sexta-feira, 22 de julho de 2005

O ENSINO E A INVESTIGAÇÃO DO JORNALISMO EM PORTUGAL (III)

[continuação de ontem]

4) Outra área que quis trazer para aqui é a das colecções de livros e de revistas. No caso da primeira, salientam-se as da editora Minerva de Coimbra, a mais antiga, de 1997, dirigida por Mário Mesquita e que já publicou trabalhos de muitos de nós, a dos Livros Horizonte, em parceria com o CIMJ, a Notícias Editorial (embora esta combine obras de valor desigual) e a mais recente Porto Editora. A Campo das Letras tem tido também um papel importante. Não posso, contudo, deixar de expressar o destaque às duas primeiras, muito mais preocupadas com a produção nacional, caso das teses de mestrado. O que significa um prolongamento do esforço científico feito nas universidades.

O campo das revistas tem sido igualmente explorado. Grande parte das universidades têm revistas, mas mais orientadas para o conjunto das áreas das ciências da comunicação. Refiro nomeadamente a Universidade do Minho, a Lusófona, o ISCTE (embora dentro da sociologia). A Universidade Católica também irá editar uma revista, com o nome de Comunicação e Cultura.

Mas quero frisar aqui e agora a importância da revista do CIMJ, Media & Jornalismo, pelas suas características específicas. Ela nasceu de mais uma ideia visionária de Nelson Traquina. Uma manhã de sábado, quando íamos tratar de um assunto que já não recordo, ele falou comigo e com a Ana Cabrera da ideia de uma revista. O nome foi logo traçado ali à mesa do café Benard, ao Chiado. O modelo seguia a estrutura das revistas americanas de jornalismo: artigos científicos e com referees, que caucionariam a validade dos textos. A ideia foi alargada aos sócios do CIMJ, receberam-se novos contributos e avançou-se para o processo. O aspecto mais complexo é sempre a materialização de uma ideia, mas a revista está hoje solidificada no terreno, publicando textos nacionais mas querendo ser cada vez mais internacional. Uma outra originalidade, bastante profícua no meu entender, porque permite o estabelecimento de colegialidade, é a tripla direcção, distribuída por Nelson Traquina, Cristina Ponte e Estrela Serrano.

Não posso esquecer também a revista do Clube de Jornalistas, a JJ (Jornalismo e Jornalistas) que, num registo de maior aproximação entre o discurso académico e o jornalístico, tem feito um esforço notável por tratar temas de actualidade e de grande interesse.

Em termos de internet, o melhor exemplo é o da BOCC, da Universidade da Beira Interior, depositário de muitos textos de investigadores nacionais, brasileiros e espanhóis. Um outro projecto, em suporte clássico, mas que não posso esquecer, é o desenvolvido pela Universidade do Minho, o Mediascópio, de observação quinquenal de várias áreas dos media, incluindo imprensa, rádio e televisão. No presente momento, o grupo encarregado de investigação prepara a edição dos resultados do período 2000-2004.

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5) Finalmente, pretendo debruçar-me sobre que temas estão a ser investigados e os que carecem de análise. Claro que o meu conhecimento é parcial. Tanto quanto sei não há um lugar que centraliza esta informação, nomeadamente as teses de mestrado que são apresentadas e os seus temas, nem os temas que saem nas variadas revistas e nos congressos realizados pela SOPCOM até agora. Começa a tornar-se importante criar uma base de dados com informação respeitante ao jornalismo, se é que ainda ninguém se lembrou de o fazer. Basta olhar para os temas de alguns dos livros já publicados: deontologia, provedores de leitores, jornalismo em rádio e televisão, jornalismo electrónico, jornalismo de proximidade, publicidade, história dos media, sociologia da comunicação. Mas falta iniciar ou investigar mais a área da história dos media, em especial a do jornais do séc. XX, a sociologia das redacções, a economia dos media e as metodologias de investigação, com recurso à interdisciplinaridade e através do trabalho de equipas.

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