Diário de bordo
Este é o sexto dia sem acesso ao email da Netcabo (houve um período de funcionamento no sábado de manhã). Os servidores estarão fora de serviço até ao dia 18 à noite, esperando-se então a conclusão da reparação da avaria, segundo me disseram há pouco do Apoio ao Cliente.
É muito, mas muito, tempo sem email. Especialmente para quem o paga e usa o email para trabalho, como marcar reuniões e receber informação profissional.
Espero que a Zon envie uma informação posterior com desculpas aos seus clientes.
Textos de Rogério Santos, com reflexões e atualidade sobre indústrias culturais (imprensa, rádio, televisão, internet, cinema, videojogos, música, livros, centros comerciais) e criativas (museus, exposições, teatro, espetáculos). Na blogosfera desde 2002.
segunda-feira, 16 de março de 2009
domingo, 15 de março de 2009
INVESTIMENTOS NA CULTURA
O Guardian de ontem (texto de Charlotte Higgins) questionava a continuidade da existência de entidades culturais devido a previsíveis cortes orçamentais devido à crise financeira instalada no mundo. O jornal estima que a baixa vem de 2007, com uma queda de 7% no ano passado. Alguns patrocinadores privados estão a retirar-se, dadas as dificuldades empresariais. O investimento privado no Reino Unido para a cultura é de 686,7 milhões de libras, enquanto o DCMS (Department of Culture, Media and Sports) planeia investir 437,6 milhões para o período de 2010 e 2011.
Os Estados Unidos e o Reino Unido têm problemas distintos, e diferentes possivelmente da Europa continental e do resto do mundo. Nos Estados Unidos, em que o apoio estatatal é mínimo, é possível que dez mil organizações culturais soçobrem durante 2009, estima a organização sem fins lucrativos Americans for the Arts. Os donativos provêm de empresas actualmente a braços com problemas de liquidez para os seus próprios negócios. No Reino Unido, a juntar à crise financeira veio a queda da cotação da libra, cerca de 30% relativamente ao dólar e 25% ao euro. Isto traz um fraqueza e uma oportunidade. Os que importam trabalho ou serviços fora do país pagam mais, o que já obrigou ao cancelamento de compromissos, como o San Francisco Ballet e exposições em galerias e centros de arte; os que produzem localmente, caso de Londres, ganham pois têm mais visitantes ou espectadores, dado que o preço baixou por comparação com o euro e o dólar.
Os Estados Unidos e o Reino Unido têm problemas distintos, e diferentes possivelmente da Europa continental e do resto do mundo. Nos Estados Unidos, em que o apoio estatatal é mínimo, é possível que dez mil organizações culturais soçobrem durante 2009, estima a organização sem fins lucrativos Americans for the Arts. Os donativos provêm de empresas actualmente a braços com problemas de liquidez para os seus próprios negócios. No Reino Unido, a juntar à crise financeira veio a queda da cotação da libra, cerca de 30% relativamente ao dólar e 25% ao euro. Isto traz um fraqueza e uma oportunidade. Os que importam trabalho ou serviços fora do país pagam mais, o que já obrigou ao cancelamento de compromissos, como o San Francisco Ballet e exposições em galerias e centros de arte; os que produzem localmente, caso de Londres, ganham pois têm mais visitantes ou espectadores, dado que o preço baixou por comparação com o euro e o dólar.
GRAN TORINO
Clint Eastwood vota no Partido Republicano e é muito reaccionário. Sou mais preciso: ele não gostou do presidente Bill Clinton e não deve gostar de Barack Obama. Mas, apesar de republicano, não se impressionou com Bush Junior; pelo contrário. Basta olhar para as personagens do filme Gran Torino: a geração do meio, a da idade entre Clinton, Bush Junior e Obama, não presta, a avaliar pelo modo como Walt Kowalski, a personagem interpretada por Eastwood, olha os filhos. Já a geração dos jovens "chinocas" - como Tao - representa o futuro, a renovação da nação, simbolicamente representada pelo longo e belo plano final, quando o jovem asiático viaja no Gran Torino por uma avenida sem fim, ao lado do mar, que pode ainda significar a ligação dos Estados Unidos à China e outros países daquele continente.
Eastwwod é também conservador. Vê-se como ele reage aos forasteiros asiáticos agora vizinhos. E como Walt Kowalski considera negativamente o filho, vendedor de carros japoneses, ele que trabalhou toda a vida na Ford. A perda da produção própria para a importação significa redução de empregos e de independência, a mudança do antigo médico, já reformado, por uma especialista de origem asiática e a crítica aos modos de comportamentos dos seus netos leva-o a uma permanente condenação. Ele já não compreende o mundo.
Mas a personagem Walt Kowalski parece arrastar uma contradição. Ele é de origem polaca, os seus amigos são italianos, irlandeses, sabe-se lá de que mais países! A reacção à vinda de novos imigrantes esconde a sua condição? Sim, de certo modo. A aceitação dos asiáticos no seu bairro significa que ele não pode impedir a mudança, dado que a geração mais antiga de imigrantes se desfez, se alastrou pelo país, e se degradou. O filme mostra como os Estados Unidos são um país de melting pot, de mistura, mas com muita luta até chegar a um novo equilíbrio. Por isso, ele toma partido dos "chinocas", que compreende melhor que a família dos filhos, e por quem se sacrifica quando tem de enfrentar um bando de hmongs.
A redenção de Walt Kowalski (é assassinado, mas garante a paz à família "protegida") é o reverso da violência dele e da América na guerra da Coreia. O simbolismo surge quando ele dá a medalha ganha em combate ao jovem asiático. E a aceitação da família de Tao lembra os papéis que Eastwood desempenhou noutros filmes, como Million Dollar Baby, em que faz de conselheiro físico e espiritual de uma rapariga que segue o boxe como actividade de recuperação pessoal. Naquele que terá sido o seu último filme, o velho, reaccionário e conservador Eastwood representa, na conflitualidade e na raiva quase constante, uma mensagem de esperança. A mudança geracional pode trazer boas novidades. Talvez, no fundo, ele se aproxime do ideal democrático de Obama e lamente os anos perdidos de Bush Junior. Gran Torino é um grande filme que nos faz rir e nos faz chorar e que, sobretudo, nos faz pensar. Ao contrário de Million Dollar Baby, em que a personagem interpretada por Eastwood assiste à explosão vencedora da boxeur e à sua queda (uma hemorragia cerebral em combate leva-a ao estado de coma), em Gran Torino, o jovem asiático é o espectador da queda da personagem desempenhada por Eastwood.
Uma última reflexão, a das cenas iniciais e finais. O filme começa com o funeral da mulher de Kowalski, o filme acaba com o funeral deste. Assiste-se a um rito de passagem, a uma transição de uma geração para outra, mas em que se preservam os valores, os ideais americanos de fortuna e liberdade. No filme, só o velho Kowalski podia fazer esse papel de entrega do testemunho. O filme começa com a igreja e o padre a reflectir sobre vida e morte, o filme acaba com o advogado a ler o testamento - a religião e a lei acompanham esses valores imperecíveis dos países.
Dos filmes mais recentes e de incomparável qualidade de Clint Eastwood destaco Mystic River e a história comparada em Flags of Our Fathers e Letters from Iwo Jima.
Eastwwod é também conservador. Vê-se como ele reage aos forasteiros asiáticos agora vizinhos. E como Walt Kowalski considera negativamente o filho, vendedor de carros japoneses, ele que trabalhou toda a vida na Ford. A perda da produção própria para a importação significa redução de empregos e de independência, a mudança do antigo médico, já reformado, por uma especialista de origem asiática e a crítica aos modos de comportamentos dos seus netos leva-o a uma permanente condenação. Ele já não compreende o mundo.
Mas a personagem Walt Kowalski parece arrastar uma contradição. Ele é de origem polaca, os seus amigos são italianos, irlandeses, sabe-se lá de que mais países! A reacção à vinda de novos imigrantes esconde a sua condição? Sim, de certo modo. A aceitação dos asiáticos no seu bairro significa que ele não pode impedir a mudança, dado que a geração mais antiga de imigrantes se desfez, se alastrou pelo país, e se degradou. O filme mostra como os Estados Unidos são um país de melting pot, de mistura, mas com muita luta até chegar a um novo equilíbrio. Por isso, ele toma partido dos "chinocas", que compreende melhor que a família dos filhos, e por quem se sacrifica quando tem de enfrentar um bando de hmongs.
A redenção de Walt Kowalski (é assassinado, mas garante a paz à família "protegida") é o reverso da violência dele e da América na guerra da Coreia. O simbolismo surge quando ele dá a medalha ganha em combate ao jovem asiático. E a aceitação da família de Tao lembra os papéis que Eastwood desempenhou noutros filmes, como Million Dollar Baby, em que faz de conselheiro físico e espiritual de uma rapariga que segue o boxe como actividade de recuperação pessoal. Naquele que terá sido o seu último filme, o velho, reaccionário e conservador Eastwood representa, na conflitualidade e na raiva quase constante, uma mensagem de esperança. A mudança geracional pode trazer boas novidades. Talvez, no fundo, ele se aproxime do ideal democrático de Obama e lamente os anos perdidos de Bush Junior. Gran Torino é um grande filme que nos faz rir e nos faz chorar e que, sobretudo, nos faz pensar. Ao contrário de Million Dollar Baby, em que a personagem interpretada por Eastwood assiste à explosão vencedora da boxeur e à sua queda (uma hemorragia cerebral em combate leva-a ao estado de coma), em Gran Torino, o jovem asiático é o espectador da queda da personagem desempenhada por Eastwood.
Uma última reflexão, a das cenas iniciais e finais. O filme começa com o funeral da mulher de Kowalski, o filme acaba com o funeral deste. Assiste-se a um rito de passagem, a uma transição de uma geração para outra, mas em que se preservam os valores, os ideais americanos de fortuna e liberdade. No filme, só o velho Kowalski podia fazer esse papel de entrega do testemunho. O filme começa com a igreja e o padre a reflectir sobre vida e morte, o filme acaba com o advogado a ler o testamento - a religião e a lei acompanham esses valores imperecíveis dos países.
Dos filmes mais recentes e de incomparável qualidade de Clint Eastwood destaco Mystic River e a história comparada em Flags of Our Fathers e Letters from Iwo Jima.
HTTP/1.1 503 Service Unavailable
É esta a mensagem em permanência a quem procura aceder ao email da Netcabo, serviço da Zon Multimedia, nos últimos cinco dias. Incluindo clientes que pagam pelos serviços da Zon (o acesso regressou ontem por curtas horas, mas voltou a desaparecer a ligação).
Não é tempo de mais? Será que a Zon vai pedir desculpa aos seus clientes? Indemnizá-los? Ou ignorar tudo?
Não é tempo de mais? Será que a Zon vai pedir desculpa aos seus clientes? Indemnizá-los? Ou ignorar tudo?
sábado, 14 de março de 2009
BERNARD MIÈGE EM SÃO PAULO
Em pós-graduação da Universidade de São Paulo (Brasil), de 23 a 27 de Março e de 13 a 17 de Abril.

[via Elizabeth Saad Corrêa no Facebook]

[via Elizabeth Saad Corrêa no Facebook]
ARQUITECTURA DE COIMBRA EM BERLIM
A Escada Mecânica no Castelo de Rivoli, em Itália, de João Mendes Ribeiro, e o aparthotel que o Atelier do Corvo projectou e está a ser construído em Angola são dois dos 21 projectos que compõem a exposição Arquitectura: Portugal fora de Portugal.
A exposição, promovida pela Ordem dos Arquitectos Portugueses, foi inaugurada no dia 4 de Março, na galeria Aedes/ Architekturforum em Berlim, por ocasião da visita de Estado à Alemanha de Aníbal Cavaco Silva. Está patente até 9 de Abril.

A exposição, promovida pela Ordem dos Arquitectos Portugueses, foi inaugurada no dia 4 de Março, na galeria Aedes/ Architekturforum em Berlim, por ocasião da visita de Estado à Alemanha de Aníbal Cavaco Silva. Está patente até 9 de Abril.

GESTÃO E COMUNICAÇÃO CULTURAL - SEMINÁRIOS POR TONI PUIG

Nos dias 5 e 7 de Maio de 2009, no Auditório do Padrão dos Descobrimentos (Lisboa), Toni Puig vai realizar dois seminários sobre Gestão e Comunicação Cultural, numa organização da Academia de Produtores Culturais.
Em entrevista recente concedida a Rui Matoso, Puig disse:
- Toda a cultura, toda a programação cultural, cujo objectivo não esteja ancorada no contexto concreto das cidades concretas (reais) e na melhoria das condições de vida intelectual dos cidadãos, não é cultura, é espectáculo! Eu sou um grande defensor dos espectáculos, claro! Precisamos de espectáculos de qualidade, no tipo de vida que levamos precisamos de distracções. Mas, de modo lato diria que tudo o que promove o pensamento é cultura, e tudo o que nos distrai é espectáculo, diversão. Precisamos das duas coisas obviamente.
- Eu comecei por trabalhar em Barcelona com os temas da animação sociocultural, que significa trabalhar com as pessoas e implicá-las nos processos. Depois chegou a era da gestão cultural, e acharam que tudo aquilo era muito popular, onde havia muita gente popular e anónima. Isso não lhes interessava, por isso sucumbiram ao glamour da gestão cultural. Criaram equipamentos, e muito bem, mas agora estão aborrecidos, sem dinheiro, sem saber o que fazer, pois já programaram de tudo. A gestão cultural funcionou sempre como distribuição de produtos e um difusor de artistas e de actividades, nunca colocou a tónica no pensamento. São cadeias de distribuição comercial de produtos que provoquem resultados imediatos, económicos ou mediáticos. Por isso, não colocam o assento na melhoria da qualidade de vida dos cidadãos.
ESTUDO SOBRE REVISTAS FEMININAS
No próximo dia 17 de Março, pelas 18:30 e na Universidade Católica Portuguesa (Sala da Expansão Missionária), vai ser lançado o livro O Papel Principal. Um estudo de caso. As capas da Elle de edição Portuguesa, de Helena Cordeiro, numa edição da Media XXI.Trata-se de um trabalho que tem como principal objecto o estudo das revistas femininas e o seu impacto nas leitoras. A autora estudou as capas da revista Elle mas também o seu conteúdo. Além disso, entrevistou muitas leitoras, dentro da perspectiva da etnografia.
O vídeo reflecte uma pequena entrevista com a autora.
No livro, Helena Cordeiro escreve sobre a representação da mulher, o corpo feminino nas revistas, a moda, a construção da sexualidade e as glossies (revistas de papel brilhante e com boa impressão gráfica, como a Elle).
sexta-feira, 13 de março de 2009
O MUSEU VIRTUAL DA RÁDIO
O texto de Ana Machado, no Público Última Hora, de há quase vinte minutos atrás, tem um título categórico: Museu Virtual da rádio e televisão lançado hoje ainda sem espaço físico para colecção (endereço: Museu Virtual da RTP).

Fica o texto todo:

Fica o texto todo:
- Lei da Rádio impõe conservação de um museu material
Museu Virtual da rádio e televisão lançado hoje ainda sem espaço físico para colecção
13.03.2009 - 17h50 Ana Machado
A RTP propõe, a partir de hoje, uma visita virtual ao espólio de rádio e televisão. Um moderno portal de Internet, onde se mostram os objectos e os conteúdos – sons e imagem – que fizeram a história destes media em Portugal, é lançado hoje. Mas ainda não existe o museu físico de rádio e televisão, prometido desde o encerramento do Museu da Rádio, da Rua do Quelhas, a 1 de Abril de 2006.
Talvez arranque no segundo semestre deste ano. Mas não como museu, apenas como "colecção visitável", o que contraria a Lei da rádio, que obriga à sua existência.
A viagem virtual começa no átrio de entrada do edifício da RTP, na Avenida Marechal Gomes da Costa, em Lisboa. A partir daí, as portas abrem-se: "Bem vindo ao Museu Virtual da RTP", pode ler-se no final da introdução em museu.rtp.pt. O visitante virtual pode escolher a mostra da colecção de alguns dos objectos ligados à história da rádio, ou os da televisão, ou ainda optar pelos conteúdos, onde pode ouvir, no caso da rádio, e ver, no caso da televisão, uma selecção dos sons e imagens que marcaram os 74 anos de rádio e os 52 de televisão.
Se preferir tem ainda acesso, numa das portas virtuais, a entrar na exposição sobre os 50 anos da RTP, percorrendo o espaço onde esta exposição tem estado patente e onde deverá, mais tarde, nascer o espaço físico que acolherá parte da colecção de objectos da rádio e televisão.
Museu prometido há três anos continua por nascer
A criação de um museu da rádio e da televisão é prometida desde 2006, quando, depois de 1 de Abril desse ano, o Museu da Rádio, que se situava na Rua do Quelhas foi encerrado, para que a RTP pudesse vender o prédio que o acolhia. Cerca de cinco mil objectos, que representam uma das maiores colecções da Europa sobre história da rádio, foram então empacotados, esperando pela construção de um novo espaço, que teria metade do tamanho do edifício do Quelhas e que seria dividido com a televisão. Mas até hoje o novo museu da rádio e televisão, projectado para as instalações da RTP na Avenida Marechal Gomes da Costa, continua por nascer.
"Tentamos alargar o leque de públicos, a pensar em quem não se desloca ao espaço dos museus. E este é um espaço que permite uma visualização que não é possível directamente", frisa Pedro Braumann, director do gabinete de estudos e documentação da RTP, responsável pela iniciativa do Museu Virtual, que não quis avançar com o custo deste investimento: "Foram algumas dezenas de milhares de euros", adiantou apenas.
É o mesmo responsável que explica, sobre a ainda não existência de um museu físico, em paralelo com um virtual, que o novo contrato de concessão do serviço público de televisão obriga apenas à existência de uma colecção visitável: "Um museu obriga a uma série de obrigações com quadro de pessoal, por exemplo, e o contrato de concessão (do serviço público de televisão) apenas obriga a ter uma colecção museológica visitável", disse, referindo-se à cláusula 20 desse diploma, que fala da "obrigação museológica de ter uma colecção representativa da evolução da rádio e televisão".
Braumann garante, contudo, que o espólio de rádio e televisão está disponível integralmente para pessoas com interesses específicos, como investigadores.
Crítica à falta de critério científico
Mas Manuel Bravo, conservador do Museu da Rádio entre 1996 e 2004, que enaltece o carácter apelativo deste novo Museu Virtual, lembra outro diploma legal que obriga o contrato de concessão de serviço público de televisão a ir mais longe: "O contrato de concessão de serviço público é da televisão. E o que a Lei da Rádio ainda em vigor obriga, no seu artigo 48, é à existência e manutenção de um museu de rádio", frisa o antigo conservador, jornalista e ex-director de informação da RDP.
Manuel Bravo questiona ainda a inexistência, entre o espólio "exposto" no Museu Virtual, de material de rádio profissional: "Não vejo aqui gravadores e microfones profissionais. Onde estão as nagras? E o magnetofone K4, dos poucos que existem na Europa? E um telégrafo? Onde está a telegrafia sem fios? De onde vem a rádio? Quem fizer esta visita virtual, cientificamente não fica a saber nada", alerta o ex-conservador.
Do espólio do museu de rádio ficam ainda esquecidos objectos de carácter mais sentimental, como os estúdios de gravação de teatro radiofónico, que incluíam a caixa de areia que serviu para gravar os passos que iniciam o "Grândola, Vila Morena". Ou o rádio de António Oliveira Salazar, comprado pelo ditador em 1937 e mais tarde adaptado a gira-discos, porque Salazar não quis gastar dinheiro num novo. Ou a secretária onde Fernando Pessa escrevia em casa, doada pela família.
"Andamos a juntar peças desde 1966. O Museu só abriu em 1992. Foi uma dificuldade para o abrir, lembrou Manuel Bravo ao PÚBLICO em 2006, numa visita guiada ao Museu da Rádio, já depois de ter fechado as portas.
Museus virtuais complementam
Rogério Santos, docente da Universidade Católica, investigador, com várias obras publicadas sobre a história da rádio e autor do blogue Indústrias Culturais, defende que os museus virtuais deviam ser um complemento e lembra que, apesar de promoverem uma maior acessibilidade, não promovem a investigação da história dos "media": "É um erro transformar a coisa física numa realidade virtual e não quer dizer que se esteja a promover a investigação. Este tipo de museus deviam ser exclusivamente um complemento", diz, lembrando a promessa da RTP de criar um museu da rádio e televisão após a venda do edifício do Quelhas.
António Nabais, museólogo, presidente da Assembleia Geral da Associação Portuguesa de Museus, frisa o valor do espólio de rádio português: "É um património riquíssimo, que a Alemanha ou o Reino Unido perderam com a II Guerra Mundial. Não devia estar encaixotado. Temos objectos únicos no mundo. Nós todos temos direito a esse património. Pagámos para o erguer e pagámos para o destruir", defende o especialista.
Sobre o modelo de museu virtual, Nabais frisa as vantagens, mas diz que não chega: "O virtual é muito bom, é uma boa forma de divulgar, mas só tem sentido quando não temos nada. Neste caso devia ser complementar de um espaço físico. Estamos a assistir ao encerramento de museus, como o caso do da Rádio, do de Arte Popular, do Museu do Vinho de Alcobaça. Estamos a empobrecer o país. Este é um sinal de empobrecimento, não podemos só preocupar-nos com os bancos que estão a falir. E aqui não consta que a Polícia Judiciária se tenha preocupado com o Museu da Rádio".
quinta-feira, 12 de março de 2009
MUSEU DA RÁDIO
Já há o museu virtual. Quem a ele já acedeu, gostou.
Mas falta o museu real, físico. Esse é que é o verdadeiro.
Para quando?
Mas falta o museu real, físico. Esse é que é o verdadeiro.
Para quando?
ADEUS A JOÃO MESQUITA
- Morreu esta madrugada, vítima de cancro, o jornalista João Mesquita, ex-presidente do Sindicato dos Jornalistas e jornalista do Público desde à sua fundação até 31 de Agosto de 1993.João Mesquita foi o principal autor do texto que deu a primeira manchete do PÚBLICO, em 5 de Março de 1990, que tinha por título “Cunhal: resistir até ao fim" (Última Hora Público).
MAU JORNALISMO
Max Rufus Mosley (nasceu a 13 de Abril de 1940) é o presidente da Fédération Internationale de l'Automobile (FIA), uma associação sem fins lucrativos que representa os interesses das organizações automobilísticas em todo o mundo. A FIA é a responsável pela Fórmula Um e outras corridas internacionais, traduzo livremente da Wikipedia.
Ora, Max Mosley anda nas bocas do mundo, como revela o The Guardian de hoje (e outros jornais, certamente). Ele ganhou 60 mil libras num processo que pôs no tribunal contra o jornal tablóide News of the World. Este escrevera sobre práticas sadomasoquistas daquele. Mosley invocou o direito da privacidade e da reputação dos indivíduos e das famílias e da moralidade pública.
Na mesma semana, Gerry McCann veio a público tecer críticas ao modo como a imprensa inglesa tem visto o problema do desaparecimento da sua pequena filha Madeleine na costa algarvia (a portuguesa fez o mesmo). Os McCann passaram de vítimas a criminosos, sem que a investigação policial tivesse chegado a uma conclusão definitiva.
Em artigo de opinião no Guardian, John Lloyd divide o seu texto em duas partes. Vale a pena meditar nelas. A primeira dá conta do modo como as celebridades se adaptam aos calendários diários dos media. Os McCanns, no sentido de manterem vivo o interesse nas buscas da sua filha criaram acontecimentos mesmo que não houvesse novidades na investigação. Estabeleceram aquilo a que se chama agendamento: fornecimento regular de informação com impacto. Acabaram por ficar prisioneiros disso. A segunda parte do texto de Lloyd diz que Mosley e os McCann têm razão: há que preservar o valor público de proteccção da vida privada, mesmo quando incida sobre pessoas que têm comportamentos não bem vistos por outros, reconhecendo-se que os jornalistas não estão bem equipados no desempenho de agentes da moral, actividade que deve ser guardada para outros e para a lei e a consciência.
Noutro artigo no mesmo jornal e sobre o mesmo assunto, Mariella Frostrup parte de outra perspectiva, a da simpatia com a causa dos McCann e a do nojo provocado pela história de Mosley. Um duplo padrão, diz ela, uma boa publicidade contra uma má publicidade. Não sei se Frostrup escreveu com cinismo, mas a verdade é que ela destaca a ingenuidade de Gerry McCann dois dias atrás, quando este argumentou precisar de estar na arena pública para manter viva a esperança de encontrar a sua filha. McCann ainda não aprendeu a lição, escreve a jornalista: os flashes dos fotógrafos e das câmaras apenas procuram matéria noticiável, haja boas ou más razões à partida. Frostrup não quer restrições à liberdade de imprensa, com um regulador mais apertado. Já há multas, humilhação pública e receio de ir a tribunal - meios suficientes para extirpar o "mau" jornalismo.
Ora, Max Mosley anda nas bocas do mundo, como revela o The Guardian de hoje (e outros jornais, certamente). Ele ganhou 60 mil libras num processo que pôs no tribunal contra o jornal tablóide News of the World. Este escrevera sobre práticas sadomasoquistas daquele. Mosley invocou o direito da privacidade e da reputação dos indivíduos e das famílias e da moralidade pública.
Na mesma semana, Gerry McCann veio a público tecer críticas ao modo como a imprensa inglesa tem visto o problema do desaparecimento da sua pequena filha Madeleine na costa algarvia (a portuguesa fez o mesmo). Os McCann passaram de vítimas a criminosos, sem que a investigação policial tivesse chegado a uma conclusão definitiva.
Em artigo de opinião no Guardian, John Lloyd divide o seu texto em duas partes. Vale a pena meditar nelas. A primeira dá conta do modo como as celebridades se adaptam aos calendários diários dos media. Os McCanns, no sentido de manterem vivo o interesse nas buscas da sua filha criaram acontecimentos mesmo que não houvesse novidades na investigação. Estabeleceram aquilo a que se chama agendamento: fornecimento regular de informação com impacto. Acabaram por ficar prisioneiros disso. A segunda parte do texto de Lloyd diz que Mosley e os McCann têm razão: há que preservar o valor público de proteccção da vida privada, mesmo quando incida sobre pessoas que têm comportamentos não bem vistos por outros, reconhecendo-se que os jornalistas não estão bem equipados no desempenho de agentes da moral, actividade que deve ser guardada para outros e para a lei e a consciência.
Noutro artigo no mesmo jornal e sobre o mesmo assunto, Mariella Frostrup parte de outra perspectiva, a da simpatia com a causa dos McCann e a do nojo provocado pela história de Mosley. Um duplo padrão, diz ela, uma boa publicidade contra uma má publicidade. Não sei se Frostrup escreveu com cinismo, mas a verdade é que ela destaca a ingenuidade de Gerry McCann dois dias atrás, quando este argumentou precisar de estar na arena pública para manter viva a esperança de encontrar a sua filha. McCann ainda não aprendeu a lição, escreve a jornalista: os flashes dos fotógrafos e das câmaras apenas procuram matéria noticiável, haja boas ou más razões à partida. Frostrup não quer restrições à liberdade de imprensa, com um regulador mais apertado. Já há multas, humilhação pública e receio de ir a tribunal - meios suficientes para extirpar o "mau" jornalismo.
A CONFERÊNCIA DE ONTEM NO CORREIO DA MANHÃ
JOSÉ EDUARDO MONIZ SOBRE TELEVISÃO
Ontem, como aqui escrevi, José Eduardo Moniz, Director-Geral da TVI, fez uma conferência intitulada A Televisão num Mundo Audiovisual em Mudança na UCP. No vídeo, Moniz fala de seis assuntos: 1) televisão generalista e novas plataformas, 2) perfil de oferta para o telespectador, 3) surgimento do quinto canal, 4) três canais de notícias, 5) programação de qualidade, e 6) blocos informativos.
quarta-feira, 11 de março de 2009
SOBRE A TELEVISÃO E A TVI
Hoje, ao fim da tarde, José Eduardo Moniz, Director-Geral da TVI, deu uma conferência intitulada A Televisão num Mundo Audiovisual em Mudança, na Universidade Católica Portuguesa, a começar o ciclo Choque de Comunicações, uma organização do Centro de Estudos de Comunicação e Cultura. Espero publicar amanhã de manhã um vídeo de cerca de 14 minutos (ao lado de Moniz, Eduardo Cintra Torres, da organização).


terça-feira, 10 de março de 2009
PORTAL DE COMUNICAÇÃO DA AUTÓNOMA DE BARCELONA
O Portal da Comunicação do Instituto de Comunicação da Universidade Autónoma de Barcelona comemora o seu oitavo aniversário com o lançamento de uma nova versão em português em colaboração com o OberCom - Observatório da Comunicação: Portal da Comunicação. Ver mais dados no Portal da Comunicação.
OS MEDIA E AS LEIS PENAIS, NOVO LIVRO DE SARA PINA

O livro de Sara Pina, Media e Leis Penais, editado agora pela Almedina, é um texto a ler com atenção.
Basta atentar no índice. Na primeira parte, estuda o Direito e Sociedade, Media e Sociedade, Media e Direito Penal e Os Media "Fontes Informais" de Direito Penal. Na segunda parte, avalia Os Media como "Fontes informais" de Direito Penal e Processual Penal. A Situação Portuguesa e um Estudo de Caso, O Processo Casa Pia (que rebentou quando ela estava na Procuradoria Geral da República). Tem também 15 entrevistas (com os mais notáveis representantes da relação entre media e justiça).
A autora abre o livro com a seguinte indicação: "As questões da justiça e do direito vêm ganhando, nas décadas recentes, crescente espaço informativo nos mass media, particularmente na televisão mas também na imprensa, não só no que respeita à informação propriamente dita sobre casos, sobretudo penais, em investigação ou julgamento (e os próprios media fazem hoje frequentemente investigação em matéria penal), mas também no que respeita ao debate crítico das próprias soluções legislativas concorrentes em cada um desses casos, tanto as de direito substantivo como as de direito adjectivo".
A autora defende o ponto de vista que os media podem influenciar o processo legislativo. Ela fala mesmo de mediatização da justiça como relevante na colocação da agenda de prioridades políticas. Isto é, os media podem actuar enquanto fontes informais e doutrinárias de jure constituendo, em especial em matéria penal e processual penal.
De relevo para o meu conhecimento as páginas 57 a 90. Orientada por João Pissarra Esteves, a autora segue muito o pensamento deste professor, assim como Mário Mesquita e Nelson Traquina.
Sara Pina foi jornalista da Visão e assessora de imprensa da Procuradoria Geral da República. Actualmente é docente universitária e colabora com a FLAD. O livro é o resultado de tese defendida na Universidade Nova de Lisboa.
338 páginas, €19,80
MEMÓRIAS POLÍTICAS - I
O Estado Novo (1926-1974) foi um regime fascista ou uma ditadura e regime autoritário? A historiadora Irene Pimentel, numa aula hoje na Universidade Católica, pendeu para a segunda opção. O regime de Salazar, que assume a presidência do Conselho de Ministros em 1932, é caracterizado como conservador e autoritário, é antiparlamentar mas mantém uma Assembleia Nacional, embora com um só partido.
A aula de Irene Pimentel teve a PIDE, polícia política do Estado Novo, como alvo central. Falou da Polícia de Vigilância e de Defesa do Estado (PVDE), criada em 1933, e da PIDE, que lhe sucedeu em 1945 e durou até 1969, quando mudou de designação para DGS. Apontando distinções com a Gestapo, a polícia política portuguesa dependia do ministério do Interior enquanto a polícia alemã era um estado dentro do Estado. Os presos da PIDE eram colocados em prisão preventiva três meses a que se seguia um outro de igual período. Nesse tempo, os presos eram interrogados. Métodos: não os electrochoques, mas a tortura do sono (privação do sono) e estátua (o preso não se podia mexer). Informadores, escutas telefónicas e intrusão postal eram outras armas usadas pela polícia de Estado. Em 1945, a PIDE adapta a “medida de segurança” à sua actividade: o indivíduo perigoso podia ser internado num hospital. Nesta perspectiva, os presos políticos pertenciam a associações de malfeitores. Nos períodos mais complicados, chegou a haver mais de 500 presos políticos anuais.
Irene Pimentel não analisou a acção da PIDE nas antigas colónias.
A aula de Irene Pimentel teve a PIDE, polícia política do Estado Novo, como alvo central. Falou da Polícia de Vigilância e de Defesa do Estado (PVDE), criada em 1933, e da PIDE, que lhe sucedeu em 1945 e durou até 1969, quando mudou de designação para DGS. Apontando distinções com a Gestapo, a polícia política portuguesa dependia do ministério do Interior enquanto a polícia alemã era um estado dentro do Estado. Os presos da PIDE eram colocados em prisão preventiva três meses a que se seguia um outro de igual período. Nesse tempo, os presos eram interrogados. Métodos: não os electrochoques, mas a tortura do sono (privação do sono) e estátua (o preso não se podia mexer). Informadores, escutas telefónicas e intrusão postal eram outras armas usadas pela polícia de Estado. Em 1945, a PIDE adapta a “medida de segurança” à sua actividade: o indivíduo perigoso podia ser internado num hospital. Nesta perspectiva, os presos políticos pertenciam a associações de malfeitores. Nos períodos mais complicados, chegou a haver mais de 500 presos políticos anuais.
Irene Pimentel não analisou a acção da PIDE nas antigas colónias.
MEMÓRIAS POLÍTICAS - II
No sítio do leste de Angola onde estive entre finais de 1971 e meados de 1973, os militares conheciam os representantes da PIDE. Então, havia três tipos de grupos coloniais brancos, para além dos escassos funcionários públicos: o exército (a companhia central do batalhão, isto é, mais de cem homens), os agentes da polícia política e o comerciante. Este, oriundo da Beira Baixa, servia uns bifes muito apetitosos e possuía moeda própria, isto é, passava senhas aos seus empregados que pagavam com esses papéis os bens que compravam na loja. Além da loja e do restaurante, alugava quartos. Por estranho que pareça, houve duas famílias de militares que lá se alojaram, acompanhando as comissões de maridos ou filhos. Num dos casos, a família era composta pelo militar, mulher, filha, pai, mãe e irmão. Tinham levado de Portugal uma frota de três carros de alta cilindrada (as estradas eram boas; o fomento em Angola conseguira estradas bem melhores do que aqui). A riqueza deles deu para “passarem férias” com o militar.
Não se podia dizer que se jogava xadrez com os representantes da polícia política, mas conheciam-se os seus nomes e as pequenas moradias em que viviam, já não me lembro se com ou sem família, pelo que muitas vezes me cruzei com eles. Por vezes, os militares milicianos, jovens e atrevidos, falavam em política e discordavam da guerra colonial. Houve muitas conversas políticas durante esses longos meses (bem mais interessantes do que as que eu ouvira quando estivera no quartel em Paço d’Arcos e, à noite, alguns de nós jogavam cartas e falavam dos livros que liam, como os de José Cardoso Pires). A reacção dos membros da PIDE naquele canto perdido de Angola era pedir (quase cortezmente) para os militares se calarem. Eles sabiam o desprezo que os militares lhes dedicavam, além de se sentirem em desvantagem numérica dado o número irrisório de agentes e das suas armas (espingardas) serem bem menos poderosas do que as do exército.
Numa zona em que a UNITA era maioritária e estava quase ao serviço dos militares portugueses
e em que a facção Daniel Chipenda do MPLA conseguiu um ou outro êxito (o 1º de Maio de 1972 foi devastador para a nossa companhia, com a morte de sete companheiros), que acções a PIDE levou a efeito? E que relatórios escreveu sobre cada militar?
[imagem de 1972 já aqui publicada em 16 de Dezembro de 2005]
Não se podia dizer que se jogava xadrez com os representantes da polícia política, mas conheciam-se os seus nomes e as pequenas moradias em que viviam, já não me lembro se com ou sem família, pelo que muitas vezes me cruzei com eles. Por vezes, os militares milicianos, jovens e atrevidos, falavam em política e discordavam da guerra colonial. Houve muitas conversas políticas durante esses longos meses (bem mais interessantes do que as que eu ouvira quando estivera no quartel em Paço d’Arcos e, à noite, alguns de nós jogavam cartas e falavam dos livros que liam, como os de José Cardoso Pires). A reacção dos membros da PIDE naquele canto perdido de Angola era pedir (quase cortezmente) para os militares se calarem. Eles sabiam o desprezo que os militares lhes dedicavam, além de se sentirem em desvantagem numérica dado o número irrisório de agentes e das suas armas (espingardas) serem bem menos poderosas do que as do exército.
Numa zona em que a UNITA era maioritária e estava quase ao serviço dos militares portugueses
e em que a facção Daniel Chipenda do MPLA conseguiu um ou outro êxito (o 1º de Maio de 1972 foi devastador para a nossa companhia, com a morte de sete companheiros), que acções a PIDE levou a efeito? E que relatórios escreveu sobre cada militar?[imagem de 1972 já aqui publicada em 16 de Dezembro de 2005]
JORNAIS
"O grau mínimo de apoio do Estado [à imprensa] deve consistir na promoção da leitura de jornais, através de campanhas dirigidas a jovens, à população em geral e grupos específicos. Mas isso também pode (e deve) ser feito através de compras regulares de jornais por vários organismos públicos (escolas, bibliotecas, etc.), com base em critérios claros" (José Vítor Malheiros, Público de hoje).
FILMINHO 2009 - MOSTRA DE FICÇÃO PORTUGUESA

Por onde anda o cinema luso actualmente? A resposta a esta pergunta será dada nas seis sessões da Mostra de Ficção Portuguesa que terá lugar, nos dias 11, 18, 25 de Março e 1 e 8 de Abril, no Museu Verbum, em Vigo. A proposta de André Martins, coordenador desta Mostra e director do Filminho – Festa do Cinema Galego e Português, passa por não se concentrar num só estilo mas, sim em opções emergentes.
DANÇA EM SÃO PAULO
Para comemorar 20 anos de coreógrafo, Anselmo Zolla realiza uma Gala nos dias 16 e 17 de Março, no TD - Teatro de Dança. No programa, serão apresentados trechos de criações encenados por convidados da Cia. Sociedade Masculina, Studio3 Cia. De Dança, Balé da Cidade de São Paulo e outros.

Espectáculo na APAA - Associação Paulista dos Amigos da Arte, Avenida Ipiranga, 344, Subsolo, Edifício Itália, São Paulo, Brasil (Metro República). Mais informações em http://twitter.com/canalaberto e www.canalaberto.com.br.

Espectáculo na APAA - Associação Paulista dos Amigos da Arte, Avenida Ipiranga, 344, Subsolo, Edifício Itália, São Paulo, Brasil (Metro República). Mais informações em http://twitter.com/canalaberto e www.canalaberto.com.br.
OBRIGADO, LEITORES BRASILEIROS
LIVRO SOBRE AS CAPAS DA REVISTA ELLE
Na newsletter de hoje da Meios & Publicidade, referência ao livro de Helena Cordeiro a ser lançado na próxima semana. Título da obra: O Papel Principal.
segunda-feira, 9 de março de 2009
A TELEVISÃO NA TRANSIÇÃO DE SALAZAR PARA CAETANO
A Televisão e a Ditadura (1957-1974), texto de Francisco Rui Cádima, pode ser lido aqui. De acordo com Cádima, a RTP foi mais instrumentalizada por Marcelo Caetano do que por Salazar. Com Salazar, o regime foi expectante e provinciano face ao desenvolvimento da televisão. Manuel Maria Múrias como responsável da televisão na área da informação marcou a transição da informação televisiva de 1963 para 1964, continuada por Ramiro Valadão, que entra na RTP em 1970, já pela mão de Marcelo Caetano. Para além da mudança de pessoas e seu reflexo na liderança na redacção, houve uma importante alteração no quadro do próprio discurso televisivo e no quadro da estratégia propagandística do regime.
FACEBOOK VERSUS TWITTER
Para quem gosta de lutas, tipo A versus B, a newsletter de hoje do European Journalism Centre traz uma notícia apetitosa. É sobre o fundador e especialista da rede social Facebook, Mark Zuckerberg, que terá aberto uma conta secreta na rival Twitter. O fascínio de Zuckerberg tem a ver com a tentativa não conseguida da Facebook comprar a Twitter por 500 milhões de dólares no ano passado. Agora, o sucesso da Twitter leva a Facebook a vê-la como modelo. Na semana passada, a Facebook anunciou ir redesenhar a sua rede para que haja uma partilha de informação em tempo real.
domingo, 8 de março de 2009
CIDADES CRIATIVAS
Competitividade tecnológica favorecida pela tolerância cooperativa, texto escrito por Valter T. Dubiela no blogue Factorama (26 de Janeiro último) merece ser lido. O texto começa deste modo: "Richard Florida propôs um indice de tolerância para avaliar a competitividade de cidades".
Por ele, eu segui um link até às lições sobre a história das cidades, por Spiro Kostof, em 1991.
Por ele, eu segui um link até às lições sobre a história das cidades, por Spiro Kostof, em 1991.
EXPOSIÇÃO DE PINTURA DE ISABEL CARRETAS
JORNAIS: DO FINAL DO SÉCULO XIX AO LONGO PERÍODO DO ESTADO NOVO

No final do século XIX, o Século publicava 53 mil exemplares diários, com grande audiência nas camadas médias urbanas e notável penetração fora de Lisboa (Tengarrinha, 2006: 172). Nascera republicano mas, com a saída de Magalhães Lima, passou a envolver-se menos na luta política. Semelhante tiragem tinha o Diário de Notícias, conservador e apartidário embora veiculando a posição do poder.
Na altura do golpe militar de 1926, havia 17 jornais diários em Lisboa e 3 no Porto. Também noutras cidades havia jornais diários (Braga, Évora e Coimbra). Entre 1928 e 1974, Tengarrinha distingue três fases na relação entre o poder político e a sociedade (e os jornais), com a primeira decorrendo até 1931, com a atenção principal a incidir sobre a triagem da informação, embora sem critérios muito definidos. A segunda (1931-1954) foi marcada pela preocupação central de afirmação do regime, segundo linhas de orientação bem identificadas de modo a ser criado uma opinião pública favorável. A terceira é dominada pela preocupação de impedir informação desfavorável ao regime.
Leitura: José Tengarrinha (2006). Imprensa e Opinião Pública em Portugal. Coimbra: MinervaCoimbra
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