quarta-feira, 7 de julho de 2010

MOVIMENTOS NA CULTURA

  • O ministro dos Assuntos Parlamentares, Jorge Lacão, anunciou ao Parlamento que o Governo, dando seguimento ao "compromisso" do primeiro-ministro em relação à Cultura, decidiu avançar com uma descativação excepcional de 7,5 por cento das verbas oriundas do Programa de Investimentos e Despesas de Desenvolvimento da Administração Central (PIDDAC), parte importante do orçamento de muitos organismos da área (Público online).
Lê-se no jornal em linha que houve recuo por parte do Governo após o forte movimento de desagrado de artistas e produtores das artes e indústrias criativas. Recorde-se a entrevista que a ministra da Cultura deu esta semana à Antena 1. Quando o jornalista perguntou a Gabriela Canavilhas o que ela achava dos cortes orçamentais e a sua influência nos artistas independentes, houve um grande silêncio, após o que a ministra concluiu ser muito difícil responder. Em Junho de 2009 - lê-se no texto do Público -, "já em período de pré-campanha para as eleições legislativas, lamentou o facto de o seu primeiro Governo não ter investido mais na Cultura, prometendo que num eventual próximo mandato esse «erro» seria corrigido". O que pareceu ter esquecido rapidamente.

ENTRADA DA NIELSEN NO MERCADO PORTUGUÊS

A Nielsen está a testar um seu sistema de medição de audiências de internet em alguns grupos portugueses de media (Cofina, Controlinveste e Media Capital Multimedia), no que pode ser a entrada da multinacional num campo muito explorado pela Marktest (informação a partir da newsletter da Meios & Publicidade).

terça-feira, 6 de julho de 2010

CIDADES - 1

O Grão Kublai Kan ouvia Marco Polo, primeiro por gestos, gritos ou presença de objectos, porque o viajante e mercador veneziano não conhecia a língua tártara. Mais tarde, Marco Polo já se exprimia por palavras nesta e noutras línguas. Ora, as palavras são símbolos que representam realidades. Daí Kan se dirigir a Marco: "No dia em que conhecer todos os símbolos - perguntou a Marco -, conseguirei possuir o meu império, finalmente?" Ao que respondeu "o veneziano: - Sire, não acredites nisso: nesse dia serás tu mesmo símbolo entre os símbolos" (p. 26).

Marco Polo descrevia as cidades que conhecia ao imperador dessas terras. Elas davam pelos nomes de Adelma, Aglaura, Anastásia, Andria, Árgia, Armilla, Bauci, Berenice, Bersabeia, Cecília, Clarice, Cloé, Despina, Diomira, Doroteia, Ersília, Esmeraldina, Eudóxia, Eufémia, Eusápia, Eutrópia, Fedora, Fílias, Hipácia, Irene, Isaura, Isidora, Laudomia, Leandra, Leónia, Marozia, Maurília, Melânia, Moriana, Octávia, Olinda, Olívia, Pentesileia, Períncia, Pirra, Pocópia, Raissa, Sofrónia, Tamara, Tecla, Teodora, Trude, Valdrada, Zaira, Zemrude, Zenóia, Zirma, Zobaida, Zoé e Zora, num total de 55. Elas, as cidades, ligavam-se a céu, contínuas, desejo, memória, mortos, nome, ocultas, olhos, sinais, subtis e trocas, num total de 11 elementos.

Escreve Italo Calvino, através da personagem de Marco Polo: "Não é disto que é feita a cidade, mas sim das relações entre as medidas do seu espaço e os acontecimentos do passado" (p. 14), "O catálogo das formas é infinito: enquanto houver uma forma que não tenha encontrado a sua cidade, continuarão a nascer novas cidades" (p. 142), "A cidade aparece-nos como um todo em que nenhum desejo se perde e de que nós fazemos parte, e como ela goza tudo de que nós não gozamos, só nos resta habitar este desejo e satisfazer-nos com ele" (p. 16), "São as formas que a cidade poderia haver tomado se não se tivesse tornado, por uma razão ou por outra, como hoje a vemos" (p. 35).

Ou ainda: "O homem que viaja e não conhece ainda a cidade que o espera ao longo do caminho, pergunta-se como será o palácio real, o quartel, o moinho, o teatro, o bazar" (p. 36), "Os olhos não vêem coisas mas sim figuras de coisas que significam outras coisas: a tenaz indica a casa do arranca-dentes, a garrafa a taverna, a alabarda o corpo do guarda, a balança romana a ervanária" (p. 17). E também: "Para onde levam todos os dias a sua carga os varredores, ninguém quer saber: para fora da cidade, claro; mas cada ano que passa a cidade vai-se expandindo, e os depósitos do lixo têm de ir parar para mais longe" (p.116).
Concluia Marco Polo nas conversas com o Grão Kublai Kan: "Para distinguir as qualidades das outras, tenho de partir de uma primeira cidade que está implícita. Para mim é Veneza. [...] As imagens da memória, depois de fixadas com as palavras, apagam-se" (p. 90).

Fiquei a pensar em algumas dessas cidades invisíveis. Entusiasmado com Isidora, onde os prédios têm escadas de caracol incrustradas de búzios marinhos, amedrontado com Valdrada, onde os assassinos actuam duplamente (na realidade e na sua cópia ou espelho), conhecedor da história que se repete com Clarice, de esplendor à miséria e desta a novo esplendor, curioso com Bauci, onde as casas se elevam do solo através de finíssimas andas.

Leitura: Italo Calvino (2008, edição consultada). As Cidades Invisíveis. Lisboa: Teorema

LISBON CONSORTIUM

À imagem do London Consortium, é apresentado amanhã, às 12:30, no MUDE (Rua Augusta, 24), o The Lisbon Consortium – ou Consórcio de Lisboa, um programa integrado de formação académica e cultural que, como o congénere inglês, reúne grandes instituições culturais (Fundação Calouste Gulbenkian, Fundação da Caixa Geral de Depósitos - Culturgest, Cinemateca Portuguesa, Museu Nacional do Teatro e Centro Nacional de Cultura), a Câmara Municipal de Lisboa e a Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica Portuguesa, procurando assim associar a formação universitária avançada com as actividades de gestão e programação culturais. O Conselho de Curadores integra representantes das várias instituições que compõem o projecto: António Pinto Ribeiro (Gulbenkian e Universidade Católica), Catarina Vaz Pinto (CML), Miguel Lobo Antunes (Culturgest), Maria João Seixas (Cinemateca), José Carlos Alvarez (Museu do Teatro), Guilherme de Oliveira Martins (CNC) e Isabel Capeloa Gil (Universidade Católica).

segunda-feira, 5 de julho de 2010

OS CORTES NO ORÇAMENTO DA RTP E O FUTURO DO SERVIÇO PÚBLICO

Em textos editados no Público de ontem e de hoje, Guilherme Costa, presidente da RTP, explica a necessidade de proceder a um corte de 12 milhões de euros nos custos orçamentados para 2010, seguindo orientações emanadas do ministério das Finanças devido à política de austeridade seguida pelo presente Governo.


No texto de ontem, ele indica que os cortes irão afectar a programação, a inovação de conteúdos multimedia e alguns aspectos da reestruturação. A reestruturação, para além da redução de efectivos prosseguida desde 2003, irá acelerar em Setembro, com a transformação organizacional da área técnico-operacional da RTP, explica no artigo de hoje. O presente modelo de serviço público decorre do contrato de concessão e do acordo de reestruturação financeira de 2003. Segundo o presidente da RTP, a estação tem, presentemente, capitais próprios negativos (cerca de 600 milhões de euros) e um endividamento de cerca de 800 milhões de euros, mostrando uma recuperação desde o mesmo ano de 2003.

Dos dois textos destaco mais duas ideias. A primeira é a decisão da RTP1 não passar telenovelas no prime time e no horário de acesso, mas dar atenção a conteúdos informativos, a documentários e eventos agregadores como não o fazem os canais comerciais (comento: passa o Preço Certo antes do noticiário das 20:00, duvidando-se que o programa seja serviço público), encomenda trabalho às produtoras de televisão e apoia o cinema português (artigo de ontem). A segunda ideia é a chamada de atenção para os modelos  de negócio baseados na adopção das novas tecnologias digitais, em convergência com a internet (artigo de hoje). Apesar da televisão linear generalista ainda ser a plataforma dominante do audiovisual, Guilherme Costa considera a forte probabilidade da internet passar a principal plataforma do serviço público de media.

COMO O JN VÊ A INFORMAÇÃO DA TVI

INTERPRETAR E COMENTAR

Estou a ler um texto de que serei comentador. Uma obra escrita abre-se a comentários, críticas, sugestões – e serve para para acordar a memória, reinterpretar, comparar. Quando reeditou Contra a Interpretação trinta anos depois do primeiro lançamento, Susan Sontag (2004: 358) dizia que os anos 60 já estavam esquecidos: “o espírito de dissidência [foi] sufocado, e transformado em intenso objecto de nostalgia”. A razão inicial transformara-se devido à perda de importância da contextualização inicial, ficando apenas a memória. No romance As Cidades Invisíveis, de Italo Calvino (2008: 139), o Grão Kublai Kan quer saber se Marco Polo, quando regressar ao seu país, repetirá as histórias que lhe aconteceram no Oriente. Ao que este responde: “quem me ouve só fixa as pérolas que deseja. [...] Quem comanda o conto não é a voz: é o ouvido”. Um novo contexto pode provocar uma nova interpretação, cujo contorno pode não ser previsível. Calvino serviu-se da obra de Marco Polo mas, certamente, inspirou-se também em texto de Samuel Coleridge (1797/1798). Este, a partir de um sonho, intuiu imagens visuais e um poema de trezentos versos onde relata a construção de um palácio de Kublai Kan. Jorge Luís Borges (1983: 25), nas Novas Inquirições, escreve sobre Coleridge e outros autores que sonham temas e objectos que se repetem na estrutura, sem que conheçam as versões anteriores, e fala de uma série sem fim, em que a chave do conhecimento dos anteriores pode estar no último. A cultura liga acontecimentos e estruturas, como se ciclos se iniciassem, interferissem e concluissem, dando origem a novos ciclos sem conhecimento directo dos anteriores. Em O Nome da Rosa, Umberto Eco (1998: 282) descreve o diálogo entre Guilherme de Baskerville e Adso de Melk: “Muitas vezes os livros falam de outros livros [...] é como se falassem entre si”. Aqui, a cultura dos livros passa para outros, sendo o erudito um eventual passageiro transportador.

Por isso, o meu trabalho de comentador vai repartir-se entre ler, interpretar e comentar, a partir do meu conhecimento e da memória de alguns factos, provavelmente subjectiva.

domingo, 4 de julho de 2010

ERUDIÇÃO

O artigo de José Pacheco Pereira no Público de ontem foi sobre a erudição. Esta foi definida como o conhecimento extenso adquirido em especial através de livros, uma aprendizagem profunda e recôndita [recondite, palavra inglesa que também se pode traduzir por oculta, secreta, misteriosa, profunda] pelos livros. Ora, diz Pacheco Pereira, o conhecimento "aprendido dos livros" não está no topo de coisa alguma e a erudição é vista como anacronismo, coisa obsoleta e inútil.

Ele escreve sobre eruditos que faleceram há muito (Alexandre Herculano, Leite de Vasconcelos, Carolina Michaelis, Gama Barros, Michel Giacometti) ou há pouco (José de Pina Martins, Vasco Magalhães Vilhena) ou que foram homenageados recentemente (Martim de Albuquerque) ou projectos actuais na internet (Classica Digitalia). Aqui, podem ler-se textos como os de Plutarco, Obras Morais, como "Acerca do Número Excessivo de Amigos" ou "Como Distinguir um Adulador de um Amigo". Em "Acerca do Número Excessivo de Amigos", escreveu Plutarco:
  • "É que a verdadeira amizade exige acima de tudo três coisas: a virtude como algo belo, a intimidade como algo doce, e a utilidade como algo necessário. De facto, é necessário que um homem seja crítico antes de aceitar um amigo, que tenha prazer na sua companhia, e que a ele recorra quando houver necessidade, condições que são incompatíveis com a multiplicidade de relações. Mas, sem dúvida, o primeiro, o discernimento, é o de maior importância".

sábado, 3 de julho de 2010

TESE SOBRE TELEVISÃO EM DISCUSSÃO PÚBLICA

No dia 23 de Julho, pelas 15:00, na Universidade Católica, Catarina Burnay vai defender tese de doutoramento com o título A Açorianidade na ficção da RTP-Açores (1986-2007).

sexta-feira, 2 de julho de 2010

LUÍS MONTEZ, HOMEM DA MÚSICA E DA RÁDIO

[a partir de texto editado na revista "Única", Expresso, de 26 de Junho último, com texto de Ana Soromenho e fotografias de Luiz Carvalho, a quem pertence a imagem ao lado]

Para Luís Montez, nunca se consumiu tanta música como agora, mas não através da venda de discos. Os consumidores não gastam dinheiro em discos mas em música ao vivo: como a receita que os músicos recebiam pelos discos baixou, têm de tocar mais. A maior oferta de música ao vivo criou públicos e arrastou patrocínios de marcas (daí festivais como Sudoeste, SuperBock SuperRock, Rock in Rio, nem todos organizados por ele), com artistas ligados a determinadas marcas. Os programadores, as rádios, promovem os festivais e os sucessos dos concertos repercutem-se nas rádios. O negócio da música é do domínio do afecto, da emoção, diz ele; ao contrário do futebol, em que uma equipa ganha e a outra perde, na música todos estão do mesmo lado.

Montez trabalha na área há 20 anos, tendo organizado no seu princípio um concerto dos Xutos & Pontapés e outro com Lloyd Cole and the Commotions. Apesar do público português ser o principal consumidor dos concertos organizados pela sua empresa, 13% dos espectadores no festival do Sudoeste são espanhóis, o que o leva a investir mais em redes sociais. Como recicla os seus conhecimentos? Indo anualmente ao festivais South by Southwest e ao Coachella, ambos nos Estados Unidos.

Homem da música - tem a empresa Música no Coração desde 1991, que promove espectáculos, sete festivais e oito estações de rádio (como Radar, Oxigénio, Marginal, Amália) -, Montez fala dos 620 festivais de Verão que decorrem na Europa, isto é, em oito fins-de-semana. O que quer dizer disputa muito dura, com mercados competitivos na Alemanha, França e Inglaterra. Cabeças de cartaz consegue trazer para Portugal, através de relações de confiança com os agentes das bandas e dos músicos, e porque paga cachês mais elevados. Com os cabeças de cartaz, vêm bandas menos conhecidas, que pertencem ao mesmo agente, mas que podem tornar-se grandes revelações.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

DUAS IMAGENS E MINHAS REFLEXÕES

O dispositivo (de "consulta" dos cavalos garranos) fez-me lembrar o consultório médico de final do século XIX, em que o médico é o auscultador, o consultor, o conhecedor do indivíduo doente (burguês), conversa com ele mais do que diagnostica. Ou que actua no hospital, observando anónimos e pobres, doentes de epidemias ou guerras, em camas sobrepostas e de higiene escassa, de olhos alucinados e desesperançados, corpos magros e sem identidade. Já no século XXI, o medidor de tensão é electrónico, a receita é escrita em computador ligado a impressora, o médico chama o doente através de um sistema de som. O médico especialista tem equipamentos electrónicos, digitais, opera através de robôs, dá mais ênfase às imagens holográficas (Monique Sicard) e às estatísticas do que ao corpo que se apresenta (Baudrillard). Se as plantas decoravam o consultório do século XIX, no século XXI a bata é um signo distintivo de poder e segurança (Foucault).

O recinto da achega de bois fixa uma cultura específica, a da terra - a agricultura. Na sociedade agrícola, o espectáculo não existe fora da produção, não há entretenimento como o da sociedade de consumo, há ciclos repetidos ao longo do ano, de sementeira e colheita, de abundância que esconjura a escassez. A luta entre animais (achega de bois) mostra os mais fortes, simbolicamente uma hierarquia de poder entre os proprietários. Ou, quando muito, lhes dá prestígio mesmo que frágil. Os animais que estão na praça de touros ostentam o ferro da ganadaria, espécie de cunho do anel que o patrão ostenta no dedo. Apesar de acontecimento anónimo, por desconhecido de todos os ausentes no combate entre animais, produz-se uma hierarquia. O animal velho ou fraco é abatido, não deixa história de sucesso.

Imagens de P.C., a quem agradeço, a primeira tirada entre Pitões de Júnias e Tourém, a segunda em Montalegre.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

PROGRAMA DO 79º ANIVERSÁRIO DA BIBLIOTECA DAS GALVEIAS E DA HEMEROTECA MUNICIPAL

IMPRENSA LOCAL E REGIONAL: UM RETRATO ACTUAL

Foi hoje apresentado o estudo A imprensa Local e Regional em Portugal, da ERC.

O estudo decompõe-se em diversas fases, com diferentes metodologias: trabalho de campo (entrevistas a responsáveis dos meios locais e regionais), inquérito e análises financeira e jurídica. No inquérito, responderam 411 de um universo de 689 publicações. 80% destas publicações foram fundadas desde a década de 1980, o que significa juventude, 45% das quais têm versão electrónica da edição em papel. Dos jornalistas, 44,4% possuem carteira profissional de jornalista, 80,3% desempenha uma só função na publicação. 52,1% das publicações respondentes conta com menos de cinco colaboradores e 18,5% tem de 5 a 8 colaboradores, enquanto 18,5% não tem qualquer jornalista ao seu serviço. A publicidade comercial é a principal fonte de rendimento das publicações, seguindo-se assinaturas, publicidade institucional e venda em banca. De modo interessante, 31,9% são sociedades limitadas por quotas e 16,1% são fábricas de Igreja, traçando dois perfis de imprensa local e regional. A primeira tem mais colaboradores, títulos em papel e em formato electrónico e pertencem a grupos de media; a segunda tem menos colaboradores, títulos e uma periodicidade de edição mais alargada (quinzenal, mensal).

Da leitura do CD-Rom, retiro os seguintes dados: "A informação domina mais de metade da área impressa de três quartos das publicações analisadas (75,5%); a opinião ocupa até 20% da área impressa em 75,0% do total de publicações em estudo; o entretenimento, preenche uma proporção inferior a 10% da superfície impressa em 58,4% das publicações, estando ausente em 37,0% dos títulos em análise" (p. 437).

Seguindo estudos da Marktest, o trabalho agora apresentado traça o seguinte perfil dos leitores das publicações locais e regionais: mais homens (55%) do que mulheres, faixas etárias dos 25 aos 44 anos (41,3%), classes média baixa e média média (62,5%), reformados, pensionistas e desempregados (21,7%) (pp. 231-234).

Quanto a conclusões apresentadas na sessão da manhã (aquela onde pude estar presente), saliento: desenvolvimento de estratégias multimedia, integração em grupos de comunicação social, existência de projectos exclusivamente na internet, inexistência do controlo de tiragens, acesso nem sempre possível às fontes de informação, escassez de publicidade comercial, critérios de transparência na distribuição da publicidade, porte pago.

A ficha técnica do estudo tem os seguintes nomes - supervisão: Azeredo Lopes e Estrela Serrano; coordenação: Carla Martins e Telmo Gonçalves (ambos da Unidade de Análise de Média da ERC); analistas: Catarina Páscoa, Eulália Pereira, Pedro Puga (todos da Unidade de Análise de Média da ERC); Rui Mouta, Departamento Juridico da ERC; Henrique Dias Gonçalves, Gabinete de Estatística da ERC; Carla Oliveira (analista de media, colaboração externa); análise económico-financeira: Paulo Faustino, investigador, Media XXI – Consulting Research/Universidade do Porto.

PORTAL BUALA

BUALA é o "primeiro portal interdisciplinar de reflexão, crítica e documentação das culturas africanas contemporâneas em língua portuguesa, com produção de textos e traduções em francês e inglês. A língua portuguesa, aqui celebrada na diversidade de Portugal, Brasil e África, dialoga com o mundo, dando a conhecer melhor as singularidades e as pontes possíveis". O portal "pretende inscrever a complexidade do vasto campo cultural africano e diáspora negra em acelerada mutação económica, política, social e cultural. Entendemos a cultura enquanto sistemas, comunidades, acontecimento, sensibilidades e fricções. Políticas e práticas culturais, e o que fica entre ambas. Problematizar questões ideológicas e históricas, entrelaçando tempos e legados, diagnosticar os grandes desafios do continente e os protagonistas da cultura africana, pensar novos paradigmas que subvertam as tão instaladas relações de poder e dependência" (informações fornecidas pelo portal).

JORNADAS DE ARTES E COMUNICAÇÃO

O Centro de Investigação em Artes e Comunicação (CIAC) da Universidade do Algarve organiza, no dia 2 de Julho (9:30/19:00), as II Jornadas de Investigação em Artes e Comunicação. Estas "dirigem-se a um público especializado na área das artes e da comunicação e têm como objectivo divulgar a investigação que está a ser desenvolvida pelo Centro, bem como estimular o debate interdisciplinar entre as diversas áreas de especialização e de actuação do CIAC" (informação da organização). Ver mais informação em http://www.ciac.pt/.

terça-feira, 29 de junho de 2010

NÚMERO DA REVISTA JORNALISMO E JORNALISTAS

Saiu o número 42 da revista JJ - Jornalismo e Jornalistas, referente a Abril/Junho deste ano. A capa está ocupada com quatro assuntos: reinvenção do jornalismo (através do jornalismo dos cidadãos), media e blogosfera (continuação do número anterior), entrevista a Carlos Camponez (a propósito da sua tese de doutoramento sobre deontologia do jornalismo) e análise a 15 anos de ciberjornalismo em Portugal (assinado por Helder Bastos, o jornalista destacado para fazer o primeiro jornal online, o Jornal de Notícias).

HISTÓRIA DA MARKTEST

A Marktest, empresa que faz audimetria em Portugal, está a comemorar 30 anos de actividade. Pode conhecer-se a sua história aqui. No final de 1980, tinha três empregados e a tecnologia era formada por uma máquina de calcular, uma máquina de escrever manual e um computador PET 16 Bits. No mesmo ano, a empresa fez os seguintes trabalhos: ICV - Índice de Custo de Vida, IPCR - Índice de Poder de Compra Regional e Estudo na génese do Sales Index (sistema de gestão de informação de base concelhia).

segunda-feira, 28 de junho de 2010

FIM DO JORNAL 24 HORAS

Na sequência do que já escrevi aqui, o jornal 24 Horas vai ter a sua última edição amanhã. Outro jornal do grupo Controlinveste, o gratuito Global Notícias, terá a sua última edição na quarta-feira. Sem discutir aqui a qualidade dos dois jornais, a reflexão a fazer é a gravidade da situação dos media impressos que encerram.

LANÇAMENTO DE LIVRO DE MARTA TRAQUINO

Ao final da tarde de hoje, foi lançado na livraria Círculo das Letras, o livro de Marta Traquino (à esquerda na imagem), A construção do lugar pela arte contemporânea, com apresentação de Idalina Conde, docente do ISCTE e sua orientadora de dissertação de mestrado agora editada pela Húmus.

Marta Traquino trabalha o sentido do lugar na condição contemporânea, analisando a instalação no espaço público e a arte pública. Retiro um parágrafo da sua obra: "O artista que trabalha com o espaço público enfrenta um contexto díspar do artista em espaços institucionais da arte. Nestes ele constrói o seu «lugar» a ser visitado por pares, comissários e críticos de arte e os interessados com hábitos de visita a exposições, por vezes com certo conhecimento pré-elaborado sobre o que vão ver. O espaço público é, pelo contrário, um espaço vivido, com outras histórias e memórias, lógicas de funcionamento e organização. Aí, a arte vai ao encontro das pessoas, surpreendendo-as no seu dia-a-dia, como forma específica de comunicação e interpelação" (p. 125). A autora trabalha com os conceitos de site-specificity (espaço-específico) (p. 28) e lugar habitado, de onde retira exemplos de projectos de arte pública realizados no âmbito da Expo'98 como o Jardim das Ondas, de Fernanda Fragateiro (p. 129).

A apresentadora da obra, Idalina Conde, falou sobre a auto-reflexividade dos artistas, um dos elementos paradigmáticos do pós-modernismo, referindo o próprio papel de Marta Traquino, artista de instalações e docente, já em fase de pesquisa de doutoramento.

domingo, 27 de junho de 2010

IONESCO

Hoje é o dia derradeiro da representação da peça O rei está a morrer de Eugène Ionesco no teatro Comuna, numa encenação de João Mota.

Logo no começo da peça se anuncia que o rei Bérenger (Carlos Paulo) vai morrer no final do espectáculo (90 minutos depois). Quem o diz é Margarida (Tânia Alves), primeira mulher do rei, enquanto Maria (Ana Lúcia Palminha), segunda mulher do rei, procura manter vivo o seu amor. Margarida é apoiada pelo médico e carrasco (Rui Neto), enquanto a empregada (Mia Farr) e o sentinela (Alexandre Lopes) manifestam sentimentos contraditórios.

No texto que acompanha a apresentação da peça, lê-se: "Uma comédia que mostra o quão ridículos podemos ser quando nos confrontamos com a efemeridade da vida e o inútil apego que temos às coisas materiais". Ionesco, um dos principais nomes do teatro do absurdo, reflecte sobre o poder e a perda de poder e o modo como cada indivíduo olha a realidade e a morte que se aproxima cada dia ou cada hora. O rei Bérenger julgava ter o poder de fazer chuva ou mudar a orientação e movimento dos astros, mas o seu reino já se afundava no abismo, ou as fronteiras reduziam porque os países vizinhos aproveitavam a sua falta de força para imporem novas fronteiras, e os cidadãos morriam (afogados, assassinados, por desleixo ou falta de convicções). O poder já estava noutras mãos, nas da primeira mulher (e também no físico e médico e carrasco), enquanto se assiste à lenta e pouco digna agonia do rei.

O POVO: LIVRO E EXPOSIÇÃO NO MUSEU DA ELECTRICIDADE

De que falamos quando falamos de POVO? Este é o ponto de partida desta exposição, que propõe uma viagem pelos múltiplos sentidos deste conceito e da palavra que o nomeia. Com uma história milenar, é, contudo, nos últimos três séculos - do advento de liberalismos, nacionalismos e socialismos à actualidade - que se constrói uma ideia contemporânea de POVO. É isso que aqui se mostra.

[do folheto da exposição POVO, patente no Museu da Electricidade, uma das exposições que comemoram os cem anos de República em Portugal, até 19 de Setembro]

José Neves, coordenador da obra Como se Faz um Povo (Tinta da China), integrada na exposição, prefere identificar assim o povo:

"Trata-se, nestes discursos, de elaborar uma biografia - no caso, a biografia de um sujeito colectivo - e de desenvolver narrativas que procuram retratar uma nação ou um povo - no caso, Portugal e o povo português -, presumindo-se um sentido, que será possível ao historiador reconhecer, de modo a apurar uma identidade por entre as atribulações de uma ou mais vidas e dos caminhos astuciosos que estes tomam". (p. 13).

O livro tem quatro partes, com os temas: representação, cidadania e política popular; identidade nacional, cultura popular e revolução; sociedade, economia e quotidiano; arte, espectáculo e dissensão. Nesta última parte, conta com textos de Luís Trindade, João Pinharanda, Emília Tavares, Vítor Pavão dos Santos, Eduardo Cintra Torres, Rui Bebiano e Tiago Baptista.

No caso específico do texto de Cintra Torres, sobre televisão, ele fala de um tempo de televisão pastoral (ou pastoril?) - sobre a vida dos pobres e dos rurais -, correspondente aos anos iniciais da televisão em Portugal e ao tempo do regime do Estado Novo, e de um modelo pequeno-burguês, tipificado nos programas de variedades e em especial no Big Show SIC, com o "apresentador aos gritos, gargalhadas e saltos, um falso macaco como companheiro, povo-público em estúdio, de pé, dançando com os músicos, depois chamados pimba" (p. 436). Para o final da década de 1980, Cintra Torres defende um terceiro modelo, apesar da diversidade de plataformas (cabo, DVD), a televisão de consensualidade graças a programas como talk shows (Oprah Winfrey, Gato Fedorento). Contudo, e neste mesmo tempo, o autor distingue, por um lado, a elite cultural, com recursos a programas diversificados mais de seu agrado e, por outro lado, a perda da premência comunicação televisiva para o povo (p. 437). A meu ver, a consensualidade vai-se perder e o poder da televisão reparte-se com outras plataformas; o povo diversifica gostos. Ou, então, ele dilui-se como povo.

sábado, 26 de junho de 2010

PEQUENO CAIS COM PONTE AO FUNDO

NOVA ORTOGRAFIA NO EXPRESSO

A partir desta semana, o semanário Expresso adopta a nova ortografia. Algumas razões para aceitar a alteração de mais de 3500 palavras da língua: já se escreveu mãi, sòzinho, telephone; agora escreve-se mãe, sozinho, telefone. Se adoptar passar a adotar, direcção a direção e Junho a junho, registam-se alterações como as efectuadas (efetuadas) antes. O mais difícil parece-me a retirada dos hífens: de fim-de-semana para fim de semana,  de contra-revolução para contrarevolução.

ESTUDO DE IMPRENSA LOCAL E REGIONAL

Apresentação do estudo da ERC (Entidade Reguladora para a Comunicação Social), A imprensa local e regional em Portugal, no dia 30, na Fundação Calouste Gulbenkian. Coordenação do estudo de Carla Martins e Telmo Gonçalves, ambos da Unidade de Análise de Média (ERC).
Lê-se no sítio da ERC: "O estudo é o primeiro a realizar uma abordagem transversal deste sector da imprensa, abrangendo as suas dimensões mais relevantes, entre as quais se destaca a caracterização geral do sector; um "diário de campo" elaborado com base em testemunhos de responsáveis de jornais locais e regionais; um enquadramento jurídico do sector; uma análise económico-financeira; uma análise dos públicos da imprensa local e regional; os resultados de um inquérito às publicações do sector; uma análise morfológica e de conteúdo de publicações locais e regionais e um levantamento das deliberações e decisões da ERC sobre este sector no ano de 2009".

UM TIPO DE PUBLICIDADE

"Revista [título]. Promoção Você dá o Tom! Você escolhe o que quer ganhar. Sorte sua. Uma Scooter [marca] ou um curso de corte criativo e coloração na [empresa] em Londres. Na promoção Você dá o Tom, você escolhe o prêmio que mais combina com você. Pode ser um curso de corte criativo e coloração na [empresa] em Londres ou uma Scooter [marca]. Para concorrer basta responder à pesquisa no [sítio da internet]. Mande já suas informações e participe. A sorte é toda sua. E a escolha do prêmio também".

75 ANOS DA RÁDIO PÚBLICA

Tenho acompanhado os programas que a RDP (RTP) está a emitir com registos magnéticos e sua interpretação à volta dos 75 anos da Emissora Nacional (inaugurada oficialmente em 4 de Agosto de 1935 pelo presidente da República Óscar Carmona, apesar de emitir desde 1934). São memórias bem trabalhadas pelos profissionais que a rádio pública escolheu, casos de José Nuno Martins e Jaime Fernandes. No programa da manhã de hoje, o programa escolhido foi Graça com Todos (Parodiantes de Lisboa), recordando os irmãos Andrade, os seus principais animadores.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

BERARDO VERSUS CANAVILHAS

"Agora, a possibilidade de o Estado não conseguir cumprir a sua metade de obrigações na fundação que gere o Museu Berardo é um facto. Querendo, à partida, Berardo poderá sair do museu com a sua colecção, deixando vazio o módulo 3 do Centro Cultural de Belém após apenas três anos" (Público on line, de hoje, com a reacção de Joe Berardo à entrevista da ministra da Cultura). Curiosamente, em Abril último, Gabriela Canavilhas considerava que quem estava em falta nos compromissos do museu era o próprio Berardo. Parece-me existir algo estranho neste caso, relembrando as questões relacionadas com os directores dos museus de Arte Antiga, Nacional de Arqueologia e do Chiado (aqui, com a distinção de um concurso público ter afastado o anterior director).

CULTURA EM PORTUGAL

"Entendo que temos que criar condições no nosso país para os artistas e agentes culturais terem mercado. Temos que apostar e criar condições de mercado. Isto fará com que maior número de agentes esteja na actividade como contratado, interveniente directos, e não como dependente de subsídios. Criando uma teia de estruturas com capacidade financeira e compromissos com o MC para garantir programação contratando agentes – ou seja, criando pólos de economia cultural – criamos melhores condições, estabilidade e dignidade para os agentes. Diminuiria muito o espectro dos subsídios. É uma aposta que quero muito desenvolver e que vai assentar na rede de teatros e Cineteatros" (Gabriela Canavilhas, ministra da Cultura ao Público de hoje). Há "seis meses no cargo, traça o retrato de um ministério com milhares de trabalhadores independentes, muitos intermitentes, sem apoios sociais. São, precisamente, os que mais vão sofrer com a crise e os cortes previstos, reconhece", lê-se na mesma entrevista.

COMO VI O JOGO PORTUGAL-BRASIL NO CAMPO PEQUENO


quinta-feira, 24 de junho de 2010

PRIVATIZAÇÃO DA TOBIS

A Tobis Portuguesa, criada em 1932 com o intuito de apoiar e fomentar o desenvolvimento do cinema nacional (ver sítio da Tobis, de onde retirei a imagem), vai ser privatizada, com o Estado a alienar a participação de cerca de 96%. A decisão coube à ministra da Cultura e o anúncio foi feito pelo director do Instituto do Cinema e do Audiovisual no Parlamento. A Tobis emprega 66 pessoas, com cerca de 20 delas a trabalharem há mais de 25 anos na empresa, algumas atingindo quase 40 anos de actividade. No ano passado, a Tobis teve um prejuízo superior a quatro milhões de euros.