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quarta-feira, 30 de maio de 2018

Arroios TV

Colaborei com a Arroios TV em quatro episódios da série Associações e Coletividades em 2016. O segundo episódio encontra-se aqui (2 de maio de 2016). O terceiro episódio, respeitante ao Clube Filatélico de Portugal, foi emitido em 28 de maio e 2 de junho de 2016 (e que aqui reproduzo).



A Arroios TV começou a emitir a 15 de outubro de 2015 e encerra amanhã, 31 de maio de 2018.

segunda-feira, 28 de maio de 2018

The King's Face (왕의 얼굴)

A série The King's Face (왕의 얼굴), com 23 episódios, foi exibida na televisão sul-coreana KBS (Korean Broadcasting System) em 2014-2015, agora em reposição no canal de cabo KBS World. Normalmente, as séries históricas coreanas têm 60 episódios, o que tornam esta série mais ágil.



A história da série baseia-se no começo de vida de um dos reis mais populares da Coreia, Gwanghae (1575-1641), que governou de 1608 a 1623. A série, porque seguiu de perto o filme The Face Reader, causou um processo judicial por violação de direitos de autor, mas o canal de televisão não foi condenado. No conjunto, a série seguiu muitos dos factos reais da vida do príncipe herdeiro, tornado rei quando o pai faleceu. Além da história do príncipe Gwanghae (Seo In Guk), o enredo assenta na leitura facial como base de intrigas, ciúmes e superstições que existiam no reino de Joseon, então governado por Seonjo (Lee Sung Jae).

Um livro sobre arte da leitura facial era considerado essencial para determinar qual o melhor candidato a rei. Da cartomância ao uso da leitura da fisionomia - eis armas e meios antigos para obter poder. Alguns indivíduos treinados desta forma posicionaram-se para a função, também empregue na concorrência entre os filhos do rei Seonjo. Gwanghae era filho de uma concubina. O irmão mais velho era o príncipe Imhae (Park Joo Hyung), violento nos sentimentos e quase sempre alcoolizado. A mãe de Imhae, Gwi In Kim (Kim Gyu Ri), quis promover seu filho a príncipe herdeiro, e, mesmo que Gwanghae tenha salvo a vida de Imhae, prisioneiro dos japoneses, Gwi In Kim manteve a sua aspiração. O modo como o príncipe Gwanghae atua (e fala) ao longo dos episódios denota um lado rígido e assumido de predestinado. O rosto quase não tem expressão. Ele toma iniciativa, distribui pelouros, está sempre junto ao povo, enfrenta as dificuldades e os inimigos.

No início da série, Gwanghae surgiu como criança com uma paixão romântica por Ga Hee Kim (Yoon Hee Jo). Mais tarde, reencontraram-se num mercado, mas ela vestia-se de rapaz, proteção aconselhada pelo pai. Gwanghae ficou intrigado com o "rapaz"; ele não esquecera Ga Hee e ainda a amava. Entretanto, Baek Kyung (Lee Soon Jae), leitor de rostos, anteviu que ela estava destinada a ser uma esposa do rei Seonjo. O seu rosto combinava com o dele. Além disso, a tragédia atingiu a sua família: os seus pais foram mortos após acusação de traição. Ga Hee aderiu a um grupo de idealistas que queriam livrar-se do rei Seonjo, liderado pelo revolucionário Do Chi Kim (Shin Sung Rok), que a ensinou a tornar-se especialista em arco e flecha. Do Chi apaixonou-se por Ga Hee, supondo serem almas gémeas políticas, mas o tempo provou ser errada essa convicção.

O rei Seonjo tinha, além da decisão do príncipe herdeiro, a grande preocupação da invasão por países estrangeiros: Japão e China. Um dos episódios mostra o saque e o morticínio em Pyongyang. Gwanghae adquiriu competências na defesa do país e expulsou os inimigos, o que impressionou o pai, mas sem este o expressar. O revolucionário secreto Do Chi apresentou-se como perito leitor de rosto e defendeu a vida do rei (mesmo que o odiasse), conquistando assim a sua confiança. A verdadeira ambição, mas secreta, de Chi era derrubar o rei Seonjo e o príncipe herdeiro Gwanghae e tornar-se ele próprio rei.

A série, que me traz o conhecimento de uma cultura que não domino, e, por isso, me impede de aquilatar a veracidade de costumes, relata dispositivos de poder e normas estranhas ao nosso modo atual de pensar e agir. A relação entre rei e subordinados é marcada por formas vincadas, muito hierarquizadas, como se houvesse o sol e pequenos planetas, estes dispondo quase em subserviência diante daquele. O papel dos subordinados, da mulher (no caso, a rainha e as concubinas), as trocas existentes, o equilíbrio instável nessas relações (como a punição por pena de morte), o começo do armamento com recurso a pólvora, embora coexistisse com o arco e a flecha, o medo estampado (e exagerado) dos aldeões e dos cidadãos perante a ameaça da invasão estrangeira e os artifícios teatrais nas danças e nas entoações verbais permitem concluir estar-se perante uma boa construção narrativa.

Seo In Guk, no papel de Gwanghae, ganhou o Prémio KBS em 2014 de melhor novo ator, e, no papel de idealista mas vilão, Shin Sung Rok ganhou em 2014 o prémio KBS de melhor ator secundário pela sua interpretação na série.

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Vidago Palace

Foi uma série de seis episódios na RTP, exibida entre final de março e começo de maio. De início, li críticas violentas sobre enredo e interpretação. Fui-me deixando ver, num misto entre curiosidade e análise. Sim, não foi uma obra prima mas também não foi assim tão mau como li. Havia uma espécie de luta de classes cilindrada pela paixão romântica entre a filha dos condes e o filho do empregado de receção do hotel. O rapaz estudava ou ainda estudava arquitetura, os condes estavam falidos, procurando que a filha casasse com o filho dos "brasileiros", tão enriquecidos como pacóvios. Aqueles aspiravam a manter o estatuto, estes subiam à nobreza do século XX a assistir à guerra civil espanhola e a galgar para a II Guerra Mundial, com o negócio do volfrâmio também como pano de fundo e a disputa entre um alemão e um inglês para comprar o metal.

O rapaz aderiu à causa republicana espanhola, logo em 1936, ao descobrir que a sua amada condessa ia casar com o "brasileiro", transitando e apoiando entre Vidago e Verín (do outro lado da fronteira). A Guarda Nacional Republicana e a polícia política não deram tréguas e eliminaram os republicanos espanhóis, mas o rapaz ficou salvo, depois de preso e quase assassinado. Talvez aqui as debilidades do guião da série sejam mais fortes. Num dos episódios, há um contraponto entre o baile no hotel e a fuga dos republicanos para o lado de cá da fronteira. Mas esse contraste esbate-se nos episódios. Sei que outros pares da narrativa, como as irmãs solteiras e que sabiam sempre dos últimos boatos e a espanhola viúva, soltavam a história para outros pontos, que uma série tão pequena em duração não permitiu ser explorada se houvesse mais episódios. Ou o par do jovem tenista e da filha dos "brasileiros", tão distinta dos pais bacocos e do irmão ordinário, quadro por demais inverosímil.



Atores: António Cordeiro, Pedro Barroso, Mikaela Lupu (nascida na Moldávia), Beatriz Barosa, Margarida Marinho, Anabela Teixeira, Custódia Gallego, Jacob Jan de Graaf, Pedro Roquette, Marcantónio Del Carlo e João Didelet. Autor e realizador: Henrique Oliveira. Série realizada em 2015.

Não sei se o facto de a série se passar numa região menos explorada turisticamente possa contribuir para a sua descoberta. Mas vale a pena explorar e ver o rio Tâmega do lado espanhol.

terça-feira, 21 de março de 2017

A construção da telenovela

Lê-se bem e depressa o livro Telenovela, Indústria & Cultura, Lda. Primeiro, o título é muito feliz. Depois, porque o autor escreve de modo muito compreensivo. Em terceiro lugar, trata de um tema atual.

O livro é sobre uma telenovela, Mar Salgado. O autor, docente e crítico de televisão, acompanhou a construção da telenovela durante oito meses, reuniu com os argumentistas e falou com responsáveis da empresa SP Televisão que fez a telenovela para a SIC, acompanhou o planeamento da gravação, visitou os locais da gravação, entrevistou a autora do argumento, um dos protagonistas e a responsável da telenovela e reuniu dados sobre a audiência. Isso levou o livro a articular entre análise e documento (a partir de citações das conversas que foi tendo), muito mais perto do registo jornalístico do que do aparato teórico.

O livro tem 29 pequenos capítulos, desde um levantamento histórico do folhetim e da radionovela à fábrica, à escrita, aos interiores e exteriores, à representação naturalista e à distinção entre montagem e edição. Mas também escreveu sobre o merchandising social, a publicidade, a exportação (de novelas ou argumento) e do sucesso em termos de audiência.

O autor começa por explicar que a telenovela é o suporte da pequena indústria de audiovisual do país, ocupando algumas centenas de pessoas, de artistas a argumentistas, realizadores e técnicos. A telenovela é um folhetim industrial em que muitas marcas pessoais que existem no cinema se diluem aqui. Ele também salientou a grande quantidade de personagens e a repetição de núcleos ricos-médios-pobres e a mistura de modelos melodramático, trágico, cómico e burlesco.

sexta-feira, 17 de março de 2017

Ex-correspondente de Luanda

"Se Paulo Catarro passou directamente da RTP para a Sonangol, o seu trabalho de anos como correspondente em Luanda deve ser escrutinado — agora. Se um governante teve ocupação na privada, antes ou depois de estar no poder, há «polémica» e investigação jornalística. Ainda bem. Quando o correspondente da RTP em Luanda, Paulo Catarro, deixa o cargo e entra directamente para a Sonangol — silêncio" (Eduardo Cintra Torres, ontem). Estou de acordo com o colunista.

terça-feira, 14 de março de 2017

Pedro Coelho sobre Angola

A reportagem de Pedro Coelho sobre Angola Assalto ao Castelo (SIC) teve um grande impacto naquele país, de tal modo que hoje a SIC Notícias foi retirada da grelha de canais da ZAP (operadora de canais de televisão pertença de Isabel dos Santos). A decisão foi muito condenada e está a repercutir-se nas discussões nas redes sociais em Angola.

quarta-feira, 8 de março de 2017

Despedimentos na SIC

A Impresa concluiu esta semana um processo de rescisões, que afectou apenas a SIC. Aqui, terão saído 15 a 20 empregados, sete deles jornalistas e repórteres de imagem. Sofia Carvalho, diretora da SIC Mulher e da revista Activa foi um desses colaboradores. O referido canal comemora hoje 14 anos.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

A constituição da RTP

A RTP foi constituída no final de dezembro de 1955, com cerimónia no edifício da Emissora Nacional (Rádio Nacional, 24 de dezembro de 1955). O capital inicial era de 60 mil contos (mais de 2,6 milhões de euros a preços de 2016), divididos em três partes: Estado, estações de rádio e público. A RTP nasceu, assim, semiprivada. O primeiro conselho de administração teve um elemento nomeado pelo Estado, outro pelas estações (Jorge Botelho Moniz, de Rádio Clube Português)  e um terceiro pela Emissora Nacional (Stichini Vilela, da administração da estação pública mas em representação do público acionista). Das rádios, Rádio Clube Português investiu 9260 contos, Rádio Renascença 4630, Emissores do Norte Reunidos 2310, Emissores Associados de Lisboa 1400. Outras pequenas estações também participaram no capital inicial da televisão pública. Na notícia estimava-se que as primeiras emissões ocorressem 18 meses depois. Na realidade, os primeiros programas foram para o ar em setembro de 1956, a partir da Feira Popular (Lisboa), no espaço onde hoje está a sede da Gulbenkian.


segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Provedores do serviço público de rádio e televisão

Jorge Wemans para o lugar de provedor do telespectador e Joaquim Vieira para o de provedor do ouvinte são os nomes indicados para a RTP. Wemans foi jornalista do Expresso e do Público (um dos fundadores) e diretor da RTP, Joaquim Vieira, igualmente jornalista, foi também responsável na RTP, presidente do Observatório da Imprensa e autor de livros de história e media serão, caso o Conselho de Opinião aceite os nomes, os sucessores de Jaime Fernandes, recentemente falecido, e Paula Cordeiro. Para mim, são dois nomes fortes e que honrarão os cargos.

Atualização em 30 de novembro de 2016: o nome de Joaquim Vieira foi vetado pelo Conselho de Opinião.

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Elementos para a história da televisão portuguesa

Hoje, ao almoço na Associação 25 de Abril, o general João Bargão dos Santos falou da sua passagem como diretor de informação da RTP em 1974-1975, quando o general António Ramalho Eanes foi presidente da estação pública de televisão. Depois licenciado em medicina, desempenhando cargos nessa área como diretor do Hospital Militar, Bargão dos Santos falou da equipa que esteve com ele na RTP, como José Carlos Vasconcelos, Carlos Cruz e José Manuel Marques, chefe de redação antes de 25 de abril de 1974 e escolhido pelos seus colegas para continuar à frente da redação a seguir ao golpe militar (na fotografia do livro RTP 50 Anos de História, o segundo a contar da esquerda na noite de eleições para a Constituinte, abril de 1975; os outros elementos são Augusto Pinto, Carlos Cruz e Bessa Tavares). No cargo da RTP, Bargão dos Santos sucedeu a Álvaro Guerra.

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Livro de Júlio Isidro


Hoje, ao final da tarde, foi apresentado o livro de Júlio Isidro, O Programa Segue Dentro de Momentos. Autobiografia, em edição da Marcador. A apresentação esteve a cargo de Nuno Markl. O veterano autor e apresentador de programas de rádio e televisão (56 anos de carreira) também falou e contou histórias da sua vida profissional e passou um pequeno filme com imagens de alguns programas ao vivo que fez para a televisão.

Sobre a rádio, no seu livro leem-se diversas páginas, a começar na 105, em que o autor reconhece ser dos poucos que começou na televisão e se deslocou para a rádio, quando, em 1967, concorreu para apresentador de Rádio Clube Português. Prestou provas mas o diretor da estação Álvaro Jorge não gostou totalmente da sua prestação. Apenas um ano depois ficaria ligado à estação, no programa FM 67, apesar de já ser junho de 1968, programa de madrugada produzido por Carlos Martins e onde alternava com Rui Paulo da Cruz. Júlio Isidro recorda do bom acolhimento dos veteranos de então, como Jaime da Silva Pinto e José do Nascimento. Logo depois, entraria para os noticiários, a convite de Luís Filipe Costa. Este deu-lhe algumas páginas com aquilo a que o agora autor biografado chama "a arte de bem noticiar a toda a sela" (p. 107): horários, tempos de cada serviço noticioso, ordem das notícias, inclusão de gravações, meteorologia e metodologia de trabalho. Oito profissionais garantiam 24 horas de notícias.

Então, Júlio Isidro ganhava à hora (25 escudos nos noticiários), surgindo depois convites para apresentar programas. Um deles foi Ruy Castelar, então a produzir A Noite é Nossa, de madrugada, celebrizado por fazer programas em direto de boîtes como o Porão das Naus, entretanto consignado ao produtor do programa (50 escudos por programa). Passou por outros programas como Clube das Donas de Casa (em parceria com Ana Zanatti), com o cabaz de Natal, Hora Bosch, Encontro no Ar, de José do Nascimento, com discos emprestados da discoteca A Havanesa (p. 116), e até Quando o Telefone Toca, a substituir Matos Maia. Júlio Isidro, que foi uma das vozes do programa Em Órbita, onde lia pequenos textos escritos por Jorge Gil (p. 123), chegou a fazer seis horas de noticiários seguido de outro tanto tempo como locutor de programas, além de outros compromissos em vários programas (p. 127).

Mais tarde, viriam, entre outros, Grafonola Ideal (p. 189), Febre de Sábado à Noite (p. 194), na rádio, e Passeio dos Alegres (p. 216), na televisão. E muitos mais, que eu estou a descobrir à medida que leio o livro.

Leitura: Júlio Isidro (2016). O Programa Segue Dentro de Momentos. Autobiografia. Barcarena: Marcador, 384 páginas, 19,95 euros

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Estudo de Augusto Mateus sobre setor de televisão

Retiro do jornal Público a indicação de novo estudo realizado por Augusto Mateus sobre o setor de produção de televisão em Portugal (Produção de Conteúdos Audiovisuais em Portugal), onde recomenda a reformulação da lei da televisão e do audiovisual e diz ser necessário acabar com a cobrança de taxas como foco estratégico. O estudo, promovido pela Associação de Produtores Independentes de Televisão (APIT), serviu de pretexto para operadores, canais e produtores discutirem temas como direitos autorais, financiamento e evocar a importância de se desenvolver uma indústria local a sério.

Atualização a 28 de outubro de 2016: Por outro lado, o Conselho Geral Independente aparece contra medida do orçamento do Estado, o qual prevê a entrega da taxa do audiovisual à Autoridade Tributária e não diretamente à RTP, ao considerar existir perigo de governamentalização da RTP.

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Correspondentes da RTP fora do país

Três jornalistas vão ocupar cargos de correspondentes internacionais da RTP em aberto: Rosário Salgueiro em Paris e Duarte Valente (televisão) e Andreia Neves (rádio) em Bruxelas. O lugar na televisão em Paris pertencia a Paulo Dentinho, agora na direção de informação, o lugar em Bruxelas pertencia a António Esteves Martins, saído em junho de 2016 para assessorar a representação permanente de Portugal na União Europeia. Em Washington, Márcia Rodrigues deve abandonar o cargo de correspondente até ao final do ano.

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Noticiários de televisão segundo António Barreto

"É simplesmente desmoralizante. Ver e ouvir os serviços de notícias das três ou quatro estações de televisão é pena capital. A banalidade reina. O lugar-comum impera. […] Os alinhamentos são idênticos de canal para canal. Quem marca a agenda dos noticiários são os partidos, os ministros e os treinadores de futebol. […] Os diretos excitantes, sem matéria de excitação, são a joia de qualquer serviço. Por tudo e nada, sai um direto. […] Jornalistas em direto gaguejam palavreado sobre qualquer assunto: importante e humano é o direto, não editado, não pensado, não trabalhado, inculto, mal dito, mal soletrado, mal organizado, inútil, vago e vazio. […] A falta de critério profissional, inteligente e culto é proverbial" (António Barreto, no Diário de Notícias de ontem).

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Saída de Luís Marinho da RTP

A Lusa divulgou uma carta de despedida de Luís Marinho da RTP, empresa onde trabalhou durante 15 anos. Entre os cargos desempenhados, ele foi administrador e diretor-geral de conteúdos, director de estratégia de grelha e director de informação da RTP, exercendo recentemente o lugar de responsável pelo gabinete de projectos especiais.

Marinho critica em especial a governação criada pelo anterior ministro Poiares Maduro, com o surgimento do Conselho Geral Independente (CGI), órgão de supervisão do Conselho de Administração da RTP, e responsável pela demissão do anterior Conselho de Administração, liderado por Alberto da Ponte. Na carta, escreve que, "do ponto de vista organizativo, a RTP é hoje uma empresa dos anos 80 do século passado, com direções para todos os gostos, a que se juntam ainda mais diretores disfarçados de consultores".

Nos dias mais recentes, rebentara uma polémica com a admissão como diretor de André Macedo, até agora diretor do Diário de Notícias. Macedo fora um aceso crítico da RTP, considerando em textos que já não se justificava a existência de um serviço público de rádio e de televisão.

sábado, 20 de agosto de 2016

“A RTP não tem uma elite com coragem para fazer diferente”, diz Eduardo Cintra Torres

"São pobres em género e imaginação. Desistiram. A fórmula «dar ao público o que o público quer» está quase certa, mas impede aquele «grão na asa» de inovação que poderá agradar ao público, já que este, antecipadamente, não sabe tudo, dado que não é especialista de TV e não lhe compete imaginar a inovação. A SIC e a TVI afunilaram os géneros. Em termos de êxitos para o público «do costume», só confiam nos noticiários longos, nas novelas, nos talk shows, e, no caso da TVI, naqueles reality show cada vez mais ordinários. Nos noticiários, a SIC destaca-se pela qualidade geral técnica e de texto. Tem as grandes reportagens mais bem feitas. Mas ambos os canais claudicam com frequência a interesses publicitários, uma publicidade escondida sem qualquer ética jornalística. A RTP 1 tem um pouco mais de variedade de géneros, mas sem beneficio de interesse público".

Citação da entrevista a Eduardo Cintra Torres, por Maria João Avilez (Observador, de 20 de agosto de 2016). Eduardo Cintra Torres é apresentado como o mais respeitado dos atuais críticos de televisão, com 59 anos, licenciado em História, mestre em Comunicação e doutoramento em Sociologia, professor na Universidade Católica e no ISCTE, e crítico de televisão em canal televisivo e em jornal (ambos do grupo do Correio da Manhã).

quinta-feira, 2 de junho de 2016

A PIDE antes da PIDE

1. A PIDE antes da PIDE é uma série documental realizada por Jacinto Godinho e com coordenação científica de Irene Pimentel, em nove episódios, na RTP 2. No episódio inicial, falou-se do capitão Agostinho Lourenço, diretor da Polícia Internacional em 1931, primeiro diretor da PVDE (1933) e da PIDE (1945), revelando o seu passado ligado aos republicanos de direita, à sua passagem na I Guerra Mundial e relação com Sidónio Pais e Machado dos Santos, este o herói do 5 de outubro de 1910 e presente em muitos golpes políticos durante a I República até ao seu assassinato.

Do que vi, trata-se de um trabalho sério, muito assente em arquivos e comentários de especialistas não longos mas esclarecedores e que assume, se necessário, a dificuldade de provas em algumas ligações quando a investigação não o conseguiu estabelecer. Muitas imagens e documentos, além de uma locução eficaz - vistos no primeiro episódio -, dão vontade de continuar a ver a série.

2. A série levanta a questão da História das associações e do futuro do historiador. Este tem-se visto ameaçado pelo trabalho dos amadores que escrevem na internet e são responsáveis por sítios de grande procura como os relacionados com genealogias (caso do geneall). Estes sítios são crescentemente rentáveis. A História é também aproveitada pelas séries de televisão como o (Conta-me como Foi). Neste aspeto, a jornalista Helena Matos destacou-se, porque foi conselheira científica e tem trabalhado em programas da rádio pública. Uma terceira atividade crescente é a dos guias de turismo nas cidades.

A História deixa o lado enfadonho de mergulhar em arquivos e seguir a vida de pessoas importantes ou famosas e passa a ser uma disciplina que aproveita o contributo de muitos milhares de pequenos produtores de informação que colocam fotografias, memórias ou simples ângulos de vista de um acontecimento. Para ler sobre esta matéria: Pedro Ramos Pinto e Bertrand Taithe (2015). The Impact of History? Histories at the Beginning of the Twenty-First Century.

terça-feira, 17 de maio de 2016

Consumos de media


Foi ontem de manhã que a ERC, a Universidade Católica e a GfK apresentaram o estudo As Novas Dinâmicas do Consumo Audiovisual em Portugal, mais assente na televisão que nos restantes media audiovisuais. Conforme alguém da assistência resumia na parte de debate, desapareceram alguns mitos da atual conceção dos media: a internet atinge 60% da população, a televisão é o meio audiovisual de maior consumo de informação e entretenimento, o consumo é fundamentalmente linear (o consumo posterior ou time-shift tem uma expressão de 12%).

O cenário do auditório em que decorreu a apresentação dos resultados estava bonito - parecia a sala de estar onde consumimos habitualmente a televisão, a preparar a apologia deste meio de comunicação. Os resultados foram apresentados por Nelson Ribeiro e Catarina Burnay, investigadores da Universidade Católica, e Joelma Garcia e Natacha Cabral, especialistas e responsáveis da GfK.

Retenho-me no sumário executivo do documento apresentado (total de 66 páginas, e que pode ser lido aqui). O sumário executivo divide-se em duas partes (consumo de media; consumo de conteúdos audiovisuais). Enfatizo a segunda parte do sumário executivo: equipamentos/aparelhos, consumo por tipos de conteúdos, consumo em direto versus em diferido, multi-ecrãs, rotinas de consumo de televisão indoor, outdoor e em linha e subscrição de conteúdos em linha. Foco ainda mais em pormenor no consumo por tipos de conteúdos: informação (89,5%), telenovelas, filmes e séries (56,3%), entretenimento (50,3%), documentários (47,2%), desporto (44,6%) música e desenhos animados (perto de 30%). O trabalho de campo, realizado pela Intercampus, foi feito entre 3 de outubro e 30 de novembro de 2015, num processo de random-route para seleção do lar e teve uma amostra inicial de 1018 entrevistas.

A conferência terminou com a participação de Nuno Artur Silva (RTP) e José Eduardo Moniz (especialista de televisão e antigo diretor-geral da TVI)

[vídeos com parcelas das intervenções de Catarina Burnay e Joelma Garcia]

segunda-feira, 2 de maio de 2016

Associações e coletividades

Tenho colaborado com a Arroios TV, na rubrica Associações e Coletividades. O primeiro episódio foi sobre a Confederação Portuguesa das Coletividades de Cultura, Recreio e Desporto. O segundo, com vídeos aqui, foi sobre o Teatro Bocage. Entrámos pelas peças, nos ensaios, nos bastidores e nas conversas com responsáveis pela produção, encenação e representação.