sexta-feira, 6 de março de 2009

LAURO ANTÓNIO E O CINEMA

Excerto em vídeo da comunicação de Lauro António, ontem na Universidade Católica Portuguesa.


quinta-feira, 5 de março de 2009

CURTAS

"Juventude realizadora de curtas não se esqueçam de nos fazer chegar os vossos filmes por www.imagofilmfest.com ou www.reelport.com" (a partir do Twitter).

ASSOCIAÇÃO OS FILHOS DE LUMIÈRE

O MOMENTO XV de O SABOR DO CINEMA, ciclo de projecções-conversa bianual, programado pelo oitavo ano consecutivo pela Associação Os Filhos de Lumière, em parceria com a Fundação de Serralves, está a decorrer no Auditório de Serralves até 5 de Abril. A colaboração tem dois aspectos: 1) com o Auditório do Museu de Serralves, sessões dirigidas ao público em geral (domingos, 16:00), 2) envolve o Serviço Educativo da mesma instituição, sessões dirigidas às escolas (terças-feiras, às 10:00 ou às 14:00, alternadamente). Mais informações em Os Filhos de Lumière.

PROGRAMA RÁDIO EM DEBATE

O tema, esta semana, são os programas dirigidos às crianças e adolescentes. Geny Marcondes (apresentadora do pioneiro Reino da Alegria, criado na década de 1940, que revelou actores como Fernanda Montenegro e Chico Anysio), Bia Bedran (que recebeu, em 1985, o prémio Ondas como melhor programa de rádio internacional), Zé Zuca (Rádio MEC e Rádio Nacional do Rio), Sandra Peres (Palavra Cantada), Raquel Grabáuska (Cuidado que mancha), Camila Targino (Rádio Pipoca) e Airton Medeiros (Escola Brasil) são as entrevistados do Rádio em Debate que analisa os programas dirigidos ao público infanto-juvenil. Ouvir em EBC (Brasil).

ÍCONES

Jonathan Meades, no Intelligent Life (The Economist), edição da Primavera de 2009, escreve sobre ícone, que considera uma palavra omnipresente. Cada época usa um léxico próprio com algumas palavras a terem um emprego exagerado (hoje, no começo de uma frase, diz-se o irritante: "é assim"). Isto é, as palavras são sujeitas a modas, a morais, a etiquetas, à política e à música popular. Hoje, uma palavra tem uma vida quase desconhecida, amanhã, pode ser um termo influente. Há palavras pseudo-científicas que vêm dos dirigentes - empowerment, SWOT, driver, implementar. O jornalês pode ser outro tipo de linguagem.

Meades - que na mensagem sigo de muito perto - fala de ícones. O Oxford English Dictionary (OED) descreve icónico como "designando uma pessoa ou coisa vista como representativa de uma cultura ou movimento; importante ou influente num contexto particular (cultural)" [imagem de James Dean no sítio oficial do actor]. O dicionário da Porto Editora indica para icónico o "pintado ao vivo; conforme o modelo; pintado do natural". É evidente que a definição do OED já não é adequada, pois hoje ícone significa: notável, celebrado, promoção com zelo, reverenciado, longamente estabelecido, autêntico, facilmente reconhecível, memorável, importante, estimável, estereotipado, atípico, representativo, não habitual, popular, acessível, inevitável.
Vivemos, continua Meades, num mundo de celebração e moda permanente (hype). Tudo tem classe mundial, qualquer banda rock que sobreviva à depreciação narcótica ou a um empresário menos sério é lendária, os artistas são heróis. Cada cidade ou região tem um edifício de que se vangloria: torre, catedral, arranha-céus, câmara municipal. Para além da representação e do símbolo, estas estruturas têm utilidade: a estação do Oriente (Calatrava), o museu Guggenheim de Bilbau (Gehry), a ópera de Sidney (Jørn Utzon). A estas estruturas juntam-se imagens, esculturas, ícones.

Ícone deriva de uma palavra grega, significando semelhança, retrato ou imagem. Durante séculos associou-se a imagens de Cristo e o seu sofrimento e ressurreição. O ícone foi adoptado pela igreja oriental: imagens pintadas da Virgem a cores douradas e circulares. Na Anatólia, a cidade de Konya chamara-se primitivamente Iconium.

Implícito no uso moderno de icónico é a aspiração deliberada de investir coisas e pessoas com propriedades que se tornam milagrosas e sobre-humanas, mágicas e parecidas a deuses, Futebolistas, estrelas de cinema, celebridades, Jagger parece Pã, o deus dos bosques, dos campos, dos rebanhos e dos pastores da mitologia grega, Robert Plant lembra Dionísio, deus grego do vinho, das festas, do lazer, do prazer [Barack Obama, pelo artista de rua de Los Angeles Shepard Fairey]. A mudança do nome de Farrok Bulsana para Freddie Mercury foi uma antevisão do que aconteceu. A música popular criou estes deuses. Regimes como o Terceiro Reich (Hitler), União Soviética (Estaline) e China (Mao) foram teocracias (tipo de governo com influência religiosa): os ditadores procuraram matar Deus e substitui-lo.

Veja-se Hitler, continua Meades: o bigode, a saudação nazi, a madeixa no cabelo. A suástica é um logo, que não foi roubado deliberadamente à religião indiana do jainismo. Os comícios de Nuremberga eram rituais entre o marcial e o sagrado. Terríficos como uma cerimónia azteca e piegas como uma opereta amadora, esses comícios ficavam na retina de quem assistia a eles. Hojes, tais cenários são visíveis em palcos de estádios que acolhem as bandas de rock.

Os ícones significam quatro condições:

1) afectam-nos quer gostemos ou não. Exemplos: Picasso, Oprah Winfrey, Michael Schumacher,
2) a imagem transcende o seu objecto,
3) o sujeito é legível em termos de escrita visual. Exemplos: a silhueta de Napoleão com a mão dentro do capote; Chaplin com o chapéu, o bigode e a bengala, Jagger com o par de lábios [imagem pertencente ao Victoria and Albert Museum],
4) reconhecimento imediato, o que pede imutabilidade. Exemplos: garrafa de Coca-Cola, torre Eiffel, Big Ben, cabina telefónica e autocarro de dois pisos em Londres, Che Guevara, Marilyn Monroe, James Dean, Barack Obama.

O domínio da televisão durante meio século trouxe o declínio gradual da retórica e da oratória, substituindo-as pelo discurso naturalista em múltiplos media, com uma grande disseminação de imagens.

19 ANOS: PARABÉNS, PÚBLICO

DIA MUNDIAL DO LIVRO

Ler é um prazer. Ler um livro é um prazer maior. Hoje, Dia Mundial do Livro, ler é um prazer, um grande prazer.

quarta-feira, 4 de março de 2009

DIÁRIO DE NOTÍCIAS, JORNAL DE NOTÍCIAS E OUTROS DO GRUPO CONTROLINVESTE

  • Mais de centena e meia de pessoas, a maioria pertencente aos quatro jornais da Controlinveste, manifestaram-se hoje em frente ao edifício do Jornal de Notícias, no Porto, em protesto contra os 119 despedimentos anunciados pelo grupo. Entre os manifestantes encontram-se boa parte dos despedidos, mas também muitos trabalhadores não abrangidos pela medida - jornalistas e não jornalistas - pertencentes aos quadros dos quatro jornais do grupo, que inclui o Jornal de Notícias, o Diário de Notícias, o 24 Horas e o diário desportivo O Jogo (Público Última Hora, 18:21).

O Diário de Notícias surgiu a 1 de Janeiro de 1865, ao preço de 10 réis. Um dos traços marcantes do jornal foi eliminar o artigo de fundo, pois “não discute política, nem sustenta polémica”. A imprensa noticiosa substituia a de opinião. A tiragem inicial foi de 5 mil exemplares, subindo para 9600 no final do primeiro ano. Desde o princípio, a sua venda foi feita por vendedores ambulantes, os ardinas, que apregoavam o jornal. Ao fim de dois meses de publicação, o jornal tinha 30 vendedores ao seu serviço, que recebiam dois réis por exemplar [em José Tengarrinha (1965). História da Imprensa Periódica Portuguesa. Lisboa: Portugália]. Na edição de 18 de Fevereiro de 1865, o Diário de Notícias trazia uma referência ao novo Jornal de Notícias (Porto), que havia adoptado uma forma de venda semelhante, copiando ainda o programa literário e administrativo do Diário de Notícias. A revolução do jornal de Lisboa espalhara-se ao país.

FESTIVAL DE MÚSICA CHEGA AO FIM?

Fim definitivo do Festival Intercéltico do Porto?, eis o que suspeita o sítio Crónicas da Terra (a partir de Luís Rei, no Twitter do mesmo).

LIVROS E LIVRARIAS

Nuevas librerías y viejos hábitos lectores, de Joaquín Rodríguez (a partir do Twitter de José Afonso Furtado).

AGENDAS CULTURAIS


Agendas culturais que fazem anos: 12 para 30DIAS (Oeiras) e 6 para Cascais Agenda Cultural (Cascais). Parabéns às duas.

Na agenda de Oeiras, destaco a Mostra de Teatro Amador 2009, de 21 de Março a 21 de Abril, em Algés, Barcarena, Carnaxide, Linda-a-Velha, Oeiras, Tercena, num total de doze espectáculos, com peças desenvolvidas pelos grupos existentes em Oeiras. Na de Cascais, relevo o curso livre A Música Portuguesa. Picos da sua história, de 7 de Março a 16 de Maio, no Museu da Música Portuguesa – Casa Verdades de Faria. Temas: renascimento e humanismo, escolas de Polifonia, barroco em Portugal, classicismo, romantismo, contemporâneo.

CONFERÊNCIAS SOBRE COMUNICAÇÃO

José Eduardo Moniz, Edgar Pêra, José Afonso Furtado, António Pinto Ribeiro, Laura Bulger e José Rodrigues dos Santos serão conferencistas no ciclo Choque das Comunicações, a realizar na Universidade Católica, a partir do dia 11 deste mês (para ver melhor a informação, clicar em cima da imagem).

O QUE PENSO DA ORQUESTRA DO YOUTUBE

Media sérios como o jornal Público e o sítio European Journalism Centre dão hoje muito relevo à orquestra sinfónica do YouTube, cujos ensaios começam no dia 15 de Abril.

O que fez o YouTube? Recebeu mais de três mil vídeos de músicos profissionais e amadores e fez audições através da internet. A escolha final dos 90 músicos foi uma mistura de votos online do público e de músicos de grandes orquestras.

Isto resulta numa enorme campanha de publicidade para o YouTube, a muito, mas muito, baixo custo. Fica-se com a ideia que o YouTube é amigo da música clássica, tem uma atitude de responsabilidade social. Com isto, esquecemo-nos do trabalho moroso e sério das múltiplas orquestras do mundo, as profissionais como as amadoras, de que os media sérios não falam, nunca falam. O valor-notícia que vejo é o facto da escolha ser feita pela internet, em que o público é soberano. Mas este público também votou nos concorrentes do Big Brother. Que eu saiba, ninguém se comoveu com a participação do público em programa tão mau.

terça-feira, 3 de março de 2009

RÁDIO

Marconi fez a transmissão do primeiro sinal da rádio sem fios através do Atlântico (1901). Reginald Fessenden produziu a primeira emissão de rádio ainda sem ser radiodifusão (Natal de 1906). No final da Primeira Guerra Mundial, muitos amadores enviavam sinais de chamada dos seus radiotelégrafos. David Sarnoff chamou de "caixa musical de rádio", colocado no centro da sala ao receptor que recebia concertos, palestras, humor. Em 1921-1922, muitas estações começaram a emitir; em Portugal, CT1AA emitia experimentalmente no Outono de 1924.

Amos’n’Andy foi uma série popular nos Estados Unidos, a partir de 1928. Oriundos de um meio rural, procuram o sucesso na grande cidade. Havia uma espécie de divisão de trabalho: um era mais ingénuo, o outro mais esperto (ou julgavam-se assim). As duas personagens criaram um estereótipo que passou no teatro, cinema, rádio e televisão. Amos’n’Andy estreou-se no período de ouro da rádio, conseguindo grandes audiências, o que levou ao patrocínio de uma marca de dentrífico e à emissão numa das grandes estações de Nova Iorque. Em Portugal, Zezé e Toni (António Feio e José Pedro Gomes), na Conversa da Treta (rádio, cinema, teatro) seriam uma actualizada espécie nacional, desde 1997.

TEATRO EM SÃO PAULO, BRASIL


De 6 a 8 de Março, o Teatro de Dança (programa da Secretaria Estadual de Cultura gerenciado pela APAA – Associação Paulista de Amigos da Arte) traz uma nova edição do programa Bem-Casado, em que um artista de S. Paulo divide a temporada com outro de uma cidade ou estado diferente.

Neste projecto, Carmen Gomide (fotografia de Luciana Bortoletto) divide o palco com o baiano Luiz de Abreu, que apresenta a Bahia, espectáculo baseado nos registos escritos das torturas sofridas por escravos africanos na Bahia do século XVIII e arquivos de registros de discriminação racial arquivados no Ministério Público da Bahia de 2006 até 2008.

EXPOSIÇÃO DE FOTOGRAFIA DE NELSON D'AIRES


Mar Fêmea, exposição de fotografias de Nelson d'Aires, de 4 a 28 de Março, é um trabalho em duas partes - a da inauguração e a do encerramento: "a inauguração apresenta fotografias de uma espera e é contada através de símbolos que são metáforas. Durante esse tempo, vai ser criada e produzida na íntegra a matéria de conclusão cujas fotografias substituirão as anteriores".

Local: [Kgaleria], Rua da Vinha, 43A, Bairro Alto, Lisboa, 4ª a sábado, das 15:00 às 20:00 (excepto feriados). kgaleria@kameraphoto.com, www.kameraphoto.com/kgaleria

A INDÚSTRIA DA MÚSICA EM PORTUGAL

O Instituto de Etnomusicologia - Centro de Estudos de Música e Dança e o IASPM Portugal organizam o workshop A Indústria da Música em Portugal na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.

Orador Principal: Tózé Brito
Programa (11h-13h)
Sessão 1: 6 de Março
Produção Musical – elementos constitutivos e conceitos
Convidado – Rui Costa
Sessão 2: 20 de Março
Editora Fonográfica: Orgânica; A&R – Da contratação à gravação
Convidado – David Ferreira
Sessão 3: 3 de Abril
História da Indústria Fonográfica e Novos Desafios
Convidado – Paulo Ferreira
Sessão 4: 17 de Abril
Direitos de Autor e Conexos Contratos, Licenças, Agenciamento e Management
Convidado – Eduardo Simões
Sessão 5: 22 de Maio
Noções gerais sobre produção de espectáculos
Convidado – Luís Montez
Sessão 6: 5 de Junho
Promoção nos Media e na Internet
Convidado – Paulo Sardinha

segunda-feira, 2 de março de 2009

LEI DO PLURALISMO E DA NÃO CONCENTRAÇÃO DOS MEDIA

O Presidente da República, Cavaco Silva, vetou a lei do pluralismo e da não concentração dos meios de comunicação social. Ele considerou não haver urgência em legislar sobre esta matéria. A lei fora aprovada apenas com os votos do PS. Ao longo da tarde, o deputado Arons de Carvalho (PS) e o ministro dos Assuntos Parlamentares Augusto Santos Silva indicaram ir levar em consideração as razões avançadas por Cavaco Silva. Por razões diferentes, partidos da oposição e sindicato dos Jornalistas apoiam o veto. Para melhor compreensão do que está em discussão, ver último parágrafo da notícia do Público Última Hora, de onde retirei a informação. A legislação regressa ao Parlamento para alteração ou aprovação como está.

GRAFFITI EM LISBOA

RÁDIO ZERO


A Rádio Zero faz três anos na sexta-feira dia 6.

Programa para esse dia:

00:00-01:00 - Directo de microfone aberto a partir do estúdio da Zero;
12:00-00:00 - Emissão de programas especiais dedicados ao aniversário da Zero.

CINEMA EM DISSERTAÇÃO DE MESTRADO

Foi hoje defendida a dissertação de mestrado de Sérgio Silva Os Processos Comunicativos Cinemáticos na Universidade Católica Portuguesa. Ele estudou, no âmbito da linguagem fílmica, os processos de criação em diferentes períodos da história do cinema e de alguns cineastas associados às estratégias de construção e formas comunicacionais no cinema ficcional. O autor, agora mestre em Ciências da Comunicação, dividiu o seu trabalho em três capítulos: o filme enquanto representação visual, som e som/filme, e narrativa e montagem.

Como grande objectivo, Sérgio Silva procurou saber se as questões-chave inerentes aos processos criativos do cinema foram ultrapassadas pelo surgimento de novas tecnologias. A conclusão a que chegou indica que a influência dessas tecnologias não é importante, pois os problemas iniciais do cinema continuam a preocupar os realizadores, caso do som. Assim, escreveu, "a linguagem fílmica não depende tanto da tecnologia ao dispor do cineasta, mas antes na habilidade individual do realizador e da equipa com que trabalha para elaborar uma cine-linguagem com eficiência comunicacional e, se possível, original".

ÁGUEDA

JORNALISMO CIDADÃO NOS BLOGUES DO NYT

O jornal New York Times planeia lançar uma série de blogues de proximidade (na perspectiva do jornalismo de cidadão), começando a fazer testes com sítios nas áreas de Fort Greene e Clinton Hill. Cada blogue é liderado por pessoal do New York Times como editor, mas os contributos vêm do público. Exemplo: 169–187 block of 5th Ave. Aqui, sabem-se notícias dos principais eventos em Nova Iorque durante o presente mês, classificações de restaurantes e outros locais, compras de fim-de-semana, apartamentos para venda, inspecções de higiene a restaurantes, fotografias, notícias políticas, etc.

domingo, 1 de março de 2009

PINTURA DE ISABEL CONTRERAS

Ela representa o feminino, a fertilidade e a terra e as cores vivas, telas e desenhos em duas dimensões, mulheres fortes (e corajosas) e multiculturais (brancas, mulatas), grávidas às vezes com brinquedos a substituir as crianças como as matrioscas outras vezes. Um interdito: a representação do homem. Mas ele é, penso, o ausente presente (ver aqui o anúncio da inauguração da exposição).

POESIA DE NUNO DEMPSTER


Lida por Sylvie Rocha, no dia 11 de Março, às 18:30, na Casa Fernando Pessoa, em Lisboa.

O EFEITO PENÉLOPE CRUZ

A coroação de Penélope Cruz (a primeira mulher espanhola a ganhar um óscar) marca uma mudança cultural significativa em termos de atitudes para com actores não americanos, escreve o Observer de hoje. Na noite dos óscares, Cruz diria: "A todos los actores de mi país, muchíssimas gracias". Se o Reino Unido e a Índia festejaram os óscares no filme Slumdog Millionaire, em Espanha os jornais escreviam "Hollywood coroa Penélope". A actriz espanhola entrou no filme de Woody Allen, Vicky Cristina Barcelona, filme que não apreciei sobremaneira, em que Cruz desempenha um papel feminino secundário. Curiosamente, ela contracena com Javier Bardem, que se tornara o primeiro actor espanhol a ganhar um óscar com o filme de 2007 No Country for Old Man (Este País não é Para Velhos, na tradução portuguesa; Onde os Fracos Não Têm Vez, na tradução brasileira), dos irmãos Ethan e Joel Coen.

O Observer indica que este reconhecimento dos talentos espanhóis (e hispânicos) se deve ao crescente peso da comunidade de língua castelhana nos Estados Unidos: mais de 46 milhões ou 15,1% dos 305 milhões de habitantes, muitos deles vivendo nos estados da Califórnia, Arizona, Novo México e Texas. Nas últimas eleições, dois terços dos hispânicos votaram em Barack Obama; há 23 membros democratas e 1 membro independente no Congresso com sangue hispânico. E o cinema segue a tendência da rádio e da televisão, onde a minoria de língua castelhana está a aumentar a sua influência, nomeadamente nos estados acima indicados.

CINEMA INGLÊS

Não é só Danny Boyle, com o seu Quem quer ser bilionário, a sorrir de felicidade neste momento no Reino Unido. Para o Observer de hoje, a indústria inglesa de cinema está excitada com os filmes que serão exibidos nas próximas semanas ou meses e em que se sobressaem o talento e a capacidade da indústria. Ou é apenas o momento antes da recessão? Filmes a ser estreados (datas no Reino Unido): The Young Victoria, de Jean-Marc Vallée (6 de Março); In the Loop, de Armando Iannucci (17 de Abril); Shifty, de Eran Creevy (24 de Abril); A Frenchman's Guide to Love, de Jackie Oudney (Maio/Junho); An Education, de Lone Scherfig (Outono); London River, de Rachid Bouchareb (data a confirmar).

ADESÕES AO TWITTER

O Indústrias, no Twitter, teve três adesões na sexta-feira, seis ontem e oito hoje até esta hora. Isto prova ou o efeito de massificação da ferramenta ou da minha entrada não planeada no Twitter. Um comentário que recebi sobre o Twitter, na mensagem anterior: "como ferramenta social acho completamente dispensável para além do facto de aprofundar ainda mais o facilitismo em termos de escrita e algum alheamento. Passo os olhos pelo que se escreve e vejo apenas uma quantidade infindável de banalidades sem propósito algum".

Ainda não medi o alcance desta febre ou moda. Gente que comenta os resultados de futebol, congressos partidários e outros acontecimentos políticos, novidades tecnológicas, vontade de ir a concertos ou filmes - registos do que se faz e do que se pensa fazer. No FaceBook e no Linkedin recebo igualmente convites para participar em colóquios ou peças de teatro. Há uma transposição do efeito SMS para a internet, mas abrangendo grupos mais informais, que não chegaram a trocar números de telefone entre si, em especial quando se tratam de níveis etários diferentes ou de gostos e círculos de amizade distintos. As redes sociais, para além do efeito moda (hyper), e dos perfis (que, hipoteticamente, podem servir para contactos profissionais e de emprego), funcionam para publicidade ou promoção de actividades de grupos.

Como a informação que colocarei a seguir.

TEATRO-PERFORMANCE

Para quem estiver no dia 14 de Março em Lisboa e quiser conhecer um tipo de teatro diferente, pode participar na próxima performance do Teatro Imediato, um grupo de teatro playback.

Este tipo de teatro não é propriamente "teatro-espectáculo", mas uma experiência pessoal, de encontro com a arte: contar a história pessoal e vê-la representada instantânea e improvisadamente por actores, performers e músicos. Este tipo de teatro tem aplicações múltiplas. No Brasil, é aplicado na consultoria de recursos humanos, para abordagem de temas como a motivação, as relações de trabalho, a produtividade.

Local: Oficina da Pessoa (Avenida 5 de Outubro, 122, 3º dto, Lisboa, junto ao Oculista da Avenida). Horário: começo previsível às 21:00. Mais informações sobre o Teatro Imediato encontram-se aqui.

REDES (NÃO) SOCIAIS?

Todos os dias, recebo mensagens de internautas que querem seguir o que escrevo no Twitter. Confesso a minha incapacidade de compreensão das vantagens de escrever no Twitter e noutras redes sociais, apesar dos recentes e encomiásticos artigos de jornais (Diário de Notícias de quinta-feira, Expresso de ontem). Alguém escrevia que aderir às redes sociais é estar na moda.

Ontem, chegou-me o convite de um jornalista muito versado em tecnologias das redes sociais. Quando fui ler o que ele havia publicado, encontrei o seguinte: "Agradeço o interesse de todos os que enviaram pedidos, mas serve esta mensagem para informar que não escrevo no Twitter". Ora, para que serve a solicitação de adesão? É ele um caçador furtivo que quer ler o que os outros escrevem, mas não quer dizer o que pensa - ou faz neste momento? É ele sociável, ou o oposto? Para que quer o seguidor do Twitter seguir outros se não quer ser seguido? O Twitter é um panóptico para alguns? Um big brother?

As redes electrónicas são mesmo estranhas.