terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Rogério Nuno Costa

No dia 19 de Janeiro, a conversa é com Rogério Nuno Costa, oportunidade para se conhecer o artista, investigador e curador, falar sobre a persona Chef Ró e ficar a saber o que é a Cozinha Conceptual (marca registada).

As Conversas no Tanque realizam-se na 1ª e 3ª quinta-feira de cada mês, pelas 21:45, com constância quinzenal, no Largo da Senhora-a-Branca, 23, em Braga.

Rádio - resultados da 4ª vaga de 2011, segundo a Marktest

O Bareme da Marktest para a 4ª vaga de 2011 revela uma audiência de 35,7% do grupo r/com (Renascença), 29,1% do grupo Media Capital, 4,8% da TSF e 11,5% do grupo RDP. Por rádio, a RFM continua a liderar (19,9% de audiência), seguida da Comercial (15,6%) e da Renascença (10,3%). O conjunto de outras rádios alcança 17,3%. Na 4ª vaga de 2010, a RFM tinha 21,8% de audiência, a Comercial 12,7%, a Renascença 11,9% e as outras estações 18,1%.

História do Rádio Clube Português (2)

Ler em http://industrias-culturais.hypotheses.org/19599.

Postais ilustrados

Realiza-se no dia 23 de janeiro, na Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva, em Braga, o lançamento da obra Portugal Ilustrado em Postais, cuja autoria pertence a Moisés de Lemos Martins, Madalena Oliveira, Albertino Gonçalves, Miguel Bandeira, Helena Pires e Maria da Luz Correia. A apresentação está agendada para as 18:00, a cargo de Henrique Barreto Nunes, ex-diretor da Biblioteca Pública de Braga e atual vice-presidente do Conselho Cultural da Universidade do Minho. A publicação corresponde a um conjunto de seis brochuras reunidas numa caixa de arquivo e resulta de um projeto de investigação financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia. Com o objetivo de refletir sobre a cultura visual contemporânea a partir do postal ilustrado, o projecto analisa o contributo do cartão postal para a história dos media modernos.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

A rádio informativa segundo o investigador João Agostinho

Hoje, na Universidade Católica Portuguesa, João Agostinho defendeu o relatório de estágio que lhe conferiu o grau de mestre com o tema A internet na redação da rádio TSF (ver vídeo abaixo, onde sintetizou o trabalho). O trabalho partiu de um estágio que fez na redação da TSF durante o período de janeiro a maio de 2011 (ver o texto completo em http://industrias-culturais.hypotheses.org/19557).

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

História do Rádio Clube Português

A revista Antena (1965-1969), propriedade do Rádio Clube Português (RCP), a estação de rádio privada portuguesa mais importante na década de 1960, publicou em quase vinte números a história da emissora, em especial as primeiras décadas. Maior ênfase seria colocada na participação da estação quanto ao apoio aos sublevados de Francisco Franco na guerra civil de Espanha (1936-1939), tomando nítido partido por um dos lados do conflito. Essa história do RCP começaria no número 4, de 15 de Abril de 1965, de que aqui deixo reproduzidas as quatro páginas (pp. 41-44) (vou procurar editar todos os artigos como foram publicados na revista ao longo dos próximos tempos). Ver as páginas todas em http://industrias-culturais.hypotheses.org/19532.

 

sábado, 7 de janeiro de 2012

Estruturas dos media

O Gabinete para os Meios de Comunicação Social (GMCS) já fez publicar os apoios financeiros a livros em comunicação social respeitantes ao segundo semestre de 2011, como se pode ver aqui. O texto Os dias dos Média – uma análise de estruturas organizativas vai finalmente conhecer a luz do dia. Agradeço publicamente a participação de Rute Caldeira, Bernardo Mata, Isabel Campos, Melissa Marques, Sara Vidal, Ana Rita Nascimento e Ana Luísa Branco, todos alunos que terminaram mestrado na Universidade Católica em ciências da comunicação e que, nesse texto, dão conta dos seus trabalhos de investigação em redacções e estruturas de media no país (imprensa, rádio, televisão e internet). Agora, espero alegremente os dias da revisão de provas e o cheiro de tinta nova em papel.

Um Filme Português

De Levi Martins, Vítor Alves, Miguel Cipriano, Jorge Jácome, Vanessa Sousa Dias e Carlos Pereira, Um Filme Português (104 minutos) vai ser apresentado no próximo dia 30 de Janeiro pelas 21:30 na Cinemateca Portuguesa (sala Dr. Félix Ribeiro).

Trata-se de um "documentário colectivo composto por seis segmentos de 17 minutos que integra entrevistados de várias gerações, de Paulo Rocha a João Salaviza, procurando reflectir sobre um país, e o seu lugar no mundo, através do cinema: quais são, hoje, as principais características do desenvolvimento de projectos para cinema em Portugal? O que pensam os realizadores, produtores, críticos cinematográficos e programadores sobre o cinema Português? Que conclusões tirar das suas opiniões, relatos de experiências e análises da situação contemporânea? Este documentário é um dos conteúdos produzidos no âmbito do projecto de investigação Principais tendências no cinema português contemporâneo (Main Trends in Portuguese Contemporary Cinema), desenvolvido no Centro de Investigação em Artes e Comunicação (CIAC), sediado na Escola Superior de Teatro e Cinema e na Universidade do Algarve, e apoiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia. Financiado pelo Instituto do Cinema e do Audiovisual (via concurso ICA - Ensino Superior) e produzido em 2011" (informação prestada pelos responsáveis do documentário, que estreou a 28 de Outubro de 2011, no IX Festival Internacional de Cinema - doclisboa 2011).

Durante cerca de dois anos e meio de trabalho, a equipa de investigadores permanentes e convidados entrevistaram realizadores e produtores, portugueses ou trabalhando em Portugal, e representantes de exibidoras e de distribuidoras com o objectivo de identificar padrões comuns no desenvolvimento de projectos cinematográficos. Daí, nasceu o dossiê Novas & Velhas Tendências no Cinema Português Contemporâneo, com textos introdutórios, ensaios monográficos e conclusões relativas ao tema principal, disponível online (www.ciac.pt, http://biblio.estc.ipl.pt/ e http://www.rcaap.pt/) e com edição em papel prevista para 2012 (editora Gradiva). Ver mais aqui.

 

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Telecomunicações portuguesas

Em Janeiro de 1992, há vinte anos, publicava o livro História das Telecomunicações em Portugal, 1877-1990. Contributos para a sua Compreensão, em edição da empresa Telefones de Lisboa e Porto (mais tarde englobada na Portugal Telecom). A ligação para o ficheiro completo do livro,de 262 páginas a cores e com imagens, está aqui. Não sei onde guardei o ficheiro electrónico do texto, pelo que para extrair uma parcela dele tenho de voltar a escrevê-la, processo trabalhoso num tempo de computadores e internet. Recordo a alegria de ver a dupla capa, pois por baixo desta há uma capa de cor cinzenta, dura e com cadernos cosidos, e as provas de texto e imagens numa tipografia na avenida Infante D. Henrique (Lisboa), ainda o pavimento da rua era de paralelepípedo, muito antes das melhorias introduzidas pela Expo'98. Ler o texto todo aqui.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

O poder da voz na comunicação para Maria Helena Falé

O poder da voz na comunicação: deliberações do provedor do ouvinte foi a dissertação apresentada por Maria Helena Falé na Escola Superior de Comunicação Social (Lisboa), hoje ao fim da manhã. Antiga locutora, jornalista, realizadora, apresentadora e coordenadora de noticiários, programas radiofónicos como Quando o Telefone Toca e Programa da Manhã e programas televisivos, profissional desde 1966, ela concluiu agora um trabalho que posso dizer que estava na sua mente há muitos anos. Do resumo da sua dissertação, retiro algumas ideias: "a voz que dá vida à palavra, a voz que está para a rádio como o grafismo está para o jornal, a forma que atrai para o conteúdo" tem na rádio uma maior exigência. Respiração, articulação, entoação, inflexão, projecção, tom, ritmo e pausas são elementos da boa voz na rádio.

Como tema de estudo empírico, Maria Helena Falé analisou os relatórios do provedor do ouvinte da rádio pública para compreender como a voz tem evoluído e alterado na rádio, em especial a partir dos relatórios escritos por Adelino Gomes, provedor que dedicou maior atenção ao domínio da voz radiofónica. A investigadora fez ainda um conjunto apreciável de entrevistas como especialistas e homens e mulheres da rádio que fizeram as suas observações práticas sobre a voz e o seu uso na rádio. Foram seus orientadores Maria Inácia Rezola e Carlos Andrade.

No pequeno vídeo abaixo, a agora mestre recorda os seus primeiros tempos de actividade na rádio.




Ler o texto completo em http://industrias-culturais.hypotheses.org/19412.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Guimarães 2012 Capital Europeia da Cultura

Em 2012, Guimarães 2012 Capital Europeia da Cultura, assente nos valores Cidade, Cidadania e Participação, e Dimensão Europeia, acolhe um grande encontro de criadores e criações — música, cinema, fotografia, artes plásticas, arquitectura, literatura, pensamento, teatro, dança, artes de rua. O núcleo histórico da cidade - uma das mais bonitas do país - está muito limpo e bem conservado, a merecer uma visita demorada.



Ver mais imagens em http://industrias-culturais.hypotheses.org/19381.

Teatro da Palmilha Dentada

O Teatro da Palmilha Dentada foi formado na cidade do Porto em 2001. Desde então, tem-se dedicado à criação e apresentação de dramaturgias originais. Tendo como principal vector da sua estética o humor tem no entanto abordado temas complexos como o medo, a culpa, a morte, em espectáculo onde a contemporaneidade social é o pano de fundo. Ao longo dos seus dez anos de existência estreou espectáculos como O medo que o General não tinha, O Guardião do rio, 7:am, A Cidade dos que Partem, Norma, Bucket, Armadilha para Condóminos, O Menos Mau das noites Nocturnas de Um Par de Dois, Piratas do Fio de Água. A sua história tem sido também marcada pela criação de espectáculos de café teatro, com os quais realizam digressões nacionais. Entre 2003 e 2005 apresentaram na Antena Um programas diários de humor sobre a actualidade: O enigma e o Palmilha News. Em 2012, após dez anos de existência, iniciará um novo ciclo passando a ser a companhia residente do Teatro Helena Sá e Costa (Porto), uma bela sala, tendo já previstas a realização de quatro temporadas.

Seminário de Trabalho sobre Cinema Português

Nos últimos anos têm-se multiplicado as investigações universitárias sobre a história do cinema português. Dada a inexistência de departamentos especializados em história do cinema, estes investigadores não têm muitas oportunidades para discutir o seu trabalho com outros colegas trabalhando sobre os mesmos temas. Este seminário de um dia juntará vários doutorandos e pós-doutorandos com investigações em curso sobre cinema português, proporcionando-lhes uma oportunidade para testar argumentos e debater as suas ideias. Todos os painéis terão comentadores. 18 de Janeiro de 2012 (quarta-feira), 9:15-18:00, FCSH, Edifício I&D, sala multi-usos 2 (piso 4), Av. Berna, 26-C.

Inscrição obrigatória através deste formulário. Informações: tiago.baptista@fcsh.unl.pt. Organização: IHC (linha de investigação Poder, Ideias e Cultura) e CEIS20 (grupo Correntes Artísticas e Movimentos Intelectuais)

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

A televisão segundo Nuno Cintra Torres

Nuno Cintra Torres publicou no final de 2011 o livro Televisão. O nosso medium preferido. Ensaios, memórias e história em colecção das Edições Universitárias Lusófonas.

Como o autor indica na introdução, o livro reune artigos que ele publicou em diversos jornais (Diário de Notícias, A Tarde, Semanário, Semanário Económico, Valor, Exame, Público, Expresso, Diário Económico e Sol) entre 1980 e 2011, que ocupam cerca de 500 páginas.

Ler mais em http://industrias-culturais.hypotheses.org/19355.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

José Marquitos deixa a administração da RTP

O administrador da RTP José Marquitos deixou aquele cargo, em troca por um lugar na Newshold, grupo de capitais angolanos que detém o semanário Sol. José Marquitos tem uma longa carreira dedicada aos media, tendo já passado nomeadamente pelo grupo da Sonae (jornal Público). Além de proprietária do semanário Sol, a Newshold tem participações nos grupos Cofina e Impresa.

Problemas nos media

No final da semana passada, o Sindicato dos Jornalistas fez um comunicado dando conta da abordagem da Global Notícias, do grupo Controlinveste, detentora do Diário de Notícias, Jornal de Notícias e TSF, a jornalistas e outros trabalhadores de forma a despedi-los, com propostas de rescisão apresentadas como de mútuo acordo e não por via de programas de rescisões de adesão voluntária.

Este comunicado surge num período de forte contracção do sector dos media. Muito recentemente, houve problemas no jornal Público, com negociações para redução de horários e salários, que a redacção terá recusado.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Jornal Português de actualidades filmadas (1938-1951)

Já escrevi aqui sobre Maria do Carmo Piçarra (a 2 de Dezembro de 2006), a propósito do seu livro Salazar vai ao cinema – o Jornal Português de actualidades filmadas, da MinervaCoimbra. Ela insistiu no tema e publicou agora Salazar vai ao cinema II – a "Política do Espírito" no Jornal Português (edição DrellaDesign).



Ler o texto completo aqui.

Jornalismo & jornalistas

O número mais recente da revista Jornalismo & Jornalistas (nº 48, de Outubro/Dezembro de 2011) tem dois temas principais, o primeiro dedicado ao Congresso Radio Evolution, em Braga, da ECREA, e o segundo ao Congresso de História dos Media e do Jornalismo, em Lisboa.

Retiro os sumários contidos no começo da revista. Sobre o congresso de Braga, "Investigadores e profissionais juntaram-se em Braga para reflectirem sobre a rádio. A migração para as plataformas digitais e móveis e o que isso significa para o futuro do meio dominaram a maior parte das intervenções e estudos apresentados. Mas entre o receio de alguns e o entusiasmo de muitos, ninguém tem dúvidas: a Internet é onde a rádio tem que estar" (Luís Bonixe). Sobre o congresso de história dos media e do jornalismo: "O 1º Congresso Internacional de História dos Media e do Jornalismo, organizado pelo Centro de Investigação Media e Jornalismo (CIMJ) nos dias 6 e 7 de Outubro, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, provou que já passaram… à história os tempos em que este debate se fazia entre amigos, sempre poucos e sempre os mesmos" (Carla Baptista).

Ler mais sobre o número aqui.

sábado, 17 de dezembro de 2011

Sagrado e modernidade

O número 11 (Primavera-Verão de 2011) da revista Comunicação & Cultura, do Centro de Estudos de Comunicação e Cultura (Universidade Católica), agora com um novo design de capa, é dedicado ao tema "Sagrado e Modernidade".

Os organizadores do volume, Carlos Capucho e Nelson Ribeiro, partem de um produto cinematográfico (o filme A árvore da vida, de Terrence Malick) e da recente visita do papa Bento XVI a Portugal (Maio de 2010), aquele interrogando Deus sobre as vicissitudes da condição humana, esta pelo impacto que teve na televisão (ou que esta se aproveitou). Os dois professores partem ainda do 11 de Setembro de 2001 para traçarem o grande impacto na forma como as sociedades ocidentais se percepcionam a si mesmas, questionando os modelos de segurança colectiva e a (in)tolerância religiosa e da convivência com o "outro", entendido como o que possui um diferente enquadramento cultural (p. 13).

Os textos da problemática pertencem a João Manuel Duque ("Ambiguidades da secularização entre modernidade e pós-modernidade"), Robert Doran ("René Girard's apocalyptic modernity"), Wolfgang Benz ("Sobre a origem e a tradição do Feindbild Islão"), Fernando da Luz Soares ("O diálogo ecuménico enquanto diálogo como o "outro"), Esther Mucznick ("Deus na escola pública"), Carlos Capucho, Eduardo Cintra Torres e Catarina Duff Burnay ("A construção da festa electrónica na visita de Bento XVI a Portugal"), José Paulo Machado (Je vous salue, Marie: um olhar cristão") e Isabel Roque ("A exposição do sagrado no museu"). Duas entrevistas (de Fernando Cascais a Steve Doig e de Robert Doran a René Girard), recensões e montra de livros concluem a revista.

Do resumo do texto de Carlos Capucho, Eduardo Cintra Torres e Catarina Duff Burnay retiro a seguinte informação: "O Vaticano e a Igreja em Portugal consagraram a visita de Bento XVI a Portugal em Maio de 2010 como um evento mediático. Os media corresponderam à temática e ao(s) interveniente(s) com uma mobilização de investimentos financeiros e humanos que resultaram numa cobertura centrada e exaustiva. Os canais televisivos, público e privados, assumiram um papel de destaque na mediação dos acontecimentos, através da apresentação e da avaliação do «homem-papa» e das suas acções" (p.8).

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Indústrias criativas em congresso da SOPCOM

No congresso da SOPCOM, em realização no Porto, estive na sessão "Inova: O Futuro Provável: as Indústrias Criativas, os New Media e os Media Tradicionais", ao final da tarde de ontem. Na mesa, apresentara-se quatro conferencistas: Pedro Sousa, coordenador de projecto na agência INOVA, sediada no Porto, Bruno Pereira, director e editor da Magnética Magazine, com sede em Lisboa, Luís Ismael, realizador de cinema ligado à Light Box, oriunda do Porto, e João Peres Alves, partner da Ayr Trends, consultora que aplica as tendências do consumidor aos negócios, com escritórios em Lisboa, Amesterdão, S. Paulo e Miami.

Em Portugal, o recente estudo de Augusto Mateus sobre o sector cultural e criativo, e debatido nas mensagens do blogue, trouxe uma ampla discussão pública, pelos valores divulgados quanto ao PIB das actividades das indústrias criativas, no sentido do tópico desenvolvido por Richard Florida sobre cidades criativas, economia criativa e indústrias criativas. Para avaliar as indústrias criativas, Florida elaborou dois índices, o índice boémio, que apresenta a produção cultural (actividades de grande público versus actividades de vanguarda), e o índice de diversidade social (tolerância ou aceitação em termos de variadas comunidades criativas). No país, e nomeadamente em Lisboa e no Porto, tem havido uma profunda discussão sobre as indústrias criativas e a sua aplicação no país. Por exemplo, ainda este ano, a Fundação de Serralves promoveu um ciclo de conferências O Imaterial: Os Novos Paradigmas da Contemporaneidade, iniciativa focada no pensamento contemporâneo com abordagens entre a economia e a cultura. Richard Florida descrevera e analisara mega-regiões, casos de Dallas-Austin (Texas) e Barcelona-Lyon, na perspectiva da economia da criatividade. A ADDICT (Agência para o Desenvolvimento das Indústrias Criativas) deu um passo essencial ao colaborar com a universidade do Texas (Austin) na promoção de uma rede global aberta constituída por cidade médias de todo o mundo, em que a partilha de tecnologias e talento estejam orientadas para o negócio. A agência tem, no plano de actividades de 2012-2013, objectivos como capacitar e valorizar os recursos criativos (criatividade individual) numa economia baseada no talento e criatividade (criatividade empresarial) e com maior massa crítica urbana e atractividade do território (criatividade urbana). A sua actuação reside em três pilares de actuação e competências: pessoas, negócios e lugares com conhecimento, conectividade e promoção. Os sectores prioritários do plano são design, arquitectura, audiovisual e software. Outros sectores como tecnologias da informação, publicidade, design de moda, música e artes performativas beneficiarão do valor daqueles sectores estratégicos. Também a agência INOVA - Associação para a Cultura e Criatividade, a promotora da mesa da SOPCM, tem como missão contribuir para a afirmação das artes, do sector cultural, das indústrias criativas e dos seus agentes como elementos fundamentais de desenvolvimento da sociedade portuguesa. O congresso da SOPCOM daria cidadania ao tema, convocando-o para o assunto central do seu VII congresso no geral e para aquela mesa em particular.

Pedro Sousa (INOVA) falou de uma imagem prospectiva, da relação com os novos media, do apoio a projectos e do número de pessoas que trabalham na área. Acabou por reconhecer que ainda não existe um cluster (feixe) de actividades no Porto ligadas às indústrias criativas, mas espera que isso possa acontecer. Para tal, torna-se necessário, acrescento eu, haver mais envolvimento nacional e internacional, projectos e capital de risco. Bruno Pereira falou essencialmente da sua revista, que eu aconselho a fazer uma visita: Magnética Magazine. Luís Ismael falou do sector deprimido que é o audiovisual no Porto, por oposição a um sector mais pujante aqui em Lisboa. Para ele, há necessidade de formar mais quadros técnicos e criar estruturas de produção regionais. João Peres Alves desenvolveu a ideia das tendências de consumo para os próximos anos e como os media (velhos e novos) podem ajudar a captar e centrar essas tendâncias. Ele disse ser preciso haver confiança e transparência na vida, de modo a que a relação entre consumidores e produtos se reforce. A onda (alteração momentânea) precisa de chegar a ser moda e, em especial, a tendência.

A sala onde decorreu a mesa sobre indústrias criativas estava bem composta de assistência, mau grado a forte concorrência da mesa paralela, onde se discutia a internacionalização da comunicação, a qual arrastou muitos dos conferencistas, caso dos jovens investigadores do sector.

A seguir, um pequeno vídeo com parcelas dos textos dos quatro comunicadores na fase de perguntas e respostas.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Tese de doutoramento de Isabel Reis sobre rádio

No passado dia 7, na Universidade do Minho, Isabel Reis defendeu tese de doutoramento intitulada O áudio no jornalismo radiofónico na internet. A autora partiu da análise da rádio hertziana para a ciber-rádio, procurando encontrar semelhanças e diferenças. Em estudo empírico, analisou quatro sítios da internet de rádios nacionais (ou de cobertura nacional): TSF, RDP, Renascença e Rádio Clube Português, a última já desaparecida. Como conclusões, Isabel Reis indica que o áudio ainda define a ciber-rádio, a informação é um elemento marcador da ciber-rádio, a linguagem radiofónica não está presente nas notícias em destaque nas rádios da internet, o novo meio possui múltiplas narrativas e funciona à velocidade da actualidade mas ainda com pouca interactividade.

sábado, 10 de dezembro de 2011

Teatro-circo contemporâneo

O desdobrável anuncia uma peça de circo contemporâneo e indica tratar-se de uma pesquisa sobre a globalização e a invasão. Dois actores (Filipe Caldeira e J. Lix) encarnam dois homens que procuram definir um território e lutam ferozmente por ele. Um mostra quadros da sua mobília de quarto, peças de uso quotidiano, plantas e animais de estimação (ilustrações de João Quintela). Lenta e eficazmente, equilibra essas cópias da realidade no seu braço, dispõe-nas no chão como se fosse uma narrativa, joga-as em cima de uma mesa, como que a dizer que é dono de uma quimera. Brincadeira de criança, poderia ter dito o outro homem. Este, rapidamente, constrói uma vedação, que eu entendi ser um campo de concentração rodeado por arame farpado. Ele despe a camisa e as meias e põe-nas no arame como se estivessem a secar. Equilibrista, joga com discos, como se fosse uma réplica do trabalho do outro, que, entretanto, ficara no silêncio e na escuridão do canto do palco.

Ao equilibrista junta-se o mágico, que faz aparecer e desaparecer objectos ou os coloca de outra forma. Porém, de repente, os dois homens lutam. Percebe-se que o fazem pela conquista de mais território. A luta é física, muito violenta. O homem mais baixo e musculado ganha ao homem mais alto e, aparentemente, mais intelectual. O resultado é como se fosse o animal do circo a ser preparado e exibido pelo domador. Os discos do equilibrista são usados agora como coleira. Há uma grande humilhação de um homem perante o outro, e que se prolonga por muito tempo. Seria leão, tigre ou simples cão? Confesso que, por duas vezes, estive para sair da sala, dada a inusitada força física posta em confronto. No final, os dois homens arfavam, exaustos, e viam-se as marcas no pescoço do actor que representava o papel de vencido.

A peça não é intelectual nem agradável, mas um pesadelo. Eu sei que os programadores da Companhia Erva Daninha, que montaram o espectáculo 50 ou nada na Fábrica da rua da Alegria (Porto), quiseram demonstrar como as conquistas e as guerras contemporâneas produzem grandes deslocações de populações, uma enorme miséria e opressão. Mas o teatro precisa de ser falado, algo que é escasso na peça, sem necessidade de tamanha brutalidade. O que pensaria o público jovem presente? Nos bancos corridos da plateia de uma das mais desconfortáveis salas que conheço, algum público ria, coisa que não percebi, durante a luta que culminou com a humilhação de uma das personagens.

Para ser o circo como lugar de produção de sonho, a peça representada deveria ter o palhaço e a música. Sei que o grande treino físico e maior agilidade demonstrada pelos dois actores retrata de perto a vida difícil dos saltimbancos do circo, o que nos aproxima um pouco da realidade - que não é igual ao sonho.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Flores para mim

Flores para Mim é uma peça de Abel Neves, com encenação de Natália Luiza e com Elsa Galvão, Rui M. Silva, Sara Leitão e Teresa Sobral na interpretação, em actuação no Teatro Meridional (rua do Açúcar, Lisboa).

Conta a história de Catarina, deficiente motora (movimenta-se em cadeira de rodas), alguém revoltada com a sua vida e que se refugia no passado, Jaime, a sua antiga paixão, Rita, tia daquela, e Mirita, a nova namorada de Jaime. A sala da casa de Catarina, onde decorre a acção, é, primeiro, o lugar da lembrança do encontro que não teve (o quarto de hotel barato). Depois, é o sítio, entretanto reformulado, onde Jaime e Mirita procuram alterar a rotina, perfumada com o aroma das flores. Há uma cumplicidade de acções antigas que nem todas as personagens sabem das outras mas que o enredo a revela aos espectadores, e que amarra essas personagens num jogo de aproximação e afastamento. Jaime é, pelas experiências anteriores, o centro da história dramática. Ele, contudo, não soube resolver convenientemente os problemas e aparece-nos ora arrependido ora quase indiferente para com a situação. Cobarde, é como Catarina o define, convidando-o a não voltar a aparecer na sua casa. E igualmente para Mirita, afinal a namorada do seu antigo amor, que lhe surgiu uma última vez com os olhos com orvalho (lágrimas). Ela queria ficar sozinha em casa, liberta da pressão dos que a queriam "ajudar" e das histórias do passado.

Trata-se, assim, de um trabalho sobre a condição humana e a sua imperfeição, em especial quando os defeitos são deficiências e estas são vistas com compaixão ou esquecimento, protelando o reconhecimento da pessoa e dos seus sentimentos.

Peça de e sobre a actualidade, além da história em si chama a atenção para a compreensão do outro e para a necessidade de preparar meios de acesso a esse outro. A peça é muito sóbria, muito bem representada, com um texto por vezes irónico (ou explorando a ingenuidade da personagem Mirita) mas agradável.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Mercado de San Miguel em Madrid

Vale a pena uma visita ao mercado de San Miguel, em Madrid. Situado na praça de San Miguel, a sua construção foi concluída em 1916, sob a direcção de Alfonso Dubé y Díez (imagem de arquivo, retirada do sítio da internet), sucedendo ao mercado ao ar livre instalado em 1835. No começo da actual década, sofreu uma alteração profunda e tornou-se um Centro de Cultura Culinária, com espaços gourmet. Além de ser uma presença da cultura gastronómica, através de cursos, apresentações e feiras, a sua relação com a cultura é grande: conferências, recitais ou concertos são ali apresentados.