sexta-feira, 28 de maio de 2004

CARTA DA RTP

Recebi uma carta da Rádio e Televisão de Portugal, que agradeço, a propósito do Museu da Rádio. Nela se lê: "o actual Museu da Rádio não será «desmantelado». Pelo contrário, a instituição dará oportunamente lugar ao futuro Museu da Rádio e Televisão, passando a incorporar também o espólio do núcleo museológico da RTP". A mesma carta adianta que o museu da Rádio e da Televisão será instalado "em local adequado quer à boa conservação das peças como à sua efectiva disponibilidade". Mas ainda não terão sido tomadas decisões; quando isso acontecer elas terão divulgação pública.

UMA MEMÓRIA DA RÁDIO

"Seria fastidiosa a enumeração dos programas literários, científicos e musicais que a E. N. transmite em cumprimento dos objectivos de ordem cultural, formativa e recreativa que prossegue. Lembro, muito genericamente, a rádio escolar, os programas de teatro, as palestras sobre literatura e língua portuguesa, sobre temas científicos da actualidade e sobre os problemas fundamentais da Nação Portuguesa, designadamente os de Defesa Nacional. Lembro, ainda, as séries sinfónicas, realizadas em salas de espectáculo, os serões para trabalhadores realizados nas fábricas, os serões para soldados, marinheiros e forças de segurança realizados nos quartéis ou em grandes salas de espectáculo".

Trata-se de uma conferência proferida por Clemente Rogeiro, em 1971, então director da Emissora, e incluida no livro de Moreira Baptista, Geraldes Cardoso, Clemente Rogeiro e Ramiro Valadão (1971). Opinião pública - imprensa, rádio, televisão - problemática nacional da informação. Lisboa: Gratelo, p. 52. Nessa altura, estava-se nos anos finais do regime, com o livro a reunir escritos das figuras centrais ligadas ao aparelho ideológico da informação, rádio e televisão.

Curiosa a definição de panorama da radiodifusão sonora em Portugal, segundo Clemente Rogeiro: "Como se sabe, em Portugal vigora um regime a que chamarei de pluralismo radiofónico, para empregar um termo tão do agrado desta nossa época singular que em tudo pretende ser plural (1971: 49). Rogeiro referia-se à existência mútua de estações públicas (oficiais) e privadas (particulares), conquanto nesse momento não estivesse ainda consignado o pluralismo de opinião e manifestação. A definição do director da Emissora tinha como contraponto a situação do monopólio da radiodifusão no Reino Unido, onde a BBC se opusera recentemente a prerrogativas concedidas às estações particulares. Contudo, naquelas ilhas existia, há já muito, televisão para além do serviço público da BBC, mas o texto de Clemente Rogeiro é omisso quanto a essa forma de pluralismo.

A MORTE DE JOSÉ AUGUSTO SEABRA

Recebi com pena a notícia. Apesar de nunca ter sido aluno dele - muito embora palmilhasse os mesmos corredores da Faculdade de Letras do Porto, nesses idos anos 70 - lembro-me das suas posições intelectuais e políticas, às vezes bastante polémicas. E dos textos que produziu, nomeadamente no Jornal das Letras. A minha singela homenagem.

JOHN HARTLEY EM PORTUGUÊS

Recebi ontem da Quimera um exemplar do livro de John Hartley, Comunicação, Estudos Culturais e Media. Trata-se da tradução de um já clássico dicionário de entradas, inicialmente publicado em 1982 com o título Key concepts in Communication Studies.

Prometendo voltar mais tarde ao texto, deixo aqui uma definição de indústrias criativas (a que eu aqui no blogue chamo indústrias culturais): "são aquelas que tomam talentos criativos tradicionais nas áreas de design, da representação, da produção e da escrita, e os combinam com técnicas de produção e distribuição dos media (para escala) e com novas tecnologias interactivas (para personalização), de forma a criar e distribuir conteúdo criativo pelo sector de serviços da nova economia. O modo de produção é «Hollywood», não «Detroit» - baseado em projectos e inovador, em vez de industrial e normalizado. É caracterizado por redes e parcerias" (p. 143).

2 comentários:

Patux disse...

obrigado por este post, permitiu-me escrever 2 paragrafos da minha dissertação de mestrado ;)

Anónimo disse...

Será que há algum livro, dissertação ou tese sobre a Rádio Escolar (de Portugal)? Escrevi uma tese comparando a censura brasileira e portuguesa e achei na Torre do Tombo um documento advindo da Censura
(IAN/ TT, SNI/ Censura, cx. 471, pasta nº. 5, ago. 1974). Escrevi:
"Nesta mesma caixa encontra-se a Programação da Rádio Escolar, do período de outubro de 1960 a junho de 1970. Entre as disciplinas oferecidas, constavam: História, Música, Educação Moral, Canto Coral, Conto Infantil, Língua Materna, Moral e Religião, Segurança no Trânsito, Recitação, Educação Cívica, Educação Física, Educação Musical, Higiene, Geografia, Língua Portuguesa, Audição Musical, Trabalhos Manuais e Coisas e Casos. Contudo, tal política educacional não resolveu o analfabetismo que em 1970 atingia o índice de 33,7 % da população (dados do Instituto Nacional de Estatísticas de Portugal) [...]"
Se tiver uma referência, por favor me envie. Penso em estudar um pouco mais o tema, comparando com o projeto Minerva (também uma rádio escolar brasileira da época da ditadura).
parabéns pelo sítio.
Alexandre Fiuza - Brasil
alefiuza@terra.com.br