segunda-feira, 10 de março de 2008

SOBRE O KITSCH


O vídeo abaixo reflecte uma leitura que eu fiz do kitsch, a partir de textos de leituras de Clement Greenberg, Philippe Kaenel e Matei Calinescu. Greenberg parte da dupla definição de vanguarda e rectaguarda e de cultura formal e cultura popular, onde o kitsch aparece. O kitsch, ao empregar como matéria de base os simulacros degradados e academistas da cultura genuína, abre porta ao que Greenberg chama de insensibilidade. Já Kaenel parte de territórios como high e low em exposições novaiorquinas, em especial as de Jeff Koons, ao passo que Calinescu olha o kitsch como uma das partes da modernidade, ao lado da vanguarda, da decadência e do pós-modernismo.



Leituras: Clement Greenberg (2006). La pintura moderna y otros ensayos. Madrid: Siruela, pp. 22-44 (original de 1939)
Philippe Kaenel e Gilles Lugrin (dir.) (2007). Bédé, ciné et art. D'un média à l'autre. Lausanne: Infolio, pp. 223-256
Matei Calinescu (1999). As cinco faces da modernidade. Lisboa: Vega, pp. 201-229

domingo, 9 de março de 2008

ESTÚDIO VÍDEO EM JORNAL


Na edição rebida hoje do
The Editors Weblog, uma publicação do World Editors Forum, há a notícia do arranque do estúdio vídeo do jornal Sydney Morning Herald em sala de redacção integrada [imagem retirada do sítio The Editors Weblog].

Ian Vaile, o director das Fairfax Digital Productions, defende que o novo estúdio tem alta definição muito flexível, empregando equipamento moderno e poderoso, incluindo uma software novo em que assenta a produção de vídeo.

[imagem do edifício Fairfax Media, onde funcionam as redacções do Sydney Morning Herald, Australian Financial Review e Business Review Weekly, a rádio 3AW e o Fairfax Digital, em Melbourne, Austrália, retirada do sítio
The Editors Weblog].

MICHELLE O. VERSUS JACQUELINE O.


Jacqueline Kennedy, mais tarde casada com Aristóteles Onassis muito tempo depois do assassinato de John, tornou-se conhecida como Jackie O. (do apelido do marido grego).

Agora, Michelle Obama, a mulher do candidato democrata às eleições americanas, passou a ser conhecida por Michelle O. Pelo nome do marido e pelas semelhanças com Jackie. Esta usava vestidos com golas, Michelle aparece com vestidos com golas; Jackie vestia colares sobre roupa de cor preta, Michelle usa-os igualmente.

Jackie foi a mulher de um presidente que mudou os Estados Unidos, Michelle é a mulher do candidato que se assume como sendo da mudança. Há, nesta construção de imagem, a ideia de ícone, de estrela, de personagem empática e de confiança, que atrai os consumidores dos media (e o eleitorado). Resta saber se o casal tem eficácia e profundidade como a apresentada pelos Clinton, dentro do eleitorado do lado democrata.

(fonte: Sunday Times de hoje, p. 22)

CÂMARA QUE VÊ ATRAVÉS DA ROUPA


A Thruvision é uma máquina de filmar capaz de ver se há explosivos, armas ou droga escondidos no vestuário que cada um de nós usa, pois é capaz de os distinguir através de raios electromagnéticos, usando a tecnologia conhecida como T5000. Os raios reconhecem facilmente, por exemplo, o açúcar e a cocaína.

Num mundo de violência crescente, a máquina poderá ser usada em aeroportos, estações ferroviárias, estádios, centros comerciais e outros espaços públicos. Problemas: 1) aumentam os receios da uma ainda maior sociedade vigiada, 2) apesar de se verem objectos debaixo da roupa, os designers da máquina garantem não haver detalhes anatómicos dos observados.

(fonte: Sunday Times de hoje, p. 3)

sábado, 8 de março de 2008

A CHEGADA DO REI AO BRASIL


Foi há duzentos anos que a família real portuguesa desembarcou no Rio de Janeiro: 8 de Março de 1808 [antes, no dia 22 de Janeiro, chegara ao Brasil, a São Salvador da Baí­a].

Em dia internacional da Mulher e da manifestação dos professores contra a ministra da Educação (os autocarros passam na Avenida da República, em Lisboa, um enorme comboio a sair do túnel do Campo Pequeno), é útil recordar essa história de Portugal e do Brasil (agradeço a dica a Fernando Paulino, amigo de Brasília).

Parece que todos os brasileiros acham que a existência do seu país se deve a Napoleão Bonaparte. Em 1806, o imperador francês havia decretado o bloqueio continental a Inglaterra. Portugal resiste, parece que cede mas assina um acordo secreto com Londres. Napoleão lança um ultimato e invade o nosso pequeno país. O exército do general Junot, com 25000 homens, foi suficiente para o regente e futuro rei D. João VI decidir refugiar-se no Brasil. D. João chegava ao Rio de Janeiro faz hoje duzentos anos.

sexta-feira, 7 de março de 2008

PORTUGAL E A EUROPA


Por qualquer razão inexplicável, não li o texto de 2 de Fevereiro de José-Manuel Nobre-Correia no Diário de Notícias (secção "Planeta Média"). Recupero uma parcela, agora que acedi ao conjunto dos seus textos já publicados, e que nos deve levar a reflectir:

  • Em matéria de média, apesar das redes de cabo, das antenas parabólicas e da internet, Portugal continua também a viver demasiado longe de tudo. Longe do resto da Europa. Quando tal situação é de facto insustentável.

    O salazarismo condicionou gravemente a afirmação do jornalismo e das empresas de média. A “revolução dos cravos” instituiu o militantismo e dizimou ingloriamente jornais e rádios com longa história. O neoliberalismo favoreceu a eclosão de uma paisagem mediática confrangedora. Observar a Europa, inspirar-se nos melhores exemplos dos vizinhos, ousar por em questão o tempo e o modo que definem o pais, são tarefa urgente…
Há dias, conversando com um colega alemão, eu observara-lhe ter visto, em visita a Berlim, um piquenique de turcos no Tiergarten. E perguntara-lhe como eram vistos os turcos, uma expressiva minoria no seu país. Respondeu-me ele: os turcos da terceira geração estão integrados. E fazem alterar o alemão (língua, costumes), são cosmopolitas. Ao contrário dos portugueses, que vivem (viviam) em guetos, trabalhando oito horas num sítio e indo depois trabalhar noutro sítio, para amealhar dinheiro e construir uma casa em Portugal. Depois, ficavam surpreendidos quando os filhos não queriam acompanhá-los no regresso ao país, dadas as ligações entretanto estabelecidas na Alemanha.

Portugal fica longe da Europa. Afinal, parece que os bens circulam da Europa para cá (como as televisões de plasma ou os telemóveis com vídeo), aproveitando as auto-estradas que se construiram na gorda década de 1986-1998, mas as pessoas não se consideram (ou não são tratadas como) com cidadania europeia.

Pessimismo realista? Em Nobre-Correia é evidente.

MCLUHAN (SOBRE)

  • [...] nos livros podemos ler que, quando o livro surgiu, foi condenado porque as pessoas questionavam como se podia estudar pelos livros sem a autoridade do professor. Agora dizemos: como podemos ter a televisão em sala de aula sem a autorização do livro? (Gilbert Seldes, em entrevista na televisão com McLuhan e outros participantes em 1960; no livro McLuhan por McLuhan. Conferências e entrevistas, organizado por Stephanie McLuhan e David Staines, 2005, p.70).

    Pessoalmente, McLuhan tinha pouca paciência com a televisão ou qualquer outro meio de comunicação electrónico, mas ficava assombrado quando via os seus filhos estudarem, assistirem à televisão, conversarem ao telefone, ouvirem rádio e tirarem fotografias, tudo ao mesmo tempo. Segundo ele, a nova geração estava fadada a se entediar em salas de aula dirigidas por professores pertencentes ao mundo da imprensa. Isso, dizia, significava que o sistema educacional devia ser totalmente modificado (Tom Wolfe, introdução ao livro McLuhan por McLuhan. Conferências e entrevistas, organizado por Stephanie McLuhan e David Staines, 2005, pp.15-16).
Estas discussões têm mais de 40 anos, mas não parecem destes dias da internet e dos cursos universitários à Bolonha?

DISSERTAÇÃO DE MESTRADO SOBRE CIENTISTAS COMO FONTE DE INFORMAÇÃO


Hoje de manhã, na Universidade Nova de Lisboa, defendeu dissertação de mestrado em Ciências da Comunicação a aluna Renata Moreira com o título Os cientistas como fonte, tendo obtido a classificação máxima.

Como ponto de partida, a agora mestre fez um levantamento de cientistas citados como fontes de informação em media brasileiros e portugueses (Veja, Visão, O Globo, Público). Depois preparou um questionário que enviou a esses cientistas referenciados na imprensa dos dois países, oriundos das áreas de ciências naturais e biomédicas. De 164 cientistas citados, escolheu 147 e trabalhou 51 inquéritos completos.

Renata Moreira concluiu que o maior grupo de cientistas que é fonte tem mais de 50 artigos científicos publicados. Concluiu igualmente que os cientistas consideram fundamental deter o controlo da informação científica veiculada pelos media noticiosos, que os cientistas mais qualificados interagem mais com os jornalistas de ciência e que os jornalistas brasileiros entrevistam cientistas mais qualificados que os seus colegas portugueses. A secção com maior número de cientistas citados aparece é a de sociedade e não a de ciência como os cientistas mais mais puristas defendem (conservadores na linguagem de Renata Moreira).

O trabalho discutido publicamente hoje de manhã foi co-orientado pelos professores Nelson Traquina e Marta Mendonça.

quinta-feira, 6 de março de 2008

TEATRO EM OEIRAS


O 30 DIAS, roteiro da Câmara Municipal de Oeiras, faz 11 anos com a actual edição de Março.

No Ano Internacional das Línguas e Ano Europeu do Diálogo Intercultural e no mês em que se dá início à Mostra de Teatro Amador, a publicação escolheu uma mulher do teatro para capa e entrevista, Natasha Marjanovic, que lerá "a mensagem do Dia Mundial do Teatro, a 27 de Março, a anteceder a apresentação no Auditório Lourdes Norberto, em Linda-a-Velha, da peça O Tinteiro, de Carlos Muñiz", êxito de público e crítica em 1961, então levado à cena pelo Teatro Moderno de Lisboa, e agora retomado pelo Intervalo - Grupo de Teatro (informação fornecida pelo editor da publicação).

WORKSHOP DE TEATRO E EXPRESSÃO DRAMÁTICA NO PORTO


Realiza-se, nos dias 27 e 28 de Março e na Associação Cultural Mutantes do Porto, um workshop de teatro e expressão dramática.

O formador é Nuno Meireles, licenciado em teatro pela ESMAE e com uma pós-graduação em dança pela FMH. Estudou encenação no Seminário de Jovens Encenadores, no TDMII, com Eimuntas Nekrosius, Guedanni Bogdanov e Kristian Lupa. É actor profissional desde 1997, tendo já trabalhado com o Teatro de Marionetas do Porto, Teatro Maizum, Teatro Bábá, A Escola da Noite, Cacto e Bonsai, Seiva Trupe e Ácaro, em Lisboa, Porto e Coimbra. Dedica-se sobretudo à comédia. Lecciona, desde 2003, a disciplina de Jogo Dramático na ESAP.

Mais informações: Associação Cultural Mutantes, na Rua de Trás, 49, Porto (junto aos Clérigos) ou e-mail
associacaomutantes@gmail.com.


CANAL DESPORTIVO


Francisco Penim prepara o canal de televisão do Benfica. Trata-se do primeiro cliente da Cherry Entertainment, produtora liderada por Francisco Penim, Pedro Costa e Gonçalo Castel-Branco, criada no seio do grupo Ativism (ver notícia completa aqui, na newsletter da Meios & Publicidade).

quarta-feira, 5 de março de 2008

AUDIOLIVROS


Alguns dos principais editores livreiros mundiais estão a retirar o software anticópia no download digital dos audiolivros. Isto permitirá que os consumidores possam transferir sem inibições o conteúdo dos audiolivros para aparelhos como computadores, telemóveis e mp3 e, consequentemente, partilhar com outros consumidores.

Com esta decisão, os editores esperam alargar a venda de audiolivros e o seu download. O negócio dos audiolivros gerou 923 milhões de dólares no ano passado, segundo a Audio Publishers Association.

A Random House, o maior editor mundial, foi o primeiro a anunciar a retirada do software de anticópia DRM (digital rights management), que protegia os ficheiros e dificultava a execução de cópias. Em carta enviada aos outros editores, a Random House anunciou que todos os audiolivros desprotegidos começariam a ser lançados já este mês a menos que os retalhistas ou os autores se expressassem em oposição.

Agora, o Penguin Group, o segundo principal editor americano, também apoia a decisão e indica ir colocar os audiolivros para download (formato mp3) no emusic, o segundo mais importante serviço de música digital a seguir ao iTunes.

Espera-se que mais editores sigam estes exemplos, caso da Simon & Schuster Audio, que vai colocar no mercado 150 títulos sem protecção anticópia nos próximos dois meses. A HarperCollins espera por mais desenvolvimentos comerciais até se decidir se retira ou não o software DRM (informação via
cnet-news.com).

terça-feira, 4 de março de 2008

ANTENA 2


Dizer mal por dizer mal não é meu feitio. Mas escutar o programa da manhã da Antena 2 com muitas palavras e pouca música não é agradável. E creio que foge ao serviço público contratualizado com o Estado. Ouvir comentários sobre a situação política (ou climatérica, ou outra qualquer) como se fosse uma rádio temática de notícias, com um agora comentador residente, é errado. Erradíssimo. E mais incorrecto é ouvir o animador do programa dizer que vai passar uma música que dura 40 segundos ou minuto e meio. Música a metro e palavra a quilómetro?

Hoje, de manhã, procurei nas ondas hertzianas uma alternativa à Antena 2. Infelizmente, não encontrei. Vou migrar para as rádios na internet.

Porque não regressa a rádio que transmite música séria (clássica) com informação precisa e concisa sobre essa música e as suas estéticas específicas? Precisamos de menos tutólogos (os jornalistas que sabem de tudo) e de mais especialistas de música. E mais formalidade, pois há muita informalidade (quase diria: displicência) na relação com o ouvinte. Culto, o público da Antena 2 gosta de programas organizados, o que parece escassear.

ESTE MODELO NÃO SERVE!

1º FEIRA DE ARTES PERFORMATIVAS DE TAVIRA


De 2 a 5 de Julho de 2008.

Foi alargado, até 14 de Março, o prazo de inscrições para a 1ª Feira de Artes Performativas – Tavira 2008.


Os projectos - nas áreas de Trandisciplinares, Teatro, Dança, Novo Circo ou Música - deverão ser enviados para
producao@procurarte.org e deles deverá constar: 1) dossiê de espectáculo (sinopse, condições técnicas e logísticas, cachet), 2) fotografias, 3) vídeo (poderá ser enviado por correio).

Para saber mais, procurar em http://www.procurarte.org/.

ANTÓNIO DACOSTA NO CENTRO DE ARTE MANUEL DE BRITO


A pintura de António Dacosta no Centro de Arte Manuel de Brito (Algés), até 11 de Maio (a imagem representa a obra Duas sereias à boca de uma gruta, 1980, acrílico sobre tela).

CONCURSO JOVENS CRIADORES'08


O concurso Jovens Criadores, uma organização conjunta da Secretaria de Estado da Juventude e do Desporto (SEJD), do Instituto Português da Juventude (IPJ) e do Clube Português de Artes e Ideias (CPAI), "visa incentivar e promover valores emergentes de diferentes áreas artísticas". Podem concorrer jovens com idade limite de 30 anos no final do ano passado. Data limite do concurso: 12 de Abril.

Ver mais informação no sítio do
Clube Português de Artes e Ideias.

MEDIA, RELIGIÃO E RITUAL


No próximo dia 7, pelas 15:00, no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa (ICS, Av. Prof. Aníbal de Bettencourt, 9), realiza-se uma conferência de Filipe Reis (Departamento de Antropologia do ISCTE intitulada Intersecções entre Media, Religião e Ritual: o consumo de rádio e santuários numa audiência-comunidade.

O resumo da conferência de Filipe Reis (interna para alunos de programas de pós-graduação do ICS, mas com elevado interesse para quem estuda os media) é o seguinte:


Partindo de um estudo etnográfico sobre a produção e o consumo de um programa radiofónico, procuro rever e questionar a forma como os conceitos de media, religião e ritual vêm sendo apropriados pela teoria da comunicação e pelos estudos dos media. Se nos lembramos da célebre frase de Hegel (que Benedict Anderson tão bem recuperou) – “a leitura do jornal, para o homem moderno, é um substituto das orações matinais” – facilmente se percebe que estamos perante uma velha intuição, tão velha quando a história do que hoje chamamos meios de comunicação de massa; mas só recentemente voltou à tona. Uma corrente que poderíamos designar de culturalista (e que tem procurado, por diversas vias, escapar ao clássico processualismo que dominou os estudos de comunicação) vem usando os conceitos de ritual e religião para explicar os massivos fenómenos comunicacionais da era da televisão. Um dos argumentos mais conhecidos afirma que a televisão, ou mais propriamente, certos acontecimentos mediáticos transmitidos para largas audiências televisivas, desempenhariam nas sociedades contemporâneas um papel semelhante ao que outrora, nas sociedades pré-modernas, era desempenhado pelo ritual. Outros argumentos têm ido mais longe, afirmando que os media são o lugar do religioso nas sociedades contemporâneas.

O argumento que aqui desenvolvo vai noutro sentido: tendo em consideração as revisões e críticas a estes argumentos neo-durkheimianos e à banalização do conceito de ritual por parte de muitos teóricos dos media, interessa-me menos a ideia de os media eventualmente substituírem ou funcionarem como ritual ou religião nas nossas sociedades e interessa-me mais explorar como os media intersectam o campo da ritualização e da religiosidade. Interessa-me, sobretudo, explorar como, de tal intersecção, podem surgir novas formas de interacção social e de consumo.

O meu contexto particular é um programa radiofónico. O programa em questão tem um formato interactivo e é emitido por uma rádio local sediada em Bragança; existe desde 1990 e é ouvido e consumido por uma audiência, consideravelmente vasta, maioritariamente composta por população rural espalhada pelas aldeias e vilas do nordeste do país. O meu estudo etnográfico deste “talk show” (realizado entre 1999 e 2003) analisa o que acontece quando certas práticas religiosas e devocionais (como a oração matinal, a romaria a santuários e o culto dos santos) se tornam objecto de mediação (no sentido que Martín-Barbero e outros dão ao termo) e de mediatização, dando origem a novas formas de consumo de rádio e dos santuários locais, e a um processo de espectacularização da prática religiosa entre uma audiência-comunidade chamada “Família do Tio João”.

segunda-feira, 3 de março de 2008

PÓS-GRADUAÇÃO EM TELEVISÃO E CINEMA


A introdução do digital na produção de televisão, e cinema, na emissão e na difusão de conteúdos agora também por via hertziana, lança novos desafios aos profissionais e aos estudiosos destes dois media.

Conhecer os públicos e as suas preferências, perceber os novos caminhos e tendências da televisão e do cinema no mundo, conceber produtos e realizá-los para as novas janelas e novas plataformas, são as questões da actualidade no meio audiovisual. O que muda e o que se mantém imutável no processo de produção e realização na era digital? Que desafios à informação televisiva ou à produção documental e ficcional? Como funcionam os novos mercados e circuitos de distribuição cinematográfica? Que potencialidades e limites têm os novos suportem e as novas plataformas? O que implica produzir em HD (Alta Definição)? Que nova linguagem audiovisual resulta desta revolução em curso?

Curso a decorrer na Faculdade de Ciências Humanas, Universidade Católica Portuguesa (UCP), de 10 de Abril de 2008 a 20 de Fevereiro de 2009.
Candidaturas: de 3 a 14 de Março de 2008
Horário pós-Laboral: 5ª e 6ª-feiras, das 18:30 às 21:30
Para saber mais: sítio da
UCP.

INFOGRAFIA DA IMPRENSA


As Edições MinervaCoimbra promovem no próximo dia 6 de Março, pelas 18:00, a apresentação do livro Infografia da imprensa - História e análise ibérica comparada, de Susana Almeida Ribeiro (jornalista do publico.pt).

António Granado (jornalista do Público e professor universitário) será o apresentador do livro, acontecimento programado para a Hemeroteca Municipal de Lisboa, na Rua de S. Pedro de Alcântara, 3 (ao Bairro Alto, em Lisboa).



Do comunicado de imprensa da editora retiro a seguinte informação:

  • As infografias são uma das ferramentas mais úteis do jornalismo moderno. Das infografias das páginas dos jornais aos gráficos animados online, estes utensílios informativos estão a ganhar espaço. As infografias simplificam, resumem, aclaram e fazem reter a informação nas mentes dos leitores. Elas dão a conhecer pormenores que as fotografias não captam e explicam fenómenos que a palavra escrita nem sempre consegue fazer passar, por muito descritiva que seja. As infografias são visualidade. Elas mostram. Condensam o que de importante há a reter em determinada notícia e apresentam-na num "formato de leitura rápida".

    Com uma vista de olhos, o leitor apressado de hoje consegue captar o básico sobre determinado fenómeno ou acontecimento. Mais que necessárias, as infografias assumem um papel de utilidade pública. Elas são uma democratização dos gráficos explicativos que antigamente só se podiam ver em enciclopédias ilustradas.
O blogueiro deseja muitas felicidades à autora e à editora (e ao director da colecção, Mário Mesquita). Infelizmente, uma actividade profissional à mesma hora impede-o de estar presente.

APRESENTAÇÃO DO LIVRO DE CARLOS CAPUCHO


Magia, luzes e sombras. 1974-1999: vinte e cinco anos de filmes no circuito comercial em Portugal, hoje ao fim da tarde, na Universidade Católica Portuguesa (UCP).

A apresentação coube a Vítor Reia-Baptista, da Universidade do Algarve, que já prefaciara a obra (na mesa estão igualmente o autor e o reitor da UCP, professor Manuel Braga da Cruz).



O(S) TEMPO(S) DOS MEDIA


A revista Estudos do Século XX nº 7, com o tema "O(s) Tempo(s) dos Media" coordenado pela professora Isabel Nobre Vargues, vai ser lançada na Sala do Exame Privado da Reitoria da Universidade de Coimbra, amanhã, dia 4, pelas 16:00. A apresentação estará a cargo do professor Mário Mesquita.


Os textos jornalísticos de Eça de Queirós, os tempos da censura e da propaganda colonial e o jornalismo no Verão Quente de 1975, os desafios actuais dos jornalistas e a crítica de arte são alguns dos vários temas abordados neste sétimo número da revista. Com participações de Ana Teresa Peixinho, Isabel Nobre Vargues, Heloísa Paulo, João Figueira, Isabel Ferin Cunha, Maria João Silveirinha, Maria Arroyo Cabello, Francisco Rui Cádima e Pablo Blesa Aledo (no sub-tema "Tempos e Transformações"), Lina Alves Madeira, Luís Mota, José Luís Lima Garcia, António Louça, Isabelle Paccaud, Sandra Duarte, João Rui Pita e Ion Zainea (em "História e Memória"), e Luís Costa Dias, Fausto Cruchinho, Isabel Nogueira, Paulo Cunha e Paulo Granja (em "Culturas e Medias").

domingo, 2 de março de 2008

DIGITAL NO PÚBLICO


A última edição do suplemento "Digital" do jornal Público saiu ontem. Em editorial intitulado "Adeus", Pedro Ribeiro trouxe para a página os trabalhos de 53 números, como a guerra das consolas e dos formatos, a transformação provocada pelo Skipe e pelo YouTube, o lançamento do iPhone, a consolidação do Second Life, o estado da blogosfera, a televisão de alta definição e a televisão digital terrestre.

A edição de despedida teve páginas muito sólidas, como o texto de Howard Gardner e a entrevista de Lee Siegel. A não perder.

Pouco mais de um ano durou a aventura. Sinto muita pena pelo desaparecimento - dada a qualidade sempre colocada na informação e nas colunas de opinião assinadas por jornalistas do Público -, mesmo que se garanta um blogue especializado no Público.pt.

INTERACTIVIDADE


P. David Marshall apresenta a interactividade como elemento distintivo dos novos media.

A interactividade quer dizer: 1) valores e significados interpessoais, 2) capacidade de fornecer ambientes completos, como a realidade virtual, 3) diferente representação face às antigas formas de relacionamento da audiência e dos media (as antigas formas de relação com a rádio e a televisão são agora substituidas, por exemplo, pelo correio dos fãs). Marshall adianta ainda que a interactividade é o grau de participação no processo de comunicação, com duas faces: 1) controlo, e 2) liberdade (a que chama, igualmente, poder do utilizador).
O controlo é um agente central ao desenvolvimento dos computadores enquanto tecnologia. O computador é uma máquina inteligente, cuja origem remonta à cibernética (ver o pensamento de Norbert Wiener aqui). Na cibernética, uma informação gerada pode alterar os objectivos de um sistema. Por exemplo, um termostato produz informação capaz de controlar a temperatura ambiente. Quando é atingido o objectivo, chega-se ao equilíbrio ou homeostase. Uma das condições da cultura dos novos media é a constante vigilância. Por exemplo, nas décadas mais recentes, os espaços públicos e privados tiveram um aumento do número de câmaras vídeo, efeito que pode encontrar um paralelo no panóptico de Bentham, descrito por Foucault. A vigilância dos novos media vai além da câmara, como a navegação na internet. A ideia de anonimato é um mito, pois, na realidade, ficam lá traços digitais sob a forma de “cookies”. Ou nas compras: por cada compra feita com pagamento electrónico segue uma informação de preferências do consumidor, as quais podem ir para uma base de dados.

A segunda característica da interactividade é a liberdade ou posse de poder do utilizador. Marshall aplica um outro conceito da cibernética, a entropia, a tendência para os elementos se dispersarem e não permanecerem na estrutura e na ordem, permitindo a mudança e a transformação. Nos novos media - no videojogo como no sítio da internet -, há mudanças e escolhas múltiplas que o utilizador pode decidir. Inquire-se o indivíduo quanto à escolha de uma ligação, parte do processo de construir a forma do seu meio. Isto parece ter pouca importância, mas a relação de mudança com os media é muito significativa e com repercussões nas indústrias culturais e na cultura contemporânea. O envolvimento individual é preenchido com escolhas e decisões. Por exemplo, jogar um jogo no telemóvel enquanto se espera o autocarro por oposição a mandar um email a um amigo significa que o utilizador é chamado a interagir através da interface dos novos media.


Leitura: P. David Marshall (2004). New media cultures. Arnold: Londres e Nova Iorque, pp. 13-26

[Ver mensagem de ontem sobre o mesmo autor e texto; sobre cibernética ver aqui]

sábado, 1 de março de 2008

III JORNADAS INTERNACIONAIS DE JORNALISMO


Na Universidade Fernando Pessoa (Porto), no dia 14 de Março, as III Jornadas Internacionais de Jornalismo - Jornalismo e Democracia Representativa. Ver o resto do programa aqui.

O FILME DOS IRMÃOS JOEL E ETHAN COHEN

  • Porque é que havíamos de confiar em Ed Tom Bell? O filme, de resto, dá-nos razão. Saímos, por isso, da sala de cinema com uma ponta de desgosto na alma, apesar de tudo gostamos que o cinema recomponha a realidade, pelo menos na ficção a justiça há-de prevalecer. Pobres de nós, espectadores, se quisermos ir buscar a Este país não é para velhos qualquer forma de conforto (Jorge Leitão Ramos, Expresso de hoje).
Ontem à noite, eu também verifiquei o espanto e a incredulidade nos espectadores face ao final do filme. Ao mau da fita, Anton Chigurh (desempenhado por Javier Barden), que foge após um embate violento do carro em que seguia, mesmo com um osso do braço à espreita, opõe-se Ed Tom Bell (desempenhado por Tommy Lee Jones), o xerife já reformado e que comenta com a mulher que tem uma idade muito mais elevada que o pai, quando este morreu assassinado. De fora estava já Llewelyn Moss (desempenhado por Josh Brolin), um ladrão com quem nós simpatizamos mas achamos estranhas as suas opções de vida e decisões, assassinado entretanto, quando o xerife estava a chegar junto dele. Aliás, o xerife nunca chega à fala quer com o ladrão quer com o mau da fita.

Um apontamento: não concordo com Jorge Leitão Ramos, quando diz que Chigurh não tem alma. Para mim, ele é super-homem: está nos sítios certos, sabe onde estão os indivíduos que ele procura, caminha como se fosse um robô, não tem moral e a dor é superada facilmente, operando-se a si mesmo e regenerando as suas deficiências e dificuldades.

Em meu entender, as estátuas de Hollywood que o filme arrecadou são inteiramente merecidas.

O MEU AMIGO INVISÍVEL


Muitos anos atrás, eu jogava um jogo que se chamava o "amigo invisível". Consistia, dentro de um grupo, em haver alguém que era mais gentil do que outros, mas de modo muito discreto, dando prendas sem se denunciar. No final do jogo, ficávamos a conhecer esse amigo invisível. Claro que se eu tinha um amigo invisível, também eu era o amigo invisível de outra pessoa, numa rede circular que a todos tocava.

Parece que isso está a acontecer no blogue - e é uma boa manifestação num momento em que as audiências do Indústrias baixaram pelo terceiro mês consecutivo relativamente a período homólogo (eu trabalho muito a sério com estes termos; no mês de Fevereiro houve menos quatro mil visitantes), levando-me a hesitar se o blogue não estará a terminar a sua prestação nos próximos meses por carência de leitores.

Nas mensagens que destaco a seguir há ligações entre quase todas elas: referências em língua francesa e uso de reticências.


de nomear o mundo... (19 de Fevereiro)
bom dia, sempre atento, informado e a partilhar, como o JPalma, conjugado no presente: " tudo o que eu vi estou a partilhar contigo"... (20 de Fevereiro)
Parabéns também pelo modo simpatico de agradecer. A naturalidade assusta-nos, mas ainda ha quem ouse pegar-lhe... MC (24 de Fevereiro)
é, ainda ha quem ouse agradecer, assim, carinhoso: " obrigado do coração...", na altura do lançamento. Um estilo de ser.(24 de Fevereiro)
Ha gente informada porque trabalha para isso, gosta de partilhar, gosta...
Eu também gosto desta gente que nao esconde o que sabe. Sabe "Guardar" ( V.Antonio Cicero e C&...) (24 de Fevereiro)
Guardar Guardar uma coisa não é escondê-la ou trancá-la. ... António Cícero é...
"prendre soin..." Bernard Stiegler e outros da mesma familia ... (24 de Fevereiro)
(d)as pernas e (d)os homens - les genoux de claire - Truffaut, Barthes, Rogerio dos Santos... et tout ça ... (24 de Fevereiro)
"Em Barthes (1915-1980), o signo remete para a relação de dois termos ou elementos [relata] que implicam ou não a representação psíquica de um deles, a analogia, a imediatez do estímulo e resposta, a coincidência e a ligação. Trata-se do significante e do significado." e eu, que gosto de o ler, fiquei uma in-significante desanimada com as (suas) notas. Acho que nao entendo mas persisto. (24 de Fevereiro)
é bom fazer de conta que se é menino. E senti-lo consigo. (25 de Fevereiro)
A "musica" hoje ... é o que ha. Aguardemos. (26 de Fevereiro)
é bom bom dia (27 de Fevereiro)
Rogério Santos a ler por todos, que bom e que jeito me da este trabalho. MC (27 de Fevereiro)
" a realidade foi mais pesada..." bem dito. Dizem-nos, longe dai, que a herança chega à terceira geraçao. Exemplos,inconscientes, de peso,abundam na segunda geraçao... " uma apagada(...)tristeza..." (29 de Fevereiro)
Voici la pratique amoureuse du Bien... Eis como se pode praticar... (o) Bem. Sentir-se bem consigo, connosco (1 de Março).


DES OMBRES

JORNALISMO CULTURAL


Aconselho a ler o artigo de Vítor Belanciano no caderno "P2" do Público de hoje sobre Céline Dion e um livro escrito sobre a cantora, de autoria de Carl Wilson.


Lê-se no final do artigo de Belanciano (depois de ler o artigo no jornal em papel, retirei a versão da internet):
  • No limite, o livro serviu para Wilson colocar em causa também a sua actividade. Principalmente num tempo onde a proliferação de formas comunicativas, com destaque para a internet, têm vindo a produzir mudanças profundas numa série de significados sociais. A interpretação da vida social já não é realizada apenas por alguns para uma massa de outros. Essa relação hierárquica tem vindo a desvanecer-se quase por completo. E isso é particularmente visível no jornalismo cultural, de onde Carl Wilson provém. "Cabe hoje ao jornalismo cultural encontrar novos paradigmas, novas formas de actuação, e escapar à ideia clássica de "agenda", cingindo-se ao lançamento de discos, livros ou mostras de artistas consagrados. No fim de contas, foi por isso que escrevi este livro. Falta mais análise e interpretação. Nem sempre é fácil ter uma perspectiva aberta sobre determinada obra, sem a arrumar em modelos redutores, o que implica pensar e reflectir - que é algo complicado, para a maior parte das pessoas. E implica evitar distinções maniqueístas, sejam elas sobre "alta" e "baixa" cultura ou sobre "arte" e "comércio". É preciso arriscar e estabelecer novas relações entre as coisas, porque a realidade está mais complexa. O problema é que ao fazê-lo, podemos pôr-nos em causa, e ninguém gosta de ser posto em causa, não é?"

REVISTAS FEMININAS


O Jornal de Notícias (Porto), na sua edição de hoje, dedica atenção aos vinte anos de revistas femininas - Elle, Máxima, Marie Claire - as chamadas glossy (papel encorpado e lustroso, orientadas para públicos femininos sofisticados e urbanos).

Maria Elisa Domingues, a primeira directora da Marie Claire portuguesa (franchise), disse ao jornalista Nuno Miguel Ropio: "Eram revistas que apostavam na moda e nós nunca o tínhamos feito. Não existiam produtores, fotógrafos e um sem número de profissionais, que depois formámos e hoje dão cartas neste tipo de jornalismo". As revistas dariam a conhecer, comenta o jornalista, nomes como Paula Moura Pinheiro, Catarina Portas e Isabel Stilwell.

É urgente o lançamento do livro de Helena Cordeiro sobre revistas femininas (cujo título será mais ou menos o seguinte: O papel principal - contributo para uma análise do que vêem as mulheres nas revistas femininas). Esteve indicado sair em Fevereiro, mas já estamos em Março. Trata-se de uma peça fundamental sobre recepção e consumo das revistas femininas, uma área primordial para a compreensão do mundo das mulheres urbanas, emancipadas e de estatuto social classe C1 e acima.

NOTAS PARA UMA AULA DE TEORIA DA COMUNICAÇÃO [DEVERIA ESTAR ENTRE AS NOTAS 3 E 4]


Há várias tradições que estudaram os media no sentido da sua avaliação, de que se destaca a investigação de comunicação de massa, baptizada nos Estados Unidos como mass communication research, derivada principalmente da sociologia.

P. David Marshall, em New media cultures, que aqui sigo de muito perto, anota três direcções desta investigação: 1) sobre os próprios media, 2) no desenvolvimento do estudo crítico dos media, e 3) na formulação de políticas governamentais face aos media [imagem retirada do sítio Web Theory].

A orientação mais vasta da comunicação de massa assentou em técnicas quantitativas de análise, com duas trajectórias distintas, em que a primeira, desde os anos de 1930, investigou a audiência através de estatísticas sobre o que as pessoas vêem, lêem ou ouvem (estudos de audiência). Trata-se de uma linha que serve a indústria e de que se destacou a ACNielsen - em Portugal, a Marktest - dando o máximo de informação das audiências a clientes como os canais de televisão e rádio e os agentes publicitários para a colocação estratégica de mensagens. Pesquisa de mercado e sondagens políticas são as indústrias irmãs deste tipo de investigação. A pesquisa da audiência sofisticar-se-ia ao ponto de determinar o perfil demográfico de uma audiência, que se aplica igualmente ao estudo dos novos media como a internet.


O segundo tipo de investigação quantitativa é a análise de conteúdo. Muitos estudos procuram determinar a frequência de palavras e imagens num dado texto. Uma das formas mais comuns de análise de conteúdo é a desencadeada sobre as notícias - qual a frequência de dados temas nas notícias, como é que uma palavra é usada para expressar uma situação e que histórias dominam os noticiários televisivos das 20:00. O objectivo é ver o equilíbrio ou tendências ou enviesamento das notícias, por exemplo, sobre a violência: da sociedade, sobre as mulheres e os velhos, sexual, infantil. Os estudos de George Gerbner, ao longo de três décadas, debruçaram-se sobre a comparação (e diferenciação) da violência na televisão e da violência no mundo real (da cultura americana). A sua teoria da cultivação explica a excessiva representação da violência nos media.

P. David Marshall descreve uma terceira variação, a dos efeitos, derivada mais da psicologia que da sociologia, em que se procura estabelecer uma relação causal entre uso dos media e actos violentos. Nesta linha houve desde sempre apoios financeiros governamentais e de outras instituições para medir essa relação, com as crianças a serem frequentemente o foco desses estudos, ocupados com temas como a publicidade. Medem-se as mudanças emocionais, comportamentais e de atitude numa audiência, as quais se podem relacionar com estímulos mediáticos.

Um autor que imperou na teoria dos efeitos foi Paul Lazarsfeld, dentro da corrente funcionalista, nomeadamente desenvolvendo o modelo dos usos e gratificações, em que se estudou o como as pessoas se articulavam com os media, os seus sentimentos e expectativas e, até, os motivos porque algumas pessoas têm capacidade de influenciar outras pessoas.


O professor Marshall é professor e responsável do departamento de Communication Studies na Northeastern University (Boston, Estados Unidos), e autor de Celebrity and Power: Fame in Contemporary Culture (Minnesota, 1997), co-autor de Fame Games: The Production of Celebrity in Australia (Cambridge, 2000/01) e editor de Celebrity Culture Reader (Routledge, 2006). Foi o fundador do jornal electrónico m/c- a journal of media and culture.

Leitura: P. David Marshall (2004). New media cultures. Arnold: Londres e Nova Iorque, pp. 5-6