Textos de Rogério Santos, com reflexões e atualidade sobre indústrias culturais (imprensa, rádio, televisão, internet, cinema, videojogos, música, livros, centros comerciais) e criativas (museus, exposições, teatro, espetáculos). Na blogosfera desde 2002.
quarta-feira, 27 de junho de 2012
Rui Sanches
Rui Sanches, destacado escultor português, está até ao dia 30 de Junho de 2012, na galeria tp - situada na Rua S. João da Praça, 120 (à Sé), com várias esculturas de pequeno formato, entre as quais algumas reproduções em bronze fundidas pela Fundição Artística Mão de Fogo em colaboração com a Fundição Alfa Arte em Bilbao.
terça-feira, 26 de junho de 2012
Festival das Artes em Coimbra
O Festival das Artes em Coimbra chega à 4ª edição, com música, artes plásticas, cinema, artes do palco, gastronomia e serviço educativo, numa iniciativa cultural descentralizada em Portugal. A seguir a Noite, Água e Paixões, o tema de 2012 é Viagens, motivado pela celebração dos 440 anos da edição de Os Lusíadas, de Luís de Camões. De entre os convidados, destacam-se: Christoph Pregardien e Artur Pizarro na música, a que se juntam concertos das orquestras Metropolitana de Lisboa, Chinesa de Macau, Casa da Música, e Clássica do Centro, Drumming, Músicos do Tejo, António Chainho, Nelson Garrido, que apresenta fotografias na Casa das Caldeiras em Do Deserto à Clandestinidade, e os desenhos de António Jorge Gonçalves, em Subway Life. A programação de cinema de viagens passa pelo olhar de António Mega Ferreira, por onde passam filmes como Fitzcarraldo, de Werner Herzog, e Diários de Motocicleta, de Walter Salles. Diogo Infante declama, com acompanhamento de João Gil, a Ode Marítima, os embaixadores António Monteiro, Francisco Seixas da Costa e Marcello Mathias em conferência debatem A Viagem dos Portugueses cinco séculos depois: Ásia, Brasil, África, António Fonseca partilha o 3º Canto dos Lusíadas na Biblioteca Joanina, Gonçalo Cadilhe em workshop sobre escrita de viagens. Registam-se ainda as presenças dos escritores Almeida Faria, Gonçalo M.Tavares e Inês Pedrosa, ao passo que o Trio Laura Baptista vai tornar melhores os finais de tarde a bordo do barco Basófias e José Avillez e Miguel Vieira vão apimentar e rechear de sabores o Festival das Artes. Destaque ainda para a homenagem ao músico português que estreou o Anfiteatro Colina Camões e marcou o Festival das Artes: Bernardo Sassetti. De 13 a 29 de Julho em Coimbra.
terça-feira, 19 de junho de 2012
Resultados da auditoria ao sistema de audiências de televisão
Da newsletter Briefing de hoje, retiro a seguinte informação sobre a auditoria ao sistema de medição de audiências da CAEM: "O relatório preliminar da auditoria efetuada pela consultora PwC ao sistema de audimetria da CAEM não assinala questões que possam pôr em causa o contrato celebrado com a GfK". O relatório fez uma análise exaustiva dos aspetos relativos ao sistema de audimetria mas não produz uma conclusão definitiva.
A newsletter da Briefing continua assim: "A consultora PwC enuncia um vasto conjunto de questões, desde o establishment survey, ponto de partida para a criação da amostra de telespetadores, até às condições de segurança das instalações onde os dados são guardados. O relatório preliminar valida ainda os aspetos metodológicos relacionados com a instalação do painel e analisa a infraestrutura técnica do sistema, nomeadamente testando o limiar da perda de som e da falta de matching, aspetos suscitados publicamente nas primeiras semanas de funcionamento do novo sistema. É ainda referenciada a existência de indicadores de audiência de canais que não estão disponíveis free to air em boxes instaladas em lares que declararam não deter TV por subscrição. Os técnicos da PwC fizeram ainda um levantamento de riscos relacionados com a segurança do sistema. O relatório preliminar, sendo muito exaustivo na identificação das questões relacionadas com a prestação de serviços da GfK e, inclusivamente, com as convenções definidas no seio da CAEM, omite, no entanto, qualquer referência à eventualidade de os procedimentos adotados poderem pôr em causa a fiabilidade do sistema de audimetria. A apresentação foi feita na segunda-feira à CAEM, a entidade autorreguladora que agrupa as televisões, as agências de meios e os anunciantes".
Esperam-se comentários oficiais a este relatório.
A newsletter da Briefing continua assim: "A consultora PwC enuncia um vasto conjunto de questões, desde o establishment survey, ponto de partida para a criação da amostra de telespetadores, até às condições de segurança das instalações onde os dados são guardados. O relatório preliminar valida ainda os aspetos metodológicos relacionados com a instalação do painel e analisa a infraestrutura técnica do sistema, nomeadamente testando o limiar da perda de som e da falta de matching, aspetos suscitados publicamente nas primeiras semanas de funcionamento do novo sistema. É ainda referenciada a existência de indicadores de audiência de canais que não estão disponíveis free to air em boxes instaladas em lares que declararam não deter TV por subscrição. Os técnicos da PwC fizeram ainda um levantamento de riscos relacionados com a segurança do sistema. O relatório preliminar, sendo muito exaustivo na identificação das questões relacionadas com a prestação de serviços da GfK e, inclusivamente, com as convenções definidas no seio da CAEM, omite, no entanto, qualquer referência à eventualidade de os procedimentos adotados poderem pôr em causa a fiabilidade do sistema de audimetria. A apresentação foi feita na segunda-feira à CAEM, a entidade autorreguladora que agrupa as televisões, as agências de meios e os anunciantes".
Esperam-se comentários oficiais a este relatório.
segunda-feira, 18 de junho de 2012
Os Dias dos Media
Assim, Rute Caldeira escreveu sobre o Gatekeeping na editoria de agenda de um canal de televisão, Bernardo Mata sobre Jornalismo desportivo: relacionamento entre jornalistas e fontes, Isabel Campos sobre Os textos de moda da Máxima online, Melissa Marques sobre Jornalismo online: novas formas de contar "estórias", Sara Vidal sobre Estações de televisão na internet, Ana Rita Nascimento sobre Rádio Renascença e Rádio Sim: estratégias de programação e Ana Luísa Branco sobre A Floribella aos olhos das crianças: diferenças de género. O texto de introdução pertence-me. Além de mim, os trabalhos dos alunos - agora em versão reduzida e adaptada para a edição do livro - foram orientados pelos meus colegas Fernando Cascais, Verónica Policarpo, José Lopes Araújo e Nelson Ribeiro.
Do começo da introdução, retiro as seguintes palavras: "O livro agora presente dá conta da análise interior às empresas de media, às suas estruturas, modos de produzir e programar. Cobre os principais media, da imprensa e da rádio à televisão e à internet. São capítulos escritos individualmente por investigadores no final do mestrado em Ciências da Comunicação para obtenção do grau académico".
V Feira Medieval
23 e 24 de Junho em Linda-a-Velha, no Jardim das Amendoeiras do Palácio dos Aciprestes. Propõe fazer-se uma recriação histórica em volta de 1384 e de um dia na vida de Antão Vasques de Almada, com trajes à época. Algumas atividades previstas: demonstração de mesteres e profissões de então, jogos medievais, rábulas, tiro com arco e workshop de catapultas.
Teatro
quarta-feira, 13 de junho de 2012
Futebol
O futebol é um fenómeno de massas com épocas e rituais próprios. O campeonato nacional de equipas decorre em simultâneo um campeonato europeu das melhores equipas, a que se sucede um campeonato europeu ou mundial de países. Ao longo da vida, recordo-me de vitórias e derrotas, de maiores sucessos ou maiores insucessos. A televisão transformou o modo como nós vemos esse jogo, com coreografias específicas que a montagem ou a ligação de várias câmaras permite, do mesmo modo que a rádio fizera uma estética particular, em que o modo de relatar e de transmitir o golo foi um código lentamente elaborado até ficar património coletivo de algumas gerações.
O atual ciclo é o do Europeu, iniciado no final da semana passada. Do consumo no lar passou-se para o ecrã gigante na rua. Que eu saiba, em Lisboa, há um ecrã gigante a funcionar no Campo Pequeno (dentro da praça multiusos, outrora apenas arena de touros) e fora, ao passo que no Porto há uma tela gigante na Praça D. João I. Multidões juntam-se para ver Portugal jogar, habilmente aproveitado por uma empresa de cervejas. Aos anunciantes diretos na rádio, cuja publicidade era lida pelo relatador, sucederam-se os clips ou cartões de televisão. Hoje, há mais plataformas, que trazem anunciantes de uma só marca e que vivem do consumo imediato.
Cria-se um novo património coletivo, em que a partilha da "comunidade imaginada" (Benedict Anderson) aparece ancorada a um consumo determinado [imagens de P. C., feitas no Campo Pequeno, aqui em Lisboa, a partir de telemóvel].
O atual ciclo é o do Europeu, iniciado no final da semana passada. Do consumo no lar passou-se para o ecrã gigante na rua. Que eu saiba, em Lisboa, há um ecrã gigante a funcionar no Campo Pequeno (dentro da praça multiusos, outrora apenas arena de touros) e fora, ao passo que no Porto há uma tela gigante na Praça D. João I. Multidões juntam-se para ver Portugal jogar, habilmente aproveitado por uma empresa de cervejas. Aos anunciantes diretos na rádio, cuja publicidade era lida pelo relatador, sucederam-se os clips ou cartões de televisão. Hoje, há mais plataformas, que trazem anunciantes de uma só marca e que vivem do consumo imediato.
Cria-se um novo património coletivo, em que a partilha da "comunidade imaginada" (Benedict Anderson) aparece ancorada a um consumo determinado [imagens de P. C., feitas no Campo Pequeno, aqui em Lisboa, a partir de telemóvel].
Os desafios da investigação em comunicação
Na passada segunda-feira, em Braga, houve uma reunião de centros de investigação em comunicação de várias universidades do país que se reuniram com a SOPCOM, Associação Portuguesa de Ciências da Comunicação. Ali, os investigadores e responsáveis de centros de investigação analisaram as decisões recentes da entidade estatal responsável pelo financiamento à investigação científica, procurando assumir uma posição da área de investigação. O Diário do Minho e o Público fizeram peças sobre o encontro (no segundo caso uma peça complementar).
terça-feira, 5 de junho de 2012
Comprar produtos anunciados no Facebook?
"Quatro em cada cinco utilizadores do Facebook nunca compraram produtos depois de verem anúncios ou comentários na rede social, revela um estudo Reuters/Ipsos hoje publicado" (Público). Depois da queda na Bolsa, após uma colocação no mercado de valores com suspeitas, não poderia haver pior notícia sobre a famosa rede social.
A história e o jornalismo, segundo José Miguel Sardica. Pontos de confluência e reciprocidade.
Para José Miguel Sardica, em aula recente, a história e o jornalismo (e a comunicação) têm interesses comuns e seria vantajoso aprenderem os métodos e os objectivos de uma e outra disciplinas. Ele começou por referir um texto de Barbie Zelizer, Explorations in Communication & History, onde se destaca essa articulação.
Um livro de Asa Briggs e Peter Burke (A Social History of the Media. From Gutenberg to the Internet) também foi identificado, pois é necessário aos estudiosos de comunicação e cultura levarem a história a sério. Para quem faz história do mundo contemporâneo, os jornais (e os media em geral) são elementos imprescindíveis. Vasco Pulido Valente fundou os seus estudos de história na imprensa da época, na leitura e releitura com crítica. A imprensa, apesar de não ser a verdade da época, reflecte, é um mediador, um repertório de cores e vozes de uma época. Os melhores livros de história (History em inglês) são os que narram. Ora, as histórias escritas nos media (stories em inglês) seguem uma narrativa, uma história. O comunicador ou jornalista narra o momento de hoje, o historiador narra o passado como se fosse um comunicador do que aconteceu hoje. Por outras palavras, o comunicador é o historiador do momento presente. O historiador e o jornalista usam técnicas de análise comuns.
Uma discussão sempre presente no trabalho do jornalista é a objectividade, a sua neutralidade e imparcialidade. O que não acontece, do mesmo modo que ao historiador. Aqui, há uma vantagem do historiador sobre o jornalista. Como o seu objeto está distanciado do tempo, as paixões do momento e as conclusões precipitadas atenuam-se. Como dizia Paul Veyne: a história é a actualidade política arrefecida.
José Miguel Sardica, nessa aula, apresentou cinco eixos de trabalho e um apontamento final sobre a interrelação historiador/jornalista:
1) Objecto. O historiador estuda acontecimentos mas também estruturas. Os acontecimentos são constituídos por factos relevantes, que o historiador monta numa narrativa. O historiador é uma espécie de comunicador de fim de semana. O historiador faz informação e opinião. Já o jornalista analisa igualmente o acontecimento. O historiador ensina que a distância faz ver a floresta, ao passo que o jornalista vê a árvore (José Mattoso). A comunicação (e o jornalismo) não estuda átomos mas pessoas, ideias, a atividade humanista.
2) Método. A história tem duzentos anos de método, fixado na heurística (pesquisa) e na hermenêutica (interpretação). A heurística permite identificar arquivos, espólios, ler cartas e documentos, o corpus. Exerce sobre os objectos as suas operações. O jornalista e o comunicador fazem perguntas às fontes, avaliam a relevância e o carácter acessório, hierarquizam os documentos enquanto desconfiam das fontes. A história oral é o método da entrevista usada pelo jornalista. Logo, há métodos que são parecidos para o historiador e para o jornalista. Ao comunicador falta o rigor da heurística. O historiador não escreve sobre fontes anónimas, o que acontece com frequência ao jornalista.
3) Linguagem. O comunicador ensina muito ao historiador. Este tem um jargão académico, aquele incorpora na melhor história um estilo curto, conciso e claro. A mediatização da história levou o historiador a procurar comunicar melhor com o público. Para A. J. P. Taylor, deve ultrapassar-se o hermetismo do historiador e ser claro como o que se escreve nos jornais, o que não quer dizer superficialidade.
4) Função social. Há autoridades diferentes: o mundo do historiador é a academia, onde se guarda a memória. O comunicador é o guardião da polis, do bem comum, da res-publica, agenda-setter da sociedade actual, da cultura cívica, do civismo.
5) Contributos recíprocos. O jornalista não é historiador, nem este aquele. As áreas são distintas mas aproximam-se pelos métodos. Como fechar o ciclo? O comunicador potencia a capacidade de interpretar o real se tiver maior cultura histórica, enquanto o historiador terá melhor qualidade quando comunicar melhor. O historiador e o comunicador podem juntar-se na comunicação organizacional, no marketing e nos recursos humanos. Para António Hespanha, a história é a gestão de conflitos, pelo que o historiador pode ensinar como, noutras organizações e noutros momentos, a comunicação gerou consensos e negociou. A história é a aprendizagem dos conflitos antigos para resolver os casos de agora.
Apontamento final Paul Veyne (1971). Como se escreve história. A história não é uma ciência. A sua maneira de explicar é compreender. O que não é diferente do que faz o jornalista ou o que lê as notícias.
José Miguel Sardica é professor associado da Universidade Católica Portuguesa, onde ensina História da Imprensa e da Opinião entre outras disciplinas. Editou nomeadamente O Século XX Português (2011), A Regeneração sob o Signo do Consenso. A Política e os Partidos entre 1851 e 1861 (2001) (prémio da Academia das Ciências de Lisboa), Duque de Ávila e Bolama. Biografia (2005) e A Europa Napoleónica e Portugal. Messianismo Revolucionário, Política, Guerra e Opinião Pública (2011).
Um livro de Asa Briggs e Peter Burke (A Social History of the Media. From Gutenberg to the Internet) também foi identificado, pois é necessário aos estudiosos de comunicação e cultura levarem a história a sério. Para quem faz história do mundo contemporâneo, os jornais (e os media em geral) são elementos imprescindíveis. Vasco Pulido Valente fundou os seus estudos de história na imprensa da época, na leitura e releitura com crítica. A imprensa, apesar de não ser a verdade da época, reflecte, é um mediador, um repertório de cores e vozes de uma época. Os melhores livros de história (History em inglês) são os que narram. Ora, as histórias escritas nos media (stories em inglês) seguem uma narrativa, uma história. O comunicador ou jornalista narra o momento de hoje, o historiador narra o passado como se fosse um comunicador do que aconteceu hoje. Por outras palavras, o comunicador é o historiador do momento presente. O historiador e o jornalista usam técnicas de análise comuns.
Uma discussão sempre presente no trabalho do jornalista é a objectividade, a sua neutralidade e imparcialidade. O que não acontece, do mesmo modo que ao historiador. Aqui, há uma vantagem do historiador sobre o jornalista. Como o seu objeto está distanciado do tempo, as paixões do momento e as conclusões precipitadas atenuam-se. Como dizia Paul Veyne: a história é a actualidade política arrefecida.
José Miguel Sardica, nessa aula, apresentou cinco eixos de trabalho e um apontamento final sobre a interrelação historiador/jornalista:
1) Objecto. O historiador estuda acontecimentos mas também estruturas. Os acontecimentos são constituídos por factos relevantes, que o historiador monta numa narrativa. O historiador é uma espécie de comunicador de fim de semana. O historiador faz informação e opinião. Já o jornalista analisa igualmente o acontecimento. O historiador ensina que a distância faz ver a floresta, ao passo que o jornalista vê a árvore (José Mattoso). A comunicação (e o jornalismo) não estuda átomos mas pessoas, ideias, a atividade humanista.
2) Método. A história tem duzentos anos de método, fixado na heurística (pesquisa) e na hermenêutica (interpretação). A heurística permite identificar arquivos, espólios, ler cartas e documentos, o corpus. Exerce sobre os objectos as suas operações. O jornalista e o comunicador fazem perguntas às fontes, avaliam a relevância e o carácter acessório, hierarquizam os documentos enquanto desconfiam das fontes. A história oral é o método da entrevista usada pelo jornalista. Logo, há métodos que são parecidos para o historiador e para o jornalista. Ao comunicador falta o rigor da heurística. O historiador não escreve sobre fontes anónimas, o que acontece com frequência ao jornalista.
3) Linguagem. O comunicador ensina muito ao historiador. Este tem um jargão académico, aquele incorpora na melhor história um estilo curto, conciso e claro. A mediatização da história levou o historiador a procurar comunicar melhor com o público. Para A. J. P. Taylor, deve ultrapassar-se o hermetismo do historiador e ser claro como o que se escreve nos jornais, o que não quer dizer superficialidade.
4) Função social. Há autoridades diferentes: o mundo do historiador é a academia, onde se guarda a memória. O comunicador é o guardião da polis, do bem comum, da res-publica, agenda-setter da sociedade actual, da cultura cívica, do civismo.
5) Contributos recíprocos. O jornalista não é historiador, nem este aquele. As áreas são distintas mas aproximam-se pelos métodos. Como fechar o ciclo? O comunicador potencia a capacidade de interpretar o real se tiver maior cultura histórica, enquanto o historiador terá melhor qualidade quando comunicar melhor. O historiador e o comunicador podem juntar-se na comunicação organizacional, no marketing e nos recursos humanos. Para António Hespanha, a história é a gestão de conflitos, pelo que o historiador pode ensinar como, noutras organizações e noutros momentos, a comunicação gerou consensos e negociou. A história é a aprendizagem dos conflitos antigos para resolver os casos de agora.
Apontamento final Paul Veyne (1971). Como se escreve história. A história não é uma ciência. A sua maneira de explicar é compreender. O que não é diferente do que faz o jornalista ou o que lê as notícias.
José Miguel Sardica é professor associado da Universidade Católica Portuguesa, onde ensina História da Imprensa e da Opinião entre outras disciplinas. Editou nomeadamente O Século XX Português (2011), A Regeneração sob o Signo do Consenso. A Política e os Partidos entre 1851 e 1861 (2001) (prémio da Academia das Ciências de Lisboa), Duque de Ávila e Bolama. Biografia (2005) e A Europa Napoleónica e Portugal. Messianismo Revolucionário, Política, Guerra e Opinião Pública (2011).
quinta-feira, 31 de maio de 2012
quarta-feira, 30 de maio de 2012
AUDIÊNCIAS EM PORTUGAL EM 1970
Com dados recolhidos entre 30 de Março e 3 de Maio de 1970 (há 41 anos, portanto), foram inquiridos sete mil indivíduos, 47% de homens e 53% de mulheres, com 23% de indivíduos com idade entre 15 e 24 anos, 21% entre 25 e 34 anos, 17% entre 35 e 44 anos, 16% entre 45 e 54 anos, 12% entre 55 e 64 anos e 11% com mais de 64 anos.
A audiência geral na imprensa diária colocava o Diário de Notícias com 21,6%, O Século com 15,8%, o Diário Popular com 15,3%, o Primeiro de Janeiro com 13,2%, o Jornal de Notícias com 9,5%, o Diário de Lisboa com 7,6%, o Comércio do Porto com 7,3%, A Capital com 5% e o Diário de Coimbra com 2,1%. Todos os jornais eram mais lidos por homens que por mulheres e pelos mais novos (até 34 anos). Acidentes e desastres (12%), dia a dia (10,5%), política internacional (8,2%), política nacional (6,9%) e desporto (6%) eram os assuntos de maior interesse para os leitores.
Na rádio, a líder era a Emissora Nacional, programa 1 (35,3%), seguida do Rádio Clube Português da Parede (30,6%), do Rádio Clube Português de Miramar (23,7%), da Renascença de Lisboa (12,4%), da Renascença do Porto (11,1%), da Rádio Graça (6,9%) e dos Emissores Norte Reunidos (5,6%). As mulheres ouviam mais que os homens a Emissora Nacional, programa 1, o Rádio Clube Português e a Renascença. O que mais gostavam de ouvir eram programas de noticiário, teatro, discos pedidos, música portuguesa e fados. Só depois vinham os programas desportivos.
A televisão, então com apenas um canal, era mais vista à segunda-feira, seguindo-se o domingo, e o quadro de programas preferidos incluia teatro (37,9%), variedades (30,2%), séries filmadas (27,3%), telejornal (27,2%). Muito depois, preferiam-se programas desportivos (9,6%), folclore (8,8%), tourada (6,2%) e fados e futebol (juntos) (5%).
Frequentar as salas de cinema era um hábito polarizado entre um grande consumo e uma ausência de consumo: 23,7% ia três a sete vezes por semana, 10,7% entre uma e duas vezes, 1,3% uma vez por semana, 14,8% tinham ido na semana anterior, 64,1% não frequentavam o cinema.
Uma conclusão geral seria a da baixa taxa de leitura, visão e audição dos media, o que significava baixos índices de influência na formação da opinião pública.
domingo, 27 de maio de 2012
Armando Leça
No cinema, colaborou com a Invicta Film (Porto), compondo a música do filme Os Fidalgos da Casa Mourisca (1920) e Mulheres da Beira (1921), mas também Amor da Perdição e Rosa do Adro, filmes ainda mudos. Na rádio, assumiu a direção artística do programa Hora de Música Portuguesa, em 1932, na Rádio Porto, uma das estações pioneiras de Portugal. O próprio Armando Leça tocou ao piano ou no harmónio composições de Alfredo Napoleão, António Fragoso, Armando Fernandes, Artur Ferreira, Augusto Machado, Freitas Branco, Hernani Torres, Óscar da Silva, Tomás Borba, Tomás de Lima e Rui Coelho, entre outros (do catálogo da exposição). Mais tarde, entre 1957 e 1964, participou num programa do Rádio Clube Português (Porto). No disco, coordenou a edição de discos comerciais da fábrica discográfica portuense Rádio Triunfo, na etiqueta Alvorada, onde reuniu 85 discos de grupos folclóricos do norte do país. O rancho regional de Manhouce estreou-se nesta coleção discográfica, distinguindo-se Isabel Silvestre, nas décadas de 1980 e 1990, já depois do desaparecimento de Armando Leça.
O catálogo destaca ainda o levantamento sonoro de música de matriz rural (1939-1940), realizado para as comemorações do centenário, levadas a efeito pelo Estado Novo. O levantamento foi dado por desaparecido mas a sua recuperação e tratamento digital foi iniciada em 2010, numa parceria entre a câmara de Matosinhos, a RTP, o Arquivo Fonográfico de Viena (Áustria) e o Instituto de Etnomusicologia: Centro de Estudos em Música e Dança (Lisboa).
quarta-feira, 23 de maio de 2012
Jornalismo em tempo de crise
Como escrevi ontem, realiza-se no próximo sábado na Casa da Imprensa o terceiro colóquio sob o título Jornalismo em tempo de crise, promovido pelo Fórum dos Jornalistas. Um dos organizadores, o jornalista Rui Peres Jorge, antecipa aqui, num pequeno vídeo, o que será o colóquio.
Revista de Políticas de Comunicação abre Chamada de Trabalhos
A Revista Brasileira de Políticas de Comunicação (RBPC), vinculada ao Laboratório de Políticas de Comunicação da Universidade de Brasília (Lapcom/UnB), recebe artigos e resenhas para a sua próxima edição (jul-dez 2012). O prazo para submissão dos trabalhos encerra-se no próximo dia 30 de maio. O processo de avaliação é feito por pares (dois pareceristas, no sistema de anonimato mútuo), podendo o resultado ser: “recomendado para publicação”; “recomendado para publicação com modificações” ou “não recomendado para publicação”. Os artigos podem ser escritos em português, inglês, espanhol ou francês. Só serão aceites os trabalhos que estiverem de acordo com as normas de publicação da Revista; para conhecê-las aceda ao sítio www.rbpc.lapcom.unb.br/.
A (RBPC) é uma publicação eletrónica académica, com periodicidade semestral, focada na interseção entre as políticas de comunicação, os estudos culturais e a economia política. São aceites textos que abordem criticamente fenómenos sociais, políticos, culturais e normativos que se produzem no universo das políticas de comunicação e dos estudos culturais no Brasil e em outros países. O objetivo é dar visibilidade a aspectos relevantes das políticas de comunicação levadas a termo pelos poderes públicos dos países - da radiodifusão às telecomunicações e à internet -, que são cada vez mais importante para se pensar as relações contemporâneas entre sociedade, Estado, comunicação e economia.
A (RBPC) é uma publicação eletrónica académica, com periodicidade semestral, focada na interseção entre as políticas de comunicação, os estudos culturais e a economia política. São aceites textos que abordem criticamente fenómenos sociais, políticos, culturais e normativos que se produzem no universo das políticas de comunicação e dos estudos culturais no Brasil e em outros países. O objetivo é dar visibilidade a aspectos relevantes das políticas de comunicação levadas a termo pelos poderes públicos dos países - da radiodifusão às telecomunicações e à internet -, que são cada vez mais importante para se pensar as relações contemporâneas entre sociedade, Estado, comunicação e economia.
terça-feira, 22 de maio de 2012
Jornalismo em reflexão (26 de maio de 2012)
O que é que os consumidores querem? Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades dos leitores e consumidores de informação? O que os atrai num mundo de excesso de informação? Qual o real valor da informação? Que tipos de propostas editoriais as pessoas estão, de facto, disponíveis para pagar? O que consomem no online e no papel? Será que os consumidores querem criar comunidades para costumizarem a – sua – informação? Esta será a sessão dos leitores e dos que fazem da informação e da sua disseminação a matéria prima para trabalhar. Eles serão a voz do lado da procura no enorme mercado dos media e da informação de massas.
Oradores: Alberto Rui Pereira, diretor geral da Initiative, Cândida Almeida, diretora do DCIAP, João Botelho, realizador, e José Pacheco Pereira, historiador. Moderador: Luís Reis Ribeiro.
2 ª Sessão: 16:45
Como estão e vão mudar os órgãos de comunicação social ? – Um inquérito às posições de chefia em Portugal. Como evoluíram as redacções nos últimos anos e que segurança temos relativamente aos próximos cinco? Que impacto estão a ter as transformações tecnológicas nas notícias? E nos jornalistas, que novas competências lhes são exigidas? As barreiras entre o jornalismo e a publicidade estão ameaçadas? E qual a importância de um jornalismo mais especializado? Foi para estas e outras perguntas que foi pedida a opinião a jornalistas em cargos de responsabilidade editorial através de um inquérito realizado pelo Centro de Estudos e Sondagens de Opinião (CESOP) da Universidade Católica que terá a sua apresentação pública este sábado. O jornalismo e o seu futuro serão debatidos a partir das respostas dadas por dois terços das chefias de 21 órgãos de comunicação social portugueses.
Oradores: Adelino Gomes, jornalista, investigador PJS, José Vítor Malheiros, jornalista, e Rogério Santos, docente da Universidade Católica Portuguesa. Moderador: Rui Peres Jorge.
Colóquio na Casa da Imprensa, Lisboa.
segunda-feira, 21 de maio de 2012
Vânia
Tio Vânia, de Anton Tchekhov, agora sem o tio no título, é a peça em cena no Teatro da Trindade. A personagem principal é desempenhada por João Lagarto. O tio Vânia vive na Rússia rural, onde a sua riqueza é extraída da terra. Ele e a sobrinha Sonia (São José Correia) administram a propriedade. Nesta, residem ainda a mãe de Vânia, Maria (Elisa Lisboa), velha diletante dos manifestos políticos, Marina (Lucinda Loureiro) e Telegin (Wagner Borges), que trabalham diretamente com Vânia e Sonia nos cuidados da terra e dos animais. O eixo rural compõe-se ainda do médico Astrov (Pedro Lima), também dado à defesa e preservação do ambiente, por quem Sonia nutre uma paixão não correspondida. A pacatez do lar é alterada com a chegada do professor (José Wallenstein), genro de Maria, cunhado de Vânia e pai de Sonia, que chega acompanhado da sua muito jovem esposa Elena (Teresa Tavares), por quem Vânia e Astrov se apaixonam.
Cada uma das personagens permanece atual: o académico cuja obra é incompreensível ou desatualizada, a sua mulher que vive num permanente tédio apesar de adulada por todos, um médico falhado por não viver numa sociedade mais liberal, uma mulher que julga ainda viver de causas e combates políticos mas estes são já anacrónicos, um homem que se esforçou a vida toda mas que não retira qualquer provento intelectual ou material. Não incluindo aqui os papéis de Marina e Telegin, seres esforçados na vida do dia a dia mas que não figuram nos livros do porvir, restam Sonia, que tem um maior entendimento do mundo humano, com as suas fraquezas e imponderabilidades, e Vânia, individualista, sofredor e causador de sofrimento, um ser igual a muitos de nós, cujas análises e projetos têm incoerências e ambiguidades.
Para além dos papéis convincentes do grupo de atores e atrizes, numa versão e encenação de Isabel Medina, o mais importante é a história (as histórias) da peça, e a interpretação que ainda hoje damos a uma proposta escrita em 1896.
Cada uma das personagens permanece atual: o académico cuja obra é incompreensível ou desatualizada, a sua mulher que vive num permanente tédio apesar de adulada por todos, um médico falhado por não viver numa sociedade mais liberal, uma mulher que julga ainda viver de causas e combates políticos mas estes são já anacrónicos, um homem que se esforçou a vida toda mas que não retira qualquer provento intelectual ou material. Não incluindo aqui os papéis de Marina e Telegin, seres esforçados na vida do dia a dia mas que não figuram nos livros do porvir, restam Sonia, que tem um maior entendimento do mundo humano, com as suas fraquezas e imponderabilidades, e Vânia, individualista, sofredor e causador de sofrimento, um ser igual a muitos de nós, cujas análises e projetos têm incoerências e ambiguidades.
Para além dos papéis convincentes do grupo de atores e atrizes, numa versão e encenação de Isabel Medina, o mais importante é a história (as histórias) da peça, e a interpretação que ainda hoje damos a uma proposta escrita em 1896.
domingo, 20 de maio de 2012
Fanzine CRU
Casa de nomes como Esgar Acelerado, Rui Torres, Rui Ricardo, Eduardo de Portugal, Helen Gossip, Emerenciano Osga, Mário Moura, Paolo Matlam, Asnaldo di Pietro, Randy Alvey, Cunha Rêgo, entre muitos outros, a CRU, revista rasca e vadia, foi o fanzine mais representativo do no-design e do do it yourself português durante a década de 1990. Com tiragens que não ultrapassavam os 100 exemplares, a CRU é hoje um valioso objeto de coleção, que agora se (re)introduz a uma plateia mais vasta. No limbo desde 1999, a CRU regressa aos escaparates com uma nova edição, mais rasca e vadia de que nunca, com antigos e novos colaboradores. CRU, uma publicação pelintra, repleta do melhor da cultura underground. valter hugo mãe (que aqui se estreia como argumentista de BD), Nuno Saraiva, Alex Gozblau, Esgar Acelerado, Valquíria Aragão, Johnny Ryan, Rudolfo, Darren Merinuk ou Zita Carícias são alguns dos colaboradores desta edição, repleta de banda desenhada, ilustração, contos, críticas de discos, cinema, colunas de opinião e muitos outros motivos de interesse. Com impressão offset limitada a 300 exemplares [imagem e informação fornecidas pelos responsáveis da publicação].
sábado, 19 de maio de 2012
História contemporânea em congresso (segundo dia)
Daniel Melo traçaria uma biografia de João Romano Torres (1855-1935), tipógrafo que se tornara editor e criou a editora em 1885 (terminada em 1980). A comunicação trabalharia as influências, o projeto, a duração, os temas e autores escolhidos, o posicionamento do mercado, o catálogo, a história da instituição e a relação entre edição popular e de massas. Walter Scott, Dumas pai e filho, Emilio Salgari, Charles Dickens, Emile Zola, Jane Austin, as irmãs Brontë (Emily e Charlotte) e Odette de Saint-Maurice seriam alguns dos autores editados pela Romano Torres.
quinta-feira, 17 de maio de 2012
Turismo, publicação quinzenal
TURISMO: PUBLICAÇÃO QUINZENAL DE TURISMO, PROPAGANDA, VIAGENS, NAVEGAÇÃO, ARTE E LITERATURA [1916-1924]
No mês em que se encerra o Centenário do Turismo em Portugal, a Hemeroteca Municipal de Lisboa associa-se às comemorações com a digitalização da Revista de Turismo. Publicação quinzenal de turismo, propaganda, viagens, navegação, arte e literatura, surgiu em Lisboa, a 5 de Julho de 1916, reunindo no total 144 números, agora disponíveis em linha na Hemeroteca Digital, aqui. A Revista de Turismo foi a primeira publicação periódica integralmente dedicada ao sector, tratando-se, portanto, duma fonte primária da maior importância para o conhecimento e estudo do turismo na I República. Foi dirigida por Agostinho Lourenço, e teve como redactor principal Guerra Maio – ambos permanecendo no quinzenário até ao seu desaparecimento, em Março de 1924. Para saber mais sobre a Revista do Turismo, a sua “vida” e história, leia a ficha histórica que o Presidente da Comissão Nacional do Centenário do Turismo em Portugal lhe dedicou, aqui.
V Encontro de Marionetas de Montemor-o-Novo
A Alma d'Arame, estrutura sediada em Montemor-o-Novo, tem desenvolvido na área das artes cénicas, com particular destaque para o teatro de marionetas, um trabalho regular nomeadamente ao nível do Encontro de Marionetas de Montemor-o-Novo, que este ano apresenta a 5ª edição e conta mais uma vez com a parceria, entre outros, da Câmara Municipal de Montemor-o-Novo e este ano também com o Espaço do Tempo . Entre os objectivos da associação e deste encontro está a angariação de novos públicos nomeadamente em áreas afastadas do acesso aos grandes eixos da programação, intervindo em ambientes rurais ou periféricos.
O V Encontro de Marionetas de Montemor-o-Novo realizar-se-á em Montemor-o-Novo de 29 de Maio a 10 de Junho de 2012 e contará com a apresentação de espectáculos, conversas, workshops e exposição. Este ano abrimos portas à internacionalização convidando a companhia Anima Theatre de França. Com os workshops sublinhamos mais uma vez a importância da formação ao nível do temática da marioneta que este ano dirigimos ao público em geral nomeadamente aos jovens, professores e profissionais da área. A entrada é livre em toda a programação.
Dia dos museus (2)
Núcleo da exposição “Nós na Arte – tapeçarias de Portalegre e arte contemporânea”, 17 a 19 de Maio, Museu da Presidência da República (Arpad Szenes).
segunda-feira, 14 de maio de 2012
Congresso de História Contemporânea
Ver mais informações em http://congresso.histcontemp.pt/. Vou gostar de falar sobre a história da rádio em Portugal: "Grande parte da programação das rádios privadas em Portugal durante a década de 1960 foi feita por produtores independentes que alugavam períodos de tempo a uma estação (Rádio Clube Português, Rádio Renascença, Emissores Associados de Lisboa, Emissores Norte Reunidos). O programa podia ir de quinze minutos ou uma hora até uma manhã ou tarde completa. O produtor pagava à estação um valor monetário pela emissão do programa (musical, desportivo, de diálogos, teatro ou folhetim) e fazia angariação de publicidade para rentabilizar o investimento".
A dança para Salavisa
sábado, 12 de maio de 2012
Bernardo Sassetti
Toda a gente gostava de ouvir o piano de Bernardo Sassetti (1970-2012). Recordo-o de um concerto nas Caldas da Rainha. E de dois recitais em Lisboa. A música do filme Alice (2004), realizado por Marco Martins, está gravada na minha lembrança. Então escrevi sobre a sua "música minimal, mas muito bonita". Presto-lhe aqui uma homenagem simples.
terça-feira, 8 de maio de 2012
Erving et les transistors
Erving et les transistors é um texto de Anthony Pecqueux sobre portabilidade da música e do espaço público. Vou ler com atenção, pois me parece ser útil para a minha presente investigação.
No dia em que sonhei com Chagall
Um dia sonhei com a pintura de Marc Chagall, Window on the île de Bréhat (1924), existente no Kunsthaus Zürich, museu que não conheço. Isto é, o modo como vemos uma paisagem que combina a cidade com o campo, o mar e a natureza, a partir de um ponto fixo como uma gruta. Lembro-me do colorido do sonho, que me deixou a pensar como seria fantástico esse mundo.
Vitebsk, a cidade russa de Chagall tinha uma forte comunidade judaica no tempo em que ele nasceu, cidade que preservava uma forte tradição que constituia o suporte da sua identidade. Ritos e costumes ofereciam uma forte resistência à inovação. Na pintura de Chagall, a cidade em perspetiva ou em planos inclinados pode indicar como isso teve significado, porque mostra o antagonismo provocado na estética de rutura do artista. Elementos como animais quase antropomórficos (galo, cabra, burro), violinos ou violoncelos e a ocupação da tela como se fosse uma pintura medieval que conta uma história em vários espaços (e que a banda desenhada e a manga japonesa disputam em certa medida) ampliam mais essa luta do novo contra o velho, que acompanham uma produção de quase oitenta anos. A cor (verdes, azuis, vermelhos), o sagrado (Bíblia), os contos e as fábulas (La Fontaine), numa combinação pitoresca mas satírica, atraem-me. E igualmente as incursões no cubismo e no surrealismo, que libertam ainda mais o lado onírico, de que o circo é uma fantasia libertadora. E ainda as ilustrações para livros. A guerra e o êxodo aparecem muito representados, com o seu lençol de mortes, destruição, mágoa e cores fortes.
Gosto menos das suas incursões na cerâmica, escultura e artes do vidro, mas isto tem a ver com a minha forma de olhar o mundo.
Rússia e França, as pátrias de Chagall, agora numa exposição temporária no Thyssen-Bornemisza e Caja de Madrid.
quarta-feira, 2 de maio de 2012
terça-feira, 1 de maio de 2012
23 mil bilhetes no CCB
No fim-de-semana passado foram emitidos mais de 23 mil bilhetes para os Dias da Música no CCB, Lisboa, o que correspondeu a uma taxa de ocupação de 79%. Para o próximo ano, o tema será o impulso romântico, que irá abranger mais do que a história da música classifica como período do romantismo. Um dos responsáveis do CCB, no domingo à Antena 2, falava em compositores do século XX que tiveram um perfil romântico.
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