Uma boneca com celulite, acne, estrias e as proporções da adolescente comum, com o nome de Lammily, agora à venda nos Estados Unidos, põe em causa o domínio exercido durante 55 anos pela boneca esguia e loura Barbie. Para o artista Nickolay Lamm, "muitas pessoas criticam a Barbie, mas não havia alternativa". Agora, ele espera que as meninas a tenham e a abracem, pois ela parece-se com uma pessoa qualquer. Se a Barbie fosse em tamanho real, ela mediria 36-18-33 e teria 1,75 metros de altura e peso de 50 quilos, 16 quilos abaixo do peso para uma mulher dessa altura. Em contraste, a Lammily baseia-se nas proporções de uma jovem de 19 anos, conforme os valores dos American Centers for Disease Control (texto de ontem do Guardian).
Textos de Rogério Santos, com reflexões e atualidade sobre indústrias culturais (imprensa, rádio, televisão, internet, cinema, videojogos, música, livros, centros comerciais) e criativas (museus, exposições, teatro, espetáculos). Na blogosfera desde 2002.
sexta-feira, 21 de novembro de 2014
quinta-feira, 20 de novembro de 2014
Encontros de cinema de Viana do Castelo
"Secção competitiva dos Encontros de Cinema de Viana com o objectivo de promover o documentarismo e premiar o melhor documentário realizado por alunos de escolas de cinema, de audiovisuais ou comunicação, e por participantes em cursos de documentarismo promovidos por outras entidades de Portugal, da Galiza, do Brasil e dos outros países de língua portuguesa" (informação da organização). Prémios a atribuir: 1) Prémio PrimeirOlhar no valor de 1.000 (mil) euros, 2) Prémio PrimeirOlhar/Cineclubes no valor de 1.000 (mil) euros (atribuído pela Federação Portuguesa de Cineclubes e Federación de Cineclubes de Galicia). Regulamento aqui: http://www.ao-norte.com/encontros/2015/primeirolhar.php.
quarta-feira, 19 de novembro de 2014
Mapa interactivo da música tradicional portuguesa
"O trabalho de recolha de música tradicional portuguesa registada pelo etnomusicólogo Michel Giacometti está agora disponível online através de um mapa interactivo. A ferramenta permite «viajar» desde as aldeias de Trás-os-Montes ao mar de Portimão. São nove horas de vídeos, divididas em 62 fragmentos referenciados geograficamente ao local onde foram originalmente recolhidos" (texto a partir de Café Portugal).
terça-feira, 18 de novembro de 2014
Salazar e a BBC - um livro de Nelson Ribeiro
Hoje, ao final da tarde, na livraria Almedina, ao Saldanha (Lisboa), foi lançado o livro de Nelson Ribeiro, Salazar e a BBC na Segunda Guerra Mundial: Informação e Propaganda. Na mesa, para além do autor e de Pedro Bernardo, editor da Almedina, o prof. Alberto Arons de Carvalho (ver parcela da sua apresentação no vídeo abaixo) e eu fizemos a apresentação.Do meu contributo, destaco o seguinte:
"O centro da investigação é o período de meados da década de 1930 ao final da II Guerra Mundial, com ênfase para os noticiários transmitidos da BBC para Portugal. Iniciados em Junho de 1939 e tornados muito credíveis, a BBC emitiria um segundo boletim, à hora de almoço, em Setembro desse ano. A partir de 1942, passou a três transmissões diárias. Em 1944, o impacto da BBC tornou-se maior: o governo inglês pressionava Portugal a suspender as exportações de volfrâmio para a Alemanha. Durante o período da guerra, o noticiário da BBC mais ouvido foi o da noite. Parte significativa da audição era colectiva, em cafés e clubes. A guerra não chegava a Portugal de modo directo e violento, mas as repercussões económicas sentiam-se cada vez mais. A audição desses noticiários foi proibida pelo governo em finais de 1940, mas não se conseguiu eliminar a escuta em casas particulares. Ouvintes urbanos e dos meios rurais, a classe média e o proletariado, acompanhavam atentamente as notícias sobre a guerra. À audição fiel, juntava-se a recepção de cartas enviadas para a BBC. O pico de correspondência foi atingido em 1941-1942. As cartas expressavam a perspectiva dos ouvintes sobre os programas e as condições de recepção. Da documentação interna da BBC, sabe-se que a elite do Estado Novo não escrevia para aquela estação.
"Ao longo de seis anos de guerra, na secção portuguesa da BBC passaram diversos locutores. O mais conhecido foi Fernando Pessa, com linguagem simples, humor e ironia. Ele entrou para os serviços do Brasil e transferiu-se para os serviços de Portugal por substituição de locutor doente. Além dos noticiários, Fernando Pessa apresentou o programa de grande sucesso Calendário dos Ditadores e era visto como herói, por dizer aos portugueses o que eles não sabiam pela imprensa e rádio nacional. Paddy Scannell (Television and the Meaning of Life, 2014: 121), em capítulo dedicado à radio, escreve sobre reciprocidade na conversação entre locutor e ouvinte e sinceridade daquele para este. Pessa desenvolveu empatia e sinceridade conversacional com os ouvintes".
[fotografia de José Gabriel Andrade, vídeo de António Deus. Agradeço a ambos a colaboração]
segunda-feira, 17 de novembro de 2014
A ficção - da televisão para o YouTube
Na Universidade de Coimbra, foi defendida a tese de doutoramento de Fernanda Castilho Santana, com o título Teletube – Novo Passeio pelos Bosques da Ficção Televisiva. Na tese, Fernanda Castilho indica que as “narrativas de ficção, emitidas pelos canais de sinal aberto, figuram entre os programas televisivos de maior importância sociocultural, em virtude do inegável êxito conquistado entre os portugueses desde o final dos anos 70”.
Após enunciar várias fases na ficção televisiva, a autora enfatiza a difusão rápida da tecnologia informática no aparecimento de um novo cenário de produção e divulgação dos textos ficcionais. O surgimento de novos pontos de acesso aos conteúdos audiovisuais como o YouTube contribui para o declínio das audiências televisivas.
A adesão dos públicos a esta estratégia, denominada como narrativas transmedia (transmedia storytelling) confirma-se em especial nos mais jovens. Para a nova doutora, os “resultados indicam que apesar do YouTube constituir um espaço privilegiado para partilha de conteúdos de ficção, reside na dicotomia produção/receção divergências de caráter legal, tais como a violação dos direitos de autor”.
No âmbito da receção, e ainda de acordo com a tese de doutoramento, assiste-se à formação de comunidades, caracterizadas pela integração dos membros de diferentes identidades e pela manifestação de conflitos dentro destes grupos. Para concluir, segundo a autora, os principais temas de debate nas conversas sobre ficção são a história, as personagens, a banda sonora e a partilha gratuita de conteúdos (elementos fornecidos por Fernanda Castilho Santana).
Após enunciar várias fases na ficção televisiva, a autora enfatiza a difusão rápida da tecnologia informática no aparecimento de um novo cenário de produção e divulgação dos textos ficcionais. O surgimento de novos pontos de acesso aos conteúdos audiovisuais como o YouTube contribui para o declínio das audiências televisivas.
A adesão dos públicos a esta estratégia, denominada como narrativas transmedia (transmedia storytelling) confirma-se em especial nos mais jovens. Para a nova doutora, os “resultados indicam que apesar do YouTube constituir um espaço privilegiado para partilha de conteúdos de ficção, reside na dicotomia produção/receção divergências de caráter legal, tais como a violação dos direitos de autor”.
No âmbito da receção, e ainda de acordo com a tese de doutoramento, assiste-se à formação de comunidades, caracterizadas pela integração dos membros de diferentes identidades e pela manifestação de conflitos dentro destes grupos. Para concluir, segundo a autora, os principais temas de debate nas conversas sobre ficção são a história, as personagens, a banda sonora e a partilha gratuita de conteúdos (elementos fornecidos por Fernanda Castilho Santana).
Fotografias de Minho e Douro de Emílio Biel em Almada
Até 29 de Novembro, está patente na Galeria Municipal de Arte de Almada a exposição Caminhos de Ferro e Prata: Linha do Douro e Minho – Fototípias de Emílio Biel – 1887. Para a organização do evento, a "Fotografia e os Caminhos de Ferro são os grandes meios resultantes do desenvolvimento científico, técnico e tecnológico da Revolução Industrial para a transformação do planeta e das sociedades humanas no séc. XIX. São contemporâneos e o seu desenvolvimento é perfeitamente paralelo". E acrescenta-se: com a exposição do "levantamento fotográfico de Emílio Biel, em que fototipias e albuminas de grande qualidade técnica e artística nos mostram o triunfo da vontade e do sacrifício dos homens na finalização do Caminho de Ferro do Douro, no ano de 1887", abre-se uma boa oportunidade para ver na região de Lisboa o património fotográfico da coleção da família Mascarenhas Galvão (texto a partir da newsletter webmail.tv).
domingo, 16 de novembro de 2014
Livros feitos à mão
Para a Bicho-do-Mato, há projectos que merecem ser conhecidos. Criada por José Alfaro em finais de 2009, aquela editora publicou um curto vídeo (4:58) sobre o trabalho de Marc Parchow e Conceição Candeias, A Handmade Book, que pode ser visto aqui. O vídeo foi realizado pelo próprio José Carlos Alfaro.
Madalena Oliveira
Madalena Oliveira, docente da Universidade do Minho, foi eleita presidente da secção de Rádio da ECREA, neste fim de semana de conferência internacional daquela associação europeia. Ela já era vice-presidente da secção.
sábado, 15 de novembro de 2014
Rigoletto
Rigoletto, ópera do compositor romântico italiano Giuseppe Verdi, com encenação de Giulio Ciabatti e direcção musical de José Ferreira Lobo, encheu a sala.
Conhecida pela ária La donna è mobile, a história anda à volta da conduta libertina do duque de Mântua, do seu bobo da corte e corcunda, Rigoletto, que protege as suas extravagâncias, e de Gilda, a filha escondida do bobo, que o duque acabaria por conquistar. O bobo pretende matar o duque mas quem acaba por ser assassinada é a jovem Gilda. Com Luís Rodrigues (Rigoletto), Cristiana Oliveira (Gilda) e San-Jung Lee (duque).
Conhecida pela ária La donna è mobile, a história anda à volta da conduta libertina do duque de Mântua, do seu bobo da corte e corcunda, Rigoletto, que protege as suas extravagâncias, e de Gilda, a filha escondida do bobo, que o duque acabaria por conquistar. O bobo pretende matar o duque mas quem acaba por ser assassinada é a jovem Gilda. Com Luís Rodrigues (Rigoletto), Cristiana Oliveira (Gilda) e San-Jung Lee (duque).
Paulo Faustino
Muito recentemente, Paulo Faustino foi indicado para presidente do Executive Board da IMMAA (International Media Management Academic Association, www.IMMAA.ORG ). A IMMAA, instituição com sede em Nova Iorque (Estados Unidos), acolhe investigadores, docentes e profissionais da gestão dos media de todo o mundo. Paulo Faustino tem-se destacado a nível nacional e internacional no âmbito da investigação nas áreas da economia, gestão e políticas públicas associadas aos media.
sexta-feira, 14 de novembro de 2014
Sérgio Figueiredo
De acordo com os media, ontem foi decidido que Sérgio Figueiredo, de 48 anos, vai ser diretor de informação da TVI de todas as plataformas da estação (TVI, TVI 24 e digital), sucedendo a José Alberto Carvalho. O resto da direção mantem-se: Judite de Sousa, Maria José Nunes, Mário Moura e Luís Sobral. É um regresso ao jornalismo de Sérgio Figueiredo. Licenciado em economia, ele começou a carreira de jornalista em 1988, passando por órgãos de comunicação social (RTP, Expresso, Semanário Económico), foi diretor de jornais económicos (Jornal de Negócios, entre 2003 e 2007, e Diário Económico, até 2003. Mais recentemente esteve ligado à EDP, primeiro como administrador-delegado da Fundação EDP e depois como administrador da EDP Produção.
segunda-feira, 10 de novembro de 2014
domingo, 9 de novembro de 2014
AmadoraBD - 25 anos
Núcleos: 1) os grandes mercados: EUA e Japão, 2) a BD para além da BD: biografia, graphic novel, não-ficção, 3) novos suportes: BD no ecrã, 4) regresso às origens: tinta no papel, 5) editar e distribuir ao alcance de todos, 6) trabalho colectivo: a internet quebrando fronteiras, 7) o colosso franco-belga, 8) BD no Cinema. Comissariado por Sara Figueiredo Costa e Luís Salvado, retiro do texto deles no catálogo:
"Ao lado de modelos de produção e distribuição de banda desenhada com algumas décadas de consolidação, como os grandes mercados dos comics nos Estados Unidos da América, da mangá no Japão, ou do mercado franco-belga, outros modos de trabalhar foram ganhando espaço. A democratização dos modos de produção e impressão de livros e revistas preconizada pela impressão digital, pela vulgarização das ferramentas de paginação e pelos serviços de print-on-demand permitiu que mais gente acedesse ao trabalho de edição, sem necessidade de uma grande estrutura a apoiar o seu trabalho. Por outro lado, a enorme expansão da internet, quer como plataforma de divulgação, discussão e venda, quer como ferramenta de comunicação que coloca gente em contacto em qualquer parte do mundo, permitiu uma liberdade de contactos cujos resultados estão à vista em trabalhos colectivos, parcerias e redes de divulgação que podem chegar a qualquer parte do mundo"(ver aqui catálogo e programa).
sábado, 8 de novembro de 2014
R & J, a versão de Joana Linda da peça de Shakespeare
O mais recente trabalho de Joana Linda (Castro Correia) é a encenação de Romeu e Julieta, de Shakespeare, adaptação com um elenco inteiramente feminino e apresentado pela primeira vez no Festival Temps d’Images (no Clube Estefânia, rua Alexandre Braga, Lisboa), de 6 a 8 de Novembro, com a sala esgotada nos vários espectáculos.
O uso do vídeo é fulcral, como disse atrás. Ele é um dos materiais mais empregues por Joana Linda na sua carreira ligada à arte (fotografia, moda, design, onde assinou cartazes de filmes como Rafa, de João Salaviza, e É o Amor, de João Canijo). Tendo estudado Ciências da Comunicação, ela sempre se interessou pela fotografia, cinema (actriz e realização) e, agora, encenação. Numa entrevista que deu a Sabrina D. Marques, em Maio de 2010 (http://www.ruadebaixo.com/joana-linda.html), disse: "Comecei por fazer uma exposição no castelo de S.Jorge, uma mostra internacional de fotografia, e nesse momento comecei a detectar um grande movimento na internet, situado no advento da fotografia digital, das máquinas digitais. Especialmente vindo de raparigas, que faziam auto-retratos. Reuni-me então com mais trinta raparigas e fizemos uma exposição no S. Jorge. Há pouco tempo, fiz uma exposição no Barreiro, no Outfest, e depois fiz uma exposição no Porto, no Maria Vai Com As Outras. De seguida, expus a propósito do lançamento de um livro de uma poetisa italiana que tinha uma fotografia minha na capa. Houve uma outra exposição, a título individual, no Teatro Taborda, e ainda uma outra, que comissariei com uma fotógrafa espanhola, a partir de um intercâmbio de artistas entre Lisboa e Córdova".
Elenco: Ágata Pinho, Anabela Moreira, Cláudia Efe, Caroline Dawson, Diana Nicolau, Filipa Matta, Katrin Kaasa, Maria João Pinho, Miriam Santos, Patrícia Andrade, Patrícia Couveiro, Paula Garcia, Priscilla Devesa, Sara Graça, Sofia Arriscado, Sónia Balacó, Sónia Baptista, Suspiria Franklyn, Tânia Alves, Teresa Coutinho e Vanda Cerejo. Adaptação e encenação de Joana Linda, assistência de encenação de Sara Graça, produção de Cedro Plátano e Joana Linda, produção executiva de Renata Sancho. Figurinos de Fernanda Pereira, cabelos de Ana Sousa Atelier e banda sonora original de João Alegria.
Na época de Shakespeare, os papéis femininos eram representados por homens, do mesmo modo que as personagens de negros no teatro e no começo da rádio eram representadas por homens com a cara enfarruscada. Agora, Joana Linda deu às mulheres todo o poder da representação (ver http://www.tempsdimages-portugal.com/2014/programa/06_linda.html). Romeu e os primos são gentis, ágeis e emancipadas figuras femininas, o que torna o conflito entre as famílias Montecchio (Romeu) e Capuleto (Julieta) mais próxima da dança que a tragédia isabelina.
Um palco despido (tem apenas duas escadas de palco) e o fundo a funcionar com três ecrãs gigantes onde os pais de Julieta a consultam, além da aia, e o príncipe Escalo, responsável pela gestão de Verona, a cidade italiana onde decorrem os acontecimentos, tornam a peça em espectáculo multimédia. Tal obriga a uma gestão meticulosa da acção e do tempo e a uma narrativa que se aproxima o trabalho dos filmes de ficção científica com diálogo entre a Terra e um local longínquo. Os figurinos, saídos da cultura da época e recuperados na mesma cultura cinematográfico, reincorporam a encenação de Joana Linda. Ao minimalismo do palco corresponde uma igual bem conseguida estilização de figurinos e figuras, casos da personagem de frei Lourenço, mistura de sábio católico e praticante de ioga, e da aia, que se torna a ligação entre os dois apaixonados levando uma mala transparente onde se vê um queque que serve de alimento durante as deslocações. Vejo também outra referência, a da pintura dos pré-rafaelitas, de papéis místicos e situações simbólicas.
Elenco: Ágata Pinho, Anabela Moreira, Cláudia Efe, Caroline Dawson, Diana Nicolau, Filipa Matta, Katrin Kaasa, Maria João Pinho, Miriam Santos, Patrícia Andrade, Patrícia Couveiro, Paula Garcia, Priscilla Devesa, Sara Graça, Sofia Arriscado, Sónia Balacó, Sónia Baptista, Suspiria Franklyn, Tânia Alves, Teresa Coutinho e Vanda Cerejo. Adaptação e encenação de Joana Linda, assistência de encenação de Sara Graça, produção de Cedro Plátano e Joana Linda, produção executiva de Renata Sancho. Figurinos de Fernanda Pereira, cabelos de Ana Sousa Atelier e banda sonora original de João Alegria.
sexta-feira, 7 de novembro de 2014
Norberto Fernandes
Um dia, eu tinha acabado de escrever e apresentar um livro sobre a história de uma empresa de inovação nas telecomunicações e aguardava indicações para o passo seguinte da minha vida profissional. Dei nota do meu desconforto ao administrador presente. Ele já sabia e disse-me que o problema se resolveria rapidamente. Morreu ontem. Chamava-se Norberto Fernandes, foi vice-presidente do grupo Portugal Telecom e presidente da Associação Portuguesa para o Desenvolvimento das Telecomunicações (APDC) entre 2003 e 2006.
quinta-feira, 6 de novembro de 2014
Caricaturas do final da monarquia em livro
Hoje, ao final da tarde na Universidade Nova de Lisboa, foi lançado o livro de Jorge Botelho Moniz, A Caminho da República. Imagens que mudaram a face da opinião pública portuguesa.O livro deste jovem licenciado em Ciência Política e Relações Internacionais, mestre em Direito e a fazer o doutoramento em Ciência Política trabalha a iconografia do período de ascensão do republicanismo em Portugal (1875-1908). Jornalismo, comemorações do tricentenário de Camões, anticlericalismo, bancarrota, ultimato, 31 de Janeiro de 1890, sistema eleitoral, adiantamentos à Coroa, João Franco e regicídio são os tópicos principais do livro. Nele, há recurso a muitas reproduções de peças gráficas humorísticas e caricaturas, retiradas nomeadamente das publicações A Corja, O António Maria, Ilustração Portuguesa e O Combate (as imagens abaixo pertencem às duas primeiras publicações).
A apresentação do livro coube a Manuel Filipe Canaveira e Júlio Rodrigues da Silva. O primeiro salientou a importância da caricatura e do desenho gráfico como forma forte de comunicação visual com a população, ao passo que o segundo descreveu o processo de desenvolvimento do projecto que originou o livro: um seminário de doutoramento.
Para Jorge Botelho Moniz (na fotografia, o segundo a contar da direita), "o humor gráfico em Portugal surge não como uma opinião crítica construtiva e inteligente, mas como reacção violenta, até mesmo raivosa. É o grito do povo e não a opinião reflectida de um indivíduo. Nesta violência gráfica, o único objectivo era o ataque, unir os leitores contra o poder e identificar pela caricatura, pelo exagero, os responsáveis pelo estado do país" (p. 134). Jorge Botelho Moniz é bisneto de um outro Jorge Botelho Moniz, um dos fundadores do Rádio Clube Português, a principal estação de rádio comercial em Portugal antes de 1975.
Imagens retiradas respectivamente de A Corja (29 de Junho de 1898) e O António Maria (5 de Março de 1891), do arquivo digital da Hemeroteca Municipal de Lisboa.
terça-feira, 4 de novembro de 2014
Rádio em livro
Salazar e a BBC na II Guerra Mundial. Informação e Propaganda, de Nelson Ribeiro, livro da editora Almedina, vai ser lançado no próximo dia 18.
Ainda não sei mais pormenores, adiantando-os quando souber novos elementos. O certo é que Novembro vai ser um mês bom para lançamentos de livros sobre rádio.
Ainda não sei mais pormenores, adiantando-os quando souber novos elementos. O certo é que Novembro vai ser um mês bom para lançamentos de livros sobre rádio.
segunda-feira, 3 de novembro de 2014
Os meus dez segundos de glória
Ontem, no seu comentário político habitual na TVI, dentro da secção de livros, o professor Marcelo Rebelo de Sousa falou do meu livro A Rádio em Portugal 1941-1968 usando a palavra ternura. Muito obrigado!
Andy Wharol falava dos quinze minutos de fama em cada artista, glorificado num momento e esquecido no instante seguinte. No meu caso, foram talvez dez segundos. Fico vaidoso à mesma. E, a propósito, começo a divulgar que o livro vai ser lançado no dia 26 deste mês de Novembro, na Sociedade Portuguesa de Autores.
Andy Wharol falava dos quinze minutos de fama em cada artista, glorificado num momento e esquecido no instante seguinte. No meu caso, foram talvez dez segundos. Fico vaidoso à mesma. E, a propósito, começo a divulgar que o livro vai ser lançado no dia 26 deste mês de Novembro, na Sociedade Portuguesa de Autores.
domingo, 2 de novembro de 2014
Melissa Oliveira
O concerto de Melissa Oliveira na Casa da Música (Porto) foi uma revelação para mim. Eu não conhecia o seu trabalho. De ascendência australiana e portuguesa, ela tem repartido a sua vida entre Portugal e Holanda. Obteve uma bolsa de estudo em Boston e gravou o disco de estreia In My Garden com Greg Osby e Jason Palmer como convidados especiais. Antes estudara jazz na ESMAE (Escola Superior de Música e Artes do Espectáculo), o que justificaria o grande entusiasmo em torno dela durante e depois do concerto. Ela usa uma linha própria de loops, guitarra portuguesa, mesas giratórias e vídeos, que tornam a música uma arte total. Saber mais dela aqui.
sábado, 1 de novembro de 2014
Resnais
Amar, Beber e Cantar, último filme de Alain Resnais (1922-2014), conta a história de três casais e uma peça de teatro amador que dois deles interpretam, além de George, personagem que nunca aparece, mas das quais as mulheres têm fortes sentimentos afetivos e apaixonados. O filme, que combina o teatro filmado e o cinema (com alguns cenários a serem cortinas de teatro), anda todo em torno desse George. Ele fora amante de uma das atrizes, Kathrin (Sabine Azéma), casada com o médico Colin (Hyppolite Girardot), que ignorava por completa a paixão antiga dela. O outro casal é um homem de negócios Jack (Michel Vuillermoz) e Tamara (Caroline Silhol). Jack tinha uma amante que telefonava a qualquer hora e Tamara estava a sentir-se seduzida por George, com quem contracenava na peça de amadores. Todos sabiam que George estava a morrer, restando-lhe apenas algumas semanas de vida. Por isso, ele decide empreender uma última viagem e decide convidar as mulheres a acompanhá-las. Cada uma, de modo isolado, aceita por condições relacionadas com a sua vida conjugal. Mas George resolve também convidar a sua última mulher (Sandrine Kiberlain), muito mais jovem do que as outras duas, e que então vivia retirada no campo com um agricultor. As três disputam a pertença da viagem e empreendem a arrumação da casa de George, em estado calamitoso desde que ele vivia sozinho. O espectador nunca vê nem a personagem nem o interior da casa, mas nota a luta entre as mulheres e, simultaneamente, a sua cumplicidade. Os maridos de cada uma acabam por contar uns aos outros os seus sentimentos e procuram convencê-las a não viajarem com George. Este acabaria por ir passear com a filha adolescente de Tamara e Jack, o seu melhor amigo de sempre, que ficou furioso pela traição. Mas George acabara por morrer na viagem.
A metáfora do filme é o da busca da juventude nas pessoas que envelhecem. George seria o único a não envelhecer, porque tratara sempre a vida com um sorriso, nunca fora sério. As outras pessoas tinham-se enredado nas suas vidas, nas suas visões individualistas e mesquinhas. As cortinas do teatro revelam isso: a diferença entre bastidor e palco. As imperfeições e os tiques dos bastidores revelam-se mais dolorosos (e cómicos) no palco. O filme é uma representação de representação, onde os papéis se revelam em cada um desses níveis de espetáculo. Resnais faleceria quinze dias depois da sua estreia.
A metáfora do filme é o da busca da juventude nas pessoas que envelhecem. George seria o único a não envelhecer, porque tratara sempre a vida com um sorriso, nunca fora sério. As outras pessoas tinham-se enredado nas suas vidas, nas suas visões individualistas e mesquinhas. As cortinas do teatro revelam isso: a diferença entre bastidor e palco. As imperfeições e os tiques dos bastidores revelam-se mais dolorosos (e cómicos) no palco. O filme é uma representação de representação, onde os papéis se revelam em cada um desses níveis de espetáculo. Resnais faleceria quinze dias depois da sua estreia.
sexta-feira, 31 de outubro de 2014
Graffiti
Ricardo Campos escreveu no último número da Análise Social um texto A Luta Voltou ao Muro que começava assim: "As cidades portuguesas, principalmente os grandes centros urbanos, foram invadidas nas últimas décadas pelo graffiti de tradição norte-americana. Composto por tags, throw-ups e murais figurativos de grandes dimensões, esta é uma manifestação visual que faz hoje parte da nossa paisagem. A globalização deste formato de graffiti significa que, disperso pelo planeta, encontramos uma linguagem comum, com mecanismos de produção e avaliação estética idênticos. A hegemonia desta expressão mural não nos deve fazer esquecer aquela que é a manifestação mural mais marcante da nossa história recente: o mural pós-revolucionário. O período que se seguiu ao 25 de Abril de 1974 foi marcado por uma profusão de propaganda política que recorria ao muro como principal suporte. A iconografia de então, em que se destacavam Marx, Lenine ou Mao, acompanhados por representações coletivas do povo, do operariado ou campesinato, cedeu paulatinamente o lugar aos politicamente inconsequentes tags. Porém, nos últimos anos parece ter despontado nas paredes uma nova vontade de comunicação política".
Por causa não do texto mas das imagens que o acompanhavam, a revista em papel foi retirada e destruída. A notícia sobre esta polémica dizia que José Luís Cardoso, diretor do Instituto de Ciências Sociais (ICS) da Universidade de Lisboa, decidira suspender esta terça-feira a publicação, alegando conter um ensaio visual considerado "linguagem ofensiva", de "mau gosto e uma ofensa a instituições e pessoas que eu não podia tolerar". O texto incluía graffitis de contestação ao Governo, à austeridade e a empresários e banqueiros. João de Pina Cabral, diretor da revista agora demitido, falaria de "gesto de censura".
Por causa não do texto mas das imagens que o acompanhavam, a revista em papel foi retirada e destruída. A notícia sobre esta polémica dizia que José Luís Cardoso, diretor do Instituto de Ciências Sociais (ICS) da Universidade de Lisboa, decidira suspender esta terça-feira a publicação, alegando conter um ensaio visual considerado "linguagem ofensiva", de "mau gosto e uma ofensa a instituições e pessoas que eu não podia tolerar". O texto incluía graffitis de contestação ao Governo, à austeridade e a empresários e banqueiros. João de Pina Cabral, diretor da revista agora demitido, falaria de "gesto de censura".
quinta-feira, 30 de outubro de 2014
Um de Nós
Três temas centrais: política, amor e faits-divers, apresentados por frases curtas, num encadeamento lógico. Dois homens e quatro mulheres, sentados numa cama, dissertam deste modo sobre o mundo e as coisas que os preocupam. O grupo de artistas é sénior, com mais comedimento, sabedoria e ternura do que se fossem artistas mais jovens. Por vezes, são intimistas, combinando o bom senso e as coisas mais pessoais. Em especial na última parte, por um lado, mais próxima da vida de cada um (os sucessos, os muitos insucessos, os medos, os pequenos pecados), mas, por outro lado, a parte mais frágil da peça. Embora haja universalidade, os assuntos na última parte são pessoais e, muito embora tenham sido escritos pelos artistas, sem conhecimento (verídicas mas sob anonimato) uns dos outros, cada um dos artistas sabe a quem pertencem as palavras.
Assim, a fragilidade da peça é a nossa fragilidade enquanto seres humanos. Dou um exemplo: ao ouvir as vozes das três "meninas da rádio" (Júlia Guerra, Helena Falé, Maria João Baião), lembro de quão poderosas eram com as suas vozes percorrendo o "éter" das ondas. O que diziam, as músicas que anunciavam, o contexto cultural em que se envolviam, chegavam aos meus ouvidos e funcionavam como lei, como regra. A rádio é o meio mais misterioso, pois o reconhecimento da pessoa a quem pertencia cada voz era difícil num tempo atrás, sem revistas semanais ou programas de televisão. Agora, estavam ali, a falar da velhice, da doença, dos medos, da saudade do pai e da mãe e da escola e dos amigos, da falta de dinheiro ou da situação política atual.
Peter Vandenbempt, em entrevista reproduzida no programa que acompanha a peça, fala da energia destes velhos artistas, do seu maior arrependimento quando olham para a vida em comparação com artistas mais jovens, da abordagem mais cómica de situações bem mais trágicas (e os risos que se ouviam nos espectadores foi prova disso), se quisermos uma perspetiva mais melancólica e nostálgica. Diria ainda na entrevista que a peça não fala de reis e de rainhas mas de pessoas vulgares como nós - Um de Nós. A política assume aqui uma posição de grande importância, com cerca de 200 declarações sobre o tema. Estratégia, traição, compromisso e senso comum entram nesse conjunto. O autor principal do texto assume, na mesma entrevista, que ela começou a ser escrita num ambiente de antipolítica na sua Bélgica, traduzido num número elevado de votos na extrema-direita. A sua peça é uma espécie de libelo e de apoio à discussão livre dos temas que interessam ao bem público.
A Companhia Maior, responsável pela peça, é composta por artistas com mais de 60 anos, oriundos de áreas como a dança, teatro e música, criada em 2010 por iniciativa de Luísa Taveira, "com a missão de promover a criatividade na idade maior, em contacto com as várias gerações de criadores e no contexto interdisciplinar da criação contemporânea".
Elenco: Carlos Fernandes, Elisa Worm, Isabel Simões, João Silvestre, Júlia Guerra, Maria Helena Falé e Maria João Baião. Encenação: Peter Vandenbempt. Texto de Peter Vandenbempt com o elenco e Henrique Neves. Cenografia: Emma Denis. Teatro Maria Matos.
Assim, a fragilidade da peça é a nossa fragilidade enquanto seres humanos. Dou um exemplo: ao ouvir as vozes das três "meninas da rádio" (Júlia Guerra, Helena Falé, Maria João Baião), lembro de quão poderosas eram com as suas vozes percorrendo o "éter" das ondas. O que diziam, as músicas que anunciavam, o contexto cultural em que se envolviam, chegavam aos meus ouvidos e funcionavam como lei, como regra. A rádio é o meio mais misterioso, pois o reconhecimento da pessoa a quem pertencia cada voz era difícil num tempo atrás, sem revistas semanais ou programas de televisão. Agora, estavam ali, a falar da velhice, da doença, dos medos, da saudade do pai e da mãe e da escola e dos amigos, da falta de dinheiro ou da situação política atual.
Peter Vandenbempt, em entrevista reproduzida no programa que acompanha a peça, fala da energia destes velhos artistas, do seu maior arrependimento quando olham para a vida em comparação com artistas mais jovens, da abordagem mais cómica de situações bem mais trágicas (e os risos que se ouviam nos espectadores foi prova disso), se quisermos uma perspetiva mais melancólica e nostálgica. Diria ainda na entrevista que a peça não fala de reis e de rainhas mas de pessoas vulgares como nós - Um de Nós. A política assume aqui uma posição de grande importância, com cerca de 200 declarações sobre o tema. Estratégia, traição, compromisso e senso comum entram nesse conjunto. O autor principal do texto assume, na mesma entrevista, que ela começou a ser escrita num ambiente de antipolítica na sua Bélgica, traduzido num número elevado de votos na extrema-direita. A sua peça é uma espécie de libelo e de apoio à discussão livre dos temas que interessam ao bem público.
A Companhia Maior, responsável pela peça, é composta por artistas com mais de 60 anos, oriundos de áreas como a dança, teatro e música, criada em 2010 por iniciativa de Luísa Taveira, "com a missão de promover a criatividade na idade maior, em contacto com as várias gerações de criadores e no contexto interdisciplinar da criação contemporânea".
Elenco: Carlos Fernandes, Elisa Worm, Isabel Simões, João Silvestre, Júlia Guerra, Maria Helena Falé e Maria João Baião. Encenação: Peter Vandenbempt. Texto de Peter Vandenbempt com o elenco e Henrique Neves. Cenografia: Emma Denis. Teatro Maria Matos.
terça-feira, 28 de outubro de 2014
A morte de Carlos Silva
Carlos Silva foi um locutor e realizador de rádio no Porto. Ele criou um dos primeiros programas noturnos da rádio portuense, no ano de 1953, Última Hora. Foi ele o iniciador do programa que mais entrou pela madrugada, no tempo em que as estações fechavam à meia-noite.
Fiz-lhe uma entrevista notável (para mim) em Agosto de 2012. De tão entusiasmado, fomos do café onde decorrera a entrevista para casa dele, onde me mostrou documentos relacionados com a sua actividade. Foi um momento inolvidável.
Uma das profissões iniciais de Carlos Silva, nascido a 27 de maio de 1926, foi a de vendedor das máquinas de costura Oliva, que lhe granjeou muita popularidade e muitos contactos. Antes, começara já como locutor da estação mítica Portuense Rádio Clube. Depois, profissionalizou-se na estação Rádio Porto, que pertencia ao conjunto dos Emissores do Norte Reunidos, depois integrado na Emissora Nacional (actual RDP). Foi muito amigo dos Mafras (conjunto de música popular e folclórica António Mafra), acompanhando-os em digressão pelos Estados Unidos. Na entrevista que me deu, recordaria assim o seu começo profissional:
"Porque a clientela da Rádio Porto também era muito seleccionada. A Rádio Porto tinha nos Clérigos, tinha uma casa de electrodomésticos, tinha os Hornyphon [marca austríaca de rádios, com publicidade na imprensa em 1952], rádio Hornyphon. Ainda hoje há um senhor que sempre que passa por mim: “oh, Hornyphon é um rádio que é bom”. Ainda hoje… A Rádio Porto, a Orsec e o Rádio Clube do Norte tinham mais categoria, percebe, principalmente a Rádio Porto e a Orsec. Na Orsec estava um casal que era marido e mulher, eram os locutores e eram muito bons locutores. Eu não me lembro o nome deles. Depois, a certa altura aparece um senhor que é o senhor Militão Porto, que é jornalista. E foi lá à rádio falar com o senhor Rodrigues, era o sócio maioritário, para fazer um programa a partir da meia-noite . E o senhor Rodrigues olhou” “oh, senhor Militão, o senhor quer fazer um programa à meia-noite? Mas à meia-noite ninguém ouve o rádio”. “Oh, senhor Rodrigues, mas eu queria tentar”. “Mas o senhor veja lá”. O Militão era jornalista mas não tinha nada a ver com a rádio. Começa a fazer o programa à noite. Da meia-noite à uma. Já não sei quanto é que ele pagava. Agora sei que ao fim de seis meses ele deu com os olhos na água. Porquê? Porque tinha de contratar pessoal, tinha de comprar discos. Quando ele acaba o programa, eu já não sei esses pormenores, vou ter com o senhor Rodrigues: “oh, senhor Rodrigues, eu queria fazer o programa do senhor Militão”. “Oh, pá, tu és doido? Então não viste que ele… A fazer o quê, pá”? “Oh, senhor Rodrigues, deixe-me tentar”. “Oh, pá, tu vais-te meter numa, tu vê lá”. “Senhor Rodrigues, faça-me um preço jeitosinho e tal. Eu já tenho anúncio para o programa”. “O quê, tu já tens anúncios, mas eu disse-te alguma coisa que ias fazer o programa”? “Oh, senhor Rodrigues, eu arranjei clientes. Já tenho anúncios para pagar uma certa importância”. E, então, alugaram-me aquela hora, baratíssima. [...] Eu tinha muito gosto naquilo e comecei a interessar muita gente: o Arnaldo Trindade, a Rádio Triunfo, que eram produtores de discos. O Arnaldo Trindade tinha a representação em Portugal dos discos da Vogue. Eu fui, veja lá que a coisa tomou tal extensão que eu fui convidado pela Vogue a passar lá uns dias a Paris. Portanto, o Arnaldo Trindade, a Rádio Triunfo, o Figueiredo aqui da rua Santo António, que era malas, carteiras de senhora, também tinha uma secção de discos".
O velório dele decorre hoje no Tanatório de Matosinhos, na rua de Sendim, com funeral marcado para amanhã à tarde.
Fiz-lhe uma entrevista notável (para mim) em Agosto de 2012. De tão entusiasmado, fomos do café onde decorrera a entrevista para casa dele, onde me mostrou documentos relacionados com a sua actividade. Foi um momento inolvidável.
Uma das profissões iniciais de Carlos Silva, nascido a 27 de maio de 1926, foi a de vendedor das máquinas de costura Oliva, que lhe granjeou muita popularidade e muitos contactos. Antes, começara já como locutor da estação mítica Portuense Rádio Clube. Depois, profissionalizou-se na estação Rádio Porto, que pertencia ao conjunto dos Emissores do Norte Reunidos, depois integrado na Emissora Nacional (actual RDP). Foi muito amigo dos Mafras (conjunto de música popular e folclórica António Mafra), acompanhando-os em digressão pelos Estados Unidos. Na entrevista que me deu, recordaria assim o seu começo profissional:
"Porque a clientela da Rádio Porto também era muito seleccionada. A Rádio Porto tinha nos Clérigos, tinha uma casa de electrodomésticos, tinha os Hornyphon [marca austríaca de rádios, com publicidade na imprensa em 1952], rádio Hornyphon. Ainda hoje há um senhor que sempre que passa por mim: “oh, Hornyphon é um rádio que é bom”. Ainda hoje… A Rádio Porto, a Orsec e o Rádio Clube do Norte tinham mais categoria, percebe, principalmente a Rádio Porto e a Orsec. Na Orsec estava um casal que era marido e mulher, eram os locutores e eram muito bons locutores. Eu não me lembro o nome deles. Depois, a certa altura aparece um senhor que é o senhor Militão Porto, que é jornalista. E foi lá à rádio falar com o senhor Rodrigues, era o sócio maioritário, para fazer um programa a partir da meia-noite . E o senhor Rodrigues olhou” “oh, senhor Militão, o senhor quer fazer um programa à meia-noite? Mas à meia-noite ninguém ouve o rádio”. “Oh, senhor Rodrigues, mas eu queria tentar”. “Mas o senhor veja lá”. O Militão era jornalista mas não tinha nada a ver com a rádio. Começa a fazer o programa à noite. Da meia-noite à uma. Já não sei quanto é que ele pagava. Agora sei que ao fim de seis meses ele deu com os olhos na água. Porquê? Porque tinha de contratar pessoal, tinha de comprar discos. Quando ele acaba o programa, eu já não sei esses pormenores, vou ter com o senhor Rodrigues: “oh, senhor Rodrigues, eu queria fazer o programa do senhor Militão”. “Oh, pá, tu és doido? Então não viste que ele… A fazer o quê, pá”? “Oh, senhor Rodrigues, deixe-me tentar”. “Oh, pá, tu vais-te meter numa, tu vê lá”. “Senhor Rodrigues, faça-me um preço jeitosinho e tal. Eu já tenho anúncio para o programa”. “O quê, tu já tens anúncios, mas eu disse-te alguma coisa que ias fazer o programa”? “Oh, senhor Rodrigues, eu arranjei clientes. Já tenho anúncios para pagar uma certa importância”. E, então, alugaram-me aquela hora, baratíssima. [...] Eu tinha muito gosto naquilo e comecei a interessar muita gente: o Arnaldo Trindade, a Rádio Triunfo, que eram produtores de discos. O Arnaldo Trindade tinha a representação em Portugal dos discos da Vogue. Eu fui, veja lá que a coisa tomou tal extensão que eu fui convidado pela Vogue a passar lá uns dias a Paris. Portanto, o Arnaldo Trindade, a Rádio Triunfo, o Figueiredo aqui da rua Santo António, que era malas, carteiras de senhora, também tinha uma secção de discos".
O velório dele decorre hoje no Tanatório de Matosinhos, na rua de Sendim, com funeral marcado para amanhã à tarde.
segunda-feira, 27 de outubro de 2014
Byung-Chul Han
Descobri agora Byung-Chul Han. A editora Relógio d'Água editou de uma só assentada três livros do filósofo coreano mas a trabalhar e investigar na Alemanha: A Sociedade do Cansaço, A Sociedade da Transparência, A Agonia de Eros. Li os livros numa frenética sequência. Eles também não são grandes e dividem-se em capítulos pequenos. Li-os, compreendo e não compreendendo tudo o que escreveu. Certamente uma segunda leitura é-me recomendada.
Primeira surpresa, o seu currículo. Ele estudou metalurgia no seu país de origem. Como queria estudar filosofia e a família e o meio cultural da Coreia do Sul não facilitavam, ele foi para a Alemanha, primeiro para aprender a língua e depois para aprender filosofia. Tornou-se familiar das leituras de Nietzsche e de Heidegger. Sobre o último, escreveu a sua tese de doutoramento. Nos livros agora editados em português, o autor evidencia um longo conhecimento daqueles dois filósofos mas também de Freud, Barthes, Benjamin, Agamben, Foucault, Baudrillard, Deleuze.
Nos capítulos, há uma espécie de técnica de apresentação do tema. Ele cita um autor, enaltece o seu ponto de vista mas depois faz uma crítica quase impiedosa. Assim, Han cria polémica, o que estimula a leitura, não tenho dúvidas. No primeiro livro, por exemplo, refere e critica Esposito, Foucault, Arendt. Mas cria um pensamento novo e provocador. Retiro algumas ideias: imunologia e negatividade, tédio e cansaço (que leva ao burnout, ou cansaço permanente), vida activa e incapacidade contemplativa, positividade da presente sociedade, sociedade disciplinar versus sociedade produtiva, sociedade da exposição e sociedade porno, obscenidade, perda do amor em detrimento da depressão do sucesso e do narcisismo.
Voltando às críticas que faz a outros autores e à sua arrumação posterior, retenho a análise feita a Agamben (A Agonia de Eros, pp. 35-39). Para Agamben, o museu substitui o templo, e seculariza o que é sagrado, na medida em que os objectos dentro do museu não têm uso livre. Antes, os peregrinos andavam de santuário em santuário, para rezar; agora, os turistas viajam pelo mundo tornado museu. Sacralização e profanação opõem-se, diz Han de Agamben. Ora, para Han, a musealização aniquila o valor dos objectos, em benefício da exposição. Já em A Sociedade da Transparência, Byung-Chul Han tratara o tema a partir de Benjamin (pp. 21-27). Na sociedade positiva, as coisas transformam-se em mercadorias e um objecto cultual desaparece em benefício do seu valor de exposição.
O tema central dos textos agora publicados por Han relaciona-se com o tempo. Para ele, vive-se numa época em que não há tempo. O indivíduo, preocupado com a produção, perde a dimensão de pensar e refletir. Uma sociedade de tarefas múltiplas em simultâneo (multitasking) não tem tempo senão para a repetição, para reproduzir o já existente. Em última instância, o filósofo coreano entende haver direito à reflexão e até à preguiça como modo de escutar e atentar à sua volta. A liberdade reside aqui, conclui.
De Han se diz evitar dar entrevistas e referir o seu currículo. De uma entrevista dada ao El Pais (22 de Março de 2014), percebe-se melhor o seu pensamento:
"No hay, sin embargo, que confundir la seducción con la compra. “Creo que no solo Grecia, también España, se encuentran en un estado de shock tras la crisis financiera. En Corea ocurrió lo mismo, tras la crisis de Asia. El régimen neoliberal instrumentaliza radicalmente este estado de shock. Y ahí viene el diablo, que se llama liberalismo o Fondo Monetario Internacional, y da dinero o crédito a cambio de almas humanas. Mientras uno se encuentra aún en estado de shock, se produce una neoliberalización más dura de la sociedad caracterizada por la flexibilización laboral, la competencia descarnada, la desregularización, los despidos”. Todo queda sometido al criterio de una supuesta eficiencia, al rendimiento. Y, al final, explica, “estamos todos agotados y deprimidos. Ahora la sociedad del cansancio de Corea del Sur se encuentra en un estadio final mortal”. En realidad, el conjunto de la vida social se convierte en mercancía, en espectáculo. La existencia de cualquier cosa depende de que sea previamente “expuesta”, de “su valor de exposición” en el mercado. Y con ello “la sociedad expuesta se convierte también en pornográfica. La exposición hasta el exceso lo convierte todo en mercancía. Lo invisible no existe, de modo que todo es entregado desnudo, sin secreto, para ser devorado de inmediato, como decía Baudrillard”. Y lo más grave: “La pornografía aniquila al eros y al propio sexo”. La transparencia exigida a todo es enemiga directa del placer que exige un cierto ocultamiento, al menos un tenue velo. La mercantilización es un proceso inherente al capitalismo que solo conoce un uso de la sexualidad: su valor de exposición como mercancia." (texto acedido hoje).
Primeira surpresa, o seu currículo. Ele estudou metalurgia no seu país de origem. Como queria estudar filosofia e a família e o meio cultural da Coreia do Sul não facilitavam, ele foi para a Alemanha, primeiro para aprender a língua e depois para aprender filosofia. Tornou-se familiar das leituras de Nietzsche e de Heidegger. Sobre o último, escreveu a sua tese de doutoramento. Nos livros agora editados em português, o autor evidencia um longo conhecimento daqueles dois filósofos mas também de Freud, Barthes, Benjamin, Agamben, Foucault, Baudrillard, Deleuze.Nos capítulos, há uma espécie de técnica de apresentação do tema. Ele cita um autor, enaltece o seu ponto de vista mas depois faz uma crítica quase impiedosa. Assim, Han cria polémica, o que estimula a leitura, não tenho dúvidas. No primeiro livro, por exemplo, refere e critica Esposito, Foucault, Arendt. Mas cria um pensamento novo e provocador. Retiro algumas ideias: imunologia e negatividade, tédio e cansaço (que leva ao burnout, ou cansaço permanente), vida activa e incapacidade contemplativa, positividade da presente sociedade, sociedade disciplinar versus sociedade produtiva, sociedade da exposição e sociedade porno, obscenidade, perda do amor em detrimento da depressão do sucesso e do narcisismo.
Voltando às críticas que faz a outros autores e à sua arrumação posterior, retenho a análise feita a Agamben (A Agonia de Eros, pp. 35-39). Para Agamben, o museu substitui o templo, e seculariza o que é sagrado, na medida em que os objectos dentro do museu não têm uso livre. Antes, os peregrinos andavam de santuário em santuário, para rezar; agora, os turistas viajam pelo mundo tornado museu. Sacralização e profanação opõem-se, diz Han de Agamben. Ora, para Han, a musealização aniquila o valor dos objectos, em benefício da exposição. Já em A Sociedade da Transparência, Byung-Chul Han tratara o tema a partir de Benjamin (pp. 21-27). Na sociedade positiva, as coisas transformam-se em mercadorias e um objecto cultual desaparece em benefício do seu valor de exposição.
O tema central dos textos agora publicados por Han relaciona-se com o tempo. Para ele, vive-se numa época em que não há tempo. O indivíduo, preocupado com a produção, perde a dimensão de pensar e refletir. Uma sociedade de tarefas múltiplas em simultâneo (multitasking) não tem tempo senão para a repetição, para reproduzir o já existente. Em última instância, o filósofo coreano entende haver direito à reflexão e até à preguiça como modo de escutar e atentar à sua volta. A liberdade reside aqui, conclui.
De Han se diz evitar dar entrevistas e referir o seu currículo. De uma entrevista dada ao El Pais (22 de Março de 2014), percebe-se melhor o seu pensamento:
"No hay, sin embargo, que confundir la seducción con la compra. “Creo que no solo Grecia, también España, se encuentran en un estado de shock tras la crisis financiera. En Corea ocurrió lo mismo, tras la crisis de Asia. El régimen neoliberal instrumentaliza radicalmente este estado de shock. Y ahí viene el diablo, que se llama liberalismo o Fondo Monetario Internacional, y da dinero o crédito a cambio de almas humanas. Mientras uno se encuentra aún en estado de shock, se produce una neoliberalización más dura de la sociedad caracterizada por la flexibilización laboral, la competencia descarnada, la desregularización, los despidos”. Todo queda sometido al criterio de una supuesta eficiencia, al rendimiento. Y, al final, explica, “estamos todos agotados y deprimidos. Ahora la sociedad del cansancio de Corea del Sur se encuentra en un estadio final mortal”. En realidad, el conjunto de la vida social se convierte en mercancía, en espectáculo. La existencia de cualquier cosa depende de que sea previamente “expuesta”, de “su valor de exposición” en el mercado. Y con ello “la sociedad expuesta se convierte también en pornográfica. La exposición hasta el exceso lo convierte todo en mercancía. Lo invisible no existe, de modo que todo es entregado desnudo, sin secreto, para ser devorado de inmediato, como decía Baudrillard”. Y lo más grave: “La pornografía aniquila al eros y al propio sexo”. La transparencia exigida a todo es enemiga directa del placer que exige un cierto ocultamiento, al menos un tenue velo. La mercantilización es un proceso inherente al capitalismo que solo conoce un uso de la sexualidad: su valor de exposición como mercancia." (texto acedido hoje).
domingo, 26 de outubro de 2014
Sangue na guelra
O cenário é mínimo: duas cadeiras, um homem (Graeme Pulleyn) e uma mulher (Rafaela Santos). Fernando Giestas (1978) é o autor da peça chamada Sangue na Guerra/Guelra/Guerra (2011) e publicada na colectânea "Oficina de Escrita Odisseia: Textos Escolhidos", uma edição do Teatro Nacional São João (2011). Ele lembrava a sua ida de barco para muito longe, num mar imenso, para um país que não era o seu mas podia ser o seu. E recordava que encontrou mulheres de olhos negros e pele semelhante. Ele teria dezoito, vinte anos. Ela lembrava a chegada de tantos homens, jovens e de bigode, de olhos claros e pele semelhante. Sabia que eles vinham de outro sítio com outra cultura. A mulher de olhos negros ou o homem de olhos claros aproximaram-se, começaram a ir à praia, ao cinema, apaixonaram-se.
Um dia, os homens, armados, levantando uma enorme nuvem de poeira, aproximaram-se da aldeia. Eles queriam que elas fugissem. Estas ficaram de pé, à espera que a poeira assentasse no chão, e viram os pais, os maridos e os filhos tombarem pelas balas saídas das armas. Era a guerra. O sangue na guelra (juventude, inquietude) tornara-se sangue da guerra. O país que não era o dele mas podia ser dele deixava de o ser.
O curto texto de Fernando Giestas foi sendo repetido, em diferentes ângulos da sala, com os corpos dos actores expressando outros sentimentos. O encenador Rogério de Carvalho quis que os actores fossem também co-autores do texto. Como quem conta a memória, histórias passadas a gente presente, como se um casal lembrasse o que tinha acontecido quarenta anos atrás. Na representação, senti algo tirado do neo-realismo, dos quadros de Picasso, das tragédias gregas. A música, não identificada no programa, enquadrava o dramatismo dos corpos que tinham perdido a felicidade e a que, agora, só restava a recordação.
Lembrei-me da guerra entre Israel e a Palestina, mas a história não se encaixava porque não há mar longínquo entre os dois países (ou territórios). Tive de ajustar a minha própria memória. Senti-me comovido. O barco demorou oito dias a chegar de Lisboa a Luanda. Sempre tortilha ao almoço e ao jantar. Havia quem aproveitasse o tempo a jogar cartas, algo que nunca me seduziu (os jogos que aprendi, esqueci logo a seguir). À chegada, havia um velho comboio puxado a locomotiva de carvão, a única viagem que fiz num comboio desse tipo.
Fernando Giestas e Rafaela Santos são fundadores da Amarelo Silvestre/Magnólia Teatro, a partir de Canas de Senhorim (2009). A peça, agora representada no Teatro Meridional, foi escrita sob orientação de Jean-Pierre Sarrazac. Ver apresentação da peça aqui.
Um dia, os homens, armados, levantando uma enorme nuvem de poeira, aproximaram-se da aldeia. Eles queriam que elas fugissem. Estas ficaram de pé, à espera que a poeira assentasse no chão, e viram os pais, os maridos e os filhos tombarem pelas balas saídas das armas. Era a guerra. O sangue na guelra (juventude, inquietude) tornara-se sangue da guerra. O país que não era o dele mas podia ser dele deixava de o ser.
O curto texto de Fernando Giestas foi sendo repetido, em diferentes ângulos da sala, com os corpos dos actores expressando outros sentimentos. O encenador Rogério de Carvalho quis que os actores fossem também co-autores do texto. Como quem conta a memória, histórias passadas a gente presente, como se um casal lembrasse o que tinha acontecido quarenta anos atrás. Na representação, senti algo tirado do neo-realismo, dos quadros de Picasso, das tragédias gregas. A música, não identificada no programa, enquadrava o dramatismo dos corpos que tinham perdido a felicidade e a que, agora, só restava a recordação.
Lembrei-me da guerra entre Israel e a Palestina, mas a história não se encaixava porque não há mar longínquo entre os dois países (ou territórios). Tive de ajustar a minha própria memória. Senti-me comovido. O barco demorou oito dias a chegar de Lisboa a Luanda. Sempre tortilha ao almoço e ao jantar. Havia quem aproveitasse o tempo a jogar cartas, algo que nunca me seduziu (os jogos que aprendi, esqueci logo a seguir). À chegada, havia um velho comboio puxado a locomotiva de carvão, a única viagem que fiz num comboio desse tipo.
Fernando Giestas e Rafaela Santos são fundadores da Amarelo Silvestre/Magnólia Teatro, a partir de Canas de Senhorim (2009). A peça, agora representada no Teatro Meridional, foi escrita sob orientação de Jean-Pierre Sarrazac. Ver apresentação da peça aqui.
quinta-feira, 23 de outubro de 2014
quarta-feira, 15 de outubro de 2014
Prémio Indústrias Criativas
No Prémio Indústrias Criativas para Orquestra, dedicada a bandas sonoras originais, venceu a Weso, orquestra especializada em bandas sonoras para a indústria cinematográfica. Trata-se da 6ª edição do Prémio Nacional Indústrias Criativas Super Bock/Serralves (PNIC), integrada na categoria Música e Artes do Espetáculo (informação retirada do jornal online Expresso).
Reality-shows e classes sociais altas
Para o Diário de Notícias (ontem), a edição atual de Casa dos Segredos, conduzida por Teresa Guilherme, conta com mais crianças e jovens entre os espectadores. São cerca de 200 mil - de um total aproximado de 1,4 milhões de pessoas de média - que veem regularmente o programa de domingo à noite, desde 21 de setembro. Há em média 41 mil espectadores da classe alta (A), os mais ricos, e 162 mil da classe média alta (B) a ver o formato.
Também a coluna de José-Manuel Nobre Correia acabou no Diário de Notícias
A mudança de rumo do Diário de Notícias levou a uma saída de colunistas, além dos jornalistas, já aqui anunciado. José-Manuel Nobre Correia despediu-se no passado dia 11 de Outubro:
"Tudo tem um princípio. E, ao que parece, tudo tem necessariamente um fim. O que é certo, em todo o caso, é que esta é a última rubrica Planeta Media. Após quase sete anos e mais exatamente 320 semanas. Pontualmente, aos sábados, sem exceção alguma, a não ser as quatro semanas de férias de verão previstas por contrato. E pontualmente com os dois mil caracteres da crónica e os mil partilhados em três breves, apertadamente impostos pela direção precedente do Diário de Notícias".
"Tudo tem um princípio. E, ao que parece, tudo tem necessariamente um fim. O que é certo, em todo o caso, é que esta é a última rubrica Planeta Media. Após quase sete anos e mais exatamente 320 semanas. Pontualmente, aos sábados, sem exceção alguma, a não ser as quatro semanas de férias de verão previstas por contrato. E pontualmente com os dois mil caracteres da crónica e os mil partilhados em três breves, apertadamente impostos pela direção precedente do Diário de Notícias".
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