O noticiário das 20:00 da TVI vai mudar de nome, passando de Jornal Nacional para Jornal das 8. Os seus responsáveis já haviam anunciado há semanas que iam fazer alterações, incluindo o cenário. O Jornal de Notícias de hoje traz mais informações sobre o assunto.
Na minha perspectiva, a mudança de nome significa o estilo novo trazido pelos jornalistas que agora lideram a informação na TVI, Judite de Sousa e José Alberto Carvalho. O nome anterior foi uma marca da direcção-geral de José Eduardo Moniz em 2000, a substituir o anterior Directo XXI. A um ciclo que se fecha, nasce outro. Sem perder a identidade do jornalismo popular e de proximidade, característica da TVI adquirida na última década, o enfoque - a partir dos elementos do comunicado do canal - irá no sentido de o canal se tornar um centro de notícias mais forte e mais preocupado com os problemas da actualidade. Olhando para a fotografia de apresentação da equipa dirigente, é facilmente identificável uma escola, a da RTP, onde os jornalistas da primeira fila foram figuras de destaque. Os outros jornalistas têm igualmente provas dadas. Com isto não quero dizer que o noticiário da TVI seja mimético do produzido pela RTP ou pela SIC, pois as redacções são diferentes e, por isso, os resultados serão diferentes. Mudar um nome pode representar apenas um acto simbólico, mas a mudança de ciclo no noticiário do canal da TVI pode também significar a antecipação de novo ciclo político.
Textos de Rogério Santos, com reflexões e atualidade sobre indústrias culturais (imprensa, rádio, televisão, internet, cinema, videojogos, música, livros, centros comerciais) e criativas (museus, exposições, teatro, espetáculos). Na blogosfera desde 2002.
sábado, 30 de abril de 2011
quinta-feira, 28 de abril de 2011
TRIUMPH
Para a Triumph, 2011 é um ano especial, pois comemora 125 anos de actividade. Na realidade, a Triumph, fabricante de lingerie, foi fundada na Alemanha pelas famílias de Johann Gottfried Spiesshofer e de Michael Braun em 1886. A primeira subsidiária estrangeira foi estabelecida na Suíça, que se tornou a sede da empresa.
O anúncio agora colocado nos mupies mostra três modelos com cinturas muitas finas, contornos mais ampliados pela luz branca vinda de trás. A imagem recorda-me o quadro de Almada Negreiros, As banhistas, formas que ele tirara de um quadro de Picasso. As cores lembram-me o fauvismo, caracterizado por cores intensas como as que se observam nos países mediterrânicos, nomeadamente na zona meridional francesa, onde o movimento teve uma grande repercussão. Um dos quadros mais impressivos do fauvismo, embora com cores muito distintas das do anúncio, é o de Henri Matisse, La blouse romaine (1940). Para Matisse, as cores não precisavam de estar de acordo com os tons reais do objecto mas estabelecerem harmonia com as outras cores (Raymond Cogniat, "O Fauvism", História da Arte, Alfa, 1992, vol. 9, p. 112).
A publicidade fez-me ainda rever a pintura de Sonia Delaunay-Terk na década de 1920. Outras ideias despertadas pela pose das modelos leva-nos à depuração de linhas na banda desenhada japonesa (manga) e às peças de manequins em papel que se vestiam e voltavam a vestir, mais tarde representada pelo guarda-roupa da Barbie e agora em sítios da internet onde se podem vestir os manequins com peças de roupa virtuais. A modelo do centro parece o resultado de uma construção desse tipo. Na imagem não vejo super-mulheres nem mulheres de beleza ideal mas cuja irrealidade é suportada na ondulação dos movimentos das modelos. O importante é a mensagem de conforto e boa linha por elas transmitidas.
O anúncio agora colocado nos mupies mostra três modelos com cinturas muitas finas, contornos mais ampliados pela luz branca vinda de trás. A imagem recorda-me o quadro de Almada Negreiros, As banhistas, formas que ele tirara de um quadro de Picasso. As cores lembram-me o fauvismo, caracterizado por cores intensas como as que se observam nos países mediterrânicos, nomeadamente na zona meridional francesa, onde o movimento teve uma grande repercussão. Um dos quadros mais impressivos do fauvismo, embora com cores muito distintas das do anúncio, é o de Henri Matisse, La blouse romaine (1940). Para Matisse, as cores não precisavam de estar de acordo com os tons reais do objecto mas estabelecerem harmonia com as outras cores (Raymond Cogniat, "O Fauvism", História da Arte, Alfa, 1992, vol. 9, p. 112).
A publicidade fez-me ainda rever a pintura de Sonia Delaunay-Terk na década de 1920. Outras ideias despertadas pela pose das modelos leva-nos à depuração de linhas na banda desenhada japonesa (manga) e às peças de manequins em papel que se vestiam e voltavam a vestir, mais tarde representada pelo guarda-roupa da Barbie e agora em sítios da internet onde se podem vestir os manequins com peças de roupa virtuais. A modelo do centro parece o resultado de uma construção desse tipo. Na imagem não vejo super-mulheres nem mulheres de beleza ideal mas cuja irrealidade é suportada na ondulação dos movimentos das modelos. O importante é a mensagem de conforto e boa linha por elas transmitidas.
APPEL À COMMUNICATIONS
Colloque international Liberté et oppression dans le Royaume-Uni des années 1960, Université François-Rabelais de Tours, 17-19 novembre 2011
Au Royaume-Uni, selon l’interprétation canonique, les années soixante ont été marquées par un esprit de contestation quasi révolutionnaire : soif de liberté et volonté de s’affranchir d’un carcan socio-moral se sont illustrées dans une production artistique riche, variée, et souvent provocatrice, subversive, ainsi que dans de nombreux phénomènes sociétaux. Age d'or de la jeunesse, avec ses mods et ses rockers, ou encore de la culture populaire qui prenait définitivement ses droits à travers des séries télévisées (Coronation Street, The Saint, Danger Man, The Avengers), ou du cinéma (Cathy Come Home, The Servant, If), les "Sixties" conservaient, cependant et avant tout, une dimension politique où la confrontation et la remise en question par la violence étaient souvent la norme : du pop festival aux protest marches, du flower power au black power, la période associe librement et énergiquement des formes d'expression culturelle novatrices à des revendications politiques volontaires et finement articulées.
L’autorité politique et sociale ainsi que les canons littéraires et esthétiques furent l’objet d’une redéfinition à une époque où l’écriture télévisuelle commençait à s’imposer comme une nouvelle forme artistique : les productions filmiques ont mis en scène et remis en question l’autorité et ses figures, les faisant parfois voler en éclats. Elles ont par ailleurs consacré l’émergence d’un contre-pouvoir, celui de la jeunesse, et donné une autre raison d’être à l’objet d’art, par exemple, en conférant à la photographie une importance accrue.
Depuis le Royaume Uni, le phénomène "Sixties" devait avoir des réverbérations à la fois spontanées et durables et, en Europe occidentale comme aux Etats-Unis notamment, d’une ampleur qui ne cesse encore d'étonner, d'attirer le regard et de poser des questions de fond. Aujourd’hui, le monde industriel dit avancé cherche encore à s'extirper de raisonnements sociaux et de logiques économiques qui, enclenchés de façon enthousiaste à l'époque, donnent encore lieu à des doutes et à des questionnements fréquents, générant anxiétés et réactions parfois virulentes.
Il ne s'agit pas d'encenser les "Sixties", de les auréoler de manière complaisante ou nostalgique, ni de les remettre en cause ou de les condamner. En invitant à l'analyse de l'influence concrète des mouvements de contestation et des diverses innovations artistiques sur la culture politique du Royaume-Uni et sur la société britannique, les organisateurs du colloque souhaitent tout d'abord mieux définir, ou redéfinir, l'objet "Sixties" : dans quelle mesure cette périodisation conserve-t-elle aujourd’hui pertinence, intégrité ou homogénéité ? C’est que l’interprétation de cet ensemble ne cesse d'évoluer : aux côtés des clichés qui prétendent encore monopoliser notre rapport affectif avec les Sixties (les Beatles sur le seuil du 10 Downing Street, Twiggy à la une de Vogue), l'héritage de l'époque paraît aujourd'hui complexe : à la fois redondant et foisonnant, libérateur et contraignant, créatif mais tendant à formater nos rapports avec le style et nos attentes relatives aux modalités légitimes de remise en cause des normes.
Les propositions de communication de 200 mots environ (en français ou en anglais), accompagnées d'une courte bio-bibliographie sont à envoyer avant le 30 juin 2011 conjointement à Molly O’Brien Castro (molly.obriencastro@orange.fr) et à Sébastien Salbayre (sebastien.salbayre@univ-tours.fr). Les propositions seront examinées de manière anonyme par le comité scientifique pluridisciplinaire. Comité scientifique: Trevor Harris, Molly O’Brien Castro (Tours), Sébastien Salbayre (Tours), Neil Davie (Lyon 2), Sue Vive et Richard Canning (Sheffield) et Michael Parsons (Pau).
(http://calenda.revues.org/nouvelle19453.html)
Au Royaume-Uni, selon l’interprétation canonique, les années soixante ont été marquées par un esprit de contestation quasi révolutionnaire : soif de liberté et volonté de s’affranchir d’un carcan socio-moral se sont illustrées dans une production artistique riche, variée, et souvent provocatrice, subversive, ainsi que dans de nombreux phénomènes sociétaux. Age d'or de la jeunesse, avec ses mods et ses rockers, ou encore de la culture populaire qui prenait définitivement ses droits à travers des séries télévisées (Coronation Street, The Saint, Danger Man, The Avengers), ou du cinéma (Cathy Come Home, The Servant, If), les "Sixties" conservaient, cependant et avant tout, une dimension politique où la confrontation et la remise en question par la violence étaient souvent la norme : du pop festival aux protest marches, du flower power au black power, la période associe librement et énergiquement des formes d'expression culturelle novatrices à des revendications politiques volontaires et finement articulées.
L’autorité politique et sociale ainsi que les canons littéraires et esthétiques furent l’objet d’une redéfinition à une époque où l’écriture télévisuelle commençait à s’imposer comme une nouvelle forme artistique : les productions filmiques ont mis en scène et remis en question l’autorité et ses figures, les faisant parfois voler en éclats. Elles ont par ailleurs consacré l’émergence d’un contre-pouvoir, celui de la jeunesse, et donné une autre raison d’être à l’objet d’art, par exemple, en conférant à la photographie une importance accrue.
Depuis le Royaume Uni, le phénomène "Sixties" devait avoir des réverbérations à la fois spontanées et durables et, en Europe occidentale comme aux Etats-Unis notamment, d’une ampleur qui ne cesse encore d'étonner, d'attirer le regard et de poser des questions de fond. Aujourd’hui, le monde industriel dit avancé cherche encore à s'extirper de raisonnements sociaux et de logiques économiques qui, enclenchés de façon enthousiaste à l'époque, donnent encore lieu à des doutes et à des questionnements fréquents, générant anxiétés et réactions parfois virulentes.
Il ne s'agit pas d'encenser les "Sixties", de les auréoler de manière complaisante ou nostalgique, ni de les remettre en cause ou de les condamner. En invitant à l'analyse de l'influence concrète des mouvements de contestation et des diverses innovations artistiques sur la culture politique du Royaume-Uni et sur la société britannique, les organisateurs du colloque souhaitent tout d'abord mieux définir, ou redéfinir, l'objet "Sixties" : dans quelle mesure cette périodisation conserve-t-elle aujourd’hui pertinence, intégrité ou homogénéité ? C’est que l’interprétation de cet ensemble ne cesse d'évoluer : aux côtés des clichés qui prétendent encore monopoliser notre rapport affectif avec les Sixties (les Beatles sur le seuil du 10 Downing Street, Twiggy à la une de Vogue), l'héritage de l'époque paraît aujourd'hui complexe : à la fois redondant et foisonnant, libérateur et contraignant, créatif mais tendant à formater nos rapports avec le style et nos attentes relatives aux modalités légitimes de remise en cause des normes.
Les propositions de communication de 200 mots environ (en français ou en anglais), accompagnées d'une courte bio-bibliographie sont à envoyer avant le 30 juin 2011 conjointement à Molly O’Brien Castro (molly.obriencastro@orange.fr) et à Sébastien Salbayre (sebastien.salbayre@univ-tours.fr). Les propositions seront examinées de manière anonyme par le comité scientifique pluridisciplinaire. Comité scientifique: Trevor Harris, Molly O’Brien Castro (Tours), Sébastien Salbayre (Tours), Neil Davie (Lyon 2), Sue Vive et Richard Canning (Sheffield) et Michael Parsons (Pau).
(http://calenda.revues.org/nouvelle19453.html)
quarta-feira, 27 de abril de 2011
COLABORAÇÃO COM O CLÉO
O Indústrias está também em http://industrias-culturais.hypotheses.org/, numa associação com a http://hypotheses.org/, uma plataforma de cadernos de investigação em ciências humanas e sociais pertencente ao Centre pour l'édition électronique ouverte (Cléo) e que já engloba quase 190 blogues franceses e de outros países (em plataforma Wordpress, o que me obriga a estudar as características diferentes da Blogger). De outras funcionalidades da rede, destacam-se http://calenda.revues.org/, que é uma montra de actividades nas áreas de ciências humanas e sociais, e http://www.openedition.org/, um portal de acesso a publicações e em vias de grande desenvolvimento. O Indústrias sente-se muito honrado por participar nesta rede universitária.
UMAN
O reality show interactivo uMan vai ser emitido 24 horas por dia em canal de cabo da ZON, detido pela Ongoing. O programa será dirigido por José Eduardo Moniz, antigo director-geral da TVI.
terça-feira, 26 de abril de 2011
FEIRA DO LIVRO
A Feira do Livro, que se aproxima, vai ter três gigantes: Leya, Porto Editora e Babel. Com praças e não apenas stands (Sábado, 23 de Abril).
AUDIÊNCIAS DE TELEVISÃO
A GFK vai experimentar em breve o novo sistema de medição de audiências, com ele a iniciar a sério a 1 de Janeiro de 2012. Para o director-geral da empresa, António Salvador, "Começamos este mês a fase da identificação do universo e da selecção da amostra. A instalação dos aparelhos está prevista para o início da segunda metade do ano" (Correio da Manhã). A tecnologia a usar será a de audio-matching (método de amostragem de som para a detecção dos canais).
segunda-feira, 25 de abril de 2011
VIDEOCLUBES
"Há cinco anos, o número de videoclubes em Portugal rondava os 1800. Em 2010, eram cerca de 300 (menos 83 por cento). As contas são da Federação Portuguesa de Editores de Videogramas (Fevip, que representa as editoras que vendem filmes aos videoclubes) e mostram um sector em queda abrupta" (Público). Razões: pirataria, partilha online e ofertas dos operadores de televisão.
domingo, 24 de abril de 2011
BERTRAND
A Bertrand tem a mais antiga livraria aberta em todo o mundo, como foi declarado esta semana pelo Guiness, a funcionar desde 1732 no Chiado. Ontem, para festejar essa nomeação, alguns jornais, como Público e Expresso, traziam uma falsa capa com publicidade da Bertrand.
Tiro duas conclusões. A primeira é que a falsa capa era bonita. A segunda é que os jornais estão a editar publicidade em falsas capas. Que me lembre, está é a segunda campanha que vejo; a outra foi publicada simultaneamente no Público e no Correio da Manhã. O que pode querer dizer que a publicidade regressa aos media tradicionais.
Tiro duas conclusões. A primeira é que a falsa capa era bonita. A segunda é que os jornais estão a editar publicidade em falsas capas. Que me lembre, está é a segunda campanha que vejo; a outra foi publicada simultaneamente no Público e no Correio da Manhã. O que pode querer dizer que a publicidade regressa aos media tradicionais.
CANAL 180
O Canal 180, ideia que ganhou o Prémio Nacional de Indústrias Criativas em 2010, é o primeiro canal português de televisão exclusivamente dedicado à cultura. Diferente, com poucos meios, em registo low-cost, aposta na colaboração com os agentes culturais para preencher seis horas de programação diária (RTP). A Open Source Television (OSTV) é a televisão responsável pelo lançamento do canal, cujo nome teve origem na posição que vai ocupar, a partir de amanhã, na grelha digital da ZON (JPN).
DEZ ANOS DA SIC RADICAL
Passaram já dez anos da vida da SIC Radical. Nomes como Bruno Aleixo, João Manzarra, Fernando Alvim, Rui Unas, Solange F., Ana Rita Clara e Rui Sinel de Cordes seriam alguns dos mais conhecidos ao longo desses anos. Um colectivo ganhou fama aí e saltou para os canais tradicionais: o Gato Fedorento. E ainda os Homens da Luta. Diz o director do canal, Pedro Boucherie Mendes, que a SIC Radical está a procurar ser menos ruidosa, menos juvenil e com mais classe. O público inicial da estação tinha 20 anos, agora já vai nos 30. [a partir de texto do jornal Público]
sexta-feira, 22 de abril de 2011
RESISTÊNCIAS
Sei que o tema foge à linha editorial do blogue, mas registo este evento a decorrer amanhã, a partir das 20:00, no laboratório e espaço de exposições de Pièce de Résistance no Museum of National History. Local: Mediamatic Bank, Vijzelstraat 68, Amsterdam, Holanda. Quem convida é Erik Schilp, o director do museu. Haverá histórias sobre a história da resistência, em especial a holandesa, com música e performances. Mais informações em Mediamatic.
AUDIÊNCIAS DE MEIOS (1952)
“Todos os jornais e revistas possuem leitores, poucos ou muitos. Porém, os jornais e as revistas têm tiragens que nem sempre correspondem ao seu verdadeiro número de leitores. Há que diferenciar entre os chamados leitores regulares e os leitores ocasionais ou excepcionais, como sejam os leitores de domingo, nos jornais, ou de tiragens especiais, nas revistas” [Salviano Cruz (1952). "Problemas económicos dos jornais e revistas de Portugal e os seus leitores". A Revista de Pesquisas Económico-Sociais, 3: 303-319].
Assim, pergunta Salviano Cruz, quantos leitores tem determinada publicação? E como são qualitativamente, social e economicamente? O autor parte de um inquérito feito em Lisboa e no Porto pelo processo de amostra estruturada (embora não diga o número de inquiridos, a data em que o trabalho foi feito, qual a entidade que solicitou o estudo e a margem de erro, elementos hoje fundamentais num inquérito, mas indica haver dois estudos por ano, em Junho e em Dezembro). Trata-se, a meu ver, do primeiro texto e estudo de meios em Portugal, pelo que merece uma atenção especial.
Quanto a Lisboa, o jornal mais lido em 1952 era o Diário de Notícias, seguindo-se o Diário Popular, O Século e O Diário de Lisboa, este apresentado como “o jornal mais progressivo e dinâmico desde há 20 a 25 anos”. Além dos chamados quatro grandes, o autor faz uma classificação da imprensa independente em três grupos: 1) desportiva, com A Bola à frente, 2) política, com O Diário da Manhã à frente de A República, e 3) católica, com As Novidades e A Voz. Em Lisboa, 60% dos leitores de classe média e superior, 73% da classe média baixa e 70% de homens e 59% de mulheres lêem o Diário de Notícias; no Porto, 80% de leitores da classe média alta lêem O Primeiro de Janeiro, com 66% de homens e 43% de mulheres.
Já no tocante aos jornais do Porto, O Primeiro de Janeiro aparece à frente, seguido do Jornal de Notícias, O Comércio do Porto e o Diário do Norte. Na imprensa desportiva, O Norte Desportivo aparece à frente de A Bola e O Mundo Desportivo.
Enquanto em Lisboa a imprensa do Porto não chega aos 6%, no Porto a imprensa de Lisboa alcança 27%. Em termos de leitura regular, o Diário de Notícias atinge 57% dos leitores, a que se seguem O Diário Popular e O Século.
O impacto da publicidade junto dos leitores é um dos elementos primordiais do estudo de Salviano Cruz. Por exemplo, a publicidade a produtos higiénicos de carácter feminino no Diário de Lisboa parece pouco indicada. Por outro lado, o preço da publicidade em O Século pode não se justificar, dado o número pouco representativo de leitores que a apreciam. O autor recomenda ser pouco aconselhável economicamente fazer publicidade nos quatro principais jornais de Lisboa em simultâneo. No Porto, para os produtos populares de multidão (é a palavra usada), O Jornal de Notícias é o segundo mais indicado. Destaca-se a atitude menos receptiva à publicidade por parte de O Primeiro de Janeiro.
Salviano Cruz chama a atenção para as estatísticas inflacionadas de tiragem e de vendas apresentadas pelos jornais.
Quanto a revistas, o estudo conclui que 17% da população de Lisboa e 42% da população do Porto não lê revistas. As mais lidas são O Século Ilustrado (45 mil leitores), A Flama (cerca de 43 mil leitores), Modas e Bordados (quase 38 mil leitores). Os leitores regulares predominam sobre os ocasionais. Se O Século Ilustrado é lido pela classe média superior para cima e tem mais leitores masculinos no Porto e femininos em Lisboa, A Flama é lida pela classe média baixa, principalmente no Porto, com maior afluência de leitores católicos. Modas e Bordados e Eva são publicações para mulheres e As Selecções do Reader’s Digest tem na classe média alta o maior número de leitores.
Dos assuntos mais lidos nos jornais, primeiro vem o noticiário internacional e depois o nacional. Os leitores de O Século também gostam de ler os editoriais e o caso do dia (penso que crime ou outro assunto do dia) e os leitores do Diário de Notícias apreciam os anúncios e a secção Cidade.
O autor, na parte final do seu artigo, volta ao tema da publicidade. Escreve ele que, em contraste com as dificuldades da publicidade na imprensa, a da rádio está em aperfeiçoamento, além de que existem cerca de 600 mil aparelhos espalhados pelo país. O maior jornal não ia além de 90 mil leitores, o que indica uma maior concorrência entre os meios. A televisão ainda não tinha chegado e baralhado de novo as estimativas.
Quanto a Lisboa, o jornal mais lido em 1952 era o Diário de Notícias, seguindo-se o Diário Popular, O Século e O Diário de Lisboa, este apresentado como “o jornal mais progressivo e dinâmico desde há 20 a 25 anos”. Além dos chamados quatro grandes, o autor faz uma classificação da imprensa independente em três grupos: 1) desportiva, com A Bola à frente, 2) política, com O Diário da Manhã à frente de A República, e 3) católica, com As Novidades e A Voz. Em Lisboa, 60% dos leitores de classe média e superior, 73% da classe média baixa e 70% de homens e 59% de mulheres lêem o Diário de Notícias; no Porto, 80% de leitores da classe média alta lêem O Primeiro de Janeiro, com 66% de homens e 43% de mulheres.
Já no tocante aos jornais do Porto, O Primeiro de Janeiro aparece à frente, seguido do Jornal de Notícias, O Comércio do Porto e o Diário do Norte. Na imprensa desportiva, O Norte Desportivo aparece à frente de A Bola e O Mundo Desportivo.
Enquanto em Lisboa a imprensa do Porto não chega aos 6%, no Porto a imprensa de Lisboa alcança 27%. Em termos de leitura regular, o Diário de Notícias atinge 57% dos leitores, a que se seguem O Diário Popular e O Século.
O impacto da publicidade junto dos leitores é um dos elementos primordiais do estudo de Salviano Cruz. Por exemplo, a publicidade a produtos higiénicos de carácter feminino no Diário de Lisboa parece pouco indicada. Por outro lado, o preço da publicidade em O Século pode não se justificar, dado o número pouco representativo de leitores que a apreciam. O autor recomenda ser pouco aconselhável economicamente fazer publicidade nos quatro principais jornais de Lisboa em simultâneo. No Porto, para os produtos populares de multidão (é a palavra usada), O Jornal de Notícias é o segundo mais indicado. Destaca-se a atitude menos receptiva à publicidade por parte de O Primeiro de Janeiro.
Salviano Cruz chama a atenção para as estatísticas inflacionadas de tiragem e de vendas apresentadas pelos jornais.
Quanto a revistas, o estudo conclui que 17% da população de Lisboa e 42% da população do Porto não lê revistas. As mais lidas são O Século Ilustrado (45 mil leitores), A Flama (cerca de 43 mil leitores), Modas e Bordados (quase 38 mil leitores). Os leitores regulares predominam sobre os ocasionais. Se O Século Ilustrado é lido pela classe média superior para cima e tem mais leitores masculinos no Porto e femininos em Lisboa, A Flama é lida pela classe média baixa, principalmente no Porto, com maior afluência de leitores católicos. Modas e Bordados e Eva são publicações para mulheres e As Selecções do Reader’s Digest tem na classe média alta o maior número de leitores.
Dos assuntos mais lidos nos jornais, primeiro vem o noticiário internacional e depois o nacional. Os leitores de O Século também gostam de ler os editoriais e o caso do dia (penso que crime ou outro assunto do dia) e os leitores do Diário de Notícias apreciam os anúncios e a secção Cidade.
O autor, na parte final do seu artigo, volta ao tema da publicidade. Escreve ele que, em contraste com as dificuldades da publicidade na imprensa, a da rádio está em aperfeiçoamento, além de que existem cerca de 600 mil aparelhos espalhados pelo país. O maior jornal não ia além de 90 mil leitores, o que indica uma maior concorrência entre os meios. A televisão ainda não tinha chegado e baralhado de novo as estimativas.
PORTO
O casamento é uma decisão privada que requer um acto público. À porta da igreja ou do registo civil, com ou sem convidados, a fotografia é um elemento que perpetua o acto. Mas a cidade surpreende-nos, ao vermos os noivos posarem. A rua estava cheia de transeuntes, que passeavam, tomavam café, faziam compras de Páscoa, numa magnífica tarde primaveril. O casal, anónimo para o passeante, associava-se ao movimento, à azáfama, à novidade urbana. Uma máquina que não a do fotógrafo oficial captou o gesto - o sorriso dele, a presença dela. Um acto de entre milhares de actos ao longo da rua (Abril de 2011, Rua de Santa Catarina, Porto).
quinta-feira, 21 de abril de 2011
BERTRAND DO CHIADO - A MAIS ANTIGA LIVRARIA EM ACTIVIDADE
"Desde que abriu em 1732, a Livraria Bertrand do Chiado nunca deixou de funcionar. É por isso que entrou para o Guiness como a livraria mais antiga do mundo ainda em actividade" (Público).
ESTRUTURA DE ATENDIMENTO AO CLIENTE NA CONTROLINVESTE
A Controlinveste decidiu criar uma nova direcção focada no serviço a cliente, que surge no âmbito da estratégia Customer Centric Organization, com o objectivo de criar uma organização centrada no cliente e prestar um serviço de alta qualidade a um número maior de clientes directos, por via dos aumento de assinaturas em papel e digital (briefing).
FATAL 2011 - FESTIVAL ANUAL DE TEATRO ACADÉMICO DE LISBOA
O FATAL 2011 – Festival Anual de Teatro Académico de Lisboa traz, de 11 a 29 de Maio, quinze grupos de teatro de dentro e fora de fonteiras. Para além dos espectáculos, o festival vai encher a capital com exposições, workshops e uma residência artística com alunos. Contacto: fatal.comunicacao@reitoria.ul.pt.
CONCURSO DE INSTRUMENTOS DE SOPRO
O IV concurso nacional de instrumentos de sopro Terras de La Salette terminou em Oliveira de Azeméis após a audição a três centenas e meia de músicos de todo o país. O concurso reuniu ao longo de cinco dias músicos de 130 concelhos, incluindo as regiões autónomas da Madeira e dos Açores. O concerto dos laureados realiza-se hoje, às 17:00, no cine-teatro Caracas. O concurso Terras de La Salette é uma organização da autarquia de Oliveira de Azeméis - que prestou esta informação - em parceria com a Federação das Associações do Município de Oliveira de Azeméis. Decorre anualmente neste concelho de tradição musical, com seis bandas filarmónicas e uma academia de música em actividade permanente.
TEATRO
"Se Adão e Eva eram brancos de onde é que vieram os pretos"?
"Percutindo bidons, cruzando palavras e canto, erguendo a voz ou evocando a poesia num bailado, Nosso Senhor da Purificação comove, provoca e cativa o público num espectáculo onde a música, a luz e a representação se elevam a prece. Ao longo de sessenta minutos são apresentados diferentes quadros do processo clássico de imigração e consequentes problemáticas de integração na sociedade de acolhimento. Numa perspectiva crítica e dinâmica da sociedade urbana actual fala-se abertamente de partidas e chegadas, de sonhos e de loucura, levantam-se dúvidas e afirmam-se certezas".
Textos: actores, António Terra, Hugo Barreiros, Ondjaki, São Correia. Actores: Anuku Lorosae, Gany Ferreira, Hélder Silva, Mada Madavazane, Mary Joss, Solange Sanhá, Soraya Ramos. Participação especial: Valéria Carvalho. Composição e direcção musical: Pedro Lima. Coreografia: Sandra Roque.
Teatro A Barraca, 28 de Abril a 1 de Maio.
"Percutindo bidons, cruzando palavras e canto, erguendo a voz ou evocando a poesia num bailado, Nosso Senhor da Purificação comove, provoca e cativa o público num espectáculo onde a música, a luz e a representação se elevam a prece. Ao longo de sessenta minutos são apresentados diferentes quadros do processo clássico de imigração e consequentes problemáticas de integração na sociedade de acolhimento. Numa perspectiva crítica e dinâmica da sociedade urbana actual fala-se abertamente de partidas e chegadas, de sonhos e de loucura, levantam-se dúvidas e afirmam-se certezas".
Textos: actores, António Terra, Hugo Barreiros, Ondjaki, São Correia. Actores: Anuku Lorosae, Gany Ferreira, Hélder Silva, Mada Madavazane, Mary Joss, Solange Sanhá, Soraya Ramos. Participação especial: Valéria Carvalho. Composição e direcção musical: Pedro Lima. Coreografia: Sandra Roque.
Teatro A Barraca, 28 de Abril a 1 de Maio.
quarta-feira, 20 de abril de 2011
PINA BAUSCH NO TEATRO DA TRINDADE, LISBOA
Sob o título genérico Filmes de Dança: Pina Bausch revisitada, o teatro da Trindade, em associação com o ABC Cineclube de Lisboa e o patrocínio do Goethe Institut, apresenta nos dias 29 e 30 de Abril na sua sala principal uma breve mostra de filmes dedicada à coreógrafa alemã falecida há dois anos.
WRITING THE PRESS INTO HISTORY - CfP
The theme of Newspaper and Periodical History Forum of Ireland Conference, which will be held at the National Library of Ireland on 18-19 November 2011, is Writing the press into history. This theme examines how journalism and the press has been, and can be, integrated into wider political, economic, social and cultural histories. Given the growth in the number of scholars, both nationally and internationally, writing about the history of journalism and the press it is timely to examine critically what all this activity means for the relationship between writing about the press and mainstream national and transnational histories. Topics that conference papers might address include: 1) the role of the press in politics and diplomacy, 2) the journalist as historian or as participant / witness to historical events, 3) the business of newspapers & periodicals as part of the wider economy, 4) journalistic biography / autobiography, 5) the press as participant in, or its impact on, historical events, 6) writing press history, 7) using newspapers and periodicals as a source for historical research, and 8) the press and global / transnational history. There will be a special open session during the conference for early stage researchers, at which emerging scholars, who are researching any aspect of newspaper, periodical or journalism history, may present their research. To submit a proposal, please email a 500-word summary of your paper to the Forum secretary, Mark O’Brien, at nphficonference@gmail.com. Please also include a brief biographical note and please also indicate if you wish to participate in the session for early stage researchers. To join the Forum, please contact the membership secretary, Caroline Connolly, at caroline.connolly26@mail.dcu.ie. The closing date for submission of proposals is 31 May 2011.
REDE SOCIAL PARA CIENTISTAS SOCIAIS
O sítio Social Science Space, criado recentemente, permite aos cientistas sociais explorarem, partilharem e trabalharem nos grandes temas das ciências sociais, criado pela Sage e que engloba já mais de trinta instituições.
Há pouco tempo, fiz alusão a uma outra rede social, Hypotheses, pertencente à Cléo (Centre pour l'édition électronique ouverte), também dedicada às ciências sociais e humanas.
DOCUMENTÁRIO NO QATAR
O Festival Internacional de Documentário da Al Jazeera, a decorrer de 21 a 24 de Abril no Qatar, seleccionou quatro Grandes Reportagens da SIC para a Competição Oficial (Briefing).
COMEMORAÇÕES DO 25 DE ABRIL NO PALÁCIO DE BELÉM
Além das alocuções do Presidente da República e dos anteriores presidentes, as comemorações no Palácio de Belém englobam música da banda da Guarda Nacional Republicana, Bernardo Sassetti e Mário Laginha, grupo coral Os Ceifeiros de Cuba, grupo de concertinas da Associação Cultural e Recreativa As Palmeiras de Castelo Branco e grupo de cavaquinhas da Casa do Concelho de Arcos de Valdevez.
IMPRESA - 3
"Em declarações à Lusa, António Pinto Ribeiro, representante da Investoffice, detida a 99,9 por cento pela Ongoing, na assembleia de acionistas do grupo dono da SIC e do Expresso, defendeu que «Pinto Balsemão quer fechar a Impresa apesar de ser uma sociedade aberta e não quer que ninguém tenha uma intervenção nessa sociedade ainda que legalmente tenha direito»" (Económico).
O jornal Diário Económico é detido pela Ongoing, com interesses igualmente na Portugal Telecom, Zon Multimedia e Espírito Santo Financial Group. Há meses, circulou a informação que a Ongoing estaria compradora da TVI, o canal comercial que concorre com a SIC. Na semana passada, a Ongoing apresentou resultados líquidos 236 milhões de euros referentes a 2010. António Pinto Ribeiro, antigo ministro da Cultura, era um dos nomes indicados pelo grupo para entrar na administração da Impresa.
O jornal Diário Económico é detido pela Ongoing, com interesses igualmente na Portugal Telecom, Zon Multimedia e Espírito Santo Financial Group. Há meses, circulou a informação que a Ongoing estaria compradora da TVI, o canal comercial que concorre com a SIC. Na semana passada, a Ongoing apresentou resultados líquidos 236 milhões de euros referentes a 2010. António Pinto Ribeiro, antigo ministro da Cultura, era um dos nomes indicados pelo grupo para entrar na administração da Impresa.
IMPRESA - 2
"O grupo Ongoing vai avançar para os tribunais contra a Impresa após ontem em assembleia-geral ter visto chumbada a proposta de integração no conselho de administração do grupo da SIC e do Expresso" (Meios & Publicidade).
terça-feira, 19 de abril de 2011
IMPRESA - 1
"A Ongoing não vai ter um representante nos órgãos sociais do grupo Impresa, onde possui 22,5 por cento do capital, apesar de ter proposto dois nomes. Os accionistas decidiram manter à frente do grupo o accionista maioritário, Francisco Balsemão" (Público).
PEGADA
M. (admitamos ser esse o seu verdadeiro nome) comprou uma mobília escandinava adequada à dimensão da sua cozinha, com os equipamentos encastrados. Ficou tudo brilhante, com M. contente e a fazer a publicidade correspondente. Havia até espaço para remédios, ímans no frigorífico, lembretes próprios e recados para a família. O tempo foi acrescentando objectos, frascos de compota, documentos para fazer um livro de culinária, recordações de locais visitados. Nos tempos livres, M. pinta a óleo. Um dia, pôs a loiça na máquina de lavar e, depois da lavagem, abriu a porta e deixou exposta a loiça. Ficou uma instalação. Agora, há visitas guiadas à cozinha.
"a mulher sem meter o pé faz pegada" é uma variante de "a mulher, sem pôr o pé faz pegada".
segunda-feira, 18 de abril de 2011
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