Textos de Rogério Santos, com reflexões e atualidade sobre indústrias culturais (imprensa, rádio, televisão, internet, cinema, videojogos, música, livros, centros comerciais) e criativas (museus, exposições, teatro, espetáculos). Na blogosfera desde 2002.
terça-feira, 6 de janeiro de 2009
AUDIÊNCIAS DE TELEVISÃO EM 2008
"O gráfico da evolução mensal do share de audiência para os últimos 24 meses mostra que a TVI mantém a liderança das audiências de televisão e que a SIC e a RTP1 estão praticamente «empatadas», com a RTP1 a colocar-se na segunda posição pelo quarto mês consecutivo, apenas a uma décima da SIC" (Marktest).
DISSERTAÇÃO DE MESTRADO SOBRE INDÚSTRIAS CULTURAIS E JORNALISMO CULTURAL
Aprovada hoje, na Universidade Nova de Lisboa, e de autoria de Dora Santos Silva, com a nota qualitativa máxima.
Com o título A cultura no jornalismo cultural. Contributos para uma redefinição e ampliação do jornalismo cultural português, no contexto das indústrias culturais e criativas, a investigadora analisou dois jornais diários (Público e Diário de Notícias) e revistas de tendências (NEO2, N&Style, Umbigo, DIF). No caso dos diários, as indústrias cinematográfica (estreias, DVD, entrevistas a actores) e discográfica (lançamento de CD, concertos e entrevistas a músicos) são as áreas com mais notícias. Para a autora, o impacto do cinema e da música devem-se ao peso das grandes produtoras, que alimentam celebridades e desenvolvem estratégias de comunicação e de divulgação eficazes. A programação da televisão ocupa muito espaço no Diário de Notícias, enquanto a indústria discográfica atinge 50% do espaço de cultura no Público. Outras áreas das indústrias culturais como arquitectura, moda, artesanato, design, software de lazer e modos de vida têm espaço residual. No caso das revistas de tendências, Dora Santos Silva considera que muito do trabalho ali realizado é feito por agentes de marketing e não por jornalistas, o que desqualifica a informação, apesar da importância das revistas pela análise das novas tendências de consumo.
Com o título A cultura no jornalismo cultural. Contributos para uma redefinição e ampliação do jornalismo cultural português, no contexto das indústrias culturais e criativas, a investigadora analisou dois jornais diários (Público e Diário de Notícias) e revistas de tendências (NEO2, N&Style, Umbigo, DIF). No caso dos diários, as indústrias cinematográfica (estreias, DVD, entrevistas a actores) e discográfica (lançamento de CD, concertos e entrevistas a músicos) são as áreas com mais notícias. Para a autora, o impacto do cinema e da música devem-se ao peso das grandes produtoras, que alimentam celebridades e desenvolvem estratégias de comunicação e de divulgação eficazes. A programação da televisão ocupa muito espaço no Diário de Notícias, enquanto a indústria discográfica atinge 50% do espaço de cultura no Público. Outras áreas das indústrias culturais como arquitectura, moda, artesanato, design, software de lazer e modos de vida têm espaço residual. No caso das revistas de tendências, Dora Santos Silva considera que muito do trabalho ali realizado é feito por agentes de marketing e não por jornalistas, o que desqualifica a informação, apesar da importância das revistas pela análise das novas tendências de consumo.
CARTÃO ZON FOI SUSPENSO

O cartão myZONcard da Lusomundo, que permitia aceder gratuitamente ao cinema, foi suspenso pela Autoridade da Concorrência, na sequência de queixa apresentada em Dezembro por um grupo de operadores cinematográficos.
Para o produtor Paulo Branco, do grupo de exibição Medeia Filmes, a decisão foi uma "vitória do bom senso".
GRAÇA FRANCO
É a nova directora de informação da Renascença, sucedendo a Francisco Sarsfield Cabral. Graça Franco integra os quadros da Renascença há onze anos, onde era directora-adjunta.
Licenciada em Economia, trabalhou já no Diário de Notícias, Independente, Público e canal de televisão TVI. Foi também docente na Universidade Nova de Lisboa.
Licenciada em Economia, trabalhou já no Diário de Notícias, Independente, Público e canal de televisão TVI. Foi também docente na Universidade Nova de Lisboa.
segunda-feira, 5 de janeiro de 2009
CINEMA GRATUITO
Acusa Paulo Branco, detentor das salas de cinema da Medeia Filmes, perante a oferta de 40 milhões de bilhetes de cinema gratuitos lançados pela ZON Multimedia, com a oferta do cartão myZONcard e válido nas mais de 200 salas de cinema exploradas pela ZON Lusomundo. Diz o comunicado de Paulo Branco: "Foi assim que, apoiando-se na sua já posição dominante na distribuição, exibição e canais cinema cabo, o grupo ZON lançou uma campanha que oferece, deliberadamente, num mercado onde se registam, anualmente, a venda de 15 milhões de bilhetes de cinema, cerca de potenciais 40 milhões de entradas gratuitas de cinema nas salas da ZON Lusomundo".
Tal ditará, ainda segundo o mesmo produtor, distribuidor e exibidor, no "fim, a muito curto prazo, da existência de qualquer outro operador que não a Lusomundo no mercado da exibição cinematográfica em Portugal", bem como a exibição de cinema independente em Portugal, caso de grande parte dos filmes europeus ou de cinematografias menos divulgadas.
Paulo Branco, que dará uma conferência de imprensa amanhã às 12:30 no espaço Media (Monumental), espera que a Autoridade para a Concorrência se pronuncie desfavoravelmente à campanha da ZON.
Tal ditará, ainda segundo o mesmo produtor, distribuidor e exibidor, no "fim, a muito curto prazo, da existência de qualquer outro operador que não a Lusomundo no mercado da exibição cinematográfica em Portugal", bem como a exibição de cinema independente em Portugal, caso de grande parte dos filmes europeus ou de cinematografias menos divulgadas.
Paulo Branco, que dará uma conferência de imprensa amanhã às 12:30 no espaço Media (Monumental), espera que a Autoridade para a Concorrência se pronuncie desfavoravelmente à campanha da ZON.
FOTO BELEZA

Tirar fotografia começou a ser uma prática regular no final do século XIX. Foi quase nessa altura que abriu actividade a Foto Beleza no Porto. O espólio da casa fotográfica foi adquirido há meia dúzia de anos. O comprador, Mário Ferreira, comprou mais de meio milhão de chapas de vidro, a maioria retratos, e também as máquinas fotográficas. Agora lançou o Espólio Fotográfico Português e um volume que dá a conhecer a riqueza e variedade do espólio da Foto Beleza (a partir de peça jornalística de Sérgio C. Andrade, Público de hoje).
Naquele sítio da internet, escreve o historiador Fernando Sousa:
"Contudo, a fotografia sofreu também um processo de banalização. O período áureo da circulação dos postais ilustrados em Portugal – início do século XX – foi também aquela época em que todos puderam e quiseram ter acesso à fotografia. Mesmo as famílias mais humildes dos locais mais recônditos poderiam agora tirar o seu retrato, deslocando-se a qualquer núcleo urbano mais próximo de pequena dimensão, uma vez que os fotógrafos profissionais espalhavam-se já praticamente por todo o país. Para os estratos populares das regiões mais interiorizadas, o primeiro retrato fotográfico era um objecto de grande significado e, por vezes, de certa negação da sua própria condição social, ao ponto de ser habitual pedir às pessoas mais abastadas da terra o empréstimo das roupas que iriam aparecer no retrato (especialmente no que tocava às crianças)".
CENTENÁRIOS EM 2009

Edgar Allan Poe (19 de Janeiro), Felix Mendelson e Simone Weil (3 de Fevereiro), Carmen Miranda (9 de Fevereiro), Soeiro Pereira Gomes (14 de Abril), Elia Kazan (7 de Setembro) e muitas outras figuras fazem cem anos de nascimento este ano.
Com menos idade, comemoram-se em 2009 os 40 anos do festival de Woodstock, 30 anos dos Xutos & Pontapés e 10 anos da morte de Amália Rodrigues.
Exposições, edições e acontecimentos especiais marcarão essas efemérides.
Fonte: Nuno Galopim (Diário de Notícias de hoje)
Actualização às 22:09: em 2009 também se comemora o centenário da morte de Joseph Haydn (31 de Maio de 1809). Obrigado a um leitor atento, fã do compositor austríaco.
PREÇO DOS JORNAIS
O Público e o Diário de Notícias subiram para um euro. Está desfeita de vez a paridade jornal-café, equilíbrio que existia há vinte ou trinta anos. O café ainda se encontra em alguns locais a cinquenta cêntimos, embora o valor vá subindo para os 55 ou 60.
PORTO, RUA DO PARAÍSO

A Padaria Flôr do Paraíso emoldura a capa do livro de Zilda Cardoso A Rua do Paraíso, que eu comentei aqui.
Numa espécie de eterno retorno, voltei à rua e fotografei a fachada da padaria. Comparada com a fotografia da capa do livro, a minha é mais triste: persianas fechadas, ausência do reflexo do sol, feia caixilharia da loja, cores mais baças. Possivelmente o mesmo acontece com a rua - esta pareceu-me desolada, sem comércio local visível. No livro de Zilda Cardoso, esse comércio local era forte, gerando pequenos empregos e com muito movimento de gente. Talvez houvesse vendedores ambulantes de azeitonas e de peixe de qualidade duvidosa, pregões de cautelas da lotaria, crianças a brincar e a correr na rua. Hoje, a rua acolhe automóveis, estacionados em lugares delimitados no chão por traços quadrangulares, e as compras fazem-se noutro sítio.
Zilda Cardoso escreve no blogue O Fio de Ariadne.
CAPA DA AGENDA CULTURAL 30 DIAS EM OEIRAS
Paula Moura Pinheiro faz a capa do número de Janeiro de 2009 da agenda cultural de Oeiras. Ela, moderadora do projecto da Câmara de Oeiras Dez Luzes num Século Ilustrado, no ano em que aquele concelho faz 250 anos, é entrevistada por Carla Rocha.
Mas a publicação tem outros pontos de interesse, como a referência ao Blurb, comunidade on-line que permite construir livros digitais no modelo self-publishing e, simultaneamente, editar, partilhar, promover e vender essas obras (texto de Maria José Amândio). Ou o projecto Café com Letras, cujo êxito de 2008 se quer ver repetido no ano que agora se inicia, mas remodelado: em vez de centrado no escritor, "irá convocar outras leituras, outras formas de falar, discursar e significar o mundo pela palavra e pela imagem. Do teatro, à música, passando pelo cinema e pelas artes plásticas". E as feiras de velharias. E o teatro Boa Noite Mãe, de Marsha Norman, a partir do dia 23, às sextas, sábados e domingos, no Auditório Municipal Eunice Muñoz. Com Manuela Maria e Sofia Alves, e direcção de Celso Cleto.

Mas a publicação tem outros pontos de interesse, como a referência ao Blurb, comunidade on-line que permite construir livros digitais no modelo self-publishing e, simultaneamente, editar, partilhar, promover e vender essas obras (texto de Maria José Amândio). Ou o projecto Café com Letras, cujo êxito de 2008 se quer ver repetido no ano que agora se inicia, mas remodelado: em vez de centrado no escritor, "irá convocar outras leituras, outras formas de falar, discursar e significar o mundo pela palavra e pela imagem. Do teatro, à música, passando pelo cinema e pelas artes plásticas". E as feiras de velharias. E o teatro Boa Noite Mãe, de Marsha Norman, a partir do dia 23, às sextas, sábados e domingos, no Auditório Municipal Eunice Muñoz. Com Manuela Maria e Sofia Alves, e direcção de Celso Cleto.

PINTURA DE ALFREDO COELHO

Até ao dia 13 de Janeiro, Alfredo Coelho (à direita na imagem em baixo) expõe na galeria de Paulo Santos, na rua do Poder Local, 6, à Pontinha, em Lisboa, com o título Duplo Sentido. Nascido em 1959, o autor dedica-se exclusivamente às artes plásticas desde 1980, nomeadamente pintura, fotografia, escultura e vídeo.
domingo, 4 de janeiro de 2009
A OPINIÃO PÚBLICA (PUBLICADA) NO PÚBLICO ONLINE
Hoje, a discussão sobre o conflito israelo-palestiniano no fórum do Público online (comentários às notícias do jornal) está difícil de controlar, como notou há minutos o editor do jornal:
04.01.2009 - 21h41 - António Granado, Editor do Publico.pt
Agradecemos a todos os comentadores que não utilizem este fórum para se insultar mutuamente. Os comentários do Público devem permitir um debate saudável entre os participantes, ainda que com posições diferentes sobre o conflito. Continuaremos a apagar, como fizemos durante todo o dia de hoje (ainda que não com a rapidez que gostaríamos), todos os comentários que não respeitem os critérios de publicação.
04.01.2009 - 21h41 - António Granado, Editor do Publico.pt
Agradecemos a todos os comentadores que não utilizem este fórum para se insultar mutuamente. Os comentários do Público devem permitir um debate saudável entre os participantes, ainda que com posições diferentes sobre o conflito. Continuaremos a apagar, como fizemos durante todo o dia de hoje (ainda que não com a rapidez que gostaríamos), todos os comentários que não respeitem os critérios de publicação.
VALSA COM BASHIR

Os planos iniciais de A Valsa com Bashir são de uma simultaneamente grande beleza e terror: cães pretos de olhos amarelos e dentes afiados (parecem lobos) em grande corrida na direcção de um homem que espreita à janela da sua casa. Alucinação de um antigo soldado israelita que matara cães na guerra do Líbano de 1982.
O filme, um documentário em forma de animação, com entrevistas a antigos soldados na frente de combate israelita dessa guerra, psicólogos, políticos, narra a redescoberta (ou recuperação da memória) de Ari Folman, o realizador do filme e ele próprio soldado nessa época. A lenta recordação dos massacres de campos de refugiados palestinianos em volta de Beirute, como vingança pelo assassinato do recém-eleito presidente Bashir Gemayel, exerce uma forte pressão sobre os espectadores. Mesmo que se trate de um filme de animação, a descrição dos acontecimentos e as histórias que ele conta são de um grande realismo.
Nos dias em que decorre uma nova guerra em que entram israelitas e palestinianos, agora na Faixa de Gaza, o filme não deixa de ser oportuno. Por nos mostrar os horrores da guerra, o pouco valor da vida humana (em especial os cidadãos inocentes), o medo dos que são retirados de suas casas com destino incerto e o igual medo nos jovens soldados israelitas. Estes, após a guerra, procuram esquecer o medo e o horror, para que a vida pareça continuar igual.
A valsa é, afinal, a do soldado que se julga valente e pretende atravessar a estrada para o outro lado e surpreender os adversários, mas que acaba por não conseguir. Quanto tempo dura esse acto? Cinco segundos, quinze segundos, meio minuto? Parece uma eternidade o que não passa de um movimento em direcção à morte.
PORTO, IGREJA DA LAPA

A Igreja da Lapa, com um carácter neoclássico de grande nobreza, cheia de colunas e frontões, começou a ser construída na década de 1780 [na imagem, interior da igreja decorada para a época natalícia]. Das torres, uma concluiu-se em 1855 e a outra, a do lado nascente, agora em restauro, em 1863. A igreja tem um significado especial: na capela-mor, está o coração do rei D. Pedro IV, que a sua viúva ofereceu à cidade.Quando a cidade cresceu no começo do século XIX em direcção a norte, a igreja ficou num local esplêndido, situado num alto que se começava a povoar. Perto dela, duas ruas de grande importância: rua de Antero de Quental (antiga rua da Raínha) e rua de Camões, esta a dar directamente para a Câmara Municipal e o centro da cidade. O principal quartel da cidade, mesmo em frente à igreja, ilustrava a importância da zona. Indústrias e serviços tiveram grande destaque no começo do século XX, misturando-se classes altas e populares, que a igreja atendia igualmente.
sábado, 3 de janeiro de 2009
MEDIA E DESPORTO
PORTO, PRAÇA DA REPÚBLICA
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Durante anos, na minha adolescência inicial, o jardim da Praça da República, no Porto, parecia-me um espaço urbano ligado à natureza maior que qualquer outro. O condutor do eléctrico, quando parava no final da linha, gritava "Cáááuuumpu" (do nome original: Campo de Santo Ovídio). Os anos encarregaram-se de estabelecer comparações e diminuir muito a dimensão e afastar a acentuação da palavra. Reparo agora no casario a leste: casas de dois a cinco andares e frente reduzida, como se fossem legos facilmente desmontáveis. Nos dias de Verão, as pessoas mais idosas sentam-se nos bancos do jardim, a conversar ou a ver o movimento, enquanto escassas crianças correm. Não me lembro de ver homens a jogar cartas.
A TELEVISÃO DE 2008 SEGUNDO CINTRA TORRES
Duas páginas a escrever sobre televisão de 2008 parece-me muito. Mas há, assim, espaço para melhor se perceberem as tendências da televisão por comparação a 2007, segundo Eduardo Cintra Torres, hoje no Público: menos documentários, pouca ficção interessante, nenhum evento nacional de destaque, nenhum magazine de interesse. Logo, programações mais medíocres.
HABILITAÇÕES LITERÁRIAS
O mesmo Público de hoje edita uma importante entrevista com François Dubet, sociólogo francês, a propósito da revolta dos estudantes gregos e da probabilidade de exportação para os países da Europa do sul: filhos da classe média com excesso de qualificações para trabalhos precários, taxas de desemprego elevadas, reformas educativas emperradas.
MAIS PÁGINAS DE JORNAIS (I)
A actual guerra na Faixa de Gaza entre israelitas e palestinianos provoca posições diferentes no Público: José Pacheco Pereira, com enorme lucidez como sempre, indica as razões de Israel; Annie Lennox, o ex-mayor de Londres Ken Livingstone e Bianca Jagger estiveram ontem no lançamento de uma campanha contra os bombardeamentos israelitas, antecipando a manifestação de hoje na capital inglesa. Gostaria de ser salomónico, mas o conflito é grave e ambas as partes têm muitas culpas. Apesar disso, eu estaria presente, se pudesse, na manifestação londrina. Para mim, o desproporcionado peso da força militar a favor dos israelitas consegue ser mais violento do que o fundamentalismo dos dirigentes palestinianos de Gaza.
MAIS PÁGINAS DE JORNAIS (II)
O Diário de Notícias de hoje tem um discurso mais leve (leia-se: de entretenimento):
1) a boneca Barbie faz 50 anos em Março próximo,
2) 1921 é o ano do lançamento do perfume Chanel nº 5 (página "Estilo", numa espécie de publireportagem).
1) a boneca Barbie faz 50 anos em Março próximo,
2) 1921 é o ano do lançamento do perfume Chanel nº 5 (página "Estilo", numa espécie de publireportagem).
MAIS PÁGINAS DE JORNAIS (III)
No Expresso de hoje, o economista Luís Mergulhão antevê um ano muito mau para a publicidade. Se, em 2007, houve um crescimento de 4,5%, no ano agora concluído, deu-se um decréscimo de 1,1% a preços correntes, esperando-se um grande agravamento (8,2%) para 2009. O ponto de partida de Mergulhão é que a publicidade antecede as crises e a retoma. Ora, um decréscimo tão acentuado no investimento publicitário, semelhante ao existente em 2001/2002 (9,2%), deixa prever um ano muito difícil, como todos os analistas estão a anunciar.
O sector da publicidade, continua a ler-se no mesmo texto, é importante como veículo de comunicação das marcas e serviços mas igualmente como sector de actividade económica, gerador de riqueza e de postos de trabalho.
O sector da publicidade, continua a ler-se no mesmo texto, é importante como veículo de comunicação das marcas e serviços mas igualmente como sector de actividade económica, gerador de riqueza e de postos de trabalho.
ECONOMIA INFORMATIVA DA ABUNDÂNCIA (II)
[continuação]
Para Anthony Smith, o aparecimento de um novo meio traduz-se na procura da abundância e na imagem do consumidor individual. Muitos dos novos aparelhos electrónicos trazem armazenamento e distribuição de texto, o mesmo acontecendo com aparelhos de imagens fixas ou em movimento, com processamento e armazenamento de dados.
Há dois desenvolvimentos distintos. O princípio Gutenberguiano, firmemente enraizado na cultura, dava conta da ideia da informação ser naturalmente multiplicada em cópias físicas até que o número de cópias se aproximasse do número de pessoas que desejavam recebê-la. Com o audiovisual, o princípio Gutenberguiano desapareceu, surgindo o princípio Alexandrino. Neste, uma única cópia existe na gravação original ou no espectáculo ao vivo, alcançando a sua audiência sob a forma não-material. Uma gravação física pode ser gerada no recipiente individual mas está ausente a multiplicação em massa de matéria física, como o jornal ou o livro. Usa-se a imagem de Alexandria porque ela sugere um grande armazém de material considerado totalmente idêntico, e avaliado apenas por aqueles que a escolhem.
Uma base de dados moderna é, em certo sentido, a versão electrónica do princípio, onde o material se adiciona a um armazém central de acordo com métodos fixos e aceites. No campo das imagens em movimento, o mundo constrói-se como armazém de materiais creditados, com a rede de transmissão a servir de sistemas de distribuição. Num sistema de banda larga, um indivíduo pode escolher a disseminação electrónica de um só item dentro de um conjunto vasto de produtos vídeo.
Um outro aspecto do princípio Gutenberguiano dissolvente é que a distância tivera um papel na fixação do custo da comunicação de qualquer tipo. Com a emergência de um sistema electrónico torna-se cada vez mais claro que a distância é um factor de decrescente peso no custo, quer em termos de recolher a informação quer em redistribui-la. Apesar da atmosfera de mudança efervescente que pontua a vida dos media de informação, as tecnologias básicas e as formas de conteúdo têm mudado muito lentamente. Pode-se olhar, por exemplo, para a novela e o jornal como emanações directas da imprensa e notar como cada uma mudou num século. A película cinematográfica, estabelecida em 1897, permanece semelhante nos dias de hoje. O desenvolvimento do celulóide acabou no final da década de 1880 e a fita cinematográfica começou a ser experimentada em 1895.
Um jornal impresso em qualquer língua numa mesma data é semelhante em qualquer parte do mundo, com muitos conteúdos semelhantes – puzzles, notícias, editoriais, recensões. A rádio e a televisão desenvolveram-se mais rapidamente. Mas, para cada novo desenvolvimento - da válvula ao tubo de raios catódicos, do sinal a cores até aos transístores e cabos –, foi necessário mais de 15 anos para se afirmar no mercado. Em todos os novos media, a parcela de investimento correspondente à audiência é cada vez mais elevada, e as empresas de equipamentos são as mais interessadas nesse desenvolvimento. A audiência tem de comprar ou alugar o receptor e o gravador, o descodificador de cabo, a caixa do videotexto. Com a chegada da televisão por satélite, o custo unitário cresce substancialmente.
Para Anthony Smith, o aparecimento de um novo meio traduz-se na procura da abundância e na imagem do consumidor individual. Muitos dos novos aparelhos electrónicos trazem armazenamento e distribuição de texto, o mesmo acontecendo com aparelhos de imagens fixas ou em movimento, com processamento e armazenamento de dados.
Há dois desenvolvimentos distintos. O princípio Gutenberguiano, firmemente enraizado na cultura, dava conta da ideia da informação ser naturalmente multiplicada em cópias físicas até que o número de cópias se aproximasse do número de pessoas que desejavam recebê-la. Com o audiovisual, o princípio Gutenberguiano desapareceu, surgindo o princípio Alexandrino. Neste, uma única cópia existe na gravação original ou no espectáculo ao vivo, alcançando a sua audiência sob a forma não-material. Uma gravação física pode ser gerada no recipiente individual mas está ausente a multiplicação em massa de matéria física, como o jornal ou o livro. Usa-se a imagem de Alexandria porque ela sugere um grande armazém de material considerado totalmente idêntico, e avaliado apenas por aqueles que a escolhem.
Uma base de dados moderna é, em certo sentido, a versão electrónica do princípio, onde o material se adiciona a um armazém central de acordo com métodos fixos e aceites. No campo das imagens em movimento, o mundo constrói-se como armazém de materiais creditados, com a rede de transmissão a servir de sistemas de distribuição. Num sistema de banda larga, um indivíduo pode escolher a disseminação electrónica de um só item dentro de um conjunto vasto de produtos vídeo.
Um outro aspecto do princípio Gutenberguiano dissolvente é que a distância tivera um papel na fixação do custo da comunicação de qualquer tipo. Com a emergência de um sistema electrónico torna-se cada vez mais claro que a distância é um factor de decrescente peso no custo, quer em termos de recolher a informação quer em redistribui-la. Apesar da atmosfera de mudança efervescente que pontua a vida dos media de informação, as tecnologias básicas e as formas de conteúdo têm mudado muito lentamente. Pode-se olhar, por exemplo, para a novela e o jornal como emanações directas da imprensa e notar como cada uma mudou num século. A película cinematográfica, estabelecida em 1897, permanece semelhante nos dias de hoje. O desenvolvimento do celulóide acabou no final da década de 1880 e a fita cinematográfica começou a ser experimentada em 1895.
Um jornal impresso em qualquer língua numa mesma data é semelhante em qualquer parte do mundo, com muitos conteúdos semelhantes – puzzles, notícias, editoriais, recensões. A rádio e a televisão desenvolveram-se mais rapidamente. Mas, para cada novo desenvolvimento - da válvula ao tubo de raios catódicos, do sinal a cores até aos transístores e cabos –, foi necessário mais de 15 anos para se afirmar no mercado. Em todos os novos media, a parcela de investimento correspondente à audiência é cada vez mais elevada, e as empresas de equipamentos são as mais interessadas nesse desenvolvimento. A audiência tem de comprar ou alugar o receptor e o gravador, o descodificador de cabo, a caixa do videotexto. Com a chegada da televisão por satélite, o custo unitário cresce substancialmente.
sexta-feira, 2 de janeiro de 2009
OBSERVATÓRIO BRASILEIRO DE CINEMA E AUDIOVISUAL
Reproduzo textualmente uma informação do Ministério da Cultura brasileiro de 19 de Dezembro último, sobre a criação do Observatório Brasileiro do Cinema e do Audiovisual:
- Ancine lança Observatório Brasileiro do Cinema e do Audiovisual
Desde a extinção da Empresa Brasileira de Filmes (Embrafilme) e do Conselho Nacional de Cinema (Concine), no início dos anos 90, o Estado não divulga de maneira periódica e sistemática informações e análises técnicas sobre o mercado audiovisual. Este hiato de quase duas décadas marcado pela ausência de dados oficiais está sendo interrompido nesta sexta-feira (dia 19 de dezembro), com o lançamento do Observatório Brasileiro do Cinema e Audiovisual (O.C.A.) pela Agência Nacional do Cinema (ANCINE).
O O.C.A. é um espaço dedicado à publicação de dados e análises técnicas sobre a atividade audiovisual no Brasil e pode ser acessado no endereço eletrônico www.ancine.gov.br/oca. Lá estão disponíveis informações sobre o mercado de salas de cinema, além de relatórios contendo números compilados sobre a distribuição no segmento de vídeo doméstico e sobre as programações das TVs abertas e por assinatura.
“Estamos nos estruturando para transformar o espaço da ANCINE na internet num centro de informações e de referência sobre o cinema e o audiovisual brasileiro, e o Observatório é um passo importante nesta direção”, afirma Manoel Rangel, diretor-presidente da ANCINE, acrescentando que, no futuro, o objetivo da Agência é integrar uma rede internacional de observatórios do audiovisual.
O O.C.A. está dividido em cinco seções. A seção ‘Notas Técnicas e Informes’ apresenta informações semanais e mensais sobre o segmento de salas de cinema, elaboradas com base em dados primários coletados pelos sistemas de acompanhamento de mercado da ANCINE. É a primeira vez que a Agência disponibiliza esses dados. Em breve serão publicadas informações atualizadas também sobre o segmento de vídeo doméstico, compiladas a partir de dados primários recolhidos dos próprios agentes de mercado, conforme prevê a Lei nº 11.437, de dezembro 2006. Nesta seção também estão publicadas notas técnicas produzidas pelo corpo técnico da ANCINE contendo análises sobre o comportamento do mercado.
Na seção ‘Relatórios’ estão disponibilizados dados sobre o mercado audiovisual brasileiro, recolhidos de diversas fontes, primárias e secundárias. Nesse mesmo espaço há referências históricas sobre o mercado de cinema, como, por exemplo, relatórios produzidos no período da Embrafilme.
Há também o espaço ‘Teses e Monografias’, ainda em construção, que será destinado à publicação de trabalhos acadêmicos, estudos, artigos e resenhas sobre o mercado audiovisual. A perspectiva é transformar essa seção em espaço para interlocução com as universidades brasileiras, estimulando a pesquisa no campo do audiovisual.
Em ‘Metodologia e Índices’ podem ser acessadas informações referentes à metodologia de coleta de dados, além de alguns índices macroeconômicos sobre o Brasil que possam servir como referência para usuários de outros países. Na seção ‘Dados do Mercado Internacional’ o usuário encontra os principais sítios contendo informações sobre o mercado audiovisual de outros países.
“Com a implantação do Observatório Brasileiro do Cinema e do Audiovisual, haverá maior compartilhamento de informações e transparência com relação aos números do mercado, possibilitando a todos um melhor planejamento e uma política pública organizada de forma mais sistêmica e articulada”, conclui o diretor-presidente da ANCINE.
TV COIMBRA
A TV COIMBRA foi fundada em 20 de Julho de 2006 e o seu director é Filipe Jorge. Ontem e hoje, colocaram diversos vídeos sobre a cidade e várias actividades no blogue TV COIMBRA, denotando um renovado dinamismo. Desejo felicidades à equipa da TV COIMBRA.
AUDIÊNCIAS DE TELEVISÃO EM 2008
Os números de 2008 continuam a dar a primazia à TVI em termos de liderança das audiências, com 30,5% de share (aumento face a 2007, que foi de 29%), segundo dados da Marktest. A SIC ficou no segundo lugar, com 24,9% de quota de audiência relativamente ao tempo total a ver televisão (embora desde Setembro, o segundo lugar seja da RTP1), a RTP1 com 23,8%, a RTP2 com 5,6%. Os programas mais vistos foram os jogos de futebol, que têm beneficiado a RTP1, embora os canais comerciais estejam a fazer (ou venham a fazer) igualmente transmissões desse desporto.
AUMENTO NA VENDA DE JORNAIS GENERALISTAS
Segundo os números da APCT (Associação Portuguesa para o Controlo de Tiragem), os primeiros nove meses de 2008 foram melhores face a período homólogo de 2007 quanto a vendas de jornais: o Correio da Manhã chega quase a 120 mil jornais diários, o Jornal de Notícias aos 104 mil, o Público a 42 mil, o Diário de Notícias a 41 mil e o 24 Horas atinge 38 mil.
ECONOMIA INFORMATIVA DA ABUNDÂNCIA (I)
Anthony Smith, em Books to bytes. Knowledge and information in the postmodern era (1993), trabalha a ideia da abundância com as tecnologias de informação. Na final do século XX, houve um grande aumento em termos de interacção e convergência de máquinas de texto e de imagem. Mas essa propensão vinha da época vitoriana, expresso em equipamentos como os de Bell (telefone) e fonógrafo (Edison).
Mais visíveis que o telefone e o cinema foram os sistemas de estradas e ferrovias, o que atraiu a atenção dos historiadores sociais. Mas há fortes diferenças: 1) o transporte facilitou a suburbanização no século XX, 2) as comunicações exerceram poder na mudança das “imagens” de diferentes partes da cidade. Cada nova onda de aparelhos registou uma evolução da estrutura da cidade, no desenvolvimento da vizinhança e na estrutura da família. Os cinemas nos anos 1920 e 1930 levaram as pessoas a sair de casa; a televisão nos anos 1950 redireccionou o lar como o centro da família. Hoje, os múltiplos aparelhos dividem a família e reindividualizam-na, permitindo e encorajando um novo micro-consumismo.
A invenção de Daguerre foi um desenvolvimento natural das capacidades no trompe l’oeil. Na Grande Exposição de 1851, o estereoscópio fascinou as multidões. A imagem em movimento dos Lumière captou a imaginação contemporânea na década de 1890, apresentando cenas da vida real num minuto, como o comboio a chegar à estação, os trabalhadores a sair da fábrica, o jardineiro com a mangueira [algumas das imagens dos Lumière podem ser apreciadas no pequeno vídeo abaixo, publicado já no blogue em 11 de Setembro de 2006].
Anthony Smith chama a atenção para o facto de a evolução da tecnologia concentrar-se em interacções e dependências – social, artística, técnica e intelectual. O trabalho de Marconi na rádio ocorreu no mesmo momento do dos irmãos Lumière no cinema; Zworikyn (cinescópio do televisor) estava a trabalhar nos princípios básicos da televisão na mesma década do trabalho principal de Méliès. Criaram-se simultaneamente sistemas de regulação para o telégrafo e para o telefone. A televisão e a rádio têm um feixe comum de técnicas cujo ímpeto conduz a uma aspiração comum.
Leitura: Anthony Smith (1993). Books to bytes. Knowledge and information in the postmodern era. Londres: British Film Institute
[continua]
Mais visíveis que o telefone e o cinema foram os sistemas de estradas e ferrovias, o que atraiu a atenção dos historiadores sociais. Mas há fortes diferenças: 1) o transporte facilitou a suburbanização no século XX, 2) as comunicações exerceram poder na mudança das “imagens” de diferentes partes da cidade. Cada nova onda de aparelhos registou uma evolução da estrutura da cidade, no desenvolvimento da vizinhança e na estrutura da família. Os cinemas nos anos 1920 e 1930 levaram as pessoas a sair de casa; a televisão nos anos 1950 redireccionou o lar como o centro da família. Hoje, os múltiplos aparelhos dividem a família e reindividualizam-na, permitindo e encorajando um novo micro-consumismo.A invenção de Daguerre foi um desenvolvimento natural das capacidades no trompe l’oeil. Na Grande Exposição de 1851, o estereoscópio fascinou as multidões. A imagem em movimento dos Lumière captou a imaginação contemporânea na década de 1890, apresentando cenas da vida real num minuto, como o comboio a chegar à estação, os trabalhadores a sair da fábrica, o jardineiro com a mangueira [algumas das imagens dos Lumière podem ser apreciadas no pequeno vídeo abaixo, publicado já no blogue em 11 de Setembro de 2006].
Anthony Smith chama a atenção para o facto de a evolução da tecnologia concentrar-se em interacções e dependências – social, artística, técnica e intelectual. O trabalho de Marconi na rádio ocorreu no mesmo momento do dos irmãos Lumière no cinema; Zworikyn (cinescópio do televisor) estava a trabalhar nos princípios básicos da televisão na mesma década do trabalho principal de Méliès. Criaram-se simultaneamente sistemas de regulação para o telégrafo e para o telefone. A televisão e a rádio têm um feixe comum de técnicas cujo ímpeto conduz a uma aspiração comum.
Leitura: Anthony Smith (1993). Books to bytes. Knowledge and information in the postmodern era. Londres: British Film Institute
[continua]
quinta-feira, 1 de janeiro de 2009
OS MEDIA SEGUNDO MICHELE HILMES (IIII)
O sétimo episódio no texto de Michele Hilmes enquadra o período de 1965 a 1975, no que ela designa por sistema clássico das redes. Considera que o conjunto de fenómenos sociais que falamos dos anos de 1960 começou depois de 1965 e continuou até meados da década seguinte. Manifestações, greves, Black Power, movimentos de libertação das mulheres, protestos contra a guerra do Vietname, flower power, cultura da droga, pílula, confrontos com a polícia, amor livre, hippies, gurus, registaram-se em vários locais – Chicago e Berkeley, mas também em Paris, Praga, Tóquio e Cidade do México (1968).
Se quisermos ser mais precisos, a década de 1965 a 1975 foi turbulenta. A emergência do PBS (serviço público de rádio e televisão) em 1968 reflecte o que falhou nas redes comerciais: programas educativos para as crianças, programas e séries sobre questões públicas e políticas, cobertura de arte e cultura, inclusão de programas para as minorias raciais, outras iniciativas públicas. As redes comerciais esforçaram-se por criar programas orientados para os jovens, grupo etário cada vez de maior interesse económico.
A televisão, com críticas de direita e esquerda sobre a perda da sua credibilidade e com o crescimento dos movimentos dos direitos raciais e das mulheres, desafiada pelas tecnologias, por grupos industriais rivais e pelos cidadãos activos, procurou um novo caminho. O realce pelos direitos dos consumidores e as mudanças na regulação industrial apontam a direcção que seria dominante em 1980: movimento de desregulação, em especial na administração Reagan. A noção de controlo centralizado passou para os media, que fora quebrada no começo dos anos de 1930, deu origem à competição, diversidade e escolha do consumidor.
O oitavo capítulo vai de 1975 a 1985, quando se processa o crescimento do descontentamento, na designação da investigadora. O que sucedeu nesse período? Camisas de polyester, John Travolta, disco, desemprego para os licenciados, cocaína, Hill Street Blues. A década de 1970, numa atmosfera de doença económica e social, produziu fissuras significativas no sistema clássico das redes. Através da combinação da desregulação, crescimento da tecnologia de cabo e de satélite, e proliferação de canais e programas, a concorrência e a diversidade e escolha substituiram a escassez e as obrigações do interesse público (sempre esquecido) e o controlo centralizado. A televisão por cabo criou formas numerosas, dos supercanais aos canais de nicho e aos canais de cabo por pagamento, com a televisão a dirigir-se a grupos anteriormente marginalizados como afro-americanos, hispânicos, crianças, mulheres e com interesses especializados.
O nono capítulo abarca os anos de 1985 a 1995, período de grande mudança. A década viu nascer um universo de grande expansão de redes, canais, programas, nichos e segmentos de audiência concorrendo com a nossa atenção fragmentada, com a internet a expandir-se fortemente na década de 1990. De limitado, o sistema clássico de rede de antes de 1980 conduziu a uma abundância multicanal. As indústrias conheceram um período de fusões e consolidações, com ligação das audiência aos modos de expressão e regulação. Um discurso distópico de fragmentação, dissolução e decadência surge lado a lado com previsões utópicas de acesso, democracia, escolha e liberdade. O final da década de 1980 e os anos seguintes foram um período de descentralização, desregulação, fragmentação da audiência, mais fusões e novas estratégias de programação.
O décimo episódio é designado por Hilmes por convergência digital. Duas tendências surgem na passagem de milénio. São a dispersão dos media digitais, de computadores e telefones celulares até televisão digital e internet, e a convergência dos media anteriormente separados graças à revolução digital. Os primeiros computadores comerciais surgem na década de 1960 mas chegam à população em geral na década de 1980: o IBM PC em 1981, o Apple Macintosh em 1984. O termo digital significa que a informação é partida em séries de 0 e 1. Isto distingue os computadores e outros equipamentos dos velhos media analógicos como filme, rádio, televisão e gravadores de som e imagem.
A internet foi originada em 1969 pelo departamento de Defesa americano, a ARPAnet. Em 1972, foram trocados os primeiros emails (e o símbolo @); em 1981, a ARPAnet tinha 213 computadores interligados nos Estados Unidos. A palavra internet apareceu em 1982. Em 1988, 60 mil computadores estavam ligados. Em 1989, começou o desenvolvimento da rede com o aumento da velocidade. Com a convergência na internet nascem novas formas de comunicação e informação mediada, do email a sítios pessoais e institucionais da WWW (desenvolvida pelo cientista britânico Tim Berners-Lee, trabalhando na Suíça), das publicações e compras electrónicas. A digitalização, para além dos computadores, chegou à televisão, ao satélite, aos discos compactos, aos gravadores de som e aos telefones.
Se quisermos ser mais precisos, a década de 1965 a 1975 foi turbulenta. A emergência do PBS (serviço público de rádio e televisão) em 1968 reflecte o que falhou nas redes comerciais: programas educativos para as crianças, programas e séries sobre questões públicas e políticas, cobertura de arte e cultura, inclusão de programas para as minorias raciais, outras iniciativas públicas. As redes comerciais esforçaram-se por criar programas orientados para os jovens, grupo etário cada vez de maior interesse económico.
A televisão, com críticas de direita e esquerda sobre a perda da sua credibilidade e com o crescimento dos movimentos dos direitos raciais e das mulheres, desafiada pelas tecnologias, por grupos industriais rivais e pelos cidadãos activos, procurou um novo caminho. O realce pelos direitos dos consumidores e as mudanças na regulação industrial apontam a direcção que seria dominante em 1980: movimento de desregulação, em especial na administração Reagan. A noção de controlo centralizado passou para os media, que fora quebrada no começo dos anos de 1930, deu origem à competição, diversidade e escolha do consumidor.
O oitavo capítulo vai de 1975 a 1985, quando se processa o crescimento do descontentamento, na designação da investigadora. O que sucedeu nesse período? Camisas de polyester, John Travolta, disco, desemprego para os licenciados, cocaína, Hill Street Blues. A década de 1970, numa atmosfera de doença económica e social, produziu fissuras significativas no sistema clássico das redes. Através da combinação da desregulação, crescimento da tecnologia de cabo e de satélite, e proliferação de canais e programas, a concorrência e a diversidade e escolha substituiram a escassez e as obrigações do interesse público (sempre esquecido) e o controlo centralizado. A televisão por cabo criou formas numerosas, dos supercanais aos canais de nicho e aos canais de cabo por pagamento, com a televisão a dirigir-se a grupos anteriormente marginalizados como afro-americanos, hispânicos, crianças, mulheres e com interesses especializados.
O nono capítulo abarca os anos de 1985 a 1995, período de grande mudança. A década viu nascer um universo de grande expansão de redes, canais, programas, nichos e segmentos de audiência concorrendo com a nossa atenção fragmentada, com a internet a expandir-se fortemente na década de 1990. De limitado, o sistema clássico de rede de antes de 1980 conduziu a uma abundância multicanal. As indústrias conheceram um período de fusões e consolidações, com ligação das audiência aos modos de expressão e regulação. Um discurso distópico de fragmentação, dissolução e decadência surge lado a lado com previsões utópicas de acesso, democracia, escolha e liberdade. O final da década de 1980 e os anos seguintes foram um período de descentralização, desregulação, fragmentação da audiência, mais fusões e novas estratégias de programação.
O décimo episódio é designado por Hilmes por convergência digital. Duas tendências surgem na passagem de milénio. São a dispersão dos media digitais, de computadores e telefones celulares até televisão digital e internet, e a convergência dos media anteriormente separados graças à revolução digital. Os primeiros computadores comerciais surgem na década de 1960 mas chegam à população em geral na década de 1980: o IBM PC em 1981, o Apple Macintosh em 1984. O termo digital significa que a informação é partida em séries de 0 e 1. Isto distingue os computadores e outros equipamentos dos velhos media analógicos como filme, rádio, televisão e gravadores de som e imagem.
A internet foi originada em 1969 pelo departamento de Defesa americano, a ARPAnet. Em 1972, foram trocados os primeiros emails (e o símbolo @); em 1981, a ARPAnet tinha 213 computadores interligados nos Estados Unidos. A palavra internet apareceu em 1982. Em 1988, 60 mil computadores estavam ligados. Em 1989, começou o desenvolvimento da rede com o aumento da velocidade. Com a convergência na internet nascem novas formas de comunicação e informação mediada, do email a sítios pessoais e institucionais da WWW (desenvolvida pelo cientista britânico Tim Berners-Lee, trabalhando na Suíça), das publicações e compras electrónicas. A digitalização, para além dos computadores, chegou à televisão, ao satélite, aos discos compactos, aos gravadores de som e aos telefones.
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