segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

INDÚSTRIAS CRIATIVAS SEGUNDO A WORK FOUNDATION


A Work Foundation publicou em Junho deste ano o documento Staying ahead: the economic performance of the UK’s creative industries.

Para Will Hutton, director executivo da Work Foundation, o programa de economia criativa, lançado em Novembro de 2005, procurou "criar o melhor quadro de apoio à inovação, crescimento e produtividade das indústrias criativas. Foi concebido como relação permanente entre Governo e indústrias criativas, com identificação de problemas e encontro de soluções num sector cada vez mais significativo da economia do Reino Unido".


Seguindo o modelo circular concêntrico de
Throsby [imagem da direita], a Work Foundation apresenta um centro criativo incluindo as formas de produtos originais, como a cultura popular (e os programas de computador) mas excluindo as artes. Segue-se um círculo exterior, o das indústrias culturais clássicas (filme, televisão, rádio, indústria fonográfica, jogos de computador), cujo objectivo é a sua comercialização. Depois, ainda mais externo, vem o círculo das indústrias criativas que incluem produtos originais associados com funcionalidades, como moda e publicidade.

O relatório fala de 13 indústrias criativas (que valem 7,3% da economia, comparável à indústria financeira, e empregam 1 milhão de pessoas e mais 800 mil em ocupações criativas) e da associação desta ideia com as de criatividade (ou talento), inovação, economia do conhecimento e valor expressivo (representado, por exemplo, em programas de software, videojogos e material cultural interactivo gerado pelo utilizador na internet). As 13 indústrias criativas são: antiguidades, arquitectura, artes performativas, design, edição, filme e vídeo, moda, música, ofícios, publicidade, serviços de software e de computadores, software interactivo de lazer, televisão e rádio.

Os motores de sucesso da economia criativa, ainda segundo o mesmo estudo, são: 1) procura, 2) grande diversidade, 3) território que encoraja a experimentação e a inovação, 4) formação e conhecimento, 5) redes, 6) sector público como garante institucional, 7) propriedade intelectual, e 8) grande capacidade de criar empresas de pequena e média dimensão.

O LIVRO E OS NOVOS DESAFIOS: CONCENTRAÇÃO EMPRESARIAL E DIGITALIZAÇÃO


Gloria Gómez-Escalonilla escreveu sobre políticas do livro (2007), partindo dos seguintes tópicos: 1) desenvolvimento da edição ligado ao sector privado, mas com apoio das entidades públicas, 2) desequilíbrio regional, nacional e de comunidade de países, com necessidade da excepcionalidade cultural, 3) altos índices de concentração empresarial e multinacional que prejudicam a pluralidade e diversidade nacionais e culturais.

No seu texto, Gómez-Escalonilla analisa a situação actual da indústria editorial (diversidade cultural, indústria e internet), as políticas culturais que afectam o livro (em especial o caso espanhol) e medidas concretas para corrigir os efeitos negativos do mercado.

A autora realça o livro impresso sob a dinâmica do best-seller, favorecida pela concentração empresarial no sector editorial. Esse maior peso dos grandes grupos editoriais implica selecção de obras, pois o critério cultural faz-se preceder de expectativas de vendas. Os livros vendem-se menos nas livrarias de bairro e mais em cadeias de livrarias e nas grandes superfícies que, por estratégia comercial, limitam os livros expostos aos best-sellers. A concentração nos mais vendidos prejudica livros e autores que vendem menos. Há muitos livros que não chegam às livrarias, idos directamente da impressão para os armazéns. Tal paradoxo, de fabricar livros para os não vender, é efeito da superprodução de títulos, estratégia de técnica de mercado que permite jogar com os efeitos novidade e catálogo. Esta dinâmica está a contribuir para uma mudança nas motivações da actividade leitora: se o objectivo principal da leitura era a instrução e o conhecimento, agora transforma-se em leitura de evasão e ócio.

Um outro elemento analisado por Gloria Gómez-Escalonilla respeita as mudanças no sector com a revolução digital, em que a primeira é a trazida pela internet para o mundo editorial: servir como novo canal de venda de livros. Diferentemente das livrarias virtuais, as editoras on-line são iniciativas sem vínculo ao sector tradicional. Mas a incerteza que existe em torno da digitalização, dado que a rede premeia a cultura da gratuitidade e da acessibilidade aos conteúdos, torna pouco rentável a venda dos livros virtuais. O medo da pirataria digital impede o desenvolvimento do mercado e da modalidade da edição on-line.

A investigadora deteve-se ainda nos principais desafios a enfrentar: direitos do autor, índices de leitura, preço fixo, livro digital, fomento da leitura (com difusão e acesso ao livro na biblioteca), dotação de fundos e criação de bibliotecas digitais, trabalhos sobre hábitos de leitura e campanhas de comunicação e publicitárias permanentes. Igualmente, defendeu a necessidade de apoio às PME que concorrem com os grandes grupos como garante da edição de textos minoritários e especializados. Se a edição de livros na internet chega a representar uma redução do custo em 30% (10% na distribuição e transporte, 20% de gestão e armazenamento), o reconhecimento do livro digital significará uma definição do livro face à realidade do livro multi-suporte, com implicações fiscais: em termos de IVA, o livro é taxado a 4% e o suporte digital a 21%.

Pontos fortes do texto: avalia o impacto do livro na sociedade e perante alterações tais como a concentração empresarial (produção e distribuição) e a digitalização e a internet.

Pontos fracos do texto: apresenta soluções muito estatistas no apoio às PME, quando no início do artigo ela referencia o sector, no seu todo, como estando economicamente muito forte; há autores que passam o umbral do desconhecimento e tornam-se muito vendidos, sem que o texto reflicta nesse fenómeno.

Leitura: Gloria Gómez-Escalonilla (2007). "Políticas del libro. Análisis y propuestas". Em J. M. Álvarez Monzoncillo, J. C. Calvi, C. Gay, G. Gómez-Escalonilla e J. López Villanueva Alternativas de política cultural. Las industrias culturales en las redes digitales (disco, cine, libro, derechos de autor). Barcelona: Gedisa

domingo, 9 de dezembro de 2007

CONFERÊNCIA SOBRE CINEMA


No dia 12, pelas 11:00, Daniel Ribas dará uma conferência intitulada Do cinema novo ao cinema contemporâneo, na Sala 2.0.3 do Departamento de Línguas e Culturas da Universidade de Aveiro.

[informação recolhida no sítio da
Universidade de Aveiro]

PROVEDOR DO OUVINTE


Ontem, na emissão do provedor do ouvinte da RDP, e a propósito da programação da Antena 3, José Nuno Martins fez uma crítica severa ao director de programas, Rui Pêgo. Da crónica percebeu-se que as relações entre ambos é inexistente, quebrando uma grande e duradoura amizade, segundo eu sei.

O lugar de provedor revela-se, pois, de difícil manutenção. O exemplo do último provedor do leitor do Público ilustra igualmente a complexa relação entre a direcção e os responsáveis e outros colaboradores de um meio de comunicação face ao provedor. Os media habituaram-se a criticar os políticos e outros agentes sociais, mas são ainda muito pouco permeáveis a críticas dirigidas para dentro dos próprios media.

De outras leituras, a direcção de programas da RDP parece-me fechada, autista mesmo. E a mudança de administração trará, certamente, necessidade de repensar essa mesma direcção.

BENS CULTURAIS DO PATRIARCADO DE LISBOA


É recente a criação do blogue Bens Culturais do Patriarcado de Lisboa. Nele, anunciam-se encontros, cursos livres e exposições. Por isso, aconselho uma visita a este novo local de informação do Patriarcado de Lisboa.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

O CINEMA EM ANATOL ROSENFELD

Anatol H. Rosenfeld (1912-1973), de origem alemã, fugido ao nazismo em 1936, deixou um importante legado como filósofo, crítico e teórico em São Paulo desde os anos 1940 (ficando nessa cidade brasileira até morrer).

Segundo o sítio Enciclopédia Itaú Cultural, não há registos sobre a sua procedência exacta, mas sabe-se que estudou filosofia, letras e história na Universidade de Berlim, entre 1930 e 1934. Radica-se no Brasil e enquanto aprende a nova língua, é lavrador e caixeiro viajante. Já em São Paulo, nos primeiros anos da década de 50, passa a freqüentar reuniões das colônias judaica e alemã, através das quais se aproxima do mundo intelectual. Torna-se jornalista e redator da Crônica Israelita, jornal quinzenal da Congregação Israelita Paulista, e correspondente de um jornal suíço de língua alemã. Dirige, para a editora Herder, a coleção O Pensamento Estético, vertendo dos originais alemães para o português importantes títulos, especialmente ligados aos períodos clássico e romântico. Sobrevive por meio de aulas particulares e, tendo aprendido a exprimir-se com desenvoltura e elegância em português, embrenha-se pelos caminhos da cultura brasileira. Colabora para o jornal do Han Staden Institute, escrevendo sobre literatura brasileira. Em 1956, indicado por Antônio Cândido, passa a dirigir a seção Letras Alemãs, do Suplemento Literário do jornal O Estado de S. Paulo, espaço onde divulgará autores germânicos de todas as épocas. No início dos anos 60 passa a dar aulas na Escola de Arte Dramática, EAD, ocasião em que estreita vínculos com a atividade teatral, distinguindo-se pelos contatos com os artistas ligados aos espetáculos, antes ou depois das estréias, ocasiões em que o diálogo serve de suporte para longas e minuciosas análises. Em 1964 inicia a publicação de críticas teatrais, como colaborador, em diversos órgãos de imprensa.

Do trabalho enquanto crítico, o mais saliente é o que desenvolve para o cinema. Vindo de um país onde o cinema era uma importante indústria (Alemanha), é convidado a colaborar na revista Íris em 1947. O texto que dá nome ao livro de recolha de ensaios sobre o cinema em Rosenfeld, Cinema: Arte & Indústria, é de 1951, tendo sido o primeiro trabalho no Brasil a falar do livro de Horkheimer e Adorno (Dialética do Esclarecimento). Escrevem Nanci Fernandes e Arthur Autran na introdução ao livro de Rosenfeld que a reflexão deste sobre o cinema ocorria num momento de grande desenvolvimento das indústrias culturais em São Paulo (fotografia, indústria fonográfica, renovação e modernização das artes em geral, como a literatura, as artes plásticas, o teatro e a música, a televisão e, em 1949, a criação da Vera Cruz e de outras empresas ligadas ao cinema) (Rosenfeld, 2002: 22).

Nos textos que compõem o volume, Anatol Rosenfeld olha o cinema numa perspectiva sociológica mas igualmente económica, estuda a transição do cinema mudo para o sonoro e a música no sonoro. Dedica um capítulo ao cinema escandinavo, em especial Carl-Theodor Dreyer, e ao cinema americano. Mas os textos mais elaborados teoricamente são o que dá o nome ao livro e "Notas sobre a arte do cinema".

Escreveria Rosenfeld:
  • uma história do cinema deve tomar em consideração que o seu objecto é, essencialmente, uma Indústria do Entretenimento, que também faz uso de meios estéticos para obter determinados efeitos e para satisfazer um grande mercado de consumidores, sem visar, todavia, na maioria dos casos, à criação de obras de arte. Seria, portanto, absurdo e infantil condenar os industriais do cinema por criarem raramente uma obra de arte. Uma produção cinematográfica aproveitável de filmes de ficção é impossível sem organização industrial e sem o investimento de consideráveis capitais (p. 35).

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

NOTÍCIAS


Há duas notícias na capa do Público de hoje que me levam a reflectir aqui.

A primeira prende-se com o hipotético pagamento dos sacos de plástico das compras. Ontem, fora manchete no mesmo jornal, onde se escrevia que o governo se preparava para cobrar cinco cêntimos por exemplar. A notícia de hoje dá conta, em resumo, do recuo do governo. A legenda a uma fotografia do secretário de Estado, Humberto Rosa, é evidente: o governante "voltou atrás numa ideia que apadrinhava para reduzir os sacos de plástico". Todo o articulado do jornal é muito verosímil. Reflexão minha: o governo lançou um balão de ensaio, querendo testar a opinião pública, leia-se: os grandes distribuidores, como os hipermercados. Estes reagiram imediatamente, mostrando a sua força ao considerarem errada a posição do governo.

Apenas uma crítica: a caixa com comentários de leitores do PUBLICO.PT. Estampar comentários de um leitor assinando Gil, Porto - "O xerife de Nottingham já arranjou mais uma forma de nos ir ao bolso. Quando aparecerá um Robin Hood português para nos salvar dessa espécie?" - é infeliz. Trata-se de um comentário gratuito e falha o alvo, pois a medida deveria ser implementada para bem do ambiente, conforme os exemplos traçados na peça. Se calhar, Gil, do Porto, nem compra o jornal mas quis dar opinião via internet.

A outra notícia é a dos novos contadores da electricidade serem pagos pelos consumidores. Aqui, não me parece haver um grupo de pressão tão poderoso como o da grande distribuição. Mas que se trata igualmente de um balão de ensaio, a ver as reacções, não tenho dúvida. Basta pensar na cíclica ameaça de um pagamento por cada levantamento em caixas multibanco. E nas confusões, no ano passado, sobre os aumentos dos preços da electricidade. A mesma Entidade Reguladora, creio, pedia valores exagerados de aumentos, provocando um posterior recuo.

DAVID BECKHAM ENQUANTO CELEBRIDADE


[texto baseado na leitura de capítulo de livro de Momin Rahman, publicado em 2006]

No seu livro Understanding celebrity, Graeme Turner (2004) fornece uma perspectiva compreensiva da vasta literatura sobre os temas da celebridade e da fama, dando um quadro geral de interesses, divididos entre o significado da explosão aparente da cultura das celebridades e a focagem nas próprias celebridades.

Dentro da literatura sobre o significado social da cultura da celebridade, Rahman percepciona dois temas centrais. Primeiro, a cultura da celebridade é uma manifestação do consumo globalizado de bens no capitalismo avançado; segundo, a sua função social como sistema de significados e valores suplantando recursos tradicionais para as identidades pessoal e social na cultura moderna tardia, incluindo estruturas como classe, género/sexualidade, etnicidade e nacionalidade.

Há um fascínio mediático em certas celebridades, caso de David Beckham. Dado o seu reconhecimento na Europa, Ásia, América Latina e África, Beckham é uma figura quantificável na cultura contemporânea global. Qualquer medida em celebridade e fama colocam-no no topo. Além de que publicações académicas recentes sobre ele analisam-no enquanto exemplo de celebridade e cultura desportiva, como Momin Rahman, para quem Beckham aparece como manifestação chave da interdependência complexa entre desporto e indústrias mediáticas globalizadas. A autora olha-o igualmente a partir da teoria da masculinidade como nexo central no "circuito cultural", o que faz as histórias relevantes, compreensivas e controversas [imagens retiradas de Wallpapergate.com].

G. Whannel (2002, Media sports stars: masculinities and moralities) sugere que Beckham é uma figura notável, quer por causa do estatuto de celebridade como jogador quer porque transgride a disciplina e a ética de trabalho associada aos desportistas, através do consumo sumptuário. Curiosamente, Beckham emerge durante o desenvolvimento da imprensa de estilo masculino no Reino Unido (1984-1990), em que se mostram homens muito sexualizados – estratégia representacional até aí aplicada apenas às mulheres.

Beckham é uma espécie de celebridade pós-moderna ou híbrida, aparecendo livre no contexto e significado de muitos grupos. O editor da revista GQ disse um dia que Beckham tinha um toque feminino mas era obviamente heterossexual. Esta dissonância chama a atenção para a reflexividade sobre a construção destas representações, aproximando-se da hiperrealidade que Baudrillard costuma ilustrar. Dyer, por seu lado, argumenta que as estrelas de cinema podem ser lidas como signos para versões específicas de individualidades, como classe, etnia e género/sexualidade. Para além da construção efectiva da masculinidade, há a incorporação de um interesse feminino na moda (estilo de cabelo, verniz nas unhas, apresentação em geral e a afirmação de ícone homossexual/objecto de desejo).

Para ser mais preciso, há uma construção de deferência para o estatuto profissional de Beckham e para a sua família, como celebridade de primeiro nível no Reino Unido. Deferência e respeito não apenas nas revistas que pagam para ter o privilégio de acesso mas também nos semanários mais orientados para os boatos. Ao respeito pela celebridade há também um sentido de ridículo, muitas vezes em publicações discretas e ainda dentro das mesmas revistas oudo mesmo artigo. O ridículo elimina as credenciais da celebridade em termos de extravagância e glamour, implicando a vulgaridade de ícone de moda, caso dos cortes de cabelo de Beckham, indo do rabo de cavalo ao estilo moicano (punk).

Leitura: Momin Rahman (2006). “Is straight the new queer? David Beckham and the dialectics of celebrity”. In P. David Marshall (ed.) The celebrity culture reader, pp. 223-227

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

30 ANOS DE JORNALISMO ECONÓMICO EM PORTUGAL


O livro 30 anos de jornalismo económico em Portugal (1974-2004), de Christiana Martins, vai ser lançado no dia 10 de Dezembro, pelas 18:00, no auditório da Livraria Almedina, no Atrium Saldanha em Lisboa.

Segundo o comunicado da editora (Livros Horizonte),


  • A primeira parte do livro dedica-se a estabelecer os critérios capazes de identificar, de forma genérica, os limites do jornalismo especializado e, em particular, aqueles que acompanham os temas económicos. Segue-se a análise de casos concretos de jornalismo especializado em economia em alguns dos maiores jornais portugueses, entre 1974 e 2004 (Diário Popular, A Capital, Diário de Notícias, Correio da Manhã, Público, Expresso, Semanário Económico e Diário Económico). Uma observação que apresenta surpresas, até agora, não quantificadas. Do livro constam também entrevistas com seis jornalistas ou ex-profissionais da informação que passaram ou ainda estão presentes nas secções de economia, com destaque para o director da Rádio Renascença, Francisco Sarsfield Cabral, o director da RTP2, Jorge Wemans, e o director-adjunto do Expresso, Nicolau Santos. Um inquérito à comunidade jornalística em funções em 2004 e uma conclusão polémica, baseada na apresentação de casos concretos, em que os limites do jornalismo económico são colocados em questão, completam o trabalho.

AUDIÊNCIAS DE TELEVISÃO EM NOVEMBRO


Em Novembro, a TVI obteve 29,1% de share de audiência, a RTP1 26,6%, a SIC 23,6%, a RTP2 5,0% e o vídeo e outros canais 15,7%, segundo os dados da Marktest Audimetria/MediaMonitor agora publicados.

No mês passado, o futebol liderou destacadamente, como nos dois meses anteriores, ocupando dez posições nos principais quinze programas, seguindo-se três programas de informação e duas novelas. Na lista dos 15 programas mais vistos em Novembro, oito foram exibidos pela TVI e sete pela RTP1 (entre os quais, as 4 primeiras posições), programas que marcam o peso da audiência nesses canais, um comercial e outro público.



A quebra da SIC tem alertado os seus dirigentes, razão pela qual Ricardo Costa foi nomeado recentemente director geral-adjunto do canal.

NOVA IORQUE - DE TOPOS A UTOPOS


Realiza-se, no dia 14 de Dezembro, o 2º encontro Nova Iorque - de topos a utopos, na Universidade Católica Portuguesa, uma organização do Centro de Estudos de Comunicação e Cultura.

O programa inclui as comunicações de Alice Trindade (Jacob Riis, How the Other Half Lives: a Fotografia ao Serviço da Homília), Raul Filipe (Central Park - A Arte na Natureza numa Selva de Betão), Vítor Oliveira (Dom Sébastien, Roi de Portugal de Scribe/Donizetti no Carnegie Hall), Klemens Dietering (Nova Iorque - Lugar de Exílio), Lara Duarte (Whitmanian Cityscaping: Escapes to or from the City?), Laura Pires (New York Public Intellectuals), Ana Paula Machado (Em Nome da Liberdade - Facetas de uma Inextricável Dialéctica). Nova Iorque no Cinema, apresentação de estudantes membros do Círculo de Cinema da UCP, e encerramento do encontro e apresentação do projecto Cultural Wars, Public Intellectuals and the Making of Citizenship por Isabel Gil (directora da Faculdade de Ciências Humanas) e Laura Pires (coordenadora da linha de investigação) são outros momentos do programa.

No encontro do ano passado, fiz aqui referências nos dias
19 e 22 de Junho de 2006.

IDA E VOLTA: FICÇÃO E REALIDADE


Até 27 de Abril de 2008 e no piso 0 do Centro de Arte Moderna José Azeredo Perdigão (Gulbenkian), comissariado por Christine Van Assche e com cenografia de Didier Faustino, a exposição Ida e volta: ficção e realidade.


Para a organização,

  • Procura-se com esta exposição reflectir sobre alguns dos modos da utilização da imagem em movimento na cena artística internacional contemporânea. A exposição organiza-se em torno de um conjunto de obras que perspectivam a cultura cinematográfica, seja ela narrativa ou documental. O projecto inclui uma selecção de artistas internacionais que utilizam o vídeo, influenciados pelo cinema, pelo filme de ficção científica, de ficção ou documentário, sem que as fronteiras sejam, no entanto, muito precisas, ou que os limites de género estejam definidos. Uma progressão do mais ficcional para o mais documental é constatada pelo público à medida que for avançando no espaço da exposição. No centro desta selecção, o filme La Jetée de Chris Marker é projectado em loop, na intercepção dessas duas tendências aparentemente opostas, assinalando um ritual de passagem conhecido do público. As obras têm uma relação com a natureza e com a cidade contemporânea, à imagem do que acontece com o próprio edifício do Centro de Arte Moderna, onde estão expostas. A cenografia terá em conta esses aspectos, assumindo por outro lado a especificidade da apresentação de trabalhos audio-visuais (obscuridade, acústica, conforto de visionamento).
Lista de artistas: Laurent Grasso, Rachel Reupke, David Claerbout, Stan Douglas, Melik Ohanian, Chris Marker, Clemens von Wedemeyer, Jordi Colomer, Isaac Julien e Alexandre Estrela.

MIRÓBRIGA - A ANTENA DO ALENTEJO LITORAL


Desde o mês passado que a Miróbriga, rádio com sede em Santiago do Cacém, tem nova grelha de programas e outra imagem sonora. Aos 21 anos de idade assume-se como "a rádio de maior audiência em todo o litoral alentejano".

Para o director de programas, Luís Silva do Ó, um objectivo foi "aumentar o número de horas de emissão directa, com o início das manhãs às 6 horas e com o regresso da magia da rádio feita de noite". A aposta vai para uma rádio de proximidade, com diálogo constante com o ouvinte "e onde as notícias do Alentejo Litoral serão uma prioridade", conclui o mesmo responsável, em comunicado.

Os responsáveis da estação são Luís Silva do Ó (director de Programas), Gonçalo Carvalho (director de Desporto) e Ferrer de Carvalho (director de Informação). A nova imagem sonora foi criada por Nuno Miguel (http://www.myspace.com/djnunomiguel). A estação pode ser escutada em 102,7 MHz (zona de Santiago do Cacém) ou através da internet, com ligação aqui.

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

NÃO ESQUECER


Depois de amanhã, 5ª feira, 6 de Dezembro, primeira sessão do seminário Retrato de Família, de Paula Figueiredo, das 19:00 às 21:00, no Instituto Português de Fotografia de Lisboa. Entrada livre. Certificado de presença no final da segunda sessão.

NARRATIVA FÍLMICA E VIDEOJOGO EM TESE DE DOUTORAMENTO


Retiro da newsletter de Dezembro da SOPCOM:
  • Luís Nogueira, docente na Universidade da Beira Interior, defendeu uma tese de doutoramento intitulada Narrativa Fílmica e Videojogo. Articulações e Dissensões, no dia 30 de Novembro.

    O investigador acredita que é cada vez mais notória a forma como estes universos da arte e do entretenimento se influenciam mutuamente. Avaliar a crescente confluência das áreas dos videojogos e das narrativas fílmicas, quer em termos criativos quer em termos de produção, é uma das possibilidades práticas do estudo realizado.
Outra informação da mesma newsletter dá conhecimento do doutoramento de João Canavilhas, igualmente docente da Universidade da Beira Interior, no passado dia 28 de Novembro na Universidade de Salamanca. Título: Webnotícia: Propuesta de Modelo Periodístico para la WWW.

NOITE DE REIS. DEZ PERSONAGENS E UM CÃO


PELA COMPANHIA PAULO RIBEIRO, A 7 DE DEZEMBRO, ÀS 21:30, NO CINEMA-TEATRO JOAQUIM D'ALMEIDA (MONTIJO).


Confusão, caos, troca de identidade, intriga, amor, luxúria, embriaguês, comportamento desenfreado, artimanha, demência, sedução e lascívia são conjurados pela Leonor Keil na sua interpretação a solo, que dá vida à galeria dos personagens cómicos de uma Noite de Reis, de Shakespeare (informação da organização do espectáculo). Criação de John Mowat e produção executiva da Companhia Paulo Ribeiro.

GRUPO DE PESQUISA HISTÓRIA E COMUNICAÇÃO


Beatriz Kushnir e Mónica Carvalho inscreveram o Simpósio Temático História e Comunicação: Mídias, Intelectuais e Participação Política, no 53º Congresso Internacional de Americanistas, que ocorrerá no Centro Histórico da Cidade do México, México, entre 19 a 24 de Julho de 2009, e cuja temática será: Os povos americanos: mudanças e permanências. A construção da própria identidade num mundo globalizado.

A data limite para apresentação e aceitação de simpósios para o 53º Congresso de Americanistas é 31 de Março de 2008. Caso queira participar, envie até 31 de Janeiro de 2008 a sua proposta com nome, instituição e vínculo, título da comunicação e resumo com um máximo de 500 palavras. Emails de contacto:
bkushnir@uol.com.br e monica.marino@gmail.com.

O Simpósio Temático (ST) iniciou-se na ANPUH (Simpósio da Associação Nacional de História, Brasil) de João Pessoa, em 2003, e também aconteceu na Regional do Rio, em 2006 e na Nacional, em 2007. O ST tem como objectivo principal dar continuidade a sua proposta de constituição de um fórum multidisciplinar que reúna profissionais que refletem os Media enquanto temática – historiadores, cientistas sociais, jornalistas, literatos, etc. Serão privilegiados neste simpósio ensaios acerca da relação de poder nesse universo de conivências – das redacções, rádios, televisões, etc. –, como também nos intercâmbios com a sociedade civil e as esferas de governo.

III ANO DO CONCURSO DE MONOGRAFIA - ARQUIVO DA CIDADE PRÉMIO AFONSO CARLOS MARQUES DOS SANTOS/2008

O projecto Concurso de Monografia Arquivo da Cidade/Prémio Afonso Carlos Marques dos Santos tem como finalidade seleccionar um estudo que tome o Rio de Janeiro como tema, quer enfocando o passado da cidade, na linha do resgate histórico, quer tratando de nossa história mais recente, fornecendo análises e discussões sobre o Rio contemporâneo. Podem ser inscritos trabalhos nas áreas de história, geografia, antropologia, arquitectura, urbanismo, saúde e cultura em geral, desde que entre as fontes consultadas figurem documentos iconográficos,manuscritos ou impressos pertencentes ao acervo do Arquivo da Cidade.

Podem participar no concurso, com trabalho único, brasileiros ou estrangeiros residentes no país e portadores de diplomas de nível superior. Somente será admitido trabalho inédito, redigido em língua portuguesa e o julgamento das monografias competirá a uma Comissão Julgadora, nomeada pela Secretaria Municipal das Culturas.

Em ambas as informações procurar mais detalhes em
História e Comunicação.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

ANTÓNIO SÉRGIO


António Sérgio mostrou muito contentamento por voltar ao Hertz (ondas hertzianas, mas também pela internet, aqui, com um segundinho de atraso); agradeceu a todos e a quem também lhe deu uma mão especial: Ana Cristina Torrão (a sua mulher) e Luís Montez (o director da estação).

A Radar ganhou um mestre, como diziam os animadores da emissora ao longo do dia de hoje. A rádio está mais jovem e inovadora, acrescentaria eu.

Boa sorte ao seu Viriato 25!

COMO APOCALÍPTICOS E INTEGRADOS OLHAM O CONSUMO


Se Lipovetsky (2007: 12) tem uma postura de optimismo - embora moderado - afastando-se das leituras paranóicas do consumo que prevêm o abismo por detrás da abundância e comunicação, Bauman (2007: 77) tem uma definição de “sociedade de consumidores” que não engana: tipo de sociedade que “interpela” os seus membros fundamentalmente enquanto capacidade de consumidores.

De um lado, os integrados (que não questionam a sociedade de consumo); do outro, os apocalípticos, que entendem que os consumidores são seres frágeis nas mãos da sociedade do capitalismo consumista.


A perspectiva de Lipovetsky

Lipovetsky fala em três fases do consumo. A primeira, a do mercado de massa, começou por volta de 1880, com a implementação de infra-estruturas de transportes e comunicações (comboio, telefone) e o fabrico contínuo: em 1914, saíam da fábrica diariamente mil automóveis modelo T da Ford. O surgimento do marketing de massa significou a criação de marcas: Coca-Cola, Procter & Gamble, Kodak. Ao mesmo tempo, na distribuição inventava-se o grande armazém (Printemps e Bon Marché em França, Macy’s e Bloomingdale nos estados Unidos). O grande armazém – de estilo monumental, cúpulas resplandescentes e montras de cor e luz – privilegiariam a rotação rápida de stocks e praticavam preços baixos. Por volta de 1950, nasce a economia de consumo, com produtos emblemáticos da sociedade de afluência: automóvel, televisão, aparelhos electrodomésticos. Melhores recursos sociais, difusão do crédito, modos de vida diferentes (lazer, férias, moda. Juventude, despesa em vez de poupança) (Lipovetsky, 2007: 31). Na terceira fase, a do hiperconsumo (anos 1980 em diante), a aquisição das coisas e as práticas de lazer escapam às lógicas de rivalidade estatutária. À ostentação social de objectos adveio o hiperconsumo sem conflitos e conformista, com uma paixão pelas marcas mas sem fidelidade e a febre da mudança perpétua (Lipovetsky, 2007: 57).

Na segunda parte do livro de Lipovetsky (2007: 131-133), ele fala de prazeres privados, especificando cinco modelos paradigmáticos do prazer e felicidade nas nossas sociedades: 1) penia (pobreza) – as sociedades de consumo assemelham-se a um interminável sistema de estímulos das necessidades que quanto mais prometem a felicidade ao alcance da mão mais causam a decepção e a frustração, 2) dioniso – o cosmos das necessidades sobremultiplicadas é consequência do princípio hedonístico, exacerbação da vida dos sentidos, prevalência dos desejos do desfrutar do prazer aqui e agora, 3) super-homem – reconhece na cultura contemporânea o prolongamento e acentuação dos antigos valores puritanos hostis aos prazeres sensíveis, 4) némesis – a era da abundância não se define tanto pelo clima de ligeireza e benevolência mas por exasperação dos conflitos inter-humanos (Némesis é a deusa que personifica a inveja), e 5) narciso – modelo construído na base da privatização das exigências levadas a cabo pela civilização consumista.

A perspectiva de Bauman

Igualmente partindo de uma perspectiva histórica, Bauman (2007: 79) indica que, no discurso do século XVIII, o consumidor estava praticamente ausente. Mesmo no século XIX, e apesar do incremento das práticas comerciais, publicitárias, técnicas de exposição e das arcadas ou galerias comerciais, arquétipos dos centros comerciais contemporâneos, não houve muitas referências a consumidores. Então, a metade masculina integrava-se como produtores e soldados e a metade feminina como prestadora de serviços. Ora, em contraste com a sociedade de produtores e soldados, a sociedade de consumidores concentra as suas forças de coerção e treino na manipulação do espírito. Cessam estratégias de treino diferenciadas para rapazes e raparigas: o papel de consumidor, diferentemente do papel de produtor, não tem um género específico. Especificando melhor: a sociedade de consumidores não reconhece diferenças de idade ou género nem as tolera nem reconhece distinções de classe.

Na sociedade de consumidores, os “indivíduos” marcados pela sua exclusão são “consumidores falhados”, não podem ser considerados pessoas. Portanto, consumir significa investir na própria pertença dentro da sociedade. Reforçando: o propósito fundamental e decisivo do consumo numa sociedade de consumidores não é satisfazer necessidades, mas converter e reconverter o consumidor em produto, elevar o estatuto dos consumidores em bens de troca vendáveis.

Bauman (2007: 91), entre outros exemplos, chama a atenção para o aparecimento de categorias como o consumismo infantil e a ideia da infância no produto de consumo, ajustando as estratégias de marketing do ponto de vista das crianças, com alteração da perspectiva dos pais. Ou da perda de solidariedade com o aumento da sociedade de consumidores: desaparecem os grupos e cresce o individualismo, sem qualquer vínculo duradouro na actividade de consumir.

Leituras: Bauman, Zygmunt (2007). Vida de consumo. Buenos Aires, México e Madrid: Fondo de Cultura Económica
Lipovetsky, Gilles (2007). A felicidade paradoxal. Lisboa: Edições 70

MARTA MOURA

Marta Moura expõe na Sala do Veado, no Museu Nacional de História Natural (Rua da Escola Politécnica, 58, em Lisboa), a partir do dia 6.


Escreve a autora (de que se vê um detalhe de O insustentável peso da imagem, acrílico sobre tela):

  • O advento da fotografia desencadeou uma das maiores revoluções na criação de imagens, dando origem à passagem do processo manual para o processo mecânico. As transformações da sua produção e reprodução, bem como as possibilidades no domínio digital, potenciaram uma aceleração gradual e uma massificação em níveis nunca antes alcançados. Devido à sua aparente proximidade com a realidade, a imagem fotográfica veio estabelecer uma ligação sedutora entre referente e observador. Esta relação, sustentadora de um ciclo vicioso, ininterrupto e exponencial na dependência do consumo e produção visual, promove e determina as relações das sociedades contemporâneas, conduzindo-as para uma cultura da imagem. Com o tempo, as fronteiras e limites entre verdade e ficção confundem-se. E, com a intensificação da potência da imagem e dos excessos da mediatização, surge também um efeito da banalização, precipitando a experiência humana para uma espécie de dormência do sentir e do pensar.
Para saber mais, procurar em Galeria Luís Serpa.

LIVRO DE ALEXANDRA DIAS


Amanhã, 4 de Dezembro, pelas 17:30, nas instalações da Universidade Lusófona do Porto, é apresentado o livro de Alexandra Dias Lisboa à Noite. A apresentação vai competir a Jorge Bacelar. Quer a autora quer o apresentador são docentes no curso de Ciências da Comunicação e da Cultura daquela universidade.

domingo, 2 de dezembro de 2007

ESTRELA SOLITÁRIA, O FILME DE WENDERS


A crítica não é muito favorável a Estrela Solitária, filme de Wim Wenders (título original: Don't Come Knocking, 2005), com Sam Shepard, Jessica Lange, Tim Roth, Sarah Polley, Marley Shelton. No Expresso, o crítico dá as estrelas ao filme por causa da fotografia (de Franz Lusting), comparando com o Paris Texas, a obra-prima do realizador alemão.


Eu gostei, mas a minha opinião vale pouco (tanto como a do crítico). O filme conta a história de Howard Spence, actor de filmes de westerns com uma vida agitada envolta em álcool e mulheres (as críticas falam em droga, mas não me apercebi disso na história). Um dia, foge da rodagem do filme em que entrava, em Monument Valley, e apanha um transporte (comboio, automóvel, autocarro) até Nevada, subdividindo-se a história em duas: 1) a vagabundagem de Spence, que o leva a casa da mãe (Eva Marie Saint), e até uma antiga amante Doreen, interpretada por Jessica Lange), onde descobre a existência de um filho de ambos, Earl (Gabriel Mann), 2) a perseguição da companhia de seguros que segurava o filme, através de um seu funcionário, acabando por o encontrar e levá-lo de novo às filmagens. No entretanto, descobre igualmente a existência de uma filha, Sky (Sarah Polley), fruto de outra relação ocasional por altura da realização de um western em Butte (Estado de Montana), prestigiada cidade do Mississipi ocidental, entretanto tornada fantasma após uma depressão económica.

Há semelhanças com Paris Texas (1984), literal e metaforicamente (Kathleen C. Fennessy, em
Amazon.com), a começar pela colaboração na escrita da história de Sam Sephard, agora também como actor principal, e ainda na revisitação ao sudoeste dos Estados Unidos. Naquele filme, a história centra-se numa criança que passa da custódia da mãe para o do pai, num percurso ao longo do espaço físico americano. As estradas, longas e desertas, bordejadas por povoações quase abandonadas (um road movie, chamou-lhe Wenders), repetem-se neste filme de 2005. Aqui, é a história de um indivíduo que descobre que é pai após o regresso a um local onde filmara, duas dezenas e meia de anos depois. A relação é violenta com o filho (jovem músico que lembra Chris Isaak) e mais calma com a filha, como se fossem o bem e o mal - ou até, o demónio e o anjo - duas facetas que poderíamos encontrar na personagem do pai. No enquadramento da obra, a música de T-Bone Burnett lembra a de Ry Cooder no filme de 1984. Harry Dean Stanton e Nastassja Kinski, no filme de 1984, cedem o lugar a Sam Sephard e Jessica Lange.

No texto já citado de Kathleen C. Fennessy, ela indica Estrela Solitária como um modelo de western pós-moderno. Mais simpático do que as críticas portuguesas!

ENTARDECER

MÚSICA


Lê-se em reportagem de hoje do El Pais (Madrid) "À medida que cai a venda de discos, cresce anualmente o número de espectadores nos concertos". Isto é: já não se compram discos, mas artistas, em que concertos, direitos e os formatos digitais são os novos filões para a indústria. O tema é A música não se vende mas é um grande negócio (textos de Ramón Muñoz e Guillermo López).

O texto começa desta maneira:
  • Bruce Springsteen, concerto em Madrid, esgotadas as entradas em três horas; Héroes de Silencio, último espectáculo, 240.000 espectadores; Nacha Pop, reaparição em Madrid, 15.000 fãs; Joaquín Sabina e Joan Manuel Serrat vão em três actuações consecutivas no Palau Sant Jordi. Nenhuma entrada destes concertos custava menos de 30 euros. E dizem que a música está em crise? Em 2006, venderam-se em Espanha menos discos (CD) que em 1991. [...] Embora o aumento de preços devido à introdução do euro, o valor das vendas de música caíu 34% desde 2000. E, então, de que vivem os músicos?
A resposta é: nem a música está em crise nem os músicos morrem de fome, mas apenas o negócio mudou. Se não de vendem discos, vendem-se artistas. Em Outubro passado, Madonna rompeu a sua ligação com a Warner Music e assinou um contrato com a Live Nation, uma empresa organizadora de concertos. Esta empresa produzirá os discos de Madonna e montará as suas digressões mas também explorará a sua marca, DVD, projectos cinematográficos, páginas da internet e até os clubes de fãs. É o lote completo [imagens: El Pais, 2 de Dezembro; Público 10 de Outubro].



Vantagens, pergunta-se num dos textos? De modo diverso da discográfica tradicional, o novo sistema permite que o artista se desenvolva. Não se aplica o esquema de tirar um single e ver se funciona ou não; se fosse não, acabava a promoção. Agora é diferente: concertos, direitos de autor (através de DVD, CD, gravações em dispositivos como o mp3 ou os telemóveis, mau grado a pirataria). E também a internet, como o exemplo recente dos Radiohead, com o álbum Rainbows. O texto de João Bonifácio (Público, 10 de Outubro último) começava do seguinte modo:

  • Milhares de melómanos do mundo inteiro recebem hoje nos seus computadores o novo disco dos Radioheads, tendo pago por eles a quantia que acharam justa, inclusivamente zero euros. Não há preço fixo, disco em formato CD só para o ano, não há intermediários. Alguns afirmam que é uma revolução, todos dizem que é um brilhante golpe de marketing, quase todos aceitam que o golpe de marketing feriu de morte a indústria musical tal como a conhecemos.
Vendem-se menos discos mas fazem-se mais downloads e vende-se mais merchandising, escreve João Bonifácio. Dantes, as bandas levavam CD para vender no final do concerto, agora levam t-shirts, de produção mais barata. Ao mesmo tempo que aumenta o número de concertos (e os festivais, em locais de férias de Verão ou urbanos durante o Inverno) e o preço dos bilhetes.

Há ainda uma nova tendência, a dos toques de telemóvel. Muñoz e López referenciam os prémios Nokia Amigo: o maior fabricante de telemóveis empresta o seu nome a um prémio musical, o Amigo, uma espécie de Grammy que dá galardões para músicas de toque de telemóvel e descarga legal da internet. E, se na internet se estabeleceu uma cultura gratuita, nos telefones celulares cada toque custa dinheiro. A Federação Internacional da Indústria Fonográfica (IFPI) estima que, segundo dados de 2006, as vendas de música digital estão nos 10º do mercado, mas projecta uma subida até 25% dentro de três anos.

sábado, 1 de dezembro de 2007

BLOGUES DE MODA DE RUA


Conheci o blogue Lisboa Closet a partir da leitura do artigo de Joana Amaral Cardoso no Público de hoje, intitulado Moda de rua.

A animadora do blogue chama-se Marta. Na mensagem mais recente, datada de 10 de Setembro último, ela escreve: "Neste momento o Lisboa Closet está em actualizaçao: estou a fazer todos os esforços (leia-se procurar patrocínios) para que passe a ser site em vez de blog, e assim introduzir umas novidades".

Já passou algum tempo, entretanto. Não se compreende a suspensão prolongada, pois há boas razões para continuar. O logótipo em cima do blogue, de
Hugo Passarinho, é feliz; a recolha de imagens e os textos a elas associados parece um êxito assegurado. Os links para outros blogues e sítios de moda de rua (Helsí­nquia, Moscovo, Paris, Berlim, Tóquio, Londres, Varsóvia, Madrid_ Barcelona e Munique) inspiram e servem de análise e contraponto do que se faz e veste. Como exercício de reflexão, chamo a atenção para o blogue Cool People (acima identificado como Madrid_ Barcelona): além da fotografia, a identificação de todos os elementos de vestuário e adereços em termos de marcas. As páginas muito coloridas e sedosas das revistas de moda e dos suplementos dominicais dos jornais ficam atrás desta criatividade e quantidade de sítios em termos de combinação de cores e estilos.

Joana Amaral Cardoso propõe ainda outros sítios de moda de rua para espreitar, caso de
Street Confetti, não actualizado desde há mais de um ano, mas com links interessantes (alguns já desaparecidos igualmente): Toronto Street Fashion, londonstreetfashion ou São Paulo Style. Em todos eles, há uma estética que se aproxima das redes sociais como o Hi5 ou o Wayn.com - mostrar uma cultura desinibida, próxima, urbana e jovem. Moda de rua pertencente a tribos urbanas, junta a jornalista do Público.

LEITURAS DE JORNAIS

Expresso ("Actual") - sobre audiolivros,

Público ("Digital") - sobre audiolivros (ou e-books) e moda via blogues.

TIPOLOGIA DE VISITANTES DOS CENTROS COMERCIAIS


Alan Bryman estabelece uma interessante tipologia de visitantes dos centros comerciais, numa escala decrescente de participação: 1) entusiastas, 2) tradicionalistas, 3) passeantes (chama-lhe mesmo os que "pastam"), e 4) minimalistas. Os passeantes (os que "pastam", de grazers) tendem a andar distraidos dentro do centro comercial mas são susceptíveis de comprar.

Embora Bryman não o especifique, a minha interpretação destas categorias é a seguinte: os entusiastas são os que vão e compram com frequência (atingindo mesmo o estado de adictos), os tradicionalistas são os que compram com alguma racionalidade (não se perdem com a oferta) e os minimalistas vão um número reduzido de vezes aos centros comerciais (pertencem à classificação dos que resistem às tentações de sedução de compra nesses espaços de venda).

Fonte: Alan Bryman (2006). The Disneyization of society. Londres, Thousand Oaks e Nova Deli: Sage, p. 153

AUDIOLIVROS

Anteontem, moderado por João Morales (director da revista Os Meus Livros), realizou-se o colóquio sobre audiolivros no Instituto Alemão, em Lisboa. Presentes: Theresia Singer (gerente da Headroom Sound Production, Colónia), Claudia Gehre (directora da Audio Verlag, Berlim) e Oriana Alves (directora de A Boca). No vídeo, excerto da comunicação desta última.

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

ESTUDOS COMPARADOS (2)


Dois livros que merecem ser comparados: os livros editados pela RTP e TVE (Espanha) aquando dos cinquenta anos de actividade da televisão pública nos dois países ibéricos, o português editado recentemente e o espanhol em 2006. Nas duas televisões há marcas comuns: o nascimento da televisão sob ditaduras políticas, o período de ouro da paleo-televisão (sem concorrência) e a conquista das audiências pelos canais privados.


Lê-se no prólogo do livro escrito por Lorenzo Días: "A TVE, juntamente com a RAI e a BBC, é uma das melhores televisões da Europa. [...] A Espanha, graças à Constituição de 1978, colocou-se num lugar de vanguarda entre as grandes potências mundiais. A televisão foi a chave nesta perestroika da sociedade espanhola: fez-nos europeus e à Espanha profunda aplicou um pesado lifting. Se a rádio foi o nosso parque de emoções, a televisão foi o parque de atracções. O século de ouro da nossa televisão foi o compreendido entre 1962 e 1975, quando brilharam os guionistas de luxo".

A televisão espanhola arrancava em 28 de Outubro de 1956, eram 18:15 de domingo, a partir de uma moradia no Paseo de la Habana. Então, em Madrid e nos seus arredores estimava-se haver 600 receptores de televisão. Depois, a venda de televisores disparou em 1960, para ver um casamento real (o dos reis da Bélgica, Fabiola e Balduino), então designado o casamento do século - nas décadas seguintes haveria outros casamentos do século. A informação era controlada pela censura, sem espaço para o jornalismo de análise, estava-se no tempo dos diários tele-falados (1956-1959), em que se realçava a informação vinda da terceira página do diário ABC.

Também em 1956, em Setembro, e num perímetro reduzido à volta da Feira Popular em Lisboa, faziam-se emissões experimentais. O primeiro serviço de notícias e actualidades foi a Revista Mundial. No dia da estreia, apresentou-se um documentário francês e diversos assuntos como o lançamento de um submarino à água, uma peregrinação a Lourdes, aspectos da guerra da Argélia, o funeral do cardeal católico inglês, uma reportagem sobre a visita dos representantes dos jornais e rádios à instalações de televisão na Feira.

Depois, 7 de Março de 1957 era a data oficial das emissões da RTP, já abrangendo as áreas da Grande Lisboa e do Grande Porto (livro de Vaco Hogan Teves; texto condensado de Alexandre Honrado). No mês anterior, a visita da rainha inglesa Isabel II (ainda hoje no poder!) foi uma espécie de prova de fogo da televisão pública nacional. Nessa e nas páginas seguintes pouco se sabe em que condições eram transmitidas as notícias, qual a liberdade de intervenção dos jornalistas. E o autor também não diz que a RTP era das maiores televisões da Europa, como o faz o seu colega espanhol. Apenas se fica a saber que, em 1957, não havia Telejornal mas uma secção de Cinema e Noticiários a trabalhar para um Jornal de Actualidades. Não havia imagens; quando muito, imagens fixas.

Leituras: Vasco Hogan Teves (2007). RTP, 50 anos de história. Lisboa: Rádio e Televisão de Portugal, 431 páginas
Lorenzo Días (2006). 50 anos de TVE. Madrid: Alianza Editorial, 414 páginas

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

GULBENKIAN EM DOIS LIVROS


Foi hoje ao fim da tarde lançado o livro em dois volumes Fundação Calouste Gulbenkian. Cinquenta anos, 1956-2006. No vídeo, o professor António Barreto apresenta os volumes que coordenou.

Com 880 páginas, o livro conta com os seguintes autores (e capítulos): António Barreto (A Fundação Gulbenkian e a sociedade portuguesa), José Medeiros Ferreira (A instituição), (Imagens), António Correia de Campos e Jorge Simões (Caridade), António Pinto Ribeiro (Arte), António Nóvoa e Jorge Ramos do Ó (Educação), Jorge C. G. Calado (Ciência), Kenneth Maxwell (Internacional), (Imagens), João Confraria (Património), (Cronologia).