Textos de Rogério Santos, com reflexões e atualidade sobre indústrias culturais (imprensa, rádio, televisão, internet, cinema, videojogos, música, livros, centros comerciais) e criativas (museus, exposições, teatro, espetáculos). Na blogosfera desde 2002.
domingo, 16 de julho de 2006
Segundo Andy Sennitt, do blogue Media Net Work, no Reino Unido, o regulador Ofcom propõe legalizar o uso de transmissores de FM de pequena potência usados para ligar aparelhos MP3 e outro equipamento áudio pessoal sem fios e associados a sistemas de entretenimento em viaturas. A Ofcom especifica que esses aparelhos sem fios e de baixo custo são habitualmente usados noutros países além do Reino Unido para ouvir música transmitida por leitores de MP3, mas não têm autorização na Europa, pelo receio de interferência nos serviços audiovisuais. Esta iniciativa da Ofcom prende-se com o crescente consumo de tais serviços, o que levará a Europa a desenvolver uma proposta harmonizada a entrar em vigor no final do Outono deste ano.
A Ofcom propõe ainda a desregulação dos serviços da Banda do Cidadão, permitindo que cerca de 20 mil licenças possam usar transmissores de curto alcance para lazer sem o custo administrativo que tem uma licença normal passada pela Ofcom. A proposta do regulador britânico inclui também a possibilidade de aceitar outras possibilidades para os transmissores de pequena potência, tais como sistemas de alarme, operando na banda de 169,4 -169,8125 MHz.
sábado, 15 de julho de 2006
DOIS CURSOS NA FACULDADE ONDE LECCIONO

Observação: a partir de anúncio publicado na edição de hoje do Expresso.
CALL FOR PAPERS
The first number of Studies in Communication (Estudos em Comunicação), will be published in March 2007 by Labcom (Online Communication Lab of the University of Beira Interior, Portugal). The review will be mainly focused on media studies and in areas of interface between Social Theory and Communication Sciences. Each issue of the review will have a general subject of study and a thematic dossier. The general subject and the thematic dossier will be different in each issue. The general subject will include only academic and scientific essays. The thematic dossier, besides essays and papers, it may include also interviews, articles or statements on a subject of general interest to the Academy and to the study of Communication Sciences.
a) General subject of this issue. The general subject of study of this first issue will be Communication and Politics. The Editors of Studies in Communication are seeking for original, previously unpublished and completed contributions on the general subject of Communication and Politics. The essays may include the following topics: 1) Journalism and public sphere (Press, Radio, Television, Webjournalism and Online Journalism), 2) Journalism and democratic deliberation, 3) Ethical and political problems concerning the representation of politics by news media, 4) Media regulation and Public Service Broadcasting, 5) The role of Public Relations and Communication Agencies in the public sphere and democratic deliberation, 6) The role of political advertising in the public sphere and democratic deliberation, 7) Rhetoric and democratic deliberation, 8) Theoretical approaches to the public sphere and democratic deliberation, 9) Impact of the Internet on democratic deliberation and representation.
b) Thematic Dossier of this issue. The first issue of the review will accept also essays and articles to a thematic dossier on "The Teaching of 'Communication Sciences' in Europe after the Bologna Process". The essays and articles may include epistemological, institutional and pedagogic angles of approach, presenting relevant opinions, analysis, examples and study cases about the change of curricula, teaching methods and other matters related. Each paper should be no more than 30 pages in one and an half-space format, using font Times New Roman Size 12, including figures, graphs, and illustrations. All papers must include an abstract with fifteen lines and five keywords. All papers should be submitted in RTF format.
To submit, send your paper to 1) joaocarloscorreia@ubi.pt; 2) agradim@ubi.pt; 3) jc.correia@netvisao.pt or to the following address: João Carlos Correia or Anabela Gradim, Revista Estudos em Comunicação, Departamento de Comunicação e Artes, Universidade da Beira Interior, 6200-001 Covilhã, Portugal.
Manuscript submission: November 15, 2006
Acceptance notification: November 30, 2006
Publication: March 2007
Working languages: English, French, Spanish and Portuguese.
Director: João Carlos Correia
Editor: Anabela Gradim
FALAR DE IMAGENS
A sessão seguinte, a 17 de Outubro (terça-feira), terá o título Fabricar o olhar, com Monique Sicard, autora que apresentará o livro A fábrica do olhar, a inaugurar uma colecção sobre Imagem, das Edições 70.
Haverá mais sessões deste novo ciclo Falar de imagens, sempre às 19:00.
A PROPÓSITO (AINDA) DO FILME DE SAPINHO
Lembrei-me dos eléctricos de Praga, muito semelhantes. Numa das linhas, circulei dos arredores para o centro e deste para outros arredores. Parecia a viagem de Sapinho. A paisagem urbana não era assim muito bonita - os prédios eram de linhas sóbrias, para não dizer austeras. Um dos pontos fortes da linha era a paragem junto a um hipermercado, semelhante a um nosso Carrefour ou Continente. As pessoas deslocavam-se de eléctrico para trazerem as suas compras. Não notei uma perda do comércio local, de aproximação, face à concorrência do supermercado. O guia que nos acompanhou por esses dias falava do insucesso dos centros comerciais e hipermercados na República Checa, o que, como turista, não podia contestar, dada a minha ignorância da realidade económica e social daquele país.
Mas vi, apesar de tudo, abundância de bens. O que não acontecera numa passagem pela antiga Jugoslávia, antes da queda do muro de Berlim (claro que a diferença de anos, a riqueza económica dos checos e a adesão à União Europeia são elementos de distinção). Algures na Bósnia, um supermercado tinha as prateleiras vazias e o café turco que bebemos tinha uma espessa camada de pó por cima. O sítio era mais pobre que os cafés mais tristes que se encontram no nosso país.
Haveria uma frágil coesão social - famílias com poucos recursos, separação entre mundo urbano e rural com pouca mobilidade, enquadradas numa ideologia sempre omnipresente e que recalcava os valores religiosos. A guerra alterou essa coesão social - a começar pelas clivagens culturais e religiosas. Vizinhos massacrarem vizinhos temendo que estes tomassem a mesma posição - eis o desespero e a ausência de valores de bom senso levados ao extremo. A guerra produz fanatismos que a razão não consegue eliminar. Fica, como no caso do homem que se confessa ao realizador, a angústia interior e a incapacidade de jamais voltar a felicidade aquele indivíduo e aquela sociedade. Ao contrário do que Sapinho pensa, a neve que esconde quase até às copas dos pinheiros, poderá ter um efeito purificador na memória dos povos e evitar que aconteça de novo uma enorme barbaridade, logo aqui na Europa, continente dito civilizado.
sexta-feira, 14 de julho de 2006
DIÁRIOS DA BÓSNIA

É merecido o espaço concedido hoje pelos suplementos "Y" (Público) e "6ª" (Diário de Notícias) ao novo filme (documentário) de Joaquim Sapinho (as imagens em baixo mostram parcialmente as capas dos dois suplementos).


A história conta-se rapidamente. Joaquim Sapinho foi a Sarajevo (lê-se: Sáráiiêva) em 1996, três meses depois do longo cerco a que a cidade esteve sujeita (quatro anos). Em 1998, o realizador voltou à Bósnia. O filme desdobra, assim, duas narrativas temporais: a primeira, a sépia, mostra a destruição; a segunda, a cores, mostra o luto e, também, a vontade de viver. As imagens a sépia pareceram-me efectuadas por um historiador pré-histórico, que mostra as ruínas de uma civilização outrora rica, caso de Conimbriga, ou que foi afectada por uma catástrofe natural, como Pompeia (devido ao vulcão Vesúvio, na Itália). Mas estas ruínas foram feitas há pouco mais de dez anos.
Das histórias do filme que mais me comoveram, contam-se a das muçulmanas, em momento de pausa na fábrica, cantando e rezando, mas também fumando e partilhando uma bebida, e a do homem que levou Joaquim Sapinho a visitar a aldeia que ele e os vizinhos destruiram, temendo ser eliminados pelos habitantes daquela. Há um pudor, salientado aliás pelos textos dos jornais de hoje, em não apresentar mortes ou choros, apenas as marcas de destruição material. Mas também me impressionou a rapariguinha que anda quatro quilómetros de casa à escola e usa um lenço vermelho - tema do cartão postal (primeira imagem), porque a vida precisa de continuar, e a viagem de autocarro de muçulmanos que regressavam a casa, depois de estarem presos por muito tempo.
Sarajevo, pelos acordos de paz, já não tem sérvios. E os sinos das igrejas cristãs que, dantes, pareciam replicar aos chamamentos dos imãs muçulmanos para as orações,mos já não tocam. A uma conseguida maioria muçulmana, após a guerra da década passada, coexiste uma pequena prática cristã. Sapinho, que filmou o interior de uma igreja e a sua prática religiosa, depois de muito procurar, ressalta a espécie de placa tectónica que aquela cidade representa. Foi ali que começou a primeira guerra mundial, por aquelas terras inscreveu-se a federação jugoslava no pós-segunda guerra mundial, por ali, os turcos otomanos trouxeram a religião muçulmana frente à prática mais antiga dos cristãos ortodoxos. O realizador questiona: como foi possível vizinhos de décadas de anos de convívio acabarem por se matar uns aos outros?
Um documentário que se deve ver, até para confrontar com a violência actual que ocorre no Médio Oriente, e que nós, quase sempre, ignoramos, por ficarmos geograficamente longe de mais.
NOVO LIVRO DE GUSTAVO CARDOSO
Foi publicado, pela prestigiada Fundação Calouste Gulbenkian, o livro de Gustavo Cardoso, Os media na sociedade em rede, com prefácio de Manuel Castells (634 páginas).Segundo o prefaciador, "Gustavo Cardoso analisa a transformação tecnológica e social dos media, no mundo e no caso específico em observação, Portugal, relacionando a evolução dos media tanto com a mudança tecnológica como com a mudança social. Ele enfatiza a emergência de uma Sociedade em Rede, construída a partir de redes sociais e organizacionais baseadas nas tecnologias electrónicas de comunicação".
Como ainda não tive oportunidade de ler o livro, retiro uma pequena parcela dos seus agradecimentos, no caso escolhido a Fausto Colombo, da Universidade Católica de Milão: ele e a sua equipa do Osservatorio della Comunicazione permitiram ao autor "acompanhar as suas investigações sobre a relação geracional e a televisão, os estudos sobre as utilizações dos telemóveis e um novo olhar sobre as fruições culturais e comunicacionais das audiências de media" (p. 22). E, mais à frente, destaco a sua hipótese de trabalho: "o sistema dos media se articula cada vez mais em torno de duas redes principais, as quais por sua vez comunicam entre si através de diferentes tecnologias de comunicação e informação. Essas redes constituem-se, respectivamente, em torno da televisão e da Internet, estabelecendo nós com diferentes tecnologias de comunicação e informação como o telefone, a rádio, a imprensa escrita" (p. 29).
quinta-feira, 13 de julho de 2006
A Pedro Mexia, do blogue Estado Civil, pela referência, hoje e entre outros, ao meu blogue. Da minha parte, há sempre um grande prazer em ler o que publica Pedro Mexia, em especial no Diário de Notícias.
Assim se comenta, no Guardian de hoje, em texto assinado por Owen Gibson, o lançamento do Google Video, anteontem no Reino Unido e em outros sete países. A Google, do mesmo modo que todos navegamos na internet, pretende organizar o modo futuro de ver televisão, já que um computador e uma máquina digital fazem de cada um de nós um potencial produtor de audiovisuais. E, pergunta o jornal, teremos todos de ver música pimba ou maus karaokes a toda a hora do dia? Já há milhares de vídeos, feitos por adolescentes e gente mais crescida sobre tudo e mais alguma coisa, a exemplo do YouTube.
Sobre isto, há duas tendências: 1) os fãs dizem que se vive um momento revolucionário no audiovisual, 2) os críticos afirmam que muito material de mau gosto e não regulado vai aparecer (como pornografia e violência).

Dos vídeos anteontem mais vistos estavam a cabeçada de Zinédine Zidane na final do recente campeonato mundial de futebol entre Itália e França e a "socialite" americana Paris Hilton, a cantar e dançar.
Fora o anedótico, a Google Video do Reino Unido assinou contratos de distribuição de conteúdos com empresas como ITN, Disney, Barcelona FC, Cousteau Society e fará transmissões desportivas como ténis em Winbledom, críquete inglês e futebol e da produção de empresas independentes. Ver um episódio da série de culto Star Trek custará menos de dois euros, ao passo que vídeos pop e trailers de filmes serão gratuitos.
No dia 13 de Junho, coloquei aqui um pequeno vídeo sobre marchas populares em Lisboa. Agora, recebo um comentário de britoca (8 hours ago):
- nice! I was hoping to find some video like this to show my friends! thank. Otimo! Tinha esperancas de encontrar um video com as marchas de Lisboa pra mostrar aos meus amigos! Obrigado
quarta-feira, 12 de julho de 2006
Na altura em que ouço Jorge Rodrigues (Ritornello, Antena 2) a entrevistar o cartoonista Tom (não percebi o segundo nome), a partir de Los Angeles (Estados Unidos), chega-me um email de Álvaro José Ferreira, blogueiro e defensor do serviço público da rádio, e que tem protestado contra a retirada de programas de autor, durante o Verão, com uma resposta de João Almeida, um dos responsáveis da mesma emissora:
- A grelha anterior (de Janeiro a Junho) foi vasta e diversificada, mas baseada em orçamentos herdados da "época" anterior. Ainda assim, com esse dinheiro contratámos José Duarte, Ricardo Saló, mais uma mão cheia de novos autores (Jorge Carnaxide, António Almeida, Luís Ribeiro, Jorge Vaz de Carvalho, Jorge Costa Pinto, António Ferreira, Sofia Cascalho, etc…), realizámos mais de 60 concertos no CCB (nossos, ou seja, produzidos pela Antena 2), além de termos efectuado mais de 180 gravações de concertos produzidos por outros (a vulso, festivais, Gulbenkian, etc…), e fomos ainda a Nantes, Viena, Paris (Tribuna dos Compositores), e vamos ainda a Salzburgo (Agosto), aos Proms de Londres (Setembro), à feira de Frankfurt (Outubro), etc. Que me lembre, em tempos recentes, nunca a rádio ofereceu tanto com tão poucos meios. Neste contexto, a única forma do déficite não disparar loucamente foi a criação duma espécie de defeso. Significa isto que quase todos os programas de autor, incluindo naturalmente o "Questões de Moral", regressam em Setembro. Com este conceito foi possível enriquecer a antena durante quase 10 meses sem mexer muito no orçamento. É verdade que o Verão saíu algo penalizado, mesmo tendo em mente que o tradicional período de férias pode (deve?) ser bem mais arejado e descontraído, em conteúdo, do que o resto do ano (para não falar na mão-de-obra que, nesta altura, por estes lados, escasseia… férias oblige). Seja como fôr, com o pouco dinheiro que temos, esta pareceu-nos a melhor solução. No próximo ano esperamos estabilizar os programas, mesmo durante o Verão, com um novo orçamento que os contemple (assim ele seja aprovado, claro).


1) Norris escreve sobre o modo como os processos políticos são cobertos pelos media americanos, em que as notícias tendem a ser sensacionalistas, tendenciosas e negativas.Mas nem sempre foi assim. Para compreender as mudanças e como isso afecta a comunicação pública, ela descreve três estádios distintos. No estádio pré-moderno, as campanhas eleitorais baseavam-se no contacto presencial, com notícias publicadas nos jornais e na rádio, com organizações locais e dispersas, orientadas por responsáveis políticos locais e com voluntários que contribuíam em tempo e trabalho em part-time. No estádio moderno, as notícias que os partidos procuram influenciar são as da televisão (com discursos do candidato, congressos partidários e eleições), a partir de uma coordenação nacional de campanha estratégica e de consultores profissionais remunerados, especializados em comunicação, marketing, sondagens e gestão de campanha.
Na última década, há a transição para a campanha pós-moderna, com fragmentação de audiências e media, mudança da televisão para fontes mais diversificadas como os fóruns na rádio, notícias nos canais locais de televisão e nos novos media como a internet, tabloidização das notícias devido a fortes pressões comerciais, e mudança para a campanha permanente apoiada em sondagens e grupos de discussão (focus groups).
2) Norris distingue formas variadas de activismo político ao longo das últimas décadas, que acompanham as mudanças de acesso aos media. Um primeiro momento é o do activismo político tradicional, de que são exemplos a participação numa votação, a militância num partido e a sindicalização, formas de participação burocratizada e mais direccionada para as elites.
O segundo período, já mais perto do final do século XX, experimentou uma transformação nas acções do activismo político (organizações colectivas), repertórios (acções usadas habitualmente para expressão política) e alvos (actores políticos que participam e procuram influenciar), com activismo político dentro de organizações voluntárias, associações de bairro e novos movimentos sociais (movimentos de segunda geração nas mulheres, movimentos culturais preocupados com o ambiente, nuclear, anti-globalização, paz, direitos humanos e resolução de conflitos).
As teorias dos novos movimentos sociais sugerem que estas organizações diferem das anteriores formas de organização social, com redes indefinidas, estruturas descentralizadas, pertença devido mais a questões partilhadas pelos seus membros e menos em termos de organizações com quotas. Os movimentos sociais são mais fortes em sociedades pós-industriais.
O terceiro momento, nascido dentro do anterior e com alguma consonância temporal, é o do activismo de protesto, assente em manifestações, boicotes e recolha de assinaturas.
3) A par da discussão sobre a decadência dos canais do activismo eleitoral, partidário e cívico, fala-se de teorias da modernização, em que tendências sociais comuns – como a longevidade, o crescimento do sector de serviços, o aumento de oportunidades educacionais – conduzem a um novo estilo de políticas de cidadania nas democracias ocidentais. Há mais participação pública activa em processos tais como novos movimentos sociais e grupos de protesto, enquanto enfraquecem as lealdades de deferência e apoio a organizações e autoridades hierárquicas tradicionais tais como os partidos e os grupos tradicionais de pressão.
Por exemplo, Ronald Inglehart observa as sociedades pós-industriais e a revolução de valores culturais, em que a geração mais jovem, constituída por cidadãos com bom nível educacional, tem menos interesse nos temas de economia em termos de esquerda e direita e apresenta um maior interesse na agenda pós-materialista, nos temas de qualidade de vida tais como o ambiente, igualdade de género e direitos humanos. Inglehart sugere que o apoio a organizações hierárquicas e burocráticas tradicionais está a diminuir, mas que a geração mais nova em sociedades ricas torna-se activa na política através de novos movimentos sociais e redes transnacionais, com assinaturas em petições e participação em boicotes. Ou seja, os públicos ocidentais não se tornaram apáticos mas, nas duas últimas décadas, envolveram-se em formas alternativas de participação política.
De modo idêntico ao referido no ponto 2, há três perspectivas principais, a primeira indicando a erosão de tradicionais tendências de envolvimento político, incluindo resultados eleitorais, trabalho partidário e activismo cívico. A segunda perspectiva indica que os processos de longo prazo em termos de modernização social e desenvolvimento humano (níveis mais elevados de literacia, educação e riqueza) são motores de mudanças, condicionadas pelas relações entre Estado, entidades mobilizadoras e diferenças em recursos e motivacionais entre grupos e indivíduos. A última perspectiva, a mais difícil de provar, aponta para uma revitalização da política nas últimas décadas, através da diversificação de agências (organizações colectivas que estruturam a actividade política), repertórios (acções normalmente como expressão política) e alvos (actores políticos que os participantes procuram influenciar). O aparecimento de políticas de protesto, novos movimentos sociais e activismo através da internet exemplifica estas mudanças.
Leituras: Pippa Norris (ed.) (1997). Politics and the press. Boulder, Colorado: Lynne Rienner Publishers
Ronald Inglehart e Pippa Norris (2004). Rising tide. Gender equality and cultural change around the world. Cambridge, Nova Iorque, Melbourne, Madrid e Cape Town: Cambridge University Press
Pippa Norris (2002). Democratic phoenix. Reinventing political activism. Cambridge, Nova Iorque, Melbourne, Madrid e Cape Town: Cambridge University Press
terça-feira, 11 de julho de 2006
Recupero a notícia editada no Público de sábado, escrita por Ana Machado, a propósito dos arquivos de imagem da RTP. Escreve a jornalista que, por ano, entram oito mil horas de imagens num edifício de dois andares, e que guardam a memória de cinquenta anos de história, a comemorar em 2007.

O futuro próximo passará pelo acesso digital às imagens, o que se espera fique pronto para o começo do próximo ano - uma boa prenda de anos da televisão à comunidade nacional. O acesso externo virá depois, ainda em data não previsível.
Dos investigadores consultados pela jornalista, Estrela Serrano considera que muitos trabalhos académicos ficam sem efeito por causa do preço das imagens, que é corroborado por outro investigador, Mário Mesquita. Para este professor, as televisões, incluindo as privadas, deveriam permitir o acesso às imagens por parte dos investigadores. E sugere a criação de um arquivo de imagem e som semelhante ao francês Instituto Nacional do Audiovisual.
Aproveitando a notícia, Manuel Pinto, do blogue Jornalismo e Comunicação, sugere a Ana Machado, a jornalista do Público, "que faça agora o mesmo trabalho junto da SIC e da TVI, para conhecer qual a política e a situação real dos respectivos arquivo. Era interessante saber se existem, em que condições e quais as modalidades de acesso. Não quero crer que não existam, porque isso seria um atentado à nossa memória colectiva".
Retiro do blogue Jornalismo e Comunicação a seguinte informação acerca do Obercom:
- Gustavo Cardoso já deu sinais à frente do OberCom (Observatório da Comunicação). O novo site da instituição está já consultável, embora não ainda completo. Através do plano de acção, é possível antever o que o Observatório vai fazer nos próximos tempos:"Na criação de dossiers temáticos, para publicação em 2006 e 2007, o OberCom pretende desenvolver actividades de aprofundamento de análise de públicos, mercados e dimensões financeiras. Entre várias propostas temáticas encontram-se: Perfis e Dietas dos Públicos de Media em Portugal: rádio, jornais e TV; Jornalistas e Gestão de Novas Tecnologias de Informação; Conteúdos Online e Offline: rádio, TV e jornais; Telemóveis e Mobilidade em Portugal: mercados emergentes; A Internet e o Cinema em Portugal: mudanças em mercados e públicos; Música e Digitalização: prospectiva de novos mercados e públicos; Portugal e o Uso da Internet (World Internet Project); Jogos de Consola e PC: mercados e público; Televisão, Notícias e Entretenimento: tipologia de consumos; Zapping e o Consumo Informativo; Tendências Empresariais de Mercado e Audiências 1999-2004; Rentabilidade e Gestão no Sector da Rádio em Portugal; Rentabilidade e Gestão no Sector da Televisão em Portugal; Rentabilidade e Gestão no Sector da Imprensa em Portugal; Publicidade e Mercado Publicitário; Prospectiva e Análise do Mercado de Televisão Digital em Portugal; Prospectiva e Análise do Mercado de Jornais Pagos e Não Pagos em Portugal".


Graber (1995: 125-135) destaca quatro papéis dos media informativos: 1) “cães de guarda”, 2) “kingmakers”, 3) formador de opinião, e 4) formador da opinião pública. Pelo primeiro papel, “cão de guarda”, o jornalista mantém contactos regulares com os altos quadros e agências governamentais, mas interessa-se pelas suas actividades e informa, nos seus textos jornalísticos, as situações que considera interesse, uma função de vigilância. Na sua forma mais complexa, os jornalistas vão além da simples observação da actividade governamental e investigam situações passíveis de infracção.
Pelo segundo papel, o de “kingmaker”, o jornalista é aquele que, perante várias candidaturas que concorrem numa eleição, determina qual a que parece o melhor. Numa eleição, quem recebe ampla cobertura informativa e positiva tem maiores probabilidades de triunfar, com os media a darem um reconhecimento favorável que aumenta as expectativas de êxito de um candidato ou anulá-las. Claro que o poder dos media não é absoluto, com os políticos a assegurarem o desempenho de especialistas de comunicação, que preparam acções.
Já no terceiro papel, o de formadores da política, isso significa que os media podem apoiar ou opor-se à política levada a cabo pelo governo, mas, segundo Graber (1995: 134) não se sabe o verdadeiro impacto, em termos de influência, sobre mudanças de opinião.
Finalmente, o último papel, o dos formadores da opinião pública, significa que os políticos trabalham em permanência pela aprovação pública das suas políticas. Os media informativos podem moldar ou modificar a imagem que o público tem de uma situação política, centrando-se num acontecimento e ignorando outros, fixando os temas da agenda e atribuindo um dado valor (Graber, 1984: 27).
Leituras: 1) Graber, Doris (1995). “Los médios de comunicación y la política americana”. In Alejandro Muñoz-Alonso e Juan Ignacio Ropsir (eds.) Comunicación política. Madrid: Editorial Universitas2) Graber, Doris (1984). Mass media and American politics. Washington: Congressional Quarterly [imagem de Doris A. Graber retirada do sítio da Universidade de Illinois em Chicago]
Doris Graber estará em Lisboa, no seminário internacional do CIMJ - Jornalismo e actos de democracia (13 e 14 de Novembro próximo).
segunda-feira, 10 de julho de 2006
Vinte anos atrás, a Walt Disney – da Branca de Neve e do Rato Mickey, para não nomear mais êxitos – teve a possibilidade de adquirir por cinco milhões os estúdios Pixar, que se haviam especializado em animação por computador. Não o fizeram mas entraram num acordo de co-produção e distribuição, que durou quinze anos. Nos últimos anos, após sucessos como Toy Story (1995 e 1999), À procura de Nemo (2003) e os Incríveis (2004), a Pixar pareceu maior que a Disney, ameaçada tecnologicamente. É que se aquela desenvolvia cada vez mais as potencialidades do computador na animação, esta permanecia fiel ao papel e ao lápis. A notícia de despedimentos dos desenhadores da Disney nos últimos anos teve um efeito de grande dramatismo: pelo desemprego de centenas de pessoas e pelo final de uma arte manual que alegrara várias gerações de apaixonados do cinema.
Mas a Disney acabou por comprar a Pixar, corria o mês de Janeiro deste ano, por 7,4 mil milhões de dólares (quase seis mil milhões de euros). E Cars (Carros em português) surge como a mais recente parceria dos dois estúdios. Carros é "filho" de John Lasseter, director criativo da Pixar e do filme, agora em acumulação com a direcção da Disney e da Walt Disney Imagineering, encarregado do desenho de novas atracções para os parques temáticos.
A história de Cars é, quanto a mim, muito humanizante. Carros antropomorfizados, isto é, com características pessoais como individualismo ou companheirismo, projectam-se à volta de Lightning McQueen, um jovem, veloz e ambicioso carro que quer ganhar o troféu de campeão. Ainda imaturo, não reconhecendo a importância do trabalho em equipa, é abandonado acidentalmente e surge em Radiator Spring, uma cidade esquecida da velha estrada 66, que liga os Estados Unidos de costa a costa. Aí, é obrigado a prestar serviço cívico, por destruição de bens.
Inicialmente antagonizado com a população restante da cidade, acaba por estabelecer laços de amizade. Ri com as brincadeiras do velho carro de reboque Redneck, descobre que o austero juiz que o condenou é Hudson Hornet, uma antiga glória do automobilismo e que conquistara a taça que McQueen quer agora ganhar, e apaixona-se por Sally, um Porsche 911 transformado em linhas sensuais e que chama "autocolante" ao vigoroso carro de corrida. A estrada é asfaltada e as lojas abandonadas recuperam a cor, os néons e o movimento. Quando McQueen é descoberto pelos media, helicópteros e automóveis invadem Radiator Spring e voltam a pôr a cidade no mapa. E a equipa de McQueen é feita pelos novos amigos, que o apoiam numa fantástica corrida na Califórnia.
Apesar da dificuldade de transmitir uma mensagem, pois se trata de um filme de animação em que todos os desenhos são carros, a entreajuda e justiça, o ideal americano dos grandes espaços da natureza e o optimismo na resolução dos problemas são elementos visíveis na história.
Além de John Lasseter, como o principal autor do filme, imaginado após uma viagem de caravana pelo interior dos Estados Unidos ao longo de dois meses, outra figura da Pixar é Steve Jobs, co-fundador da Apple Computer (da Macintosh) em 1976 e agora dono de 50% das acções da Pixar, que ajudou a fundar em 1986, e o maior accionista individual da Disney, com 7% das acções.
O acordo de compra prevê a produção de duas longas-metragens por ano. Neste momento, a média da Pixar é um filme em cada 18 meses. O estúdio da Pixar, em Emeryville, a norte de S. Francisco, deve ser agora um espaço frenético de imaginação. Claro que os responsáveis do estúdio dispõem de espaços igualmente criativos, decorados a seu gosto. Podem encontrar-se escritórios com a forma de cabanas de madeira ou castelos medievais, com piscinas e mesas de pingue-pongue e transportes que incluem trotinetas.
E espera-se – facto curioso para quem fez da animação por computador o principal recurso – a recuperação das pranchetas tradicionais. É que o computador é uma ferramenta como o lápis e o papel.
[apoiei-me em textos publicados nos jornais El País, de 11 de Junho, e Diário de Notícias, de 30 de Junho, aliás visíveis no pequeno vídeo que acompanha esta mensagem]
[texto da crónica que passará hoje por volta das 10:00, na Antena Miróbriga Rádio ou 102,7 MHz (região de Santiago de Cacém)]
domingo, 9 de julho de 2006
Agora que a Itália ganhou o campeonato mundial de futebol - e Portugal ficou num honroso quarto lugar -, volto-me para um texto publicado no El Pais de hoje (pág. 15). Tem o título de Os deuses do futebol e é escrito por Günter Gebauer, filósofo e sociólogo de desporto na Universidade Livre de Berlim e autor do livro Poética do futebol. Começa assim o artigo:
- Uma partida de futebol é como um grande acontecimento teatral. Mas, diferentemente do teatro, decorre maioritariamente sem linguagem, embora com uma importante participação dos espectadores. Com base neste jogo sem linguagem, os espectadores constroem relatos sobre si próprios: num campeonato do mundo uma nação vê-se a si mesma como num espelho. Um êxito é uma prova que se mantém a mitologia nacional e que reflecte a situação actual da nação. Numa partida de futebol, os espectadores reconhecem o estilo particular com que a sua equipa procura resolver a tarefa de ganhar o jogo. Em cada nação existem certos juízos prévios, sejam positivos ou negativos, de como se conseguem superar os problemas. Cada nação criou um tipo de mitologia sobre as suas próprias capacidades, o que proporciona uma fé em si própria. Do estilo da equipa surge o mito que celebra as suas capacidades particulares.
Na realidade, nestes dias tivemos heróis e fizeram-se comparações com outros campeonatos, nomeadamente o que decorreu há 40 anos. O mito do futebol gira em torno de grandes acções e grandes jogadores, conclui o sociólogo que venho a referir. É que a mitificação de pessoas do conhecimento quotidiano estendeu-se, além do fenómeno antigo em si, à "produção de heróis no mundo do espectáculo, da economia, da política". O efémero do feito desportivo parece, assim, perpetuar-se na memória colectiva, garantia de força e grandeza desse feito.
sábado, 8 de julho de 2006
Urgências 2006 são onze peças curtas, de duração entre 10 e 15 minutos, grupo muito homogéneo em termos de autores, a maior parte deles nascidos em 1974 e 1975, a geração da democracia política em Portugal.
Trata-se de um grupo de autores já afirmados, nomeadamente a partir das Produções Fictícias, de Nuno Artur Silva e associados da empresa, e responsáveis por êxitos como Contra-Informação e textos de Herman José (televisão), O Inimigo Público e Kulto (imprensa) e o recente Portugalex (Antena 1).Já o resultado é variado, a começar pelos géneros das peças: sátira, comédia, textos mais sérios, experimentalismo. E a continuar pelo tratamento das peças, que divido em duas partes, não coincidentes com o intervalo. As primeiras peças têm uma leitura mais caótica, onde nem sempre foi possível entender as palavras. Talvez a ideia tivesse sido a de um mundo caótico, cheio de informações e ruídos e onde as relações pessoais nem sempre se pautam pela harmonia.
O palco do Maria Matos, quase despido, aparece dividido (igualmente) em duas partes em termos de profundidade, desenrolando-se as cenas cada vez mais para o fundo do palco. No começo, os actores surgiam mesmo antes da cortina. Histórias comuns, de pessoas comuns, reflectindo a modernidade das situações. Elejo Trabalhador independente, de Nuno Costa Santos, Mulher sem memória e História de Babbot, de Patrícia Portela, e Urânia, Plutónia e Babushka, de Pedro Rosa Mendes. O papel de Tiago Rodrigues é essencial. Dos mais novos do grupo (tem 29 anos), destaca-se no triplo papel de autor, actor e encenador. A sua presença no palco é empolgante e electrizante.
O livro das onze peças, agregando ainda mais seis das Urgências de 2004, está publicado em edição da Cotovia (será lançado no próximo dia 13 de Julho, pelas 18:00, no teatro Maria Matos). No livro lê-se o conceito de urgências: "uma escrita e uma representação sobre o presente, com um sentido de urgência no mote - «o que é que tens de urgente para me dizer?» - e no método". No prefácio, Tiago Rodrigues indica que a ideia é "uma reunião anual de dramaturgos e actores no reinventado Teatro Maria Matos a pensar juntos sobre o que pode ser um teatro urgente, um teatro de hoje. E a fazê-lo".
sexta-feira, 7 de julho de 2006
No passado dia 3, quando aqui escrevi sobre as contas do Público respeitantes a 2005, e embora sabendo que estava em curso uma remodelação gráfica, seguindo o britânico Guardian, um excelente modelo, não imaginava as alterações que estão a decorrer dentro do jornal, como divulga hoje o Diário de Notícias. Embora não confirmado pelo director do Público, consta-se haver 50 pessoas despedidas. O director, José Manuel Fernandes (JMF), apenas indica que há pessoas que o jornal propôs a rescisão, outras foram contratadas e outras ainda sairam de livre vontade. Certa é já a saída de Carlos Rosado Carvalho, um dos editores de economia.
O Público nasceu em 1990 e o director pretende uma refundação, conforme indica o Diário de Notícias. Razões principais: a quebra de vendas e de publicidade. JMF destaca a perda de 4391 leitores no primeiro trimestre deste ano, com vendas na casa dos quase 45 mil exemplares diários. A acontecer tal, os prejuízos serão de 2,2 milhões de euros. Das mudanças, os suplementos "Y" e "Mil Folhas" serão aglutinados num só (hoje, o meu exemplar não trazia o "Y", não sei se por erro ou se a medida já foi implementada). E a relação entre a edição em papel e em online será repensada (actualmente os custos de acesso ao online são elevados, em comparação com outras publicações diárias e de igual qualidade na Europa).
Há uma frase no texto assinado por Marina Almeida e Sónia Correia dos Santos que me deixa a pensar. Diz JMF: "Em Portugal vendemos, per capita, metade dos jornais diários que se vendem na Turquia, o que não é bom. A crise é mundial e em Portugal ainda é mais grave porque temos uma base muito pequena".
Isto, a meu ver, é dramático. Se um país lê poucos jornais, tal significa pobreza (intelectual, económica, de participação cívica). Por muitas televisões de ecrã plano ou telemóveis de terceira geração que o país se ufane de possuir, isso não quer dizer riqueza, quando o índice de leitura de jornais é baixo. Quer dizer exactamente o contrário, porque os investimentos são feitos do lado errado, da vaidade e da exposição perante os próximos, de um pretenso poder de compra que não temos.
EU COMPRO JORNAIS EM PAPEL. Procuro informar-me, ler opiniões contraditórias porque expressam pontos de vista diferentes. Qualquer outro meio, incluindo os jornais gratuitos, não me dá a densidade e a profundidade de leitura que é necessário para se formar uma opinião.
Observação: também valeria a pena saber o que os outros jornais estão a planear. Certamente a crise atinge todos, em quebra de vendas e em publicidade.
Escreve Ana: "E hoje aprendi imenso. Cresci mais um bocadinho e amanhã serei um bocadinho mais forte, terei mais defesas. É como comer um “Danonino” (piada seca). Mas o dia não podia acabar sem escrever aqui umas palavras. Descobri hoje que sou uma pessoa terrível aos olhos de alguns. Eu costumo dizer que me conheço demasiado bem para me enganar a mim própria".
Luísa prefere: "É muito bem feita, tem capas como esta que fala do Verão e é uma revista francesa mensal ...de economia"! Quanto a Susana: "Onde é que andam ? EU é que estou de férias. (durante este mês não garanto a assiduidade até aqui mantida. Mas a Escola continua aberta. Pelo menos a secretaria não pode fechar. Há exames para marcar e inscrições a fazer...)".
Contei seis colaboradoras do blogue. Não sei se são professoras, mães, activistas de movimentos de contracultura ou simples cidadãs atentas ao que se passa à volta do mundo. Mas escrevem com muita graça no blogue escola de lavores. Espero que continuem por muito tempo!
quinta-feira, 6 de julho de 2006


São as ofertas do Festival de Almada (já na 23ª edição), distribuido em salas de Almada e Lisboa, desde o passado dia 4 e até 18 de Julho, e de peça no teatro Maria Matos, em Lisboa.
Desta última, Urgências, em 11 peças curtas, será lançado o livro a 13 de Julho, pelas 18:00, com a participação de Francisco Frazão, Nuno Artur Silva e Tiago Rodrigues. Um convite da Mundo Perfeito, Produções Fictícias, Teatro Maria Matos e Livros Cotovia.
O sítio Gobal Voices Online é "um agregador de blogues de todo o mundo, focando especialmente o mundo desenvolvido. A Global Voices fornece diversas perspectivas alternativas das notícias do dia [breaking news]". Ontem, dia 5, fez um levantamento do que se escreveu sobre o actual Mundial de Futebol e a participação de Portugal, com o título Cultura e História Triunfam Sobre o Nacionalismo na Lusosfera [quanto ao] Campeonato do Mundo. Muitos dos blogues nacionais mais conhecidos têm escrito sobre o futebol e o Gobal Voices Online traduziu para inglês e compilou. Parece-me uma boa ideia espreitar no que escrevemos por estes dias, caso de "Política e futebol - comentário «à taxista»", do Easy Glory (= Glória Fácil).
O número deste mês traz uma entrevista com Celso Cleto, encenador, agora à frente da peça Miss Daisy, no auditório Eunice Muñoz e por esta interpretada. Cleto será o primeiro director do Centro Dramático de Oeiras. E também há duas páginas dedicadas à Bulhosa, a nova livraria que abriu no Oeiras Parque, espaço que ainda não visitei.
Pablo Picasso (1881-1973) nasceu há 125 anos e o seu mais famoso quadro, Guernica, regressou a Espanha há 25 anos, razões para o museu do Prado e o museu Centro Rainha Sofia, ambos em Madrid, abrirem duas magníficas exposições, cada uma com um princípio simples.No Prado, instituição de que Picasso foi director (1936-1939, isto é, durante a Guerra Civil Espanhola), há uma retrospectiva dos seus quadros perante as suas maiores influências, fruto da sua observação profunda enquanto estudante. Vários dos seus quadros vieram de outros museus, estabelecendo assim um diálogo dificilmente irrepetível. Já no museu Rainha Sofia, Guernica e os imensos esboços feitos em tempo recorde (mais ou menos um mês), o que dão conta da febril criatividade do pintor de Málaga.
O catálogo produzido para a exposição é magnífico, ficando a par da qualidade da exposição, em especial a do Prado (preço: €30 de capa mole e €48 de capa dura, 422 páginas).






As imagens acima representam elementos de imediaticidade ao museu do Prado, como cartaz de rua, fila de acesso à entrada, bem como as capas dos desdobráveis e a imagem do catálogo; as seguintes referem-se ao museu Rainha Sofia, nomeadamente os elevadores (de onde fiz o pequeno vídeo).


quarta-feira, 5 de julho de 2006

Gustav Klimt (1862-1918), reconhecido em Paris, era criticado em Viena antes e durante a Primeira Guerra Mundial. Mas ele não assistiria ao descalabro final do império austro-húngaro, internado no hospital, onde faleceria de pneumonia a 6 de Fevereiro de 1918. O quadro de Adele Bloch-Bauer, pintado em 1907 e recentemente leiloado por um preço exorbitante, estava já muito longe.
Criticado pela sensualidade das formas que pintava, Klimt integrou o movimento da Secession, em 1897, assente em pintores jovens e não convencionais, de grande qualidade estética e exprimindo-se ainda através de uma revista (ver o sítio oficial de Klimt). Klimt surge, assim, como um dos responsáveis pela art nouveau, na transição do século XIX para o XX.
O filme, dirigido por Raoul Ruiz e com John Malkovich no papel do pintor, tem um traço muito especial, através das imagens (panorâmicas, neve no interior de dependências de casa, espelhos e esconderijos, personagens-fantasmas) e dos sons (copos a partir, ruído de água).
Hoje, no final da tarde, a sala de cinema estava vazia. De outra vez que assisti a um filme sozinho, a sala fechou pouco depois por inviabilidade económica.


























