 de Janeiro e 5 a 7 de Fevereiro, o Teatro Praga (Lisboa) leva à cena a peça Eurovision na Fábrica da Rua da Alegria (Porto). A obra reflecte a Europa das línguas e culturas nacionais e o festival internacional de televisão que leva aquele nome.
Gostei particularmente do primeiro sketch. O actor tem um longo monólogo onde se expressa nas múltiplas línguas europeias (com legendagem electrónica, pois o espectador vulgar não conhece russo, sueco, croata e outras línguas). São textos tirados de Anton Tchekov, Bertold Brecht, Eduardo Lourenço, Jean-Luc Godard, Ingmar Bergman, Michel Foucault, Umberto Eco, Samuel Beckett e muitos mais. Sentado, de pé, a vaguear por um espaço da sala, a fazer de dançarino, a trazer a cadeira para mais perto da assistência - gostei do trabalho do actor. Retiro do texto de Eduardo Lourenço que acompanha o programa: "Não há existência política sem poder que a assuma como sujeito dela, e um tal poder não existe como suporte de nenhuma Europa. Politicamente só há europas. Não foram muitas [nações que reinaram na Europa]: a Espanha até ao séc. XVI, a França, a Inglaterra, a Áustria, a Rússia, a Prússia e a Alemanha sua continuadora, em seguida. Neste momento nenhuma nação é a Europa".
A peça reflecte esta ausência de poder pela presença de múltiplas línguas. E olha o festival de música da Eurovisão com uma grande acutilância. O kitsch, o pimba, o negócio dos que ganham, a fugacidade da estrela, estão espelhados no sketch. Os dois jovens actores movem-se com muita facilidade, ironizam bastante, oferecem uma fatia de bolo de não sei que aniversário, envergam um asséptico fato branco de trabalho com uma lanterna de mineiro. Talvez porque a Europa esteja menos bem e se ande a examinar as profundezas do solo. Ou porque, como diz o programa, a cultura dos diferentes povos se expresse numa parada de falta de gosto uniforme (a última palavra parece-me a mais).A peça levou-me a reflectir. O festival da Eurovisão, ainda no tempo da paleo-televisão, foi a descoberta, a nível da Europa, de um concurso de música ligeira. Durante anos, a BBC albergou o projecto. A par do futebol, foi uma das áreas de maior associação (e rivalidade) nacional (nacionais). Venciam normalmente os países mais poderosos, que pressionavam através dos lóbis da indústria do disco e dos espectáculos, alguns que o texto de Lourenço aponta (ao invés, agora, os países de leste europeu votam entre si e ganham as competições, com novas simetrias de poder). Claro que se criou e produziu um estereótipo, uma visão antiquada, dentro do conceito de espectáculo colorido, com ideias copiadas do teatro musical, com coristas, cenários e orquestras, em que cada país fazia um concurso anterior, de onde nomeava o seu representante no certame internacional, coisa que o futebol já fazia nos seus campeonatos.
Recordo algumas participações portuguesas: Simone de Oliveira (Sol de inverno, 1965; Desfolhada, 1969), Madalena Iglésias (Ele e ela), Fernando Tordo (Tourada), Paulo de Carvalho (E depois do adeus), Carlos Paião (Playback), Maria Guinot (Silêncio e tanta gente), Dulce Pontes (Lusitana Paixão), Sara Tavares (Chamar a música). Algumas dessas canções, em especial várias das primeiras, produziram fortes incómodos políticos. E recordo alguns artistas e canções vencedoras: Abba (Waterloo), Céline Dion (Ne Partez Pas Sans Moi), France Gall (Poupée de cire, poupée de son). Em 1964, em Copenhaga, se um homem envergava um pano onde se lia "Boicotem Franco & Salazar", quando entrava a canção suíça, uma jovem italiana de 16 anos, Gigliola Cinquetti, saltava para a fama.
A Fábrica da Rua da Alegria, no número 341 daquela rua do Porto, é um edifício da Escola Superior de Música e Artes do Espectáculo onde estão alojados, no presente, onze ou doze associações (teatro, música, produtoras). Edifício dos anos de 1950, foi fábrica de tecidos e de malhas e estava desactivado no começo da presente década. A entrada do edifício tem dignidade, o que quer dizer que a fábrica tinha algum prestígio, numa altura e num local onde havia outras unidades fabris, como cartonagem e indústria metalo-mecânica leve, sítio não muito longe do Coliseu do Porto, do jornal Primeiro de Janeiro e da rua (muito comercial) de Santa Catarina.
domingo, 1 de fevereiro de 2009
JORNALISMO DIGITAL
O X Congreso Nacional de Periodismo Digital realiza-se em Huesca (Aragon, Espanha), no Palacio de Congresos da cidade, à avenida dos Danzantes, nos dias 12 e 13 de Março. O número máximo de participantes é de 250 pessoas.
Destaco: "¿Qué hacer en 2009?", com Javier Blas (Financial Times), Koro Castellano (El Mundo) e Rosalía LLoret (iRTVE); "El periodista empresa", com Ander Izagirre, David Beriain e Sergio Caro; "Éxito en la crisis", moderado por Jorge Alcalde e com Andrés Rodríguez, Antonio Ábalos, Gumersindo Lafuente e Ícaro Moyano; colóquios e tertúlias "Internet, política y periodismo" e "Literatura en los blog", com Antón Castro, Juan Cruz e Miguel Ángel Muñoz; "Después del iPhone"; "Informar desde la cocina", com Cristina Alcalá, Paco Nadal e Sara Cucala; "Formación del periodista: las habilidades digitales", com James Breiner e Ramón Salaverría.
Destaco: "¿Qué hacer en 2009?", com Javier Blas (Financial Times), Koro Castellano (El Mundo) e Rosalía LLoret (iRTVE); "El periodista empresa", com Ander Izagirre, David Beriain e Sergio Caro; "Éxito en la crisis", moderado por Jorge Alcalde e com Andrés Rodríguez, Antonio Ábalos, Gumersindo Lafuente e Ícaro Moyano; colóquios e tertúlias "Internet, política y periodismo" e "Literatura en los blog", com Antón Castro, Juan Cruz e Miguel Ángel Muñoz; "Después del iPhone"; "Informar desde la cocina", com Cristina Alcalá, Paco Nadal e Sara Cucala; "Formación del periodista: las habilidades digitales", com James Breiner e Ramón Salaverría.
ESTATÍSTICAS DA CULTURA DE 2007

Segundo as Estatísticas da Cultura, Desporto e Recreio 2007 do INE, nesse ano foram editadas 1994 publicações periódicas, com 81% em papel e 19% em simultâneo através de papel e formato electrónico. A maior parte das publicações periódicas (52%) ficou classificada em generalidades e reportagem, com 79% em jornais e 35% em revistas. Segundo o mesmo anuário, destacam-se as revistas de âmbito temático em ciências aplicadas, medicina e tecnologia (24%), ciências sociais (16%) e artes, recreio, lazer e desporto (12%).
Outros dados do mesmo anuário de 2007: referente a despesas das famílias em cultura, o valor representava 5,7% na despesa total anual média. As galerias de arte e espaços de exposições temporárias (804 espaços) promoveram 6609 exposições individuais e colectivas, movimentando 259044 obras expostas de 33996 autores, visitadas por 6,9 milhões de pessoas.
No conjunto dos espectáculos ao vivo, realizaram-se 27650 sessões (diurnas e nocturnas), com um total de 9,8 milhões de espectadores e uma receita de 66,4 milhões de euros, sendo o teatro a modalidade com maior expressão entre os espectáculos ao vivo (43% das sessões realizadas), mas os concertos de música ligeira tiveram mais espectadores (3,7 milhões) e mais receitas (29,7 milhões de euros). No cinema, houve 606 mil sessões, com 16,3 milhões de espectadores e 69,1 milhões de euros de receitas. Os filmes norte-americanos foram vistos por 73% dos espectadores e os europeus por 8% dos espectadores.
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