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quarta-feira, 4 de abril de 2018

Diário de Notícias em 1939

O título do livro Diário de Notícias. Da sua Fundação às suas Bodas de Diamante. Escorço da sua História e das suas Efemérides é muito comprido. Escrito por João Paulo Freire em 1939, destinado a comemorar uma data precisa da vida do jornal, a instalar na avenida da Liberdade, aqui em Lisboa. A capa remete para um tempo de modernidade: avião, automóveis, holofotes irradiando luz de uma torre do edifício. É certo que o mundo estava a presenciar o começo de uma feroz guerra que abalou a Europa e em que esses elementos modernos faziam parte da linguagem visual do dia-a-dia.

Para além de tudo, o livro (492 páginas) é uma bela peça para compreender o espírito da época. Lê-se: "Vê-se, porém, que num País onde há uma percentagem formidável de analfabetos não é possível levar um jornal a uma grande tiragem. Lança-se então a Campanha do analfabetismo nas colunas do Diário de Notícias. O movimento interessa o País inteiro e os poderes constituídos. Todas as associações literárias e económicas dão a sua adesão à campanha. Nos quartéis intensifica-se o ensino. Criam-se escolas e várias empresas e companhias estabelecem cursos para os seus operários. Outras iniciativas partem ainda da secção de Propaganda e Expansão. Em todas as exposições e feiras realizadas no País e em muitas do estrangeiro, aparecem stands do Diário de Notícias mostrando, através de gráficos e fotografias, o valor deste grande jornal. Uma noite, Lisboa assiste entusiasmada, em pleno Rossio, ao perpassar do Notícias Luminoso. Foi mais uma iniciativa da Secção de Propaganda que durante anos faria lembrar a todos quantos passavam no Rossio o nome do nosso jornal. O futebol passa a ser o desporto das multidões. Portugal inteiro vibra de entusiasmo com os desafios entre as equipas nacionais e muito principalmente quando os grupos representativos de Portugal se defrontam com os estrangeiros. A secção de Propaganda sempre atenta ao interesse do público começa a dar-lhe, através dos seus placards, cuja rede foi notavelmente desenvolvida, uma informação completa dos desafios. Chega, porém, o ponto culminante da informação, batendo o Diário de Notícias todos os records. Em Maio de 1928 realizam-se em Amsterdão os Jogos Olímpicos e Portugal faz-se representar por uma equipa de futebol" (p. 52).

Da contabilidade comercial ficamos a saber qual o portfólio da empresa: "Esta secção tem a seu cargo a escrita comercial de todos os serviços da Empresa, tais como: exploração das publicações Diário de Notícias, Os Sports, Notícias Agrícola, Arquivo Nacional e o Mosquito; das edições da Empresa; das edições alheias consignadas, entre as quais a Enciclopédia; da exploração da tipografia, da gravura e da fotografia; das contas de devedores e credores, contas de agentes, angariadores de publicidade, consignatários e consignantes de edições e outros clientes, e a escrita de assinantes. Era chefe desta secção o sr. dr. António Filomena Lourenço, que em fins de 1936 passou a chefiar a Secção de Controlo e Organização, sendo substituído pelo actual chefe, sr. José António Costa Barros (pp. 27 e 30). Sobre a tesouraria: "Em 1926, existia a secção de Tesouraria e Valores Selados, exercendo o cargo de tesoureiro o sr. José Maria Carvalhosa, que deixou de ser empregado da Empresa em 1927 e foi substituído pelo sr. Luís da Graça Reis, que saiu em 1930. Em 1928, desta secção organizaram-se duas: Tesouraria uma e Valores Selados a outra. Em 1930, pela saída do sr. Graça Reis, ficou interinamente a exercer a chefia da Tesouraria o sr. Carlos Robalo dos Santos, que foi definitivamente provido neste cargo em 1932. A Tesouraria tem actualmente (1939), além do chefe, os seguintes empregados: Manuel Teixeira, ajudante do tesoureiro, e Joaquim da Silva, caixa" (p. 24).

Só mais uma parcela, a do estabelecimento de filial no Porto, mais vista da perspetiva comercial do que jornalística: "Em 1919, Agosto, foi criada, no Porto, a Inspeção do Norte, sendo nomeado inspector o sr. João Duque, funcionário dos Correios e jornalista do Primeiro de Janeiro, que tinha como informador noticioso António Loureiro Dias e colaborador Júlio de Oliveira, do mesmo jornal portuense. Em Dezembro de 1924, foi admitido o redator José de Miranda, tendo a colaboração de Júlio de Oliveira cessado em Dezembro de 1925. Esta inspeção organizou os serviços de propaganda, venda e expansão, aproveitando todas as oportunidades para lançar o jornal no Porto e no Norte. Foram notáveis as suas propagandas especiais nas «Feira do Porto» e «Feira de Guimarães». Ao mesmo tempo estabeleceu um serviço especial de publicidade e aperfeiçoou a rede de correspondentes e agentes na sua área" (p. 60).

domingo, 18 de março de 2018

Ferreira Fernandes

Segundo o Público online, a partir do comentário dominical de Luís Marques Mendes, José Ferreira Fernandes (1948) será o próximo diretor do Diário de Notícias, com Catarina Carvalho a diretora-adjunta. Eu gosto muito da escrita de Ferreira Fernandes. Se for nomeado para o cargo, votos de muitos sucessos.

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

O fim do gratuito Metro

A partir da próxima segunda-feira, 5 de setembro, o jornal gratuito Metro deixa de ser publicado. Edição portuguesa trazida em dezembro de 2004 pela editora sueca Metro Internacional e grupo Media Capital, foi comprada pela Cofina em 2009. A edição do Porto existe desde 2005. Agora, a Cofina indica as dificuldades económicas como a única razão para o seu desaparecimento.

É interessante notar que os otimistas de 2004 e anos seguintes diziam que os jornais gratuitos, incluindo o Destak e outros jornais ligados a grupos de media mas efémeros na sua existência, significavam que os portugueses estavam a ler mais jornais, o que os aproximaria da média europeia. Tal representaria também uma evolução do mercado face aos jornais mais clássicos e de venda em banca. A realidade sombria da última década (menos títulos sérios, mais informação sensacionalista) desemboca agora no desaparecimento do mais emblemático título gratuito.

Não sei se a confiança (maior ou menor) nos media, como a notícia que reportei há pouco, melhora (ou diminui) com este tipo de notícias. Sei que menos títulos representam menos possibilidades de alternativas informativas, com as possíveis cargas de manipulação e distorção da opinião pública.

sexta-feira, 24 de junho de 2016

Novos diretores de jornais

Na altura em que se conheceu a saída do Reino Unido da União Europeia após referendo, os dois principais jornais diários de Lisboa conhecem novos nomes para a sua liderança: David Dinis para o Público e Paulo Baldaia para o Diário de Notícias. Curioso o facto da rádio TSF ser ponto de partida ou chegada destes nomes: Baldaia saiu da direção da TSF em janeiro deste ano, substituído por David Dinis.

terça-feira, 7 de junho de 2016

Saída do diretor do Diário de Notícias

O subdiretor do Diário de Notícias abandonou, há dias, o cargo em troca com a posição de diretor de comunicação do Sporting. Logo de seguida, o diretor, André Macedo, solicitou a sua demissão. A comissão executiva do jornal lamenta e elogia o percurso do até agora diretor, em funções nos últimos dois anos, agradecendo o facto de, no último estudo do Bareme, o jornal ter ultrapassado o Público em audiências do jornal em papel e ter crescido na frente digital.

O anúncio da demissão da diretora do Público e, agora, do Diário de Notícias, indica que o problema não está num meio em si mas na totalidade da imprensa escrita. Os hábitos de leitura estão a mudar muito depressa e o lugar da imprensa em papel está numa situação muito delicada. Admitir que a venda de um jornal alargou face à outra é uma maneira de dizer que se está a vender pouco. Eu, leitor de jornais de papel, lamento muito a situação. Um país com uma imprensa escrita fraca tem menos capacidade crítica face aos poderes (político, económico e de grupos de pressão).

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Independent descontinua edição em papel

Leio no Diário de Notícias que os jornais britânicos Independent e Independent on Sunday vão ter as últimas edições em papel no próximo mês de março. Lançados em 1986, foram comprados por Evgeny Lebedev em 2010. O jornal tem 58 milhões de leitores online e já é rentável.

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Grupo angolano Newshold sai da estrutura acionista dos jornais Sol e i

Sigo a notícia agora publicado no jornal Diário de Notícias. O grupo angolano Newshold, de Álvaro Sobrinho, vai sair do diário i e do semanário Sol. Mário Ramires, subdiretor do semanário Sol em 2011 para entrar na administração da empresa, demitiu-se hoje do cargo e volta à função de jornalista. A redação, vai ter funções nos dois jornais, sofre cortes nos salários e não haverá pagamento de despesas de deslocação. Dos cerca de 120 trabalhadores, dos quais 80 jornalistas, apenas 66 terão contrato de trabalho na nova empresa, cujos acionistas ainda não se conhecem. Com a reestruturação, o semanário Sol passa a sair ao sábado e o diário i não tem edição ao fim de semana.

quinta-feira, 30 de abril de 2015

O Diário de Notícias no tempo em que esteve na rua dos Calafates

O livro de Pedro Foyos, O "Grande Jornalzinho" da Rua dos Calafates, revela-nos o Diário de Notícias nos primeiros anos de edição. Ou, escrevendo melhor, conta a história deste velho e importante jornal enquanto esteve instalado na rua dos Calafates agora chamada do Diário de Notícias antes de se mudar para a avenida da Liberdade perto da praça do Marquês de Pombal, aqui em Lisboa (de 1864 a 1940).

Lê-se o livro de uma só vez. Muito bem escrito e debruçando-se sobre as pessoas que fizeram o jornal, os temas, as histórias à volta do jornal. Eu gosto deste tipo de livros que, parecendo menores ou despretensiosos, dão uma imagem nítida e profunda da realidade que tratam. Começo pelo índice, uma originalidade cheia de riqueza, em que há títulos de capítulo com os nomes de "Tudo sobre o país e o mundo por metade do preço do sabão-de-macaco", "Que fazer quando o rei é assassinado «em cima» da primeira página já fechada" ou "Do «Notícias Ilustrado» para os graúdos ao «Cavaleiro Andante» para os miúdos".

Pego no exemplo do capítulo sobre o assassínio do rei D. Carlos I (1 de Fevereiro de 1908). Quando chegou a notícia ao jornal, a primeira página já estava composta. Refazer a página estava fora de questão, pois isso atrasaria a saída do jornal. As tecnologias da época não permitiam voltar rapidamente a fazer tudo de novo, o que nos causa espanto hoje. A inclusão de um suplemento também não se ofereceu viável. Restou a hipótese de deslocar para baixo o texto da página já composta e incluir uma nova entrada. Isso levou a que a parte final da página ficasse ceifada e a que a notícia do atentado ficasse mesmo por cima da secção de "Festas e diversões do dia" (p. 77).

Um grande mérito do livro, além da elegância do texto escrito, é a percepção perfeita do leitor que o autor leu a totalidade das edições do jornal Diário de Notícias ao longo do período estudado. Não há falhas, como quando identifica as edições sucessivas de um dia. À escrita, o livro junta um elemento gráfico essencial, a ilustração de páginas do jornal, fotografias, gravuras e reproduções de pinturas, que dão uma noção mais rigorosa do tempo a que o texto se refere. Por vezes, há páginas tipo extra-texto, onde Pedro Foyos destaca pedagogicamente alguns elementos, fora o capítulo "Pequenas e Grandes Notícias Perdidas no Tempo", com uma proposta de cronologia de histórias, anos de ocorrência de determinados factos e fotografias a eles alusivas. Evidencio ainda a colaboração, para o livro, de texto de Maria Augusta Silva, com uma possível entrevista ao primeiro director do jornal, Eduardo Coelho (chamada "póstuma"), recriação muito curiosa e que remete para a cultura da época do jornalista.

Na badana do livro, lê-se que Pedro Foyos trabalhou no Diário de Notícias, onde integrou a chefia de redacção. O seu amor ao jornal está reflectido no livro. A única pequena crítica que faço ao livro é ele não ter um mínimo de aparato académico, com indicações bibliográficas ou de páginas do jornal.

Leitura: Pedro Foyos (2014). O "Grande Jornalzinho" da Rua dos Calafates. Lisboa: Prelo, 149 páginas, 16,5 euros

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Diário Popular

O Diário Popular foi fundado em 1942 e manteve-se como jornal vespertino lisboeta até 1991. Em 1962, com grafismo da agência de publicidade APA foi editado um livro-folheto sobre a actividade do jornal (as imagens seguintes representam algumas das páginas da publicação). Da sua leitura, apuramos o seguinte: António Tinoco, então secretário-geral da Caixa Sindical de Previdência do Pessoal da Indústria de Lanifícios (rua da Trindade, 20, 2º, Lisboa), reuniu com Brás de Medeiros e Barradas de Oliveira, com o objectivo de fundar um jornal (que evoluiu da ideia inicial de semanário para a de diário), dedicado às finanças e à política (depois transformar-se-ia, dando azo ao seu nome, em jornal popular e com muito espaço dedicado ao lazer e ao entretenimento). Dos accionistas fundadores do  Diário Popular, incluem-se os nomes de Carlos Alberto Farinha, Domingos Ferraz de Carvalho Megre, Francisco Pinto Balsemão e Henrique Pinto Balsemão (familiares do criador do semanário Expresso). Dos jornalistas iniciais, o diário contou com Fernando Teixeira, José de Freitas, Carlos Neves, José Augusto e outros.

Com o tempo, o jornal dispôs de gráfica e distribuidora próprias. Se em 1942 a edição média diária tinha 25 mil exemplares, em 1962, o jornal atingia uma tiragem média de 86 mil exemplares. O jornal custava um escudo.




 

A publicação tinha, a meu ver, um objectivo muito claro: mostrar aos anunciantes a capacidade e o impacto do jornal. Os seus responsáveis estimavam que cada exemplar alcançava várias pessoas, num total de cerca de 400 mil pessoas diariamente. Há um outro elemento muito objectivo, que me deu particular atenção: a censura, palavra repetida ao longo do texto. Sobre o repórter fotográfico, que se deslocava ao local do acontecimento, lia-se: "Num caso de crime tem actuação quase nula, graças à Censura. Mas, tratando-se de desastres, não rara se converte em vedeta da equipa adstringida a um serviço de rua". A censura deixava passar o acidente (relacionado com o destino e a natureza, interpreto) mas não o crime (coisa hedionda da mente humana, que o regime não tolerava).


quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

O jornalismo a partir das memórias do jornalista

Manuel Dias entrou como jornalista em 1953 no Diário do Norte (Porto). Depois, em 1967, entrou para o Comércio do Porto, e em 1974 para o Jornal de Notícias.

Embora o texto que aqui refiro não tenha um cunho cronológico e sociológico, retenho elementos importantes para caracterizar o jornalismo daquele período, a partir das memórias que Manuel Dias vai deixando nos sucessivos capítulos. Alguns outros elementos marcam o livro, como a formação dos jornalistas, a deontologia da profissão, a importância da reportagem e a necessidade de se escrever bem em português.

Do estágio inicial no Diário do Norte, o jornalista evoca as práticas: as peças jornalísticas baseavam-se em factos e não em comentários atribuídos a fontes fidedignas ou anónimas, apesar do peso da censura (e das tertúlias à mesa do café, em que se comentavam episódios da censura). À falta de formação prévia, os novos jornalistas iam adquirindo conhecimentos e cultura. Acrescento: através de uma linguagem popular e de proximidade, como todo o livro de Manuel Dias expressa. O Diário do Norte concorria com três outros jornais do Porto: Comércio do Porto, Primeiro de Janeiro e Jornal de Notícias. De todos, o jornal em que o autor trabalhava era o que tinha menos recursos, propriedade da Empresa Nacional de Publicidade. Os repórteres do seu jornal, mas também dos outros, tinham de procurar acontecimentos para escrever as suas notícias, do mais insignificante acidente de viação às ocorrências solenes. Manuel Dias anota no texto a "convivência" entre jornalistas defensores da liberdade de informação e jornalistas afectos ao regime de ditadura e realça a unidade da classe em torno dos ideais da profissão (embora não especifique muito como decorria essa "convivência").

De O Comércio do Porto, o autor dá uma imagem muito positiva do tempo em que se transferiu para lá. O jornal, ideia de Bento Carqueja, era então propriedade da família Seara Cardoso. Em 1973, devido a dificuldades financeiras, o jornal foi vendido ao grupo Banco Borges & Irmão, perdendo a identidade independente até aí marca de identidade, mau grado toda a pressão política do regime do Estado Novo. Manuel Dias diz que a morte do jornal começaria aí. Do Jornal de Notícias, não revela tantas memórias, mas vê-se que deu muita alegria ter por lá passado como profissional.

Sobre o título do livro, o autor dedica um capítulo. Ele atribui o desaparecimento dos jornais em papel à situação de crise financeira instalada mundialmente em 2008, embora não adeque a decadência do jornalismo impresso à concorrência de outros meios como a internet. Mas observa os valores antagónicos de bem informar e o interesse comercial dos proprietários dos media.

Leitura: Manuel Dias (2010). Jornal de Papel no Corredor da Morte: Porto: Associação dos Jornalistas e Homens de Letras do Porto, 101 p., 10 €

domingo, 11 de janeiro de 2015

O Primeiro de Janeiro

Li que O Primeiro de Janeiro não tem editado desde o final de 2014. Na realidade, o sítio da internet do jornal não é renovado há onze dias. O jornal em papel foi fundado em 1868 no Porto.


quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Também a coluna de José-Manuel Nobre Correia acabou no Diário de Notícias

A mudança de rumo do Diário de Notícias levou a uma saída de colunistas, além dos jornalistas, já aqui anunciado. José-Manuel Nobre Correia despediu-se no passado dia 11 de Outubro:

"Tudo tem um princípio. E, ao que parece, tudo tem necessariamente um fim. O que é certo, em todo o caso, é que esta é a última rubrica Planeta Media. Após quase sete anos e mais exatamente 320 semanas. Pontualmente, aos sábados, sem exceção alguma, a não ser as quatro semanas de férias de verão previstas por contrato. E pontualmente com os dois mil caracteres da crónica e os mil partilhados em três breves, apertadamente impostos pela direção precedente do Diário de Notícias".

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Baptista Bastos - ponto final nas suas crónicas do Diário de Notícias

"Durante sete anos, às quartas-feiras, publiquei no Diário de Notícias, a convite expresso de João Marcelino, uma crítica de costumes e hábitos. Foram sete anos excelentes, de trabalho entendido como tal, e de uma estima comum que se converteu em amizade. Marcelino é um jornalista com os princípios marcantes de outro tempo, de integridade a toda a prova e de uma cortesia e camaradagem que se perdeu quando as palavras foram substituídas por números, e quem dirigia foi trocado por porta-vozes estipendiados. Como a personagem de Sartre, «je suis irrécuperable» na certeza das minhas convicções sem certezas absolutas. Vivo, ainda hoje, sob o fascínio das palavras e do seu poder subversivo" (Diário de Notícias).

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Mudanças nos jornais

No diário i, Eduardo Oliveira e Silva é substituído por Luís Rosa, até agora director-adjunto. Luís Osório, antigo director do jornal A Capital, também encabeça a liderança do jornal. Este passa para a posse da Newshold, já detentora do semanário Sol e de parte do grupo Cofina. Por seu lado, no Diário de Notícias, a nova equipa de André Macedo assume funções a 15 de Setembro. Nuno Saraiva transita da anterior direcção, que conta ainda com as jornalistas Ana Sousa Dias (pelouro cultura), Joana Petiz (já trabalhava directamente com André Macedo) e Mónica Belo (estratégia digital do jornal). Pedro Fernandes, o novo director de arte, vem do jornal i.

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Diário de Notícias

A notícia já tem uns dias, mas eu não falei sobre a saída de João Marcelino de director do Diário de Notícias, cargo para o qual fora nomeado há sete anos. Vindo do vencedor Correio da Manhã, que dirigia, esperava-se dele uma melhoria a nível de vendas. O modelo de notícias mais curtas foi aplicado ao Diário de Notícias, o jornal parecia mais colorido, mas as vendas não descolaram. Recentemente, o jornal mudou de accionistas e foi noticiado um despedimento de muitos profissionais do grupo Controlinveste. O director do Jornal de Notícias saiu e foi ocupar um lugar de destaque no Porto Canal, canal de televisão a cabo com sede no Porto, agora seguiu-se o director do Diário de Notícias.

A meu ver não está em causa uma questão de carácter do jornalista mas um modelo de meio de comunicação com grandes dificuldades económicas. Na transição da ditadura para o regime democrático, em 1974-1975, houve também uma profunda alteração nos media impressos. Jornais antigos como O Século, Jornal do Comércio e As Novidades, vindos do século XIX, desapareceram. Ficou o Diário de Notícias. Mas há 40 anos, havia confiança numa nova geração e numa nova vontade social e cultural. Agora, parece não haver. Além de que os media digitais trazem outras perspectivas.

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Queda nas vendas de jornais

Entre janeiro e outubro de 2013, as vendas dos principais títulos da imprensa generalista continuaram a baixar (Expresso, de onde retiro a informação e segundo dados da Associação Portuguesa para o Controlo de Tiragem e Circulação). O Correio da Manhã tem uma venda média de 115 mil de exemplares por edição, seguindo-se o Expresso, com 94 mil. Depois, vêm o  Jornal de Notícias, com uma média de vendas de 66 mil exemplares, o Público com uma média de 28 mil jornais diários, o Diário de Notícias com uma média diária de 21 mil jornais por edição e  i com 5 mil jornais por dia.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Jornalistas sobre pressão

"Jornalistas sobre pressão" é o tema do mais recente número da revista Jornalistas & Jornalismo (nº 52, de Out/Dez 2012). No sumário do tema lê-se: "Os jornalistas estão sob pressão, mergulhados numa profunda crise de identidade e, tal como outras profissões intelectuais, num claro processo de proletarização. Mas a fragilização dos jornalistas não os afecta apenas a eles e ao jornalismo - são os direitos dos portugueses a uma informação livre, rigorosa e pluralista e é a própria democracia que estão em causa".

No seu texto, Fernando Correia aponta diversos tipos de pressão: laboral, profissional, ética, empresarial, de autonomia, político-ideológica. Do mesmo trabalho, ressalto o seguinte: "a sobrevivência de uma empresa só será possível se os jornalistas tiverem condições materiais e concretas, mas também subjectivas, para o exercício das suas funções; se forem em número suficiente e suficientemente remunerados; se a sua dignidade e identidade profissionais forem respeitadas; se a deontologia não for vista como um empecilho mas como uma garantia de qualidade; se os mais velhos não forem considerados como um incómodo mas sim como um factor de preservação da memória e um precioso manancial de experiência; se os mais novos deixarem de ser mera reserva de trabalho disponível para tudo, ou mão de obra barata, eternamente temporária e facilmente descartável".

Carla Baptista, no seu texto, apresenta quatro histórias de jornalistas desempregados: António Marujo (51 anos), Leonor Figueiredo (56 anos), Isabel Lucas (42 anos) e Pedro Quedas (30 anos). Histórias de gente com muita qualidade e que tem (sobre)vivido com altos e baixos de uma profissão entusiasmante mas onde essa qualidade tende a não ser reconhecida. Lembro a especialização de Leonor Figueiredo, quando no Diário de Notícias escrevia sobre saúde. Ganhou prémios e prémios pelo seu trabalho. Um dia, o ministério da Saúde convidou-a a fazer parte do júri de um prémio pela razão dessa sua especialização. Ela recusou. Para a minha tese de doutoramento, sobre notícias de saúde, ela foi uma fonte privilegiada, dado o seu conhecimento dessa matéria. Agora, fez o mestrado em História Contemporânea, candidatou-se a uma bolsa para investigação no doutoramento e publicou algumas obras, mas não faz o que mais gosta de fazer: jornalismo.

Carla Baptista, num outro texto, mais analítico, mostra números de jornalistas em Portugal, a partir dos registos da Comissão da Carteira Profissional de Jornalista. O número de profissionais está a diminuir, estabilizando nos 6705 em dados de Outubro de 2012 (chegaram a 8948 em 2007). Apenas em 2012, prossegue no mesmo texto, a Impala fechou quatro revistas, num total de 29 jornalistas, o Sol despediu 20 jornalistas, o Diário Económico rescindiu com 22 jornalistas e avançou com o despedimento colectivo de seis jornalistas, o Público despediu 36 jornalistas e um layoff de 21 pessoas. 2012 foi um ano negro na história do jornalismo em Portugal, conclui a docente da Universidade Nova de Lisboa.

Outros temas da Jornalismo & Jornalistas: entrevistas ao jornalista Paulo Moura e ao professor Muniz Sodré, prémios Gazeta 2011 e um texto de história do humorismo, com apresentação da obra de Rafael Bordalo Pinheiro (por Álvaro Costa de Matos).

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

A imprensa portuguesa segundo João Figueira

O livro A imprensa portuguesa (1974-2010), de João Figueira, foi esta semana apresentado na livraria Almedina, ao Saldanha, Lisboa, por João Céu e Silva e por Ricardo Alexandre (este num curto vídeo com parte do seu texto). Ambos evidenciaram um texto bem escrito e fácil de ler, que conta a história do jornalismo do país numa síntese onde se abordam jornais, semanários e newsmagazines e alguns dos seus principais jornalistas e grupos económicos dos media. O som (podcast) inclui uma pequena parcela da apresentação do autor. O livro tem cinco capítulos: jornalismo e política, a mesma luta; a idade moderna da imprensa portuguesa; newsmagazines e imprensa semanal; a afirmação dos grupos económicos; novos desafios e novas interrogações. Algumas conclusões do livro: ao longo de três décadas e meia, muitos jornais e revistas desapareceram mas surgiram novos títulos; segmentação de públicos; necessidade de informação credível; jornais gratuitos e novas plataformas desafiam o negócio até há pouco exclusivo dos media clássicos; jornalismo dentro de um espectro mediático dominado pelo entretenimento e espetáculo; grau de responsabilidade dos cidadãos na defesa de um jornalismo de qualidade e independente.

Leitura: João Figueira (2012). A imprensa portuguesa (1974-2010). Coimbra: Angelus Novus, 145 p., 9 euros

quinta-feira, 26 de maio de 2011

BAREME PODE SEPARAR AUDIÊNCIAS DE JORNAIS E DE REVISTAS

A newsletter da Meios e Publicidade informa que está, "em fase de orçamentação na Marktest, de dividir o estudo entre jornais e revistas".