29.8.14

Licenciamento para sincronização

"Hoje em dia, mais que tournées ou venda de discos, o licenciamento para sincronização é uma das principais fontes de receita para o mercado da música. Gera rendas que vão além do licensing fee: há royalties de transmissão, de discos de bandas sonoras, merchandising e performance. Isso fora a exposição da obra do músico, que é outro benefício que se conquista através do licenciamento e que pode gerar novas fontes de renda. Diversos artistas desconhecidos descolaram depois que amantes de música ou mesmo marcas e empresas foram atrás de sua música em função de um filme, comercial, programa de TV ou jogo" (Cultura e Mercado, de hoje).

História da imprensa de língua portuguesa

Em inglês, o livro A History of Press in the Portuguese-Speaking Countries (2014), organizado por Jorge Pedro Sousa, Helena Lima, Antonio Hohlfelft e Marialva Barbosa, tem nove capítulos, quatro sobre a imprensa em Portugal, três sobre a imprensa no Brasil, um sobre a imprensa na Galiza e um sobre a imprensa nas antigas colónias portuguesas. Como indica o prefácio, o objectivo do livro é tornar conhecida a génese e evolução da imprensa escrita em português à comunidade internacional.

No caso da imprensa portuguesa, os períodos estudados foram a monarquia, a Primeira República, a Ditadura e o pós-1974. No caso do Brasil, os períodos estudados foram a monarquia e a república. Um terceiro capítulo é dedicado aos jornalistas.

O capítulo sobre a imprensa das antigas colónias, assinado por Antonio Hohlfelft, despertou o meu interesse, dada a falta de bibliografia sobre o tema, como o historiador reconhece (p. 599). Hohlfelft (p. 611) elenca um conjunto de características comuns aos jornais estudados, de que destaco a troca de informação entre os diferentes jornais, com citação e transcrição de artigos, circulação de temas entre os jornais formando uma espécie de opinião pública geral, um jornal proibido era substituído por um novo título com o mesmo editorial e obrigações financeiras e assinantes, por vezes os jornais das colónias opunham-se a empresas coloniais, algumas de capitais ingleses e alemães, julgadas ineficientes, períodos sequenciais de censura, formato tablóide mas permitindo outros tamanhos, exigência inicial da identificação do director e do editor. Antonio Hohlfelft analisou a imprensa colonial em depósito na Biblioteca Municipal do Porto respeitante a Goa, Angola, Cabo Verde, Moçambique, Macau, S. Tomé e Guiné-Bissau.

Leitura: Jorge Pedro Sousa, Helena Lima, Antonio Hohlfelft e Marialva Barbosa (org.) (2014). A History of Press in the Portuguese-Speaking Countries. Ramada e Porto: Media XXI, 692 páginas, 25€  

Moda de praia

Curioso o texto editado hoje no jornal Público sobre a moda de praia (aqui). No online, juntamente com os desenhos dos fatos de banho femininos, há um contador do espaço de pele ocupado com a roupa de vestir na praia.

Em 1920, diz o texto: "Nesta década, os banhos de sol começaram a vulgarizar-se e os modelos tornaram-se mais libertadoras. Os fatos de banho eram largos, alguns tinham uma pequena saia mas começaram a ter formas diferentes".

A rádio face ao telemóvel e ao tablet

A BBC Radio está a enfrentar "mudanças sísmicas no comportamento da audição", segundo a responsável da BBC Radio, Helen Boaden (comunicação de Março de 2014, ver vídeo aqui). Para ela, apesar da rádio no Reino Unido estar de boa saúde em termos de audiência, há ameaças como o declínio de horas de audição no caso dos grupos etários mais jovens. Os múltiplos ecrãs exercem um fascínio que a rádio apenas auditiva não tem. Boaden critica as tecnologias de aplicação para a sintonia de rádio nos telemóveis e a baixa duração em termos de tempo das baterias dos aparelhos como algo que precisa de ser melhorado para que não se perca o auditório mais jovem.

Sobre a história da música gravada

















A Cosmic and Earthly History of Recorded Music According to Mississippi Records é um filme de 90 minutos a passar no Porto e em Lisboa no próximo mês e que tem por detrás o editor discográfico da Mississippi Records, Eric Isaacson (ver vídeo de apresentação aqui). O filme, que combina com a passagem de imagens, conferência e sons, segundo o texto do vídeo de apresentação, inclui elementos importantes na evolução da música gravada. Dentro desses elementos, o filme destaca a ascensão do blues, do rock and roll e outras formas de música americana e tem 45 minutos de imagens de arquivo de alguns dos maiores músicos como Bo Diddley, Rosetta Tharpe, The Collins Kids, Gary Davis e Staple Singers. Ver mais informações aqui.

José Marmeleira, no "Ípsilon" (Público) de hoje, escreve sobre o tema. Ele cita abundantemente Isaacson, para quem a história da música ainda se faz assente nos discos de vinil, que foi registando ao longo das décadas o que de melhor se fez na música. O editor discográfico refere ainda que muita dessa melhor música feita nos Estados Unidos se deveu à reacção à pobreza e ao racismo.

Comércio de rua

Ontem, na edição impressa do Público, uma notícia dava conta da actual apetência das marcas por lojas de rua. Exemplos: FNAC, Continente, Pingo Doce. O tema era a previsível abertura de lojas da FNAC em Oeiras, Faro e Setúbal. A responsável principal da FNAC diz que, para se aproximar dos clientes, o ideal é instalar lojas de proximidade dos clientes.

Espero que as marcas voltem às avenidas de Roma e Guerra Junqueiro. É a parte mais bonita da cidade.

28.8.14

Cinema Ideal

Após quatro meses de obras de restauro e um investimento de cerca de 500 mil euros, o Cinema Ideal (Lisboa), onde até há pouco se exibiam filmes pornográficos, abre com produções de qualidade para todos os públicos (a partir de Observador). Hoje, estreia o filme de Joaquim Pinto E Agora? Lembra-me.

A sala, que também já se chamou Camões e Paraíso, na rua do Loreto, à Praça Camões, entre o Chiado e o Bairro Alto, foi recuperada pela distribuidora Midas Filme e Casa da Imprensa, a proprietária do edifício. Tem 200 lugares. No cinema, vai funcionar ainda uma cafetaria e uma livraria.


26.8.14

Audiências de rádio

A Marktest, sobre audiências de rádio na vaga de Junho (3ª de 2014), fez um quadro curioso sobre níveis de idades e preferências de estações de rádio. Os ouvintes mais jovens sintonizam a Rádio Comercial. Depois, à medida que vão envelhecendo, escutam sucessivamente a RFM, a Renascença e a Antena 1. Do líder, é expressiva a preferência da juventude.

 

Diário de Notícias

A notícia já tem uns dias, mas eu não falei sobre a saída de João Marcelino de director do Diário de Notícias, cargo para o qual fora nomeado há sete anos. Vindo do vencedor Correio da Manhã, que dirigia, esperava-se dele uma melhoria a nível de vendas. O modelo de notícias mais curtas foi aplicado ao Diário de Notícias, o jornal parecia mais colorido, mas as vendas não descolaram. Recentemente, o jornal mudou de accionistas e foi noticiado um despedimento de muitos profissionais do grupo Controlinveste. O director do Jornal de Notícias saiu e foi ocupar um lugar de destaque no Porto Canal, canal de televisão a cabo com sede no Porto, agora seguiu-se o director do Diário de Notícias.

A meu ver não está em causa uma questão de carácter do jornalista mas um modelo de meio de comunicação com grandes dificuldades económicas. Na transição da ditadura para o regime democrático, em 1974-1975, houve também uma profunda alteração nos media impressos. Jornais antigos como O Século, Jornal do Comércio e As Novidades, vindos do século XIX, desapareceram. Ficou o Diário de Notícias. Mas há 40 anos, havia confiança numa nova geração e numa nova vontade social e cultural. Agora, parece não haver. Além de que os media digitais trazem outras perspectivas.

25.8.14

Só lhes falta falar


António de Almeida Coutinho e Lemos e Carolina Rosa Ribeiro de Faria, barões do Seixo, aparecem nestas pinturas de Auguste Roquemont (executadas à volta de 1845-1851). De cada vez que vou ao museu Soares dos Reis (Porto), fico minutos a ver estas obras e a da família Pacheco Pereira (executada à volta de 1835-1840), que estão juntos na primeira sala de pintura do museu. Todas estas obras pertencem aquele pintor nascido em Genebra mas fixado no Porto. E penso: como seria a voz do barão? E da baronesa?

O fonógrafo de Edison ainda não tinha sido inventado. O rosto e o perfil dos retratados ficou para a eternidade (até ao fim da durabilidade da tela), mas perdeu-se inexoravelmente a voz. A gravação dos sons e a sua transmissão constituíram dos maiores avanços tecnológicos de finais do século XIX, princípios do século XX.

19.8.14

Gravação da voz

Em 1902, na monografia alemã sobre Care and Usage of Modern Speaking Machines (Phnograph, Graphophone and Gramophone), Alfred Parzer-Mülhbacher prometia que os grafófonos seriam capazes de construir "arquivos e colecções" para possíveis "memórias". Amigos ou familiares falecidos ficariam com as suas vozes registadas em cilindros, que transportariam para todo o futuro os dias felizes da juventude desses entes queridos. O cinema representava o olhar sem o corpo, o telefone a voz sem corpo, o gramofone arquivaria a voz humana. Telefone e gramofone cruzavam-se na transmissão (e memória) da voz.

Em 1916, Salomo Friedlaender escreveu Goethe Fala para o Fonógrafo, no qual o professor Abnossah Pschorr se propôs refazer a voz de Goethe estudando o seu crânio e a linha da sua faringe. O pedido seria feito por uma jovem e ingénua estudante do professor, Anna Pomke, com o qual casaria no final da história: "se o fonógrafo existisse em 1800, poderíamos gravar a voz do mestre".

A voz tornava-se imortal, como se escreveu em 1877 na Scientific American, quando Edison inventou o fonógrafo. Para isso, eram precisos o microfone e o amplificador com válvulas electrónicas (Lieben, 1906; De Forest, 1907), na electrificação do gramofone. Em 19 de Maio de 1900, Otto Wiener apresentava uma conferência sobre a extensão dos sentidos através dos instrumentos, 64 anos antes de McLuhan escrever sobre isso.

O fonógrafo, segundo Edison, seria usado para ditar, dar testemunho no tribunal, discursos, reprodução de música vocal, ensino de línguas, distribuição de canções. Para assegurar a  a realização destas possibilidades, Edison mandou representantes à Europa e recolheu registos do primeiro ministro inglês Gladstone, de Bismarck e de Brahms na Alemanha. Em 1897, a Alemanha já registava sons em cilindro. Ernst von Wildenbruch escreveu um poema para ficar registado: For the Phonographic Recording of his Voice. Graças ao fonógrafo, pela primeira vez a ciência possuía uma máquina que gravasse ruídos independentemente do seu significado.

Traduzo parcialmente uma ficha bibliográfica do livro de Friedrich Kittler, assinada por Alexander Magoun:

"A tese de Friedrich Kittler é bastante simples: «Os media determinam a nossa situação, o que merece uma descrição...» (p. xxxix.). E assim ele descreve os ambientes culturais em que a gravação de som, imagem e palavras tiveram lugar entre as décadas de 1860 e 1940. A gravação de som, o cinema e a máquina de escrever, tecnologias definidas em Kittler, mudaram a linguagem da percepção. Ao alterar a linguagem e o comportamento das pessoas que os utilizam, as tecnologias construíram seus usos. Nesta abordagem, Kittler trabalha sobre a ênfase de Marshall McLuhan de «medialidade», descrições de Michel Foucault sobre as relações entre textos impressos e o controlo do corpo e seu próprio trabalho sobre a construção de leitores e famílias na época de Goethe. Aqui, Kittler aplica a análise do discurso dos media na época moderna. Ele define «cultura» através de textos sobre os efeitos do armazenamento de som, imagem e pensamento. A análise desses contos, poemas, cartas, memórias, artigos, comentários e outros tipos de discurso permite que ele defenda a determinismo tecnológico da cultura, se não a história. Os desconfiados das interpretações teóricas estão gratos pela relativa escassez do jargão. Por outro lado, os tradutores levaram vinte e sete páginas a explicar o fundo e as metas de Kittler para os não familiarizados com os debates pós-1960 sobre poder, linguagem e liberdade. Geoffrey Winthrop-Young e Michael Wutz reconhecem um conjunto de causas face às reacções negativas quanto ao método e à agenda de Kittler. Primeiro, Kittler não é um historiador de tecnologia ou de qualquer outra coisa. Ele é o «enfant terrible das humanidades alemães» (p. xxxiii), um pós-estruturalista que vê a história como ferramenta que derruba conceitos do eu. Kittler mistura material de diversa origem e de uma grande variedade de campos, um dos quais é a descontinuidade do desenvolvimento tecnológico. O resultado é um pastiche superficial de fontes secundárias, boatos, literatura e explicações técnicas. Em contraste com os seus estudos cosmopolitas, Kittler mantém uma admiração germânica pelos engenheiros, de Edison a Turing, e entrega-se a um «fetichismo virtual» (p. xxxv) das origens militares das tecnologias de comunicação. Ele justifica o seu escárnio do «chamado Homem» (p. xxxiii) para descrever a tendência das redes de digitalização e de fibra ótica que servem para reunir e reciclar todos os dados sensoriais. Finalmente, há o desafio da estrutura do livro e da escrita de Kittler. Cada tecnologia merece um longo capítulo em forma de narrativa, vagamente cronológica e que oferece poucas pausas ao leitor. Não há índice. Os tradutores fizeram um bom trabalho ao adaptar a complexidade das frases do autor para o inglês. Eles defendem o «gozo estilístico» de Kittler como pretendido «para atacar e chocar sensibilidades académicas convencionais» (p. xxxii), em especial os da tradição académica em que ele trabalha".

Leitura: Friederich A. Kittler (1999). Gramophone, Film, Tipewriter. Standford, CA: Standford University Press, pp. 55-85.

Lassie

Em 2012, a DreamWorks Animation adquiriu a Classic Media e, com a compra, os direitos de autor de Lassie. De modo lento, o estúdio está a reintroduzir a figura da cadela, outrora uma grande estrela de Hollywood, nomeadamente em série de televisão (1954-1974) , através de apresentações públicas e nos media e das reacções em grupos de foco (a partir de notícia no The New York Times).


Animação em praças e jardins de Lisboa

Entre 21 de Agosto e 20 de Setembro, jardins e praças de Lisboa vão ser palco de concertos, mostras de cinema e fotografia e outras artes visuais, na sexta edição do Lisboa na Rua, organizado pela Empresa de Gestão de Equipamentos e Animação Cultural (EGEAC) [a partir de notícia do Público].

17.8.14

Museu da Imagem em Movimento

O Museu da Imagem em Movimento (m|i|mo), em Leiria, nasceu em 1996, por ocasião da comemoração do centenário do cinema em Portugal. Então, ele foi adaptado ao espaço do Teatro José Lúcio da Silva. Mais tarde, transferiu-se para um conjunto edificado de três volumes dentro da antiga cerca medieval, junto à Igreja de S. Pedro, que já tinham acolhido as cavalariças dos Paços Reais, o Celeiro da Mitra e o Regimento de Artilharia n.º 4.

Tem uma colecção interessante de máquinas fotográficas, de filmar e de projectar. Um conjunto de painéis ilustra a evolução da imagem, incluindo as sombras chinesas.




Florença

Na edição de hoje no Diário de Notícias, Viriato Soromenho Marques escreve sobre Florença e o seu centro cultural, a Piazza della Signoria. Ele fala de Girolamo Savaranola, o padre dominicano que governou a cidade por um curto período de tempo, entrando em conflito com o papa Alexandre VI e depois condenado à morte por heresia. Mas também sobre o escultor Miguel Ângelo (David, 1501) e Cellini (Perseu, 1554), da colecção Uffizi, doada pela família Medici, onde brilham Botticeli e Leonardo da Vinci. E da ponte Vecchio, construída em 1345. No final da II Guerra Mundial, em 1944, para atrasar o avanço das tropas aliadas, os alemães destruíram as pontes sobre o Arno, excepto a Vecchio. Gerhard Wolf (1896-1971), cônsul alemão na cidade, salvou-a.



13.8.14

Emídio Rangel

Emídio Rangel foi um fazedor dos media. Destacam-se a sua liderança na TSF e na SIC. Também trabalhou na RTP igualmente em lugar de topo. No dia do seu desaparecimento, parece justo recordá-lo e esperar uma biografia do seu rico percurso em Portugal (e na sua Angola de nascimento).

Artistas Unidos

Ontem, foi noticiado que a Universidade de Lisboa não vai renovar o contrato com a companhia de teatro Artistas Unidos no espaço da Rua Politécnica, alegando atrasos no pagamento de rendas. No Público de hoje vem uma carta de apoio à manutenção da companhia naquele local e um texto de Luís Miguel Cintra. Eu subscrevo o que na página do jornal vem escrito no apoio a Jorge Silva Melo e aos Artistas Unidos.

10.8.14

Traviata

No Salone Margherita, Carmela Maffongeli faz de Violetta Valery em La Traviata de Giuseppi Verdi. Na Paris de meados do século XIX, a mundana Violetta encontra Alfredo Germont (Adriano Gentile), um jovem de uma boa família. O amor impossível estaria destinado a acabar em tragédia, com a doença de Violetta, apesar do apoio de Alfredo e de Annina (Marina Tiberi, que também faz o papel de Flora Bervoix).


Antes do último quadro, foi servido um jantar aos espectadores. No final da ópera, os artistas que agradeceram no palco eram apenas os que cantavam no último quadro. Todos os outros tinham ido embora na altura do jantar. Fiquei admirado com este protocolo cultural italiano.

8.8.14

Sapatos

Salvatore Ferragamo (1898-1960) foi de Itália para os Estados Unidos, onde consolidou a sua marca de sapateiro. Ele calçou as estrelas de Hollywood, de Pola Negri e Mary Pickford a Audrey Hepburn e Marilyn Monroe e as suas sandálias entraram nos filmes de Cecil B. de Mille sobre a história de Roma. O seu sonho de fazer sapatos manuais mas dentro de uma linha de montagem concretizava-se. Regressado a Itália e quando o regime de Mussolini foi isolado e as matérias-primas escasseavam para produzir os seus sapatos, Ferragamo ensaiou os sapatos de base de cortiça, usados em modelos ortopédicos (imagens do Museu Salvatore Ferragamo, Florença; texto a partir de artigo de Guido Vergani, um dos curadores da exposição sobre o fabricante de sapatos de Florença, em 1985).


7.8.14

Rádio na revista do CIMJ

Foi agora editado o número 24 da Revista Media & Jornalismo com o título Rádio: Contextos e Linguagens, coordenado por Luís Bonixe.

Wharol

Peter Brandt era ainda jovem quando começou a criar a sua coleção de pintura moderna americana, que acabou por constituir a Fundação Brandt. Ele adquiriu muitas obras de Andy Wharol, desde os seus primeiros desenhos, num total de mais de 160 trabalhos. Agora em exposição no Palácio Cipolla, na Fondazione Roma Museo.


Algumas obras são das mais icónicas de Wharol, como a série de cadeiras elétricas, os retratos de Mao, Marilyn e Liz Taylor, as flores, a série Shot Blue Marilyn (1964), as latas da sopa Campbell. E ainda fotografias.

1.8.14

Estúdios do Porto da Emissora Nacional (1943)

Em Julho de 1943, inauguravam-se os estúdios do Emissor Regional do Norte (Emissora Nacional, Porto).

Na altura, ainda a pensar numa Casa da Rádio, o que nunca se concretizaria, as instalações da Rua Cândido dos Reis teriam um belíssimo estúdio com auditório e cabinas de locutor, além da central técnica e gabinetes para os serviços ali instalados, reunindo ou começando de novo as actividades da rádio pública, o que permitiria a emissão directa de programas.

27.7.14

Parodiantes de Lisboa


Patilhas e Ventoinha foram duas personagens que marcaram muito a vida dos Parodiantes de Lisboa (1947-2007), grupo de humoristas que trabalharam na rádio, nomeadamente no Rádio Clube Português. Eles começariam com um programa que se chamava Meia Bola e Força, à segunda-feira. Depois, alargaram horários e temas até passarem a ter rubricas diárias. A graça deles combinada com a publicidade que afluía ao programa tornaram-nos famosos e com bom retorno financeiro. Na foto de cima, da esquerda para a direita: Fernando de Almeida, Callaty Santos, António Gomes d’Almeida, Francisco Ataíde, Maria Artur, Ruy Andrade, Gomes Ferreira, Maria Eduarda, João Capela, Eduardo Andrade, Lívia Jacques e José Andrade. Publicação de 1962, com textos de António Gomes d’Almeida, Ruy Andrade e Manuel Puga.

26.7.14

A Emigrante

De Varsóvia, recordo o centro histórico todo reconstruído como se fosse um cenário de papel – e os inúmeros monumentos a guerras que assolaram a Polónia (imagem tirada em Outubro de 2010). Não conheço o suficiente a história daquele país, mas recordo ainda o fervor religioso – na missa, os crentes ajoelhavam-se todos para receber a comunhão.


A visão do filme A Emigrante (do ponto de vista do país receptor, os Estados Unidos, é imigrante; a tradução brasileira do título segue, a meu ver bem, o original) trouxe-me essas imagens de um país entalado entre dois colossos – a Alemanha e a Rússia. Se um e outro entram em guerra, a Polónia é envolvida, mesmo que não queira. No momento, a Ucrânia tem um problema próximo pelo facto de ser vizinha da Rússia e por ter muitos habitantes oriundos daquele país de fronteira da Europa com a Ásia.

No filme, as irmãs Magda (Angela Sarafyan) e Ewa (Marion Cotillard) deixam a Polónia devastada pela I Guerra Mundial, onde assistiram à morte dos pais pelos invasores e chegam aos Estados Unidos em 1921. O sonho de uma vida melhor é alimentado pela presença de tios em Nova Iorque (Brooklin). À chegada, Magda é colocada no hospital, por suspeita de tuberculose. A outra irmã, falhado o encontro com os familiares, é vítima de Bruno (Joaquin Phoenix), homem que explora um teatro e um negócio de prostituição.

Como Ewa precisa de dinheiro para pagar os tratamentos à doença da irmã, engrena nos negócios daquele homem que ela detesta. Até que se cruza com Orlando/Emil (Jeremy Renner), primo daquele e também emigrante judeu, ilusionista, e que procura convencer a jovem emigrante a abandonar aquela vida. Uma das discussões acaba com a morte de Emil às mãos de Bruno. Mas uma prostituta que testemunhou de modo anónimo atirou as culpas à polaca. A testemunha precisava da orientação de Bruno e Ewa era uma concorrente na profissão. Ewa vê-se uma vez mais a ser apanhada pela polícia e deportada (já fora denunciada pelo próprio tio, que recebera informação de mau comportamento moral da rapariga na viagem da Europa para a América). É então que Bruno trata do resgate de Magda do hospital e as duas mulheres recebem os bilhetes para viajarem para a Califórnia e acabar o pesadelo.

Registo o impacto das imagens e planos da casa onde Ewa seria acolhida e o balneário público, numa espécie de iniciação. Mas destaco o “teatro dos bandidos”, onde Bruno apresentava as mulheres com designações europeias e asiáticas, atraindo um público masculino imigrante da classe baixa ao teatro de vaudeville ou saloon de concerto. Este oscilava entre o legítimo e o proibido, certamente muito mais perto do último, incluindo a venda ilegal de álcool e o tráfico sexual de raparigas bonitas, espaços ligados ao roubo e assassínios, como lembra Richard Butsch (The Making of American Audiences, 2000, p. 99) e à compra de favores policiais. Ewa era a nova estrela do espectáculo do saloon. Expulso do teatro, Bruno e as mulheres vão representar sob um viaduto, onde os deserdados viviam, sinal da regressão total, como se fossem apenas espíritos e clowns perseguidos pelos polícias.

O sonho de melhor vida mantido por Ewa parecia desmoronar-se ali. Contudo, a fé muito forte, visível na igreja quando se confessa, mantê-la-ia viva e determinada. Ao invés, Bruno fraquejou ao longo do tempo e viu-se até expulso da sociedade de bas-fond onde vivia.

Li que o filme de James Gray (ele próprio descendente de uma família soviética que se mudou para os Estados Unidos) podia ser um representante do cinema italiano dos anos de 1950. Neo-realista, talvez, agora a cores e concentrado no rosto das personagens, nomeadamente o da actriz francesa Marion Cotillard. Li ainda que o realizador explora dois temas que gosta de filmar: o estilo de vida americano e a entrada de imigrantes no país. A entrada na ilha onde está a estátua da Liberdade não me parece muito diferente de há cem anos, com a grande diferença de hoje não haver refugiados europeus à procura do sonho americano de vida.