quinta-feira, 30 de junho de 2011

LIVRO DE ISABEL CAPELOA GIL LANÇADO HOJE NO MUDE

O MUDE (Museu do Design e da Moda) foi o espaço para apresentação do livro mais recente de Isabel Capeloa Gil, Literacia visual. Estudos sobre a inquietude das imagens. A apresentação coube a António Pinto Ribeiro, ensaista, curador e professor [na fotografia, da esquerda para a direita, Pedro Bernardo (Edições 70), a autora, Bárbara Coutinho (directora do MUDE) e António Pinto Ribeiro, apresentador do livro].


Na capa do livro lê-se: "A construção visual do social e da cultura constituiu-se como marca do novo paradigma do século XXI. Esta visualidade complexa requer uma nova literacia, que possibilite um entendimento competente dos dispositivos de olhar que permeiam as sociedades, das estratégias de poder que constituem os campos de visibilidade e invisibilidade e a decifração dos poderes oblíquos que se refractam através dos suportes tecnológicos da imagem, da fotografia e cinema aos vídeo jogos e às novas plataformas de interacção virtual".

O livro tem duas partes, a primeira intitulada Dispositivos do Olhar e a segunda Visualidade e Violência. Na apresentação do seu próprio livro, a autora escreve que o livro "resulta de uma paixão e de uma perplexidade. De uma paixão pelas imagens e pelo seu mistério, e da perplexidade pela infinita incompletude que resulta da compulsão de lhes dar sentido". Isabel Capeloa Gil, directora da Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica Portuguesa, convoca autores tão distintos como Edgar Allan Poe, Baudelaire, Walter Benjamin, Ludwig Wittgenstein, Robert Musil, Spike Lee, J. M. Coetzee, Ernst Jünger, Martha Rosler, Barbie Zelizer e Slavoj Žižek.

Recentemente, a autora publicou em coordenação com Manuel Cândido Pimentel o livro Simone de Beauvoir. Olhares Sobre a Mulher e o Feminino (2010) e em coordenação com Adriana Martins o livro A Cultura Portuguesa no Divã (2011). O primeiro resulta de uma conferência promovida pelo CEFi (Centro de Estudos de Filosofia) e pelo CECC (Centro de Estudos de Comunicação e Cultura), em Novembro de 2008, sobre Simone de Beauvoir e que serviu para conhecer o seu pensamento e acção criadora, capaz de propor novos mundos e de combater pelas suas ideias, pela rebeldia de romper com ciclos de história e cultura. No encontro, agora editado em livro, reuniram-se contributos de filosofia, literatura, artes, cinema e media, em que, a partir de perspectivas diferenciadas, se analisou criticamente a obra e acção da autora. O segundo livro, saído de seminário realizado em Junho de 2010, procura abrir um novo caminho ao estudo da psicanálise e da cultura portuguesa, inquirindo a utilidade da abordagem psicanalítica para o estudo da literatura e das humanidades em geral, da filosofia e do cinema. Numa perspectiva transversal, juntou olhares nacionais e internacionais, cujo cruzamento de saberes contribuiu para decifrar os sentidos da cultura portuguesa na modernidade.

CONCERTO DE HOMENAGEM A GLÓRIA DE SANT'ANNA

O concerto de homenagem à poetisa Glória de Sant'Anna (1925-2009), que representa a admiração do compositor Vasco M. N. Pereira pela obra da autora, vai realizar-se no auditório do Centro de Arte de Ovar, no dia 3 de Julho às 21:30. A admiração do compositor começou após a leitura de um livro de poemas da poetisa intitulado Amaranto, de onde nasceram duas canções (É o Vento e Pescador) e uma obra para coro a quatro vozes mistas (Prece). Já depois do falecimento da poetisa, o compositor musicou o poema Palavras para coro misto e os poemas Asas, Mágoa e Mar para soprano e quinteto.

O programa está dividido em duas partes. A primeira parte será dedicada à Música Instrumental e será da responsabilidade exclusiva da Cameratta Ibérica (na imagem). Serão interpretadas quatro arranjos de obras orquestrais para o quinteto. A segunda parte será dedicada exclusivamente à poesia de Glória de Sant’Anna e aos seus poemas musicados por Vasco M. N. Pereira, com leitura por familiares da poetisa e interpretadas as canções pela soprano Jacinta Almeida, sendo duas acompanhada só pelo piano e as restantes, acompanhada pelo quinteto.

Para além de professora e paralelamente à escrita, Glória de Sant’Anna foi locutora da rádio em Pemba e Chimoio (Moçambique) e colaborou em diversos jornais: Diário Popular, Guardian (Lourenço Marques), Itinerário (Lourenço Marques), Diário de Moçambique (Beira), Notícias (Lourenço Marques), Tribuna (Lourenço Marques), Sul (Brasil), Caliban (Lourenço Marques), Colóquio Letras (da Gulbenkian), Letras & Letras (Porto). Da sua obra destaca-se o Livro de Água (1961), que recebeu o Prémio Camilo Pessanha da Academia das Ciências de Lisboa [informações fornecidas pela entidade organizadora].

quarta-feira, 29 de junho de 2011

JORNAL I VENDIDO A JAIME ANTUNES

O empresário Jaime Antunes comprou o jornal i, até agora pertencente ao grupo Lena. Jaime Antunes fora o fundador do Semanário Económico e do Diário Económico, no que é um regresso ao sector dos media (fonte: Público).

terça-feira, 28 de junho de 2011

CHAPÉUS DE SOL NA GULBENKIAN

Desenho de Bárbara Assis Pacheco para o projecto Chapéus-de-Sol (programa Próximo Futuro/verão 2011).

FRANCISCO ADAM E ANGÉLICO VIEIRA

Francisco Adam: "Retiro do sítio da TVI a informação ontem colocada: "Com 22 anos o famoso Dino dos Morangos com Açúcar perdeu a vida esta madrugada num acidente de carro. Há mais de um ano que Francisco Adam fazia parte do elenco da série. Na pele de Dino dava os primeiros passos como actor e tinha um futuro promissor à sua frente. Numa entrevista à TVI Francisco Adam revelou alguns segredos e traços da sua personalidade. Começou a trabalhar como modelo. Durante mais de quatro anos deu a cara por várias campanhas publicitárias. Foi depois de um workshop com um actor brasileiro que se inscreveu num casting para os Morangos com Açúcar e foi seleccionado. A boa disposição da personagem que encarnou era fruto da sua própria boa disposição" (publicado aqui em 17 de Abril de 2006).

Angélico Vieira: Actor e cantor continua internado no Hospital de Santo António. Angélico Vieira em morte cerebral (título do Público online, de hoje). Certidão de óbito de Angélico Vieira ao início da noite (título do Público online, de hoje à tarde). "O antigo vocalista dos D’Zrt sofreu um traumatismo crânio-encefálico muito grave, foi submetido a uma intervenção cirúrgica e encontra-se ligado a um sistema de suporte de vida. É tudo o que os responsáveis médicos adiantam sobre o estado de saúde de Angélico Vieira, de 28 anos. A agência que representa o actor convocou uma vigília para esta noite, às 21h00. Os fãs são chamados a participar e a levar velas para a porta do hospital, no centro do Porto, onde os familiares e amigos de Angélico Vieira continuam a chegar, incluindo o pai, que se encontrava em Angola" (Público de ontem).

Há grandes similitudes na narrativa dos dois: jovens, bonitos, muito pretendidos pelo sexo oposto, actores, conhecidos na série Morangos com Açúcar, rebeldes à sua maneira, sofrendo acidentes brutais com automóveis à noite, grande destaque nos media diários e nas revistas onde a sua fama se consolidou. James Dean, Jim Morrison, Curt Cobain, Marilyn Monroe também morreram jovens e no meio da fama, por acidente ou por suicídio. Eram estrelas, modelos de comportamento (mesmo que pouco exemplar) e ficaram na memória. Um culto próprio mantém-se. Mas a lembrança de Dino não se prolongou muito. O país é pequeno e a memória que temos das estrelas é menor que noutros países. Uma diferença: a morte de Francisco Adam foi anunciada rapidamente, a de Angélico Vieira quase que coreografada (a palavra surge-me, mesmo que sinta respeito pela tragédia).


EXPOSIÇÃO TEMPORÁRIO NO MUSEU DO CHIADO A INAUGURAR DIA 30 DE JUNHO

SER JORNALISTA EM PORTUGAL APRESENTADO EM 7 DE JULHO NO ISCTE

segunda-feira, 27 de junho de 2011

PROJECTO EDITORIAL DE LIVROS INFANTIS

O projecto Gato na Lua assume uma orientação editorial de publicação de álbuns ilustrados de grande qualidade dirigidos a crianças entre os três e os dez anos. Os autores e ilustradores falam línguas diferentes entre si, possuem referências e imaginários distintos, e partilhamos com as crianças essa cultura de diversidade, através dos seus textos e imagens, dizem os responsáveis pelo projecto editorial. O primeiro livro, O meu Balão Vermelho, tem como autor e ilustrador Kazuaki Yamada.

APRESENTAÇÃO DE LIVRO DE ISABEL GIL (LITERACIA VISUAL) NO DIA 30 PELAS 19:00 NO MUDE

domingo, 26 de junho de 2011

EDITORES E TELESPECTADORES NOS NOTICIÁRIOS TELEVISIVOS EM TESE DE DOUTORAMENTO DE ADELINO GOMES

Adelino Gomes vai defender a sua tese de doutoramento O telejornal e o zapping na era da Internet. Estudo do comportamento de editores e telespectadores nos jornais televisivos das 20 horas da RTP1, SIC e TVI (2006-2010) no próximo dia 4 de Julho, às 10:30, no auditório Afonso de Barros, ISCTE, Lisboa.

Adelino Gomes é, profissionalmente, jornalista, tendo trabalhado na rádio, na televisão e na imprensa. Neste último meio, foi um dos fundadores do jornal Público.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

S. JOÃO NO PORTO

"O Porto celebra o S. João. Há muitas festas pequenas - de prédio, de rua, de praça, de bairro - que se espalham pela cidade e não fecham a porta a mais um que queira entrar" (Público).

quarta-feira, 22 de junho de 2011

BAIRRO ALTO

Conferência O Bairro Alto de Lisboa - um olhar antropológico, por Heitor Frúgoli Jr., na livraria Círculo das Letras (Rua Augusto Gil, 15 B, Lisboa), no dia 28 de Junho, às 18:45.

terça-feira, 21 de junho de 2011

SOLSTÍCIO DE VERÃO

Entrou hoje o Verão, um tempo de mais calor e vontade de descansar: pensa-se logo em férias.

Ao mesmo tempo, Junho é o mês dos Santos Populares: Santo António, São João e São Pedro. Tradições que misturam sentimentos religiosos com festividades, lazer e consumo. Algumas montras das lojas de rua adequaram-se à época, produzindo belos efeitos (loja de roupa em primeira e segunda mão, na Rua Formosa, no Porto; loja de chocolates, junto à Avenida de Roma, em Lisboa).

METODOLOGIAS DE INVESTIGAÇÃO: O USO DO TELEMÓVEL COMO MEIO DE COMUNICAÇÃO

Hoje, os professores Mágda Rocha e Eduardo Pellanda, docentes da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (Porto Alegre, Brasil), deram uma conferência onde falaram das metodologias de investigação científica aplicadas às ciências da comunicação (ver texto completo em http://industrias-culturais.hypotheses.org/15756).

FANS AND FANDOM

Dr. Eoin Devereux is "planning to organise a series of panels on Fandom and Popular Culture (with a focus on Rock Music) at the 2012 CROSSROADS IN CULTURAL STUDIES CONFERENCE in Paris. If you are interested in taking part send a 150 word abstract to eoin.devereux@ul.ie by July 31st 2011. Abstracts should include a clear statement on your methodological and theoretical approaches towards understanding Fandom and Popular Culture". Dr. Eoin Devereux is Senior Lecturer and Head of Department, Department of Sociology, Faculty of Arts, Humanities and Social Sciences, University of Limerick, Ireland.

domingo, 19 de junho de 2011

LIVROS DE MARIA MAMEDE E JOSÉ GOMES

Foi ontem à tarde, numa sala de hotel em Lisboa, que foram apresentados os livros de Maria Mamede (1947) (Bicharoquices, com ilustrações de Victor Hugo Freitas) e de José Gomes (1940) (O Coelho Jiróca, com ilustrações de Milú Coelho Gomes).

Os livros nasceram da ideia de Jorge Castelo Branco, da editora Edium. Os dois autores têm sido convidados pelas escolas do núcleo do Rodrigues de Freitas, no Porto, para contar histórias na hora do conto, ela poesia e ele histórias.


Ambos fizeram carreira profissional na banca, dedicando agora os tempos disponíveis ainda a participar em tertúlias em Vermoim e São Mamede de Infesta, do concelho da Maia, no Grande Porto. Desde há anos que acompanho à distância (pela internet e pelo correio electrónico) a produção cultural do grupo Movimentum - Arte e Cultura. Duas vezes por mês, usando equipamentos culturais da autarquia a que pertencem, reunem-se, lêem poesia, instalam teatrinhos de manipulação de imagens, conversam e partilham conhecimentos e amizades, numa articulação de tecnologias (blogues, fotografias digitais) com cultura popular (memórias do tempo e do espaço) e fazem parte da (grande) comunidade imaginária de leitores e de produtores de conteúdos escritos que existem espalhados pelo país.

sábado, 18 de junho de 2011

ELA, DE GENET

Ela é uma peça de Jean Genet (1955), em apresentação no Teatro da Cornucópia, com encenação de Luís Miguel Cintra, e com este e Luís Lima Barreto, Ricardo Aibéo, Dinis Gomes e Manuel Romano na interpretação.

Ela é o Papa, a Sua Santidade (Luís Miguel Cintra). O fotógrafo (Ricardo Aibéo) pretende fazer a fotografia oficial do Papa. A atendê-lo está o Contínuo (Luís Lima Barreto), que mais me parece um mestre de cerimónias ou um chefe de gabinete pela pertinência e objectividade (e o seu oposto: a subjectividade) com que fala e argumenta. Toda a peça rola em volta da fotografia a tirar ao Papa e da importância desse gesto para o conhecimento mundial da sua figura. Em simultâneo, é uma discussão em torno do binómio ser humano/ser que representa Deus, do material e do espiritual. E ainda o confronto entre a doçura (os torrões de açúcar) e os soluços (ou prantos), a oposição entre alegria e tristeza, juventude e velhice, amor e ódio.

As peças de Jean Genet chocam muita gente, pelos temas, pela linguagem obscena, assustam porque põem os espectadores perante um mundo que sabem que existe (Roger Blin, no catálogo que acompanha a peça). Mas, por outro lado, as suas peças são desarmantes, porque provocam o riso e relaxam o público. Roger Blin compara Genet com Ionesco e Beckett. Genet não propõe soluções para os problemas, pelo que sente que qualquer ordem e organização são princípio de um constrangimento. Da peça e do autor, escreve Luís Miguel Cintra sobre o teatro do absurdo, a reflexão da vida, a encenação da morte. Em Genet, coloca-se a liberdade de pensar e de exprimir os seus pensamentos, quando os entende belos. Ele tolera mais os sofrimentos físicos e o desconforto mais do que o conforto. Sobre Deus, Genet acredita que acredita nele. A revolta dele, da sua infância, dos seus catorze anos, não foi contra a fé mas contra a sua situação social, uma condição de humilhado.

O artista é como Ela: a representação diária é como se estivesse a ver a um espelho. Será que sou igual, que venço a comunicação com o público, que supero as dificuldades? Ou sou o outro, o que aparece na fotografia, o que já morreu porque foi fotografado? A fotografia é da ordem do devir, do passado, do inantigível. Ao mesmo tempo, é a fotografia que perpetua, que aproxima, que parece dar um toque de humanidade e de vida.

Evoquemos, como no catálogo sobre a peça se faz, as pinturas de Diego Velásquez, Retrato de Inocêncio X (1650), e Francis Bacon, Estudo para o Papa Inocêncio X de Velázquez (1953).



sexta-feira, 17 de junho de 2011

EXPOSIÇÃO EM SETÚBAL


Cruzando a Diversidade Cultural: Pintura de José Taklyn e Silvia Pintilie é uma exposição a inaugurar no dia 24 de Junho, pelas 21:30H, no Museu de Arqueologia e Etnografia do Distrito de Setúbal (MAEDS).

PINTURA PORTUGUESA

Primitivos Portugueses. El siglo dorado de la pintura portuguesa no Museo Nacional Colegio de San Gregorio, em Valladolid. Inauguração no dia 21 de Junho às 13:00.

NOVO DIRECTOR-GERAL DA TVI

José Fragoso, actual director de programas da RTP, vai para a TVI, onde ocupará o cargo de director-geral de conteúdos (a partir de notícia do Público online).

quinta-feira, 16 de junho de 2011

REALITY BANKRUPTCY CRISIS HITS ENDEMOL

"A question mark looms over the financial survival of television producer Endemol – the giant company behind Big Brother and Deal or No Deal - as details of its worsening debt were revealed. The Dutch financial daily, het Financieele Dagblad, reported on Tuesday that the TV company’s shareholders had appointed the advisory-focused investment bank Houlihan Lokey to restructure its debt, which is in the region of two billion euros. Endemol is owned jointly by Goldman Sachs Capital Partners, Silvio Berlusconi’s Mediaset SpA and CyrteInvestments, a fund controlled by John de Mol, one of Endemol’s co-founders. The reality TV network was set up in 1994 by Dutch producers John de Mol and Joop van den Ende and has been taken over by several different owners since then. The TV company made a huge international breakthrough with the Big Brother formula and currently operates in some 30 countries. But it seem that the massive financial restructuring plan is not enough to save the company, which, says the FD, is teetering on the brink of insolvency. A huge three-year acquisition spree and a failure to develop new hits when broadcast networks have begun to eschew the reality genre have contributed to its downfall" (source: rnw.nl/english/bulletin/reality-bankruptcy-crisis-hits-endemol).

terça-feira, 14 de junho de 2011

MERCADO DO BOLHÃO (PORTO)


PROCURAR GANHAR A VIDA

Quando subo as escadas do metro, encontro-o à direita, encostado à parede. As escadas estão agora desertas, a uma hora muito cedo de um dos últimos domingos. Mas lembro-me da sua fisionomia: com algumas rugas em rosto anguloso, bigode comprido, às vezes a fumar, outras vezes a conversar com um empregado da segurança do metro. Tem talvez uns cinquenta anos. Vende nas escadas: chapéus de chuva, luvas, sandálias de plástico, sabrinas, coberturas de telemóvel, meias, sempre em pequeníssima quantidade. Ganha pouco dinheiro, certamente. Mas vejo-o com uma grande regularidade no seu "posto de trabalho", trabalho quase clandestino apesar de se situar num local público.

Na rua, caminhando ao longo de um percurso, outro homem procura ganhar algum dinheiro. É um homem-cartaz: ele anuncia cautelas e venda de ouro e prata nas placas de plástico amarelo que traz à frente e atrás. No momento em que o fotografo, há um canal de televisão (ou produtora) que o entrevista. Possivelmente, o entrevistador quer saber como trabalha, o que ganha e que histórias de gente que vende o seu ouro porque já não tem dinheiro para comprar bens essenciais. Nos últimos anos, os homens-cartaz andam pelas ruas a publicitar as casas de penhor. Por isso, tornam-se motivo de reportagem de televisão e de escrita de artigos de jornal.



O país empobreceu - e estes homens representam essa perda de confiança e poder. Devem ter ficado sem os seus empregos, se calhar pouco qualificados. Agora, com um olhar meio envergonhado, esperam que os abordem e façam um pequeno, muito pequeno, negócio.

MOSTRA DE CINEMA SOBRE DESPORTO


Entre os dias 16 e 17 de Junho vai-se realizar no Teatro Académico Gil Vicente (TAGV), em Coimbra, o ciclo de cinema 8 mm com futebol – I Mostra de Cinema sobre Desporto, organizado numa parceria entre o CEIS20 – Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX da Universidade de Coimbra, o Teatro Académico Gil Vicente e a Universidade de Sevilha. Destaco a apresentação, no dia 17 de Junho, pelas 17:00, do livro de Francisco Pinheiro História da Imprensa Desportiva em Portugal, com apresentação do livro por Isabel Vargues, professora universitária (Universidade de Coimbra) e Joaquín Marín Montín, professor universitário (Universidade de Sevilha). Saber mais em http://www.tagv.info/.

VIDA CULTURAL NA PRIMEIRA REPÚBLICA

LUCKI E AS BAIBIES

Lucki e as Baibies, texto de Marta Freitas, narra a história de um grupo de teatro em que o fundador é Lucki (Pedro Mendonça). O grupo vai de terra em terra mostrar o seu espectáculo e é um misto de circo e teatro ambulante, em um só acto ou com cenas de cenas a lembrar o teatro de vaudeville (mas sem artistas convidados para cada sessão) e os temas da beat generation: errância, famílias desestruturadas, inadaptação. Mas é também a história das duas mulheres que o acompanham no espectáculo, Dorita (Marta Freitas) e Gemma (Teresa Queirós), aquela mais velha que esta e preterida nos favores sexuais de Lucki. Cada personagem encerra uma vida de privações, violações e violência doméstica familiar, cujos pormenores íntimos são revelados nas conversas que estabelecem nos intervalos do espectáculo. Este já teve um público mais caloroso, o que leva os artistas a interrogarem-se das causas.

Há um quadro psicológico individual, em que a solidão e o insucesso crescem e levam Lucki, Dorita e Gemma a um quadro de grande violência: fuga através da bebida, machismo e desprezo pelo género feminino, submissão, pobreza mas vontade de continuar a representar diante de um público. A decadência e a morte parecem esconder os sonhos, a magia, os papéis do palhaço e da trapezista, do domador e do ilusionista, do declamador e do artista trágico, os contos de fadas, o bailado, a canção de amizade e carinho, a juventude que os artistas tiveram e acreditaram existir para sempre, a par do êxito escasso e efémero.

A peça, com encenação de João Paulo Costa, representa dois mundos: o palco (o espectáculo em si) e o bastidor (o que se esconde, em especial a violência dentro do grupo), como o sociólogo Erwing Goffman ilustra os seus livros. A cortina, ao abrir, fechar e entreabrir, permite ao espectador aceder a esses momentos. Por vezes, o silêncio é tão intenso como a conversa ou os gritos. Outras vezes, a música que cantam, as danças que apenas ensaiam, as plumas e os adereços que usam, soam a falso. O cenário, uma roulotte, simultaneamente o palco e o espaço onde vivem, comem, dormem, discutem e brigam, enquadra bem o lado saltimbanco do grupo.

Além de autora de Lucki e as Baibies, com formação académica em psicologia e teatro, Marta Freitas é actriz e professora na ACE (Academia Contemporânea do Espectáculo) e no Balleteatro Escola Profissional. Lucki e as Baibies está em cena na ACE - Teatro do Bolhão, no Porto [imagem ao lado retirada do blogue de ana pereira].

quinta-feira, 9 de junho de 2011

MUSIC & COUNTERCULTURE

Music and counterculture(s). Rock'n'Roll, the Sixties, the U.S. and beyond.

Ce numéro de Volume ! La revue des musiques populaires s’intéressera, par le détour de la musique, aux contre-cultures des années 1960 et au-dela – à ce mouvement hétérogène, son identité éclatée, sa circulation planétaire, ses origines, son influence et ses héritages. Nous invitons ainsi les chercheurs à étudier le phénomène de « la contre-culture » musicale mais aussi à en interroger la définition esthétique, culturelle, politique, historique et chronologique : que fut la contre-culture, et comment la musique l’a cimentée ? qu’est-ce qui l’identifie non seulement spécifiquement dans les années 1960-1970, mais aussi plus généralement au-delà : ses caractéristiques « formelles » (caractéristiques musicales, styles), son idéologie (militantisme, modes de vie) ou ce à quoi elle s’oppose (le système, les « valeurs américaines traditionnelles », la guerre, le capitalisme) ? Les contributions sont à envoyer par email avec résumé, mots-clés et biographie succinte de l’auteur, aux adresses suivantes : fredericbob[at]aol[dot]com, editions[at]seteun[dot]net & jedediah-sklower[at]hotmail[dot]com, gerome[dot]guibert[at]wanadoo[dot]fr, avant le 15 octobre 2011.

[http://calenda.revues.org/nouvelle20067.html]

NAISSANCE DE L'OPINION PUBLIQUE DANS L'ITALIE MODERNE

Ouvrage: Sandro Landi, Naissance de l’opinion publique dans l’Italie moderne, PUR, 2006. Lire ici.

SOBRE O ESPAÇO PÚBLICO EM PORTUGAL NA ÉPOCA DAS LUZES

O capítulo Novas formas: vida privada, sociabilidades culturais e emergência do espaço público (2011), de Maria Alexandre Lousada, no segundo volume de História da vida privada em Portugal, traça uma análise às condições de produção e difusão cultural, à afirmação da privacidade e à emergência do espaço público em Portugal, assuntos que me interessam muito. Ler o texto completo em http://industrias-culturais.hypotheses.org/15520.

MUDANÇAS NO JORNAL DE NOTÍCIAS

"Aparentemente, o JN acaba de fazer um corte drástico na sua 'carteira' de colunistas. Desapareceram nomes como Mário Mesquita, Paquete de Oliveira, Luís Filipe Meneses, Luís Portela, Alice Vieira, Freitas Cruz, Mário Contumélias, Óscar Mascarenhas, Paulo Baldaia, Nuno Rogeiro, Zita Seabra, Paulo Morais, entre vários outros. Não vimos explicação aos leitores da parte da nova Direcção" (Manuel Pinto, FaceBook).