Interrupção

O blogue tem sido muito pouco atualizado. O trabalho de investigação e outros motivos obrigam a uma concentração de esforços num só sentido. Obrigado pela preferência mantida desde 2003.

30.6.08

DISTÂNCIA E PROXIMIDADE EM FILME


Decorre no próximo dia 5, pelas 22:00, a projecção do filme Tão perto / tão longe, no âmbito do programa Gulbenkian Distância e Proximidade. No anfiteatro ao ar livre. São oito filmes encomendados a vários realizadores.

29.6.08

O LIVRO IMPRESSO ESTÁ CONDENADO, DIZ JEFF GOMEZ


O livro de Jeff Gomez (2008), Print is dead, tem um subtítulo Books in our digital age, o que denota, a meu ver, a sua ambiguidade no modo de olhar os livros. Por um lado, o impresso está morto (ou impressão, ou imprensa, o que também incluiria jornais e outras publicações). Por outro, apesar dos livros em papel parecerem condenados, Gomez fala de livros na época do digital.

Gomez começou por ser escritor, mas está ligado à consultadoria de editoras desde 1999. Tem um blogue com o título do livro,
Print is Dead, onde escreve com regularidade. Olhando as três partes do seu livro - parem com o impresso, totalmente ligado (pela electrónica e internet) e dizer adeus ao livro -, tem-se o pano de fundo: o livro de papel está a ficar um objecto para coleccionador pois as formas electrónicas estão a tornar-se hegemónicas.

Para isso, Gomez fala em gerações, a dos mais velhos ainda apegados ao papel, a dos mais novos que navegam e recolhem toda a informação da internet. Para esta geração mais nova, Gomez é simpático, chamando-a de, simultaneamente, geração do download e do upload. Ou seja, para além de descarregarem gratuitamente a informação da internet, a nova geração é produtora de conteúdos. A geração download é a que transformou o negócio da música, caso do Napster (1999), que pulverizou as grandes etiquetas e os direitos de autor, e do iPod (2001), máquina que guarda centenas ou milhares de músicas numa só memória; a geração upload é a que fez o sucesso do YouTube (2005), em que o revolucionário não foi ver vídeos de curta duração na internet mas tornar os consumidores os próprios produtores de clips. Logo, a geração internet tem 10 anos de actividade; podemos dizer que são os jovens de cerca de 20 anos de idade actualmente.

O autor californiano, a viver actualmente em New Jersey (Estados Unidos), escreve sobre cultura de computador e cultura de clip, numa grande admiração tecnológica, que até inclui os blogues, pelo que o possa integrar na corrente do determinismo tecnológico. Aliás, ele cita com alguma abundância Marshall McLuhan mas nunca refere John B. Thompson (Books in the digital age, 2005), por exemplo.

Como consultor de empresas de livros, diz que os jovens não lêem livros ou jornais em papel porque têm essa informação no formato digital. Em boa verdade, ele reconhece os fracassos do eBook e do CD-ROM, como falsos pontos de arranque do sucesso da leitura digital. E, nas páginas finais (pp. 187-191), apresenta cinco conselhos que indicam que o livro em papel vai continuar a existir, entre os quais escreve que os editores continuarão a ser os caçadores de talentos e aconselhar a gerir carreiras, há necessidade de exposição formal por parte de editores e livreiros, as comunidades online apoiam a formação de leitores.
Leitura: Jeff Gomez (2008). Print is dead. Books in our digital age. Londres, Nova Iorque, Melburne e Hong Kong: MacMillan, 221 páginas

28.6.08

TOLDOS DA GULBENKIAN



A Gulbenkian convidou 14 artistas que conceberam desenhos sobre um caminho do jardim, posteriormente estampados em tecido. Os artistas são: António Sérgio Moreira (S. Salvador da Baía), Celestino Mudaulane (Maputo), Francisco Vidal (Lisboa), Gabi Jiménez (Marines), Hakam Gursoytrak (Istambul), Kenya Evans (Houston), Marisa Vinha (Lisboa), Nuno Valério (Lisboa), Philomena Francis (Londres), Rosana Paulino (S. Paulo), Santiago Cucullu (Milwaulkee), Sergio Vega (Gainesville), Yonamine (Luanda) e Wilson Shieh (Hong Kong).

SERÁ QUE O LIXO DOS TABLÓIDES PERTENCE AO PASSADO?


Imagine que as novas celebridades dos tablóides não eram estrelas de Hollywood como Britney Spears ou Paris Hilton mas sim políticos como Barack Obama e a sua mulher Michelle. Isto é, os tablóides a cobrirem a esfera pública e política, o que traria uma forte atenuação da linha entre política e fofoca.

Os especialistas falam de fatiga e cansaço de ler sempre sobre as mesmas personalidades, pois há um número muito pequeno de celebridades que interessam às pessoas (a socialite Hilton não diz nada a ninguém, a não ser pelo riso provocado pelas suas extravagâncias a roçar a imbecilidade).

A ideia dos tablóides tratarem de outros assuntos surgiu do interesse genuíno da cobertura das eleições presidenciais nos Estados Unidos, escrevia ontem
Alisa Zykova no Editors Weblog. Foi o caso da entrevista de Barack Obama no sítio do US Weekly em Março, que teve 253 % mais visitantes do que uma notícia em média. Elizabeth Bird, antropóloga da University of South Florida, especializada em cultura popular e media e que eu já referi aqui algumas vezes, diz que é natural que as pessoas olhem os candidatos políticos como celebridades durante as eleições e que o público em geral esteja cansado das histórias das Paris Hilton deste mundo.

Conclui
Alisa Zykova, que eu sigo de perto, que se trata, contudo, de uma perspectiva optimista, considerando o contínuo sucesso do conteúdo típico dos tablóides.

27.6.08

PT COM TELEVISÃO DIGITAL TERRESTRE


A Portugal Telecom (PT) classificou-se no primeiro lugar do concurso para a plataforma de canais pagos na Televisão Digital Terrestre (TDT), nas componentes técnica, financeira e qualidade de conteúdos televisivos. Além da PT, estava em concurso a Airplus.

Vai ser interessante ver a evolução do processo nos próximos meses e anos, pois a TDT é um sistema digital de televisão a concorrer com a televisão por cabo, pertencente à ZON, até há pouco PT Multimedia, uma subsidiária da PT. Até agora juntas, a concorrência promete. Esperemos que saiam beneficiados os consumidores, nos preços e na qualidade do serviço e dos conteúdos.

GESTÃO DOS MEDIA


Saíu agora a newsletter referente a Junho do Media Management and Transformation Centre (MMTC), da Jönköping International Business School (Suécia). Temas de capa: 1) produção nacional da música afectada pela exposição mediática, pela dimensão do mercado e pela proximidade cultural da música de outros países (comunicação apresentada em Lisboa), 2) entrada de novos docentes especializados em publicidade e gestão dos media naquela escola.

Outros assuntos: 1) necessidade de mudar o modelo organizacional das organizações jornalísticas (Robert Picard), 2) o que se deve aprender com o declínio das indústrias de imprensa, 3) abertura de um centro do MMTC na Universidade Tsinghua em Beijing, China, 4) novas publicações de docentes daquela escola sueca, nomeadamente o livro de Lucy Küng Strategic management in the media.

COMÉRCIO DE RUA


Na edição de ontem, o Jornal de Notícias destacava um texto sobre comércio de rua, assinado por Nuno Miguel Ropio e citando um estudo realizado pela Cushman & Wakefield, O comércio de rua em Lisboa e Porto.


Pelo texto, fica-se a perceber que há um processo de revitalização do comércio nas áreas históricas das duas cidades e em algumas zonas emblemáticas como a Avenida da Liberdade (Lisboa) e Boavista (Porto). As marcas internacionais têm comprado áreas comerciais para aí colocarem as suas lojas, o que significa mais movimento, mais clientes e áreas mais prósperas. Uma das zonas que está a recuperar é o Chiado, como se pode constatar quando por lá se passa.

Uma das autoras do estudo diz que se está a passar de um comércio antiquado e retrógrado para um em que predominam as grandes marcas. Comparando as duas cidades, o plano de revitalização urbana e social está a ter um efeito mais positivo no Porto. O alargamento de horários é uma das grandes dificuldades em alargar mais a competitividade das zonas históricas relativamente às grandes superfícies.

26.6.08

SOBRE JOÃO PAULO MENESES


Na semana passada, João Paulo Meneses, do Blogouve-se, escreveu:
  • Cinco anos depois, acabou. O Blogouve-se faz, por estes dias, cinco anos. … e há muito que pensava aproveitar os cinco anos do Blogouve-se para um ‘ponto da situação’; para repensar o trabalho realizado, para encontrar, eventualmente, um sentido para continuar - tudo tem de ter um fim, certo? A necessidade de, nos próximos três meses, ter de concluir a minha tese de doutoramento (pedi, inclusivamente, uma licença sem vencimento na TSF), iria fazer-me afastar desta realidade nesse período de tempo. Seria inevitável. Poderia voltar a seguir, mas haveria sempre uma paragem. [...] Cinco anos a escrever todos os dias não se extinguem sem uma ponta de emoção. Mas também com um agradecimento, sobretudo aos que me fizeram seguir em frente com este projecto.
João Paulo Meneses, autor do livro Tudo o que passa na TSF, pretexto inicial para uma troca regular de contactos entre ele e este Indústrias, considerando-o um leitor atento. Do João Paulo, aproveitei a ideia de traduzir postal do inglês post (mensagem). Desejo boa sorte neste seu momento da vida.

LEGISLAÇÃO SOBRE PLURALISMO E NÃO CONCENTRAÇÃO NOS MEDIA


A proposta de lei do pluralismo e não concentração nos meios de comunicação social "determina um limite para as licenças e para o share de audiências e circulação, o que influencia concursos", lê-se no texto assinado por Inês Sequeira no Público de hoje.

Essa proposta inclui o seguinte:

  • Exposição de Motivos (p. 4): A intervenção do regulador dos media [ERC] encontra-se aqui, mais uma vez, perfeitamente balizada: depois de registar, de acordo com instrumentos de aferição reconhecidos no meio, a obtenção, por uma mesma empresa, e num período de seis meses, de quotas de circulação ou audiência iguais ou superiores a 50% num dado universo de referência (taxativamente, o universo de referência das publicações periódicas de informação geral, de âmbito nacional e os universos de referência dos serviços de programas radiofónicos ou televisivos, generalistas e temáticos informativos, de âmbito nacional e regional), ou iguais ou superiores a 30% em mais do que um desses universos, a ERC inicia um procedimento de averiguação. Este pode compreender, em síntese, três fases: a) notificação da empresa para que demonstre, querendo, com base nos indicadores legais, e não obstante a obtenção das referidas quotas, a inexistência de perigo para o pluralismo ou independência; b) notificação da empresa para que apresente, querendo, proposta de preenchimento dos indicadores de pluralismo e independência cuja ausência tiver sido assinalada pela entidade reguladora e forma da sua execução; c) aplicação das medidas de salvaguarda do pluralismo e da independência enumeradas na lei, como a proibição de aquisição de novos órgãos de comunicação social ou a proibição de candidaturas a novos títulos habilitantes para o exercício de actividades de rádio ou de televisão.

    Artigo 14.º: Em qualquer caso, nenhuma pessoa singular ou colectiva pode deter, directa ou indirectamente: a) Um número de licenças de serviços de programas televisivos de âmbito local superior a 30% do número total das licenças atribuídas no conjunto do território nacional; b) Um número de licenças de serviços de programas radiofónicos de âmbito local superior a 30% do número total das licenças atribuídas no conjunto do território nacional.

    Artigo 21.º: o cumprimento das obrigações legais relativas ao pluralismo e à independência, nomeadamente: a) Existência de expressão e confronto das diversas correntes de opinião; b) Respeito pelo direito de constituição de conselhos de redacção ou por outrasformas legítimas de intervenção dos jornalistas na respectiva orientação editorial; c) Existência de mecanismos de salvaguarda da independência dos jornalistas edirectores; d) Respeito pelo exercício do direito de resposta ou de rectificação.
Inês Sequeira escreve que
  • O grupo Renascença (RFM, Rádio Renascença e Mega FM) registou 41,5 por cento de share de audiência no primeiro trimestre de 2008, valores próximos daqueles que obteve durante o ano passado, pelo que se aproxima da fasquia mínima de 50 por cento do mercado a partir da qual a ERC seria obrigada a abrir um procedimento de averiguação, caso a proposta de lei venha a ser aprovada tal como está. Em causa estão as normas do actual projecto que averiguam os poderes de influência das empresas de comunicação social, que se baseiam no valor médio de audiências ou de circulação média por edição atingido no espaço de um semestre (50 por cento ou mais do respectivo mercado relevante ou 30 por cento no mínimo em dois ou mais mercados) para determinar se estas podem ser objecto de medidas de salvaguarda. Os mercados relevantes que para já estão previstos, no que respeita a esta parte do diploma, são as publicações periódicas de informação geral de âmbito nacional, os serviços de programas de rádio de âmbito regional e nacional e os serviços de programas televisivos de âmbito regional e nacional.
Por seu lado, a Associação Portuguesa de Radiodifusão, no seu Fax Informativo nº 552 - 23 de Junho de 2008, e pela voz do seu presidente, José Faustino, indica que "temos praticamente concluída a revisão da nossa própria proposta de alteração da Lei da Rádio que brevemente entregaremos ao Governo". Partindo da base da proposta governamental, presumo que hoje, quinta-feira, a Direcção da APR, com audiência agendada com o Ministro dos Assuntos Parlamentares, tenha entregue essa proposta.

LIVRO DE JOAQUIM FIDALGO É APRESENTADO EM ESPINHO


Apresentação do livro O Jornalista em construção, de Joaquim Fidalgo (Porto: Porto Editora, 2008), pelo jornalista Rui Osório, amanhã, dia 27 de Junho, às 21:30, na Biblioteca Municipal de Espinho. Entrada livre.

Iniciativa da Câmara Municipal de Espinho.

BARBIE ZELIZER EM PORTUGAL


Barbie Zelizer (docente da Annenberg School for Communication, da Universidade da Pensilvânia, Estados Unidos) vai proferir uma conferência na Universidade Católica Portuguesa. Intitulada Reporting War, ela decorrerá no dia 30 de Junho (9:00/13:00), na Sala Brasil, Piso 1, Edifício da Biblioteca João Paulo II , naquela universidade.

Da parte da tarde (14:30/16:30), e no mesmo local, haverá lugar a uma mesa redonda intitulada Journalism, War and Media Incitement, com Isabel Capeloa Gil (Universidade Católica), Cândida Pinto, José Manuel Rosendo e Amir Sagie.

Trata-se de realizações integradas na Summer School Politics, Law and Security Policies in the European Union, organizada em conjunto pela Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica Portuguesa e Faculdade de Direito da mesma universidade com a Georgetow University, Washinghton D.C. (Estados Unidos).

A conferência e a mesa redonda estão abertas ao público em geral.

MARATONA DE FOTOGRAFIA DIGITAL DE ALFAMA


Organizada pela Associação do Património e da População de Alfama (Lisboa), a segunda edição da Maratona de Fotografia Digital de Alfama realiza-se no próximo dia 28 de Junho e é subordinada ao tema Alfama Ponto de Encontro.


O período de inscrição encerra amanhã. Os interessados podem dirigir-se ao Museu do Fado (Largo do Chafariz de Dentro 1, Lisboa, das 10:00 às 17:30 ou telefone 218823470) ou preencher o Formulário Online em www.app-alfama.org.

RENOVAÇÃO GRÁFICA DO SUNDAY TIMES


A partir de 6 de Julho, o Sunday Times (ST) apresentar-se-á com a totalidade das páginas a cores, um novo tipo de letra e um novo slogan (The Sunday Times is my Sunday papers). Já na próxima semana, começará uma campanha de publicidade na televisão.

Ao mesmo tempo, o ST terá blogues com os colunistas mais importantes. Como parte da renovação, os colunistas deixam a página dos Comentários e passam para a página 2, questão que significa a renovada importância do comentário político, económico ou cultural no jornal.

O redesign vai custar 650 milhões de libras de investimento. Rupert Murdoch é o proprietário da News International, que publica o Times, Sunday Times e o Sun.

Fonte:
Editors Weblog.

INSCRIÇÕES PARA O FESTIVAL DO RIO DE JANEIRO


Estão abertas, até 31 de Julho, as inscrições para a Première Brasil do Festival do Rio 2008, a decorrer entre 25 de Setembro e 9 de Outubro.

Os filmes seleccionados para a Première Brasil concorrerão ao Prémio Redentor nas seguintes categorias: 1) Melhor Longa-Metragem de Ficção, 2) Melhor Longa-Metragem Documentário, 3) Melhor Curta-Metragem, 4) Melhor Direcção, 5) Melhor Actor, 6) Melhor Actriz, 7) Prémio Especial de Júri, 8) Melhor Longa-Metragem de Voto Popular, 9) Melhor Curta-Metragem de Voto Popular.


Segundo a informação que retirei do blogue
culturaemercado, para "participarem da Mostra Competitiva da Première Brasil e concorrerem aos prêmios, os filmes longa-metragens deverão atender às seguintes condições: a) não ter se inscrito em edições anteriores do Festival do Rio; b) ter duração superior a 70 minutos; c) não terem sido explorados comercialmente por qualquer mídia em todo território brasileiro; d) apresentarem cópia para seleção em 35mm ou em DVD; e) se selecionados, apresentarem cópia final em 35mm ou digitalizada pelo sistema de encodamento da Rain".

Ver mais informação em
http://www.festivaldorio.com.br/.

25.6.08

TECNOLOGIA DE JORNAIS ELECTRÓNICOS


Liam Berkowitz, do Editors Weblog, escreveu ontem que a tecnologia do papel electrónico será possivelmente lançada em 2009. Trata-se, pois, de uma das mais excitantes inovações, acrescenta a notícia, citando Ryosuke Kuwata, vice-presidente da E Ink Corp. Se as empresas americanas estão a desenvolver modelos a partir da tecnologia japonesa, os jornais europeus começam a despertar para o facto.

O vídeo abaixo terá cerca de dois anos e mostra uma espécie de papel electrónico, com um indivíduo com uma luva a manipular o equipamento (Sony). Será esse o futuro? Parece que sim.


24.6.08

TOLDOS É NA GULBENKIAN


Talvez seja a minha grande actividade lúdica um destes dias: fotografar os toldos instalados na Gulbenkian, pois parece haver para todos os gostos (fotografia da organização; obrigado, António Pinto Ribeiro).

ECONOMIA DOS MEDIA EM TESE DE DOUTORAMENTO


Ontem, na Universidad Complutense (Madrid), Paulo Faustino defendeu a sua tese de doutoramento intitulada Economia, gestão e concentração dos media: tendências e dinâmicas na imprensa num contexto multimedia, tendo sido aprovado com a nota máxima.

O novo doutor apresentou um trabalho orientado para a imprensa e dividido em quatro partes: estudo e estatísticas da imprensa; economia, gestão e marketing na imprensa; concentração nos media; análise empírica e tendências na imprensa. Destaco a segunda parte (gestão, tendências do negócio dos media impressos, marketing, rendimento económico e financeiro, caracterização geral do mercado) e a terceira parte (estudo da compra da Lusomundo Media pela Controlinveste Media).

Para Faustino, a economia dos media considera nomeadamente a análise dos colaboradores, empresa, indústria, consumidores e reguladores. Segundo o autor, muita da literatura tem-se concentrado em cinco áreas: conceitos micro-económicos, modelos de organização industrial, direcção e actualização no mercado, estudos sobre política de comunicação, economia e políticas dos meios. A investigação incide em publicidade, circulação, concorrência, propriedade e conteúdos editoriais. Como grandes conclusões, a tese agora presente aponta mudanças na imprensa caracterizadas na tendência para vender a informação em mais do que um suporte e o esforço crescente para reduzir a dependência da publicidade. Tal quer dizer, segundo Paulo Faustino, que os media de imprensa são vistos como: 1) empresas de venda de informação, e não de papel, 2) entidades de serviços de comunicação e formação, 3) dinamizadoras de suportes e canais de distribuição, 4) produtoras de cultura e de ócio, com a venda de livros, CD, DVD, eventos.


Da arguência da tese destaco os seguintes elementos: 1) caracterização de mercados dominantes e relevo dos anúncios classificados (Francisco Rui Cádima, Universidade Nova de Lisboa, o primeiro à esquerda na imagem), 2) diferenciação do conceito concentração em termos de âmbito geográfico (regional, nacional, europeu) e de produto (fragmentação da quota de mercado de publicidade) (Alfonso Sánchez-Tabernero, Universidade de Navarra, o segundo à esquerda na imagem), 3) relação entre indústria de papel, modelo de gestão e problema do local (Jesus Timóteo, Universidad Complutense, terceiro a contar da esquerda; à direita da imagem, está Paulo Faustino; o segundo a contar da direita é Fernando Peinado, da Universidad Complutense).

Por me parecer interessante, desenvolvo aqui as ideias de Jesus Timóteo, o presidente do júri da tese. Assim, ele realça o facto de as empresas dos media já não serem de informação e cultura mas de comunicação e entretenimento. Por seu lado, tem-se esquecido, no modelo de gestão, de poderosos operadores entrados na indústria dos media, caso das telecomunicações e de conteúdos como a Microsoft e o YouTube, o que torna o mercado um palco exercido por três tipos de players: 1) velha indústria dos media, 2) operadores tecnológicos, e 3) operadores de conteúdos. A terceira característica, já observada por Sanchéz-Tabernero, é o modo como se olham as empresas: locais ou grandes grupos? Isso condiciona a análise da concentração. Por exemplo, as pequenas empresas formam um mosaico muito diversificado e rico. Mas não serão as grandes empresas que ditam as normas? E, ainda, um grande grupo em Portugal (ou em Espanha), se comparado com os grandes grupos europeus, americanos, japoneses ou chineses, continua a ser um grande grupo? Local é a Estremadura, a Espanha ou a Europa?

Na minha leitura do trabalho, enfatizo dez pontos: 1) compreensão do tecido empresarial dos media impressos, já visível no seu livro de 2004 (ver minha mensagem de 25 de Setembro de 2004), 2) relacionamento da imprensa com a publicidade, as mudanças tecnológicas e profissionais, 3) relevo dos jornais gratuitos, produto de sucesso em Portugal, 4) gestão empresarial, a questão central da tese, a meu ver, em que os media têm sucesso se funcionarem como empresas organizadas, 5) as oportunidades e as ameaças nos media como indicadores de análise, 6) internet (e digitalização) e a nova literacia, 7) imprensa nacional e imprensa regional/local, um começo da investigação científica nesta área em Portugal, 8) produção/distribuição de conteúdos por diversos canais e media, 9) aplicação dos conceitos de concentração/consolidação e pluralismo político (discussão que vai começar a ser feita em Portugal), 10) reflexão sobre a relação produto jornalístico versus produtos de marketing alternativo.

23.6.08

LIVRO DE LÍDIA MARÔPO LANÇADO AMANHÃ


Amanhã, pelas 18:00, Lídia Marôpo lança o seu livro A Construção da Agenda Mediática da Infância, uma edição dos Livros Horizonte. A sessão decorrerá na Livraria Almedina ao Saldanha em Lisboa. Com apresentação do Juíz Conselheiro Dr. Armando Leandro, presidente da Comissão Nacional de Protecção de Crianças e Jovens em Risco.

"IMPRENSA DE CORAÇÃO" EM DEBATE EM ARANJUEZ


El periodismo rosa a debate, eis o título do curso de Verão dirigido pelo professor Juan Luis López-Galiacho, de 30 de Junho a 4 de Julho, em Aranjuez (Espanha), organizado pela Universidad Rey Juan Carlos.

O curso trabalhará casos e conceitos tipo deste género jornalístico no panorama espanhol e internacional, onde o entretenimento, a fofoca e o sensacionalismo são elementos mais importantes que a informação. Participam profissionais espanhóis da imprensa de coração, como Chelo García Cortés, María Patiño, Jesús Mariñas e María Teresa Campos.

OS CINEMAS TAMBÉM MORREM EM MADRID


O jornal El Pais de hoje dá destaque ao fecho do cinema Palacio de la Música (imagem de cima, tirada hoje ao final do dia), na Gran Vía, mesmo no coração de Madrid. As portas encerraram ontem. Na mesma rua, ficam apenas os cinemas Capitol, Palacio de la Prensa e Callao (este último na imagem de baixo).

Os filmes que passaram ontem seriam (títulos no mercado castelhano) Antes que el diabo sepa que has muerto, de Sidney Lumet (sala grande), 88 minutos, de Jon Avnet (sala 2) e 21: Black Jack, de Robert Luketic (sala 3).

O cinema nasceu há 82 anos, em 1926. O jornal ABC de 14 de Novembro desse ano escreveria que seria, talvez, a melhor sala europeia, um prodígio de luxo, bom gosto, comodidade e elegância. A película de estreia foi La Venus americana, com Esther Ralston e Louise Brooks. O cinema tinha quase dois mil lugares e três andares, para concertos e cinema, além de um salão de festas no piso inferior.

Diego Galán conclui no El Pais que a mítica Gran Vía, a quem alguém chamou a Broadway madrilena, está a ficar sem cinemas, tendo já desaparecido o Azul, Pompeya, Rex, Imperial, Avenida.


22.6.08

ALEXANDRA, FILME DE ALEXANDER SOKUROV


O helicóptero sobrevoa o quartel, arrastando uma nuvem de pó, enquanto Alexandra Nikolaevna (interpretada por Galina Vishnevskaya) é levada ao colo pelo neto Denis (interpretado por Vasily Shevtsov), depois de ter estado dentro de um tanque de guerra (ver extracto do filme aqui, com tradução em francês, e aqui, sem tradução).

Noutro plano, Alexandra fala com o capitão da unidade. Enquanto conversam, o som de helicópteros é bem evidente. "Aqui, é quase a guerra", diz o militar à velha avó. E esta responde: "Vocês sabem destruir. Mas quando aprenderão a construir"? A avó, que gostaria de arranjar uma esposa para o neto, conclui que este nada mais sabe do que atirar (armas). Quando o comandante quer saber mais do que pretende Alexandra, esta pede para regressar ao "hotel", o espaço da tenda de lona onde está a sua cama enquanto visitante da unidade. O diálogo já não tinha mais para dar.

Stavropol foi o local de onde veio Alexandra visitar o neto. Di-lo quando no mercado toma contacto com as mulheres que ali vendem. Só se vêem mulheres velhas e dois adolescentes masculinos. Os homens desapareceram. Percebe-se pelo que diz Marlika, a interlocutora de Alexandra, em voz baixa quase de confidência: os irmãos morreram, as irmãs morreram, a irmã mais nova fugiu com o filho para a montanha. Em fundo dessa conversa, ouvem-se vozes masculinas: a dos militares ocupantes.

Nessa visita de alguns dias, Alexandra descobre um mundo novo, de temperaturas elevadas, de desconforto, de conflito latente. A paisagem humana é sempre inóspita: os soldados são transportados num comboio de mercadorias, as armas têm de ser limpas periodicamente para não encravarem, os soldados dormem em tendas velhas ou andam pelo acampamento como se fossem zombies, a limpeza é escassa, no mercado vendem-se poucas coisas, as casas da cidade estão todas esburacadas por bombardeamentos.

Alexandra Nikolaevna penetra num mundo masculino, o da guerra, universo fechado de luta e ideia vaga de pátria face a inimigos que nunca querem compreender. Mas, lentamente, desloca-se para outro universo, o das mulheres, que percebem quais os principais valores da vida: o amor, o trabalho, o sacrifício, a colaboração. O chá que Marlika dá a Alexandra Nikolaevna, embora mau, alimenta as confidências, a percepção do mundo. Por elas, a guerra acabaria - por estúpida que é. Por seu lado, Alexandra e Denis reencontram a cumplicidade antiga, quando ele diz que prefere não casar por não ter muitas poupanças e penteia e faz a trança à avó.

A guerra sabemo-la qual é, mas a palavra Chechénia nunca é pronunciada. Parece um tabu, que os russos não querem pronunciar, como se temessem pelas próprias palavras.


Actualização: a actriz Galina Vishnevskaya é soprano (há no YouTube vários vídeos com interpretações suas) e viúva de Mstislav Rostropovich, maestro falecido o ano passado (obrigado Carlos, pela dica).

GUERRAS


Esta semana vimos um vídeo com uma jornalista da CBS a dizer numa reportagem em directo o que estava a acontecer na guerra do Iraque: menos reconstrução e mais preocupação com a segurança. E acusava os media americanos de não reportarem os mortos em combate deste país.

Hoje, o Observer faz notícia de duas páginas com outra frente de guerra internacional: o Afeganistão. Isto a propósito da primeira vítima mortal feminina das tropas inglesas, na semana passada: Sarah Bryant, de 26 anos. Além da reportagem, o jornal traz uma fotografia dela quando se casou, em 2005.

As mulheres estão impedidas de permanecer na linha da frente, pois qualquer combate pode ser fatal. Estar na linha da frente é enfrentar o inimigo e matar (ou ser morto). Mas, no Afeganistão, o conceito de linha da frente é cada vez mais ténue. E, lá como no Iraque, o perigo ronda as mulheres desde que estas saem do quartel, escreve Mark Townsend.

Mas há que reparar noutro aspecto: com Bryant morreram três homens, aos quais não foi dado muito relevo. O enquadramento e o valor-notícia iriam para a única mulher desse grupo, prova da inexactidão (tendência) ou do sensacionalismo das notícias. Não há qualquer diferença entre a morte de um homem e a morte de uma mulher. Um desses homens igualmente desaparecidos, Sean Robert Reeve, de 28 anos, sabia que estava num emprego perigoso num sítio perigoso. Ele quis oferecer canetas e lápis às crianças afegãs que não tinham nada dessas coisas. Algo muito diferente do seu país, Reino Unido, onde os temas são outros. Com lápis e canetas mais do que suficientes, as escolas oferecem preservativos, testes de gravidez e pílulas do dia seguinte a adolescentes femininas a partir dos onze anos (como diz a manchete do mesmo The Observer de hoje).

Mundos diferentes, mundos igualmente violentos. Do ponto de vista moral, o mundo da comunidade invasora não parece melhor do que o país situado nos confins da civilização.

PAISAGEM RURAL EM MÉRTOLA

MÉRTOLA


CANTARES ALENTEJANOS EM BEJA


21.6.08

MUSEU DO ORIENTE


O piso 1 do Museu do Oriente integra objectos reunidos ao longo dos anos pela Fundação Oriente, tais como biombos chineses e japoneses dos séculos XVII e XVIII, arte namban (pintura, escultura, cerâmica, mobiliário, laca e outros, produzidos após a chegada dos portugueses ao Japão), porcelana brasonada da Companhia das Índias e peças de Timor.

Só por este piso, vale a pena visitar o museu. Mas igualmente o piso 2 atrai, com a exposição Deuses da Ásia, sobre as grandes mitologias e religiões populares de todo esse continente. Sem esquecer a exposição temporária Máscaras da Ásia.

RY COODER


A ver e ouvir How Can A Poor Man Stand Such Times And Live e Maria Elena.

AS CONTAS DO EXPRESSO


De acordo com o relatório e contas de 2007 do Expresso (publicado hoje no caderno 2), o jornal teve um aumento de 5% de receitas publicitárias relativamente a 2006. O crescimento foi mais notório no caderno 1: 21%.

Já em termos de receitas nas vendas do jornal e produtos associados a quebra atingiu os 21% comparativamente ao ano anterior: uma das razões foi a elevada circulação média no último trimestre de 2006, a rondar os 200 mil exemplares, com a oferta de oito DVD. Recorde-se que esta estratégia foi resultado do arranque do semanário, Sol, levando o Expresso a cativar os seus leitores; apesar da redução de receitas, a estratégia resultou bem, pois o jornal aguentou a concorrência. A perda de vendas resultou igualmente do declínio acentuado da venda de produtos de marketing alternativo.

O relatório analisa também os leitores do jornal em termos de segmentação de mercado publicitário, com 81% dos seus leitores a pertencerem às classes A, B e C1, e 57% destes terem menos de 44 anos. O Expresso mantém-se assim como um jornal preferido pelas classes dirigentes e mais ricas do país e, para um jornal fundado em 1973, uma ligação forte a leitores adultos em idade produtiva.

Um último número que retirei desta informação: no Expresso trabalham 172 pessoas, em 2007, com saída de 19 colaboradores e entrada de 7 novos.

M


Desde o dia 16, está à venda a M, publicação com a chancela do Meios & Publicidade (M&P). Sendo o M&P um título para profissionais e, por isso, vendido só por assinatura, a M é vista por como prolongamento do jornal.

"Ideias e Pessoas que Marcam" é a assinatura da revista, com periodicidade trimestral. Portugal é o tema de capa da primeira edição. O valor da assinatura anual é de 19,60 euros, com portes de envio pagos pelo editor.

TRANSMISSÃO DIRECTA DO RELÓGIO DA IGREJA MATRIZ DE VILA DO CONDE


Até amanhã, pode ver a T.D. (Transmissão Directa do Relógio da Igreja Matriz de Vila do Conde, 2008) de João Penalva, na Solar - Galeria de Arte Cinemática.

Diz a organização: "A imagem e o som do mecanismo do relógio da igreja difundem-se nos espaços da galeria em tempo real, em múltiplas projecções que não são alvo de qualquer registo vídeo".

20.6.08

ADELINO GOMES


Adelino Gomes assume o cargo de provedor do ouvinte da RDP a partir de segunda-feira, li no Público de hoje. Diz ele: "Ajudar a que sejam alcançados os fins do serviço público e evocar a excelência profissional, uma espécie de controlo de qualidade".

Desejo um bom lugar ao novo provedor.

LEGISLAÇÃO SOBRE PLURALISMO E NÃO CONCENTRAÇÃO NOS MEDIA


Retiro do Portal do Governo a informação sobre a proposta de Lei do pluralismo e da não concentração nos meios de comunicação social, a submeter à Assembleia da República e que "visa promover o pluralismo, a independência face ao poder político e económico e a não concentração nos meios de comunicação social":

Um dos objectivos "é a clarificação da forma e do alcance da intervenção da Entidade Reguladora para Comunicação Social (ERC) no controlo de operações de concentração que envolvam empresas de comunicação social, determinando-se o modo de articulação do regulador dos media com o regulador da concorrência. [...] Entre os referidos indicadores contam-se a existência de diferentes órgãos de comunicação social, propriedade de diferentes empresas ou grupos empresariais, a diversidade das orientações editoriais dos diferentes órgãos, a acessibilidade das redes de distribuição para os diferentes órgãos, a acessibilidade do mercado de emprego para jornalistas".

Outro dos objectivos é "determinar como pode a ERC intervir na identificação de eventuais poderes de influência sobre a opinião pública e na aplicação de medidas de salvaguarda do pluralismo e da independência perante o poder político e económico. Considera-se que essa intervenção se torna necessária quando uma mesma empresa ou grupo de empresas de comunicação social detenha, de acordo com instrumentos de aferição reconhecidos no meio, num período de seis meses, uma quota de mercado igual ou superior a 50% em determinado universo de referência, ou igual ou superior a 30% em mais do que um desses universos".

19.6.08

CYD CHARRISSE


O melhor do dia foi a leitura do artigo de Jorge Silva Melo sobre Cyd Charisse, a estrela de cinema agora desaparecida, no Público de hoje.

ENTARDECER


A noite caiu lentamente, com o sol a desaparecer por entre as árvores de Monsanto (Lisboa). De vez em quando um avião atravessava, quase em mágico silêncio, em direcção ao aeroporto (o vento afasta o ruído). Só uma vez houve um grito rouco: o golo não foi suficiente para a vitória. Amanhã, vamos recomeçar a trabalhar - e a falar do país real. País pequeno mas que se quer generoso e útil.

GIUSEPPE RICHERI


Giuseppe Richeri (2008: 27) apresenta quatro tendências internacionais na indústria dos media, em que a primeira relaciona a cada vez maior dimensão das empresas, através de aquisições e fusões com formação de grandes grupos capazes de influenciar os mercados internos. Cita a fusão da Time com a Warner.

A segunda tendência ilustra a forma como se dão essas integrações ou concentrações: a) vertical ou "do monte ao vale", b) horizontal (concorrência), c) transversal/diagonal (actividades em vários sectores). Assim, há possibilidades de controlo da fileira produtiva e distribuidora de um sector ou de operação simultânea em vários sectores dos media (edição, imprensa, rádio, televisão, cinema, música e internet), no plano de economias de escala e da gama e na sinergia entre sectores.

A terceira tendência diz respeito à integração da produção de conteúdos no campo das indústrias de contentores da informação, caso das telecomunicações. O crescimento da dimensão e a integração multimedia ajudam à conquista de mercados internacionais. A globalização significa também economia e finanças. Junta-se ainda a concentração dos investimentos nos custos fixos, dentro da produção de protótipos, e o controlo dos custos variáveis (transmissão e distribuição), o que produz uma forte pressão sobre a distribuição.

A quarta e última tendência relaciona-se com a crescente concentração dos mercados dos media a nível local, nacional e internacional. À escala internacional, os dois sectores onde há mais concentração são o discográfico e o cinematográfico.


Leitura: Giuseppe Richeri (2008). "Los medios de comunicación entre la empresa, el público y el Estado". Telos, 74: 25-32

CASTRO VERDE

PORTO

SANTARÉM

COBERTURA TELEVISIVA EM CABO VERDE


A notícia já foi divulgada há uma semana atrás, mas destaco-a hoje: Portugal investiu €500 mil em equipamento de transmissão para aumentar a cobertura da televisão em Cabo Verde. Um novo repetidor de televisão servindo a capital, Praia, e a ilha de Maio foi inaugurado pela ministra cabo-verdiana Sara Lopes e pelo ministro português Augusto Santos Silva.

Como se sabe, Cabo Verde é um país africano e antiga colónia portuguesa, mantendo uma importante minoria étnica aqui, pelo que programas nacionais são muito vistos naquele arquipélago.

RITA REDSHOES


Edito, aqui, mais um trabalho de Vera Moutinho, que pode ser visto no sítio do Sapo Notícias, desta vez sobre a cantora Rita RedShoes:

18.6.08

FILMES A PARTIR DO TELEMÓVEL


Rui Avelans Coelho, estudante de mestrado da Universidade Nova de Lisboa fez, nos meses mais recentes, filmes gravados com telemóvel. Três deles ganharam primeiros prémios em festivais internacionais, o último dos quais este fim-de-semana.

Segundo o
Expresso (notícia online de ontem), "O português, Rui Avelans Coelho, obteve com "O Campeão" ("The Champion") o 1º prémio do Festival Pocket Films, que terminou domingo no Centro Pompidou, em Paris. O filme de um minuto foi gravado integralmente por uma micro câmara de segurança e com recurso a um pequeno transmissor, montados no peso lançado pelo campeão nacional de lançamento de martelo, Dário Mano".

Além de almejar obter mais visibilidade, Rui Avelans Coelho pretende "arranjar apoios mais facilmente para futuros projectos". Talvez ele consiga montar um conjunto de projectos que sirvam para o trabalho de dissertação do mestrado.

O filme pode ser visto clicando aqui.

AS INDÚSTRIAS CULTURAIS EM ESTUDO DA PRICEWATERHOUSECOOPERS


China ultrapassa os Estados Unidos em termos de banda larga; adolescentes compram mais bandas sonoras da Disney, caso de High School Musical 2 (álbum musical mais vendido em 2007).

Nos próximos cinco anos, espera-se que o mercado global dos media e do entretenimento aumente um terço, quando mais pessoas dos países emergentes aderirem ao online e ao telemóvel, revela um estudo da PricewaterhouseCoopers (PwC), Global Entertainment and Media Outlook, segundo The Guardian de hoje, em texto escrito por Richard Wray, editor de comunicação do jornal.

A região da Europa, Médio Oriente e África (crescimento anual de 6,8%) ultrapassará os Estados Unidos (crescimento anual de 4,8%) como o maior mercado de média e entretenimento em 2009, mas a China tornar-se-á o maior mercado mundial em termos de banda larga, com mais de 80 milhões de lares com ligações super-rápidas (na região da Ásia-Pacífico projecta-se um crescimento anual de 8,8%).

O inquérito anual da PwC mostra a evolução de 15 mercados globais dos media, nomeadamente online, publicidade na televisão e nos jornais, parques temáticos e vendas de bilhetes de cinema. O relatório dá conta da luta entre os chamados novos e velhos media, com a migração de consumidores para as redes de banda larga e telefones celulares e o afastamento da publicidade e dos consumidores dos jornais, livros e CD.

A transição é mais óbvia na música online, prevendo-se que a distribuição digital da música – descarregamento de músicas no computador e no telemóvel – leve ao desaparecimento da distribuição física de CD, cassetes e vinil até 2011. Embora seja um mercado com muitas alterações, a que se junta o peso da pirataria nos direitos de autor, estima-se que o campo da música cresça depois de 2011.

17.6.08

SETE SÓIS SETE LUAS


De 27 de Junho a 29 de Agosto, na Fábrica da Pólvora de Barcarena (Oeiras), às sextas-feiras, a partir das 22:00. É o festival Sete Sóis Sete Luas.

O Festival Sete Sóis Sete Luas, em 2008 na sua XVI edição, é promovido por uma Rede Cultural de 30 cidades de 9 diferentes Países: Cabo Verde, Croácia, Espanha, França, Grécia, Israel, Itália, Marrocos, Portugal. Realiza projectos de música popular, de teatro de rua, de artes plásticas, com a participação de grandes figuras da cultura europeia e mediterrânea. Recebeu o apoio da União Europeia com os Programas Caleidoscópio, Cultura2000 e Interreg IIIB Medocc, pela dimensão europeia e qualidade cultural do projecto. Os Presidentes Honorários do Festival são os Prémio Nobel José Saramago e Dario Fo (informação retirada do sítio Sete Sóis Sete Luas).

REVISTA TELOS


A Telos, Cuadernos de Comunicación e Inovación, nº 74, cuja capa se mostra, tem a data de Janeiro-Março de 2008 e como dossiê temático a "Comunicação Política". Traz dois artigos de autores convidados: Manuel Castells e Giuseppe Richeri, aquele sobre poder e contrapoder da comunicação e da sociedade em rede, este sobre a investigação e os media, o público e o Estado.

Aparecida em 1985 e que agora se apresenta com um grafismo renovado mas continua a apostar na comunicação, inovação, economia digital e sociedade do conhecimento, a Telos adquiriu logo no primeiro número o estatuto de revista de referência internacional, ponte entre a cultura humanística e o mundo tecnológico, entre o mundo académico e o ambiente profissional.

Enrique Bustamante permanece o coordenador da Direcção, havendo dois portugueses como conselheiros associados: Francisco Rui Cádima e José-Manuel Nobre-Correia.

16.6.08

CULTURA WEB


É uma obra monumental (891 páginas) o livro Culture Web. Création, contenus, économie numérique, editado sob a direcção de Xavier Greffe e Nathalie Sonnac. Os colaboradores da obra são imensos, tendo eu, numa rápida leitura em diagonal, apanhado nomes como Françoise Benhamou, Divina Frau-Meigs, Robert G. Picard e Rémy Rieffel, para apenas citar autores que já conhecia previamente.

Dividido em oito partes, relacionadas com informação e conteúdos próprios, audiências e públicos, distribuição digital, autores e criação de conteúdos digitais, modelos de negócio, cultura, regulação e diversidade e ética, há temas para os quais os meus olhos saltaram de imediato. Os capítulos sobre públicos e audiências, matérias que tenho trabalhado nos anos mais recentes, os capítulos sobre cultura, o conceito de diversidade cultural, muito específico dos franceses. Mas também um capítulo sobre blogues e a política, ou a democracia em kit, como prefere chamar o autor, Thierry Vedel.

Vedel (p. 63), que distingue blogues centrados no indivíduo (jornal íntimo), centrados na descrição de um ambiente familiar (de adolescentes, por exemplo), centrados em temas particulares (ou de fãs ou de coleccionadores) e centrados na troca de opiniões (micro-espaços públicos), indica que os blogues políticos podem transmitir responsabilidade política, espaços de especialistas, actuar como blogues-cidadãos ou apenas ser câmaras de eco ou de egos.

Uma ideia interessante no texto de Thierry Vedel é o modo como ele liga os blogues e os media clássicos, sem esquecer a função de gatekeeping e o papel do jornalista. Seguindo Dan Gillmor, Vedel conclui que os blogueiros de maior reputação são convidados para congressos e conferências de imprensa e beneficiam dos mesmos privilégios e atenção dos jornalistas (distribuição de dossiês, conversas off-the-record, entrevistas).


Indica ainda que os blogues não produzem informação inédita ou não criam análise nova, mas seguem a agenda dos media clássicos, com modelo editorial, hierarquia e tematização retirados destes (p. 70). Tais limitações dos blogues são compensadas pela sua rapidez, pela partilha e retransmissão de ideias, pela crescente legitimação dos novos modelos de apresentação da informação. Os blogues políticos, escreve Vedel no último parágrafo do seu texto, revitalizam o espaço público, mesmo quando não trazem soluções aos problemas e fragmentam ainda mais a opinião pública (p. 75).

Leitura: Xavier Greffe e Nathalie Sonnac (2008). Culture Web. Création, contenus, économie numérique. Paris: Dalloz. 891 páginas. Preço aproximado: €56,73

FILMES


O filme de Abdellatif Kechiche, O segredo de um cuscuz (La graine et le mulet), não foi recebido de modo unânime pela crítica cinematográfica. A história anda à volta de uma família tunisiana emigrante em França, com Slimane, um velho operário da indústria naval, como principal elemento. Despedido, ele decide fundar um restaurante de cuscuz no interior de um velho barco. Com a burocracia adversa ao seu projecto, ele tem uma aliada, a enteada (Rym), criativa e com personalidade simultaneamente sonhadora e lutadora. Slimane está dividido entre duas famílias, a dos filhos e a da enteada, aquela apoiante da ideia do restaurante mas esta como contribuinte final para o sucesso (a história fílmica não permite isso, mas é a minha interpretação e desejo).

Por seu lado, o filme O sabor do amor (My Blueberry Nights), do realizador Kar Wai Wong e com Norah Jones e Jude Law como principais intérpretes, também não recebeu todas as boas críticas. Elizabeth, após o corte de uma relação emocional, conhece um conjunto de personagens distintas e que a ajudam a relativizar a paixão e os êxitos na vida: um proprietário de um café, uma jogadora em maré de azar, um polícia perturbado. Um crítico que eu li escrevia sobre os estereótipos que os estrangeiros criam acerca da América, como os motéis, as estradas que nunca mais acabam, a transumância humana. A história é, na realidade, fechada, mas com um sentido experimental muito vivo (no vídeo, nos quadros, na relação música/imagem, com a voz de Norah Jones em fundo).

Para mim, valeu a pena vê-los.

BLOGUE


O blogue de Isabelle Anchieta de Melo é sobre Comunicação, Actualidade e Filosofia. A seguir com atenção, em especial a coluna de textos publicados, como "Jornalismo cultural: por uma formação que produza o encontro da clareza do jornalismo com a densidade e a complexidade da cultura".

A autora é pesquisadora pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Brasil, no curso de Comunicação Social e ensina Estudos Emergentes em Comunicação e Ancoragem e Produção em TV no Centro Universitário Newton Paiva.

15.6.08

COMO FORRAR AS PAREDES DE UM CAFÉ


Café Guadiana, Mértola

NOVOS CONTEÚDOS NOTICIOSOS


Vera Moutinho é licenciada em Jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social e trabalha há cerca de um ano na SAPO Noticias, portal que apostou na produção própria de conteúdos noticiosos. A jornalista trabalhou o tema "Novas Oportunidades", um programa governamental destinado ao reconhecimento de competências escolares, tendo passado algum tempo na na Escola Secundária Anselmo de Andrade (Almada). Um desses trabalhos, intitulado O dia a dia de um aluno, fala da vida profissional de Mário Paiva (autorização dada pela autora para reprodução do vídeo neste blogue).

DIAPOSITIVOS


A partir do sítio SlideShare, coloquei uma pequena história das telecomunicações portuguesas (para ampliar, clicar no ícone do SlideShare, em baixo à direita).

RUMO A NORTE - SANTIAGO DE COMPOSTELA (GALIZA)

12.6.08

A FOTOGRAFIA DE SUSANA PAIVA


Susana Paiva é a única portuguesa a participar nos 6émes Rencontres Internationales de la Photographie de Ghar El Melh, na Tunísia, de 26 a 29 de Junho. O convite surgiu na sequência do trabalho que desenvolveu na região da Camargue, Sul de França, no âmbito de uma oficina de fotojornalismo orientada por Gary Knight, da Agência VII, e Jerome Delay, da Agência France Press.

O trabalho desenvolvido pela fotógrafa portuguesa durante a oficina consistiu no acompanhamento do quotidiano dos gardiens — os criadores locais de cavalos e touros — e traduz-se num conjunto de imagens que revelam a dinâmica e estilo de vida dos habitantes da região (ver o sítio Camargue) (terceira das imagens publicadas nesta mensagem, reproduções autorizadas pela autora).

Após anos a trabalhar como fotógrafa de teatro e de imprensa em publicações nacionais como Notícias Magazine, Magazine Artes, Dna, Forum Estudante, Forum Ambiente e Descobrir, decidiu prosseguir uma carreira internacional como fotojornalista de fotógrafa documental. Desde o começo de 2006, o seu trabalho tem sido distribuído pela Anzenberger Agency for Photographers.


Para saber mais desse encontro no norte de África, procurar em Le Blog du Photographique. Aqui lê-se nomeadamente:
  • Depuis son invention, la photographie ne cesse de se métamorphoser, au point qu'il semble que chaque photographe, en créant son sujet, invente son propre médium. Chaque édition des Rencontres est un florilège de regards venus d'ici, d'ailleurs et de naguère. Venues de l'étranger ou de Tunisie, les expositions sont toujours une certaine manière de voir le monde. A Bamako comme à Arles, à Paris ou à Barcelone, les organisateurs : commissaire ou curateur, s'ingénient à constituer des manifestations à thème. Dans les galeries d'exposition du Fort de Ghar El Melh - ancien bagne - où pendant longtemps toute manifestation élémentaire de la liberté était bannie, aujourd’hui aucune restriction n'est imposée. Les Rencontres de Ghar El Melh sont un hommage, toujours renouvelé, aux photographes qui subliment la vie.

SOBRE O FUTURO DO JORNALISMO - UM IMPORTANTE ARTIGO DE JOSÉ MANUEL FERNANDES NO PÚBLICO DE HOJE


Excerto do artigo:

  • Ilicco Elia, da Reuters, contou como na agência até alguns dos seus mais experientes fotógrafos começaram a utilizar, a par das suas câmaras profissionais, também um telemóvel que a Nokia desenvolveu especialmente para obter boa qualidade de imagem (fotografia e vídeo), o N95. Com esse pequeno aparelho a agência não só complementa a sua oferta clássica, como inova: durante o último Fórum de Davos, na Suíça, a Reuters pediu a alguns dos delegados para filmarem, utilizando esses telemóveis, depoimentos de outros delegados, um "jogo" a que estes se prestaram. Depois de editadas, essas imagens foram retomadas por muitos órgãos de informação clientes daquela agência de notícias. [...] Só que isso também implica uma relação diferente com os leitores e com o público. Se a imprensa quiser acrescentar valor já, não lhe basta, como no passado, produzir "notícias que tenham utilidade" - e utilidade no sentido mais alargado do termo, que vai da utilidade para a formação da opinião a uma utilidade mais directa, palpável, com reflexos no dia-a-dia ou no poder de recomendação dos jornais. Agora necessita que os leitores sintam essa utilidade quando "partilham" entre eles a informação nas comunidades que estão a crescer na Web 2.0. O que passa por olhar para o jornalismo com outros olhos.

EXPOSIÇÃO À VOLTA DO PAPEL NO PALÁCIO DOS ANJOS (ALGÉS)



  • O suporte papel [...] surge como um meio particularmente adaptado para testemunhar este percurso. De início, não possuía o peso simbólico da tela, da pedra ou do metal, e podia por essa razão dar lugar à concretização de um traço mais livre, de uma linha mais aérea, de uma figura que não estivesse sujeita à obrigatoriedade de definir um espaço cromático (como sucede na pintura) ou uma forma fechada (caso da escultura) (Luísa Soares de Oliveira, no catálogo da exposição À volta do papel, no Centro de Arte Manuel de Brito, no Palácio dos Anjos, em Algés, reunindo cem artistas portugueses).

CRIAÇÕES PARA COREÓGRAFOS

CATARINA LINA PEREIRA AND GILBERTO & GABRIEL COLAÇO'S EXHIBITIONS



Catarina Lira Pereira
Gilberto & Gabriel Colaço
Sets #3
June 12 - July 11, 2008



Reception: Thursday, June 12th from 6 -8 PM

  • As an artist, Catarina Lira Pereira explores cartoon images, and then renovates them. With lines and patterns, she covers up the image thus imbuing the remainder with a certain degree of inconsequence. Inspired by each image that she encounters, Lira Pereira proceeds to invade and occupy it as if she were claiming her own space within it. During this process, she gives preference and prominence to the aspects that she wants to integrate into the final revelation of her perspective. The interaction of memory and oblivion in her paintings give shape to a game of revelation and concealment in which a monochromatic field veils a battalion of colors or vice versa. Every element of her works takes part in this interaction. In Lira Pereira's oeuvre, everything is relative because everything is conditioned, contradicted, accentuated and supported.

    In order to describe the work of twins Gabriel and Gilberto Colaço, one must talk about the act of invasion and competition. In each work, each artist competes for his own space to maneuver and make his own. The confrontation in itself makes the process and the final product an enjoyable experience for both. On the other hand, the close connection between the brothers brings about a common vocabulary of a repeated color palette and a very peculiar form of fragmentation and distortion. The subject of their works can range from close friends to unusual objects, but the common thread in their oeuvre is the play of interference and compromise between two artists.

    In Sets #3, the three artists manage and combine the concepts of form, color, destruction, reconstruction, rhythm, and order. In each work included in this exhibition, every one of these concepts is dealt with as a game.

Gallery Hours: Tuesday - Saturday, 10-6 PM

11.6.08

CECC INTERNATIONAL CONFERENCE ON MEDIA AND SPORTS, 22-23 JANUARY 2009


The International Conference on Media and Sports promoted by the Research Center for Communication and Culture (Portuguese Catholic University) aims both at a polyphonic discussion of sports representations in the media and at a reflection upon sports language worldwide.

Drawing on recent analyses of sports language from semiotic, linguistic and sociological angles, the event wishes to provide insights into the core issues of Sports Media and Power, Sports Media and Fiction and Sports and Globalisation.


Abstracts (200 words) and short vita should be sent to media-and-sports-cecc@lisboa.ucp.pt until July, 15, 2008.

MCLUHAN EM PORTUGUÊS


Com chancela da editora Relógio d'Água, saiu agora a edição portuguesa do livro de Marshall McLuhan Compreender os Meios de Comunicação - Extensões do Homem, tradução do original Understanding Media, de 1964 (recorde-se que, no Brasil, já existe uma tradução desde 1979, de que reproduzo a capa aqui ao lado).

Trata-se de uma edição importante, e que eu saudo a generosidade do editor nacional, pois as obras de McLuhan, apesar de muito se falar e escrever sobre ele, não são muito lidas em Portugal.

Neste livro, McLuhan, o profeta da internet (como o redescobriu a revista Wired) fala do vestuário, das rodas do automóvel e do computador como extensões do homem. Mas também põe em comparação os mundos da imprensa (domínios do visual, mecânico, sequência, centro, contínuo e do homem tipográfico) e da electrónica (domínios do táctil, orgânico, simultâneo, improviso, margem, descontínuo).


Understanding Media seria o livro que transformou um anónimo professor de literatura inglesa num dos mais famosos cientistas sociais da sua época, mesmo uma celebridade da televisão (talk shows) e dos media em geral (e congressos e comunicações públicas). Com ele, termos como media, aldeia global e idade da informação tornar-se-iam comuns. O canadiano partia de duas revoluções tecnológicas que se sobrepunham à ordem política e estética instituídas: a invenção da imprensa em meados do século XV, que levaria os indivíduos a pensarem de modo linear seguindo a disposição das linhas tipográficas, e as aplicações da electricidade desde finais do século XIX (telégrafo, telefone, televisão, computador), em que os indivíduos adquiririam novos modelos de percepção de modo a se adaptarem aos protocolos do ciberespaço (a partir de Lewis H. Lapham, introdutor de uma das edições inglesas do livro). Então, McLuhan tinha 52 anos.

Uma das ideias fulcrais de Understanding Media é a distinção entre meios frios e meios quentes: a televisão é um meio frio, levando o espectador a fazer muito esforço para compreender a imagem que se lhe depara; o cinema é um meio quente, pois a imagem aparece nítida. A caricatura é um meio frio, a fotografia um meio quente. Outro capítulo essencial da obra tem por título O meio é a mensagem, uma das frases que fizeram a fortuna de McLuhan, para quem o conteúdo é menos importante do que o meio que o transmite.

10.6.08

LIVRO DE JOSÉ MIGUEL SARDICA


Como escrevi em 31 de Maio, Twentieth Century Portugal. A Historical Overview é, como José Miguel Sardica o enuncia, um livro síntese para uma audiência estrangeira (alunos de doutoramento americanos, em 2007) (pp. 10-11).

Igualmente indiquei tratar-se de um livro pedagógico enquanto ilustração do conhecimento sobre o século mais próximo de nós, cuja interpretação o historiador procurou ser equilibrada.


Agora, na Feira do Livro em Lisboa, obtive um curto depoimento do autor sobre a obra.


9.6.08

JUGENDSTIL


Na década de 1890, os arquitectos vienenses mais jovens apresentariam novas formas estéticas. Foi o caso da Secessão, uma associação de arquitectos, designers e pintores (ver no meu blogue aqui).

A Majolika Haus (1898, na imagem em baixo o edifício à esquerda) e a Wagner Haus (à direita na mesma imagem) pertencem ao arquitecto Otto Wagner (1841-1918), ambos em estilo Arte Nova (Jugendstil). O edifício Majolika está decorado com azulejos com padrões florais: rosas, folhas verdes, botões azuis. O prédio Wagner tem estuques com medalhões dourados com cabeças femininas desenhadas por Koloman Moser (1868-1918).