Isabel Amaral, especialista em questões de imagem, comunicação e protocolo, presidente da Associação Portuguesa de Estudos de Protocolo (APOREP) (à esquerda), apresentou hoje o livro de Cristina Fernandes (à direita), com o título Manual de Protocolo Empresarial, uma edição da Universidade Católica Editora. A diretora da editora, Anabela Antunes (ao centro), apresentou Isabel Amaral e a autora.
Textos de Rogério Santos, com reflexões e atualidade sobre indústrias culturais (imprensa, rádio, televisão, internet, cinema, videojogos, música, livros, centros comerciais) e criativas (museus, exposições, teatro, espetáculos). Na blogosfera desde 2002.
terça-feira, 17 de março de 2015
Apresentação do livro sobre protocolo empresarial
Isabel Amaral, especialista em questões de imagem, comunicação e protocolo, presidente da Associação Portuguesa de Estudos de Protocolo (APOREP) (à esquerda), apresentou hoje o livro de Cristina Fernandes (à direita), com o título Manual de Protocolo Empresarial, uma edição da Universidade Católica Editora. A diretora da editora, Anabela Antunes (ao centro), apresentou Isabel Amaral e a autora.
Diretores da RTP
A nova administração da RTP escolheu Paulo Dentinho para diretor de informação da televisão, Daniel Deusdado (produtora Farol de Ideias) para diretor de programas da RTP1, RTP Informação e Internacional, Teresa Paixão para diretora da RTP2, Gonçalo Madaíl para a RTP Memória, José Arantes para a RTP África, João Paulo Baltazar (ex-TSF) para diretor de informação da rádio, Rui Pêgo que mantém a direção da Antena 1, Antena 2, RDP África e RDP Internacional, e Nuno Reis para a direção da Antena 3. Mantêm-se ainda os diretores da RTP e RDP Açores, Maria do Carmo Figueiredo, e da RTP e RDP Madeira, Martim Santos.
12 anos do blogue Indústrias Culturais
Foi a 17 de Março de 2003 que iniciei este espaço. Para trás, ficam 8070 mensagens publicadas! Muito obrigado a quem me tem lido.
segunda-feira, 16 de março de 2015
Curto apontamento sobre a escrita de um guião
Hoje, na aula de Indústrias Culturais e Criativas, esteve presente como convidado um produtor de conteúdos televisivos, em especial telenovelas. Ele falou sobre escrita para televisão e guiões. Um guião não é um processo literário mas visual, uma história contada em imagens, diálogos e descrição de uma estrutura dramática dentro de um contexto. O autor do guião já se transformou, nos Estados Unidos, em alguém de importância crescente na indústria cultural da televisão, enquanto na Europa ainda se fala do estatuto do realizador.
Nas indústrias culturais, existe um triângulo: autor, público, crítica. Com frequência, despreza-se o público. mas também se olha a televisão como mau produto cultural, incluindo a novela. O reconhecimento pela novela portuguesa, a nível de prémios internacionais, como o Grammy, indica que tem qualidade enquanto artefacto. Uma novela conta uma história, que pode ser iniciática, de catarse, e que lembra mitos e elementos da relação humana desde sempre. Assim, um guião significa uma história dentro de um contexto, enquanto organização linear de incidentes, episódios e eventos relacionados, com associação de conflitos internos e externos e escolhas. O desenho clássico de um guião que a indústria audiovisual desenvolveu é composto por tempo linear, um protagonista rapidamente identificado, uma realidade coerente, um final fechado e causalidade.
Como conclusão, não se deve esquecer que escrever um guião significa conhecer a audiência e que a arte da escrita reside na capacidade de provocar pensamento e sentimentos nos espectadores.
Nas indústrias culturais, existe um triângulo: autor, público, crítica. Com frequência, despreza-se o público. mas também se olha a televisão como mau produto cultural, incluindo a novela. O reconhecimento pela novela portuguesa, a nível de prémios internacionais, como o Grammy, indica que tem qualidade enquanto artefacto. Uma novela conta uma história, que pode ser iniciática, de catarse, e que lembra mitos e elementos da relação humana desde sempre. Assim, um guião significa uma história dentro de um contexto, enquanto organização linear de incidentes, episódios e eventos relacionados, com associação de conflitos internos e externos e escolhas. O desenho clássico de um guião que a indústria audiovisual desenvolveu é composto por tempo linear, um protagonista rapidamente identificado, uma realidade coerente, um final fechado e causalidade.
Como conclusão, não se deve esquecer que escrever um guião significa conhecer a audiência e que a arte da escrita reside na capacidade de provocar pensamento e sentimentos nos espectadores.
3.ª edição do Fronteira — Festival Literário de Castelo Branco
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O Festival Literário de Castelo Branco, em 10 e 11 de abril e 4 de maio, agora em terceira edição, toma o nome de Fronteira. Alguns dos autores presentes irão a escolas do concelho, no sentido de criar novos públicos. Entre os autores, destaque para Bruno Vieira Amaral, Francisco José Viegas, o músico João Afonso, João de Melo, João Tordo, José Manuel Fajardo, Valério Romão e Valter Hugo Mãe.
domingo, 15 de março de 2015
Memórias, por Joana Craveiro
"O «Museu Vivo de Memórias Pequenas e Esquecidas» é uma criação de Joana Craveiro, constituída por sete palestras performativas que reconstituem e analisam um mosaico de memórias da Ditadura portuguesa, Revolução e Processo Revolucionário em Curso, ao mesmo tempo que interrogando e desconstruindo algumas das narrativas oficiais sobres estes períodos ainda hoje em circulação. Construído a partir de uma abrangente recolha de testemunhos, bem como da angariação de arquivos privados, cruzados com a história pessoal de Joana Craveiro, o «Museu Vivo» é um projecto que questiona as formas de produção da história e da memória e a sua transmissão" (informação da organização).
Dia 20 de Março, às 15:30, na Universidade Nova de Lisboa, integrada na "Oficina de História e Imagem (OHI) [...] um lugar de reflexão e debate entre criadores, investigadores e arquivistas de diferentes áreas do saber que se interessam pelo papel da imagem (fotografia, cinema, artes visuais) na mediação do passado" (http://oficinahistoriaima.wix.com/historiaeimagem).
Dia 20 de Março, às 15:30, na Universidade Nova de Lisboa, integrada na "Oficina de História e Imagem (OHI) [...] um lugar de reflexão e debate entre criadores, investigadores e arquivistas de diferentes áreas do saber que se interessam pelo papel da imagem (fotografia, cinema, artes visuais) na mediação do passado" (http://oficinahistoriaima.wix.com/historiaeimagem).
sábado, 14 de março de 2015
Ourivesaria Aliança
Desde novembro de 2014, na rua das Flores (Porto), a servir chás e scones.
Quando chegar o calor, talvez granizados ou sorvetes. O edifício é de 1906, com interiores a anteciparem a art déco, e já serviu para vender joias e roupa (casa Moura Fernandes).
sexta-feira, 13 de março de 2015
O Fim das Possibilidades
Jean-Pierre Sarrazac, que foi reescrevendo a peça com o título O Fim das Possibilidades desde 2014, estreou-a hoje, no Porto, a nível mundial. De início, Deus (Ivo Alexandre) e Satã ou o Adversário (Fernando Mora Ramos) discutem os problemas da humanidade. O desemprego, os sem papéis (imigrantes clandestinos) e os sem abrigo - os novos "danados da terra" - têm aumentado de número, baixando a esperança entre os homens, a que sobrevém o suicídio. Satã, qual funcionário superior de Deus numa empresa corporativa, propõe uma alternativa, semelhante à da publicidade de habitações e férias de sonho.A personagem principal da peça é JB (Paulo Calatré) - que pode ser o Job bíblico ou João Baptista, aquele que anuncia o Messias, ou a marca de uísque com o mesmo nome. JB não é um indivíduo mas a multidão que sofre os problemas modernos do desemprego, da desqualificação tecnológica, da reciclado ou do descartável, perde o lar, a família e os filhos já não acreditam no pai. Os sem rosto podem também ser irmãos ou irmãs de JB e contam as suas histórias e embarcam para um mundo subterrâneo e sem luz (onde se desce mas nunca se volta a subir à superfície), espécie de nova transumância humana. Os sem rosto lembram o velho coro da tragédia grega, implicitamente associada à atual condição política de contestação do governo grego de Tsipras.
JB, um vencido com orgulho de vencedor, inicia o seu percurso miserável quando tem um pesadelo durante a noite e acorda a mulher Gladys (Joana Carvalho). Depois, começa a embriagar-se enquanto conta ao seu amigo Mamadou (Alberto Magassela) que tem um chefe Pitbull que o exaspera com dificuldades diárias. Mamadou, trabalhador africano sem papéis, acaba por ser denunciado porque protegeu uma larápia (Maria Quintelas) que roubou para dar comida ao filho. JB decidiu suicidar-se e entra no inferno clamando contra Satã. Este, que fizera um acordo com Deus para evitar o desespero final, o suicídio, sentiu-se derrotado, o que confessa a Deus, pessoal ou através de telemóvel de última geração. Deus diria: "Deixar que Job se tenha enforcado não é apenas uma falta, é um crime, um falhanço". JB versus Satão ou o Adversário é, nas palavras do autor Sarrazac, uma tensão permanente entre o mais mítico e o mais quotidiano. JB anteciparia o fim das possibilidades, isto é, atuara de modo não previstos pelo demiurgo.
Em texto de Pedro Sobrado, os sem rosto que se apresentam diante de Satã são memórias distantes do Job bíblico: o que espera uma reparação, o que manifesta uma obsessão por buracos e lugares escuros, o que ecoa os lamentos da personagem bíblica, o impaciente, o que transporta a versão benigna do nazismo (serões recreativos, excursões, saídas em grupo, festas).
O Fim das Possibilidades - que resultou do esforço conjunto do Teatro Nacional de São João (Porto) e do Teatro da Rainha (Caldas da Rainha), com encenação partilhada por ambos os diretores artísticos (Nuno Carinhas e Fernando Mora Ramos) - é a extensão da desesperança. O "fim das possibilidades" é, ainda para Sarrazac, a deportação dos mais desfavorecidos da América Latina, uma parábola e ainda um palimpsesto, com memórias de outras peças do autor, mas também do expressionismo, de Kafka, de Woyzeck ou de Strindberg. A cenografia e os figurinos, de Nuno Carinhas, dão uma dimensão mais profunda, a que se associam sons de fábrica e de delírio coletivo.
Depois do Porto, a peça será representada em Lisboa e Caldas da Rainha. Duas conversas sobre a peça estão marcadas: Porto no dia 21 de março e Lisboa no dia 11 de abril.
quinta-feira, 12 de março de 2015
Estuário do Sado
Do barco abandonado, recupero mentalmente os seus remos, dois poderosos braços que percorriam o rio e eram a base de sustentação do pescador na busca de peixe ou marisco. E lembrei-me de um senhor de 81 anos, nascido em Portalegre e que sempre trabalhou na construção civil. Ele esteve em Caminha, trabalhou na altura de um terramoto em ilhas dos Açores, vivia em Queluz e calcorreava Lisboa. Ali, na rua de Entrecampos, ele lembrava-se do tempo em que ainda não havia os prédios actuais mas moradias (burguesas, acrescento eu), e rebanhos de carneiros que pastavam no Campo Grande. Nos últimos cinco anos, vive com uma filha em Madrid. Ele viera a Lisboa tratar de um assunto na Segurança Social. Sem ter dormido durante a viagem, voltaria a casa no mesmo dia.
Lembrei-me dele, porque, ainda rijo mentalmente, trazia duas muletas de apoio ao andar. O equivalente aos remos do barco Dilar Espada.
terça-feira, 10 de março de 2015
Mais elementos sobre as indústrias criativas
Hoje, a aula andou à volta da instituições, propriedade e empreendedorismo, a partir do texto de Davies e Sigthorsson (Introducing Creative Industries, 2013). Os autores partem de três tipos de estrutura organizacional: freelancers, PME e grandes empresas. Uma tendência empresarial resultado das transformações sociais e económicas da década de 1980 foi a desregulação, a desarticulação de empresas organizadas verticalmente, com subcontratação (outsourcing), e a abertura de mercados internacionais (globalização).
Os autores identificam outra tendência - o empreendedorismo - articulada com uma ecologia especial, composta de grandes empresas e um número maior de freelancers. Tal leva à discussão sobre prós e contras do trabalho flexível. Por um lado, há mais liberdade de participar em projectos que se gosta mais; por outro lado, a concorrência e a precariedade conduzem a um permanente desgaste psicológico do desemprego, a pagamentos mais baixos e a mais horas de trabalho.
Um outro elemento destacado no texto de Davies e Sigthorsson é o ligado aos locais de trabalho das indústrias criativas (do lar ao estúdio, à garagem e ao palco), com contactos face a face mais privilegiados que os contactos via internet, estruturas de trabalho (pequenas empresas e trabalhadores criativos independentes) e padrões de trabalho, no que eu também chamo cadeia de valor ou cadeia de produção (investigação da ideia e pré-produção, produção e pós-produção). Davies e Sigthorsson aconselham a que o trabalhador criativo trabalhe a sua trajectória da carreira e o seu portefólio. Finalmente, o texto traça perspectivas nacionais e internacionais do mercado das indústrias criativas.
A análise teórica completou a apresentação prática de ontem. A artista convidada, trabalhando áreas distintas como a fotografia, o vídeo, os cartazes de cinema e o teatro, defendeu duas ideias centrais: processo criativo (em que o tema vai evoluindo da concepção à realização final) e pensamento estratégico (do trabalho criativo compulsivo à criação do portefólio).
Os autores identificam outra tendência - o empreendedorismo - articulada com uma ecologia especial, composta de grandes empresas e um número maior de freelancers. Tal leva à discussão sobre prós e contras do trabalho flexível. Por um lado, há mais liberdade de participar em projectos que se gosta mais; por outro lado, a concorrência e a precariedade conduzem a um permanente desgaste psicológico do desemprego, a pagamentos mais baixos e a mais horas de trabalho.
Um outro elemento destacado no texto de Davies e Sigthorsson é o ligado aos locais de trabalho das indústrias criativas (do lar ao estúdio, à garagem e ao palco), com contactos face a face mais privilegiados que os contactos via internet, estruturas de trabalho (pequenas empresas e trabalhadores criativos independentes) e padrões de trabalho, no que eu também chamo cadeia de valor ou cadeia de produção (investigação da ideia e pré-produção, produção e pós-produção). Davies e Sigthorsson aconselham a que o trabalhador criativo trabalhe a sua trajectória da carreira e o seu portefólio. Finalmente, o texto traça perspectivas nacionais e internacionais do mercado das indústrias criativas.
A análise teórica completou a apresentação prática de ontem. A artista convidada, trabalhando áreas distintas como a fotografia, o vídeo, os cartazes de cinema e o teatro, defendeu duas ideias centrais: processo criativo (em que o tema vai evoluindo da concepção à realização final) e pensamento estratégico (do trabalho criativo compulsivo à criação do portefólio).
segunda-feira, 9 de março de 2015
London Culture Industry Now!
The first in a series of three lectures and debates on the changing share of the culture industry in London, hosted by the MA Culture Industry, Centre for Cultural Studies, Goldsmiths. 'Creative Capital? (Mis)understanding the Culture Industry'. A talk by Robert Hewison.
Ever since Charles Landry and Franco Bianchini published The Creative City in 1995 and Richard Florida described The Rise of the Creative Class in 2002, “creativity” has been seen as the secret elixir of the contemporary city, and the driver of the modern economy. Official statistics claim that the “creative industries” employ around 6 per cent of the UK work force, and account for just over 5 per cent of the UK economy. But what are the “creative industries”, and how creative are they? And why is it that ever since they were officially recognized in 1997, the concept of the creative industries has had to have two further oficial re-launches? Robert Hewison, author of Cultural Capital: The Rise and Fall of Creative Britain argues that the connection between “creativity” and “industry” is still not understood. Robert Hewison is an independent writer, curator, journalist and cultural consultant. He has published more than twenty books in the field of 19th and 20th century British cultural history. An authority on John Ruskin, hê has held chairs at Oxford, Lancaster and City Universities, and is na Associate of the think tank Demos. He has written on the arts for the
Sunday Times since 1981. His latest book, on the cultural policies and politics in Britain, 1997-2012, Cultural Capital: The Rise and Fall of Creative Britain, is published by Verso.
Event Information
Location: 309, Richard Hoggart Building
Cost: Free, all welcome
Website: About the MA in Culture Industry
Department: Centre For Cultural Studies
Time: 11 March 2015, 17:00 - 19:00
http://www.gold.ac.uk/cultural-studies/calendar/?id=8292
domingo, 8 de março de 2015
Yvone Kane
Após a morte da filha, Rita Moreira voltou ao país africano onde viveu a sua infância. Ela reencontraria a mãe, Sara, médica, que não abandonara o país após a sua independência. O raccord entre a morte da filha de Rita e o seu regresso a África é muito subtil, quase imperceptível, do mesmo modo que a sua motivação para a investigação do assassinato da antiga guerrilheira e activista política Yvone Kane não aparece bem esclarecida. Isto enquanto a mãe, a morrer de cancro, procura saber o que se passa com Jaime, o adolescente que ela adoptara e passava por um período não controlado de afirmação pessoal.
Neste cruzamento de histórias, encontro uma mesma razão: explicar o fracasso das relações raciais na pós-independência colonial. Há sinais que nos levam a Moçambique, onde o filme foi parcialmente filmado, como os volantes dos automóveis à direita, mas a história da morte da antiga guerrilheira remete-nos para a vida de Sita Valles e Angola. Sita Valles era militante do Partido Comunista Português e foi presa na sequência de uma tentativa de golpe de Estado em Maio de 1977, sendo assassinada em agosto na prisão de Luanda.
Se o passado agora em revisão era violento, como mostram os edifícios em ruínas (missão onde Sara ainda trabalha, hotel no litoral onde Rita espera o contacto para saber mais informação sobre a morte de Yvone), o presente é igualmente violento. A relação racial ainda se ressente desse passado colonial, e de modo muito evidente.
No texto de promoção do filme escreve-se sobre cicatrizes da História e dos fantasmas da guerra, em que não é possível a redenção e o esquecimento. Eu prefiro destacar a qualidade da fotografia, os momentos de alguma ação com outros momentos em que o tempo parece parado, na inexorável fixação da vida e da incapacidade humana de contrariar os dias e as reações dos outros seres humanos.
Escrevi aqui não muito bem sobre outro filme de Margarida Cardoso com a mesma atriz Beatriz Batarda (A Costa dos Murmúrios, em 3 de Dezembro de 2004), onde se pode ler: “Para mim, há má condução de actores e actrizes. Beatriz Batarda parece que soletra as palavras, como se aprendesse a língua ou corrigisse a pronúncia. E a história até é interessante, o elenco bom, mas com um ritmo lento”. Mas este representa, na minha leitura, um filme bem mais maduro. Embora não exista igualmente esperança, no outro filme havia a futilidade e o vazio de uma mulher bonita levada para a guerra por ser casada com um oficial, agora há a procura de compreender o passado.
Realização de Margarida Cardoso (2014), elenco com Irene Ravache, Beatriz Batarda, Gonçalo Waddington, Mina Andala e Samuel Malumbe, fotografia de João Ribeiro, países filmados Portugal, Brasil e Moçambique.
sábado, 7 de março de 2015
Exposição Frenéticas no Pós-Guerra em Cascais
O Museu da Presidência da República, em parceria com o Museu Nacional do Traje, apresenta a exposição Frenéticas no pós-guerra, mostra de acessórios de moda no feminino onde se retrata a década de 1920 em Portugal (Palácio da Cidadela de Cascais). No total, estão expostas mais de 100 peças e documentos originais.
"Na ânsia de viver frivolamente em liberdade, as mulheres saem, pela primeira vez, da esfera doméstica para aparecer em público, pisando firmemente terrenos que até então lhes eram interditos. Nas suas salomés coloridas, novos sapatos confortáveis e elegantes, mostrando o tornozelo e os joelhos, de vestidos curtos e de cintura descaída, maquilhadas e de cabelo curto à garçonne, experimentam a emoção de conduzir, praticar desporto, fumar e dançar ao som de uma jazz-band" (texto fornecido pela organização do evento).
Aqui Mora o Fado no Porto
A Ribeira do Porto vai ser palco do Festival de Fado em 12 e 13 de Junho (Aqui Mora o Fado). Mais de 40 fadistas vão actuar em 11 palcos da Ribeira. Entre monumentos, varandas e barcos, como o Pátio das Nações do Palácio da Bolsa, a igreja de São Francisco, as duas salas do Hard Club no Mercado Ferreira Borges, a antiga sede da junta de freguesia de São Nicolau, um barco no Douro e a Cave no Cais da Estiva. Dos fadistas estarão presentes Camané, Carminho, Kátia Guerreiro e Carolina.
Manual de protocolo empresarial
O livro de Cristina Fernandes, Manual de protocolo empresarial, vai ser lançado no próximo dia 17 de Março.
Contrato de concessão da RTP
O novo contrato de concessão da RTP foi assinado ontem. Assinado pelo Estado, pelo presidente do conselho geral independente (CGI), António Feijó, e pela administração da RTP liderada por Gonçalo Reis, o novo contrato permitirá à empresa ganhar maior independência, ambição e competência, disse o ministro da tutela. O contrato de concessão do serviço público, que juntou pela primeira vez o serviço de rádio e televisão e o regulador de fiscalização e supervisão (o CGI) no mesmo documento, traz igualmente mudanças ao nível do financiamento, baseado nas contribuições dos cidadãos (audiovisual, na conta da electricidade) e sem as compensações indemnizatórias. O Jornal de Negócios, de onde tiro a informação, escreveu que o novo contrato de concessão esteve para ser assinado há seis meses, mas a anterior administração, liderada por Alberto da Ponte, fizera depender a sua assinatura das projecções financeiras.
A queda do MySpace contada por um dos seus protagonistas
Em 2015, Sean Percival trabalha num acelerador de 500 empresas que estão a iniciar-se (Startup). Mas, entre 2009 e 2011, ele trabalhou no MySpace como vice-presidente de marketing on-line – no momento em que a rede social Facebook ultrapassou o MySpace. Em discurso na conferência By:Larm em Oslo, esta semana, Percival deu a sua visão do que correu mal no MySpace, a partir da “enorme bagunça” do seu sítio de internet e da “política de ganância” da empresa-mãe News Corporation, após uma tentativa de adquirir o serviço de streaming de música Spotify. Na sua conversa, ele alertou as outras grandes empresas de redes sociais, como o Facebook, para as lições retiradas do declínio do MySpace, de modo a evitar um destino semelhante (a partir de notícia no The Guardian).
sexta-feira, 6 de março de 2015
Jornada de Financiación de las Industrias Culturales y Creativas, Madrid
"La Jornada de Financiación de las Industrias Culturales y Creativas, que tendrá lugar en Medialab-Prado, Calle Alameda, 15 de Madrid, el martes 10 de marzo, está organizada por la Fundación INCYDE en colaboración con la Dirección General de Política e Industrias Culturales y del Libro del Ministerio de Educación, Cultura y Deporte. Va destinada a analizar instrumentos de financiación públicos y privados a disposición del sector y contará con expertos y representantes de empresas. Las Industrias Creativas han sido consideradas como industrias "marginales" durante mucho tiempo, aunque durante la última década se han constituido cada vez más, como un componente importante de las economías de muchos países, también de España. Al igual que muchas otras empresas, la financiación es una de las dificultades a las que se enfrentan las de este sector. Sin embargo la creación artística o cultural presenta unos rasgos propios de valoración intangible que suponen, en muchos casos, una dificultad adicional" (http://www.gestioncultural.org/agenda.php?id_evento=321806).
Actividades da Casa Fernando Pessoa (Rua Coelho da Rocha, 16, Lisboa)
"Março é mês de poesia e de Orpheu. De 18 a 22 de Março, a Feira do Livro de Poesia convida à descoberta de poetas de diferentes gerações e geografias, de pequenas e grandes editoras. A partir de 25 de Março, assinala-se o centenário de Orpheu, revista «extinta e inextinguível», pensando a ruptura que representou e o impacto que ainda hoje tem. Também em Março recordamos Ruy Cinatti, celebramos o português falado em Timor-Leste, apoiamos o ensino artístico e, com o Serviço Educativo da Casa Fernando Pessoa, continuamos a trabalhar para desenvolver o conhecimento sobre o autor.
Para lá da actividade regular, a Casa Fernando Pessoa desenvolve mensalmente várias iniciativas que privilegiam o encontro com outras estruturas, outros públicos, assinalando diferentes momentos e tempos. Em Março, o centro destas iniciativas é o Dia Mundial da Poesia e a celebração dos cem anos da revista Orpheu.
De 18 a 22 de Março, quarta a domingo, no Jardim da Parada e na Casa Fernando Pessoa, a propósito do Dia Mundial da Poesia (21 de Março), leva-se a cabo a Feira do Livro de Poesia. Com um programa variado constituído por leituras, encontros com escritores e editores, sessões de autógrafos e oficinas de serviço educativo, fora e dentro de portas, haverá espaço na rua para livros de pequenas e grandes editoras, poetas de diferentes gerações e geografias – em boa vizinhança. A curadoria cabe ao poeta Luís Filipe Castro Mendes e este é um projecto desenvolvido em parceria com a Junta de Freguesia de Campo de Ourique e a Livraria Ler" (informação da entidade promotora).
Gestão das indústrias da cultura e do turismo
Curso a arrancar em 21 de Março próximo no Instituto Superior de Contabilidade e Administração de Coimbra (ISCAC). Saber mais aqui.
quinta-feira, 5 de março de 2015
Humor na música portuguesa
Sessão de 180 minutos onde João Morales apresenta o humor na música portuguesa, dia 21 de Março pelas 15:30 na Associação Pétalas Cósmicas, à rua Teixeira de Pascoais, 21 A, aqui em Lisboa.
quarta-feira, 4 de março de 2015
O rapazinho que teve medo do transformer
O circo adaptou-se. Já não monta a tenda e exibe leões ou outros animais selvagens mas mostra-se em salas multiusos dos concelhos do país. Uma apresentadora, com música de fundo, a ginasta, o palhaço e figuras do audiovisual como o Rato Mickey e a sua namorada Minnie, mais umas canções actuais da televisão que o público infantil conhece e canta, e correntes de fumo colorido, constituem um repertório que apela para as indústrias culturais e preenche um serão agradável. No espectáculo, houve ainda uma prova com crianças no palco, chamados a fazer umas habilidades simples, e outra prova com quatro pais. Estes, sentados em cadeiras e inclinados (quase deitados) sobre cada um deles, foram sentindo que o palhaço lhes tirava cadeira a cadeira. O equilíbrio foi ficando precário, até se estatelarem no chão, o que provocou um riso maior do que anteriores ocasiões.
Num dado momento, veio o Transformer, um robô gigante de ar ameaçador, movendo-se lentamente. Após a exibição, seguiu-se o intervalo, aproveitado para fazer fotografias ao lado do robô. Todas as crianças quiseram ficar ao lado do robô, que a organização do circo se serviu para cobrar algum dinheiro pelo momento. Mas o rapazinho da imagem, mesmo com a ajuda do pai, sentiu-se intimidado. Talvez ele compreendesse o que o monstro dizia em inglês, qualquer coisa como "eu vou destruir a raça humana".
terça-feira, 3 de março de 2015
Indústrias culturais no Estado Novo: o caso da música ligeira
Ontem, a aula de Indústrias Culturais e Criativas foi preenchida com um convidado que tem trabalhado a intersecção de indústrias culturais e Estado Novo: Pedro Russo Moreira. A sua tese de doutoramento, “Cantando espalharei por toda parte”: programação, produção musical e o “aportuguesamento” da “música ligeira” na Emissora Nacional de Radiodifusão (1934-1949), trabalhou as indústrias da música no Estado Novo (disco, edição de partituras e rádio). O autor defende ter havido durante o Estado Novo uma grande actividade das indústrias culturais ligadas à música e às artes performativas. Na sua apresentação, ele referiu a escuta doméstica da rádio, defendeu a perspectiva de a Emissora Nacional de Radiodifusão ser criada, entre outras razões, para satisfazer a comunidade de músicos e, no seu todo, a indústria da música.
Nessa época, ouvir rádio era a classe média e média alta urbana escutar concertos de música séria (clássica). Havia um índice elevado de desemprego entre os músicos, pois o disco, mais barato e sempre disponível a ser tocado, acabara com as orquestras de salão e de variedades que existiam no centro das grandes cidades. A entrada do maestro Pedro Freitas Branco, durante a primeira direcção da Emissora Nacional, a cargo de António Joyce, foi muito favorável à criação de orquestras. Apesar de haver discos, não havia música gravada suficiente para preencher as horas de emissão sem estar a repetir os mesmos sons. Salazar, na perspectiva de Pedro Russo Moreira, queria uma rádio para "dar música" ao povo, de modo literal. Mas as finanças da rádio pública começaram a ficar mal: Joyce era músico mas não contabilista. Joyce criara uma estrutura musical semelhante à BBC, contratando cerca de 90 músicos e organizando 11 orquestras. Isso levou a que fosse nomeado outro director da Emissora, Henrique Galvão, que ocupou o cargo entre 1935 e 1939. Ao projecto artístico da primeira direcção sucedeu um período em que funcionou um espírito reformador. O número de orquestras foi reduzido e, com isso, os custos baixaram. Com Galvão, o número de orquestras ficou em três. Os grandes objectivos de Henrique Galvão, que entraria muito depois em dissidência com Salazar, eram fazer a Emissora Nacional ouvir-se em todo o país e chegar ao império através das ondas médias. António Ferro sucederia no cargo entre 1941 e 1949, trabalhando um conceito de "aportuguesamento" da música ligeira, isto é, adaptando a estilos modernos, tipo jazz e swing, o repertório rural existente. Além disso, ele desenvolveu a ideia de política do espírito (a propaganda através das indústrias culturais e criativas) e a marca "não aborrecer, nunca aborrecer", através da música ligeira. Até aí, a Emissora era conhecida como a "Maçadora Nacional".
Um outro ponto desenvolvido na aula por Pedro Russo Moreira foi o da produção musical, com análise das orquestras fixas, compositores, vedetas de rádio, programas radiofónicos e cantores. Aí, havia uma divisão de trabalho decomposta em maestro e orquestras, compositores e cantores, modelo inspirado na BBC. O meu convidado ainda se referiu a quatro marcos essenciais na história da rádio pública de então, com a criação do Gabinete de Estudos Musicais (1942), concurso de artistas ligeiros (1943), Centro de Preparação de Artistas da Rádio (1947) e programa Serões para Trabalhadores. A parte mais saborosa da aula foi deixada para o fim, com a passagem de áudios de canções da época (irmãs Meireles [na imagem no cimo], irmãs Remartinez, Júlia Barroso) e análise da carreira internacional de algumas artistas da época.
Curtas em Vila do Conde
Estão abertas as inscrições para o 23º Festival de Curtas (Vila do Conde) até 22 de Maio, nas categorias de internacional, vídeos musicais, curtinhas e Take One. O festival decorre de 4 a 12 de Julho (informação publicada em Atlântico, 20 de Fevereiro de 2015).
segunda-feira, 2 de março de 2015
Observatório da canção de protesto
O Observatório da Canção de Protesto, dedicado à investigação e divulgação deste género musical, foi criado em Grândola para manter vivo o legado de José Afonso e de todos os músicos de intervenção. O projecto resulta da parceria entre a Câmara Municipal de Grândola, a Associação José Afonso (AJA), os institutos de História Contemporânea e de Etnomusicologia, ambos da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, e a Sociedade Musical Fraternidade Operária Grandolense (SMFOG). Numa primeira fase, o trabalho do observatório centra-se no estudo, recolha e compilação de informação acerca da música de intervenção e de protesto (a partir de notícia da TSF).
Dialética da Falsa Memória
Visita guiada na próxima 4ª feira, dia 3 de Março, às 18:30, por Isabel Gil à exposição de Daniel Blaufuks Toda a Memória do Mundo, Parte 1 (Museu Nacional de Arte Contemporânea, Chiado).
domingo, 1 de março de 2015
A actriz em digressão
Como entrou na personagem, perguntou a jovem espectadora na conversa mantida com os intérpretes da peça Music-Hall (Jean-Luc Lagarce, 1989) logo a seguir à representação. A actriz falou de memórias do cinema e da sua adaptação ao vestido azul justo. Outra espectadora perguntou como treinara o olhar que parecia fuzilar a assistência - ou quando não havia assistência ao espectáculo.
No palco, a rapariga - que já não era tão nova assim - recordava os tempos áureos em que cantava e bailava, acompanhada de dois ajudantes (os boys), então marido e amante, depois substituídos por outros ajudantes. A peça, em si, não tem história, mas revela os bastidores, a luta quotidiana, a vida. O banco, central à acção da actriz, é um dos motivos sobre que discorre. O espaço de circulação dos intérpretes é curto. Os boys acompanham a rapariga, ajudam-na, cantam Joséphine Baker "Ne me dis pas que tu m'adores / Mais pense à moi de temps en temps".
Jean-Luc Lagarce recorda como ocorreu a ideia da peça. Um dia, avistara junto à estação ferroviária de Besançon, o cantor Ringo Willy Cat, que fora casado com Sheila, num momento em que foram vedetas da canção francesa. Ringo ia duas vezes por semana cantar os antigos sucessos num bar da cidade.
A peça, encenada por Rogério de Carvalho para a companhia portuense As Boas Raparigas em cena no Teatro Carlos Alberto (Porto), tem como actores Maria do Céu Ribeiro, Paulo Mota e António Júlio. A companhia As Boas Raparigas está estabelecida há 20 anos e tem nova peça a estrear em Março no Armazém 22 (V. N. de Gaia) e uma presença em próximo festival em Manaus, Brasil. A actriz Maria do Céu Ribeiro lecciona aulas de voz e foi premiada pela SPA (Sociedade Portuguesa De Autores) em 2012, pelo desempenho na peça Devagar.
No palco, a rapariga - que já não era tão nova assim - recordava os tempos áureos em que cantava e bailava, acompanhada de dois ajudantes (os boys), então marido e amante, depois substituídos por outros ajudantes. A peça, em si, não tem história, mas revela os bastidores, a luta quotidiana, a vida. O banco, central à acção da actriz, é um dos motivos sobre que discorre. O espaço de circulação dos intérpretes é curto. Os boys acompanham a rapariga, ajudam-na, cantam Joséphine Baker "Ne me dis pas que tu m'adores / Mais pense à moi de temps en temps".
Jean-Luc Lagarce recorda como ocorreu a ideia da peça. Um dia, avistara junto à estação ferroviária de Besançon, o cantor Ringo Willy Cat, que fora casado com Sheila, num momento em que foram vedetas da canção francesa. Ringo ia duas vezes por semana cantar os antigos sucessos num bar da cidade.
A peça, encenada por Rogério de Carvalho para a companhia portuense As Boas Raparigas em cena no Teatro Carlos Alberto (Porto), tem como actores Maria do Céu Ribeiro, Paulo Mota e António Júlio. A companhia As Boas Raparigas está estabelecida há 20 anos e tem nova peça a estrear em Março no Armazém 22 (V. N. de Gaia) e uma presença em próximo festival em Manaus, Brasil. A actriz Maria do Céu Ribeiro lecciona aulas de voz e foi premiada pela SPA (Sociedade Portuguesa De Autores) em 2012, pelo desempenho na peça Devagar.
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