terça-feira, 13 de maio de 2008

OS POEMAS DO SENTIR DE MARIA PAULA MARQUES


Foi lançado no dia 11 o livro de Maria Paula Marques, Poemas do Sentir, com ilustrações de Cristina Drago.

O encontro decorreu na
Galeria Matos Ferreira (Rua Luz Soriano, 18, Lisboa) e contou com leitura de poemas de jograis e por Carmen Filomena.



A Galeria Matos Ferreira é um local de encontro de exposições, conferências ou tertúlias e serviço de bar, espaço muito agradável no Bairro Alto.

SÉRIE DIÁRIO DE SOFIA NOMEADA PARA OS BROADCAST DIGITAL CHANNEL AWARDS


A série Diário de Sofia (versão inglesa) foi nomeada para os Broadcast Digital Channel Awards, segundo a newsletter de hoje da Meios & Publicidade.

A versão inglesa da série produzida pela Beactive em conjunto com a SPTI estreiou no mercado britânico no site
Bebo.com (imagem abaixo) e foi lançada em Abril no canal de televisão Channel 5. Os resultados serão conhecidos a 4 de Junho.

segunda-feira, 12 de maio de 2008

LIVRO SOBRE FUTURO DA GESTÃO DOS MEDIA


Na próxima semana, mais precisamente a 20 de Maio, durante a 8ª Conferência Mundial de Economia e Gestão dos Media, organizada em Lisboa pela Universidade Católica Portuguesa (Centro de Estudos de Comunicação e Cultura) e pelas revistas MediaXXI e International Journal of Media Economics, vai ser lançado o livro Looking to the future of modern media management, com organização de Christian Scholz e Uwe Eisenbeis, membros da International Media Management Academics Association.

A obra reúne 22 artigos de alguns dos mais destacados investigadores e profissionais internacionais no sector, incluindo a contribuição de um docente português, Paulo Faustino (Universidade Católica Portuguesa).

Da promoção ao livro lê-se:

  • Durante a última década, os media tornaram-se numa das mais fortes indústrias do mundo, apresentando um desenvolvimento rápido e exponencial. Esta conjuntura cria uma crescente necessidade de ferramentas de gestão específicas aos profissionais do sector, no sentido de antecipar os desafios presentes e futuros, prever o comportamento dos consumidores, desenvolvimento tecnológico e a evolução das cadeias de valor, ou identificar novas áreas de investimento.
Recorde-se que, durante a mesma conferência, Francisco Rui Cádima lançará o seu livro A crise do audiovisual europeu - 20 anos de políticas europeias em análise. Ambas as edições têm a chancela da MediaXXI.

ECONOMIA DA CULTURA


Amanhã, dia 13, pelas 20:00, na livraria Saraiva, no Shopping Paulista (S. Paulo, Brasil), Alfredo Bertini lança o livro Economia da cultura - a indústria do entretenimento e o audiovisual no Brasil.

Bertini é um dos directores do CINE PE – Festival do audiovisual, criado em 2002 pela necessidade de ampliação do Festival de Cinema do Recife.

Doutor em Economia pela Universidade de São Paulo e com uma longa carreira nessa área como professor universitário, autor de livros especializados e consultor, foi Secretário Adjunto do Estado de Pernambuco em 1994 e 1995, quando começou a desenvolver o projeto de realização do Festival de Cinema do Recife, que teve sua primeira edição em 1997 (na imagem em cima, com a esposa à direita, Sandra Bertini, igualmente directora do festival, e Graça Araújo; imagem retirada do sítio do CINE PE).

ALKANTARA FESTIVAL


A decorrer entre 22 de Maio e 8 de Junho, o alkantara festival é um dos maiores festivais de dança e teatro em Portugal, apresentando 26 espectáculos em 78 sessões de artistas vindos de 18 países nos 17 dias do festival.


Os artistas são provenientes de Portugal, Austrália, Índia, Turquia, Nova Zelândia, República Democrática do Congo, Bélgica, Reino Unido, Suíça, Estados Unidos, Alemanha, Argentina, República Checa, Brasil, Líbano, França, Argélia e Colómbia. Os espaços onde passam os espectáculos são Auditório Carlos Paredes, Castelo de São Jorge, Centro Cultural de Belém, Culturgest, Espaço Alkantara, Espaço Land, Hospital Miguel Bombarda, Museu da Electricidade/Central Tejo, Museu do Oriente, Palácio Nacional da Ajuda, Maria Matos Teatro Municipal, São Luiz Teatro Municipal, Politécnica e Teatro Meridional.

Mais de 40 programadores de teatros e festivais internacionais já confirmaram a sua vinda a Lisboa para assistir aos espectáculos do festival.

Do programa, e sem qualquer juízo de valor por parte do blogueiro, chamo a atenção para o espectáculo de rua de clara andermatt Meu Céu (Portugal), no castelo de S. Jorge, a 4 e 5 de Junho, pelas 22:00 (cartaz de João Lucas), onde "uma equipa multidisciplinar incluindo bailarinos, actores, músicos, traceurs e um grupo de intérpretes com mais de 60 anos de Santa Maria da Feira, onde o espectáculo foi criado. O projecto apropria-se das características arquitectónicas do espaço para envolver o público numa espécie de ritual comunitário".

PRÉMIO DE PATRIMÓNIO CULTURAL PARA O MUSEU DA PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA


O Museu da Presidência da República foi distinguido com o Prémio do Património Cultural da União Europeia/Europa Nostra 2008, pelo trabalho de investigação sobre o património material e imaterial do Palácio de Belém, que permitiu a concepção e produção da exposição e do catálogo Do Palácio de Belém.


A cerimónia de atribuição do galardão vai ter lugar no próximo dia 12 de Junho na Catedral de Durham, no Reino Unido, e será presidida pela Infanta D. Pilar de Borbón, Presidente da Europa Nostra, e pela Directora-Geral de Educação e Cultura da Comissão Europeia, Odile Quintin. O prémio será recebido pelo Dr. Diogo Gaspar, director do Museu da Presidência da República.

O Prémio Europa Nostra (segundo os organizadores) foi atribuído ao Museu pela "qualidade excepcional do projecto de investigação, e pela sua contribuição inestimável para a salvaguarda do património cultural na Europa". Trata-se do segundo prémio (depois do Prémio José de Figueiredo 2006, da Academia Nacional de Belas-Artes) concedido ao projecto de investigação desenvolvido entre 2003 e 2005, que se concretizou com produção da exposição Do Palácio de Belém (patente ao público entre Outubro de 2005 e Fevereiro de 2006) e com um conjunto de sete separatas e um catálogo. Estas obras tiveram como propósito contribuir para o estudo da actual residência oficial do Presidente da República, disponibilizando informação sobre o seu património móvel, imóvel e imaterial, que se manteve desconhecido durante muitos anos.

[observação: segui o texto enviado pelo Serviço de Comunicação do Museu da Presidência da República]

JORNALISMO DIGITAL


Comecei no blogue de Rodrigo Savazoni (aconselhado num post numa rede social por Rodrigo Furtado Costa, da Universidade do Estado de Minas Gerais, Campus de Frutal & Faculdade Frutal, do Brasil).

Savazoni escrevia no passado dia 1 sobre a
Garapa, uma produtora multimedia, e refere "reportagens de altíssima qualidade. Isso é resultado da explosão do jornalismo digital nos últimos dois anos. Texto, áudio, vídeo, foto, mashups, mapas reunidos por criativos jornalistas resultam em histórias contadas de um jeito que jamais se viu. Alguns chamam de multimídia. Eu gosto da expressão hipermídia".

Depois,
Rodrigo Savazoni encaminha-nos para a MediaStorm, de Brian Storm, ex-director da MSNBC,

  • que resolveu apostar seus dotes e dólares na construção de uma produtora digital para a rede. O MediaStorm tem trabalhos publicado por veículos da grande mídia americana, entre os quais a própria MSNBC, o Washington Post e o Los Angeles Times. É impossível não se emocionar com trabalhos como o Blodlines, finalista do Emmy, ou o sensacional Kingsley Crossing, vencedor do Emmy. Na época do vídeo fácil, doYouTube, o MediaStorm tem apostado em trabalhos de altíssima qualidade, baixo orçamento e muita criatividade. E tem contribuído para ampliar os horizontes de quem trabalha contando histórias no mundo digital.
Aconselho a entrar no MediaStorm e a ver, por exemplo, The ninth floor, de Jessica Dimmock, onde se conta a história de gente com problemas de adicção mas que procura recuperar a dignidade.


RESIDÊNCIAS ARTÍSTICAS INTERNACIONAIS


Durante dezassete anos, a associação Pépinières Européenes pour Jeunes Artistes apoiou uma geração de artistas atentos aos contextos humanos, sociais e económicos, e ajudaram a desenhar os contornos de um panorama artístico europeu rico de criatividade, de cruzamentos férteis, em projectos compartilhados e abertura ao mundo.

As Pépinières lançam, de novo, um programa de mobilidade, oferecendo mais de cinquenta oportunidades de residências, entre Setembro 2008 e Setembro 2009, permitindo a construção de projectos plurais e fomentando a criação de novos públicos.

Com o fim de dar uma resposta pertinente aos diferentes movimentos desenhados pelas novas gerações de artistas, este programa preliminar oferece vários conceitos de mobilidade artística, proporcionado por um grande número de espaços de criação, em torno de três grandes proposições: Open Art Program, ARTShare e ARTventure.

O programa destina-se a jovens artistas de todos os dominios de expressão artística, com idades compreendidas entre os 18 e os 35 anos, residentes num dos países (e regiões) parceiros: Alemanha, Áustria, Bélgica, Bulgária, Escócia, Eslóvaquia, Estónia, Espanha, Finlândia, França, Grécia, Holanda, Hungria, Itália, Letónia, Luxemburgo, Malta, Montenegro, Polónia, Portugal, Québec (Canadá), Républica Checa, Roménia, Sérvia e Suécia.

Cada artista só pode candidatar-se a uma única residência, obrigatoriamente para o exterior do seu país de origem e/ou residência. As inscrições serão feitas exclusivamente on-line até às 24:00 do dia 23 de Maio 2008 (hora de Bruxelas, +1 TGM). Para mais detalhes sobre o programa e para aceder à candidatura on-line entrar no sítio www.art4eu.net.

[obrigado a Carlos Filipe Maia pela informação]

domingo, 11 de maio de 2008

MUSEU DO ORIENTE


Ele abriu esta semana mas ainda não o visitei. Sei que o primeiro dia registou mais de dois mil visitantes, valor impressionante e a lembrar comportamento social idêntico na abertura recente da colecção Berardo, o que prova que há públicos para os museus (mesmo que sejam dias ou períodos de entrada gratuita).

Escrevi algo sem muita importância sobre este museu algum tempo atrás. Mas registo que museu do oriente tem sido uma entrada frequente no meu blogue nestes dias, como se houvesse actualizado e com profundidade o tema.

O que leva a duas conclusões rápidas: primeiro, o incessante desejo de se obter informação de assuntos novos; segundo, a cada vez maior importância da internet na pesquisa de informação. Mas ir parar a informação antiga e sem valor de fundo, como é o caso do que escrevi, evidencia uma característica que venho criticando na internet - sem filtros (gatekeepers) perde-se tempo no encontro de informação adequada. Na abundância de informação (Anthony Smith) não reside uma melhoria de educação ou formação, mas apenas mais informação.

[Ver comentário que o leitor Pedro Mota colocou na mensagem anterior que escrevi sobre o museu, dado o seu interesse]

FUTEBOL E A CIDADE


O artigo de António Barreto no jornal Público de hoje é muito acertado, quando ele combina futebol e cidade (Porto). Esta semana foram conhecidas decisões da comissão disciplinar da Liga de Futebol contra três clubes da primeira divisão daquela modalidade (dois dos quais do Porto).

Barreto, depois de ver, ouvir e ler as notícias, não tem dúvidas sobre a justeza das decisões. Eu também não.

Contudo, parece haver uma ligação com outras coisas. Ao futebol - de que destaco a maior punição, a descida de divisão aplicada ao Boavista, no que significa uma perda de influência da cidade -, associa-se a visão de quem visita o Porto. Sente-se um decréscimo de força política, económica e cultural da cidade. Há zonas históricas da cidade muito degradadas. Se, até há pouco, a rua Mouzinho da Silveira, em direcção ao rio Douro, espelhava a perda de actividade empresarial e comercial, a rua 31 de Janeiro apresenta um comércio cada vez mais decrépito por cada visita que faço à cidade.

Esta semana, Ludgero Marques, presidente cessante de uma associação patronal, dizia que alguns dirigentes políticos e económicos da cidade estavam entre os responsáveis pela degradação, pois se tinham deslocado para Lisboa (para viver, para tratar das suas actividades) e se haviam tornado cabeças pensantes lisboetas. Achei as palavras dele muito pouco felizes, erradas e sem oportunidade. As cidades justificam-se pelo seu dinamismo ou inacção e não porque "alguns dirigentes" são trânsfugas.

País de emoções, Portugal vibra muito com o futebol. E o Porto, que nas décadas mais recentes, viveu muitas glórias no desporto, está acabrunhado. Primeiro pelo desaparecimento do Salgueiros, um clube de bairro desfeito pelo inevitável choque com clubes ligados a grandes grupos económicos, que elimina os pequenos, como numa outra actividade qualquer (associado a uma extrema falta de perspectiva estratégica). Agora, pela queda do Boavista, sente-se avolumado esse incómodo da perda de vitalidade.

A capa da edição de ontem do Jornal de Notícias (Porto) é ilustrativa. A fotografia que acompanha a principal notícia é a de um homem, aparentando mais de cinquenta anos e vestido com adereços que o identificam como fã do Boavista, a chorar. Igualmente desapontada, mas mais lúcida e combativa, uma mulher atrás, tenta, com a sua mão, chegar até ele, numa posição de solidariedade. Uma segunda mulher, colocada entre os dois, quase a morder um lábio e mais afastada no plano da fotografia, parece resignada, em contraponto com os dois outros elementos.

Não estamos a falar de racionalidade (como diria Jürgen Habermas) mas de afectos (como falava ontem Lawrence Grossberg, na sua inolvidável passagem pela UCP). A vida económica de uma cidade vive de racionalidade, o futebol vive de afectos, mas ambos, no final, são necessários. O homem que chora expressa afectos. São irracionais, é verdade, mas isso resulta da perda, sabe-se lá, da quase última esperança dele. Quem sabe se perdeu o emprego? Ou se o valor do seu salário é pequeno e a sua alegria era apenas dada pelas vitórias do seu clube?

Fotografia da capa do jornal: Artur Machado.

sábado, 10 de maio de 2008

CADERNOS DE JORNALISMO


No dia 15, pelas 21:00, na Galeria Santa Clara, em Coimbra, é lançado o número 1 dos Cadernos de Jornalismo, do Instituto de Estudos Jornalísticos (Coimbra).

Reune vários temas, nomeadamente na rubrica Reportagem, que "apresenta peças que reportam a realidades diversificadas como as touradas aos quotidianos tão longínquos como Trás-os-Montes e o Timor português", segundo Isabel Ferin, directora daquele instituto. Nas rubricas Dossiê e Bloco de Notas, destaca-se uma dissertação sobre relações entre literatura e jornalismo. Na secção Best Of apresenta-se uma experiência de estágio bem sucedida no jornal Público e na rubrica Por Falar aborda-se o teatro de Tchekhov e uma entrevista ao encenador Andrzej Kowalski.


O número é coordenado por Clara Almeida Santos e João Figueira e o design pertence a António Barros.

sexta-feira, 9 de maio de 2008

GROSSBERG

Aspecto da lecture de hoje de Lawrence Grossberg na Universidade Católica.


A CRISE DO AUDIOVISUAL EUROPEU


A crise do audiovisual europeu - 20 anos de políticas europeias em análise, de Francisco Rui Cádima, em edição da Media XXI, é um dos livros a lançar na 8ª Conferência Mundial de Economia e Gestão dos Media (8th WMEMC), a realizar na Universidade Católica Portuguesa, nos dias 19 e 20 deste mês.


No começo do seu novo livro, Cádima diz que o escreve

  • no contexto da emergência da nova Directiva do audiovisual europeu, designada genericamente Directiva "Serviços de Comunicação Social Audiovisual". O texto da proposta da nova Directiva do audiovisual europeu, na sua justificação e objectivos, consagra agora, clara e explicitamente, a lógica económica do sistema – uma lógica "light touch" –, assim intitulada por Viviane Reding face a outra qualquer lógica, reconhecendo que "o mercado dos serviços televisivos europeus mudou radicalmente com a convergência das tecnologias e dos mercados" e que com base nessa realidade importaria mudar o clausulado da Directiva TVSF, de 1989, revisto em 1997.
Docente da Universidade Nova de Lisboa, autor de vários livros sobre os media e a televisão e primeiro director executivo do Obercom, Francisco Rui Cádima tem ainda uma actividade cívica (o blogue irreal tv, onde escreve sobre televisão). Recentemente, está a organizar o ciclo Os Presidentes e a Televisão, onde convida antigos Presidentes da República (eu não tenho dado destaque, dado o muito trabalho que tenho tido).

LAWRENCE GROSSBERG

Lawrence Grossberg falará hoje, na Universidade Católica (sala 121, 17:30-20:30), sobre Cultural Studies and the problem of Modernity.

A sessão é aberta a todos os interessados em cultural studies americanos.

PÓS-GRADUAÇÃO EM TELEVISÃO E CINEMA NA UCP

Ontem, abriu a pós-graduação de Televisão e Cinema na Universidade Católica, com a presença de dois conferencistas: João Lopes, jornalista e crítico de cinema, e Eduardo Cintra Torres, docente universitário e crítico de televisão.

O pequeno vídeo abaixo mostra o começo da intervenção de João Lopes.


QUEM VAI AO CINEMA EM PORTUGAL

O estudo Bareme Cinema da Marktest, relativos ao período compreendido entre Abril de 2007 e Março de 2008, contabiliza 1,7 milhões de espectadores regulares de cinema (ida uma vez por mês no mínimo).

Diz a newsletter da Marktest:

  • Os mais jovens são os que têm maior afinidade com o meio, com a maioria dos indivíduos entre os 15 e os 34 anos a frequentar as salas de cinema pelo menos uma vez por mês. Entre as ocupações, os estudantes e os quadros médios e superiores destacam-se claramente dos restantes indivíduos, com 53,6% dos primeiros e 40,4% dos segundos a irem regularmente ao cinema. A classe social também apresenta diversidade de comportamentos, com o hábito de ir regularmente ao cinema a decrescer à medida que "decresce" a classe social, de 42,9% da classe alta para 8,0% da classe baixa. Entre as regiões as diferenças são menos significativas, embora os residentes na Grande Lisboa e no Grande Porto apresentem valores acima da média (27,5% e 24,4%, respectivamente). Finalmente, homens e mulheres não diferem muito neste hábito, mas eles fazem-no mais frequentemente que elas: 21,8% e 18,6%, respectivamente, costumam ir ao cinema pelo menos uma vez por mês.

quinta-feira, 8 de maio de 2008

UM PROJECTO DE PÓS-DOUTORAMENTO – QUE ME LEMBREI DE ESBOÇAR HOJE MAS NÃO VOU FAZER (4)


[continuação do texto dos dias 6, 9 e 25 de Abril]

A carta e o seu substituto, o correio electrónico (ou email) e a passagem da fotografia analógica para a digital são duas outras alterações sobre as quais pouco pensamos sobre como seria antes. Ao correio tradicional (correio caracol, a partir do snail mail inglês) veio o email (na designação igualmente inglesa). Na carta, escrevíamos à mão ou, quando muito, à máquina de escrever. A velocidade lenta da carta associava-se à reflexão desse tempo. A carta marcava um ritmo biológico: carta para lá, carta para cá. Esperava-se o carteiro como hoje se liga o computador e abre no programa de correio: se havia cartas, separavam-se e liam-se de acordo com a importância ou expectativa de cada uma das missivas.

Com o correio electrónico, usam-se sinais, de prioridade quando se envia, para ler depois quando se pretende retomar mais tarde. A carta permitia signos escritos, usando-se poucos elementos visuais; o email permite agregar texto, imagem e som, o que torna mais próxima a ideia de galáxia Marconi, de reequilíbrio sensorial, como falava McLuhan. O email (e os programas de troca de mensagens em tempo real ou comunicação síncrona) permite recuperar alguma tradição da escrita, que se julgava perdida quando o uso massificado do telefone tornou a comunicação mais oral. A escrita automática das mensagens em tempo real (caso do Messenger) é mais da ordem da estenografia e da voragem do tempo, da fragmentação pós-moderna; o correio electrónico permite o armazenamento, com possíveis recuperações de mensagens mais tarde, é da ordem do ficheiro no arquivo.

Passaram já 14 anos que uso o email, em contas profissionais ou gratuitas (houve um momento de hesitação das empresas de telecomunicações, querendo taxar esse serviço, mas rapidamente se convenceram da dificuldade, dada a oferta simultânea de várias pequenas empresas usando a internet). Já não faço ideia do tempo em que ele não existia. Trata-se de um hábito novo já antigo, se quisermos. Mesmo em férias, não consigo suportar muitos dias sem ver que mensagens recebi. O email destruiu praticamente outra tecnologia, o fax. Mais japonesa, pelo papel fino que usava lembrando a tradição da pintura e do desenho oriental, o fax era uma tecnologia da família da fotocópia, mas à distância, usando processos electroquímicos aparentados. Do mesmo modo que um negócio ou combinação se fechava recorrendo à expressão “mande-me um fax”, hoje diz-se “mande-me um email”.

De todas as mudanças acima identificadas – e o computador e a tecnologia digital andaram por elas todas – a que mais me impressiona pela sua versatilidade é a máquina digital de imagens (combinando imagem fixa e em movimento, com possibilidades de registar igualmente o som) e que pode existir só por si ou acoplado a um telefone celular, máquina multifunções por excelência do nosso tempo. A máquina digital de imagem, em especial desde que alojadores como o YouTube, o Vimeo ou o Flickr permitiram guardar imagens, tornou possível uma produção astronómica de imagens, como nunca acontecera antes. Vivemos numa era de abundância, como um texto de Anthony Smith explicava – e que eu já prometi aqui falar dele –, podendo reproduzir em cadeia graças igualmente às redes sociais, muito populares em especial pelos mais jovens e nos últimos cinco anos, e que servem de álbum de família ou de amigos e montra das suas vidas, com relações de amizade ou de mais intimidade, numa mistura do privado e do público. Redes como o hi5 ou o Facebook alargam quase geometricamente por cada dia que passam, cruzando amigos com amigos de amigos com amigos de amigos de amigos. Talvez isto traga ruído mas são formas novas de comunicação, já não o conhecimento real mas o virtual, com vantagens e defeitos.


[continua]

quarta-feira, 7 de maio de 2008

NICE, VERY NICE


O contador do Sitemeter do Indústrias marca, neste momento, 750.100 visitantes únicos. Isto é: hoje, ultrapassei a fasquia dos 750 mil visitantes.

Sinto-me quase um rei, graças a tantas visitas no blogue.


Muito obrigado por visitarem este sítio de serviço (quase) público.

A TENDÊNCIA DOS JORNAIS GRATUITOS


Retiro a informação da newsletter de hoje do European Journalism Centre: os jornais, no futuro e devido à concorrência da internet, serão gratuitos e com maior ênfase no comentário e opinião (a partir de um relatório da Zogby International para a World Editors Forum e a Reuters, onde foram inquiridos 704 responsáveis seniores dos jornais).

Isto significa, por outro lado, que os editores estão optimistas quanto à digitalização. Cerca de 86% acreditam que as salas de redacção terão uma maior integração de serviços digitais e 2/3 dos respondentes acreditam que o consumo de notícias será maioritariamente através dos media electrónicos tais como o online e os telemóveis, no espaço de uma década. Conforme o inquérito, 56% dos entrevistados acredita que a maioria das notícias será gratuita, quer se trate de impressa ou online (há um ano, 48% dos inquiridos pensavam deste modo). O modelo dos jornais gratuitos está a atingir mercados "emergentes" como América do Sul, Europa oriental, Rússia, Médio Oriente e Ásia (segundo 61% dos respondentes). Já 48% dos inquiridos na Europa ocidental pensam que os jornais serão totalmente gratuitos, ao passo que 50% de responsáveis americanos aceitam a mesma perspectiva. A maior ameaça à indústria é a queda de leitores entre os mais jovens, ao mesmo tempo em que há mais qualidade no jornalismo.

terça-feira, 6 de maio de 2008

DAVID MORLEY EM LISBOA


Integrado no Ciclo de Conferências "Comunicação, Estudos Culturais e Novos Media", David Morley falará amanhã, 7 Maio, pelas 17:30, na Sala Polivalente do Instituto de Ciências Sociais (ICS, Lisboa), sobre New Times and New Spaces - Globalisation and Technology.

Morley é professor no Goldsmiths College da Universidade de Londres e um dos nomes maiores dos cultural studies ingleses.

FEIRA DE ARTES PERFORMATIVAS EM TAVIRA


De 2 a 5 de Julho, a Procur.arte leva à cidade de Tavira a FORMAS – Feira de Artes Performativas 2008, dirigida a criadores, artistas, produtores, promotores e programadores das Artes do Espectáculo.


Os profissionais inscritos na FORMAS terão livre acesso a todos os espectáculos, assim como ao Espaço PRO-FORMAS (que integrará expositores de organizações e projectos culturais, debates sobre mobilidade artística e indústrias criativas), documentação especializada, entre outros. Poderão ainda participar na plataforma de Pitching e respectivo workshop preparatório, com vista à apresentação oral de projectos de criação artística. Tem como finalidade suscitar o interesse de co-produção ou agendamento por parte de promotores e programadores estabelecidos.

Nesta primeira edição, a componente internacional será dedicada a Espanha (com propostas maioritariamente oriundas da Catalunha, apresentadas pelo LEM - Festival de Música Experimental de Barcelona, Mercat de Música Viva de Vic e Hangar - Centre De Producció D’arts Visuals).

As inscrições (até 16 de Maio) deverão ser submetidas através do preenchimento de formulário disponibilizado em
http://www.formas.procurarte.org/, onde pode procurar mais informações.

[informação disponibilizada pela organização]

VALORSUL CRIA PRÉMIO PARA JORNALISTAS


A Valorsul vai atribuir um prémio de 25 000 euros para jornalistas e outros profissionais que dediquem trabalhos à causa do Ambiente, mais concretamente à divulgação de boas práticas de redução, reciclagem ou reutilização de Resíduos Sólidos Urbanos. O Prémio poderá distinguir jornalistas ou estudantes de jornalismo e prevê ainda a existência de até 3 menções honrosas no valor de 5 000 euros.

Os jornalistas interessados ainda estão a tempo de se candidatar com trabalhos publicados entre 1 de Junho de 2007 e 31 de Maio de 2008. A entrega de candidaturas só termina a 31 de Maio.

Para participar basta preencher a ficha de candidatura, disponível em
www.valorsul.pt/premio, juntar os documentos previstos no regulamento e enviar para a sede da Valorsul ao cuidado do Presidente do Júri. O Regulamento do Prémio também está disponível no portal da Valorsul.

[informação disponibilizada pela Valorsul]

NOTAS PARA UMA AULA DE TEORIA DA COMUNICAÇÃO (9)


James W. Carey (1934-2006) nasceu numa família tradicional católica irlandesa oriunda do norte do Estado de Providence, que entretanto se mudara para Massachusetts. A sua família não era propriamente pobre, mas ele lembrava-se que o seu pai ganhava 80 dólares semanais num estaleiro naval antes da II Guerra Mundial, desempregando-se a seguir ao final desta e conseguindo um emprego a ganhar 25 dólares por semana (Carey tinha cinco irmãos). O frigorífico chegou a sua casa por volta de 1946/1947. A sua família nunca teve automóvel ou carta de condução. Somente a geração de Carey é que teve características de classe média (entrevista a Lawrence Grossberg, no livro editado por Jeremy Parker e Craig Robertson, Thinking with James Carey, 2006).

Carey enquanto criança nunca jogou à bola com os amigos, devido a uma rara doença de coração. Preenchia os seus dias lendo e conversando com reformados que viviam na vizinhança. Aos 14 anos, foi-lhe permitido frequentar a escola, onde estudou história, inglês e aprendeu a escrever à máquina, e, aos 16, arranjou um emprego numa agência publicitária local. Na Universidade de Rhode Island, licenciou-se em marketing e publicidade – onde aprendeu igualmente estatística, filosofia e economia –, e na Universidade de Illinois o seu doutoramento sobre a economia da comunicação (1962), universidade onde ensinaria.

Carey foi influenciado por McLuhan, que conhecera na universidade em 1960, quando este ainda não era conhecido mas escrevera Understanding media, livro que Carey achou estranho, na altura. McLuhan falara do seu interesse por Innis, tendo conversado sobre isso, no que seria uma outra influência de Carey, igualmente inspirado por John Dewey e outros sociólogos da Universidade de Chicago.

Um texto que Carey editou sobre Innis e McLuhan, no final da década de 1960, levou Richard Hoggart – dos cultural studies ingleses – a escrever-lhe, começando uma correspondência. Às aulas que leccionava, Carey chamava estudos culturais, tendo enviado a Hoggart o projecto do seu curso, onde ensinava Durkheim, Weber, Goffman e a escola de Chicago. Hoggart enviou-lhe uma lista de autores ensinados em Birmingham, onde havia muitas semelhanças.

A sua ideia mais influente é a da teoria ritual da comunicação, em que a comunicação se define como a passagem de ideias de um ponto para outro, ultrapassando a tradicional teoria da transmissão. A perspectiva de transmissão na comunicação é a mais comum nas análises: enviar, transmitir, dar informação aos outros. É formada por uma metáfora de geografia ou transporte. No século XIX, o movimento de bens e pessoas e o movimento da informação eram vistos como essencialmente processos idênticos e ambos descritos pela palavra comunicação. O centro desta ideia de comunicação é a transmissão de sinais ou mensagens à distância com o objectivo de controlo. É a perspectiva de comunicação que deriva de um dos mais antigos sonhos humanos: o desejo de aumentar a velocidade e efeito das mensagens à medida que viajam no tempo (Carey, 1989, Communication as culture). As mensagens podem ser produzidas e controladas centralmente, pelo monopólio da escrita ou pela produção rápida da imprensa, que precisam de ser distribuidos, para alcançar o efeito desejado, de transporte rápido.

A perspectiva de ritual na comunicação é mais antiga e liga-se a termos como partilha, participação, associação, comunidade e posse de fé comum. A definição explora a identidade antiga e as raízes comuns de termos como comunidade, comunhão, comunalidade, comunicação. A perspectiva ritual da comunicação dirige-se não à extensão das mensagens no espaço mas à permanência da sociedade no tempo, não é o acto de repartir informação mas a representação de crenças partilhadas.

Para James Hay (no livro editado por Jeremy Parker e Craig Robertson, Thinking with James Carey), as tensões entre modelo ritual de comunicação e de transmissão ligam-se às relações entre temporalidade e espacialidade, história e geografia, ritual e transmissão. O modelo ritual de comunicação seria a resposta de Carey ao domínio e autoridade do positivismo na investigação americana de comunicação.

Carey iniciou um programa de doutoramento em jornalismo na Graduate School of Journalism na Universidade de Columbia (1998) e escreveu Television and the Press (1988), Communication as Culture (1989) e James Carey: A Critical Reader (1997).

LIVRO DE LUÍS CARMELO É LANÇADO HOJE

LIVROS DE JOÃO DIOGO E PATRÍCIA DIAS LANÇADOS NO DIA 8

segunda-feira, 5 de maio de 2008

REVISTA ECCLESIA


Tendo como objectivo assinalar o Dia Mundial das Comunicações Sociais 2008, que ocorreu ontem, o Secretariado Nacional das Comunicações Sociais (Igreja Católica) decidiu publicar uma edição especial do semanário ECCLESIA, número que foca o tema religião e a Igreja Católica nos media.

Nas palavras de Paulo Rocha, director da agência ECCLESIA, a publicação "pode constituir um documento útil à relação Igreja/media e fornece pistas de diálogo entre pessoas e instituições que procuram gramáticas e tempos de actuação que lhe permitam crescentes aproximações".

DESEMPREGO E INDÚSTRIAS CRIATIVAS


Na edição de sábado passado do jornal Público, José Pacheco Pereira produziu um importante artigo sobre o desemprego e as fábricas que fecham.

As perguntas que se colocam são: que novos empregos se geram? Que conversões tecnológicas são necessárias? Que auxílios sociais são precisos? Que áreas geográficas não estão afectadas?

Duas histórias que recentemente conheci servem-me de testemunho - até pelo significado oposto, o da recuperação após a perda -, casos que, contudo, não creio serem vulgares. Cito as situações e os nomes porque os próprios publicitam as suas histórias.

Um, José Teixeira, trabalhou numa fábrica de têxtil do vale do Ave. Desempregado, acabou por se tornar empresário no mesmo sector, mas faliu, o que o terá levado a emigrar e a trabalhar na Argélia. Regressado a Portugal, monta uma actividade ligada a eventos, em Vilarinho, Santo Tirso (ver sítio Ruinas do Cerrado). Não aprecio o conceito, mas sei que está espalhado pelo país, com amplos espaços para comensais, neste caso para um máximo de 250 pessoas. José Teixeira organiza ainda visitas a locais da região, desde fábricas do têxtil já fechadas a passeios de teleférico na Penha (Guimarães).

O outro, João Ferreira (email: joao.g.ferreira@sapo.pt
), a trabalhar há mais de 20 anos numa fábrica de cerâmica em Barcelos, abandonou a fábrica muito pouco tempo antes dela fechar. Muito próximo do patrão, não conseguia aguentar a pressão. Há três anos mudou de profissão, tornando-se artesão cerâmico. Na última mostra da FIL esgotou rapidamente os seus bonecos, coisa que espera acontecer de novo nas Festas do Senhor de Matosinhos (Matosinhos), a funcionar na primeira quinzena deste mês.

João Ferreira segue o estilo dos barristas de Barcelos nas temáticas: Cristos crucificados, última ceia de Cristo, personagens do imaginário popular. Mas também estabelece uma ruptura, naquilo que acho específico neste artesão ainda jovem - as figuras de profissionais urbanos, onde o lado artesanal do ofício ainda é muito patente, como o barbeiro ou o alfaiate. Neste último, observam-se formas finas, rosto anguloso e de olhar atento, cabelo despenteado para a frente, mãos que apoiam o tecido a coser na máquina Singer. João Ferreira é, sem dúvida, um bom representante de barristas de outras gerações como Rosa Ramalho e Mistério.

domingo, 4 de maio de 2008

SOBRE MODA


Distinción social y moda, editado por Ana Marta Gonzaléz e Alejandro Néstor García, tem um tom à Bourdieu. Na realidade, um dos capítulos é-lhe dedicado.

Mas o livro é muito mais do que isso. Analisa contributos de Thorstein Veblen, Marcel Mauss, George Simmel, Pierre Bourdieu, Norbert Elias e lord Chesterfield sobre moda. Nestes textos, procura-se, para além de uma apresentação à obra de cada autor, fazer um comentário aos textos que cada um deles escreveu sobre moda. Identidade social e distinção através da moda e moda e desejo são outras partes do livro.


Leitura: Ana Marta Gonzaléz e Alejandro Néstor García (ed.) (2007). Distinción social y moda. Pamplona: EUNSA

BARCOS RABELOS NO RIO DOURO

quarta-feira, 30 de abril de 2008

UM PEQUENO CONTRIBUTO PARA A HISTÓRIA DA RÁDIO


Li agora no sítio da Media Networking que Ian Fleming, o criador de James Bond, sugeriu a instalação de uma estação de rádio pirata no começo da II Guerra Mundial (1940), capaz de emitir como se fosse uma estação alemã. Esta ideia de subverter as tropas germânicas não foi adoptada de imediato, mas apenas em 1941, por um especialista e amigo de Fleming chamado Sefton Delmer (ver sítio http://www.seftondelmer.co.uk/) e um outro seguidor, Harold K. Robin.

Observação: esta informação decorre de uma exposição patente em Londres, no Imperial War Museum, até Março de 2009.