terça-feira, 16 de setembro de 2008

TESE DE DOUTORAMENTO EM DIRECTO NA INTERNET


Conforme já aqui escrevi, Célia Quico apresenta hoje as suas provas de doutoramento com o título Audiências dos 12 aos 18 anos no contexto da convergência dos media em Portugal: emergência de uma cultura participativa?, pelas 14:30, na Universidade Nova de Lisboa, ali à avenidade Berna.

A prova de Célia Quico, que estuda um formato de media que solicita a criação e partilha de conteúdos pelos seus utilizadores, será transmitida em directo pela internet (streaming web), a partir do SAPO Vídeos (http://videos.sapo.pt/).

Ocupado numa cerimónia oficial na minha própria Universidade, não poderei estar presente, mas renovo os desejos de boa sorte nas provas.

O LIVRO DE MARK DEUZE


O livro de Mark Deuze Media Work é uma excelente análise ao mundo dos media, em especial quatro grandes áreas: 1) publicidade, relações públicas e marketing, 2) jornalismo, 3) produção de cinema e televisão, e 4) design e desenvolvimento de jogos (ver o blogue de
Deuze). Como autores de base, Deuze segue Scott Lash e John Urry. Mas igualmente Zygmunt Bauman e o seu conceito de modernidade líquida, pelo que mudança e insegurança (trabalho precário, freelancer) nos media seguem a perspectiva daquele investigador de origem polaca.

Em termos de conclusões, Deuze trabalha dez conceitos base, entre os quais instituições desabitadas (empresas que albergam trabalho temporário), cultura da convergência, indústrias criativas, efeito da ampulheta (relação entre grandes empresas e micro-empresas), divisão internacional do trabalho da cultura, grupos de trabalho semi-permanente, ecologia dos projectos, produção da autenticidade, narcisismo das pequenas diferenças (associado ao culto da criatividade).

Para esta mensagem, retiro algumas ideias do capítulo sobre a produção de cinema e televisão (pp. 171-199). Assim, segundo Deuze, o trabalho no cinema, na televisão e no vídeo caracteriza-se como precário e freelancer, movendo-se entre o emprego intensivo e o desemprego de curta ou média duração, baseado em projectos, com permanente incerteza a nível de rendimentos. O autor analisa igualmente o outsourcing, em que os grandes estúdios distribuem por pequenas empresas os riscos de produção, embora mantenham o controlo do marketing, distribuição e exibição.

Como nas outras indústrias culturais, no mundo do audiovisual e do cinema há incertezas quanto ao sucesso de cada produto, cujo processo de elaboração é complexo e possui uma elevada divisão de tarefas. Por outro lado, existe uma maior internacionalização das produções (co-produções), verificável desde a década de 1990.

No capítulo, o autor reflecte sobre a quase total ausência da formação em novo hardware e software e equipamento, o que conduz à individualização da responsabilidade de aprender e formar e traduz implicações importantes no modelo de trabalho: as empresas não pagam o tempo dedicado à formação e à auto-aprendizagem. Uma estratégia relevante de recrutamento é a combinação do recrutamento de pessoal (concurso e reputação em rede de colegas, que conduz a indicações para entrada num projecto).

Por isso, o trabalho criativo resulta numa satisfação pessoal intensa, a desregulação e desintegração vertical das empresas são acompanhadas pela prevalência de redes sociais informais e ligações pessoais que facilitam o acesso a um trabalho e, a nível tecnológico, há subcontratação de serviços e projectos em especialistas e actividades especiais. Assim, e como conclusão do capítulo, Deuze considera que as características da cultura de trabalho nos media – muitas horas, incerteza de trabalho, falta de estabilidade nos rendimentos, níveis de elevado stress, intenso trabalho de equipa – têm consequências directas no trabalho.


Leitura: Mark Deuze (2007). Media Work. Cambridge e Malden, MA: Polity, 278 páginas

AMSTERDAM


O século XVII foi o período mais importante para Amsterdam (Amsterdão). Em 1648 foi feita a paz com a Espanha católica, a praça Dam torna-se o centro cívico, comercial e cosmopolita, o comércio das especiarias, como a pimenta, torna-se uma actividade fundamental. À volta de três grandes canais erguem-se muitas casas magníficas que ainda podem ser vistas. Algumas delas apresentam uma fachada inclinada - não se trata de queda eminente mas de construção adequada ao içar de mercadorias para o andar mais alto.





segunda-feira, 15 de setembro de 2008

A MORTE DE RICHARD WRIGHT


Teclista dos Pink Floyd (ver Wikipedia e Sound + Vision), hoje, de cancro. Nascera em 1943.

As saudades que tenho em ouvir Dark Side (1973) - e da época, dos amigos e da cultura de massas. Oh, como o tempo passou!

SOBRE A FM


Cristopher H. Sterling e Michael C. Keith publicaram este ano Sounds of change. A history of FM Broadcasting in America.

Inicialmente, a FM (frequência modulada) era oferecida nos rádios com AM (modulação de amplitude ou onda média). Programas e publicidade eram iguais nas duas gamas de frequência. Mas, na década de 1960, a regulação nos Estados Unidos e na Europa permitiu que a FM se tornasse independente. Sterling e Keith consideram que a FM atraiu o movimento de contracultura, grupos minoritários, público não comercial e a rádio universitária. Em 1979, a rádio em FM ultrapassava as audiências de AM. Mas surgiriam nuvens, entretanto, com a rádio digital (satélite, internet, DAB), e com uma programação mais comercial, pouca variedade e publicidade excessiva.

Para mim, a rádio é o meio mais mágico. Porque cresci a ouvir a rádio, precisamente em FM. E as boas e inolvidáveis recordações, como o programa Em Órbitra, o teatro radiofónico, a música clássica, os locutores, a publicidade, o impacto que a rádio teve na viragem do regime político e, porque não?, a música pimba antes e depois de 1974 - que recusei na altura mas gostaria de a estudar sociologicamente, se voltasse a investigar a história da rádio. Falta-me o tempo neste momento, mas o meu coração está ali, na rádio e na sua fabulosa história.


Recebi o livro hoje. Gostaria de o ler rapidamente e fazer uma pequena recensão e dedicá-la aos amigos da rádio e aos que me dão muito prazer em ouvir rádio, como o programa a ser transmitido esta tarde e começo da noite na estação Radar. E a Adelino Gomes, que vai fazer um belíssimo lugar como provedor do ouvinte.

SOBRE O JORNALISMO COMO PROFISSÃO MUTANTE


O texto de Paulo Querido no Público do passado sábado sobre jornalismo é um contributo importante para a compreensão do jornalismo de papel. Escreve ele, em dada altura, que, quanto mais banda larga disponível, haverá maior quebra nas vendas dos jornais. Num outro sítio, escreve que o emprego no jornalismo tende a ser mais freelance que o emprego com garantias e salário fixo. Escreve ainda sobre os pequenos editores (como os blogues), a publicidade e a maturidade dos jornais gratuitos - que são, no fim de contas, jornais de papel. Embora de modo mitigado (e compreendo-o muito bem), Paulo Querido (Mas Certamente que Sim) anuncia uma nova tendência possível: a par de despedimentos, há também contratações.

É um artigo preciso e corajoso. O qual me obrigou a pensar, eu que tenho responsabilidades no ensino de jovens que escolhem precisamente esta profissão (ou arco de profissões em torno dos media). Que direi aos meus estudantes? Que têm o desemprego ou a não entrada na profissão como perspectiva mais provável? Lembro-me de um artigo recente de Vasco Pulido Valente, extremamente ácido, afirmando que o jornalismo é um curso muito vago (a propósito de um grau académico da candidata à vice-presidência americana), o que causa mais dúvidas e perplexidades a quem se candidata ao curso universitário e à profissão.

Felizmente que Paulo Querido não tem razão. Explico-me melhor. A leitura dos jornais e dos media electrónicos de hoje dá conta da falência do quarto banco americano (Lehman Brothers) e das consequências em cadeia, como as quebras nas bolsas asiáticas e europeias (e, presumo, americanas). De Espanha, a indústria do imobiliário continua em queda, arrastando um pessimismo nas bolsas e nas actividades em geral. Ontem, o Observer trazia uma análise da situação económica do Reino Unido que poderei descrever como catastrófica, como a deslocalização de fábricas. Mesmo a Jaguar Land Rover, agora em mãos indianas, vai sofrer cortes. Um analista diz que muitas empresas já cortaram em actividades fora do negócio principal, o chamado outsourcing, pelo que não resta mais nada senão fechar as empresas.

Ou seja, Paulo Querido não tem razão, porque a realidade económica internacional está toda pessimista. Claro que isso dá-lhe razão - esperando todos nós que seja uma crise apenas conjuntural. O desemprego que se detecta no jornalismo segue a tendência das outras actividades. O que há é uma reflexão maior sobre o jornalismo - nos próprios media. E Paulo Querido é um bom analista - como igualmente o director do Público, José Manuel Fernandes, de quem li um ou mais artigos nos meses mais recentes e sobre a mesma temática. Se profissionais de outras profissões tivessem acesso regular leríamos mais artigos realistas mas pessimistas.

Observação: o jornalista, no seu Mas Certamente que Sim, atenua a coragem revelado no artigo: "escrever um dia destes um artigo sobre o futuro do papel electrónico, que só por milagre de multiplicação das rosas económicas poderá substituir o papel enquanto suporte pessoal mas talvez tenha uma hipótese como herdeiro, também, dos jornais murais, disponível na paisagem urbana seguindo os passos dos… televisores".

TESE DE DOUTORAMENTO


De Célia Quico, com o título Audiências dos 12 aos 18 anos no contexto da convergência dos media em Portugal: emergência de uma cultura participativa?, às 14:30 de amanhã, 16 de Setembro, na Universidade Nova de Lisboa. Ali estuda um formato de media que solicita a criação e partilha de conteúdos pelos seus utilizadores.

Desejo boas provas à candidatata.

O BARRISTA JOÃO FERREIRA


aqui referi o trabalho do barrista João Ferreira ( joao.g.ferreira@sapo.pt) (5 de Maio deste ano). Conheci-o na festa do Senhor de Matosinhos deste ano. Os seus bonecos despertaram logo a minha atenção.


Por isso, agora, procurei-o em S. Martinho de Oleiros, Barcelos, terra de bonequeiros muito conhecidos, como alguns que refiro abaixo. Ainda não ganhei coragem para gravar um vídeo (ficará para outra ocasião). Mas surpreendi-o no seu local de trabalho, no seu ateliê - maioritariamente uma grande mesa perto da janela, onde se alinham peças já cozidas à espera de serem pintadas. Igualmente vi o seu forno e os bonecos que ele faz há quatro anos.

Não comprei todos os bonecos que queria. Na minha memória, ficou um boneco de maior dimensão que os que comprei - uma peça de belo design e que está também à venda no Museu da Olaria, em Barcelos (um cabeçudo).


Do primeiro contacto com os seus bonecos, surpreendera-me o conjunto de representações. Agora, pude inteirar-me melhor da colecção de figuras. Como escrevi
aqui, há uma tradição cultural mantida pelo barrista, nomeadamente a seguida por Rosa Ramalho, a neta Júlia Ramalho, Rosa Côta, sua vizinha de aldeia. Mas detecto inovações, um traço mais urbano - apesar de figuras populares semi-urbanas e rurais. Os rostos são alongados, os narizes emproados e com dois tipos fundamentais de olhos: salientes, sem saliência num rosto mais liso, por vezes com maçãs do rosto vincadas a cor viva. Os braços são finos, as camisas geralmente arregaçadas e pintadas a cinzento.


Os homens têm fartos bigodes e bocas pequenas. Na cabeça usam bonés, chapéus, bóinas. Engraxam calçado, trabalham em máquinas, tocam música. Mas uma mulher esguia, de saia comprida, toca um violoncelo, acompanhando certamente aquele outro músico.

Detenho-me na mulher com a criança ao colo. Orelhas grandes, para implantar as arrecadas (brincos) de ouro. A saia de grandes quadros é protegida por um avental que aperta atrás, como se vê se rodarmos o boneco. O cântaro na cabeça quer estabelecer o equilíbrio com a criança que traz ao colo, mais solidificada com os sapatos visíveis. A representação destes é um erro de representação, mas necessário para esse equilíbrio da figura central.

Apesar de transportar a criança, a mulher parece velha, desdentada, pois tem um queixo proeminente. Talvez seja uma imagem que o barrista conserva, pois terá visto vezes sem conta cenas deste tipo a partir da rua onde mora.

domingo, 14 de setembro de 2008

HUMAN CYCLE


Reflexo (passo a passo) é uma música do Human Cycle (ver sítio http://www.humancycle.net/).

Os Human Cycle começaram a tocar em 2004, em V. N. de Gaia, numa mistura entre rock com soul (soul rock) e ritmos electrónicos. O primeiro EP e o segundo registo foram produzidos por Rodolfo Cardoso. Agora, a banda lança o terceiro registo, Lead the Way, de onde se extrai este
Reflexo.

Ver abaixo o vídeo Closed words.


SOBRE BELEZA E FEALDADE


Sou leitor assíduo da coluna de Pedro Mexia no Público de sábado. Jornalista, escritor, animador de tertúlias, agora director-adjunto da Cinemateca Portuguesa, é um intelectual à moda antiga (mas aceitando as questões da cultura de massa). Pega em questões aparentemente comezinhas, trabalha-as e faz um enquadramento filosófico. Como a página do jornal é um bem espacial limitado, a escrita é curta, ficando apontamentos e sugestões no ar. Mas ele retoma-as na semana seguinte, ainda que começando com outro assunto. A reflexão está lá, a limpidez também, a boa carpintaria igualmente.

Disse acima que Mexia pega em questões que parecem vulgares. Mas não, ele fala de modernidade (tenho dificuldade em dissociá-la da pós-modernidade, mesmo depois de ler John B. Thompson), das questões que assolam a sociedade de hoje. Escreveu já sobre o público e o privado, orientações sexuais, o ter namorada(s), a gordura (as pessoas gordas). E muito sobre cinema ou literatura (como o fez ontem, ao recordar Cesar Pavese). Mais atrás escreveu sobre beleza.

Retenho este tema, sem retomar o que publicou Umberto Eco (beleza e fealdade) ou, mais atrás, Immanuel Kant (belo, sublime, trágico, gosto). O título da peça editada por Mexia a 12 de Abril deste ano era "Feio" [eu ainda não tinha arranjado oportunidade para falar disto].

O escritor partiu do título de um livro Feo!, de Gonzalo Otalora. Otalora, numa fotografia de adolescência é mesmo feio: com borbulhas, óculos de grandes aros, rosto oval e riso tonto. Só não se percebe se ele vestia mal, mas tudo indica que sim. Conta o autor argentino que, em criança, todos gozavam com o aspecto dele e as raparigas se afastavam nas festas.

O ponto de partida de Otalora é o seguinte: vivemos numa sociedade que violenta os feios. Modelos, actores e celebridades são todos esbeltos, bronzeados e jovens. Isso vê-se no cinema, nas telenovelas, nas revistas de coração (caso da revista de sexta-feira do Diário de Notícias sobre televisão). Quantas mulheres feias publicou a Caras na sua capa? Pedro Mexia recorda-nos a cintura impossível de Kate Moss.


Gonzalo Otalora não é hetero ou metrossexual, é tão só feiossexual, uma categoria inventada pelo nosso cronista. O feiossexual opõe-se ao actual culto da beleza física, que é também o triunfo do sucesso e da eterna juventude, mitos modernos. Mexia não fala mas eu lembro dois ícones do século XX: Marilyn Monroe e Diana Spencers. Ambas morreram tragicamente ainda jovens. Belas - as imagens estampam-se quase diariamente nos media, não com ar angélico mas de sex symbol ou de mulher buscando a independência. Ou dos músicos, como Jim Morrison (Doors), Ian Curtis (Joy Division) ou Kurt Cobain (Nirvana). A eterna juventude "consegue-se" à custa do desaparecimento prematuro, da derrota do indivíduo perante a fatalidade. Mas pode ler-se afinal como um sucesso - foram fortes e mediáticos(as) nas suas áreas de actuação e o preço da eternidade mediática é a morte precipitada.

O feio, volto ao texto de Pedro Mexia, deve revoltar-se. E propor e lutar por conseguir um imposto sobre a beleza. Isto porque as pessoas bonitas beneficiam no emprego e têm uma vida sexual mais variada. Os feios não têm essas vantagens.

Pedro Mexia esqueceu-se, porém, de um pormenor. CR7 (Cristiano Ronaldo com a camisola nº 7) será belo para ter Merches Romero, Nereidas ou Letizias diferentes em cada semana ou cada dia? O rapaz embrulha-se no que diz e faz (na grande semana de glória do Público, em que o jornal foi responsável por um vídeo dando conta do assalto a um banco em Campolide e fez uma entrevista ao craque de futebol em exclusivo mundial), ele reconhece que a novela de Verão "Manchester United versus Real Madrid" foi culpa dele em grande parte. Aqui, na minha óptica, os suspiros femininos não vão tanto para o penteado de CR7 mas para a conta bancária. O feio transmuta-se em belo se possuir uma carteira muito recheada.

sábado, 13 de setembro de 2008

TOKIO HOTEL E JONAS BROTHERS

Tokio Hotel (de Susana Kaulitz, um pseudónimo com certeza) e ana_19 são dois blogues de adolescentes (ou mesmo pré-teen) grandes fãs da banda alemã Tokio Hotel, formada pelos irmãos Bill e Tom Kaulitz, gémeos nascidos em 1989, mais Gustaf Schäfer e Georg Listing (este o mais velho, nascido em 1987). Tinham então 12-13 anos de idade, agora andam à volta dos 20 anos. Assinaram um contrato com a Sony e, depois, com a Universal, com esta a garantir o necessário marketing para o conhecimento da banda. A página oficial da banda é sincera: Bill co-escreve a maioria das canções, apoiado por profissionais (que ensinaram os membros da banda a tocar os diversos instrumentos musicais). 2007 foi o ano da sua consagração, nomeadamente um concerto no Reino Unido. Também em finais de 2007, receberiam um prémio da MTV Europe Music. Durch den Monsun, Schrei (Grito) e Zimmer 483 foram dos primeiros sucessos (informações recolhidas em Skyrock, Tokio Hotel). Mais recentemente, o Rock in Rio Lisboa recebeu a banda e a sua presença foi um delírio, em especial junto das adolescentes.

Há factores que explicam o sucesso da banda: Bill Kaulitz tem um ar andrógino (e que atrai igualmente as meninas a entrar na adolescência, como a análise dos dois blogues acima citados permite concluir), o seu penteado parece tirado da manga, a banda desenhada japonesa, os Tokio Hotel tocam música rock pesado, com alguns riffs (solos) que convidam a dançar, e há uma forte pressão do marketing. Daí o clube português de fãs ter sido formado em 1 de Agosto último [a primeira imagem é inserida no jogo virtual Sims; podem ver-se vídeos com figuras virtuais no YouTube].

Bill e Tom entram nos sonhos das meninas, como a mensagem ao lado indica. Uma delas, no dia 10 deste mês, escrevia o 18º capítulo do concurso Um amor!, presumo que incentivado pela Sapo. Um beijo, paixão (indecisão na escolha de um dos gémeos), as aulas, o receber o ídolo em casa como se ele também andasse na escola (confrontar com a narrativa dos Morangos com Açúcar), o preparar uma simples refeição, são elementos que transparecem dessa narrativa. Chamo a atenção para a escrita, muito seguidora das mensagens de telemóvel (abreviaturas, uso da letra x, a queda de algumas vogais). Há um pormenor que eu desconhecia: o emprego do apóstrofe (') em vez do hífen (-). Vendo a ordem de vários símbolos do telemóvel, o apóstrofe surge muito mais cedo que o hífen; daí, presumo o seu uso, o que trará possivelmente mais um problema na correcção da escrita.
  • Tom:Então tudo bem?
    Eu:Sim e contigo?
    Tom:Também ta tudo ;)!Então vais fazer alguma coisa sábado?
    Eu:Tinha marcado uma Sena com uma amga mas ela tve de dexmarcar, agora não tenho nada para fzer… Tom:Queres ir sair comgo?
    Eu:A onde?
    Tom:Onde tu quiseres ir, mas se quiseres podemos ir á praia ou algo assim…
    Eu:Humm pd ser…A que horas?
    Tom:Depoix de almoço?
    Eu:Ya combinado! (Aproximei’me e sem ele tar a espera dei’lhe um bjo, um bjo com vários sentimentos a mistura…)
    Tom:Isso foi para agradecer o convite?
    Eu:Sim, pd se dzer que sim…(olhou’me parecia que queria mais…)-Nem penses!Vá bora para a aula! (Puxei’lhe pelo braço e fomos para a sala de aula…)
    [...] Ana:Nós precisamos de falar…(Desviei o olhar para a cara dle…)
    Bill:Pois temos, dexculpa aquilo ontem foi um impolso muito forte que eu , e não consegui controlar’me…
    [Ana]
    Olhei para a cara dle e vi que os olhos dle estavam abrilhar tanto, que eu n consegui tar calada…
    Eu:Não tens que pedir desculpa!
    Bill:Ai não? Mas tu….(Não deixei que ele acaba’se a frase…)
    Eu:Sim,sim e sim, eu já percebi que também gostas de mim!(Aproximei’me dle e não o deixei dizer maix nd, beijei’u , um bj longo e profundo…enterrope o bj pelo toque da aula…)-Eu vou para a aula!Até já!...
    Bill:Ok até já….
Também a banda americana Jonas Brothers, uma espécie de concorrência dos Tokio Hotel, vinda dos Estados Unidos, mais clean, por exemplo na roupa, com fato e gravata de alguns dos seus membros, tem um clube de fãs em Portugal, aqui, igualmente alojado na Sapo. A banda tem três irmãos (Kevin, Joe e Nick, o mais velho nascido em 1987 e o mais novo em 1992), com uma associação com o Disney Channel, e segue muito de perto os passos da outra banda, numa nítida conjugação de interesses comerciais (igualmente através da Universal Music Portugal), estéticos, etários e tecnológicos (uso de várias plataformas dos media para a sua promoção, como a televisão, os jogos virtuais, os concertos e a internet; o vídeo SOS foi já visto quase 40 milhões de vezes no YouTube).

ROSA RAMALHO


No Museu de Olaria, em Barcelos, encontra-se uma magnífica exposição dedicada à obra de Rosa Ramalho (1888-1977), um ícone da arte popular portuguesa.


No catálogo, retiro algumas informações do texto de Alexandre Alves Costa, que divide a obra da barrista em duas fases: uma anterior ao seu casamento, outra que começou com uma encomenda do pintor António Quadros (Escola Superior de Belas-Artes do Porto), no final da década de 1950. Então, a barrista fazia figuras de pequenas dimensões, a maior parte delas pintada, algumas vidradas, de múltipla variedade temática, muitos servindo de paliteiro e com assobio. Já para a década de 1970, Alexandre Alves Costa detecta alguma produção em série, com colaboração de outras pessoas que tratam dos acabamentos.

Do mesmo catálogo da exposição, sigo igualmente o texto de Isabel Maria Fernandes, que distingue o mundo da olaria útil, feita por homens (louça a usar em casa, como alguidares e malgas, e que entrou em rápida decadência com o uso do metal e do plástico para esses utensílios) e o figurado inútil, feito por mulheres, e que perdura.

A exposição, que recomendo, estará patente até Junho de 2010.

WORK-RELATED BLOGS AND NEWS

Work-related Blogs and News é, como o nome indica, um blogue em que James Richard escreve sobre redes sociais, blogues, internet, ensino e muitos outros interesses. Pela simples passagem no seu blogue, vê-se que passa muitas horas a pesquisar e a escrever.

Vale a pena visitar o blogue.

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

DIREITOS DE AUTOR NOS MEDIA


A edição pertence a Edward Humphreys, solicitador no Reino Unido e docente de lei comercial e direitos de autor na universidade que edita o livro (Media Management and Transformation Centre, Jönköping University). A obra saiu agora e intitula-se International Copyright and Intellectual Property Law. Challenges for Media Content Producers.


O livro, cujo tema está explícito no título, aborda a interacção entre leis nacionais e internacionais e as realidades do comércio global contemporâneo em termos de conteúdo dos media num ambiente a caminhar para o digital e em que crescem as incertezas, ameaças e oportunidades para as empresas de media.

A publicação é resultado de comunicações apresentadas em Estocolmo (Suécia), em Outubro do ano passado, em que diversos oradores idos de vários países falaram sobre prática jurídica, políticas e produção e distribuição de conteúdo dos media. Distingo, sem qualquer prejuízo para os demais textos, o de Martyn Freeman (The changing media landscape: an industry perspective), a partir de um estudo de caso da BBC e da BBC Worldwide.

EUROPEAN SOCIOLOGICAL ASSOCIATION MEETING IN LISBON


Sociology of Communications and Media Research Network Meeting
European Sociological Association
Faculdade de Ciências Sociais e Humanas Lisbon, Portugal

October 17th and 18th, 2008
Org.:CIMJ - Centro de Investigação Media & Jornalismo and FCSH - Faculdade de Ciências Sociais e Humanas

Media in Europe – European Media

Friday Oct.17, 2008
9:30 - 10:15
Introduction: Our hosts and our network
Director of the Portuguese Office for the European Parliament: Paulo Sande
Prof. Nelson Traquina (chair)
Honorary Founding Chair of our Research Network: Prof. Peter Golding
Co-Chairs of our Network: Professors Peter Ludes and Roy Panagiotopoulou
Organizing our Days (and Nights): Carla Baptista and Cristina Ponte
10:30 - 13:15
Session 1: Media in Europe: Perspectives from Portugal and Spain
Chair: Cristina Ponte
15:00 - 17:00
Session 2: Media impact and journalist practices in Europe
Chair: Roy Panagiotopoulou

Saturday Oct. 18, 2008
9:30am – 11:00am
Session 3: European Media I: Social and political perspectives
Chair: Peter Ludes
11:00 - 12:30
Session 4: European Media II: Round Table: Peter Golding (Chair), Peter Ludes, Roy Panagiotopoulou, Cristina Ponte, and Nelson Traquina: Are media in Europe more European than ten years ago – how and why (not)?

JOSÉ CARLOS ABRANTES


Depois de um silêncio prolongado, José Carlos Abrantes volta a animar os seus blogues, como este e este e mais outros.

Feliz regresso!

SOBRE O COMUNICADO DA DIRECÇÃO-GERAL DAS ARTES PUBLICADO ONTEM


Ontem, publicava aqui um comunicado da Direcção-Geral das Artes, intitulado Concursos de apoio às artes 2009. A leitura da notícia editada hoje no jornal Público (assinada por Vanessa Rato) serviu-me para contextualizar.

A notícia indica que a garantia dada pela Direcção-Geral das Artes da abertura dos concursos aos subsídios do Estado à criação artística (música, artes plásticas, teatro, dança, design e arquitectura) é resposta "às acusações da Plateia, uma das maiores associações de artes performativas do país, que anteontem lançou um comunicado intitulado Este Ministério da Cultura não serve para Portugal em que critica a DGArtes por não ter ainda publicado a portaria que vai regulamentar os concursos a partir deste ano, substituindo o anterior modelo, criado em 2006 pelo ministério de Isabel Pires de Lima, e que nunca chegou a ser aplicado" (ver blogue
Plateia, da associação com o mesmo nome, do Porto).

Confesso que, na véspera, lera apressadamente a notícia sobre o comunicado da associação Plateia, pelo que não dei o devido relevo e não fiz qualquer referência a esse ponto de vista. É óbvio que sei por formação académica que o comunicado de uma entidade oficial surge sempre como resposta a algum acontecimento ou tomada de posição, mas não reflecti em tal. Apenas considerei o interesse da informação (noticiabilidade, como se diz no jargão jornalístico).

Apesar de o blogueiro não pretender seguir o estandarte da objectividade e não possuir um código ético específico de alerta para a tendência (social, política, cultural, religiosa) que segue, pois se percebe logo que muitas das observações que expressa são pessoais, deve haver um equilíbrio no que diz e escreve. A respeitabilidade que se constrói ao longo de anos a isso exige. O blogueiro não pode ser ingénuo ou distraído, pelo que, não querendo dar razão a um ou outro dos lados, porque não está inteirado da situação, escreve esta nota de esclarecimento. Para seu benefício e de quem o lê.

DVDPROJECT


DVD-project is an international videoart project that is born stimulated from the Dutch Group Stichting Ide - fixe (IDFX) http://www.idfx.nl in 2005. It has been created with the intention of showing emergent and experimental videoart in diverse countries, as a democratic and accessible platform for young artists.

The project consists on selecting 10 videoartist from a country, at the expense of the international Commissioner, and the organization of diferents exhibits where the selection it shows and also shows in a loop format the work of all the videoartist selected in the rest of counties where has been carried out DVD-project. The event can be completed by activities around the videoart as workshops and conferences.

The videos that present must be unpublished or yielded in sole right for the own project, with a duration of 3-10 minutes. These gather in crowds in a wide subject matter, where all the genres are admitted. In DVD-project all the videos that show are for sale,on an accessible price of 50 Euros for video. The edition will be limited of 100 copies; and it includes a box also designed and signed by the own artist who forms a part of the exhibition. The rights of this acquired copy are for a individual viewed or educationally, never for commercial purposes or in centers of art, galleries, without the assent and agreement signed by the artist.

Portuguese artists are Clara Gomes, Pedro Noel da Luz, Alexandre Reigada, David Arantes, André Marques, Anabela Costa, César Rodrigues, Vera Mota, Paulo Menezes and Bruno Gaspar. Cláudia Camacho, from
AntiFrame - Independent Curating Project, is the curator of Portugal.

More informations at
http://www.dvdproject.org/.

[information extract from the organization]

GALOS DE BARCELOS


Barcelos é a terra dos galos de barro. Na feira semanal da cidade, às quintas-feiras, será uma das peças mais negociadas. Lembro-me de ter, um dia, comprado um objecto desses e regressar de comboio a casa - memória vem-me a dificuldade em o manter intacto, dada a fragilidade do material.

Agora, a cidade está repleta dessas figuras em tamanho gigante, com tons muitos coloridos e vivos, imagem tão ou mais conhecida que a festa das cruzes, que anima anualmente aquele concelho minhoto. Mas as empresas e as lojas comerciais também têm as suas versões do animal e em outros materiais.

As imagens seguintes são uma amostra do que se vê na cidade. Agradável, em especial quando o dia estava magnífico.


quinta-feira, 11 de setembro de 2008

PALMILHA DENTADA


Amanhã e sábado, o Teatro da Palmilha Dentada apresenta PIRATAS DO FIO DE ÁGUA, 1º Episódio – A Febre de Utopia. Encenação de Ricardo Alves e interpretação de Ivo Bastos e Rodrigo Santos. Para saber mais do grupo de teatro, ver o blogue
A Dentada da Palmilha.


O espectáculo de exterior realiza-se na Tertúlia Castelense, Rua Augusto Nogueira da Silva, 779, em Castêlo da Maia (ver mais no sítio da
Tertúlia Castelense).

O blogueiro deseja muito sucesso na actuação.

II FÓRUM CULTURA E CRIATIVIDADE


A Agência INOVA, entidade privada sem fins lucrativos que desenvolve a sua actividade no âmbito da economia da cultura e da gestão cultural, vai promover, entre os dias 19 e 23 de Novembro de 2008, o II Fórum Cultura e Criatividade, na EXPONOR – Feira Internacional do Porto, em estreita colaboração com o Ministério da Cultura. Das linhas orientadoras da actividade, e que já fiz aqui alguma referência pontual, retirei alguns tópicos.

Dentro do evento, integrado no sector da economia criativa e pioneiro em Portugal e um dos primeiros do género na Europa, haverá duas feiras temáticas: a CONCEPTA – I Feira Internacional de Arte, Cultura e Indústrias Criativas e o TEMPUS – I Salão Internacional dos Museus e Património. Para além das suas actividades expositivas, as feiras terão uma programação destinada a apresentar e debater temáticas para o reconhecimento destas actividades enquanto fontes de riqueza e desenvolvimento económico, social e cultural.

No âmbito da CONCEPTA, irá decorrer uma conferência intitulada Impacto Criativo: Do projecto individual à cidade/região (Creative Impact: from theindividual project to the city/region), no dia 22 de Novembro de 2008, onde se abordarão projectos criativos no desenvolvimento local e regional.

MEDIÇÃO DE AUDIÊNCIAS


Em 30 de Abril de 2004, publiquei aqui um texto sobre medição de audiências. Um leitor atento enviou-me, hoje, algumas rectificações, que coloquei na referida mensagem e replico aqui, agradecendo a amabilidade desse leitor:

1. O primeiro estudo de audiência de imprensa foi realizado e publicado, em 1952, pelo Dr. Salviano Cruz, na Revista de Pesquisas Económicas e Sociais (vol.II, Setembro-Dezembro 1952),

2. Entre 1980 e 1982, a Teor instalou um painel semanal de audiência e avaliação dos programas da RTP,

3. A NORMA realizou Estudos de Audiência de Meios até 1990, criou a primeira base de dados interactiva online, com a audiência de todos os meios de comunicação, para utilização pelas agências de publicidade e outros clientes. Em 1990, instalou o sistema de audimetria para a audiência de televisão.

LIVRO DE EDUARDO CINTRA TORRES: MAIS ANÚNCIOS À LUPA


Informação da Editora Bizâncio

Título: Mais Anúncios à Lupa
Autor: Eduardo Cintra Torres
ISBN: 978-972-53-0396-2

Código de Barras: 9 789 725 303962
Preço: Euros 11,90 / 12,50
Crítica de Publicidade


«O livro de Cintra Torres tem um pouco o mesmo efeito que sentíamos ao lermos, noutro âmbito, as Mitologias de Roland Barthes (citado aliás a propósito do seu texto famoso “Réthorique de l’image”): sentimo-nos mais inteligentes na inteligência do mundo. Resta-me recomendar a leitura. Ela produz o inevitável prazer de vermos por dentro uma inteligência a funcionar. E ao mesmo tempo de repararmos em pormenores que sempre lá estiveram, mas que nós deixávamos de lado» (Eduardo Prado Coelho, acerca do anterior volume, Anúncios à Lupa).

COMUNICADO - CONCURSOS DE APOIO ÀS ARTES 2009


Reproduzo, abaixo e para quem esteja interessado, o comunicado assinado por Jorge Barreto Xavier, Director-Geral das Artes, sobre Concursos de Apoio às Artes 2009:

Procedeu-se à alteração ao Decreto-Lei n.º 225/2006, de 13 de Novembro, que estabelece o regime de atribuição de apoios financeiros do Estado, através do Ministério da Cultura, às artes.

Este Decreto-Lei revê, parcialmente, o regime de apoio à criação, à produção e à difusão das Artes, bem como à consolidação, qualificação e dinamização das redes de equipamentos culturais. A necessidade de rever o regime em vigor, não obstante os inegáveis progressos constantes do anterior diploma, decorreu da detecção de problemas que urgia resolver, nomeadamente, a disparidade de acesso concursal entre as diversas Artes; as dificuldades suscitadas, em termos de procedimento, pelo denominado «processo simplificado»; as dificuldades decorrentes da fórmula fixada para definição de «região de menor índice de oferta cultural»; a inaplicabilidade às entidades que conjugam criação e programação; a consideração das áreas de edição, formação e equipamento a título meramente complementar, a obrigatoriedade de submissão de candidaturas on-line e de colocação de todo o processo enviado por entidade on-line; a inexistência de padrões nacionais de parametrização do acompanhamento e avaliação.

Adicionalmente, são introduzidos apoios às actividades de criação, programação ou mistas que visam colmatar fragilidades apontadas pelos agentes culturais. Igualmente, abre-se a possibilidade de lançamento de programas específicos de apoio às Artes, em articulação com outras políticas sectoriais e com outros agentes públicos ou privados, reforçando, assim, a transversalidade da Cultura. Complementarmente, não se exclui a possibilidade de serem criados programas de empréstimo, com o objectivo de viabilizar a presença em eventos internacionais e de promover a realização de programas ou projectos artísticos. Esta revisão responde, pois, a uma necessidade de consolidação, dinamização e desenvolvimento sustentado das actividades artísticas, bem como de garantia de transparência e equidade no processo concursal, com respeito pelos trâmites procedimentais definidos e pela sustentada e cuidadosa contratualização dos apoios concedidos. Assegurando critérios de avaliação rigorosos, este regime jurídico será complementado por via regulamentar, competindo ao Ministério da Cultura a definição das prioridades de política cultural que enquadram a relação entre o Estado e os agentes culturais. As prioridades referidas deverão assentar em princípios da estabilidade, coerência, equilíbrio e propósito de desenvolvimento, prosseguindo sustentavelmente, uma missão de Serviço Público.

Será no dia 15 de Setembro colocada no sítio da DGArtes uma proposta de tópicos que consideramos fundamentais para efeito de regulamento do apoio às artes em sede dos próximos concursos. Até dia 18 de Setembro serão acolhidas sugestões, críticas ou aditamentos. Estaremos preparados para, em Outubro, abrir os concursos.

Lisboa, 11 de Setembro de 2008.

Jorge Barreto Xavier

Director-Geral das Artes

DZOUND


Os Dzound são uma banda musical portuguesa de rock. Gravei, em condições muito amadoras, um original deles, intitulado All to you (imagens recolhidas numa festa familiar).



Para contactos com a banda, o email é
dzound@iol.pt.

VIOLÊNCIA NOS MEDIA


A quem interessa a violência (assaltos, assassínios) relatada na segunda quinzena de Agosto? Aos criminosos, por razões imputadas aqueles e que se explicam caso a caso (embora a sua mediatização não lhes interesse).

Quem ganha com a publicitação da violência? Em primeiro lugar, os partidos políticos da oposição, porque criticam as medidas (ou a falta delas) do poder governamental. Em segundo, vários grupos de pressão (sociais, profissionais, geográficos, étnicos, outros), que aproveitam estes momentos para fazer elevar a sua voz e as suas expectativas. Em terceiro lugar, os media, pois têm acontecimentos adequados a notícias diferentes - e que interessam aos cidadãos leitores e espectadores.

Quero realçar os media, pois os outros agentes sociais exercem perfeitamente o seu escrutínio face ao poder e/ou aproveitam determinadas situações para se expressarem. Por um lado, os media exercem também o seu escrutínio sobre o Governo e as instituições a ele ligadas. Mas, por outro lado, há vários elementos a ter em conta, e que quero aqui explicitar. O facto de muitas notícias sobre o crime aparecerem em Agosto ilustra uma agenda informativa depauperada por outros assuntos. Em segundo lugar, os media concorrem cada vez mais ferozmente por audiências ou venda de exemplares, pelo que a violência enquanto valor-notícia apreciado é valorizado. À falta de outras notícias acrescenta-se um descontentamento social e político (desemprego, salários em queda). A isto junta-se o lado de infotainment dado em especial nas imagens da televisão. A morte em directo do assaltante do banco deu "boas" imagens. Os media comerciais precisam disto para alargar a audiência, com recurso a vozes anónimas escassamente identificadas (os directos preocupam-me, aliás, pois nunca se sabe o critério de escolha dessas vozes por parte do jornalista).

Também quero salientar o papel dos media públicos, mormente a RTP. O alinhamento inicial do noticiário das 13:00 do dia 27 de Agosto, por exemplo, deixou-me perplexo. No meu entender, ali não havia serviço público, mas apenas o modelo de televisão comercial no seu pior exemplo. Numa notícia sobre vários autocarros queimados, o porta-voz da empresa desses autocarros, a uma pergunta simples sobre a cobertura de seguro de tais veículos, respondeu de modo estranho, sem se perceber bem a sua resposta. Associar os veículos queimados a assaltos ou assassínios pode ser leve demais, por falta de contexto. O jornalista-apresentador na redacção não se questionou, não interrogou. Ora, as notícias por si podem nada valer mas o alinhamento de um noticiário é político, ideológico e não neutral.

Quem não parece interessado em discutir o tema? O Governo. O qual deveria ter falado mais cedo - e tomado medidas. Além de aceitar o que a oposição, do CDS-PP ao BE, tem dito. Por exemplo, não se compreende que o partido do poder não queira reunir a comissão permanente da Assembleia da República, por considerar que os níveis de criminalidade não são elevados. A mim, parece-me necessário esclarecer e intervir. É que, de acordo com dados divulgados pelo Gabinete Coordenador de Segurança (GCS), houve um aumento de 15% de criminalidade violenta nos primeiros seis meses de 2008 comparativamente a igual período do ano passado
.

[texto produzido em 29 de Agosto, e que merecia actualização, atendendo a outros crimes como os ocorridos esta noite, em que uma acção violenta se terá cifrado por apenas 170 euros de roubo]

[actualizado às 18:04] Um leitor atento referiu que eu esqueci leitores, ouvintes e espectadores como interessados nas notícias sobre a violência. Tem toda a razão!
Obrigado.

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

OS MEUS LIVROS


O grande destaque da edição de Setembro de Os Meus Livros é o que lêem as crianças. Isto porque mais de um quarto dos livros que se vendem em Portugal são destinados a crianças e jovens e porque começa agora o novo ano lectivo.

Para além dos temas já habituais, os livros debruçam-se sobre cidadania, ecologia, modelos familiares e morte. O destaque ainda cobre os principais autores de livros infantis e juvenis, como Ana Maria Magalhães, Isabel Alçada, José Jorge Letria, Luísa Ducla Soares, Alice Vieira e António Torrado.

Por mim, realço a entrevista dada por Miguel Martí, director da Bertrand em Portugal. E retiro uma frase dessa entrevista, onde defende o produto livro face ao digital:


  • "«Levaria um kindle para a praia»? A maioria responde que não. A segunda questão é «que percentagem de livros é comprada para oferecer»? Você ofereceria um download à sua mãe? Não"!

terça-feira, 9 de setembro de 2008

À PROCURA DE FIGURANTES


Para as filmagens da longa-metragem Second Life, a Utopia Filmes está à procura de homens e mulheres com 18 a 60 anos. As filmagens decorrerão em Faro entre 12 e 14 de Setembro e em Albufeira no dia 15.

Os interessados deverão contactar com Dino Estrelinha (916036738;
dino.estrelinha@gmail.com). Ver mais em Algarve Film.

SUBSCUTA


Este mês, em Barcelos, decorre o Subscuta, uma iniciativa da câmara local.

Zelig, Bossa Antigua, Diana Martinez e Ialaspi são variadas propostas musicais ao longo do mês.


Ver mais em
http://subscuta.blogspot.com/.

DOCLISBOA2008


De 16 a 26 de Outubro, na Culturgest e nos cinemas São Jorge e Londres.


Ver mais em
http://www.doclisboa.org/.