quarta-feira, 9 de fevereiro de 2005

SONIA DELAUNAY

A lot of page views from my post about Sonia Delaunay I wrote on July, 12, 2004, are been seeing the two last days here in my weblog. Then I remembered an exhibition at Soares dos Reis Museum in Oporto (2001-2002), named Tecidos simultâneos (Simultaneous tissues). There has been any special reason for this?
LOJAS E CENTROS COMERCIAIS - I

Retomando o tema das lojas e centros comerciais em trabalhos dos meus alunos, faço hoje alusão a três deles (o último será presente num outro post): 1) Ikea, de Filipa Arrobas da Silva, Rita Rousseau e Mariana Romão, 2) Colombo, de Patrícia Cintra, Daniela Seabra e Cátia Santos, e 3) Amoreiras e Colombo, de Ana Rita Pires, Mariana Gomes da Costa e Rosa de Oliveira Pinto. Em todos estes trabalhos, o objectivo foi o de saber como se formam os públicos consumidores.

Sobre o Ikea, as três alunas entrevistaram 30 clientes da loja de mobiliário, 11 dos quais moravam num raio de 20 quilómetros, 14 num raio de 50 quilómetros e dois acima dos 50 quilómetros (os restantes viviam no outro lado do rio Tejo). Dos 30 inquiridos, 19 já conheciam o Ikea e, dos que visitavam a loja pela primeira vez, sete admitiam a intenção de comprar e quatro queriam apenas visitar o espaço. Isto a 17 de Novembro último, quando o período grande de compras de Natal se avizinhava. Dos clientes já habituais, quinze deles disseram visitar a loja pelo menos uma vez por mês .

O conhecimento prévio da loja fora, no essencial, o de boca-a-orelha (17 respostas), através dos media (11), por publicidade deixada na caixa do correio (4) e a partir do estrangeiro (1). Aos respondentes (23 em 30 eram habituais fregueses das lojas de decoração e mobiliário) colocou-se a seguinte pergunta: qual o principal motivo de deslocação ao Ikea? Afirmaram: produtos de qualidade e a baixo preço (21), design moderno e arrojado (18), grande variedade de produtos (6). Havia uma quarta escolha - estacionamento grátis e garantido - mas sem sucesso na resposta. As alunas concluiriam que, apesar do Ikea ter aberto num ano de depressão económica, a marca conseguiu elevados níveis de procura, dada a relação preço/qualidade ser imbatível e porque vende bens essenciais e ligados ao bem-estar e conforto.

Vale a pena reflectirmos o que Rachel Bowlby (2000: 10-11) escreveu sobre o Ikea: andamos pelas salas onde se mostram mobiliários e objectos, parando para olhar e experimentar as cadeiras ou abrir portas ou tocar nas peças expostas, todas ligadas a decoração de quartos e salas. Nestas salas não há nada para comprar, apenas o desejo de comprar (anotamos os objectos do nosso plano de aquisição numa folha que retiramos à entrada, juntamente com um pequeno lápis). Depois de passearmos por todas as áreas diferentes - acabando na moda dos anos 2000 - chegamos à cafetaria. É o espaço de ligação à segunda parte, onde estão os mobiliários de cozinha e da linha de camas, antes de chegarmos ao armazém e à necessidade de arranjarmos um carrinho onde colocamos as peças (desmontadas) respeitantes ao que queremos comprar. Ao fazermos todo este trabalho, poupamos nos custos de distribuição, reflectindo-se no preço final. Estão aqui presentes as duas versões do estilo moderno de comprar: trabalho e lazer.

Colombo versus outros locais

O segundo grupo, com uma base empírica mais reduzida (20 inquéritos presenciais a pessoas entre os 18 e os 27 anos, durante os meses de Setembro e Outubro passado), destacou a preferência dos entrevistados pelos centros comerciais face ao comércio tradicional. Como a base de trabalho foi pequena e porque alguns conceitos não foram bem operacionalizados, os resultados aqui incluidos não são muito conclusivos mas apenas indicativos de uma tendência.

Assim, as alunas colocaram vários locais para compras por esta ordem: 1) Colombo, 2) Vasco da Gama, 3) comércio tradicional, 4) Amoreiras, 5) outlet do Carregado, 6) outlet de Alcochete. Por outro lado, apontaram os períodos de compras com maior frequência à tarde, seguindo-se o fim-de-semana e após a saída do trabalho, coincidindo com o texto de Turo Kimmo Lethonen e Pasi Mäenpää (1997) aqui referenciado no blogue por diversas vezes. Metro e veículo próprio são as formas mais habituais de deslocação. Até duas horas é o tempo habitual de compras (16 em 20 respostas). As três alunas concluiram ainda pela necessidade prática em torno das compras.

Leitura: Bowlby, Rachel (2000). Carried away. The invention of modern shopping. Londres: Faber and Faber

[continua]

terça-feira, 8 de fevereiro de 2005

A MINHA MÁSCARA DE CARNAVAL

Nunca percebi porque me vestiram à bianesa. Claro que, se não vivesse em Lisboa, escolheria viver no Porto ou em Aveiro ou em Viana do Castelo. Não consigo estar longe do Oceano Atlântico.

Mas mascarado de saias, jóias , um lenço pelas costas e uma canastra na cabeça, com passagem obrigatória pelo fotógrafo, foi uma bizarria dos meus pais. Quando foi? Teria três ou quatro anos. Ou apenas dois?

Não me lembro quase nada. Pela imagem parece que estou atónito, mas lembro-me de gritado e chorado. A roupa não me fazia sentir bem, ela que deve ter sido desenhada e confeccionada pela minha mãe.
VEMO-NOS NO MESSENGER

À saída da escola secundária, seja em Portugal, em Espanha, Estados Unidos ou Coreia, a frase dos adolescentes é sempre a mesma: vemo-nos logo no messenger.

Escreve Juan Cueto, na revista de domingo do El Pais, que os pais ou os avós desses adolescentes devem saber descodificar a expressão, pois não se trata de uma mega-discoteca com músicas hip-hop ou qualquer coisa do género. O que o jovem quer é regressar nas calmas a casa e fechar-se no seu quarto, onde faz duas coisas: ouvir - se já não estava - o leitor de MP3 e ligar o computador à rede, para mandar mensagens instantâneas e gratuitas pelo MSN, Yahoo! ou Wanadoo para os amigos até à hora do jantar ou de se ir deitar.

Contas por alto, estimam-se mais de cem milhões de fanáticos globais do messenger entre os 12 e os 25 anos. Todos os fins de tarde, ligam as máquinas, incluindo as câmaras, e trocam textos, imagens e músicas. Cueto invoca até McLuhan e fala de três galáxias suas - Gutenberg, Marconi e Von Neuman (acrescentando esta e esquecendo-se da audiotáctil, era inicial no texto do canadiano). Apesar de conectado à música, impera o silêncio no quarto do jovem. Já não se produzem tantos decibeis do tempo do rock pesado ou do rap, do género de a casa abanar tanto que até-parece-que-vai-cair. Diz ele; eu acho que, quando muito, houve uma atenuação nesse comportamento colectivo das tribos adolescentes.

Ao mesmo tempo, observa-se uma mudança quase de paradigma, escreve Juan Cueto. O uso intensivo do messenger (mas também dos blogues e do correio electrónico) destruiu a ideia de que a escrita era uma actividade apenas reservada à elite literária. Apesar de também eu me considerar integrado na família dos screen-agers, pois a minha aprendizagem vem do tempo do ecrã da televisão, o certo é que a última geração desta família não tem o prazer da leitura nem aprendeu a escrever muito bem. Aos erros de ortografia juntam-se um vocabulário inventado e uma sintaxe que faz lembrar os experimentalismos vanguardistas de Joyce ou de Burroughs, a escrita automática dos surrealistas ou a intertextualidade multimedia dos anos 1970, conclui Cueto.
"CULTURE", O SUPLEMENTO DO SUNDAY TIMES

O formato é maior, o papel é de jornal (e não de revista) e tem menos páginas (64 contra 80). Traz a indicação International (possivelmente com alterações em relação ao produzido no Reino Unido) e acrescenta The best of Culture, The Sunday Times Magazine, Style, Home and Driving. Gostava mais do outro formato, mas, como não pediram a minha opinião, posso apenas manifestá-la aqui no IC.

Há um texto, assinado por Claudia Croft, sobre uma mulher de 39 anos, Natalie Massenet, na edição de 6 de Fevreiro. Filha de um americano e de uma inglesa (modelo da Chanel e fotografada por Man Ray) que se conheceram no Café de Flore em Paris; daí o seu nome. Ora, o que faz miss Massenet na página do "Culture"?

Massenet - não é nome de compositor?

É de um compositor de ópera (1842 - 1912), mas a nossa Massenet exerce uma indústria invejável - não demoro nada a contar. Até porque ela me deu ideias para o caso de mudar de profissão. Anteriormente, queria vender pastéis de Belém nem que fosse em sistema de franchising; agora, adoptarei a actividade de miss Massenet, mas em concorrência leal. Isso mesmo: vender sapatos pela internet. Se se vendem livros e discos na Amazon, por que não vender sapatos?

O sítio NET-A-PORTER.COM apresenta-se como sendo a primeira loja de moda global do mundo. Roupa, acessórios, sapatos e eu sei lá que mais, tudo muito requintado. Tomo emprestado o que Natalie Massenet diz: tudo começou há cinco anos na sua mesa da cozinha e no ano passado as suas contas fecharam em £6,3 milhões. Daí o ter ganho o ano passado o prémio inglês da moda. Para 2005, espera o dobro da receita. E onde estão os clientes? "Em Hong Kong, LA, Massachusetts, Singapura, Londres. Andamos sempre à procura do que as nossas raparigas precisam". Com certeza que encontrar o que as "raparigas" querem nem sempre é fácil, mas tenta.

O mais difícil foi montar a máquina na internet, quando a bolha dotcom levou muitas empresas à falência, incluindo a que ajudara a instalar a sua ligação à internet. Logo depois, surgiram flops de organizações aparentadas ao seu negócio, mas Massenet aguentou. Agora, conta com 18 mil clientes, que aumentam à média de 1200 por mês. Considerando-se como tendo olho para a moda, Massenet tem os seus ícones: Jacquie Onassis (anteriormente Kennedy), Audrey Hepburn e Katherine Hepburn. Tem muito bom gosto, sim senhor!

O sucesso vem de quê? Diz a elegante empresária: "Nós fazemos. Nós garantimos que tudo o que está no sítio está na moda e pronto a ser enviado". O topo de gama da próxima Primavera é (guardem segredo) uma mala Chloé Paddington. Mas na sua lista há casacos Nina Ricci, vestidos Roland Mouret, sapatos Jimmy Choo. Em breve, estender-se-á para roupa de criança, produtos de beleza e cuidados de saúde. Projectando ser uma marca global, a visão estratégica da empresa é a de uma loja de moda que combine o entretenimento e a educação. Realmente, já estão a ficar longe os catálogos levantados nos Correios.

DEEYAH, A ESTRELA POP DE QUE SE FALA

Chamam-lhe a Madonna muçulmana. Tem 26 anos e apresenta-se como artista internacional ou global. Nasceu na Noruega, mas é meia paquistanesa e meia afegã, repartindo a sua vida entre o Reino Unido e os Estados Unidos [em bollywood.tv pode ouvir canções de Deeyah].

O ambiente familiar era musical. Quando ela tinha sete anos, o pai ouviu-a cantar uma música de um festival da canção da Eurovisão e comprou-lhe um instrumento musical para aprender a cantar. A partir daí a sua vida repartiu-se entre a escola e a música. A primeira gravação de Deeyah - ou melhor, Deepika Thathaal, o seu nome original - ocorreu quando tinha 13 anos; aos 17 estava a gravar o segundo álbum.

Ela deparou-se com um problema: a religião muçulmana contraria a sua actividade. Apesar de viver na Noruega, acusaram-na de se prostituir. A família sentiu-se obrigada a mudar cinco vezes o número de telefone. Por isso, a cantora resolveu ir viver para a Inglaterra. Aí, continua a respeitar a sua origem religiosa, combinando com a profissão musical. Muito embora mantenha uma segurança pessoal de dois homens para evitar qualquer tipo de aborrecimentos.

Fonte da informação: Sunday Times, de 6 de Fevereiro, em texto assinado por Amanda Craig

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2005

MUPIS

Fotografadas à noite, as imagens adquirem mais brilho. Por isso, faço normalmente tal trabalho após o pôr-do-sol.



Estas três imagens referem-se a concertos próximos aqui em Lisboa. O de Rui Veloso e Sara Tavares não pertence a um mupi, mas simplesmente a um cartaz colado no taipal das obras da praça de toiros do Campo Pequeno (daí a pouca luminosidade e num momento em que caia um aguaceiro). As duas imagens seguintes referem-se a uma campanha de consumo de vinho (Vini Portugal).



Confesso que sou um fã da campanha NewGen da Vodafone. Já aqui o escrevi, perguntando se a Vodafone é uma marca de roupa ou de celulares. Mas, na Praça de Londres, descobri este exemplar de anúncio com uma caixa plástica dizendo "Telefone de exposição. Não está apto a funcionar" (imagem de pormenor). Mas tal telefone não se vislumbra. Foi roubado? Ou alguém acrescentou uma caixa de plástico ao anúncio?



Finalmente, eis o anúncio do filme de Scorsese, que eu vi ontem. Gostei muito dele, e queria que ganhasse os óscares. Mas também gostei do Peter Pan, ou melhor, À Procura da Terra do Nunca, de Marc Forster, com Johnny Deep (41 anos) e Kate Winslet (nascida a 5 de Outubro de 1975).


EDITORA BOR LAND

A BOR LAND apresenta uma novidade para a aquisição das suas edições. Desta forma, será possível ter as "edições BOR LAND 2005 mediante o pagamento de uma anuidade de €75. Além de receber os discos via postal antecipadamente à data de lançamento, os aderentes a este novo formato podem comprar qualquer um dos trabalhos já editados por metade do preço a que estes são disponibilizados" em http://www.bor-land.com/ (informação enviada para o meu blogue).

As edições para 2005 compreendem Old Jerusalem Twice the humbling sun, The Unplayable Sofa Guitar Rocky grounds, big sky, Carlos Bica Single, Starlux I've been there (EP), Ölga What is, Complicado Haunted, Spatial White Noise Alphajerk, Bildmeister (ainda sem título), Norton Pictures from our thoughts - remixed, The Astonishing Urbana Fall (ainda sem título), Most People Have Been Trained To Be Bored Success in cheap prices e Bor Land Va - keep looking.

Pena que os concertos anunciados no sítio já tenham ocorrido todos. Pede-se um refresh no sítio!
ARTES CRIATIVAS (II)

[continuação do post de 4 de Fevereiro]

John Hartley, no livro Creative industries (2005), adopta os contextos analíticos presentes no relatório do National Office for the Information Economy australiano:

Hartley1.JPG

1) Indústrias criativas - caracterizadas pela natureza dos inputs de trabalho: "indivíduos criativos". Áreas: publicidade, arquitectura, design, software interactivo, cinema e televisão, música, edição, artes performativas,

2) Indústrias de direitos de autor [copyright] - definidas pela natureza dos recursos e resultados industriais. Áreas: arte comercial, artes criativas, cinema e vídeo, música, edição, gravação, processamento de dados, software,

3) Indústrias de conteúdo - definidas pelo foco na produção industrial. Áreas: música pré-gravada, música gravada, venda de música, audiovisual e cinema, software, serviços multimedia,

4) Indústrias culturais - definidas pela função de políticas públicas e pelo financiamento. Áreas: museus e galerias, artes e ofícios visuais, educação pela arte, audiovisual e cinema, música, artes performativas, literatura, bibliotecas,

5) Conteúdo digital - definido pela combinação de tecnologias e focado na produção industrial. Áreas: arte comercial, cinema e vídeo, fotografia, jogos electrónicos, música gravada, gravação sonora, armazenamento e pesquisa de informação.

O que diz o documento Creative Industries: Mapping Document 2001

mappingdocument2001.JPGTrata-se da segunda medição do contributo económico destas indústrias no Reino Unido [a primeira foi em 1998], identificando as oportunidades e as ameaças. A equipa que trabalhou o texto procederia a recomendações na mudança de áreas como formação, finanças para empresas criativas, direitos de propriedade intelectual e promoção.

Definem-se as indústrias criativas como "aquelas indústrias que têm a sua origem na criatividade individual, capacidades e talento e com um potencial para criação de riqueza e de empregos através da gestão e exploração da propriedade intelectual". O texto remete para as seguintes áreas: publicidade, arquitectura, mercados de arte e antiquários, ofícios, design, design de moda, cinema e vídeo, software interactivo de lazer, música, artes performativas, edição, software e serviços de computação, televisão e rádio.

Há ainda o levantamento da questão da regionalização. Assim, embora reconhecendo que Londres e o sudeste da Inglaterra continuam a ser os principais motores das indústrias criativas, reconhece-se o crescente peso das regiões, nomeadamente a Irlanda do Norte, a Escócia e o País de Gales no contributo para gerar riqueza e oportunidades de emprego, inclusão social e estratégias de regeneração. O texto fala ainda de clusters criativos, em que o comércio electrónico e a internet têm um impacto significativo em todas as indústrias criativas. Parcerias e exportação são outros elementos de destaque no estudo (p. 13).

[continua]

domingo, 6 de fevereiro de 2005

LEITURAS DE HOJE

Bill Gates ao El Paisgates.JPG

Vem na edição de hoje, em duas páginas, uma entrevista a Bill Gates, inicialmente dada ao Der Spiegel. Nela, ele fala de tecnologias e da indústria de software, bem como da legislação anti-monopólio na União Europeia. Mas também da sua defesa perante a concorrência: sobre o Linux diz que a comunidade adepta deste sistema aberto não reage tão depressa como a Microsoft aos problemas de vírus hackers e spam como geradores de desconfiança face à segurança dos computadores. E quando se lhe observa que o Linux está a ter mais seguidores na Alemanha, ele corta seco e diz que aquele sistema não é um concorrente seu. Na entrevista ficamos a conhecer melhor a sua vertente de responsabilidade social, ao saber que a fundação criada por Gates e a sua mulher Melinda administra quase 30 mil milhões de dólares e que doou três milhões de dólares às regiões afectadas pelo tsunami.

Os CDs dos outros jornais

hitchcock.JPG

stromboli.JPGAlfred Hitchcock (Con la muerte en los talones) no El Pais e Roberto Rossellini, com a bela Ingrid Bergman (Stromboli), no Le Monde eis os DVDs que acompanhavam as edições de hoje destes dois diários. Mas não para venda em Portugal.

As colecções de CDs e DVDs que acompanham os jornais não são, pois, exclusivo dos diários nacionais! Assim, não admira que o cinema em casa leve os espectadores a consumirem os clássicos e a abandonarem as salas de cinema.

THE AVIATOR

theaviator.JPGDe Martin Scorsese, com Leonardo DiCaprio no papel de Howard Hughes e como um dos produtores executivos do filme. A música é de Howard Shore, por vezes lembrando Philip Glass. No final do filme, uma das músicas da Glen Miller Band deixaria uma nota doce aos espectadores que enchiam a sala de cinema.

A película "fala" de uma época em que a rádio era, a par do cinema e da imprensa, uma forte indústria cultural. Daí que esta reconstituição da vida de Hughes, cineasta e homem dos aviões (TWA), tenha passado pela rádio, que apoia, com frequência, os acontecimentos narrados no filme, em forma de voz off. E o alto som estereofónico que se ouve aumenta a espectacularidade das imagens.

Pena que a legendagem contenha três vezes a palavra assessor incorrectamente escrita: acessor!
OFICINA DO LIVRO

Começou por ser uma editora. Agora, comprada pelo grupo JRP, de João Paulo Abreu, a Oficina do Livro quer estender-se às lojas. Para tal, aproveitará as livrarias Notícias, vendidas o ano passado pela Lusomundo a este grupo.

Dia 23 de Fevereiro será a data da abertura da primeira loja no outlet de Alcochete, com uma área de 150 metros quadrados, anunciava ontem o Expresso, em texto de Catarina Nunes. O mais baixo preço por metro quadrado e a nova forma de consumo dos outlets são duas vantagens desses novos espaços - e que eu tenho feito referência aqui no blogue, preparando proximamente mais textos sobre outlets e centros comerciais, a partir de trabalhos de alunos meus.

Com cores predominantes de preto e laranja, haverá dois tipos de lojas Oficina do Livro. As mais pequenas terão cafetarias shop-in-shop, em que o cliente compra o que quer numa máquina; as maiores terão serviço de atendimento. Ao longo de 2005, as lojas Notícias migrarão para o novo conceito: a inicial será a de Almada. E a marca de livros Notícias mudará para Casa das Letras (uma aproximação à já existente Campo das Letras, do Porto). A JRP é ainda detentora das lojas Valentim de Carvalho, actualmente especializada na venda de DVDs, e dos cinemas Castello Lopes.

É curioso assistir ao movimento das livrarias em torno de conceitos de venda. O que quer dizer que o negócio dos livros é bom (ou, pelo menos, há grandes expectativas). Depois da FNAC e de mudanças de conceito na Bertrand, de que a loja no centro Vasco da Gama é um bom exemplo, também a Almedina entrou em tal esforço, com a abertura da loja no centro comercial Atrium Saldanha (Lisboa). Esperemos o que trazem de novo a Buchholz (que terá acabado um processo de mudança de proprietários) e este conceito JRP. Claro que há aqui economias de escala a ter em conta, pois é difícil comparar a FNAC com lojas de bairro como a Barata ou a Buchholz (ou ainda a Centésima página, de Braga, de que falava Luís Santos em recente comentário a um post meu).
UMA ANÁLISE DAS RÁDIOS LOCAIS EM PORTUGAL

Apesar de ter sido defendida em Julho de 2003 [o blogue Jornalismo e Comunicação fez-lhe referência em post publicado a 21 de Agosto de 2003], só agora tive oportunidade de ler a tese de mestrado que Luís Bonixe defendeu na Universidade Nova de Lisboa (sob orientação de Francisco Rui Cádima).

O autor propôs-se analisar o cenário das rádios locais em Portugal. Alguns dos temas que atravessam o estudo são: problemas financeiros, necessidade do apoio do Estado, iniciativas legislativas e declínio da visão alternativa da realidade por parte das rádios locais. Bonixe, actualmente professor da ESE de Portalegre, dividiu o seu trabalho em três áreas. Para além da parte teórica (revisão científica da literatura do assunto), fez uma análise histórica do fenómeno das rádios piratas/livres/locais desde 1977 (Rádio Juventude), passando pela legalização do sector (1988) até ao começo do nosso século. São páginas importantes para quem queira estudar o sector numa perspectiva histórica.

A terceira grande área do trabalho que agora li (parte empírica) prende-se com a observação feita a noticiários de quatro estações da península de Setúbal: Rádio Seixal, Rádio Voz de Almada (entretanto mudada para Rádio Radar em 2002), Rádio Santiago (Sesimbra) e Rádio Popular FM.

popularfm.jpgCom base em 385 noticiários, correspondendo a 1262 minutos e 1962 notícias [observação feita entre Outubro de 2001 e Fevereiro de 2002], ele classificou as notícias em dois tipos, local e não local, concluindo pela duração média de cada noticiário entre seis minutos (Rádio Popular FM) e 2,2 minutos (Voz de Almada). Por exemplo, a Rádio Santiago edita as notícias não de acordo com a sua importância mas em função da secção temática a que pertencem: a abertura pertence sempre a notícias locais, seguindo-se as nacionais, internacionais e desporto.

Do seu estudo, Luís Bonixe (2003: 155-163) retira um conjunto de conclusões, as quais me parecem pertinentes observar: 1) declínio do discurso alternativo que marcou inicialmente as rádios locais, 2) colagem do discurso informativo das rádios locais à agenda dos media nacionais, 3) tratamento mais aprofundado das informações locais, 4) estas abrem frequentemente os noticiários, 5) os assuntos desportivos têm um grande destaque, 6) também espectáculos e actividades camarárias são temas habituais, 7) os representantes das elites locais têm uma maior exposição de tempo quando comparada com as populações locais, 8) em termos financeiros continua a haver uma debilidade estrutural, 9) jornalista de rádio local como especializado (ao nível geográfico).

Leitura: Bonixe, Luís (2003). As rádios locais em Portugal: informação e função social. Uma análise dos noticiários das rádios do distrito de Setúbal. Tese de mestrado defendida na Universidade Nova de Lisboa [há um exemplar disponível na Biblioteca Nacional]

sábado, 5 de fevereiro de 2005

LEITURAS DE HOJE

Dan Gillmor e Nós, os media

No Público, no caderno "Mil folhas", o tema de capa é a não perder. Escrito por António Granado, a análise e a entrevista a Dan Gillmor, o autor de Nós, os media, recentemente saido entre nós nos livros da Editorial Presença [já comprei o livro mas ainda não tive tempo de o espreitar]. Jornalista de tecnologia, o autor tem-se dedicado ao jornalismo de base (grassroots journalism), combinando "os melhores princípios e práticas do jornalismo tradicional com a energia e conhecimento que as pessoas possuem nestes movimentos de base" (da entrevista do autor ao jornalista, p. 6).

Publicado em 2004 nos Estados Unidos, e ainda só traduzido em português (no Japão e na Coreia sê-lo-á na Primavera), Gillmor observa as alterações que se estão a verificar no jornalismo, nomeadamente com o crescimento dos blogues, em que os cidadãos "querem ir mais longe que os media tradicionais e elaboram as suas próprias notícias, fazem as suas próprias investigações, mantêm os jornalistas tradicionais debaixo de olho, controlando o que escrevem, assinalando cada imprecisão".

Super Bowl - como as marcas procuram ter bom comportamento tendo em vista a final do campeonato de futebol americano

No ano passado, a história do mamilo descoberto de Janet Jackson, no intervalo do Super Bowl, desafio transmitido pela CBS, causou escândalo. Em 2005, nem pensar em arranjar novas polémicas.

De tal modo que - como escreve Laurence Girard no Le Monde - a cervejeira Anheuser-Bush retirou um anúncio humorístico, que seria emitido amanhã domingo por poder levantar alguma controvérsia. A agência da marca de cervejas, DDB Worlwide, pensara voltar à história de Jackson, no momento em que a Anheuser-Bush lança uma nova bebida, a BE, destinada a um público-alvo masculino e feminino entre os 21 e os 27 anos. No anúncio, um homem segura uma cerveja com a mão e procura abri-la socorrendo-se de um vestido, que acaba por rasgar.

A decisão de retirar o anúncio permitirá à Anheuser-Bush manter-se como um dos principais anunciantes da noite da final da Super Bowl. Com grandes vantagens: é que, nessa noite, 145 milhões de espectadores estarão diante da televisão, uma audiência quase insuperável de atingir. Para além da Anheuser-Bush, contam-se marcas como a Pepsi-Cola, os sítios de música em linha iTunes e Napster e a McDonald, pagando 2,4 milhões de dólares por spots de 30 segundos no programa este ano transmitido pela Fox. O custo elevado será compensado pelo boca a orelha ou marketing viral, a expressão dos especialistas para definirem o impacto de tal exposição publicitária.
MACGYVERmacgyver3.JPG

[esta mensagem é obviamente dirigida às blogueiras do STRA blog - entre as quais está uma das autoras do trabalho a que faço referência neste post, mas na realidade não sei identificar. Mas também para as suas colegas de Com Elas e Blog Inspirado, todas a caminho da viagem de fim de curso até ao Brasil. Nos seus blogues até suspiram pelos próximos dias. A todas elas desejo uma óptima viagem]

A série MacGyver foi produzida entre 1985 e 1992, orientada especialmente para jovens adolescentes urbanos de ambos os géneros, escrevem no começo do seu trabalho as alunas Mariana Serra, Mariana Feijó e Raquel Henriques, Recepção da série televisiva MacGyver. No nosso país, a série passou inicialmente na RTP, sendo agora vista na SIC Radical [imagem do actor Richard Dean Anderson, que desempenhou o papel principal na série, retirada do sítio MacGyver Homepage].

As alunas, num trabalho bem estruturado, usaram como ferramentas teóricas Irene Costera Meijer e Vladimir Propp. Deste, elas identificaram várias funções narrativas no episódio The human factor: 1) mundo do quotidiano, 2) chamada para a aventura, 3) recusa à chamada, 4) encontro com o mentor, 5) ultrapassar o patamar, 6) testes, aliados e inimigos, 7) aproximação à caverna, 8) provação, 9) recompensa, 10) regresso, 11) ressurreição, e 12) prémio.

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Em termos de trabalho empírico, Mariana Serra, Mariana Feijó e Raquel Henriques elaboraram um inquérito, que colocaram on-line em Novembro último, recolhendo 126 respostas.

Do total dos inquiridos, 94% afirmaram já ter visto a série. O que distingue verdadeiramente a série é a criatividade do protagonista (79% das respostas), associando MacGyver ao seu canivete suíço. Sobre a série, os inquiridos responderam que "há sempre uma solução para tudo", "com pouco consegue-se fazer muito", "nunca se deve desistir", "é bom ser-se natural, simples e sem ódios" e "criatividade aliada ao conhecimento".

A maioria dos inquiridos vê MacGyver em ambiente familiar. Apesar de duas em cinco respostas achar a série fora de moda, quase metade dos inquiridos confessa ainda conseguir cantarolar o genérico da série, querendo dizer que a série marcou uma geração de espectadores [confesso que vi regularmente a série, na RTP, ao lado da Patrícia].
jca.jpg1001 RAZÕES PARA GOSTAR DE PORTUGAL

José Carlos Abrantes lança no próximo dia 10 de Fevereiro (5ª feira), pelas 18:00, no Salão de Inverno do Teatro S. Luís, em Lisboa, o seu livro 1001 razões para gostar de Portugal.

Diz o autor: "Este livro é um elogio aos portugueses que labutam, acreditam, criam. Aos que pensam que o país, velho de História, se pode renovar pela seriedade, pelo empenho, pelo profissionalismo, mas também pelo humor, pela alegria de viver. E de fruir e partilhar, as grandes, como as pequenas coisas".

E acrescenta: "Eis algumas razões das razões que encontrei: O amor é fogo que arde sem se ver, escreveu Camões. Será que se pode dizer melhor? Os grelos, salteados ou não. As colchas de Castelo Branco. O Chapitô nascido da força de Teresa Ricou. A Culturgest criada por um banco, a Caixa Geral de Depósitos, no tempo de Rui Vilar (Lisboa). A York House, nas dormidas como no comida, no prazer do jardim e do bar (Lisboa). A Basílica da Estrela, que data do século XVIII (Lisboa). O catálogo de Lisboa Photo 2003, editado pela ASA. A paisagem alentejana. A Livraria Bertrand, da Rua Garret, em Lisboa, fundada pelo francês Pierre Bertrand e que existe, neste local, desde 1773, pouco anos depois de o terramoto ter destruído as intalações iniciais. A Rua do Surdo, no Funchal, rua onde se situa a sede do Partido Socialista. Boa metáfora para o lado mais autista dos políticos, de todos os quadrantes".

Ana Jones (aluna da Escola Secundária José Gomes Ferreira, Lisboa), Inês Pedrosa, Joana Amendoeira, Maria de Sousa, Maria Emília Brederode Santos, Maria José Morgado e Teresa Ricou vão dizer algumas palavras na apresentação do livro. Uma publicação da Texto Editores.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2005

NO PÚBLICO TEXTO ASSINADO POR ROBERTO ESTEVES

Parabéns pela Mercearia do mundo abre feira de livros usados. É bom ler textos dos nossos (já antigos) alunos. Desejo um excelente estágio ao Roberto Esteves.
LEITURAS

pedromexia1.JPGPedro Mexia escreve hoje, no Diário de Notícias, sobre João Bénard da Costa. Subscrevo tudo o que ele diz.

Entre Bénard da Costa e a moda em Paris

Cito uma parcela do texto de Mexia sobre o anteriormente apresentado subdirector e depois director da Cinemateca e agora escritor: "Bénard da Costa consegue ser praticamente o único cronista português (com António Lobo Antunes) que está fora da agenda. Bombas em Bagdad? Bénard escreve uma crónica sobre Tintoretto. Demissão do Governo? Bénard elogia Mântua. Eleições antecipadas? Bénard recorda uma página de Proust. E tudo isto com a memória sempre introduzindo nos textos ângulos pessoalíssimos, com uma linguagem cada vez mais conversada e lúdica".

Esta prosa introduz a imagem que retirei do caderno "DNA" de hoje (eu escaneei parte da imagem porque a máquina não permite senão o formato A4; peço para não me cobrarem direitos de autor). O título que acompanha a imagem é Os conquistadores, não remetendo para as modelos comendo nuvens de açúcar mas para os "cinco criadores de moda portuguesa [que] avançam sobre Paris e conquistam a capital da moda. Com mostras de profissionalismo e requintado sentido estético". Com o apoio da Portugal Fashion, eles/elas são: Anabela Baldaque, Miguel Vieira,Luís Buchinho, Fátima Lopes (falta um; perdi-lhe o rasto).

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Cinema em Portugal: os números do nosso descontentamento

A notícia foi dada anteontem. O Público de ontem, em texto de Lucinda Canelas, aprofundava. Menos dois milhões de portugueses nas salas de cinema em 2004 era o título. Shrek 2 com mais de 729 mil espectadores, A paixão de Cristo com 647 mil e a última odisseia de Harry Potter com 498 mil foram os filmes mais vistos. Dos portugueses, o mais visto foi Sorte nula, de Fernando Fragata (pouco acima de 45 mil espectadores).

O ICAM mostrou esses números desagradáveis: as salas de cinema tiveram, em 2004, 15,8 milhões de espectadores. O presidente do ICAM apontou para as mais baixas taxas de frequência de cinema no nosso país (1,6 espectadores/ano) contra a média de 2,2 vezes/ano na Europa.

Estamos diante de um problema. A razão principal é a crise económica. Há também a concorrência: a televisão, os DVDs e o cinema em casa, como escrevi ainda esta semana (em análise à situação em Espanha, que é a inversa da nossa). Mas não posso destacar a irracionalidade empresarial: em 2004 abriram vários megacomplexos de cinema. A pergunta inevitável é: se há menos espectadores porquê aumentar o número de salas? A resposta é: a concorrência leva os exibidores a acompanharem o movimento uns dos outros. Se um abre uma sala o outro não quer ficar atrás e abre uma sala.

Duas observações: 1) a sala do Mundial reabriu. Segundo ouvi na rádio tem três salas novíssimas (eu lamentara-me aqui pois vi o Goodbye Lenin num dos últimos dias de exibição na sala), 2) a praça de toiros do Campo Pequeno está quase pronta (um mimo, não? Basta ver na fotografia) e anunciam-se 8 - oito - cinemas; não são demais?

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INDÚSTRIAS CRIATIVAS (I)

As indústrias criativas descrevem a convergência conceptual e prática das artes criativas (talento individual) com as indústrias culturais (escala de massa), no contexto das novas tecnologias dos media (TIC), dentro de uma nova economia do conhecimento, para uso dos cidadãos-consumidores interactivos, escreve Hartley (2005: 5).

hartley.JPGO mesmo autor considera que as indústrias criativas não são um produto da indústria mas da história, quer no curto quer no longo prazo.

A longo prazo, o conceito evoluiu do modo como se definiam as artes criativas e indústrias culturais desde há quase dois séculos até à ideia moderna de consumidor e cidadão, também assente nas mudanças recentes da tecnologia e da economia mundial, em especial nos anos 1990. Fazem parte das políticas nacionais e regionais ou urbanas, com políticos e decisores a promoverem "empregos e PIB". Ao mesmo tempo, as indústrias criativas surgem nos níveis educativos mais elevados, com as universidades a manifestarem preocupações na formação de pessoal criativo da nova geração.

As indústrias criativas combinam, embora transformem radicalmente, dois termos mais antigos: 1) artes criativas, 2) indústrias culturais. Esta mudança é radical porque conduz as artes (isto é, a cultura) ao contacto directo das indústrias de grande escala tais como o entretenimento nos media (isto é, o mercado). Hartley sugere a possibilidade de se ir além das distinções elite/massa, arte/entretenimento, patrocinado/comercial, nível elevado/trivial. Propõe a ligação a outros termos: cidadão e consumidor, liberdade e conforto, público e privado.

No seu todo, o sector das indústrias criativas pode ser polémico. Por um lado, devido às suas actividades orientadas para o mercado: os principais actores - televisão e imprensa diária - procuram minimizar a sua exposição face ao governo e à educação (Hartley, 2005: 19). Por outro lado, as indústrias criativas envolvem entidades de escala muito diferentes: das gigantescas multinacionais a micro-empresas, com diferentes níveis de gestão, tecnologias, quotas de mercado, economias de escala e capacidades em recursos humanos e financeiros.

A discussão no Reino Unido, onde o tema indústrias criativas se tem desenvolvido, aponta para a revitalização de cidades e regiões, umas porque sairam da indústria pesada e outras porque nunca desenvolveram uma base fabril forte (ver o Creative Industries Mapping Document 2001, no sítio Department of Culture, Media and Sport). Assim, elas podem constituir novos tipos de empresas culturais e económicas. Hartley define-as a partir de alguns tipos: indústria, organização, associação, estatísticas, pessoas, trabalhador e utilizador. O tema merece também ser discutido no nosso país: estou a pensar nas grandes cidades como Lisboa e Porto mas também em cidades médias (caso de Braga, devido ao desinvestimento no têxtil por causa da concorrência dos mercados chinês e indiano).

Leitura: John Hartley (ed.) (2005). Creative industries. Malden, MA, Oxford e Victoria: Blackwell

[continua]

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2005

RUA DE BAIXO

Saiu hoje o número 15 da newsletter da Rua de Baixo, subordinada ao tema Preferem vodka ou caipirinha? Retiro algumas informações:

1) 2ª edição da modaMarginal (cinema Batalha, Porto, 18 e 20 de Fevereiro) - "visa divulgar e promover o trabalho de jovens criadores de moda através da mostra e venda de peças, sendo que todos os lucros são revertidos na totalidade para os criadores".

2) Starlux - editado o seu primeiro registo de originais. "I’ve been there é o nome do EP que dá a conhecer a sonoridade da banda e serve também de apresentação a um ano bastante importante de edições da independente Bor Land".

3) Discoteca Lux (Lisboa) - a 24 de Fevereiro, recebe "artistas que espelham a diversidade e qualidade do espectro electrónico europeu": ingleses Swayzak, dupla italo-alemã Munk e francês The Hacker.
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FNAC: UM MUNDO DE SUCESSO

O grupo de alunos constituído por Ana Cristina Silva, Emanuel Costa e Selma Pereira elegeu as lojas FNAC como tema de estudo. Efectuaram 30 inquéritos em duas lojas (Colombo e Chiado) para caracterizarem melhor o objecto de investigação.

A maioria dos clientes da FNAC é-o, de modo assíduo, há cinco ou seis anos, indicando seis dos entrevistados a posse de cartão da marca (que confere alguns benefícios). Quanto à frequência, um grupo elevado afirma ir à FNAC um mínimo de uma vez por mês (12 em 30), referindo que os produtos que mais procuram são livros, CDs e DVDs, seguindo-se informática, áudio e vídeo. Mas outras actividades têm um bom desempenho, como a área dos videojogos e a bilheteira [que os alunos não exploraram, apesar do inquérito contemplar essas actividades]. O porquê da escolha da FNAC deve-se aos horários da loja (36%), à situação da loja [facilidade de identificação e circulação nas secções da loja] (35%) e ao espaço da mesma (29%). Zonas de lazer como a cafetaria (46%), espaço para concertos (29%) e sofás para leitura (25%) são opções de passagem de um bom bocado de tempo na loja, para além das prováveis compras.fnac.JPG

Desde 1998 no nosso país [primeira loja no Colombo, com uma superfície de 2000 metros quadrados], Portugal é, para a FNAC, o terceiro país em termos de facturação. O inquérito dos estudantes conclui ainda que as pessoas visitariam a FNAC mesmo que as lojas da cadeia não estivessem em centros comerciais. Esta localização revelou-se acertada atendendo a que os portugueses fazem da frequência dos centros comerciais um dos seus principais rituais de ocupação dos tempos livres.

expresso1.JPGObservação: o Expresso de sábado trouxe um belo texto sobre livrarias [excepto as cadeias FNAC e Bertrand], o que mostra, uma vez mais, o interesse dos jornalistas pelo tema das livrarias. Autores das páginas: César Avó e Nair Alexandra. Lojas destacadas: Aillaud & Lellos, Livrarte, Barata, Castil, Castil Fonte Nova, Ferin, Ler Devagar, Notícias, e Portugal.


quarta-feira, 2 de fevereiro de 2005

AL-JAZEERA JÁ É A QUINTA MARCA MAIS CONHECIDA NO MUNDO

A seguir ao conjunto Apple, Google, Ikea (retalhista de mobiliário) e Starbucks (café), a cadeia de televisão árabe é a quinta marca mais conhecida do mundo. Isto para 1984 leitores da Brandchannel.com. Entre outras marcas no top das escolhas 2004 dos leitores deste sítio estão: Coca-Cola, Virgin, eBay e Nokia.

A Al-Jazeera irá ter um canal em inglês mais para o fim deste ano, a par do serviço em árabe, o que significa uma concorrência grande com a CNN e a BBCWorld. Surpreendentemente, marcas como a CNN (de que a estação árabe seguiu a linha de informação) e outras cadeias americanas que nós recebemos na televisão por cabo ou a IBM não figuram à frente da Al-Jazeera. Outra surpresa - pelo menos para mim - é o peso do Ikea, que o país conhece desde muito recentemente.

Fonte: European Journalism Centre.
TEXTO MEU SOBRE O RÁDIO CLUBE PORTUGUÊS

O texto Rádio Clube Português - Da escassez de frequências à grande importância no meio radiofónico nacional (1931-1936), por mim publicado na revista Media & Jornalismo, nº 3 (Novembro de 2003), pode ser lido no sítio REVCOM.

SALSA - CONSUMOS MODERNOS

No passado dia 20 de Janeiro, o post que coloquei dizia respeito ao consumo de marcas de vestuário, a partir de trabalhos dos alunos da Universidade Católica. Liliana Pinto, Inês Ferreira e José Pimentel escreveram sobre a Levi's e o madrileno José Antonio Gata sobre marcas mais vendidas na sua cidade: Zara, Bershka, Polo Ralph Laurent, Timberland, DKNY e Carolina Herrera.

Nessa altura, eu remetera para mais tarde a análise a uma marca de roupa portuguesa, a Salsa. O objectivo principal do estudo das marcas de roupa é articular os modos modernos de consumo com os espaços (centros comerciais e lojas) e os media enquanto promotores ou "publicitadores" desses modelos de recepção e consumo.

salsa.JPGPara as alunas Sofia Santos e Ana Carina Moreno (também blogueira), em Salsa: um sucesso nacional, a empresa - lançada em 1994 pelos irmãos Vila Nova - iniciou-se em lojas multimarca e, após bons resultados, passou para o mercado das lojas monomarca (pontos de venda próprios e franchisados). O target é o público jovem (13-34 anos, mas com predominância 13-24), feminino e das classes B e C1. Trata-se de uma das poucas marcas a conseguir fazer frente aos gigantes do vestuário do país vizinho (Zara, Mango). Um dado interessante a conhecer é a localização das lojas Salsa, todas em centros comerciais.

O trabalho empírico das alunas Sofia Santos e Ana Carina Moreno foi constituído por um inquérito a 30 estudantes universitários, efectuado na própria universidade em finais de Outubro passado. RS2.JPGDas(os) respondentes 24 eram mulheres e 6 homens, com idades compreendidas entre os 21 e os 26 anos. Todos conheciam a marca, mas sete não sabiam que era portuguesa (4 disseram espanhola e 3 outra).

[observação: o animador deste blogue anda fora do target, como podem ver pela imagem]

Ao tentarem saber o grau de fidelização da marca, as alunas concluiram que apenas cinco possuíam o cartão Hot card, embora dez conhecessem os seus benefícios. Os artigos mais adquiridos são as calças (24 em 30), seguindo-se as camisetas e os casacos (5 cada). Os valores médios gastos são entre €40-50 ou mesmo acima de €50. Já em termos de opção de marcas, dos inquiridos 6 preferem a Salsa, 6 a Pepe Jeans, 1 a Wreck e os restantes 17 outras marcas (este resultado obviamente não ajuda muito a caracterizar os consumidores). A razão porque os inquiridos preferem outras marcas prende-se com melhor preço (17) e porque a roupa agrada mais (17 igualmente).

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PUBLICAÇÕES

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oeiras1.JPGSairam já as edições deste mês das publicações Os meus livros (€2,5) e 30 dias em Oeiras (gratuita).

A primeira tem como destaques de capa uma entrevista a Mia Couto e os livros sobre histórias de futebol. Também João Aguiar é entrevistado. E as traduções literárias são mostradas. Destaque para os tops de vendas de livros, com o Código da Vinci, de Dan Brown, mas onde a sua descodificação (O código da Vinci desconhecido, de Simon Cox) também brilha. Além de dois livros da série "para totós": Gestão para totós, de Bob Nelson, e Técnicas de venda para totós, de Tom Hopkins. Se arranjar um bocadinho de tempo vou espreitar estes dois últimos!

Quanto à 30 dias em Oeiras, traz na capa Isabel Figueira. Manequim, fez várias campanhas publicitárias, em especial a da Maxmen, em 2002. Apresentadora de programas televisivas (Curto-circuito, na SIC Radical, e Top+, este com Francisco Mendes, na RTP), é também actriz, caso do filme Sorte nula, de Fernando Fragata. Lazer, espectáculos e outras informações do que vai acontecer em Oeiras durante Fevereiro constituem o miolo da publicação editada pela Câmara Municipal de Oeiras.
NOVOS BLOGUES

Descobri agora um blogue, cuja autora gosta de Yukio Mishima. Nos últimos dias, ela escreve sobre o escritor japonês, no caso o livro Confissões de uma máscara. Está em Bodião Reticulado. Como gostaria de discutir sobre a obra do autor, em especial O marinheiro que perdeu as graças do mar e O tumulto das ondas. Por uma indicação contida no blogue a autora, cujo nome não consegui descobrir, é habitante de Lisboa.

Um outro blogue, desta vez oriundo do Porto, tanto quanto consegui perceber num dos posts, é Caixa de música. Pertence a Alexandro Mano. Nirvana e Joy Division estão nas suas bandas favoritas.
OS "BURACOS" DAS IMAGENS

Por razões que ignoro, desapareceram as imagens que acompanham os textos [o acesso ao Sapo está muito difícil]. Enquanto não conseguir resolver o problema, não edito mais posts.

Os posts de hoje incluem um estudo sobre a marca de vestuário Salsa e um texto acerca das publicações Os meus livros e 30 dias em Oeiras.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2005

LANÇAMENTO DO LIVRO NOTÍCIAS E SILÊNCIOS

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cristinaponte1.JPGConforme anunciara aqui, foi lançado, no final da tarde, o livro de Cristina Ponte, Notícias e silêncios. A cobertura da sida no Diário de Notícias e no Correio da Manhã, na colecção "Comunicação" da Porto Editora.

Apresentado pelo Dr. Fausto Amaro, do Instituto de Ciências Sociais e Políticas (ISCSP), o evento contou ainda com a presença de Maria José Campos (Abraço) e dos jornalistas Leonor Figueiredo (Diário de Notícias) e Miguel Martins (Correio da Manhã).

O livro tem nove capítulos (um deles escrito por Marisa Torres da Silva). Retiro uma frase da última página de texto: "A dificuldade de afirmação de vozes alternativas - com a excepção da Associação Portuguesa de Hemofílicos -, bem como o próprio silêncio governamental sobre a doença no país, com as suas fontes a garantirem que estava sobre controlo e a configurarem o território nacional quase como imune, comparativamente ao que se passava lá fora, terão certamente contribuído para uma também silenciosa expansão do vírus, colocando hoje o país em posição cimeira no contexto da União Europeia" (p. 108).
LANÇAMENTO DE LIVRO DE CRISTINA PONTE

Notícias e Silêncios. A cobertura da Sida no Diário de Notícias e no Correio da Manhã. Hoje, 1 de Fevereiro, às 18:00, na livraria Almedina (centro comercial Atrium Saldanha).
AS GERAÇÕES NA PUBLICIDADE

Em 1966, a modelo Twiggy foi designada a cara do ano, com o seu cabelo à rapaz, olhos grandes e figura esguia. Representava uma geração jovem em busca da liberdade. E podemos considerá-la como o protótipo das modelos de hoje. Quase 40 anos depois, ela encabeça uma lista de pessoas que pretendem que as marcas desenhem campanhas publicitárias que atendam a este grupo mais velho mas com rendimentos apreciáveis.

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Este é um tema do Sunday Times do último domingo, assinado por Sarah-Kate Templeton. Twiggy entende que há excessivos modelos de 18 anos a darem o rosto em campanhas destinadas a públicos bastante mais velhos. Apesar da idade (55 anos), Twiggy sente-se feliz na sua maturidade. A campanha em que Twiggy está envolvida chama-se Age Concern e diz respeito, como o nome o indica, a todas as pessoas acima dos 40 anos, afinal metade da população britânica, com um poder de compra não negligenciável.

Tal posição coincide com duas campanhas publicitárias actualmente presentes em mupis e outdoors. A primeira é a da Dove, marca de produtos para rosto, corpo e cabelos. Uma das imagens pertence a Irene Sinclair, uma avó de 96 anos.

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A outra é da Vodafone, a da NewGen.

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vodafone3.JPGO NewGen, diz a publicidade, é um celular exclusivo da marca, "com um design vindo directamente do Oriente".

Mais do que o telefone, a mim chamou-me a atenção o modo como os modelos se vestem. Será que a Vodafone é mais uma marca de roupa do que de celulares? O telefone é mais um meio de entretenimento que de comunicação "dura", pois o apelo ao design oriental significa o peso dos videojogos, uma das mais lucrativas indústrias culturais no Japão.

Duas gerações nas campanhas de publicidade: os mais jovens, combinando comunicação com entretenimento; os mais velhos, querendo ser representados nos anúncios. Campanhas de interesse.