segunda-feira, 13 de abril de 2009

SARA CAILLIBOT

Em 2007, Sarah Caillibot descobriu, através da internet, os Rencontres d'Astaffort, da Associação Voix du Sud, criado por Francis Cabrel. Juntamente com Zed Van Traumat, ela ganhou o prémio do Centre des écritures de la chanson 2008. Pour la suite on s'en fout e Parano, esta de Christian Alazard, são duas das mais conhecidas músicas de Sarah Caillibot. No último link, podem escutar-se outras músicas de Alazard, director musical da cantora.

pour la suite on s'en fout

CORÍN TELLADO

Faleceu ontem Corín Tellado (Maria del Socorro Tellado Lopez), que escreveu mais de quatro mil novelas de cordel, fotonovelas e romances, de que se venderam 400 milhões de cópias em todo o mundo. Muitas das fotonovelas, em estilo cor-de-rosa e com heroínas pobres e frágeis, com amor, ciúme e infidelidade como temas permanentes, foram publicados em Portugal, nomeadamente pela Agência Portuguesa de Revistas, a preto e branco, durante a década de 1960 e seguinte.

FESTIM - FESTIVAL INTERMUNICIPAL DE MÚSICAS DO MUNDO

De 29 Maio a 24 Julho, em programação partilhada em Águeda, Sever do Vouga, Estarreja, Ovar, Oliveira do Bairro, Albergaria-a-Velha e Aveiro, surge a primeira edição do festim - festival intermunicipal de músicas do mundo. Começando em Águeda, desde 2002, a associação cultural d'Orfeu alarga a sua actividade a outros concelhos, num projecto a quatro anos. Os vinte concertos envolvem músicos da Índia, Guiné-Bissau, Espanha, Holanda, Brasil, Colômbia e Canadá. Ver mais no blogue do festim.

TEATRO IBÉRICO


O Teatro Ibérico, à Rua de Xabregas, 54, em Lisboa, promove a apresentação da prova pública dos alunos do CPT (Curso Permanente de Teatro), em segunda fase (Teatro Clássico) no dia 19 de Abril, pelas 18:30.

Ao longo de 27 anos de existência, o Teatro Ibérico tem resistido na cena portuguesa, com trabalhos dedicados à montagem de espectáculos, cursos e eventos culturais. Ver mais no blogue do teatro.

sexta-feira, 10 de abril de 2009

BOA PÁSCOA

Desejo a todos(as) leitores(as).

COLECÇÃO DE FOTOGRAFIA PORTUGUESA DA DÉCADA DE 1950


Batalha de Sombras é o título da exposição e do catálogo actualmente presente no Museu do Neo-Realismo (Vila Franca de Xira), com uma colecção de fotografia portuguesa dos anos 50 (pertença do Museu de Arte Contemporânea - Museu do Chiado). O texto principal pertence a Emília Tavares, também a curadora da exposição [dela escrevi já aqui, sobre o seu livro de 2002, A fotografia ideológica de João Martins (1898-1972)].

Escreve Emília Tavares que a fotografia patente foi produzida entre 1946 e o final da década seguinte, quando a fotografia estava muito ligada ao Estado Novo e surgiam novos panoramas não associados ao regime (p. 27). O ano de 1946 coincidiu com a I Exposição Geral de Artes Plásticas, quando se preparava a teorização do neo-realismo, enquanto o surrealismo também se desenvolvia. Emília Tavares chama a atenção para a particularidade específica do neo-realismo, mais voltado para a literatura, e que olhava a fotografia com receio da forma sem conteúdo (p. 51).

A fotografia seria aproveitada pelos arquitectos no seu volume Arquitectura Popular em Portugal, editada em 1961 (e curiosamente apoiada pelo SNI, organismo do Estado Novo). O tema dos socialmente desfavorecidos ganhava mais expressão, numa linha que vinha desde meados da década de 1940.

Outra linha trabalhada pela curadora da exposição foi a dos concursos e exposições de fotografia, o salão fotográfico (p. 55) e as revistas da especialidade. Ela elege autores simultaneamente fotógrafos como Eduardo Sena, pertencente ao Foto-Clube 6x6 e impulsionador da Secção de Fotografia da CUF do Barreiro, e Franklin Figueiredo, co-fundador do Grupo Câmara de Coimbra. No contexto da fotografia amadora, discutem-se posições sobre a fotografia artística e os processos de avaliação. Estes fotógrafos amadores pertenciam à média burguesia e a profissões liberais (médicos, engenheiros, advogados).

MÚSICA BRASILEIRA COM SONS DA JAMAICA


ORQUESTRA BRASILEIRA DE MUSICA JAMAICANA, Ska, Reggae e Afro-beat.

"Idealizada pelo músico e produtor Sérgio Soffiatti e o trompetista Felippe Pipeta, em 2005 e só colocada em prática" em 2008. "A ideia inicial era tocar música jamaicana de raiz, ska, rocksteady e early reggae, mas logo veio a ideia de tocar clássicos da música brasileira nesses estilos" (cortesia: Roberta Martinho e OBMJ).

quinta-feira, 9 de abril de 2009

OUTRA ANÁLISE DOS ANÚNCIOS DO PÚBLICO

Também Eduardo Cintra Torres escreveu sobre os anúncios do jornal Público, aqui (Jornal de Negócios, de hoje). Escreve o crítico de televisão, autor e professor:

  • Antes de analisar os anúncios vale a pena anotar o paradoxo desta e de outras campanhas de media (incluindo o Jornal de Negócios): publicitam-se a si mesmos nas suas páginas através de publicidade. Em vez de usarem o seu género ontológico — as notícias —, os media recorrem à linguagem comercial e simbólica da publicidade. É um estranho fenómeno pelo qual o jornalismo reconhece à publicidade um maior poder de notoriedade e de transmissão de valores do próprio jornalismo, para mais pela linguagem comercial.
Mas Cintra Torres não descobre, como eu, as razões destes anúncios e o público-alvo que eles pretendem atingir.

QUINTO ANÚNCIO DO PÚBLICO

Na realidade, é o sexto, mas o de ontem não contou, pois era igual ao primeiro, excepto nas páginas que ocupou.


O anúncio de hoje é o mais desalinhado. Tem a marca do caderno "Inimigo Público"; por isso é "Que se torce, que se contorce, que se parte a rir". É o caderno que está no papel e na internet. As imagens que constituiam sinal constante (com Barack Obama e a mulher) deram lugar a inserções do caderno e o seu sítio na internet.

Às interpretações que coloquei nos dias anteriores, junto outra: a publicidade tem por alvo os que lêem o jornal em papel. Mas o incentivo é igualmente um perigo: a migração da leitura para a internet, mais económica.

FOTOGRAFIA COMO ARQUIVO E UTOPIA


A exposição Arquivo Universal. A condição do documento e a utopia fotográfica moderna, no Museu Colecção Berardo (Centro Cultural de Belém), reflecte sobre o documento e o documentário, que aparecem simultaneamente no campo artístico, nas ciências sociais, no direito e na historiografia (sigo de muito perto o Guia da Exposição, com texto original de Jorge Ribalta e versão portuguesa de Clara Távora Vilar e Nuno Ferreira de Carvalho). Ao longo do século XX adquire significados diferentes.

A exposição não se propõe fazer uma história mas micro-histórias. O documento associa-se às lutas pelos direitos civis, a ideia e desenvolvimento do Estado-Providência e a produção de imagens sobre os desfavorecidos.

O documento aparece na história da fotografia no primeiro terço do século XX, com o começo da hegemonia da fotografia na imprensa ilustrada e vai até ao fim do mesmo século com o advento da máquina digital, que questiona o realismo fotográfico. A fotografia, ao cruzar os discursos da arte moderna e do positivismo filosófico e científico e conjugar documento e arquivo, estabelece o que o comissário da exposição chama utopia fotográfica moderna e que é responsável pelos debates ao longo das décadas de 1920 e 1930 em torno da factografia e do produtivismo.

Mas, ao arquivo, sucede a desmaterialização, o espectro da imagem, com a introdução da tecnologia digital na fotografia. Conclui Jorge Ribalta que o Photoshop e a máquina digital acabam com o realismo fotográfico.

A MULHER SEM CABEÇA

Não se sabe se Verónica (Vero) atropela um cão ou um homem. Nos dias seguintes, ela está estranha, não se recorda de nada, que tem duas filhas, que é médica. A passagem por uma noite num hotel não é confirmada tempos depois.

Escreve o crítico de cinema do Público, Vasco Câmara: "Como o espectador de um filme que não entende". Por instantes, apeteceu-me ir embora. Depois do atropelamento, a câmara fixa-se no rosto de María Onetto, a actriz que faz de Vero. Parece que não se passa nada, além do ruído do embate. A sequência no hospital, a cena anterior de uma festa com mulheres e crianças, as crianças indígenas brincando à face da estrada levam-nos lentamente a perceber, a imaginar o que terá acontecido. Quando o marido aparece com um animal morto, parece um homem quase primitivo, um marginal. Só lentamente nos apercebemos do seu estatuto (médico), das relações sociais.

Mulher sem Cabeça, filme da argentina Lucrecia Martel, leva-nos aos "insondáveis labirintos da percepção" (Vasco Câmara). Vale a pena ver o filme e ler a entrevista à realizadora no Ípsilon de sexta-feira passada.

ADORNO VISTO POR ARON

  • As minhas relações com Horkheimer, Adorno e Pollock foram mais mundanas do que intelectuais. Em 1950, reencontrei Horkheimer, "rector magnificus" da Universidade de Frankfurt. Visivelmente feliz pela vingança do destino, teve a honra de receber o Chanceler Adenauer de visita à cidade. Convidado pela Universidade, eu tinha no mesmo dia um discurso "an die deutschen Studenten".

    A Escola de Frankfurt gozava de certa notoriedade, até mesmo de prestígio, no mundo anglo-saxónico. Justo regresso da moda intelectual? Esta mereceria mais do que a relativa obscuridade que tinha antes de 1933? Pode ser. Testemunha, por sorte ou azar, dos últimos anos de Weimar e também da audiência que a Escola de Frankfurt encontra hoje, interrogo-me sobre as causas do actual sucesso, assim como do lugar da Escola na Alemanha pré-hitleriana.

    Horkheimer vinha de famílias abastadas da burguesia de Frankfurt. Pollock, que geria os fundos do Instituto, e Adorno, o mais impressionante de todos pela sua cultura, pelo seu conhecimento de música e pela dificuldade do seu estilo, vinham do mesmo meio social. Todos, incluindo Marcuse, que na época não estava na primeira fila da Escola, se reclamavam, de um ou de outro modo, herdeiros de Marx. Politicamente, não apoiavam nem a social-democracia nem o Partido Comunista. Nada fizeram para salvar a República. Quando foram obrigados ao exílio, não hesitaram na direcção. Reconstruíram o "Institut für Sozialforschung" nos Estados Unidos, onde conduziram inquéritos sociológicos de que os mais célebres foram consagrados à família e à "personalidade autoritária". M. Horkhemer, W. Adorno, mais filósofos que sociólogos, misturavam crítica económica e crítica cultural da sociedade capitalista, como fez H. Marcuse de seguida, a quem os estudantes escolheram como mestre nos anos 60 e a quem garantiram a glória (p. 77).

  • Nos anos 60, Horkheimer tomou uma atitude hostil aos movimentos estudantis que exaltavam Marcuse, pois estava reduzido, à falta de um proletariado revolucionário, à Grande Recusa. Adorno, professor em Frankfurt, ficou profundamente afectado pelas manifestações hostis a seu respeito.

    Actualmente, J. Habermas representa outra geração, embora se ligue à Escola de Frankfurt. Também ele incorreu na cólera dos revoltados, por ter empregado a expressão "fascismo vermelho" a respeito deles. Na Alemanha de hoje, parece-me que a teoria crítica tem uma influência limitada. No mundo anglo-americano, o interesse acrescido pelo marxismo estende-se aos descendentes ilegítimos. A combinação de análise económica e denúncia moral convém mais aos radicais americanos do que aos marxistas puros (p. 78).
Livro: Raymond Aron (2007). Memórias. Lisboa: Guerra e Paz

O PODER DA CULTURA

Coordenação: Leonardo Brant


Local: Ateliê Brant Associados, Rua Prof. Frontino Guimarães, 302, Vila Mariana, São Paulo, próximo ao metro Vila Mariana.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

UM OLHAR SOBRE PETER KOGLER

Em exposição no Museu Colecção Berardo, no Centro Cultural de Belém.

CAMPANHA NA INTERNET PARA SALVAR JORNAL DE MINNEAPOLIS

Os empregados do jornal de Minneapolis Star Tribune lançaram anteontem uma campanha online na tentativa de salvarem o jornal, na bancarrota desde o começo do ano. "Com o Star Tribune na bancarrota, a principal fonte de informações do Minnesota está em perigo", foi escrito numa mensagem da internet em savethestrib.com: "Nós, os jornalistas que escrevemos, fotografamos, editamos e apresentamos as notícias diariamente, lançamos esta campanha porque acreditamos que o Star Tribune é um recurso essencial para a comunidade e demasiado valioso para que se perca".

Impressionantes são os contributos de muita gente importante daquele local dos Estados Unidos num vídeo que se pode ver no sítio da internet acima identificado: para Maria Jette, soprano, o que lê em primeiro lugar é a banda desenhada; Kieran Folliard, dono do Irish Pub Kieran, gosta de ler a opinião; Daniel Slager, editor, começa por ler a secção de desporto, o mesmo acontecendo com R.T. Rybak, o presidente da câmara de Minneapolis.

BIOGRAFIAS


Um dos programas que me impus foi ler biografias de homens do centro da Europa que marcaram o século XX em termos culturais, políticos e sociológicos. Das leituras, não procurei o destaque que deram às indústrias culturais mas ao modo como viram a Europa e contribuiram para a sua transformação ao longo das décadas desse século nas artes e nas indústrias ligadas à cultura. Escolhi três homens muito cosmopolitas, de diferenciamentos políticos entre eles. As suas biografias são notáveis - claro que os biografados fazem sempre uma revisão da história que os colocam em posição confortável, central, dos acontecimentos que narram e de que são actores. Por coincidência, os três biografados são judeus, que assistiram com horror à ascensão e aumento de poder do nazismo.

Dois tiveram um percurso social, profissional e intelectual em diversos países - e de que já aqui fiz destaque. Eles foram Hobsbawn e Canetti (igualmente fiz breves referências à moda e ao jazz em Hobsbawn). Ambos escreveram em alemão, mas, além da Alemanha, passaram por países como Inglaterra e Áustria, o que os levou a escrever em inglês (ou mesmo em francês). O terceiro biografado é Raymond Aron, com a particularidade de ser comparado com o seu "pequeno camarada" Jean-Paul Sartre. Francês, ele também passou pela Alemanha, onde ensinou e escreveu, e pela Inglaterra, onde esteve aquando do período da Resistência francesa à ocupação alemã.


De entre os temas que escreve, destaco a percepção que tem da Segunda Guerra Mundial, o caminhar ao lado do general De Gaulle e o lento afastamento de ambos, a combinação das actividades de jornalista, professor universitário e político, o envolvimento no jornal de direita Le Figaro, a corrosão da amizade com Sartre, o igual afastamento face a Paul Nizan, a relação com André Malraux, a guerra na Argélia e a sua defesa da independência daquele antigo território ultramarino da França, as posições francesas e as suas sobre a NATO e a União Europeia, a relação da França com o país do meio (Alemanha), a amizade com Henry Kissinger, a sua posição face ao Maio de 1968, as muitas conferências e livros, a sua oposição ao marxismo (apesar de escrever sobre Marx), a ideia da decadência do ocidente (pelo menos da Europa).

Se especulei que Hobsbawn e Canetti poderiam ter-se encontrado em Viena, creio que Hobsbawn e Aron nunca se cruzaram. Pelo menos politicamente: Hobsbawn foi comunista até quase ao final da sua vida, mas passou por um longo e febril afastamento dessa opção; Aron sempre foi da direita francesa. Ou, então, passaram um pelo outro em Londres, nos finais da década de 1930 ou primeiros anos da década seguinte. Ambos estiveram muito junto dos poderes, Hobsbawn mais do universitário, Aron mais do político e do universitário. É evidente a ligação de Aron ao poder político, ele gostaria de ter sido o príncipe que aconselha o monarca: "Muitas vezes me encontrei com Giscard d'Estaign antes da eleição de 1974" (p. 485), "Alertar os chefes da maioria e convencê-los de que podiam e deviam impedir um proprietário, fortemente endividado, de provocar a saída de alguns grandes nomes que adornavam o Figaro" (p.a 473), "O Presidente da República [d'Estaign] desaconselhou-me, se bem me recordo, de deixar o Figaro" (p. 471), "Do Eliseu e de Matignon vinha uma discreta pressão a favor do magnata que assentara a sua fortuna no Autojournal" (p. 465).

Em Raymond Aron noto uma nostalgia ou mágoa no final da sua vida, em especial quando fala da decadência da Europa (também verifiquei esse sentimento nas outras biografias). Aron publicou as suas memórias em 1983, mas, ao lerem-se algumas páginas, há uma grande actualidade: a crise financeira, o défice da balança de pagamentos americana, o envelhecimento da população, a alteração dos sistemas sociais (antes do capitalismo, as aldeias da China eram quase autosuficientes, controladas à distância pelo imperador, escreve ele algures).

Falta-me ler o segundo volume das memórias de Canetti, ainda não publicado pela editora. O mais político (o que mostra melhor como se faz a política) é o livro de Aron, o livro mais bem escrito é o de Hobsbawn, o que conta melhor a realidade intelectual é o de Canetti. Se a Europa acelerou a sua decadência no século XX, os mesmos biografados assinalam os momentos mais emocionantes do nosso velho Continente: a união económica, apesar das variadas línguas e posições estratégicas, a cultura humanista, as cidades cheias de história, a sabedoria da sua filosofia e o encanto da sua música, as vanguardas estéticas. O cinema começou na Europa, os jornais são uma invenção europeia, a música mais importante nasceu na Europa, a Europa chegou ao resto do mundo (embora com posições erradas de colonialismo e imperialismo).

terça-feira, 7 de abril de 2009

AUDIÊNCIAS DE TELEVISÃO

O Diário de Notícias de hoje (p. 46 da edição em papel) indica que a televisão por cabo teve, no domingo passado, o melhor resultado de sempre (22,3% da audiência). Razões explicadas no texto assinado por Tiago Guilherme: transmissão de futebol (na SportTV), Panda (o domingo não se articula com as férias das crianças, como diz o texto, embora nestes dias haja mais espectadores do canal de desenhos animados) e consumo crescente do cabo (mais lares ligados ao cabo). O texto indica a subida lenta mas segura do total da audiência nos canais de cabo: 13,3% em Fevereiro, 14,7% em Março, 16,9% nos primeiros dias de Abril. No domingo e por canal, o cabo apareceu assim por ordem decrescente de audiência: SportTV1, SIC Notícias, Panda, AXN, TV Record, Hollywood, RTP Memória, FoxLife, RTPN, SIC Mulher.

CONGRESSOS DE COMUNICAÇÃO EM LISBOA


De 14 a 18 de Abril, realizam-se o 6º Congresso SOPCOM, o 8º LUSOCOM e o 4º IBÉRICO. Os temas das sessões plenárias são: Lusofonia e Globalização, Novos Media e Desenvolvimento, Serviço Público Televisivo, Investigação nas Ciências da Comunicação e Sociedade dos Media.

Ao longo desses dias, decorrem "sessões temáticas que constituem os principais eixos de actividade científica dos congressos e onde serão apresentadas centenas de comunicações" (informação da organização). São mais de 600 participantes pertencentes a instituições de ensino superior na área das Ciências da comunicação, de Portugal, Brasil, Espanha, Angola, Moçambique e Cabo Verde. No último dia, haverá lugar para a mesa redonda com os presidentes das Associações de Comunicação Europeias: Annabelle Sreberny, François Heinderyckx, Miquel de Moragas e Moisés de Lemos Martins.

Resultado desse grande afluxo de comunicações é o intrincado programa, que pode ser lido
aqui. Isto sem contar com o lançamento de livros, com sessão prevista para o dia 14, entre as 21:00 e as 23:00!

O QUARTO ANÚNCIO DO PÚBLICO


"Eu sou o Público dos comentários, das votações, dos fóruns. Eu sou o Público do teclado que não cruza os braços. O Público sou eu". Esta é a mensagem e slogan do quarto anúncio do jornal, na página 7, sem as aspas iniciais e não indicando publicidade no topo da página (como nos dias anteriores).

O quarto anúncio recupera a imagem do indivíduo do primeiro anúncio (óculos de aros de massa), com indefinição na parte inferior da fotografia. No canto esquerdo, imagens dos três suportes de leitura, que funcionam como elementos de continuidade da promoção. Continua a ideia de leitor jovem e ligado às tecnologias electrónicas.

Pergunta de novo: conquistam-se leitores jovens com anúncios em jornal de papel?

ESCOLAS DE VERÃO 2009 NA UNIVERSIDADE NOVA DE LISBOA

1) Escrita para Cinema e Televisão, pelo professor Paulo Filipe Monteiro (8, 9, 10, 15, 16 e 17 de Setembro, das 18:00 às 21:00)

Programa: O cinema e a televisão são formas de comunicação contemporâneas, que no nosso século tiveram de inventar a sua linguagem. Neste curso breve e predominantemente prático estuda-se como se tem definido e transformado a escrita própria de textos destinados a serem filmados. Trata-se de um género que só pode ser compreendido por relação com a narração e o drama. Para compreender a «narração dramática» dos guiões, trabalham-se as teorias clássicas da narração, as estratégias narrativas de vários tipos de filmes, as personagens, as cenas, os diálogos e técnicas específicas de manipulação do espaço e do tempo. Tudo isto será desenvolvido a partir das sinopses previamente enviadas pelos participantes. Requisitos Prévios: Até final de Maio, os interessados neste curso devem enviar para o e-mail
pfm@sapo.pt uma página com sinopse original de um filme de ficção.

2) Por entre gerações: Os lugares dos media e os desafios da literacia mediática, pela professora Cristina Ponte (coord.) (6, 9, 13, 16, 20 de Julho, das 10:00 às 13:00)

Proposta: A sociedade portuguesa é marcada por profundas diferenças geracionais na relação com os novos meios de comunicação, sendo os mais novos os que mais utilizam as potencialidades comunicacionais da Internet. Por outro lado, nunca se falou tanto na necessidade de uma capacitação para usar criticamente os media – uma capacitação não apenas tecnológica mas também – e sobretudo – na perspectiva dos direitos de participação e de expressão numa dimensão ética e de cidadania.

Mais informações
aqui.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

COLECÇÃO ANTÓNIO CACHOLA


António Cachola esteve em Londres pela primeira vez em 1973, onde visitou todos os museus que pode. Começava aí o seu interesse pela arte e pelo colecção de obras de arte. Licenciado em economia e com uma pós-graduação em finanças públicas, o seu grande hóbi é a arte, e fá-lo na qualidade de um quase profissional. A abertura do Museu de Arte Contemporânea de Elvas (MACE) com a colecção dele próprio foi um momento de grande alegria. No catálogo de apresentação do museu e da colecção, escreve o próprio António Cachola: "O objectivo não passa apenas pela descentralização da arte ou da cultura mas pela sua naturalização, por transformar a arte em algo natural e acessível a todos" (ver o vídeo, onde registei uma curta conversa com o coleccionador).

A colecção e o museu possuem arte contemporânea portuguesa criada da década de 1980 em diante. Nela observam-se artistas de plano internacional, de que se contam, entre outros, Rui Sanches, Xana, Joana Vasconcelos, Jorge Molder, Rui Chafes, José Pedro Croft, Fernanda Fragateiro, Pedro Cabrita Reis, Ângela Ferreira, Pedro Calapez, João Pedro Vale, Manuel Botelho, Edgar Martins, Francisco Vidal, Sofia Areal, Ana Vidigal. O director de programação é João Pinharanda.


O MACE abriu em Julho de 2007 num edifício anteriormente hospital da Misericórdia de Elvas, em estilo barroco tardio de meados do século XVIII. A adaptação do edifício para museu teve o contributo do arquitecto Pedro Reis e dos designers Filipe Alarcão e Henrique Cayatte. A colecção tem cerca de 300 obras que se expõem segundo temáticas diferentes.

PARA ONDE VAI A INDÚSTRIA DA MÚSICA

Atender ao que escreve hoje Andrew Dubber, no seu sítio new music strategies, sobre o que se passou na conferência Is This It em Helsínquia.

O TERCEIRO ANÚNCIO DO PÚBLICO


Parece uma recente obsessão minha: atender aos anúncios saídos no Público. Trata-se, contudo, de um exemplo a estudar, o da reflexão da importância dos media electrónicos face aos meios tradicionais, neste caso a internet e o telemóvel em relação ao papel.

Hoje, a publicidade/promoção do meio Público ocupa a página 9, página da direita, a mais visualizada. Está mais à frente no jornal que nos dois dias anteriores, que ocupavam duas das páginas mais importantes, a 2 e a 3. Significa que os autores da campanha estão satisfeitos com o reconhecimento e notoriedade entre os leitores do jornal, reduzindo a dimensão (duas para uma página) e fazendo publicar o anúncio numa página do interior e menos importante por isso.

O slogan mantém-se: "O Público Sou Eu". Mas a mensagem de hoje faz referência aos principais colunistas: António Barreto, Miguel Esteves Cardoso, Vasco Pulido Valente, José Pacheco Pereira. Ou seja, a defesa da opinião do jornal (por oposição às notícias, à factualidade dos acontecimentos), numa linha de continuidade face à mensagem de ontem, onde se defendia a independência do jornal, "doa a quem doer" e "Sou o Público da Verdade", mas abandonando, por redundância, o igual peso da informação em papel e em formatos electrónicos, como o anúncio de anteontem. Anúncios diferentes, com zonas iguais de informação, levam-nos a uma narrativa, como se fosse um folhetim.

Isso explica também os modelos humanos que acompanham a publicidade, os rostos - a dois rostos masculinos, sucede-se hoje um feminino. A zona de imagem desfocada ou menos precisa tem hoje outra configuração: a jovem mulher revela apenas o rosto e um a dois dedos da mão direita, envolvida em espuma no banho. O rosto é sereno e o olhar está fixo, algo ensimesmado.

As mensagens contidas nesta série fixam-se, já o escrevi, num público jovem, o alvo aparentemente fundamental da campanha. A mulher de hoje parece mais jovem que a do homem de anteontem. Mas se este me sugeria um intelectual muito virado para as tecnologias electrónicas de informação e o de ontem um jovem que ama as coisas boas da vida, combinando com uma profissão de sucesso e de muitas relações públicas, a mulher do anúncio de hoje encontra-se numa posição de descontracção depois de um dia de grandes decisões no escritório da empresa que dirige ou em que é uma das principais responsáveis.

Os variados formatos - tradicionais e modernos - são meios que interessam a estas personagens. Mas a quem se destina realmente a campanha? Aos leitores do jornal em papel? Aos leitores mais jovens? É uma campanha institucional sem impacto directo na formação de públicos leitores mas que destaca a excelência deste jornal face a outros?

domingo, 5 de abril de 2009

O SEGUNDO ANÚNCIO DO PÚBLICO

Hoje, o Público publicou o seu segundo anúncio nas páginas 2 e 3. Com o slogan O Público Sou Eu, a mensagem de hoje destaca a independência do jornal, "doa a quem doer" e "Sou o Público da Verdade". Para além do que me parece o constante da publicidade - as pequenas imagens no canto inferior esquerdo com três suportes de informação (papel, internet, telemóvel) -, a figura da página da direita é a de um jovem de olhos claros e sobrancelhas acentuadas, representado por apenas metade do rosto. Será que o essencial da publicidade aponta para o público masculino? Como observação, continuam a faltar as aspas iniciais e a indicação de públicidade no topo da página.

LISBOA

Avenida Fontes Pereira de Melo, 12. Prédio há muito abandonado, mesmo ao lado de um hotel recente. Possuía jardim e andar em nível inferior ao da rua, que acompanha a inclinação de terrenos nesse lado da avenida. Para chegar ao centro da casa, um pequeno torreão de duas janelas, usava-se um passadiço, o que confere uma beleza especial ao prédio. Registo a existência de um pequeno pórtico sobre a porta de entrada da casa, outro elemento nobre do edifício.


Em pesquisa na internet, deparo-me com a informação de sede da Tudor nesse endereço. Errado? Ou morada antiga daquela empresa?

Museu Vostell Malpartida (Cáceres, Espanha)

Wolf Vostell foi um artista plástico que trabalhou materiais industriais decomponíveis (automóveis abandonados, receptores de rádio e televisão avariados, motas já sem utilização, fazendo enormes instalações e intervenções, como piano dentro de automóvel, por exemplo). Vostell (Leverkusen, 1932; Berlim, 1998) reflectiu sobre a cultura industrial e de consumo em que os objectos já sem uso vão para a sucata e para a lixeira. Ele quis, assim, dar conta do mundo actual, com grande ironia e nostalgia por formas obsoletas mas que, em simultâneo, provocam o riso e a vontade de brincar.


São conhecidas as séries de Vostell de obras com televisores e automóveis, onde a beleza inicial das formas dos objectos se transforma em lixo, fealdade, inutilidade, desconforto. Podemos ver no seu museu a história dos objectos industriais - e imaginar a sua apropriação e abandono, como quando se tem um brinquedo novo e se lhe dá muita atenção antes de dedicar toda a disponibilidade a um novo brinquedo e se esquecer o anterior. Só a memória, a nostalgia dos momentos vividos antes, nos leva a recuperar os objectos, as colecções de peças que passam na vida individual e se guardam num sótão ou cave. Esta história do design industrial é, em Vogell, diferente de outras colecções de aparelhos e máquinas que encontramos noutros museus. Trata-se de um olhar sobre a obsolescência e a morte dos objectos, estrelas de um mundo de gadgets imprescindíveis num tempo e abandonados noutro. Vogell escava na história do design industrial como se estivesse numa lixeira à procura de objectos ainda recuperáveis (pelo valor do metal, por exemplo).


O automóvel ou o televisor são símbolos dos rituais da vida actual dos homens. A articulação dos objectos representa o princípio da des-colagem que Vogell trabalhou desde 1954, propondo o princípio negativo dos objectos que o espectador habitualmente toma como positivo, num jogo de sombras e de conflitos em que a humanidade corre o risco de mergulhar. Na vida dos objectos industriais, há um permanente processo de construção e desconstrução, o que provoca novos processos mentais. Fundador da vanguarda Hapenning e Fluxus, encontramos neste museu excelentes exemplos desses modos de fazer a arte.


Malpartida de Cáceres, a não muitos quilómetros da cidade, foi local de transumância, com pastores e ovelhas, local onde estas eram tosquiadas para a transformação da lã. Perdida a função inicial, o edifício foi adaptado e beneficia de uma inserção em lugar muito bonito, que funciona também como local de caminhadas para a população e os visitantes. Vostell ficou encantado com o lugar, de onde era oriunda a sua mulher Mercedes Guardado Olivenza, tendo obtido da Junta da Extremadura a ideia de construir o seu museu naquele sítio.

sábado, 4 de abril de 2009

O ANÚNCIO DO PÚBLICO

Talvez devesse haver indicação de anúncio no cimo das páginas 2 e 3 do jornal Público de hoje. É que é publicidade ao próprio jornal.


Talvez devesse também haver uma informação do jornal sobre o anúncio ou sobre a campanha (será que também se estendeu à televisão ou aos mupis?). É que seria útil perceber o porquê do anúncio. Lê-se neste:

Eu sou o Público
do papel para saber tudo,
da Net para saber já
e do telemóvel para saber onde quer que esteja.
O Público sou eu


Na página da esquerda ao fundo sobressaem três suportes da informação: jornal de papel, computador, telemóvel. Na página da direita, com imagem parcialmente desfocada, vê-se um indivíduo de sexo masculino, com óculos de aros de massa, barba curta, alguma falta de cabelo, mas de aparência jovem. A imagem deste é o perfil (ou estereótipo) de indivíduo urbano, leitor de informação e adepto de tecnologias electrónicas de informação, que abandonou o jornal em papel e migrou para o digital. Se ele quer saber informação sucinta, deve usar os media digitais, mas o papel dá-lhe mais informação. Certo, porque o papel ainda é meio mais portátil e legível que os media electrónicos. Errado, porque os textos em papel podem ser em tamanho mais pequeno que os da internet (dei um exemplo quando escrevi sobre o museu da rádio, aqui).

Aparentemente, a publicidade representa o novo posicionamento do jornal, reflectindo as mudanças de direcção anunciadas no mês passado e que procura ter igual peso nos vários suportes, uma medida ousada e que pretende ganhar leitores em suportes (digitais) para compensar a lenta perda de leitores em papel. Percebe-se isso na página da esquerda do anúncio. Mas isso significa, se olharmos para a página da direita, que apenas os jovens adultos masculinos são um público a conquistar? Ou vêm outros e diferentes anúncios? E a legenda do anúncio é uma citação? Onde estão as aspas no começo do texto?

O TEATRO DO PORTO SEGUNDO NUNO CARINHAS

Hoje, o Público traz uma importante entrevista com Nuno Carinhas, o novo director artístico do teatro São João, do Porto (entrevista de Inês Nadais).

Retenho algumas ideias: 1) vai continuar a convocar grupos e criadores e a fazer o balanço dessa intervenção, 2) o TeCA (Teatro Carlos Alberto) é para produções mais pequenas, com repertórios contemporâneos e experiências de grupos independentes, 3) o Mosteiro de São Bento da Vitória vai ter mais actividade, 4) quer estruturar a ligação com as escolas artísticas, caso da Fábrica (espaço cedido pela Escola Superior de Música e Artes do Espectáculo a grupos emergentes), 4) continuará a acolher o FITEI e possivelmente o FIMP, 5) sobre a vizinhança do teatro, que tem pouca relação com este, ele pretende uma reflexão dos repertórios que o interessem (embora sinta uma grande dificuldade), 6) o seu primeiro espectáculo como director artístico será o Breve Sumário da História de Deus, de Gil Vicente.

TWITTER, DE NOVO

Ontem, escrevia aqui sobre a hipótese da Twitter ser comprada pela Google. O jornal Público adianta hoje que nenhuma das empresas se pronunciou sobre o facto, podendo tratar-se de um boato que partiu do sítio TechCrunch. Esperemos pelos próximos dias para saber se foi um balão de ensaio ou uma fuga de informação, ou mera especulação.

INDÚSTRIAS CRIATIVAS SEGUNDO LUÍS SERPA

Conforme já aqui escrevi, o galerista Luís Serpa está a projectar uma agência autónoma para gestão de indústrias criativas na Área Metropolitana de Lisboa. A agência será lançada a 12 de Maio, na Culturgest. Para Serpa, as áreas ou disciplinas associadas às indústrias criativas são: arquitectura, mercado das artes visuais e antiguidades, audiovisuais (televisão e rádio), artes performativas e de entretenimento, cinema e vídeo, design gráfico e de produto, escrita e publicação, moda, software educacional e lazer, publicidade e gastronomia.

[fonte: RTP]