sábado, 18 de setembro de 2010

DEMITIU-SE MEMBRO DA ERC

Na carta de renúncia de Luís Gonçalves da Silva do cargo de vogal do conselho regulador da ERC (Entidade Reguladora da Comunicação Social), ontem apresentada ao Parlamento e à própria ERC, o demissionário acusa a Entidade de ser, muitas vezes, um obstáculo à liberdade de imprensa.

VIDEOJOGOS 2010

[Texto e imagens de Alexandre Rodrigues, a quem agradeço a amabilidade]

Esta semana, decorreu a conferência Videojogos 2010, no Polo Tagus Park do Instituto Superior Técnico, em Oeiras. O dia inaugural foi dedicado exclusivamente a workshops de cariz técnico e programático na produção de jogos digitais. O segundo dia iniciou-se com a sessão de abertura, onde se comentou qual o futuro da indústria em Portugal e o caminho a seguir, para além da referência à comunidade que faz parte do ecossistema dos jogos digitais: indústria, jogadores e académicos; não esquecendo de abordar a falta de ligação entre estas comunidades.

O primeiro painel de artigos académicos foi marcado pelo tema dos jogos sociais / casuais que são jogados nas redes sociais, em especial o Facebook. Comentando-se que são assentes num processo comunicativo, numa integração social e uma produção de sentidos, mas igualmente, apoiados em competitividade solidária e técnicas especificas de persuasão, ou um regresso à experiência tradicional: potlatch.

Por outro lado, o segundo painel abordou temas totalmente díspares entre si, iniciando-se por uma apresentação do movimento pro-am na indústria dos jogos digitais, concluindo-se que toda a panóplia de artefactos amadores na rede aumenta a permeabilidade do círculo mágico, que é o espaço onde o jogo decorre. Outro artigo apresentou o potencial dos jogos educacionais, revelando que estes devem ser baseados em fantasia, curiosidade e desafio, e o último artigo falava na relação existente entre as TIC e os Idosos na perspectiva que estes melhoram a agilidade mental com a sua utilização.

A sessão da tarde ficou marcada pela intervenção levada a cabo pelo painel da indústria. Inicialmente Luís Ribeiro da PDM&FC comentou a dificuldade de acesso a meios financeiros para a produção de um jogo digital, salientando que o processo de criação de um jogo é muito semelhante ao do cinema. António Saraiva da Biodroid apresentou a estratégia seguida pela sua empresa que consiste em adquirir propriedade intelectual já estabelecida no mercado do entretenimento, em especial dos brinquedos, e adaptá-la ao mercado dos jogos digitais. As vantagens deste método são a desnecessidade de desenvolver um conceito de jogo ou expender um largo orçamento em marketing. O CEO da Real Time Soluctions, Pedro Costa, expôs a dificuldade de relacionamento entre developers e Publisher em todas as plataformas da indústria e a dificuldade de manutenção de uma estrutura larga, existindo assim necessidade de diminuição da estrutura e recurso a outsourcing. Por fim, Sérgio Varanda da Miniclip realçou a falta de bons programadores em Portugal para que a indústria se estabeleça no nosso País.

Para o final do dia estava reservada a demonstração do projecto Kinect da Microsoft, que foi desenvolvido com o objectivo de concorrer com a Nintendo Wii, sendo que o principal factor que as diferencia é a não utilização de comando na jogabilidade.

TODOS

O festival Todos - Caminhada de Culturas regressou ao eixo Martim Moniz-Avenida Almirante Reis, em Lisboa, com circo cigano, uma estrela da canção chinesa, à mistura com fado, e aulas de culinária. Estas decorreram hoje e repetem-se amanhã, no Mercado do Forno do Tijolo, festival de gastronomia como forma de manifestação cultural e partilha de saberes. Famílias da Índia, China, Brasil, São Tomé e Príncipe, Cabo Verde e Ucrânia cozinharam para comensais curiosos de aprender como se fazem os pitéus, comidos com ânimo e vontade de experimentar em casa.

CFP

Call for Papers International Association for Literary Journalism Studies "Literary Journalism: Theoria, Poiesis and Praxis". The Sixth International Conference for Literary Journalism Studies (IALJS-6). Université Libre de Bruxelles, Département des Sciences de l'Information et de la Communication (SIC), Brussels, Belgium. 12-14 May 2011.

The International Association for Literary Journalism Studies invites submissions of original research papers, abstracts for research in progress and proposals for panels on Literary Journalism for the IALJS annual convention on 12-14 May 2011. The conference will be held at the Département des Sciences de l'Information et de la Communication (SIC) at Université Libre de Bruxelles in Brussels, Belgium. Information on previous annual meetings can be found at http://www.ialjs.org/?page_id=33.

LUÍS GARLITO

Recordou hoje memórias de programas, produtores e cantores e actores da rádio na Antena 1.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

ALÔ SÉRVIA

Gostava de saber quem me lê na Sérvia. Quer nas estatísticas da Blogger quer nas do extremetracking.com, a Sérvia aparece numa das quatro primeiras posições em termos de países leitores do blogue.

INDICADORES DE PLURALISMO NOS MEDIA

Colóquio no Palácio Foz (Restauradores, Lisboa) no dia 29 de Setembro, às 9:30.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

CIDADES - 5

Escreve Zygmunt Bauman que as áreas habitadas conhecidas como urbanas e chamadas cidades caracterizam-se por forte densidade de população e elevadas taxas de interacção e comunicação.

Dos tempos antigos, como na Mesopotâmia, à idade média, os limites das cidades eram definidos por valas e muralhas, defesas contra inimigos, contra os "outros". A cidade era o lugar seguro.

Hoje, recapitula Bauman, há uma curiosa alteração no papel histórico da cidade e um desafio claro às intenções originais dos construtores das cidades e às expectativas dos seus habitantes. Aponta mesmo uma inversão milenar da relação entre civilização e barbárie, com o terror e a violência a instalarem-se na cidade. Ou seja, as fontes de perigo vieram para dentro da cidade e ameaçam permanecer. Misturam-se amigos e inimigos, nós e os outros, sobretudo os estranhos ganham espaço. A guerra contra a insegurança, e em particular contra os riscos e perigos para a segurança pessoal, encontram-se dentro da cidade. Por isso, surgem novas trincheiras: acessos intransponíveis e armados, edifícios em condomínios fechados, com vigilância electrónica.

Separar e manter distâncias - eis a estratégia mais habitual na luta urbana pela sobrevivência.


Leitura: Zygmunt Bauman (2007). Tiempos liquidos. Vivir en una época de incertidumbre. Barcelona: Tusquets, pp. 103-105

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

HISTÓRIA DA VIDA PRIVADA

No dia 22 de Setembro, pelas 18:30,no Centro Cultural de Belém, sala Almada Negreiros, em Lisboa, vai ser lançada a obra História da Vida Privada em Portugal, dirigida e apresentada por José Mattoso. São quatro volumes.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

GASTRONOMIA EM LISBOA

Nos dias 18 e 19 deste mês, das 10:00 às 14:00, no Mercado do Forno do Tijolo, em Lisboa, o projecto Todos - Caminhada de Culturas promove um festival de gastronomia como forma de manifestação cultural e partilha de saberes. Famílias da China, Índia, Ucrânia, Brasil, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe vão mostrar as suas tradições culinárias.

Miguel Abreu, pordutor, encenador e actor, fundador da Cassefaz, tendo sido responsável pelo teatro Maria Matos, programador do CCB e da Faro Capital Nacional da Cultura, é actualmente director do Todos - Caminhada de Culturas, evento que envolve as comunidades residentes nos bairros da Mouraria, Almirante Reis, Intendente e Anjos. Pergunta ele: "o Martim Moniz é um território ou um não-lugar? Território geográfico, sem dúvida. Mas como é que a cidade quer assumir esse território? Quais os preconceitos que aquele território desperta nos restantes lisboetas"?

[a partir da Agenda Cultural de Lisboa, Setembro de 2010]

EXPOSIÇÃO - AURÉLIO DA PAZ DOS REIS: VISTAS DO SÉCULO XX

"Cineasta, comerciante, revolucionário", como lhe chamou Videira Santos, Aurélio da Paz dos Reis (1862-1931) distinguiu-se igualmente como fotógrafo, tendo produzido um conjunto muito significativo de imagens, retratos e reportagens "movimentadas" da sociedade portuguesa do início do século XX e que hoje, graças à perseverança do seu filho e do seu neto na preservação deste espólio, se encontram à guarda do Centro Português de Fotografia. A partir dos negativos originais que integram o espólio de Aurélio da Paz dos Reis, foram produzidas novas provas em 1996, destinadas à exposição comissariada por Teresa Siza e inaugurada na Casa das Artes (Porto) por ocasião das Comemorações do Centenário do Cinema. São essas impressões recentes que estão presentes até ao final do mês de Outubro na Cinemateca Portuguesa.

AUDIÊNCIAS

A CAEM convidou as empresas Marktest, Kantar Media/TNS, GFK, AGB Nielsen e Euroexpansão para o concurso do novo sistema de audimetria, enviando cartas com informação sobre o caderno de encargos (especificações técnicas e projecto de contrato). Espera-se que as empresas indiquem o seu interesse ainda esta semana. No fim de Outubro, a CAEM deverá receber as propostas, com o objectivo de ter o fornecedor e o novo sistema de audimetria até Dezembro. O contrato, com práticas internacionais, tem a duração de cinco anos [Meios & Publicidade de hoje].

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

VIDEOJOGOS 2010

Nos próximos dias 15 e 16 deste mês, no Taguspark, em Oeiras, realiza-se o evento Videojogos 2010. Sobre aquela indústria cultural, o Expresso do passado sábado dedicou aos videojogos as duas páginas centrais do caderno de economia. O potencial da indústria cultural é grande, pois a nível mundial gera mais receitas que o cinema e a música juntas.

Falta ainda um cluster de videojogos no país, mas a criação da Sociedade Portuguesa para as Ciências dos Videojogos, a montagem de um estúdio da Miniclip na zona onde se realiza o evento desta semana e a criação do primeiro laboratório de entretenimento da Sony na LXFactory em Lisboa são bons indícios. No total, diz o jornal, o sector dos videojogos no país emprega uma centena de pessoas com perfil criativo e técnico. A grande maioria das empresas são microempresas com uma a duas pessoas cada, embora outras dêem emprego a dezenas de colaboradores. Os investimentos por jogo podem ir de 20-65 mil euros a um milhão de euros.

Empresas referidas no Expresso: Biodroid, Seed Studios, Gameinvest, PDM, Real Time Solutions, Vórtix e Tapestry Software.

A CULPA NÃO É MINHA - OBRAS DA COLECÇÃO ANTÓNIO CACHOLA

Exposição hoje inaugurada no CCB, Lisboa.


  • Apresentar uma exposição a partir de obras provenientes de uma colecção é tomar de empréstimo a geografia imaginária do coleccionador que as reuniu com paixão e obstinação (Eric Corne, comissário da exposição)

NOVO DIRECTOR DO EXPRESSO

A partir de Janeiro de 2011, Ricardo Costa substitui Henrique Monteiro à frente do jornal Expresso. Monteiro vai assumir o cargo de administrador não executivo da Impresa e a direcção e coordenação editorial da área de novas plataformas. “O Grupo Impresa está absolutamente convicto de que o futuro da imprensa passa, em grande medida, pelo inevitável crescimento das plataformas móveis, dos tablets em geral e do ipad em particular. Acredita pois, que é sua obrigação definir uma estratégia de crescimento para os próximos anos que seja coerente com esta visão, não hesitando em investir meios nem em alocar os seus melhores recursos à sua eficaz prossecução” (notícia do Público on line).

MEDIÇÃO DE AUDIÊNCIAS

A CAEM arranca hoje com o concurso para o novo sistema de medição de audiências de televisão, com a entrada da televisão digital terrestre. Segundo a newsletter da Meios & Publicidade, são quatro empresas a concorrer: Marktest, Kantar Media/TNS, GFK e AGB Nielsen. O actual sistema de audimetria está em vigor desde 1998 e é da responsabilidade da Marktest. Este é o quarto concurso de medição de audiências de televisão em Portugal. O primeiro fornecedor foi a Ecotel, o segundo a AGB e o terceiro a Marktest.

domingo, 12 de setembro de 2010

NOVO SÍTIO DA REVISTA COMUNICAÇÃO E CULTURA

A Comunicação e Cultura, revista do Centro de Estudos Comunicação e Cultura (CECC), tem um novo sítio (Comunicação e Cultura), onde se podem consultar os volumes editados, descarregar gratuitamente os artigos publicados e conhecer os call for papers dos próximos números. A revista convida ainda todos os interessados a proporem artigos, sujeitos a blind peer review, no âmbito dos temas agendados e noutros que se enquadrem na temática da Comunicação e Cultura.

RÁDIO CLUBE DE MONSANTO - 25 ANOS DE EMISSÕES


O livro 25 anos consigo. História duma rádio de proximidade (2010) indica a data de 8 de Junho de 1985 como o começo das emissões da Rádio Clube de Monsanto. A alma do projecto foi e é Joaquim Fonseca, professor do ensino secundário e antigo colaborador da Rádio Altitude. O primeiro emissor foi construído pelo rádio-amador CT1BJS, Reinaldo Pedro Ramos Serra.

Em carta dirigida ao presidente da câmara municipal de Idanha-a-Nova, a que Monsanto pertence, Joaquim Fonseca informava das emissões experimentais nesse dia e no dia seguinte, afirmando haver regularidade de emissões a partir de Agosto seguinte com um emissor a funcionar nos 102,5 MHz, ligado à Casa do Povo de Monsanto. Como se pode ler no volumoso livro sobre a história da estação, uma carta dos CTT (3 de Dezembro de 1985) respondia não poder autorizar a montagem do emissor, dada a ausência de legislação sobre o assunto (radiodifusão), motivo de grande discussão nesse período. Os CTT enviariam o pedido para a Secretaria de Estado da Comunicação Social. No começo de 1986, a estação apetrechava-se tecnicamente, nomeadamente a modificação do emissor de 2 para 20 watts e a instalação de uma torre de 15 metros, num total de mais de 370 mil escudos, valor muito elevado na época.

Em Abril de 1987, Joaquim Fonseca e outros amigos fundavam uma cooperativa para consolidar o projecto da rádio e o ideal da promoção social e cultural da região. Um testemunho publicado no livro menciona o valor de oito mil contos o total do investimento na rádio naquela altura. Outro testemunho assinala a estrutura da programação: gravações com contos, versos, vozes e instrumentistas da região.

Da correspondência inserida no livro, sabe-se que a rádio encerrou em 24 de Dezembro de 1988. Muitas vozes locais pugnaram pela reabertura, invocando a utilidade pública da estação como principal razão para a sua manutenção, como o presidente da câmara de Idanha-a-Nova e o actor e autor Fernando Curado Ribeiro. As páginas 87 e seguintes do livro historiam os actos mais importantes da emissora entre 1985 e 1988.

Com data de 24 de Maio de 1989, Joaquim Fonseca anunciava a abertura de um novo emissor, em 98,7 MHz, a funcionar entre as 15:00 e as 24:00, já perfeitamente legalizado. Seguir-se-ia uma angariação de novos sócios para apoiar a iniciativa. A potência do emissor seria de 26 watts. O alvará da Direcção-Geral da Comunicação Social aprovava a emissora desde que esta não emitisse acima de duas horas de publicidade.


[obrigado à família Martins pelo exemplar do livro]

ASTÚRIAS

sábado, 11 de setembro de 2010

OBITEL 2010

Obitel 2010 - Convergências e transmidiação da ficção televisiva, com coordenação de Maria Immacolata Vassallo de Lopes e Guillermo Orozco Gómez, foi publicado recentemente pela GloboUniversidade, do Rio de Janeiro.

Trata-se do livro anuário, de que já tenho aqui escrito sobre edições anteriores, que analisa a ficção televisiva em países de línguas ibéricas em 2009: Argentina, Brasil, Chile, Espanha, Estados Unidos (nomeadamente o estado da Florida), México, Portugal, Uruguai e Venezuela (país que entrou agora). A coordenação internacional do projecto está a cargo de Immacolata Lopes e Guillermo Orozco. Há edições anuais desde 2007, a cargo do Observatório Ibero-Americano da Ficção Televisiva (Obitel), criado em 2005. Foram analisados programas de 56 televisões abertas, privadas e públicas.

As acções metodológicas do anuário são as seguintes: 1) monitorização sistemática dos programas de ficção em cada país, 2) produção de dados quantitativos comparáveis (horários, programas, número de capítulos, índices, perfil da audiência, temas centrais da ficção), 3) identificação de géneros e formatos e seus fluxos, 4) análise das tendências da ficção, 5) publicação do anuário, de que o último livro é o exemplo. As secções do anuário são fixas: 1) contexto audiovisual do país, 2) análise da ficção inédita, 3) dez títulos mais vistos, 4) mais destacado do ano (produção, níveis elevados de audiência ou fracasso, impacto social, inovação ou significado no mercado), 5) tema do ano. No presente anuário, o tema foi transmedia storytelling, o que quer dizer: proliferação das narrativas ficcionais televisivas em diferentes meios (cinema, internet, televisão, telemóvel, DVD, videojogos), plataformas (televisão de sinal aberto, por cabo e satélite) e formatos (telenovela, série, minissérie, obra de teatro, espectáculo ao vivo), com acompanhamento de fãs que, a partir do que vêem, procuram criar narrativas próprias, rompendo com a dualidade entre emissores e receptores.

Na análise, os investigadores concluem pelo aumento da oferta anual de horas de ficção, com o Brasil em primeiro lugar (5351 horas), seguindo-se o México (4389 horas), Portugal (4075 horas) e Argentina, responsáveis por 50% do universo, pelo que foram designados os grandes produtores. Em termos de número de títulos de telenovela, a Argentina está à frente, ao passo que o Brasil é o país com mais telenovelas produzidas. A telenovela é o formato prevalecente. Quanto a séries, a Espanha lidera, seguindo-se Portugal. O telefilme é um formato quase só existente no Chile. Em termos de coproduções internacionais, a Espanha ficou à frente, seguindo-se o Uruguai e a Argentina, com Portugal a não ter nenhum papel neste tema. Dos nove países analisados, sete concentram a ficção nacional no horário nobre, grupo em que Portugal se inclui. Dos títulos mais vistos, o Brasil lidera, o que não é anormal dada a gigantesca dimensão do país: dos dez primeiros, só dois é que não são brasileiros, um do Chile e outro da Argentina. Os primeiros programas portugueses de ficção mais vistos aparecem em 33º lugar, a telenovela Feitiço de amor, da TVI (Fealmar), com 15,6% de audiência e 50,2% de share, e 36º lugar, a telenovela Meu amor, igualmente da TVI (Fealmar), com 15,4% de audiência e 43,2% de share. O mesmo canal português colocaria Equador em 44º lugar, Deixa que te leve em 45º, Flor do mar em 54º, Sentimentos em 55º, aparecendo o primeiro programa da RTP em 57º lugar, Vila Faia. Morangos com açúcar, uma série juvenil da TVI, aparece em 68º lugar na lista dos programas mais vistos a nível dos nove países analisados.

O anuário dá conta da pouca circulação entre países da produção ficcional, pois apenas 22 das 84 ficções mais assistidas foram vistas além do país produtor (26%). A Argentina foi o maior exportador (oito) em termos de ficções mais assistidas. Os eixos narrativo-temáticos da telenovela mantêm-se: amor/ódio, relações femininas, traição, vingança e drama de identidade. Há uma abertura ao tema diversidade sexual, um aumento de temas políticos e económicos ligados ao poder, enquanto a questão da natureza racial aparece apenas representada no Brasil e em Portugal. A crise financeira global tem repercussão nas temáticas da telenovela e o crime organizado e a violência reflectem-se em telenovelas do México e dos Estados Unidos. A violência social fez parte também das histórias das telenovelas em Portugal.

O perfil da audiência da ficção nos países estudado mantém-se: género feminino, idade adulta, classe média para baixo. Mas há registo de mudanças nos comportamentos do género masculino e entre a audiência juvenil. As inovações tecnológicas em 2009, como a digitalização, tiveram impacto, nomeadamente com a inovação nos critérios industriais e estéticos da ficção. O Uruguai, por exemplo, voltou a produzir ficção, ao passo que a Argentina aumentou a produção e os Estados Unidos reduziram (aqui a Televisa ficou com a maior parte da produção para língua hispânica). Outro fenómeno é a concorrência na produção de ficção entre canais públicos e privados, ganhando aqueles algum protagonismo num território que tem sido dos canais comerciais.

A equipa portuguesa que investigou e escreveu o capítulo respeitante ao nosso país foi constituída por Isabel Ferin Cunha (Universidade de Coimbra), Catarina Duff Burnay (Universidade Católica Portuguesa) e Fernanda Castilho (Universidade de Coimbra).

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

EXPOSIÇÃO DE OBRAS DA COLECÇÃO ANTÓNIO CACHOLA

A exposição A Culpa Não É Minha — Obras da Colecção António Cachola é inaugurada dia 13 de Setembro, segunda-feira, às 19h30, no Museu Colecção Berardo. Opening of the exhibition A Culpa Não É Minha — Works from António Cachola Collection on Monday, the 13th of September, at 7.30 pm. Vernissage de l’exposition A Culpa Não É Minha — Oeuvres de la Collection António Cachola le lundi 13 septembre, à 19h30.

A Colecção António Cachola em depósito no MACE, Museu de Arte Contemporânea de Elvas, desde 2007, é apresentada agora pela primeira vez em Lisboa. Confrontando o entendimento das diferentes linguagens e tempos através de uma selecção de uma centena de obras, o comissário Eric Corne procura dar a conhecer a sua perspectiva do panorama artístico contemporâneo português por via desta emblemática colecção iniciada em 1990 e que conta já com cerca de 400 obras. Exposição patente até 9 de Janeiro de 2011. Exposição em colaboração com a Câmara Municipal de Elvas.

NÚMERO MAIS RECENTE DA REVISTA JORNALISMO & JORNALISTAS

O tema principal tem o título Especificidade do serviço público de televisão num contexto de fragmentação dos públicos e de multiplicação de plataformas, assinado por Estrela Serrano (vogal do Conselho Regulador da ERC), texto apresentado em Março no Encontro de Reguladores Ibéricos de Comunicação Social. O texto divide-se em seis pontos: introdução, modelo histórico do serviço público de televisão, dilemas da televisão pública, serviço público de rádio e televisão no país, desafios da televisão pública num contexto de fragmentação dos públicos e de multiplicação de plataformas, conclusão. Dos desafios colocados ao serviço público de televisão, a autora especifica os seguintes: ser economicamente viável, desenvolver parcerias com entidades públicas e privadas, conhecer as necessidades e desejos dos cidadãos e procurar uma programação que lhes corresponda, diversificar conteúdos para segmentos específicos de públicos, ser capaz de convencer os decisores políticos de que possui valor adicional e alternativo à televisão comercial, chegar aos cidadãos em especial nos media interactivos, oferecer excelência, inovação e risco.

Uma entrevista a Alberto Dines, que escreve sobre os jornais desde 1975, por Maria da Paz Treffaut, um texto de análise da relação entre media e poder económico, por Cláudia Lamy (a ler atentamente) e os registos de um debate no Chapitô sobre jornalismo no feminino (e no masculino), por Carla Martins, e de uma conferência internacional sobre jornalismo no Porto, por Ana Jorge, bem como a notícia dos prémios Gazeta 2009, constituem o leque principal do número da revista Jornalismo & Jornalistas.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

SOBRE TELEVISÃO

Passione! A indústria da telenovela no balizamento entre o merchandising social e o comercial, de Jacqueline Lima Dourado. Escreve esta docente da Universidade Federal do Piauí – UFPI: "As emissoras de televisão, enquanto indústrias culturais, desenvolvem processos estratégicos desenvolvidos que estão relacionados, muitas vezes, com temas ou questões que se reportam a situações enfrentadas por uma sociedade em diferentes domínios. Esses atuam desde a coletividade, no campo educacional, político, religioso, tecnológico e ambiental, como na esfera individual, em relação ao comportamento, práticas urbanas, solidariedade, usando para isso táticas de merchandising social, protagonismo social e marketing social".

TAPEÇARIAS DE PASTRANA

Escrevi no passado dia 3 sobre o texto de Eduardo Cintra Torres no Público, onde apreciou as tapeçarias de Pastrana, encomendadas pelo rei Afonso V, panos de armar com quatro metros de altura e 10 de largura. Cintra Torres, que as comparou a grandes acontecimentos mediáticos através da visão dos conquistadores, fez-me agora chegar imagens das obras, uma tirada durante uma visita guiada e outra com o pormenor de uma delas.

GRAFFITI EM PRAGA


[cortesia de PCS]

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

JORNALISMO E MEDIA

Do jornalismo aos media. Estudos sobre a realidade portuguesa saiu hoje para as livrarias. O autor congratula-se com a publicação pela Universidade Católica Editora numa nova colecção, com os apoios do Centro de Estudos de Comunicação e Cultura da UCP e da Fundação para a Ciência e para a Tecnologia (279 páginas). Lê-se na contracapa:

O livro tem capítulos sobre história do jornalismo e dos media (imprensa, rádio e televisão) em Portugal, digitalização e novos media (edição, blogues e videojogos). Destaques para a análise do jornalismo na passagem do século XIX para o XX, sobretudo do percurso profissional de vários jornalistas com notoriedade no panorama cultural da época, a história dos primeiros dez anos do canal televisivo SIC e a análise de congressos dos partidos políticos através das notícias da televisão. A história, a sociologia do jornalismo e a etnografia, com recurso a análise de conteúdo e observação participante, foram as ciências convocadas para estes textos. Outros capítulos reflectem a investigação do autor sobre tendências e mutações dos media nacionais nos últimos 35 anos.

VIAJAR - EXPOSIÇÃO

Viajar é uma exposição integrada nas comemorações do centenário da República. O catálogo tem textos de diversos investigadores, além das interessantes imagens fotográficas, núcleo forte da própria exposição.

Escreve Maria Alexandre Lousada que a história do turismo em Portugal continua por fazer. A investigadora indica que o termo para identificar o viajante ainda usado no começo do século XX era grafado como touriste, aquele que fazia um tour. A origem aristocrata dava lentamente lugar às viagens e estadias de massa. Hotéis, termas, estradas, comboios e guias de viagem faziam parte dos artefactos e da realidade nova. Os guias do escritor Ramalho Ortigão, publicados em 1875 e 1876, identificam gostos e locais de veraneio. O escritor aponta, por exemplo, a Granja (entre Porto e Espinho), cujas primeiros edifícios começaram a erguer-se após a construção da linha ferroviária. A praia enchia-se no Verão e ficava despovoada após passar essa estação do ano. Na mesma década, Bordalo Pinheiro fazia caricaturas representando os tipos de banhistas: o nadador, o alferes, o forte, as meninas para casar.

Além da referida acima Granja, outras praias ganharam notoridade junto aos grandes aglomerados urbanos graças ao caminho de ferro, como Estoril e Cascais, escrevem noutro texto Carlos Cardoso Ferreira e José Manuel Simões. O Manual do Viajante em Portugal, logo na sua primeira edição em 1907, incorpora um mapa da rede de linhas ferroviárias. Nasciam o excursionismo, novos entretenimentos e motivos de cultura e espaços de terapias para os males da saúde. O casino do Estoril tem razão de ser nesse vaivém turístico, do mesmo modo que as termas da Curia e outras. A inovação dos transportes foi outro elemento essencial, caso do navio para levar passageiros à Madeira, como escreve Benedita Câmara.

Acabo com uma referência do texto de Eduardo Brito Henriques e Maria Alexandre Lousada sobre a ocupação de um dia na Foz do Douro em finais da década de 1880: se começava com um banho matinal, a tarde era ocupada pelo passeio, andar em burro e nos piqueniques e à noite ia-se ao clube. Já em Cascais, além do também banho matinal, a preguiça tomava conta dos touristes à tarde, a que se seguiam partidas de ténis e um "chásinho reconfortante das cinco horas". Ao domingo, as senhoras  e os cavalheiros vestiam-se de "toilette" e passeavam no jardim e no passeio marítimo então desigando "esplanada". E ainda havia representações teatrais, corridas de cavalos e regatas.

domingo, 5 de setembro de 2010

CONFERÊNCIA DE ANTONIO NEGRI

Antonio Negri estará em Lisboa na próxima quarta-feira, dia 8 de Setembro, às 18:15, no Museu da Electricidade, para dar uma conferência intitulada "Entre povo e multidão, o comum", encerrando o seminário Como se Faz um Povo, integrado na Exposição Povo-People e cujo programa poderá ser aqui consultado. A conferência de Negri - de entrada gratuita - tratará, entre outros temas, das diferenças e continuidades entre os conceitos de povo e multidão, mas incidirá igualmente sobre a ideia do comum, que, aliás, é um elemento central no último livro de Negri e de Michael Hardt, Commonwealth, recentemente publicado e que completa a trilogia iniciada com Império e prolongada com Multidão.

Ana Pimentel expõe em Amarante

Com o título Amar-te a vida inteira, Ana Pimentel inaugurou ontem uma exposição no museu municipal Amadeu Souza-Cardoso, em Amarante, e que pode ser vista naquele espaço até 31 de Outubro de 2010.

Pinturas, colagens, instalação, os trabalhos de Ana Pimentel representam o colorido e a alegria de viver, com figuras geométricas dentro de uma artesanalidade acentuada (materiais prontos a ser reutilizados com uma activa componente estética e lúdica), e que se reclamam da herança da cultura tradicional portuguesa, como o folclore, o bordado, o ferro forjado, o azulejo. Como disse o professor António Cardoso, director do museu e que fez a apresentação, a obra da pintora liga e religa, usa os espelhos como lagos de jardim ou reflexos de alma, um décor de fingimentos e memórias, uma permanente relação entre a natureza e o artifício.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

UMA CAPA DE JORNAL

O que domina a actualidade mediática portuguesa de hoje é a divulgação do acórdão do tribunal que julga o processo Casa Pia (pedofilia) há cerca de oito anos. Não vi ainda televisão, mas haverá um corropio de imagens do julgamento mais mediático em Portugal, tema triste e lamentável. A capa do Público de hoje reserva a parte superior ao regresso de Alexandra Lencastre ao teatro, para interpretar Blanche DuBois na peça de Tennessee Williams, Um eléctrico chamado desejo. Dentro do jornal, Eduardo Cintra Torres escreve sobre as tapeçarias de Pastrana, encomendadas pelo rei Afonso V, panos de armar com quatro metros de altura e 10 de largura, e compara-as a grandes acontecimentos mediáticos com a visão dos conquistadores (quando lá foi, o blogueiro teve muita vontade de tocar os panos com os dedos).