MARGENS DE ERRO
O blogue Margens de erro, de Pedro Magalhães, está muito activo. Nas mensagens mais recentes, há análise às sondagens eleitorais legislativas na Alemanha e autárquicas aqui em Lisboa. Tem ainda tempo para escrever sobre opinião pública no Brasil. Trabalho muito cuidadoso, como sempre.
Textos de Rogério Santos, com reflexões e atualidade sobre indústrias culturais (imprensa, rádio, televisão, internet, cinema, videojogos, música, livros, centros comerciais) e criativas (museus, exposições, teatro, espetáculos). Na blogosfera desde 2002.
sexta-feira, 19 de agosto de 2005
COMO ESTUDAR EM PORTUGAL
Retiro a mensagem seguinte do blogue Brasil x Portugal, de Juliana Iorio, com informação sobre como brasileiros(as) podem inscrever-se em mestrados em Portugal (em especial na área de comunicação):
1- Como é o mestrado em Portugal?
Penso que o Mestrado em Portugal é igual ao mestrado no Brasil, ou seja, há disciplinas que devem ser cursadas no primeiro ano e a tese que deve ser elaborada no segundo ano.
2 - É fácil conseguir a vaga?
Neste caso, acho que em Portugal é mais fácil do que no Brasil. O ingresso passa pela avaliação do currículo e uma entrevista pessoal na maioria das Universidades. Não há provas de selecção, nem testes de proficiência. Eles partem do princípio que todo mundo sabe a língua inglesa fluentemente.
3 - Como os brasileiros são recebidos nas Universidades?
Penso que somos recebidos bem. Pelo menos, quanto a isto, eu não tive problemas.
4 - Por onde começar?
Antes de mais, se você tem interesse de vir estudar em Portugal, deve consultar os sites das universidades portuguesas e ver se alguma delas oferece um Mestrado que lhe interessa. Escolhido o curso, a primeira coisa que se deve fazer é ir ao Consulado de Portugal no Brasil (da sua área de residência) e autenticar o diploma, o histórico escolar e o programa das discilplinas cursadas na graduação.
Feito isto, você até já pode se candidatar a um Mestrado em Portugal. No entanto, deve ter em mente que, se for aceito, terá de pedir o "Reconhecimento das suas Habilitações" em uma Universidade Portuguesa. Este "Reconhecimento" pode ser pedido em qualquer Universidade portuguesa, desde que esta tenha o mesmo curso que você fez no Brasil, e independe da Universidade que você escolheu para fazer o seu Mestrado em Portugal. Fique atento porque cada Universidade cobra um valor pelo "Reconhecimento de Habilitações". Pesquise e escolha a mais barata!
O "Reconhecimento de Habilitações" pode demorar muito para sair. Isto implica que, se você for aceito no Mestrado, poderá ter de começar a cursá-lo mesmo antes do "Reconhecimento" sair. De certa forma isto é um risco, visto que, se o "Reconhecimento" for negado, você não poderá continuar a cursar o Mestrado. Mas julgo que raramente isto acontece... Se você tiver cursado a graduação numa Universidade Brasileira pública, é quase certeza do "Reconhecimento" ser autorizado.
Após candidatar-se ao Mestrado (e isto pode ser feito mesmo estando no Brasil, através de e-mail, fax, telefone), se você for aceito, provavelmente terá de vir a Portugal fazer uma entrevista pessoal. Se for aprovado, terá de voltar para o Brasil, já com a matrícula do Mestrado feita, e pedir o visto de estudo no Consulado de Portugal no Brasil (da sua área de residência). Normalmente, este visto demora para sair. No entanto, se você já estiver matriculado e disser que as aulas já começaram, eles costumam agilizar o processo.
Para conseguir o visto de estudo é necessário provar que você tem como se sustentar em Portugal durante o período do curso. Também é necessário um atestado médico emitido por hospital público no Brasil, dizendo que você se encontra em perfeitas condições físicas e mentais, e um atestado de antecedentes criminais.
Além disso é exigido um seguro de saúde. Se você paga INSS no Brasil, basta ir ao Ministério da Saúde no Brasil e pedir uma declaração dizendo que é beneficiário do serviço de saúde público. Com essa declaração, deverá ir ao posto de saúde mais próximo de onde for morar em Portugal e também será beneficiado pelo direito a saúde pública em Portugal.
Mais informações, consultar o site do Consulado de Portugal no Brasil.
5 - Existe a possibilidade de inserção no mercado de trabalho?
Existe, mas não é nada fácil. Como no Brasil, temos que conhecer as pessoas certas, e estar no lugar certo, na hora certa. É uma loteria!
Retiro a mensagem seguinte do blogue Brasil x Portugal, de Juliana Iorio, com informação sobre como brasileiros(as) podem inscrever-se em mestrados em Portugal (em especial na área de comunicação):
1- Como é o mestrado em Portugal?
Penso que o Mestrado em Portugal é igual ao mestrado no Brasil, ou seja, há disciplinas que devem ser cursadas no primeiro ano e a tese que deve ser elaborada no segundo ano.
2 - É fácil conseguir a vaga?
Neste caso, acho que em Portugal é mais fácil do que no Brasil. O ingresso passa pela avaliação do currículo e uma entrevista pessoal na maioria das Universidades. Não há provas de selecção, nem testes de proficiência. Eles partem do princípio que todo mundo sabe a língua inglesa fluentemente.
3 - Como os brasileiros são recebidos nas Universidades?
Penso que somos recebidos bem. Pelo menos, quanto a isto, eu não tive problemas.
4 - Por onde começar?
Antes de mais, se você tem interesse de vir estudar em Portugal, deve consultar os sites das universidades portuguesas e ver se alguma delas oferece um Mestrado que lhe interessa. Escolhido o curso, a primeira coisa que se deve fazer é ir ao Consulado de Portugal no Brasil (da sua área de residência) e autenticar o diploma, o histórico escolar e o programa das discilplinas cursadas na graduação.
Feito isto, você até já pode se candidatar a um Mestrado em Portugal. No entanto, deve ter em mente que, se for aceito, terá de pedir o "Reconhecimento das suas Habilitações" em uma Universidade Portuguesa. Este "Reconhecimento" pode ser pedido em qualquer Universidade portuguesa, desde que esta tenha o mesmo curso que você fez no Brasil, e independe da Universidade que você escolheu para fazer o seu Mestrado em Portugal. Fique atento porque cada Universidade cobra um valor pelo "Reconhecimento de Habilitações". Pesquise e escolha a mais barata!
O "Reconhecimento de Habilitações" pode demorar muito para sair. Isto implica que, se você for aceito no Mestrado, poderá ter de começar a cursá-lo mesmo antes do "Reconhecimento" sair. De certa forma isto é um risco, visto que, se o "Reconhecimento" for negado, você não poderá continuar a cursar o Mestrado. Mas julgo que raramente isto acontece... Se você tiver cursado a graduação numa Universidade Brasileira pública, é quase certeza do "Reconhecimento" ser autorizado.
Após candidatar-se ao Mestrado (e isto pode ser feito mesmo estando no Brasil, através de e-mail, fax, telefone), se você for aceito, provavelmente terá de vir a Portugal fazer uma entrevista pessoal. Se for aprovado, terá de voltar para o Brasil, já com a matrícula do Mestrado feita, e pedir o visto de estudo no Consulado de Portugal no Brasil (da sua área de residência). Normalmente, este visto demora para sair. No entanto, se você já estiver matriculado e disser que as aulas já começaram, eles costumam agilizar o processo.
Para conseguir o visto de estudo é necessário provar que você tem como se sustentar em Portugal durante o período do curso. Também é necessário um atestado médico emitido por hospital público no Brasil, dizendo que você se encontra em perfeitas condições físicas e mentais, e um atestado de antecedentes criminais.
Além disso é exigido um seguro de saúde. Se você paga INSS no Brasil, basta ir ao Ministério da Saúde no Brasil e pedir uma declaração dizendo que é beneficiário do serviço de saúde público. Com essa declaração, deverá ir ao posto de saúde mais próximo de onde for morar em Portugal e também será beneficiado pelo direito a saúde pública em Portugal.
Mais informações, consultar o site do Consulado de Portugal no Brasil.
5 - Existe a possibilidade de inserção no mercado de trabalho?
Existe, mas não é nada fácil. Como no Brasil, temos que conhecer as pessoas certas, e estar no lugar certo, na hora certa. É uma loteria!
O MERCADO DE CONSOLAS E VIDEOJOGOS SEGUNDO O ANUÁRIO DO OBERCOM
Segundo o AnuárioComunicação do Obercom, cerca de 1,7 milhões de indivíduos residem em lares equipados com consolas de videojogos (2005: 245) [o número terá baixado um pouco se comparado com 2003, quando se contavam 1,8 milhões]. Em termos de títulos, houve uma quebra de 2122 em 2003 para 1516 no ano transacto, com uma maioria acentuada destinada a público infantil (maiores de quatro anos): 612. Acção, condução e estratégia são as principais áreas de desenvolvimento dos jogos (Obercom, 2005: 268), embora puzzles e desporto sejam outras áreas de grande procura.
Dos valores internacionais, e que permitiriam fazer comparações entre países, a base de dados - Observatório Europeu do Audiovisual - não distingue Espanha e Portugal. Tal deve-se a critérios de associação geográfica de mercados (por exemplo: Áustria/Suíça e Dinamarca/Finlândia/Noruega/Suécia) por parte da entidade recolectora de dados. No caso da receita de vendas de hardware de consolas, a Sony Playstation 2 recolhe o favoritismo de compradores face a outros sistemas: só o mercado inglês (€364,9 milhões) supera o mercado ibérico (€258,4 milhões), isto em números de 2003. Já quanto a vendas de software de consolas, a Sony Playstation 2 lidera também, mas as compras no mercado ibérico vêm em terceiro lugar a seguir ao Reino Unido e Alemanha.
Há um dado que vale a pena meditar, o dos títulos por plataforma/sistema e país. Fiquemo-nos nos jogos para PC e para Playstation 2. Em 2004, Portugal registou a produção de três títulos em jogos para PC (contra 217 no Reino Unido, 77 dos estados Unidos, 64 de França e 22 de Espanha) e nenhum para Playstation 2 (produção de longe liderada pelo Reino Unido, com 354 jogos) (Obercom, 2005: 265).
Segundo o AnuárioComunicação do Obercom, cerca de 1,7 milhões de indivíduos residem em lares equipados com consolas de videojogos (2005: 245) [o número terá baixado um pouco se comparado com 2003, quando se contavam 1,8 milhões]. Em termos de títulos, houve uma quebra de 2122 em 2003 para 1516 no ano transacto, com uma maioria acentuada destinada a público infantil (maiores de quatro anos): 612. Acção, condução e estratégia são as principais áreas de desenvolvimento dos jogos (Obercom, 2005: 268), embora puzzles e desporto sejam outras áreas de grande procura.
Dos valores internacionais, e que permitiriam fazer comparações entre países, a base de dados - Observatório Europeu do Audiovisual - não distingue Espanha e Portugal. Tal deve-se a critérios de associação geográfica de mercados (por exemplo: Áustria/Suíça e Dinamarca/Finlândia/Noruega/Suécia) por parte da entidade recolectora de dados. No caso da receita de vendas de hardware de consolas, a Sony Playstation 2 recolhe o favoritismo de compradores face a outros sistemas: só o mercado inglês (€364,9 milhões) supera o mercado ibérico (€258,4 milhões), isto em números de 2003. Já quanto a vendas de software de consolas, a Sony Playstation 2 lidera também, mas as compras no mercado ibérico vêm em terceiro lugar a seguir ao Reino Unido e Alemanha.
Há um dado que vale a pena meditar, o dos títulos por plataforma/sistema e país. Fiquemo-nos nos jogos para PC e para Playstation 2. Em 2004, Portugal registou a produção de três títulos em jogos para PC (contra 217 no Reino Unido, 77 dos estados Unidos, 64 de França e 22 de Espanha) e nenhum para Playstation 2 (produção de longe liderada pelo Reino Unido, com 354 jogos) (Obercom, 2005: 265).
AFONSO LOPES VIEIRA
Em 2001, Cristina Nobre publicou ...um longo ataque de melancolia mansa... Correspondência e autógrafos (1909-1945) de Afonso Lopes Vieira a Artur Lobo de Campos (Magno Edições e Câmara Municipal de Leiria). Depois, em 2003, editaria Passeio sentimental de Afonso Lopes Vieira (edição da Comissão de Coordenação da Região Centro). No primeiro destes textos, Cristina Nobre destaca a "cuidada, desenhada e bela caligrafia de Afonso Lopes Vieira" da correspondência do poeta preservada na Biblioteca Municipal de Leiria. Artur Lobo de Campos, oficial do exército, natural de Leiria, escreveria sobre aquele seu conterrâneo, nomeadamente em A poesia de Affonso Lopes Vieira (1922).
Retiro a seguinte mensagem de Afonso Lopes Vieira ao amigo, datada de 10 de Junho de 1911: "Recebida e estimada a sua epístola. Temos passado dias deliciosos, fazendo um mundozinho na solidão, e nem o tempo (q. já mudou) conseguiu prender-nos ou aborrecer-nos. Escrevo-lhe ao serão, depois d'um dia de larga excursão em carro de bois. O R. L. tem gostado imenso, assim como a Senhora, q. é uma excursionista admirável, andando léguas sem cansaço. E prontos para esta vida de Pinhal e de Varanda, com a melhor disposição. São encantadores. Vamos no dia 14 pª as Cortes e no dia 18 devemos estar em Lisboa, indo nós talvez pª Sintra, se a Câmara me deixar".


O pinhal era o de Leiria e a varanda a de sua casa em S. Pedro de Muel, mesmo junto à praia, donde se desfruta uma inesquecível paisagem.
A casa de Afonso Lopes Vieira é, hoje, um pequeno museu, onde se pode apreciar o seu escritório e a varanda, conservada como o poeta a deixou. Logo a seguir, à casa, na praça com o seu nome, observa-se um busto dele. Para mais informações, ler no sítio Rota dos Escritores. Nascido em Leiria (1878), morreu em Lisboa (1946). Após conclusão do Curso de Direito, em Coimbra (1894-1900), passou a viver em Lisboa como redactor da Câmara dos Deputados (1900-1916). Depois, dedicou-se exclusivamente à actividade literária. Repartiu o seu tempo entre Lisboa e S. Pedro de Muel, onde recebia os amigos, nomeadamente escritores. A casa-museu em S. Pedro de Muel abriu a 8 de Julho deste ano.
Retiro a seguinte mensagem de Afonso Lopes Vieira ao amigo, datada de 10 de Junho de 1911: "Recebida e estimada a sua epístola. Temos passado dias deliciosos, fazendo um mundozinho na solidão, e nem o tempo (q. já mudou) conseguiu prender-nos ou aborrecer-nos. Escrevo-lhe ao serão, depois d'um dia de larga excursão em carro de bois. O R. L. tem gostado imenso, assim como a Senhora, q. é uma excursionista admirável, andando léguas sem cansaço. E prontos para esta vida de Pinhal e de Varanda, com a melhor disposição. São encantadores. Vamos no dia 14 pª as Cortes e no dia 18 devemos estar em Lisboa, indo nós talvez pª Sintra, se a Câmara me deixar".
A casa de Afonso Lopes Vieira é, hoje, um pequeno museu, onde se pode apreciar o seu escritório e a varanda, conservada como o poeta a deixou. Logo a seguir, à casa, na praça com o seu nome, observa-se um busto dele. Para mais informações, ler no sítio Rota dos Escritores. Nascido em Leiria (1878), morreu em Lisboa (1946). Após conclusão do Curso de Direito, em Coimbra (1894-1900), passou a viver em Lisboa como redactor da Câmara dos Deputados (1900-1916). Depois, dedicou-se exclusivamente à actividade literária. Repartiu o seu tempo entre Lisboa e S. Pedro de Muel, onde recebia os amigos, nomeadamente escritores. A casa-museu em S. Pedro de Muel abriu a 8 de Julho deste ano.
quinta-feira, 18 de agosto de 2005
A RÁDIO SEGUNDO O ANUÁRIO DO OBERCOM
Para o Obercom (2005: 159), o volume de negócios em 2004 foi de €80,2 milhões (valor inferior ao de 2003: €116 milhões). No investimento publicitário por sector de actividade, a banca e outras instituições monetárias e financeiras vão na frente, em 2004, com 19% do total desse investimento (num total de €36024 milhões), seguindo-se a indústria automóvel (14% e €25877), o comércio (12% e €21894) e os serviços e equipamentos de comunicação (11% e €20584) (Obercom, 2005: 167). Os cinco principais anunciantes foram: 1) Grupo Banco Espírito Santo, 2) Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, 3) Banco Português de Investimento, 4) TMN, e 5) Modelo Continente Hipermercados.
Em termos de emissores licenciados (num total de 746), o Norte tem 199, seguindo-se o Centro do país com 163 e a região de Lisboa e Vale do tejo com 115. Dos principais grupos, a RDP possui 103 emissores de FM geral (e um local), a Renascença 44 (e 3 locais), a Media Capital 18 (mais 7 de FM regional e 3 locais) e a TSF 13 emissores de FM regional e 1 local. Não contabilizo aqui os emissores em OM e DAB (estes todos pertencentes à RDP). Quanto a share de audiências em 2004, a RFM liderava (22%), seguida por Rádio Renascença (15%), Comercial (10%), Rádio Clube Português e TSF/Rádio Press (ambas com 6%) (Obercom, 2005: 176). Aqui, o Obercom não fornece dados de estações locais, mas apresenta, segundo uma amostra do próprio Observatório, volumes de negócios das rádios nacionais (€80280 milhões) e locais (€404 milhões).
O número de horas de emissão, para 2004, seria de 12 mil para as emissoras nacionais e 9 mil para as estações locais. Finalmente, no tocante a colaboradores, o número total passou de 1370 em 2003 para 1304 no ano transacto (nível nacional); o número de colaboradores das rádios locais é de 60 (valor que me parece muito baixo, atendendo às mais de 300 estações locais e ao facto do anuário ter mencionado para 2003 o número de 289).
A principal questão que se coloca ao sector - considera o anuário do Obercom, agora distribuído - é a migração para o digital, a qual possibilitará a "emissão de áudio, imagem e dados para várias plataformas de recepção". O anuário do Obercom aponta o DAB como a tecnologia a ser implementada em toda a Europa comunitária (2005: 159), enquanto a rádio por satélite e através de on-line ganha adeptos do outro lado do Atlântico, mormente nos Estados Unidos.
Leitura: Obercom (2005). AnuárioComunicação 2004-2005. Lisboa: Obercom, pp. 159-180.
Para o Obercom (2005: 159), o volume de negócios em 2004 foi de €80,2 milhões (valor inferior ao de 2003: €116 milhões). No investimento publicitário por sector de actividade, a banca e outras instituições monetárias e financeiras vão na frente, em 2004, com 19% do total desse investimento (num total de €36024 milhões), seguindo-se a indústria automóvel (14% e €25877), o comércio (12% e €21894) e os serviços e equipamentos de comunicação (11% e €20584) (Obercom, 2005: 167). Os cinco principais anunciantes foram: 1) Grupo Banco Espírito Santo, 2) Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, 3) Banco Português de Investimento, 4) TMN, e 5) Modelo Continente Hipermercados.
Em termos de emissores licenciados (num total de 746), o Norte tem 199, seguindo-se o Centro do país com 163 e a região de Lisboa e Vale do tejo com 115. Dos principais grupos, a RDP possui 103 emissores de FM geral (e um local), a Renascença 44 (e 3 locais), a Media Capital 18 (mais 7 de FM regional e 3 locais) e a TSF 13 emissores de FM regional e 1 local. Não contabilizo aqui os emissores em OM e DAB (estes todos pertencentes à RDP). Quanto a share de audiências em 2004, a RFM liderava (22%), seguida por Rádio Renascença (15%), Comercial (10%), Rádio Clube Português e TSF/Rádio Press (ambas com 6%) (Obercom, 2005: 176). Aqui, o Obercom não fornece dados de estações locais, mas apresenta, segundo uma amostra do próprio Observatório, volumes de negócios das rádios nacionais (€80280 milhões) e locais (€404 milhões).
O número de horas de emissão, para 2004, seria de 12 mil para as emissoras nacionais e 9 mil para as estações locais. Finalmente, no tocante a colaboradores, o número total passou de 1370 em 2003 para 1304 no ano transacto (nível nacional); o número de colaboradores das rádios locais é de 60 (valor que me parece muito baixo, atendendo às mais de 300 estações locais e ao facto do anuário ter mencionado para 2003 o número de 289).
A principal questão que se coloca ao sector - considera o anuário do Obercom, agora distribuído - é a migração para o digital, a qual possibilitará a "emissão de áudio, imagem e dados para várias plataformas de recepção". O anuário do Obercom aponta o DAB como a tecnologia a ser implementada em toda a Europa comunitária (2005: 159), enquanto a rádio por satélite e através de on-line ganha adeptos do outro lado do Atlântico, mormente nos Estados Unidos.
Leitura: Obercom (2005). AnuárioComunicação 2004-2005. Lisboa: Obercom, pp. 159-180.
LOJAS LONDRINAS
As montras das lojas são um elemento fundamental na comunicação com os consumidores. Daí que haja a necessidade de ter um design distinto nas lojas unimarca. As imagens referem-se fundamentalmente a lojas de Neal Street (Convent Garden), King's Road (Chelsea) e Old Bond Street (Soho), em Londres. Restaurante de comida vegetariana, sapatarias, artigos musicais, chás, louça e joalharia contam-se entre as actividades das lojas fotografadas.






Cores distintivas na fachada das lojas, um espaço privilegiado da montra de vidro, o nome (marca) da loja, cores vivas nos materiais expostos, apelo a uma leitura quente e emotiva (que gere a necessidade de entrar e comprar), equilíbrio entre quantidade de elementos expostos e destaque a algumas peças - eis alguns elementos que recolhi. De outros dados - preços, atendimento, inovação nos produtos vendidos - não tive oportunidade de referenciar, dado o meu olhar de simples viajante. Excepção para a comida do restaurante Food for Thought!





Cores distintivas na fachada das lojas, um espaço privilegiado da montra de vidro, o nome (marca) da loja, cores vivas nos materiais expostos, apelo a uma leitura quente e emotiva (que gere a necessidade de entrar e comprar), equilíbrio entre quantidade de elementos expostos e destaque a algumas peças - eis alguns elementos que recolhi. De outros dados - preços, atendimento, inovação nos produtos vendidos - não tive oportunidade de referenciar, dado o meu olhar de simples viajante. Excepção para a comida do restaurante Food for Thought!
quarta-feira, 17 de agosto de 2005
CEM MIL VISITAS
Este nosso blogue Indústrias Culturais alcançou hoje o visitante cem mil (vindo do servidor VIA net.works, eram 16:55:07). É uma grande alegria, que estendo a todos(as) que me visitam.
O MUITO, MUITO OBRIGADO DO BLOGUEIRO!
Este nosso blogue Indústrias Culturais alcançou hoje o visitante cem mil (vindo do servidor VIA net.works, eram 16:55:07). É uma grande alegria, que estendo a todos(as) que me visitam.
O MUITO, MUITO OBRIGADO DO BLOGUEIRO!
UM BLOGUE BRASILEIRO QUE FALA DE MCLUHAN
Começou, no passado dia 2, o Blog da disciplina Novas Mídias, de Carlos d´Andréa, professor da disciplina Novas Mídias, do curso de Comunicação Social do Centro Universitário UNA, em BH/MG (Belo Horizonte, Brasil), agora no início do ano lectivo.
O Centro Universitário UNA é uma entidade particular de educação, ciência e pesquisa fundada em 20 de Outubro de 1961, tendo como reitor o padre Geraldo Magela, graduado em Teologia e Filosofia, Jornalismo e História, e com mestrado em Teologia pela Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma.
Um abraço desde Lisboa, augurando muito sucesso ao trabalho de Carlos d´Andréa (que pode usar à-vontade todos os materiais que publico aqui).
Começou, no passado dia 2, o Blog da disciplina Novas Mídias, de Carlos d´Andréa, professor da disciplina Novas Mídias, do curso de Comunicação Social do Centro Universitário UNA, em BH/MG (Belo Horizonte, Brasil), agora no início do ano lectivo.
O Centro Universitário UNA é uma entidade particular de educação, ciência e pesquisa fundada em 20 de Outubro de 1961, tendo como reitor o padre Geraldo Magela, graduado em Teologia e Filosofia, Jornalismo e História, e com mestrado em Teologia pela Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma.
Um abraço desde Lisboa, augurando muito sucesso ao trabalho de Carlos d´Andréa (que pode usar à-vontade todos os materiais que publico aqui).
PAULO SÉRGIO NA DIRECÇÃO DE INFORMAÇÃO (DESPORTO) DA RDP
Desde ontem que Paulo Sérgio está a ocupar o lugar de subdirector de informação da RDP para a área do desporto. De 37 anos, ele vem da Sport TV, onde permaneceu durante sete anos, ultimamente como editor executivo (fonte: Diário de Notícias, 11 de Agosto de 2005).
Paulo Sérgio foi meu aluno este ano no mestrado de Ciências da Comunicação da Universidade Católica. Desejo-lhe muito boa sorte!
Desde ontem que Paulo Sérgio está a ocupar o lugar de subdirector de informação da RDP para a área do desporto. De 37 anos, ele vem da Sport TV, onde permaneceu durante sete anos, ultimamente como editor executivo (fonte: Diário de Notícias, 11 de Agosto de 2005).
Paulo Sérgio foi meu aluno este ano no mestrado de Ciências da Comunicação da Universidade Católica. Desejo-lhe muito boa sorte!
ATÉ ONDE VAI O JOSÉ?
José Mourinho é o português mais internacional do momento. Ele são títulos de futebol, ele são livros, ele são contratos publicitários.
Comecemos pelos contratos de publicidade. A 15 do mês passado, arrancava uma campanha do banco BPI com a cara do treinador de futebol, incluindo televisão, rádio, imprensa e exterior, investimento publicitário, a preço de tabela, de €880296 euros. Nos jornais, circulou a informação de que Mourinho ganharia entre €500 mil e €750 mil com a campanha Ganhe como eu.
Nos jornais de princípios de Agosto, dando conta da aquisição da Reebok pela Adidas, que tornariam esta um gigante mundial de equipamento desportivo a nível da Nike, vinha uma informação suplementar: Mourinho seria patrocinado pela marca, segundo a figura de embaixador. Estes embaixadores costumam receber muito dinheiro pela representação.
Viremo-nos agora para o mundo da edição. Havia um livro escrito por Luís Lourenço, que conheceu já uma edição em inglês: Jose Mourinho: Made in Portugal. Agora, saído em Junho e em capa dura, com o selo da Blake Publishing, surge All the Way Jose, de Harry Harris [retirei a imagem do sítio da Amazon], e anunciam-se Mourinho, the True Story: The Book Jose Mourinho Tried to Ban, de Joel Neto, editado pela First Stone Publishing (Setembro) e The Special One: The Wit and Wisdom of Jose Mourinho, de John Amhurst, da Virgin Books (Novembro). All the way Jose está, actualmente, em destaque nas livrarias londrinas, curiosamente ao lado de um livro de (ou sobre) outro treinador de futebol a ele ligado: Bobby Robson. Certamente não serão tudo obras dizendo bem do homem, frequentemente acusado de arrogante, mas se dele falam com esta insistência é sinal da sua importância.
José Mourinho é o português mais internacional do momento. Ele são títulos de futebol, ele são livros, ele são contratos publicitários.
Nos jornais de princípios de Agosto, dando conta da aquisição da Reebok pela Adidas, que tornariam esta um gigante mundial de equipamento desportivo a nível da Nike, vinha uma informação suplementar: Mourinho seria patrocinado pela marca, segundo a figura de embaixador. Estes embaixadores costumam receber muito dinheiro pela representação.
CARTAS AO DIRECTOR
Nem sempre é seguro escrever cartas ao director dos jornais. Se estes as publicam, pode haver resposta do jornalista, o que se torna, muito em geral, num pequeno pesadelo para o leitor. Explico melhor.
Recentemente, Adelino Gomes, do jornal Público, editou uma peça sobre Rui Grácio, antigo responsável da educação há 30 anos atrás. Este terá legislado no sentido de serem destruídos, pelo fogo, obras publicadas no regime anterior. Adelino Gomes soubera da história após um colóquio onde esteve presente a propósito do fim do regime de Salazar e Caetano e do começo do actual regime político. A peça tinha notável interesse - podendo dizer-se que se inserindo na pesquisa que ele está a fazer sobre os trinta anos do 25 de Abril de 1974 (aliás, julgo valer a pena a sua publicação em livro, para reunir peças de jornal que, habitualmente, se deitam fora). Gostei do modo como ele abordou o tema, inédito para mim e para muita gente.
Poucos dias depois, era publicada uma carta da família de Rui Grácio, entretanto falecido, acusando o jornalista de não ter contextualizado devidamente a história e não ter contactado a família. No conjunto, o texto de Adelino Gomes e a carta da família, apesar de contradições entendíveis, constituía um conjunto que se esgotava em si. Contudo, o Público fez sair uma nova peça do jornalista e o director do jornal escreveu um editorial sobre o assunto. Tal provocou uma nova resposta da família Grácio, que saíu na secção Cartas ao Director, com uma nota de apêndice de Adelino Gomes.
Desta polémica, pareceu-me positivo a inserção da primeira carta dos Grácio na secção Espaço Público, cujo destaque prova o apego ao civismo e à discussão de pontos de vista distintos por parte do jornal (muito visível quando são publicadas cartas de leitores protestando contra posições do director). Já me pareceu negativo, a reacção do director em editorial e a resposta do jornalista à segunda carta dos familiares do político.
O princípio e norma 95 do presente Livro de Estilo do Público (2005: 37), sobre cartas recebidas no jornal, é, a meu ver, ambíguo. Nele se diz que, o jornalista pode responder se "estiver em causa a verdade dos factos ou acusações à boa-fé do jornalista ou colaborador" (que me parece correcta na primeira resposta de Adelino Gomes). Contudo, o mesmo texto aconselha a que o jornalista evite responder às intervenções dos leitores, para não ficar com a ideia de que "dispõe de um poder discricionário que lhe assegura sistematicamente o direito à «última palavra»" (que me parece o caso do editorial do director e da nota do jornalista à segunda carta dos leitores).
Kulto e Portugal debaixo de fogo
Mas o que me parece mais grave foi a carta saída no dia 10 deste mês, onde a leitora Maria do Carmo Vieira, apresentada como professora do ensino secundário de Lisboa, não foi bem tratada. Na sua carta, ela insurgia-se contra a qualidade da revista Kulto, que acompanha o Público aos domingos. Para mim, ela não foi muito feliz quando escreveu sobre a "apologia da estupidificação" da parte da Kulto, mas sobra uma parte do seu texto, que me parece de uma grande ternura: "Que saudades de O Cavaleiro Andante, revista juvenil, vendida ao sábado, que nos preenchia as tardes, criando-nos e alimentando o gosto pela aventura, pela história, pela ciência, pela literatura e em que tinham lugar também as anedotas, os jogos, a correspondência e tantas outras coisas".
Infelizmente, este mundo parece ter terminado. Ponto final. O inusitado seria a forma como Luís P. Nunes, editor da Kulto, reagiu. Acho que foi arrogante ao escrever "Faz a senhora professora abundantes deduções livres sobre a Kulto [...] Está no seu direito. Contudo, a referida «apologia da estupidificação» não é barrete que nos sirva. [...] a escola, os programas e a qualidade do ensino que se lecciona em Portugal não é tema em que nós nos sintamos à vontade para discutir. Desse assunto saberá com maior conhecimento a senhora professora". Patente é a ideia da "última palavra" por parte do jornalista.
Ao invés desta situação, no Diário de Notícias ocorreu uma polémica sem reacção da sua autora. Joana Amaral Dias, numa coluna que mantém no jornal, acusaria de familiares de políticos de topo estarem a trabalhar na Portugal Telecom (em alguns dos casos, ela pode ter sido injusta). Num dia responde Marcelo Rebelo de Sousa, dizendo que ele aconselhara o filho a procurar emprego noutro sítio. A 11 de Agosto seria o filho de Jorge Sampaio, presidente da República, a escrever contra o artigo de Joana Amaral Dias, referindo, nomeadamente, as notas que tirou no secundário e na universidade, que lhe possibilitam entrada em qualquer local de trabalho. E responde à colunista com a afirmação que "tem um contrato a termo certo, o que me não confere sequer estatuto que permita adjectivar uma relação com o grupo [PT]".
A minha pergunta é: porque não respondeu Joana Amaral Dias? A resposta provável é que ela não é jornalista, logo não tem o peso corporativo dentro do jornal que lhe permita reagir como nos exemplos anteriores.
Nem sempre é seguro escrever cartas ao director dos jornais. Se estes as publicam, pode haver resposta do jornalista, o que se torna, muito em geral, num pequeno pesadelo para o leitor. Explico melhor.
Recentemente, Adelino Gomes, do jornal Público, editou uma peça sobre Rui Grácio, antigo responsável da educação há 30 anos atrás. Este terá legislado no sentido de serem destruídos, pelo fogo, obras publicadas no regime anterior. Adelino Gomes soubera da história após um colóquio onde esteve presente a propósito do fim do regime de Salazar e Caetano e do começo do actual regime político. A peça tinha notável interesse - podendo dizer-se que se inserindo na pesquisa que ele está a fazer sobre os trinta anos do 25 de Abril de 1974 (aliás, julgo valer a pena a sua publicação em livro, para reunir peças de jornal que, habitualmente, se deitam fora). Gostei do modo como ele abordou o tema, inédito para mim e para muita gente.
Poucos dias depois, era publicada uma carta da família de Rui Grácio, entretanto falecido, acusando o jornalista de não ter contextualizado devidamente a história e não ter contactado a família. No conjunto, o texto de Adelino Gomes e a carta da família, apesar de contradições entendíveis, constituía um conjunto que se esgotava em si. Contudo, o Público fez sair uma nova peça do jornalista e o director do jornal escreveu um editorial sobre o assunto. Tal provocou uma nova resposta da família Grácio, que saíu na secção Cartas ao Director, com uma nota de apêndice de Adelino Gomes.
Desta polémica, pareceu-me positivo a inserção da primeira carta dos Grácio na secção Espaço Público, cujo destaque prova o apego ao civismo e à discussão de pontos de vista distintos por parte do jornal (muito visível quando são publicadas cartas de leitores protestando contra posições do director). Já me pareceu negativo, a reacção do director em editorial e a resposta do jornalista à segunda carta dos familiares do político.
O princípio e norma 95 do presente Livro de Estilo do Público (2005: 37), sobre cartas recebidas no jornal, é, a meu ver, ambíguo. Nele se diz que, o jornalista pode responder se "estiver em causa a verdade dos factos ou acusações à boa-fé do jornalista ou colaborador" (que me parece correcta na primeira resposta de Adelino Gomes). Contudo, o mesmo texto aconselha a que o jornalista evite responder às intervenções dos leitores, para não ficar com a ideia de que "dispõe de um poder discricionário que lhe assegura sistematicamente o direito à «última palavra»" (que me parece o caso do editorial do director e da nota do jornalista à segunda carta dos leitores).
Mas o que me parece mais grave foi a carta saída no dia 10 deste mês, onde a leitora Maria do Carmo Vieira, apresentada como professora do ensino secundário de Lisboa, não foi bem tratada. Na sua carta, ela insurgia-se contra a qualidade da revista Kulto, que acompanha o Público aos domingos. Para mim, ela não foi muito feliz quando escreveu sobre a "apologia da estupidificação" da parte da Kulto, mas sobra uma parte do seu texto, que me parece de uma grande ternura: "Que saudades de O Cavaleiro Andante, revista juvenil, vendida ao sábado, que nos preenchia as tardes, criando-nos e alimentando o gosto pela aventura, pela história, pela ciência, pela literatura e em que tinham lugar também as anedotas, os jogos, a correspondência e tantas outras coisas".
Infelizmente, este mundo parece ter terminado. Ponto final. O inusitado seria a forma como Luís P. Nunes, editor da Kulto, reagiu. Acho que foi arrogante ao escrever "Faz a senhora professora abundantes deduções livres sobre a Kulto [...] Está no seu direito. Contudo, a referida «apologia da estupidificação» não é barrete que nos sirva. [...] a escola, os programas e a qualidade do ensino que se lecciona em Portugal não é tema em que nós nos sintamos à vontade para discutir. Desse assunto saberá com maior conhecimento a senhora professora". Patente é a ideia da "última palavra" por parte do jornalista.
A minha pergunta é: porque não respondeu Joana Amaral Dias? A resposta provável é que ela não é jornalista, logo não tem o peso corporativo dentro do jornal que lhe permita reagir como nos exemplos anteriores.
terça-feira, 16 de agosto de 2005
Foi já editado o AnuárioComunicação, do Obercom, respeitante a 2004-2005.
Trata-se de um importante documento de trabalho, abrangendo as áreas do audiovisual (televisão, cinema, áudio, rádio, multimedia, edição/distribuição vídeo e distribuição de consolas e videojogos), imprensa (nacional e regional), publicidade, sociedade da informação, telecomunicações e grupos de comunicação. Nos próximos dias, espero dar-lhe uma leitura substancial e fazer aqui algumas reflexões.
O Obercom é uma associação de direito privado sem fins lucrativos, a trabalhar na área da comunicação. Tem um sítio, OBERCOM, que aconselho a visitar.
MÚSICAS AMPLIFICADAS
Philippe Teillet, em texto publicado recentemente, aborda o conceito de músicas amplificadas (ou electro-amplificadas), onde sublinha o lugar importante da electrificação e da amplificação na estética das correntes musicais no meio de autor de rock, músicas electrónicas e do rap, assim como na vida dos músicos que se inscrevem nos diferentes géneros (Teillet, 2004: 155).
A expressão músicas amplificadas possibilita a evocação do campo da produção musical considerado como o mais específico para a juventude, em vez do termo rock, que, após ter sido dominante, está a perder progressivamente o seu carácter federador. Numa altura do ano em que festivais como o do Sudoeste e o de Paredes de Coura e concertos como o dos U2 em Portugal garantem(iram) grande sucesso, vale a pena procurar encaixar esse conceito na prática musical e no seu consumo.
O mesmo Teillet trabalha com o conceito de músicas actuais, o qual designa um campo de intervenção pública englobando, para além das músicas amplificadas, a canção, o jazz e as músicas tradicionais.
Leitura: Philippe Teillet (2004). "Publics et politiques des musiques actuelles". In Olivier Donnat e Paul Tolila (dir.) (2004). Le(s) public(s) de la culture. Paris: Presses de Sciences Po
Philippe Teillet, em texto publicado recentemente, aborda o conceito de músicas amplificadas (ou electro-amplificadas), onde sublinha o lugar importante da electrificação e da amplificação na estética das correntes musicais no meio de autor de rock, músicas electrónicas e do rap, assim como na vida dos músicos que se inscrevem nos diferentes géneros (Teillet, 2004: 155).
A expressão músicas amplificadas possibilita a evocação do campo da produção musical considerado como o mais específico para a juventude, em vez do termo rock, que, após ter sido dominante, está a perder progressivamente o seu carácter federador. Numa altura do ano em que festivais como o do Sudoeste e o de Paredes de Coura e concertos como o dos U2 em Portugal garantem(iram) grande sucesso, vale a pena procurar encaixar esse conceito na prática musical e no seu consumo.
O mesmo Teillet trabalha com o conceito de músicas actuais, o qual designa um campo de intervenção pública englobando, para além das músicas amplificadas, a canção, o jazz e as músicas tradicionais.
Leitura: Philippe Teillet (2004). "Publics et politiques des musiques actuelles". In Olivier Donnat e Paul Tolila (dir.) (2004). Le(s) public(s) de la culture. Paris: Presses de Sciences Po
PROMS E OUTROS ESPECTÁCULOS
Nunca assistira a um concerto dos Proms [Promenades] da BBC, em Londres.
Vi/ouvi, de Hector Berlioz, o Romeu e Julieta, uma sinfonia dramática a partir da peça de Shakespeare, cantada em francês. A sala, o Royal Albert Hall, tem uma forma circular, no meio da qual existe uma arena, espaço em que o público assiste de pé (a primeira vez que me apercebi da localização de um espaço central sem cadeiras num teatro foi ao ver o filme Cyrano de Bergerac, onde a história mais importante não era a representada no palco mas entre a multidão que assistia, entrava e saía, por vezes a comer).
No sítio onde eu estava, na primeira plateia, numa razoavelmente confortável cadeira que girava e permitia centrar de modo mais adequado a minha visão, ouvia bem a peça musical e observava a assistência.
Não vou tecer comentários ao espectáculo em si, mas ao descontraído ambiente cultural. Há o hábito de beber antes do espectáculo, seja uma água, um refrigerante, cerveja ou mesmo champanhe. Ou comer uma refeição. Mas não notei o final caloroso dos espectadores portugueses. A peça (maestro, cantores, orquestra e coro) foi muito ovacionada, mas o público permaneceu sempre sentado.
O catálogo do programa - com muita publicidade a suportá-lo financeiramente - faz a transposição total do texto. Canta a mezzo-soprano: "Premiers transports que nul n'oublie!/ Premiers aveux, premiers serments/ De deux amants,/ Sous les étoilles d'Italie".
Os outros dois espectáculos que assinalo a seguir são musicais, cantados na zona dos teatros do Soho (e Strand), quer um quer outro com uma longa carreira de representações e também passados recentemente ao cinema [aqui no blogue cheguei a comentar o Fantasma da Ópera].
Nestas salas de teatro (no teatro Adelphi, Chicago, de Fred Ebb, John Kander e Bob Fosse; no Her Majesty's Theatre, The phantom of the Opera, de Andrew Lloyd Webber, que, há 30 anos, compunha Jesus Cristo Superstar), há também o hábito de beber e comer antes e no intervalo. Neste, os espectadores trazem gelados e bebidas para dentro da sala. Atrás de nós, havia mesmo raparigas que bebiam vinho, o que provocava um cheiro menos habitual na nossa cultura de teatro. Num e noutro espectáculos, os cantores usam microfones (muito pequenos, quase sempre junto ao cabelo), o que permite amplificar muito o som das suas vozes. Tal fica dentro daquilo a que Philippe Teillet (2004, Publics et politiques des musiques actuelles) chama de músicas amplificadas [trabalharei este conceito em mensagem posterior].


A representação de The phantom of the Opera tem também muito recurso a tecnologias, quer visuais quer sonoras, o que o torna um espectáculo muito emocionante, melhor que no cinema, pois a acção decorre num espaço delimitado e não há um corte no tempo e no espaço tão visível como no filme [na última imagem, Rachel Barrell, que desempenha o papel de Christine Daaé, a jovem cantora conduzida e aprisionada pelo fantasma].
Observação: a Antena 2 tem dado uma excelente cobertura a estes concertos. No final da temporada dos Proms (finais de Agosto, começo de Setembro), haverá mesmo uma equipa da estação a acompanhar, directamente do teatro londrino, a transmissão desses concertos, como o fez aliás da Festa da Música (quer em Nantes quer em Lisboa/CCB).
Nunca assistira a um concerto dos Proms [Promenades] da BBC, em Londres.
No sítio onde eu estava, na primeira plateia, numa razoavelmente confortável cadeira que girava e permitia centrar de modo mais adequado a minha visão, ouvia bem a peça musical e observava a assistência.
O catálogo do programa - com muita publicidade a suportá-lo financeiramente - faz a transposição total do texto. Canta a mezzo-soprano: "Premiers transports que nul n'oublie!/ Premiers aveux, premiers serments/ De deux amants,/ Sous les étoilles d'Italie".
Nestas salas de teatro (no teatro Adelphi, Chicago, de Fred Ebb, John Kander e Bob Fosse; no Her Majesty's Theatre, The phantom of the Opera, de Andrew Lloyd Webber, que, há 30 anos, compunha Jesus Cristo Superstar), há também o hábito de beber e comer antes e no intervalo. Neste, os espectadores trazem gelados e bebidas para dentro da sala. Atrás de nós, havia mesmo raparigas que bebiam vinho, o que provocava um cheiro menos habitual na nossa cultura de teatro. Num e noutro espectáculos, os cantores usam microfones (muito pequenos, quase sempre junto ao cabelo), o que permite amplificar muito o som das suas vozes. Tal fica dentro daquilo a que Philippe Teillet (2004, Publics et politiques des musiques actuelles) chama de músicas amplificadas [trabalharei este conceito em mensagem posterior].
A representação de The phantom of the Opera tem também muito recurso a tecnologias, quer visuais quer sonoras, o que o torna um espectáculo muito emocionante, melhor que no cinema, pois a acção decorre num espaço delimitado e não há um corte no tempo e no espaço tão visível como no filme [na última imagem, Rachel Barrell, que desempenha o papel de Christine Daaé, a jovem cantora conduzida e aprisionada pelo fantasma].
Observação: a Antena 2 tem dado uma excelente cobertura a estes concertos. No final da temporada dos Proms (finais de Agosto, começo de Setembro), haverá mesmo uma equipa da estação a acompanhar, directamente do teatro londrino, a transmissão desses concertos, como o fez aliás da Festa da Música (quer em Nantes quer em Lisboa/CCB).
segunda-feira, 15 de agosto de 2005
AS RÁDIOS DA MEDIA CAPITAL
Lê-se no Diário de Notícias de 9 de Agosto passado (peça escrita por Paula Brito) que a Media Capital Rádio (MCR) quer aumentar o seu mercado de emissoras de rádio. Pela notícia, é-nos dito que o grupo detém quatro estações: Cidade FM, Comercial, Best Rock e Rádio Clube Português. Com destaque por cima da notícia, fica-se ainda a saber que a antiga Voxx (91,6 Mhz) servirá para emitir a Cidade FM.
A peça do Diário de Notícias salienta uma entrevista de António Craveiro, administrador do grupo, que "não descarta a hipótese de juntar ao seu porta-fólio uma rádio de notícias ou de informação desportiva". O mesmo quadro dirigente das rádios da MCR quer atingir a "liderança nos segmentos mais relevantes do mercado", que tem cabido ao grupo Renascença.
Recordo que escrevi aqui sobre o grupo Media Capital várias vezes, caso de 6 de Março do ano passado, quando se anunciava a compra da Voxx e da Luna, e de eu me ter manifestado que isso ia para além do permitido pela lei da rádio, que inibe um grupo de acumular mais de cinco estações (legislação que não me parece adequada mas é a que existe). Então, foi negada a compra da Voxx e da Luna pela Media Capital mas por Nobre Guedes, posteriormente ministro.
Na notícia de agora, nada nos é dito sobre a Romântica FM, que fazia parte do conjunto de estações da MCR. Terá desaparecido (fusão, aproveitamento da frequência para outra estação) e eu não dei conta? Como a aquisição de mais estações esbarraria ainda mais na lei, não percebo o discurso de António Craveiro.
Mas vale a pena continuar a ler o que diz o administrador da MCR: "queremos consistência em todo o «edifício» MCR para gerar confiança e para um pacto duradouro com os clientes, parceiros de negócios, rádios locais que integram as nossas cadeias, reguladores, com os nossos 200 colaboradores e com os accionistas". Duas questões: 1) a jornalista não percebeu que isto são palavras de newsletter (ou de relatório de contas), pelo que seria oportuno contextualizar a afirmação, enquadrada num espírito empresarial (que devemos louvar, mas não escrito assim num jornal pago); 2) além das estações acima mencionadas, a MCR dispõe de rádios locais, que não sabemos quais são.
Curioso é ver uma notícia publicada no mesmo jornal, no dia seguinte, e com o título BES revê em baixa receitas da Media Capital. Os analistas daquele banco estimam que o crescimento do grupo de media seja 6,3% face a 2004 e não 7,1%, como fora identificado anteriormente. O problema nem sequer se liga à televisão (TVI), mas exactamente à rádio (que descerá de 19,1% para 12,9%) [na entrevista, António Craveiro falava em 1,3 milhões de ouvintes, quando em 2003 eram 800 mil, um crescimento de 50% nas vendas (receitas publicitárias) e uma quota de mercado de 36%, quando há dois anos estava em 27%].
Será que a entrevista de António Craveiro foi dada na ocasião adequada? Os números que ele forneceu correspondem ao que os analistas do banco Espírito Santo estudaram? A rádio não será um problema no grupo de Paes do Amaral, agora que ele vendeu parte da TVI à Prisa (do jornal El Pais)?
Lê-se no Diário de Notícias de 9 de Agosto passado (peça escrita por Paula Brito) que a Media Capital Rádio (MCR) quer aumentar o seu mercado de emissoras de rádio. Pela notícia, é-nos dito que o grupo detém quatro estações: Cidade FM, Comercial, Best Rock e Rádio Clube Português. Com destaque por cima da notícia, fica-se ainda a saber que a antiga Voxx (91,6 Mhz) servirá para emitir a Cidade FM.
Recordo que escrevi aqui sobre o grupo Media Capital várias vezes, caso de 6 de Março do ano passado, quando se anunciava a compra da Voxx e da Luna, e de eu me ter manifestado que isso ia para além do permitido pela lei da rádio, que inibe um grupo de acumular mais de cinco estações (legislação que não me parece adequada mas é a que existe). Então, foi negada a compra da Voxx e da Luna pela Media Capital mas por Nobre Guedes, posteriormente ministro.
Na notícia de agora, nada nos é dito sobre a Romântica FM, que fazia parte do conjunto de estações da MCR. Terá desaparecido (fusão, aproveitamento da frequência para outra estação) e eu não dei conta? Como a aquisição de mais estações esbarraria ainda mais na lei, não percebo o discurso de António Craveiro.
Mas vale a pena continuar a ler o que diz o administrador da MCR: "queremos consistência em todo o «edifício» MCR para gerar confiança e para um pacto duradouro com os clientes, parceiros de negócios, rádios locais que integram as nossas cadeias, reguladores, com os nossos 200 colaboradores e com os accionistas". Duas questões: 1) a jornalista não percebeu que isto são palavras de newsletter (ou de relatório de contas), pelo que seria oportuno contextualizar a afirmação, enquadrada num espírito empresarial (que devemos louvar, mas não escrito assim num jornal pago); 2) além das estações acima mencionadas, a MCR dispõe de rádios locais, que não sabemos quais são.
Curioso é ver uma notícia publicada no mesmo jornal, no dia seguinte, e com o título BES revê em baixa receitas da Media Capital. Os analistas daquele banco estimam que o crescimento do grupo de media seja 6,3% face a 2004 e não 7,1%, como fora identificado anteriormente. O problema nem sequer se liga à televisão (TVI), mas exactamente à rádio (que descerá de 19,1% para 12,9%) [na entrevista, António Craveiro falava em 1,3 milhões de ouvintes, quando em 2003 eram 800 mil, um crescimento de 50% nas vendas (receitas publicitárias) e uma quota de mercado de 36%, quando há dois anos estava em 27%].
Será que a entrevista de António Craveiro foi dada na ocasião adequada? Os números que ele forneceu correspondem ao que os analistas do banco Espírito Santo estudaram? A rádio não será um problema no grupo de Paes do Amaral, agora que ele vendeu parte da TVI à Prisa (do jornal El Pais)?
SOLAR DOS CONDES DE ANADIA
Por falar em Paes do Amaral, vale a pena referir o Palácio Anadia/Solar dos Paes do Amaral, em Mangualde. Trata-se de um magnífico edifício do século XVIII e que pertence ao patrão da Media Capital.



A entrada é cara (€5) mas vale a pena. Entre outras belezas, tem uma capela (com quarto para o padre), uma arrecadação onde se vê magnífico vestuário do século XVIII e algum de finais do século XIX (é pena estar num local menos importante do solar), uma sala do mundo às avessas (azulejaria da escola de Coimbra com imagens ao contrário da realidade: homem a transportar pesados fardos conduzido pelo burro, peixes a voarem). A coroa de tudo é ainda a azulejaria da escadaria de acesso ao primeiro andar [ver imagem em cima, extraída do roteiro Passeios pelas Beiras, da Região de Turismo Dão Lafões]. Mas há ainda destaque para os óleos representando antepassados do actual conde de Anadia, Paes do Amaral (e algumas fotografias deste com a família, colocadas numa das salas) [observação: o blogueiro fotografado junto à fachada principal do solar].
Por falar em Paes do Amaral, vale a pena referir o Palácio Anadia/Solar dos Paes do Amaral, em Mangualde. Trata-se de um magnífico edifício do século XVIII e que pertence ao patrão da Media Capital.
A entrada é cara (€5) mas vale a pena. Entre outras belezas, tem uma capela (com quarto para o padre), uma arrecadação onde se vê magnífico vestuário do século XVIII e algum de finais do século XIX (é pena estar num local menos importante do solar), uma sala do mundo às avessas (azulejaria da escola de Coimbra com imagens ao contrário da realidade: homem a transportar pesados fardos conduzido pelo burro, peixes a voarem). A coroa de tudo é ainda a azulejaria da escadaria de acesso ao primeiro andar [ver imagem em cima, extraída do roteiro Passeios pelas Beiras, da Região de Turismo Dão Lafões]. Mas há ainda destaque para os óleos representando antepassados do actual conde de Anadia, Paes do Amaral (e algumas fotografias deste com a família, colocadas numa das salas) [observação: o blogueiro fotografado junto à fachada principal do solar].
CARMEN MIRANDA CINQUENTA ANOS DEPOIS
Com apenas 46 anos, falecia Carmen Miranda, cantora que recorria à exuberância e ao colorido. Ela nascera em Portugal (Marco de Canaveses) em 1909, mas foi em bebé para o Brasil, país onde começou e teve uma brilhante carreira [imagens seguintes retiradas respectivamente dos sítios BrightLightsFilms e Carmen Miranda].


O mito de Miranda começou com a rádio, como recorda Carlos Galilea, do El Pais de 7 de Agosto último. O seu primeiro êxito foi Taí, que venderia 30 mil exemplares em 1930, um record para a época. O empresário norte-americano Lee Shubert contratou-a e em Maio de 1939 surge na Broadway (Nova Iorque), em Streets of Paris, espectáculo que permanecerá um ano em palco. Ela cantaria South e American Way e a sua fotografia apareceria em revistas como Life, Vogue e Esquire.
Para além de cantar e de actuar em palco, ela fez cinema. A primeira película, num total de catorze, foi Down Argentina way (Serenata tropical). Weekend in Havana e That night in Rio foram outros êxitos. Em 1946, era a artista mais bem paga dos Estados Unidos, sendo modelo para as drag queens, com a comunidade homossexual a adorá-la. A sua forma de vestir fez com que artistas como Mickey Rooney ou Jerry Lewis se travestissem de Miranda.
Turbantes, sapatos e fotografias de Miranda seriam levados para um pequeno museu sobre a artista no Rio de Janeiro, em 1976. O Brasil sempre se dividiu entre apoiar Miranda e criticá-la, pois ela era uma compatriota que triunfara nos Estados Unidos mas, ao mesmo tempo, representava um esterótipo do país. No próximo mês de Setembro, a Sony/BMG publicará a caixa Magia tropical de Carmen Miranda, enquanto se espera uma biografia de Ruy Castro.
Com apenas 46 anos, falecia Carmen Miranda, cantora que recorria à exuberância e ao colorido. Ela nascera em Portugal (Marco de Canaveses) em 1909, mas foi em bebé para o Brasil, país onde começou e teve uma brilhante carreira [imagens seguintes retiradas respectivamente dos sítios BrightLightsFilms e Carmen Miranda].
O mito de Miranda começou com a rádio, como recorda Carlos Galilea, do El Pais de 7 de Agosto último. O seu primeiro êxito foi Taí, que venderia 30 mil exemplares em 1930, um record para a época. O empresário norte-americano Lee Shubert contratou-a e em Maio de 1939 surge na Broadway (Nova Iorque), em Streets of Paris, espectáculo que permanecerá um ano em palco. Ela cantaria South e American Way e a sua fotografia apareceria em revistas como Life, Vogue e Esquire.
Turbantes, sapatos e fotografias de Miranda seriam levados para um pequeno museu sobre a artista no Rio de Janeiro, em 1976. O Brasil sempre se dividiu entre apoiar Miranda e criticá-la, pois ela era uma compatriota que triunfara nos Estados Unidos mas, ao mesmo tempo, representava um esterótipo do país. No próximo mês de Setembro, a Sony/BMG publicará a caixa Magia tropical de Carmen Miranda, enquanto se espera uma biografia de Ruy Castro.
DONAS DE CASA
A mulher dona de casa, de Maria Lúcia, é um livro publicado pelas Edições Universo, colecção que começara com o título O corte sem mestre, de Lília da Fonseca.
O volume tem a data de 1943, estava-se em plena Segunda Guerra Mundial e em altura de afirmação do Estado Novo como regime em Portugal, quando havia uma grande escassez de bens. Isto explica muitos dos problemas e das sugestões apresentadas pela autora, que se assinava apenas como Maria Lúcia, ela que colaborara longos anos na revista Modas & Bordados. Anteriormente a A mulher dona de casa, Maria Lúcia Namorado [1909-2000] editara um volume de novelas: Negro e cor de rosa (1937). Entretanto, dirigia a revista Os nossos filhos (1942). Alguns outros títulos dela: Joaninha quer casar : conselhos às raparigas (1944), O sonho do Infante (peça infantil) (1960), Breves considerações sobre o valor pedagógico e social dos Jardins-Escolas João de Deus (1961), A história do pintainho amarelo, com ilustrações de Maria Keil (1966).
É interessante percorrer o índice do livro, dividido em duas partes: a mulher no lar, para mim a metade mais interessante, e como se trabalha (no lar). Há imensos conselhos, a ler no contexto da época, como a higiene, os horários e os métodos, a ordem no lar, a economia, as criadas, as visitas, a elegância e a atmosfera familiar. Volume que trata da economia doméstica, a que não falta um toque de cultura, como o capítulo "organização de uma pequena biblioteca" (quatro páginas), adverte logo no começo: "Ainda hoje se julga vulgarmente que só a mulher pobre e inculta deve dedicar-se a trabalhos domésticos, e que, mesmo o governo da casa, é fardo pesado que convém alijar à medida que se sobe na escala social" (p. 8). Curiosamente, não há nenhum capítulo que a autora dedique a crianças, talvez porque isso fizesse parte do seu quotidiano intelectual, como responsável por uma revista a elas dedicada.


Numa época de implantação de estruturas paramilitares que se tornavam, entre outras dimensões, um suporte visual da ideologia, o livro de Maria Lúcia não reflecte essa atmosfera pesada. Apenas um sinal, no capítulo A atmosfera familiar: "Ao entrarmos nela [a casa] devemos sentir que ficou, lá fora, a Vida com as suas ciladas, a humanidade com as suas maldades e os seus enigmas; e que encontramos, cá dentro, a ternura, a compreensão, o sossego, as compensações, a nossa vida, com as suas alegrias e as suas dores também" (p. 91). Um pouco mais à frente, lê-se: "Lá fora há invejas, intrigas, injustiças, guerra".
Dos conselhos, retenho um, o da lavagem da roupa, feita à mão ou através de uma barrela. Para Maria Lúcia, "Quem vive no campo, tem ao seu alcance a maneira melhor e mais económica de lavar a roupa branca: ensaboá-la e estendê-la na relva, palha ou areia, a córar, ao Sol" (p. 159). Há, na minha mais longínqua memória, imagens deste teor. Sim, porque nesse tempo, só as "senhoras ricas [tinham] ao seu dispor lavadouros, frigoríficos, máquinas diversas, mil utensílios mais ou menos práticos [...]. Mas esses aparelhos ficam muito caros" (p. 102). Também o fogão eléctrico estava "na categoria das coisas inacessíveis" (p. 103).
Poupança económica, regras e protocolos com a vizinhança e com os amigos ou conselhos para comprar ou reutilizar bens domésticos constituem elementos fulcrais desse manual, em que há momentos que nos parecem mais ingénuos ou simplificados (como os desenhos de Maria da Luz, na capa - uma mulher a embalar a casa como se fosse um filho -, e no interior). A que não falta uma alusão a uma das indústrias culturais em crescimento nesse período, a TSF, isto é, a rádio. Para a autora, a música, a par das flores e dos livros, contribuem para a alegria do lar: "Em volta de um piano, dum violino, duma grafonola, ou dum aparelho de TSF, toda a família passa agradavelmente horas e horas, sem dar por isso" (p. 94). Mas Maria Lúcia Namorado critica quem abusa da música, "quem abra, o mais possível todos os registos do receptor [aumente o volume de som até ao máximo], e o mantenha a funcionar desde manhã até alta noite", que ela desaconselha (p. 95).
[agradecimentos a Isabel Ribas, por me ter dado a conhecer o livro e a autora]
A mulher dona de casa, de Maria Lúcia, é um livro publicado pelas Edições Universo, colecção que começara com o título O corte sem mestre, de Lília da Fonseca.
É interessante percorrer o índice do livro, dividido em duas partes: a mulher no lar, para mim a metade mais interessante, e como se trabalha (no lar). Há imensos conselhos, a ler no contexto da época, como a higiene, os horários e os métodos, a ordem no lar, a economia, as criadas, as visitas, a elegância e a atmosfera familiar. Volume que trata da economia doméstica, a que não falta um toque de cultura, como o capítulo "organização de uma pequena biblioteca" (quatro páginas), adverte logo no começo: "Ainda hoje se julga vulgarmente que só a mulher pobre e inculta deve dedicar-se a trabalhos domésticos, e que, mesmo o governo da casa, é fardo pesado que convém alijar à medida que se sobe na escala social" (p. 8). Curiosamente, não há nenhum capítulo que a autora dedique a crianças, talvez porque isso fizesse parte do seu quotidiano intelectual, como responsável por uma revista a elas dedicada.
Numa época de implantação de estruturas paramilitares que se tornavam, entre outras dimensões, um suporte visual da ideologia, o livro de Maria Lúcia não reflecte essa atmosfera pesada. Apenas um sinal, no capítulo A atmosfera familiar: "Ao entrarmos nela [a casa] devemos sentir que ficou, lá fora, a Vida com as suas ciladas, a humanidade com as suas maldades e os seus enigmas; e que encontramos, cá dentro, a ternura, a compreensão, o sossego, as compensações, a nossa vida, com as suas alegrias e as suas dores também" (p. 91). Um pouco mais à frente, lê-se: "Lá fora há invejas, intrigas, injustiças, guerra".
Dos conselhos, retenho um, o da lavagem da roupa, feita à mão ou através de uma barrela. Para Maria Lúcia, "Quem vive no campo, tem ao seu alcance a maneira melhor e mais económica de lavar a roupa branca: ensaboá-la e estendê-la na relva, palha ou areia, a córar, ao Sol" (p. 159). Há, na minha mais longínqua memória, imagens deste teor. Sim, porque nesse tempo, só as "senhoras ricas [tinham] ao seu dispor lavadouros, frigoríficos, máquinas diversas, mil utensílios mais ou menos práticos [...]. Mas esses aparelhos ficam muito caros" (p. 102). Também o fogão eléctrico estava "na categoria das coisas inacessíveis" (p. 103).
Poupança económica, regras e protocolos com a vizinhança e com os amigos ou conselhos para comprar ou reutilizar bens domésticos constituem elementos fulcrais desse manual, em que há momentos que nos parecem mais ingénuos ou simplificados (como os desenhos de Maria da Luz, na capa - uma mulher a embalar a casa como se fosse um filho -, e no interior). A que não falta uma alusão a uma das indústrias culturais em crescimento nesse período, a TSF, isto é, a rádio. Para a autora, a música, a par das flores e dos livros, contribuem para a alegria do lar: "Em volta de um piano, dum violino, duma grafonola, ou dum aparelho de TSF, toda a família passa agradavelmente horas e horas, sem dar por isso" (p. 94). Mas Maria Lúcia Namorado critica quem abusa da música, "quem abra, o mais possível todos os registos do receptor [aumente o volume de som até ao máximo], e o mantenha a funcionar desde manhã até alta noite", que ela desaconselha (p. 95).
[agradecimentos a Isabel Ribas, por me ter dado a conhecer o livro e a autora]
domingo, 14 de agosto de 2005
FRIDA KAHLO
Frida Kahlo (1907-1954) morreu há 51 anos, deixando cerca de 200 imagens, as principais das quais agora numa excelente exposição na Tate Modern (Londres). Ainda não se sabe tudo dela, mas o suficiente para nos deixarmos impressionar por uma mulher que desafiou as fronteiras, sendo ela própria oriunda de uma mescla de raças e vivendo num mundo pós-colonial.


Nascida no México, tendo sido casada com Diego Rivera (mais velho 20 anos que ela), conviveu com a revolução mexicana (e pintado Pancho Villa) e Leon Trotsky. Embora pintora autodidacta, ela tinha um elevado conhecimento da história da arte e foi incentivada por Rivera. No seu trabalho, são visíveis influências das vanguardas europeias, como cubismo, futurismo e a Neue Sachlichkeit. Mas também pintou dentro da tradição católica dos ex-votos. Sem querer ser injusto com o que se pode ver, as obras que mais me impressionaram foram As duas Fridas (1939), Autoretrato com um macaco (1938) - que ilustra a capa do catálogo -, Natureza morta com papagaio e bandeira (1951) e Moisés (1945).
Aberta em Maio de 2000, a Tate Modern é já um local de grande importância em termos de indústrias criativas no contexto mundial. O seu director, Vicente Todolí, foi anteriormente director do Museu de Serralves (Porto).
O catálogo custa £20 (cerca de €35) e tem 232 páginas. A não perder. Se não fossem os direitos de autor, copiava para aqui algumas das belíssimas imagens de Frida.
Nascida no México, tendo sido casada com Diego Rivera (mais velho 20 anos que ela), conviveu com a revolução mexicana (e pintado Pancho Villa) e Leon Trotsky. Embora pintora autodidacta, ela tinha um elevado conhecimento da história da arte e foi incentivada por Rivera. No seu trabalho, são visíveis influências das vanguardas europeias, como cubismo, futurismo e a Neue Sachlichkeit. Mas também pintou dentro da tradição católica dos ex-votos. Sem querer ser injusto com o que se pode ver, as obras que mais me impressionaram foram As duas Fridas (1939), Autoretrato com um macaco (1938) - que ilustra a capa do catálogo -, Natureza morta com papagaio e bandeira (1951) e Moisés (1945).
Aberta em Maio de 2000, a Tate Modern é já um local de grande importância em termos de indústrias criativas no contexto mundial. O seu director, Vicente Todolí, foi anteriormente director do Museu de Serralves (Porto).
O catálogo custa £20 (cerca de €35) e tem 232 páginas. A não perder. Se não fossem os direitos de autor, copiava para aqui algumas das belíssimas imagens de Frida.
domingo, 24 de julho de 2005
AUDIÊNCIAS BAIXAS ACONSELHAM FÉRIAS
As audiências do blogue andam muito baixas. Isto aconselha o blogueiro a meter férias para descansar e encontrar temas que atraiam os(as) leitores(as). Assim, nas próximas três semanas, o blogueiro estará poucos dias em Lisboa e procurará outras paragens, da praia à montanha e à descoberta urbana (mix difícil de conseguir), quase sempre para nordeste, a beber ou não as marcas assinaladas nos mupis. Ou apenas uma cerveja acompanhada por um prato de caracóis, ali no bar da esquina. Mas sem voltar a ver passar um qualquer porta-aviões.





A TODOS, UM GRANDE DESEJO DE BOAS FÉRIAS!
As audiências do blogue andam muito baixas. Isto aconselha o blogueiro a meter férias para descansar e encontrar temas que atraiam os(as) leitores(as). Assim, nas próximas três semanas, o blogueiro estará poucos dias em Lisboa e procurará outras paragens, da praia à montanha e à descoberta urbana (mix difícil de conseguir), quase sempre para nordeste, a beber ou não as marcas assinaladas nos mupis. Ou apenas uma cerveja acompanhada por um prato de caracóis, ali no bar da esquina. Mas sem voltar a ver passar um qualquer porta-aviões.
A TODOS, UM GRANDE DESEJO DE BOAS FÉRIAS!
MORTE DE BLOGUES
O Verão é a estação do ano em que morrem mais blogues. Penso que seja do calor e da falta de férias oxigenadas. No obituário, registam-se os seguintes desaparecimentos este mês: Quartzo, Feldspato & Mica e Este blog termina aqui.
O Verão é a estação do ano em que morrem mais blogues. Penso que seja do calor e da falta de férias oxigenadas. No obituário, registam-se os seguintes desaparecimentos este mês: Quartzo, Feldspato & Mica e Este blog termina aqui.
sábado, 23 de julho de 2005
A SUBTILEZA DAS NOTÍCIAS
Ontem, dava conta da notícia sobre audiências de jornais publicada no Diário de Notícias e expressava um comentário sobre ausência de idêntica informação no Público. Hoje, ela aparece neste último, mas com muito menor destaque. Devo escrever já que as subtilezas nas peças dos dois jornais não são boas para os leitores, pois estes são tomados por tontos.
O primeiro parágrafo da peça de ontem do Diário de Notícias dizia: "O DN recuperou no segundo trimestre do ano 25 mil leitores, no segmento dos diários generalistas em que todos subiram, à excepção do jornal Público". No quarto parágrafo da mesma peça, lê-se: "Relativamente ao primeiro trimestre do ano, o DN também subiu, concretamente de uma audiência de 3,4% para 4,2%. O Público também cresceu, de forma ligeira, de 5% para 5,3% entre trimestres". Comentário 1: é preciso ler com atenção - no primeiro parágrafo, comparava-se o segundo trimestre do ano com o período homólogo do ano anterior; no segundo parágrafo, comparava-se o segundo com o primeiro trimestre. Comentário 2: a posição do Público é melhor que a do Diário de Notícias no segundo trimestre, pois o nível de audiência é maior, apesar do aumento ser mais reduzido. A jornalista Paula Brito podia ser mais cuidadosa: é que se retém mais facilmente o primeiro parágrafo que o quarto.
Como eu imaginara, o Público coloca a informação hoje, numa notícia a uma coluna e 28 linhas. Retenho a penúltima frase do texto não assinado: "O PÚBLICO passou de 5,0 para 5,3 no trimestre - quase ao nível do seu melhor de sempre, 5,4 há um ano -, o Diário de Notícias atingiu os 4,2 (estava em 3,4) e o 24 Horas os 3,5 (tinha 3,3)". Comentário 1: não há qualquer comparação com o período homólogo do ano passado, penalizador para o jornal. Comentário 2: à "bicada" de ontem do Diário de Notícias, que destaca logo pela excepção o comportamento em termos de audiência do jornal concorrente, a notícia do Público faz uma espécie de ranking em que se vê a distância que existe entre ele e os jornais da Lusomundo (agora Controlinveste). E esta "bicada" de resposta é acentuada mais acima na curta notícia do Público quando se lê: "Os números de circulação apontam, porém, para o Correio da Manhã 119.243 exemplares e 98.197 para o JN" [o JN faz parte do grupo do Diário de Notícias].
Ambas as notícias ostentam uma verdade parcial mas não são totalmente isentas na sua análise. Sei que os jornais e os media em geral se dão mal com notícias sobre si próprios. Mas não posso deixar de perguntar: se é assim com os negócios domésticos, podemos aceitar a credibilidade e distanciamento objectivo no tratamento das notícias em geral?
Ontem, dava conta da notícia sobre audiências de jornais publicada no Diário de Notícias e expressava um comentário sobre ausência de idêntica informação no Público. Hoje, ela aparece neste último, mas com muito menor destaque. Devo escrever já que as subtilezas nas peças dos dois jornais não são boas para os leitores, pois estes são tomados por tontos.
O primeiro parágrafo da peça de ontem do Diário de Notícias dizia: "O DN recuperou no segundo trimestre do ano 25 mil leitores, no segmento dos diários generalistas em que todos subiram, à excepção do jornal Público". No quarto parágrafo da mesma peça, lê-se: "Relativamente ao primeiro trimestre do ano, o DN também subiu, concretamente de uma audiência de 3,4% para 4,2%. O Público também cresceu, de forma ligeira, de 5% para 5,3% entre trimestres". Comentário 1: é preciso ler com atenção - no primeiro parágrafo, comparava-se o segundo trimestre do ano com o período homólogo do ano anterior; no segundo parágrafo, comparava-se o segundo com o primeiro trimestre. Comentário 2: a posição do Público é melhor que a do Diário de Notícias no segundo trimestre, pois o nível de audiência é maior, apesar do aumento ser mais reduzido. A jornalista Paula Brito podia ser mais cuidadosa: é que se retém mais facilmente o primeiro parágrafo que o quarto.
Como eu imaginara, o Público coloca a informação hoje, numa notícia a uma coluna e 28 linhas. Retenho a penúltima frase do texto não assinado: "O PÚBLICO passou de 5,0 para 5,3 no trimestre - quase ao nível do seu melhor de sempre, 5,4 há um ano -, o Diário de Notícias atingiu os 4,2 (estava em 3,4) e o 24 Horas os 3,5 (tinha 3,3)". Comentário 1: não há qualquer comparação com o período homólogo do ano passado, penalizador para o jornal. Comentário 2: à "bicada" de ontem do Diário de Notícias, que destaca logo pela excepção o comportamento em termos de audiência do jornal concorrente, a notícia do Público faz uma espécie de ranking em que se vê a distância que existe entre ele e os jornais da Lusomundo (agora Controlinveste). E esta "bicada" de resposta é acentuada mais acima na curta notícia do Público quando se lê: "Os números de circulação apontam, porém, para o Correio da Manhã 119.243 exemplares e 98.197 para o JN" [o JN faz parte do grupo do Diário de Notícias].
Ambas as notícias ostentam uma verdade parcial mas não são totalmente isentas na sua análise. Sei que os jornais e os media em geral se dão mal com notícias sobre si próprios. Mas não posso deixar de perguntar: se é assim com os negócios domésticos, podemos aceitar a credibilidade e distanciamento objectivo no tratamento das notícias em geral?
sexta-feira, 22 de julho de 2005
REGULADOR BRASILEIRO FECHA 1199 ESTAÇÕES DE RÁDIO ILEGAIS
Segundo escreve hoje o blogue Media Network Weblog, a Agência Nacional de Telecomunicações do Brasil (Anatel) tem prosseguido a política de encerrar estações de rádio ilegais. Este ano já fechou 1199, o que dá uma média de quase 200 por mês. Em 2004, haviam sido fechadas 1807. A Anatel estima haver quase 4500 estações piratas em todo o país. Edilson Ribeiro dos Santos, um responsável da Anatel, entende que as rádios ilegais interferem nas frequências das estações legais e das comunicações aéreas.
A notícia não contextualiza o fenómeno das rádios ilegais no Brasil. Alguém sabe quais as razões de uma tão grande quantidade de estações não legais? Trata-se de um fenómeno de rádios comunitárias sem recursos financeiros? Ou são experiências de grupos de jovens? Surgem rádios criativas com sons, programas e uma atenção à realidade social distintos das rádios já instaladas?
Segundo escreve hoje o blogue Media Network Weblog, a Agência Nacional de Telecomunicações do Brasil (Anatel) tem prosseguido a política de encerrar estações de rádio ilegais. Este ano já fechou 1199, o que dá uma média de quase 200 por mês. Em 2004, haviam sido fechadas 1807. A Anatel estima haver quase 4500 estações piratas em todo o país. Edilson Ribeiro dos Santos, um responsável da Anatel, entende que as rádios ilegais interferem nas frequências das estações legais e das comunicações aéreas.
A notícia não contextualiza o fenómeno das rádios ilegais no Brasil. Alguém sabe quais as razões de uma tão grande quantidade de estações não legais? Trata-se de um fenómeno de rádios comunitárias sem recursos financeiros? Ou são experiências de grupos de jovens? Surgem rádios criativas com sons, programas e uma atenção à realidade social distintos das rádios já instaladas?
LUGAR AO SUL
Já aqui referi o programa Lugar ao sul, da Antena 1. Ouvia-o regularmente, numa altura em que Judite Lima tinha o seu programa na Antena 2, Jardim da música, também nas manhãs do fim-de-semana. Ora sintonizava um ora outro, num enorme prazer de escuta.
O programa de Rafael Correia mudou para um horário mais madrugador, o que me inibe de o ouvir. Álvaro José Ferreira é um dos que defendem o regresso do programa à grelha anterior. Hoje, deixou-me um conjunto de textos provando a qualidade do programa. Eu seleccionei um deles, fazendo um corte para tornar a mensagem mais leve. Trata-se de um texto de Manuel Pinto, professor da Universidade do Minho, lido na Rádio Universitária do Minho (15 de Abril de 2002) e publicado no Diário do Minho:
"O nome de Rafael Correia não dirá provavelmente muito a um bom número de leitores. Se lhe disser que ele é o autor de um programa que dá pelo nome de Lugar ao Sul, que resiste há mais de vinte anos na grelha da Antena Um da RDP, não sei se esse nome lhe dirá mais qualquer coisa. Para mim, é esse programa que há muito pontua e pontifica em parte das minhas manhãs de sábado.
"A rádio continua a ser um meio de comunicação fascinante. Tem, apesar de tudo, conseguido resistir com imaginação às mudanças vertiginosas do panorama mediático. O transístor e a miniaturização deram-lhe flexibilidade e levaram-na aos lugares mais inesperados do planeta. Adaptou-se a novas formas de vida e está, agora, a entrar em cheio na era digital. Tenho, contudo, para mim que aquilo que faz o sucesso da rádio é a interioridade que alimenta e promove.
"A história ensina que um novo meio de comunicação não elimina o mais antigo, antes conquista e desenha o seu espaço e o seu modo próprio de existir, reconfigurando o conjunto com novas combinações e características. Ora, num universo cultural alicerçado no que é visível e na exterioridade e, portanto, no sentido da visão, o meio rádio permite ao ouvinte a criação de um mundo de ideias, sentimentos e imagens muito particulares, tendo por base o som (música, palavra, ruído) e o silêncio.
"E é assim que eu, sem nunca ter visto Rafael Correia, me sinto quase um seu amigo de longa data, imaginando a sua figura e o seu deambular semanal pelas terras do sul de Portugal [...]".
O meu apelo é que se passe a ouvir o programa a uma hora menos madrugadora, em favor da cultura portuguesa em geral e alentejana em particular!
Já aqui referi o programa Lugar ao sul, da Antena 1. Ouvia-o regularmente, numa altura em que Judite Lima tinha o seu programa na Antena 2, Jardim da música, também nas manhãs do fim-de-semana. Ora sintonizava um ora outro, num enorme prazer de escuta.
O programa de Rafael Correia mudou para um horário mais madrugador, o que me inibe de o ouvir. Álvaro José Ferreira é um dos que defendem o regresso do programa à grelha anterior. Hoje, deixou-me um conjunto de textos provando a qualidade do programa. Eu seleccionei um deles, fazendo um corte para tornar a mensagem mais leve. Trata-se de um texto de Manuel Pinto, professor da Universidade do Minho, lido na Rádio Universitária do Minho (15 de Abril de 2002) e publicado no Diário do Minho:
"O nome de Rafael Correia não dirá provavelmente muito a um bom número de leitores. Se lhe disser que ele é o autor de um programa que dá pelo nome de Lugar ao Sul, que resiste há mais de vinte anos na grelha da Antena Um da RDP, não sei se esse nome lhe dirá mais qualquer coisa. Para mim, é esse programa que há muito pontua e pontifica em parte das minhas manhãs de sábado.
"A rádio continua a ser um meio de comunicação fascinante. Tem, apesar de tudo, conseguido resistir com imaginação às mudanças vertiginosas do panorama mediático. O transístor e a miniaturização deram-lhe flexibilidade e levaram-na aos lugares mais inesperados do planeta. Adaptou-se a novas formas de vida e está, agora, a entrar em cheio na era digital. Tenho, contudo, para mim que aquilo que faz o sucesso da rádio é a interioridade que alimenta e promove.
"A história ensina que um novo meio de comunicação não elimina o mais antigo, antes conquista e desenha o seu espaço e o seu modo próprio de existir, reconfigurando o conjunto com novas combinações e características. Ora, num universo cultural alicerçado no que é visível e na exterioridade e, portanto, no sentido da visão, o meio rádio permite ao ouvinte a criação de um mundo de ideias, sentimentos e imagens muito particulares, tendo por base o som (música, palavra, ruído) e o silêncio.
"E é assim que eu, sem nunca ter visto Rafael Correia, me sinto quase um seu amigo de longa data, imaginando a sua figura e o seu deambular semanal pelas terras do sul de Portugal [...]".
O meu apelo é que se passe a ouvir o programa a uma hora menos madrugadora, em favor da cultura portuguesa em geral e alentejana em particular!
CARRINHOS DE COMPRAS NOS MEDIA
O mês de Julho está a ser promissor quanto a notícias em termos de vendas nos media. Confirmada a compra do grupo Lusomundo pela Controlinveste, de Joaquim Oliveira, o destaque vai agora para a compra de parte da Media Capital pelo grupo espanhol Prisa.
Sobre a Lusomundo, o Público é mais sucinto, com texto escrito por jornalistas da economia (conquanto na página dos media). O recorte da peça é feito a partir de comunicado da PT, ainda detentora dos media da Lusomundo, ontem à noite. Já o Diário de Notícias, um dos meios mais importantes da Lusomundo, dá um destaque acrescido. Comum aos dois jornais é a ênfase na deliberação da Autoridade da Concorrência, onde a questão de aquisição se decidiu: "tal operação não é susceptível de criar ou reforçar uma posição dominante da qual possam vir a resultar entraves significativos à concorrência no mercado relevante em causa". O processo de venda começou em 14 de Janeiro deste ano, há seis meses, portanto. Durante este período, falou-se da necessidade do novo comprador se desfazer do jornal desportivo O Jogo e não comprar o Jornal de Notícias. Também se referiu a vontade do grupo espanhol Prisa entrar na compra deste último jornal.
Apesar de ainda haver um período de dez dias de pronúncia por parte dos interessados perdedores (em que se inclui a Prisa), o negócio parece encerrado. Assim, Joaquim Oliveira, da Controlinveste, para além da posse anterior de O Jogo e de 50% do canal por cabo Sport TV, passa a ter no seu portfólio os seguintes media escritos: jornais diários e semanários como Diário de Notícias, Jornal de Notícias, 24 Horas, Tal & Qual, Ocasião, Diário de Notícias da Madeira, Açoriano Oriental, Jornal do Fundão, revistas como a National Geographic, Notícias Magazine e Grande Reportagem, rádio TSF e posições nas gráficas Naveprinter e Funchalense e nas distribuidoras Notícias Direct e Vasp.
As últimas sobre a Media Capital
Mas o que alimenta a curiosidade hoje é a Prisa (que edita o El Pais) ter comprado parte do capital da Media Capital, em que o activo mais vistoso é o canal de televisão TVI. Os jornais de hoje seguem uma pista publicada ontem pelo Jornal de Negócios Online. Sigo a notícia por este meio digital produzida às 13:18 de hoje [mais à frente actualizo com informação do El País]. Pedro Carvalho, daquele meio, escreve que "Uma OPA da Prisa sobre a Media Capital vai depender da interpretação sobre a partir de que altura se vai considerar que a Prisa detém direitos de voto superiores a 33%". Aqui entram as interpretações dos bancos: para o BCP, o preço da OPA pode oscilar entre €7,03 e €8,41; para o BPI, a RTL poderá "ter ainda uma palavra a dizer". Isto porque a Bertelsmann (RTL) comprou recentemente uma parte do capital da Media Capital.
Retiro ainda da notícia que me serve de suporte o seguinte: "Miguel Pais do Amaral, Nicolas Berggruen e Courical Holding, Berggruen Holdings, Partrouge e o grupo de media espanhol Prisa celebraram um acordo através do qual, os três primeiros atribuem à empresa espanhola um direito de preferência relativo às acções da Vertix, detentora de uma participação de 28,48% do capital social da Media Capital".
Recordo que a Media Capital, para além da TVI, tem muitos activos na rádio (Comercial, Cidade FM, Rádio Clube Português, Nacional, Romântica FM, Mix, Best Rock FM), para além do canal de internet Cotonete, revistas (Maxmen e Lux), produtora NBP e publicidade de exteriores. Este ano as acções da Media Capital subiram de cerca de €5,4 para perto de €6,6 ontem [actualização: €6,80 às 15:32]. O grupo Prisa, para além do El Pais, tem o desportivo Ás, o financeiro Cinco Dias, diários regionais, a estação de rádio Cadena SER e participação na televisão por cabo. Segundo uma notícia de hoje (12:20), que se pode ler no El Pais digital, o grupo Prisa teve um lucro líquido de €73,13 milhões, no primeiro semestre do ano, o que representa um aumento de 32%. Cadena SER (+13,3%) e El País (+10,5%) foram as jóias da coroa nesse aumento.
A notícia do El Pais confirma a compra de capital da Media Capital. Retiro do comunicado do jornal electrónico espanhol citado: "La venta de la totalidad de Vertix a PRISA representa para los propietarios de Media Capital un ingreso de 189,5 millones de euros y participaciones representativas del 24 por ciento en el capital social de Prisa Internacional, que agrupa las inversiones del grupo español en medios de ámbito internacional".
O mês de Julho está a ser promissor quanto a notícias em termos de vendas nos media. Confirmada a compra do grupo Lusomundo pela Controlinveste, de Joaquim Oliveira, o destaque vai agora para a compra de parte da Media Capital pelo grupo espanhol Prisa.
Sobre a Lusomundo, o Público é mais sucinto, com texto escrito por jornalistas da economia (conquanto na página dos media). O recorte da peça é feito a partir de comunicado da PT, ainda detentora dos media da Lusomundo, ontem à noite. Já o Diário de Notícias, um dos meios mais importantes da Lusomundo, dá um destaque acrescido. Comum aos dois jornais é a ênfase na deliberação da Autoridade da Concorrência, onde a questão de aquisição se decidiu: "tal operação não é susceptível de criar ou reforçar uma posição dominante da qual possam vir a resultar entraves significativos à concorrência no mercado relevante em causa". O processo de venda começou em 14 de Janeiro deste ano, há seis meses, portanto. Durante este período, falou-se da necessidade do novo comprador se desfazer do jornal desportivo O Jogo e não comprar o Jornal de Notícias. Também se referiu a vontade do grupo espanhol Prisa entrar na compra deste último jornal.
Apesar de ainda haver um período de dez dias de pronúncia por parte dos interessados perdedores (em que se inclui a Prisa), o negócio parece encerrado. Assim, Joaquim Oliveira, da Controlinveste, para além da posse anterior de O Jogo e de 50% do canal por cabo Sport TV, passa a ter no seu portfólio os seguintes media escritos: jornais diários e semanários como Diário de Notícias, Jornal de Notícias, 24 Horas, Tal & Qual, Ocasião, Diário de Notícias da Madeira, Açoriano Oriental, Jornal do Fundão, revistas como a National Geographic, Notícias Magazine e Grande Reportagem, rádio TSF e posições nas gráficas Naveprinter e Funchalense e nas distribuidoras Notícias Direct e Vasp.
As últimas sobre a Media Capital
Mas o que alimenta a curiosidade hoje é a Prisa (que edita o El Pais) ter comprado parte do capital da Media Capital, em que o activo mais vistoso é o canal de televisão TVI. Os jornais de hoje seguem uma pista publicada ontem pelo Jornal de Negócios Online. Sigo a notícia por este meio digital produzida às 13:18 de hoje [mais à frente actualizo com informação do El País]. Pedro Carvalho, daquele meio, escreve que "Uma OPA da Prisa sobre a Media Capital vai depender da interpretação sobre a partir de que altura se vai considerar que a Prisa detém direitos de voto superiores a 33%". Aqui entram as interpretações dos bancos: para o BCP, o preço da OPA pode oscilar entre €7,03 e €8,41; para o BPI, a RTL poderá "ter ainda uma palavra a dizer". Isto porque a Bertelsmann (RTL) comprou recentemente uma parte do capital da Media Capital.
Retiro ainda da notícia que me serve de suporte o seguinte: "Miguel Pais do Amaral, Nicolas Berggruen e Courical Holding, Berggruen Holdings, Partrouge e o grupo de media espanhol Prisa celebraram um acordo através do qual, os três primeiros atribuem à empresa espanhola um direito de preferência relativo às acções da Vertix, detentora de uma participação de 28,48% do capital social da Media Capital".
Recordo que a Media Capital, para além da TVI, tem muitos activos na rádio (Comercial, Cidade FM, Rádio Clube Português, Nacional, Romântica FM, Mix, Best Rock FM), para além do canal de internet Cotonete, revistas (Maxmen e Lux), produtora NBP e publicidade de exteriores. Este ano as acções da Media Capital subiram de cerca de €5,4 para perto de €6,6 ontem [actualização: €6,80 às 15:32]. O grupo Prisa, para além do El Pais, tem o desportivo Ás, o financeiro Cinco Dias, diários regionais, a estação de rádio Cadena SER e participação na televisão por cabo. Segundo uma notícia de hoje (12:20), que se pode ler no El Pais digital, o grupo Prisa teve um lucro líquido de €73,13 milhões, no primeiro semestre do ano, o que representa um aumento de 32%. Cadena SER (+13,3%) e El País (+10,5%) foram as jóias da coroa nesse aumento.
A notícia do El Pais confirma a compra de capital da Media Capital. Retiro do comunicado do jornal electrónico espanhol citado: "La venta de la totalidad de Vertix a PRISA representa para los propietarios de Media Capital un ingreso de 189,5 millones de euros y participaciones representativas del 24 por ciento en el capital social de Prisa Internacional, que agrupa las inversiones del grupo español en medios de ámbito internacional".
DN GANHA 25 MIL LEITORES NO TRIMESTRE
O título, cuja peça ocupa grande parte da página 39 da edição de hoje do Diário de Notícias, é bonito mas falacioso. Escreve-se ali que, exceptuando o Público, todos os jornais registaram novos leitores no primeiro trimestre.
Uma primeira questão é a da vizinhança, a da rivalidade com o outro jornal de referência. Parece quase acintoso. Se o vizinho compra um carro, eu tenho de comprar um melhor, para provar não sei bem o quê. Quando se comparam performances entre jornais devia colocar-se um aviso acerca dos tiques tendenciosos. Eu, enquanto leitor dos dois jornais em papel, não ganho nada com este tipo de informação. O Público não traz qualquer referência - ou porque anda distraído ou porque está a preparar uma resposta.
Uma segunda questão - e que parece relevante - é a distinção entre audiência e venda de exemplares. Para mim, o fenómeno das audiências em televisão e imprensa é diferente. Na televisão, a audiência vende-se ao anunciante para este vender publicidade aquela. No jornal, há um outro tipo de refinamento. Na televisão, o anúncio é visto em simultâneo: na família, em cada lar. Há uma influência num dado momento que alcança todos. No jornal, não existe essa emulação, esse estímulo simultâneo. Por outros conceitos, poderia falar de notoriedade (ler ou falar de um jornal) e de frequência (comprar um jornal). É evidente que, aqui, a frequência é mais importante que a notoriedade. A verdadeira mensuração do jornal é o número de exemplares que vende, pois isso é palpável, materialidade que não existe na televisão. E os jornais do grupo Lusomundo, agora Controlinveste, têm baixado muito em termos de vendas.
Terceira questão, extra Diário de Notícias e que é positiva, é o facto dos resultados do estudo da Marktest, base desta informação, terem apontado para um aumento da leitura de jornais. Pena que não haja informação sobre faixas etárias e rendimentos de quem passou a ler os jornais, elementos fulcrais para a compreensão do analisado, para ver se é uma nova tendência ou se não passa de um fenómeno temporário.
O título, cuja peça ocupa grande parte da página 39 da edição de hoje do Diário de Notícias, é bonito mas falacioso. Escreve-se ali que, exceptuando o Público, todos os jornais registaram novos leitores no primeiro trimestre.
Uma primeira questão é a da vizinhança, a da rivalidade com o outro jornal de referência. Parece quase acintoso. Se o vizinho compra um carro, eu tenho de comprar um melhor, para provar não sei bem o quê. Quando se comparam performances entre jornais devia colocar-se um aviso acerca dos tiques tendenciosos. Eu, enquanto leitor dos dois jornais em papel, não ganho nada com este tipo de informação. O Público não traz qualquer referência - ou porque anda distraído ou porque está a preparar uma resposta.
Uma segunda questão - e que parece relevante - é a distinção entre audiência e venda de exemplares. Para mim, o fenómeno das audiências em televisão e imprensa é diferente. Na televisão, a audiência vende-se ao anunciante para este vender publicidade aquela. No jornal, há um outro tipo de refinamento. Na televisão, o anúncio é visto em simultâneo: na família, em cada lar. Há uma influência num dado momento que alcança todos. No jornal, não existe essa emulação, esse estímulo simultâneo. Por outros conceitos, poderia falar de notoriedade (ler ou falar de um jornal) e de frequência (comprar um jornal). É evidente que, aqui, a frequência é mais importante que a notoriedade. A verdadeira mensuração do jornal é o número de exemplares que vende, pois isso é palpável, materialidade que não existe na televisão. E os jornais do grupo Lusomundo, agora Controlinveste, têm baixado muito em termos de vendas.
Terceira questão, extra Diário de Notícias e que é positiva, é o facto dos resultados do estudo da Marktest, base desta informação, terem apontado para um aumento da leitura de jornais. Pena que não haja informação sobre faixas etárias e rendimentos de quem passou a ler os jornais, elementos fulcrais para a compreensão do analisado, para ver se é uma nova tendência ou se não passa de um fenómeno temporário.
quarta-feira, 20 de julho de 2005
UMA OBRA DE JOSÉ TENGARRINHA
Contaram-me hoje que o professor José Manuel Tengarrinha, catedrático da Universidade de Lisboa, tem um texto intitulado Imprensa e opinião pública em Portugal a aguardar publicação desde Outubro do ano passado, numa editora que pediu um incentivo à edição ao Instituto da Comunicação Social.
Perguntas: a editora não quer arriscar a publicar o livro sem apoio? Não conhece o valor do autor - escritor da única história da imprensa em Portugal, com quarenta anos de edição -, que venderia a obra num ano lectivo, mau grado as fotocópias de alunos menos bem intencionados?
Contaram-me hoje que o professor José Manuel Tengarrinha, catedrático da Universidade de Lisboa, tem um texto intitulado Imprensa e opinião pública em Portugal a aguardar publicação desde Outubro do ano passado, numa editora que pediu um incentivo à edição ao Instituto da Comunicação Social.
Perguntas: a editora não quer arriscar a publicar o livro sem apoio? Não conhece o valor do autor - escritor da única história da imprensa em Portugal, com quarenta anos de edição -, que venderia a obra num ano lectivo, mau grado as fotocópias de alunos menos bem intencionados?
TESE "IMPRENSA E PODER NO PERÍODO MARCELISTA (1968-1974)"
Com nota máxima, Ana Cabrera concluiu o seu doutoramento na Universidade Nova de Lisboa com uma tese sobre jornalismo no consulado de Marcelo Caetano, primeiro-ministro português nesse período. Ela procurou compreender a imprensa da época através do posicionamento do poder político, da organização da imprensa e dos jornalistas no contexto das organizações.
Como base empírica, fez 20 entrevistas a jornalistas que trabalharam nos anos em investigação e estudou oito jornais de informação geral (Diário de Notícias, Diário da Manhã, Época, Diário de Lisboa, Diário Popular, A Capital, República e Expresso) - uma espécie de análise morfológica dos jornais: primeira página, secções e suplementos. Observou a imprensa a partir de quatro ângulos: poder político, poder económico, jornalistas e jornais.
Marcelo Caetano conhecia bem os media: trabalhara como jornalista e estivera no lançamento de jornais e da televisão pública. Escreveu textos sobre a importância da opinião pública na sociedade moderna, não se conhecendo outros políticos do Estado Novo que tenham reflectido sobre essa matéria (à excepção de António Ferro). Daí que, quando assumiu o poder, tivesse ideias claras sobre o que deveria ser uma Lei de Imprensa (aprovada em Junho de 1972). Para Ana Cabrera, o político, ao executar essa lei, tinha em mente preservar a censura, que já vinha do começo do regime (1927).
Importantes ideias no trabalho hoje defendido prendem-se com a situação económica dos jornais (que transitaram de um modelo familiar para um modelo de grupos económicos) e o crescimento e transformação dos jornalistas. Estes, que eram pouco mais de 300 em 1960, passariam a mais de 700 em 1974. A investigadora explica esse crescimento pela maior demanda de jornais, com mais páginas e suplementos. Como os jornais exigiam maiores habilitações aos seus profissionais, entraram jovens oriundos das universidades, onde haviam acompanhado as lutas estudantis. Tal alterou o perfil político dominante no jornalismo e levou a que o sindicato dos jornalistas elegesse uma direcção, em 1970, não afecta ao regime. As eleições de 1969 acabariam por tornar mais maleáveis os mecanismos censórios (apesar de um forte retrocesso neste aparente liberalismo, e que esteve por detrás do descontentamento generalizado e que acabou com o regime político em 1974).
Com nota máxima, Ana Cabrera concluiu o seu doutoramento na Universidade Nova de Lisboa com uma tese sobre jornalismo no consulado de Marcelo Caetano, primeiro-ministro português nesse período. Ela procurou compreender a imprensa da época através do posicionamento do poder político, da organização da imprensa e dos jornalistas no contexto das organizações.
Marcelo Caetano conhecia bem os media: trabalhara como jornalista e estivera no lançamento de jornais e da televisão pública. Escreveu textos sobre a importância da opinião pública na sociedade moderna, não se conhecendo outros políticos do Estado Novo que tenham reflectido sobre essa matéria (à excepção de António Ferro). Daí que, quando assumiu o poder, tivesse ideias claras sobre o que deveria ser uma Lei de Imprensa (aprovada em Junho de 1972). Para Ana Cabrera, o político, ao executar essa lei, tinha em mente preservar a censura, que já vinha do começo do regime (1927).
Importantes ideias no trabalho hoje defendido prendem-se com a situação económica dos jornais (que transitaram de um modelo familiar para um modelo de grupos económicos) e o crescimento e transformação dos jornalistas. Estes, que eram pouco mais de 300 em 1960, passariam a mais de 700 em 1974. A investigadora explica esse crescimento pela maior demanda de jornais, com mais páginas e suplementos. Como os jornais exigiam maiores habilitações aos seus profissionais, entraram jovens oriundos das universidades, onde haviam acompanhado as lutas estudantis. Tal alterou o perfil político dominante no jornalismo e levou a que o sindicato dos jornalistas elegesse uma direcção, em 1970, não afecta ao regime. As eleições de 1969 acabariam por tornar mais maleáveis os mecanismos censórios (apesar de um forte retrocesso neste aparente liberalismo, e que esteve por detrás do descontentamento generalizado e que acabou com o regime político em 1974).
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