sexta-feira, 13 de julho de 2007

DEBATE SOBRE TRANSIÇÃO PARA A DEMOCRACIA EM PORTUGAL (1974)

Integrado na Escola de Verão que a Universidade Católica está a promover, decorreu hoje à tarde um debate sobre a transição para a democracia em Portugal (1974).

Conferencistas: Rui Machete (presidente da FLAD), à esquerda da fotografia, e Pacheco Pereira (historiador e docente), à direita. No centro da mesa: Manuel Braga da Cruz (reitor da UCP).

O título da Escola de Verão é (In)Visible Culture: Cultural Conflict and Portuguese Society e resulta de um programa de troca académica inter-cultural entre a Annenberg School for Communication da Universidade de Pensilvânia (representada por Barbie Zelizer) e a Universidade Católica Portuguesa (representada por Isabel Gil). Cinco estudantes americanos de doutoramento estão em Lisboa e partilham conhecimentos com os seus colegas da Católica quanto a contextos e temas da história e cultura portuguesa e mudanças nomeadamente de ordem económica, social, política e religiosa. Ver mais informação aqui.

quinta-feira, 12 de julho de 2007

TESE DE DOUTORAMENTO DE MADALENA OLIVEIRA

Madalena Oliveira, do departamento de Ciências da Comunicação da Universidade do Minho, defende tese de doutoramento intitulada Metajornalismo … ou quando o jornalismo é sujeito do próprio discurso, amanhã às 10:00, na Reitoria daquela universidade, no Largo do Paço, em Braga.

Desejo à Madalena que as provas corram muito bem.

SOBRE O ESTATUTO DOS JORNALISTAS E A ERC


As páginas do Público de ontem (sobre a ERC) e do Diário de Notícias de hoje (sobre o estatuto dos jornalistas) merecem reflexão profunda.

Se a relação entre Público e ERC se degradou desde Agosto do ano passado, com crescente dramatização do jornal (ver, em especial, o seu editorial de ontem), a inclusão de depoimentos de quatro directores na edição de hoje do Notícias demonstra uma unidade em termos de pensamento dos responsáveis de três quotidianos e um semanário. Todos apontando num mesmo sentido. Apesar do texto pedagógico do ministro dos Assuntos Parlamentares com a tutela da comunicação social, também na edição de hoje do Notícias, a minha razão inclina-se para os jornalistas. Com estes a apelarem ao presidente da República para não promulgar o estatuto que agora lhe foi enviado para promulgação, prevê-se uma luta política acesa.

MUSEUS E SUA GESTÃO


Filipe Serra tem licenciatura em Direito e trabalha no ministério da Cultura (IPPAR). Docente na Universidade Católica em cadeiras ligadas à gestão cultural e de museus, o presente livro é resultado de tese de mestrado defendida nesta universidade.


A faceta de licenciado em direito mostra-se no texto saído agora para as livrarias, com a chancela da editora da Universidade Católica. O autor parte da concepção de museu segundo o ICOM (que inclui os museus no sentido convencional e os monumentos musealizados) e segue as adaptações feitas pelo Observatório de Actividades Culturais e pelo Instituto Português de Museus aquando da elaboração do inquérito aos museus (2000). O núcleo do livro são os conceitos de gestão dos recursos humanos e financeiros e o marketing aplicado aos museus.

Retiro da contracapa o seguinte trecho: "Confirmando-se que o Museu se tornou numa das instituições culturais mais populares, procuradas e exigentes, torna-se necessário olhar para a gestão dos recursos como um resposta de qualidade a perguntas essenciais: que metodologias, que critérios, que modelos, que instrumentos".

TELEVISÃO PAGA


Inicialmente, foi uma tese de mestrado em finanças; agora sai sob a forma de livro. Luísa Ribeiro apresenta, em A televisão paga: dinâmicas de mercado em Portugal e na Europa, um instrumento útil de análise da televisão por cabo no país e no mercado mais vasto da Europa a 15 países (antes do último alargamento), agora que se discute com mais interesse a entrada da televisão digital terrestre (switch off do analógico).


Mas o âmbito do trabalho espalha-se por outras áreas que não apenas as das finanças, integrando-se justamente na economia dos media. Pelo que - como a autora refere na introdução - se estudam a convergência do audiovisual e das telecomunicações, se historia a actividade do cabo na Europa e nos Estados Unidos (um dos capítulos mais importantes, para se perceber o modo como uma indústria e toda a sua cadeia de valor crescem e se autonomizam), as tecnologias, a (des)regulação e a procura do mercado de televisão paga. Para ilustrar esta última parte, Luísa Ribeiro fez um inquérito (400 inquiridos).

Como o título do livro indicia, a análise debruça-se sobre a transmissão, mas não sobre a produção de conteúdos nem sobre a programação e a recepção.

No nosso país, a televisão paga arrancou em 1994, quando a TV Cabo (grupo Portugal Telecom) obteve uma licença. No segundo trimestre de 2006, a TV Cabo tinha 1,8 milhões de assinantes, com a área da Grande Lisboa a alcançar 42% do total. A Cabovisão vem em segundo lugar, com uma quota de mercado de 14%. Aliás, coube à Cabovisão oferecer o serviço triple pay em Portugal pela primeira vez: telefone, televisão e internet.

Actualmente, há um amadurecimento do cabo, mas espera-se um crescimento devido à banda larga, ao ADSL e à televisão digital terrestre. É igualmente expectável um aumento de receitas em termos de publicidade.

Tendo como perspectiva a economia dos media, Luísa Ribeiro dedica-se a comparar preços em diversos países europeus. Ela conclui que a Grécia, com um nível de concentração da propriedade dos media semelhante ao português, tem preços mais altos que a média europeia, ao passo que a Itália, com uma concentração maior da propriedade, apresenta preços mais baixos na televisão paga.

Duas observações: a autora deveria ter incluido um glossário de termos e siglas, pois o negócio do cabo é um universo cheio de designações próprias. E noto a ausência de referência a dois livros de economistas que estudaram, nos anos mais recentes, a televisão: Elsa Costa e Silva e Luís Oliveira Martins (ambos editados pela Porto Editora).

ENCONTRO DE COROS


Constituído no final de 2006, o Grupo Coral de Montijo organiza um Encontro de Grupos Corais, no Cinema-Teatro Joaquim d’Almeida (Montijo), no próximo dia 15, pelas 16:00.


O Grupo Coral de Montijo conta com mais de 40 elementos femininos e masculinos. Para além deste coro, participarão o Coral Adágio de Portimão, o Vocal da Capo de Carcavelos e o Grupo Coral do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) de Lisboa.

quarta-feira, 11 de julho de 2007

NO JORNAL PÚBLICO DE HOJE

TELEVISÃO DIGITAL NO BRASIL



Do mesmo modo que em Portugal, no Brasil discute-se presentemente a transição da televisão analógica para a digital. Esse foi o tema de conversa de programa recente do Ver TV, da TV Câmara (por deferência de Fernando Paulino, "correspondente" do IC em Brasília, e um dos participantes no debate).

A conversa girou sobre a televisão da América Latina. Houve referência à situação da nova televisão pública na Venezuela, em que as minorias indígenas têm maior acesso (uma nova estética? um novo totalitarismo?, perguntou-se no programa). Mas também à necessidade de discussão pública ampla na mudança tecnológica. Se no México as estações com licença para operar em analógico obtiveram automaticamente licenças para o digital, no Brasil deverá haver consultas públicas. No programa, chegou a alertar-se para a hipótese de concentração da propriedade caso haja transferência automática.

terça-feira, 10 de julho de 2007

EXAGERADA

A dimensão dada na primeira página do Público à ERC. Para mim, há um grande exagero da parte do jornal, quando, a par do destaque de uma recomendação da ERC, faz a publicação das fotografias dos cinco membros do conselho regulador. O título da manchete é antecedido pela expressão Nota Oficiosa, que lembra o tempo de Salazar. O Público promete, para amanhã, resposta editorial à recomendação.

Em causa, está a não publicação de um direito de resposta do vice-presidente da câmara municipal do Porto, Álvaro Castelo Branco, e do vereador Manuel Sampaio Pimentel. Estes tinham apresentado, a 2 de Novembro último, um recurso contra o Público por recusa de texto de exercício do direito de resposta.

A "compra" desta guerra não vai servir ninguém, é a minha convicção. E eu não quero, como leitor, que aconteçam coisas desagradáveis ao Público, como se percebe da leitura de notícia do Diário de Notícias de hoje, quando insinua a relação da perda de audiência do Público com a mudança de layout. Afinal, e reconheço, apesar de ter escrito de modo distinto, que o Público está muito mais bonito e o número de artigos e sua dimensão não reduziram.
LIVRO DE PEDRO FONSECA


Pedro Fonseca vai lançar um livro intitulado Blogues Proibidos, editado pelo Centro Atlântico. Tem 128 páginas e relata os casos que abalaram Miguel Sousa Tavares, José Pacheco Pereira, a comunicação social, diversas Câmaras Municipais e o processo Casa Pia.

Jornalista especializado no impacto social das novas tecnologias, Pedro Fonseca tem colaborado em diferentes media e é um blogueiro activo e atento à blogosfera nacional.

segunda-feira, 9 de julho de 2007

CASCAIS

Recantos de Cascais, novo livro de José d'Encarnação, terá apresentação no dia 18, pelas 18:30, no Centro Cultural de Cascais, feita pelo Prof. Marcelo Rebelo de Sousa. É uma edição da Câmara Municipal de Cascais e de Edições Colibri, com o apoio do Jornal da Região, da Sociedade Estoril-Sol e das juntas de freguesia de Carcavelos, Cascais, Estoril, Parede e S. Domingos de Rana.

O livro, que vem na sequência de Cascais e os Seus Cantinhos (2002), é a publicação, por ordem, dos textos que foram aparecendo nas páginas semanais do Jornal da Região – Cascais. Escreve o autor:

Consolou-me ir sabendo que a mensagem passava, em gesto compassado de espicaçar pausados deslumbramentos, a remar contra o frenesim quotidiano: «Imagine! Tantas vezes passara por ali e nunca reparara!»… Dentro da «casa» em que, afinal, mais deveríamos viver, observar, estar activos, maravilhar-nos!…

Seguimos, pois, por aí. Ao deus-dará, parece. Agora, detemo-nos no tempo sem tempo do laboratório da Guia, outro mundo insuspeitado. Mais além, falamos com o Sr. Conde de Castro Guimarães e ouvimo-lo, noite afora, ao piano, na sua «sala vermelha». Bisbilhotamos vidas de célebres hóspedes de hotéis e de personagens famosos: «Perpassa por ali a fragrância do tabaco da Virgínia ou dos cigarros turcos, dos perfumes de Paris e dos uísques sem idade»… Sabemos de Fausto de Figueiredo, visionário. Entramos de mansinho no religioso aconchego de ermidas. Metemo-nos com a guarnição de Oitavos: «Olá, amigo, não há malga de sopa cá prà gente?».

Fotografia da capa: Filipe Guerra.

domingo, 8 de julho de 2007

SOCIOLOGIA DO CONSUMO

1. Apresentação

Nicolas Herpin tem, no seu livro Sociologie de la consummation, um capítulo chamado Du pouvoir médiatique au rôle de l'État: les consommateurs «manipulés»? (pp. 59-76), onde escreve sobre indústrias culturais, a partir da perspectiva da escola de Fankfurt (Adorno e Horkheimer; Marcuse). Começa por apresentar a sociedade no capitalismo avançado, onde os produtos (bem úteis) destinados ao proletariado (masses ouvrières, prolétariat) são de gama baixa, pouco diversificadas, de qualidade medíocre, muitas vezes com defeito e imperfeições.

Na sociedade industrial - designação que aproxima da de capitalismo avançado - ninguém escapa à uniformização de valores e de práticas e normas sociais veiculadas pela cultura de massa. Esta uniformiza as classes sociais quanto a aspirações e gostos. A atracção para os produtos estandartizados resulta da acção concertada de um sector económico particular, o das indústrias culturais.

Herpin encontra três características principais das indústrias culturais: 1) elas têm poder graças à cultura de massa, difundindo-se ao grande público, em que a autonomia e a criatividade não escapam ao controlo dessas indústrias culturais, 2) elas actuam junto dos produtores, adicionando características simbólicas às utilitárias, em que o design incorpora, ao objecto manufacturado, formas retiradas da arte, a estética, 3) elas são mobilizadas pela publicidade, que faz a ligação das características simbólicas às necessidades dos consumidores.

As indústrias culturais, reconhece Herpin, constituem um sector económico em progressão, mas há numerosos estudos que põem em causa a sua acção. Os consumidores são apanhados por políticas de comunicação. O sociólogo serve-se dos trabalhos de Lazarsfeld, que concluem que a influência das mensagens mediáticas não é tão forte como se dizia: o comportamento de um indivíduo não se molda ao que dizem os media mas ao que dizem os familiares, os amigos e os vizinhos.

Escreve Herpin:

les messages des "sources expertes", ceux qui diffusent les médias ou agents institutionnels, font moins autorité que ceux des partenaires ordinaires de la vie de tous les jours (p. 67).

2. Crítica

O capítulo é errático, mal fundamentado e não incorpora as investigações de autores contemporâneos de Herpin e que escreveram profundamente sobre indústrias culturais: Edgar Morin, Patrice Flichy, Bernard Miège. Apoia-se em Paul Lazarsfeld, como se o trabalho do austríaco estivesse actualizado. Escreve que os produtos destinados às classes mais baixas são de fraca qualidade, mas esquece-se que o factor ostentatório as leva a comprar iPods e plasmas. Mistifica o conceito de indústrias culturais, traçando uma fronteira delas com a estética, acha que elas uniformizam e que a criatividade é controlada.

Herpin parece ter petrificado em 1947, quando Adorno e Horkheimer apresentaram o conceito de indústria cultural. Nestes últimos anos em que o Reino Unido desenvolve o conceito de indústrias criativas e procura identificar o valor do PIB nestas actividades, ilustrando um sector resplandescente - música, vídeo, teatro -, em França, Herpin joga com as palavras e enreda-se em contradições.

E sobre a perda de influência das fontes oficiais e especializadas sobre os media, em detrimento das fontes normais (ordinaires), em que mundo está?

Isto tudo além de uma bibliografia desactualizada. Nem refere a dicotomia estabelecida entre Lazarsfeld (cultor de métodos quantitativas de investigação) e Adorno (filósofo e defensor da alta cultura burguesa conquanto marxista).


Leitura: Nicolas Herpin (2004). Sociologie de la consommation. Paris: La Découverte

sábado, 7 de julho de 2007

DAS LEITURAS DOS JORNAIS DE HOJE

Tiques de autoritarismo do governo (Expresso, p. 9) - o dispositivo jornalístico é condicionador. Das seis opiniões, uma é favorável (voz de representante do PS), quatro são contra (vozes dos partidos da oposição). Não seria de esperar algo distinto. A voz mais equilibrada, e com a qual simpatizo mais, é a de Adelino Gomes, jornalista, pois não está enfeudada aos partidos representados na Assembleia da República e está afastado dos puros jogos de poder. Observação: do que li nos jornais desta semana, a perspectiva de Pinto Balsemão pareceu-me mais adequada do que a do ministro Augusto Santos Silva (concentração, estatuto dos jornalistas). Parece-me haver sinais de controlo governamental sobre a actividade dos media. Claro que eu me baseio no que li, que pode estar descontextualizado.

Artigo de Arons de Carvalho sobre o novo estatuto dos jornalistas (Expresso, p. 45) - Alberto Arons de Carvalho escreve sobre o estatuto e considera que a maioria dos comentadores não o leu, pelo que tem errado a análise. Confesso que não li e, logo, não posso emitir a minha opinião. Mas dizer que nenhum jornal fez uma leitura adequada não será excessivo? Está todo o mundo contra e sem razão? Não haverá aqui uma falha de comunicação?

Rota de colisão provedor-Antena 2 (Diário de Notícias, p. 54) - Era de prever. José Nuno Martins é um homem de bom senso, presta atenção aos ouvintes; do lado da Antena 2 parece haver uma deriva incompreensível. A questão desta semana prende-se com o programa Império dos sentidos e Paulo Alves Guerra. O formato news and talks que a Antena 2 parece configurar não é o melhor, estou de acordo. Se a frase atribuida a João Almeida é mesmo dele ("Quem de facto só quer música o melhor não será a sintonia da Antena 2. O leitor de CD é uma boa solução"), deve retractar-se. A antiga Luna passava música como se fosse um CD de um dia de duração e isso ficava muito mais barato ao erário público. O serviço público é informar e formar - neste caso sobre música clássica.

Suplemento "Digital" do Público - sobre o YouTube. A ler e guardar, dado o interesse. Em particular, o texto de Miguel Gaspar.
JORNALISMO E ACTOS DA DEMOCRACIA

Nº 10 da revista Media & Jornalismo

Índice: Jornalismo e Actos de Democracia. II Seminário Internacional Media, Jornalismo e Democracia

Rita Figueiras, Carla Ganito, Vanda Calado e Comissão de Síntese do II Seminário Internacional Media, Jornalismo e Democracia


Doris Graber, Avanços da Investigação em Comunicação Política

Kees Brants, O Bom, o Mau e o Cínico: Ataques feitos ao Jornalismo Político

João Pissarra Esteves, Internet e Democracia: Estado e Sociedade Civil perante os Novos Desafios da Comunicação Política
Fermín Galindo Arranz, Cobertura Jornalística das Noites Eleitorais

James Stanyer, O Spin em Eventos: Campanha Permanente e Conferências Mediáticas nos Partidos Britânicos

Paula Reis Melo, Apontamentos para uma Discussão sobre as Estratégias do MST para o Agendamento Midiático

PAULO VARIZ PREPARA INSTALAÇÃO-ENSAIO


Nascido em Londres e vivendo em Portugal, Paulo Eurico Variz é quadro superior do ministério das Finanças, ensina economia na Universidade Católica e expõe desde 1989. Agora, prepara uma instalação-ensaio, com pintura e desenhos, no átrio do ministério das Finanças, de 3 a 30 de Outubro.


De obras suas anteriores, destaco as seguintes:


Diz o autor: "Quanto à iniciativa de Outubro deste ano, a ideia é fazer a minha homenagem aos cubistas, e também a Rohmer… o cinema dele tem um rico código de cores, de coreografias, de planos morais que se intersectam, de posturas corporais e de mudanças de luz que me despertam muito interesse… acompanho a obra dele há uns bons anos e de repente apeteceu-me destacar alguns aspectos plásticos da obra dele, ou aspectos que, não tendo originalmente essa expressão, sejam susceptíveis de assim serem representados".

sexta-feira, 6 de julho de 2007

PORTUGUÊS


Turquia escreve-se sem acento (o português é distinto do castelhano).

Escreve-se utensílios e sobre produtos ligados a escritórios diz-se materiais.

AGENDAS CULTURAIS


As agendas de Julho trazem festivais (jazz, sons de África) e exposições, dança e teatro. Em Lisboa, perfilam-se Pat Metheny e Brad Mehldau (domingo na Aula Magna); em Oeiras, o Festival Sete Sóis Sete Luas.

Cheira a férias; o calor de hoje convida a uma escapadela no fim-de-semana.

SECOND LIFE NO BRASIL


Vem no Estadão.com de ontem (de Lucas Pretti, do estadao.com.br):
  • A representação brasileira no Second Life já é tão grande que ultrapassou, em dados proporcionais, os números de território e população do País em relação ao mundo real. Segundo informações do Linden Lab e da Kaizen Games, o Second Life Brasil ocupa cerca de 2% de todas as ilhas do metaverso e soma 5,2% da população total de avatares.


(O mapa mostra as ilhas do Second Life Brasil)

Dica do "correspondente" do Indústrias em Brasília, Fernando Paulino.

VER TELEVISÃO


A newsletter mais recente da Marktest.com indica que, no primeiro semestre de 2007, cada português viu, em média, por dia e em sua casa, 3:31:01 de televisão, mais 1 minuto e 50 segundos que no período homólogo do ano anterior.

Os maiores consumidores de televisão são, "por região, os residentes no Interior (mais 2,5% do que a média do universo); por classe social, os indivíduos da classe baixa (mais 21,5% do que a média do universo); por sexo, as mulheres (mais 7,9% do que a média do universo), por idade, os indivíduos com mais de 64 anos (mais 45,3% do que a média) e, por situação no lar, as donas de casa (mais 20,3% do que a média)". Ou seja, a idade é a variável que mais influencia o consumo de televisão, seguida da posição no lar (dona de casa ou não).


quinta-feira, 5 de julho de 2007

LANÇAMENTO DO LIVRO DE LUÍS LOURENÇO E FERNANDO ILHARCO

Como já anunciara, foi lançado hoje ao fim da tarde o livro de Luís Lourenço e Fernando Ilharco, com o título Liderança. As lições de Mourinho, em edição da Booknomics.

Na mesa, da esquerda para a direita: Jaime Cancella de Abreu (editor), Fernando Ilharco (docente da UCP e um dos autores), Isabel Gil (directora da Faculdade de Ciências Humanas da UCP) e Luís Lourenço (outro dos autores).

quarta-feira, 4 de julho de 2007

SCIENCE E NATURE VENCEM PRÉMIO PRÍNCIPE DAS ASTÚRIAS DE COMUNICAÇÃO E HUMANIDADES


Li agora no Público On Line que as revistas Science e Nature ganharam o Prémio Príncipe das Astúrias de Comunicação e Humanidades, batendo a agência Magnum Photo e estação BBC.

Para o júri, as duas revistas "conjugam rigor e clareza de exposição" e apresentam ao mundo "as teorias e os conhecimentos mais elevados". As duas revistas estão vinculadas a universidades prestigiadas e são "fontes indispensáveis de informação para o jornalismo especializado de todos os paí­ses", refere a acta (segui a notícia do Público).

terça-feira, 3 de julho de 2007

SUMMER CULTURE: LISBON 2007

  • (In)Visible Culture: Cultural Conflict and Portuguese Society: A program of inter-cultural academic exchange between the Annenberg School for Communication and the Universidade Catolica Portuguesa, Lisbon, Portugal. Five Annenberg students will join graduate-level students from Universidade Catolica Portuguesa to examine several issues pertaining to the history and culture of Portugal, to better understand contexts in which culture undergoes challenges from economic, social, politcal, religious or other forces.

    Topics of study include Portugal's experience with religious and authoritarian politics, the colonial war, national identity and its linkages with race and gender, the 1974 revolution, the ascendance of sports as a national marker, territorial expansions, and the exclusion of migrant workers, gypsies and others from national culture, particularly at at time when Portugal's entry in the EU has taken over public discussion.
    (from: The Annenberg Scholars Program in Culture & Communication)

    EDITORIAL CAMINHO


    Agora é pública a venda da Editorial Caminho: "Os administradores e accionistas da Editorial Caminho vêm por este meio informar de que tomaram a decisão de vender as acções que até agora detinham na empresa", lê-se no começo de uma carta datada de 29 de Junho.

    O balanço da actividade da editora em 32 anos são dois mil títulos publicados, vinte milhões de livros vendidos, um Nobel da Literatura (José Saramago). A crise das livrarias tradicionais e a concentração da actividade livreira em grandes grupos editoriais serão razões que levaram os donos da Caminho a vender a editora. Escrevem: "será cada vez mais difícil a actividade das editoras independentes". Concluem a carta com o parágrafo seguinte:

    Em 2005, publiquei um livro na Caminho, intitulado As vozes da rádio, 1924-1939. Nessa altura, estabeleci uma boa relação com o editor, Zeferino Coelho. Da revisão do livro ao apoio gráfico das imagens e à publicitação fiquei com excelente opinião sobre o profissionalismo dos colaboradores da Caminho. Agora, desejo-lhes sorte no novo enquadramento patronal.

    SOBRE BLOGUES


    Christiani Rodrigues, jornalista e animadora do blogue De Ponta Cabeça (Brasil), publicou ontem uma pequena entrevista que lhe dei sobre blogues.


    Retiro uma pergunta e a sua resposta:

    DPC - Qual a maior dificuldade do blogueiro?
    RS - A maior dificuldade reside nos itens da resposta anterior. A regularidade é uma das principais características de um blogue que queira ter leitores. Funciona como uma conversa ou uma emissão que sabemos que surge a uma dada hora. Mas a regularidade pode tornar-se uma obrigação, levando o blogueiro a escrever ou escolher imagens com menos qualidade. Outra grande dificuldade é o tempo disponível. A esmagadora dos blogueiros escreve nos seus tempos livres, que não são muito grandes em muitas pessoas. Já vi blogues interessantes acabarem por falta de tempo dos seus animadores. Há uma espécie de militantismo por uma causa em muitos dos blogues. Mas o militantismo pode levar por caminhos menos interessantes: alguns blogueiros aproveitam o espaço dos blogues como tribunas pessoais, à procura de seguidores, procurando passar mensagens.

    LIDERANÇA EM MOURINHO


    O livro de Luís Lourenço e Fernando Ilharco, Liderança. As lições de Mourinho, em edição da Booknomics, será lançado no próximo dia 5, pelas 18:00, na Universidade Católica, em Lisboa (edifício Biblioteca João Paulo II).

    Observação: não sei se o próprio José Mourinho estará presente.

    OBERCOM


    Retiro dos destaques da newsletter do Observatório da Comunicação deste mês (nº 21):

    1) A revista Observatório (OBS*), lançada no passado dia 14 de Maio pelo OberCom, atingiu, num mês, o valor de 1696 artigos consultados. Entre os cinco artigos mais lidos encontram-se: “Os equívocos da rádio generalista: reflexões sobre a rádio em Espanha, nos EUA e em Portugal”, de João Paulo Menezes (222); “Media, Futebol e Identidade na Sociedade em Rede”, de David Xavier e Gustavo Cardoso (171); “Del Uso Individual al Efecto Social: Evidencias detectadas en el empleo del SMS”, de Noelia Salido Andrés e David Fernández Quijada (151); “The Irresistible Rise of Porn: The Untold Story of a Global Industry”, de Piet Bakker e Saara Taalas (122) e “The on-line community media database RadioSwap as a translocal tool to broaden the communicative rhizome”, de Nico Carpentier (122).

    2) O OberCom - Observatório da Comunicação acaba de disponibilizar no seu website, para consulta e download, uma parte significativa do seu espólio bibliográfico, designadamente as edições 1 a 11 da Revista Observatório. A consulta virtual agora disponível pode ser efectuada em http://www.obercom.pt/content/aNumeros/. Estão disponíveis onze edições que cobrem os últimos sete anos, e nas quais é abordada a realidade do sector nacional de Media, de enfoques teóricos e históricos ao estado da arte do impacto das novas tecnologias.

    3) A empresa norte-americana de música Warner acaba de assinar um contrato com uma empresa de televisão online para disponibilizar o seu vasto catálogo de vídeos na Internet, gratuitamente. A Warner trabalhará com a Premium TV, o grupo por detrás dos websites de clubes de futebol da Premiership britânica como o Chelsea e o Newcastle United, para criar um conjunto de sites de vídeo. Os utilizadores poderão ouvir as suas músicas favoritas e assistir a vídeos de graça do catálogo da Warner, assim como serão disponibilizadas filmagens nunca antes vistas. Segundo a empresa musical, o acordo com a Premium TV será o primeiro das quatro maiores empresas do mundo na área – sendo as outras três a Universal, EMI e a Sony BMG – a fornecer todo o seu arquivo de vídeo online segundo um novo modelo de negócio que angaria dinheiro através da publicidade.

    4) e também as sugestões Obercom, cuja amabilidade agradeço a Gustavo Cardoso e colaboradores: "Comece pelo blogue Indústrias Culturais ou pelo Jornalismo e Comunicação. Visite também os blogues Virtual Illusion e Atrium".

    segunda-feira, 2 de julho de 2007

    MCLUHAN VISTO POR FILIPA SUBTIL


    No livro Compreender os media. As extensões de Marshall McLuhan, Filipa Subtil argumenta que a perspectiva de McLuhan rompe com a visão instrumental das técnicas de comunicação e afirma a sua importância como meios com capacidade para alterar o ambiente da acção e as formas psicológicas e sensoriais da percepção.

    Docente na Escola Superior de Comunicação Social (Lisboa), Filipa Subtil escreve também sobre Harold Innis, precursor da escola de Toronto, a quem McLuhan, aliás, reconhece influência, quando aquele defendia a importância dos modos e técnicas da comunicação enquanto elementos dinamizadores de processos sociais com repercussões históricas.

    Famoso na sua época, depois esquecido e recuperado mais recentemente como profeta da comunicação virtual, McLuhan destaca as tecnologias enquanto externalidades – ou extensões – o automóvel como prolongamento do andar humano, o computador como ampliação do cérebro, isto é, extensões que dotam o homem com mais valor. De pensamento alicerçado em aforismos, como a mensagem é o meio, McLuhan escreveu ainda uma história da humanidade a partir das mudanças tecnológicas, com os sentidos a serem exercitados através dos meios, como a oralidade, a escrita e os meios electrónicos, como a rádio e a televisão.

    Leitura: Filipa Subtil (2006). Compreender os media. As extensões de Marshall McLuhan. Coimbra: MinervaCoimbra, 180 páginas

    VOTAÇÃO DA BLOGOSFERA

    O blogue O Sentido das Coisas está a promover uma votação com as 7 Maravilhas da Blogosfera.

    domingo, 1 de julho de 2007

    JORNALISMO POLÍTICO


    Através da análise da cobertura jornalística das campanhas para a eleição do Presidente da República na imprensa e na televisão, período de 1976 a 2001, Estrela Serrano (Jornalismo político – a cobertura de eleições presidenciais na imprensa e na televisão, 1976-2001) constrói a compreensão das campanhas enquanto momentos singulares da política que exigem dos seus actores um grande investimento na comunicação, pressupondo estratégias, dispositivos e instrumentos que fazem passar ideias e propostas mobilizadoras dos cidadãos.

    Estrela Serrano, cuja experiência profissional a fez passar pela rádio e televisão, além de assessora de imprensa de um dos presidentes incluídos no período estudado – o que a levou já a publicar um outro livro, com o nome de As presidências abertas de Mário Soares -, estudou o modo como um jornal (Diário de Notícias) e as televisões (RTP, SIC e TVI) estruturaram as sucessivas campanhas eleitorais. Daí ela ter centrado a sua investigação no jornalismo e nos jornalistas, assim como nos dispositivos de comunicação dos candidatos.

    Da qual resultaram diversas tendências que foram sendo alteradas ao longo do tempo, como aumento progressivo de peças dedicadas a estes actos de democracia, a evolução de géneros jornalísticos, o directo na televisão, o crescente predomínio do insólito e do humorístico e o domínio da agenda eleitoral dos candidatos.

    Leitura: Estrela Serrano (2006). Jornalismo político em Portugal – a cobertura de eleições presidenciais na imprensa e na televisão (1976-2001). Lisboa: Edições Colibri e Instituto Politécnico de Lisboa, 519 páginas

    CONSUMO EM APPADURAI


    Appadurai escreve sobre consumo, entendendo que este só se torna perceptível quando surge a ostentação. Por outro lado, o consumo é habituação através da repetição. O centro das práticas do consumo é o corpo, por exemplo o comer.

    O consumo contribui para um marcador fenomenológico do tempo que o trabalho deixa de fora. O consumo vê-se como intervalo necessário entre períodos de produção. Ou seja, o consumo é o marcador temporal do lazer, do tempo fora do trabalho, é a função civilizadora da sociedade pós-industrial. O consumo torna-se uma forma séria de trabalho, se por trabalho entendermos a produção disciplinada dos meios de subsistência do consumidor. Claro que nasce um paradoxo: as férias são atulhadas de actividades.

    Se um sistema de consumo procura libertar-se desse hábito e repetição, ele é empurrado para a estética do efémero, com as características de consumo, moda e prazer. A chave das modernas formas de consumismo é o prazer, não o lazer ou a satisfação. O efémero é a disciplina do consumidor moderno. O consumo cria tempo mas o consumo moderno substitui a estética da duração pela estética do efémero.

    Appadurai reflecte sobre o que chama revolução do consumidor enquanto conjunto de acontecimentos cuja referência principal é a passagem da lei sumptuária para a da moda. Esta é elo entre produção, comercialização e consumo. Em muitas sociedades, importantes ritos de passagem têm marcadores de consumo, agregados em torno da oferta de presentes, caso do Natal.

    Leitura: Arjun Appadurai (2004). Dimensões culturais da globalização. Lisboa: Teorema, pp. 95-119