OBJECTIVOS DO BLOGUE

Reflexões sobre indústrias culturais (imprensa, rádio, televisão, internet, cinema, videojogos, música, livros, centros comerciais) e criativas (museus, exposições, teatro, espectáculos). Blogueiro desde 26 de Dezembro de 2002. Endereço electrónico: Rogério Santos.

4.2.12

Intelectuais brasileiros e portugueses pedem permanência de Carlos Fino em Brasília

NOTA À IMPRENSA

Intelectuais brasileiros e portugueses pedem permanência de Carlos Fino em Brasília

Preocupados com a informação de que o Ministério dos Negócios Estrangeiros português teria decidido extinguir o cargo de Conselheiro de Imprensa na Embaixada de Portugal em Brasília, dezenas de jornalistas, acadêmicos e diversos outros profissionais do Brasil e Portugal decidiram enviar carta ao actual responsável pela diplomacia portuguesa, Paulo Portas.

A medida, se tomada, implicaria na saída do jornalista Carlos Fino, que ao longo dos últimos anos vem, com todo o empenho e dedicação, desempenhando essas funções.

O objetivo da missiva, disponível online em http://www.peticoesonline.com/peticao/fica-fino/346, é evitar que tal decisão se concretize, o que, a verificar-se, além de prejudicar algumas iniciativas de cooperação em curso na área da mídia, poderia também refletir-se negativamente nas celebrações do Ano de Portugal no Brasil e do Brasil em Portugal, que irão realizar-se entre 7 de setembro de 2012 e 10 de Junho de 2013.
A campanha conta com perfil nas redes sociais (www.twitter.com/ficafino e https://www.facebook.com/pages/Carlos-Fino/293117707412186?ref=tn_tnmn) e com a participação de prestigiados jornalistas e professores de diversas instituições de ensino superior dos dois países.

Depoimentos

Abaixo, alguns depoimentos a respeito da importância da permanência de Carlos Fino em Brasília:
“Aprovo e apóio com entusiasmo esta iniciativa. (...) Em 14 anos de contato com vários conselheiros de imprensa de várias embaixadas aqui em Brasília, asseguro que ele é dos melhores profissionais que já passaram por esta capital, em termos de eficiência, disposição e extremo profissionalismo no atendimento aos jornalistas em busca de informação. Isso torna ainda mais viável e consolidado o aprofundamento das relações bilaterais.”
Vera Souto – Editora - TV Globo

Carlos Fino é um dos mais emblemáticos jornalistas portugueses, de tal maneira marcou, ao longo de quarenta anos, a sua memória pública e o seu imaginário. Trabalhando na Embaixada Portuguesa em Brasília, "Carlos Fino colocou a sua extraordinária carreira profissional ao serviço da aproximação das comunidades portuguesa e brasileira, assim como do inter-conhecimento e da cooperação entre os média de Portugal e do Brasil. Seria lastimável que este aristocrata do jornalismo português fosse afastado de um lugar onde tem feito um notável trabalho, servindo Portugal e prestigiando o jornalismo português.
Moisés de Lemos Martins - Presidente da Associação Portuguesa de Ciências da Comunicação (SOPCOM), e também da Federação Internacional de Comunicação Lusófona (LUSOCOM)

“É com muita honra e a certeza de estar tomando a iniciativa correta por tudo o que o Sr. Carlos Fino tem realizado em prol da cooperação no âmbito da CPLP que assino a presente carta de apoio.”
Lúcio Flávio Vale da Silva, Coordenador Externo da Escola Internacional de Futebol da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa - EIF-CPLP-FEF-UnB

“O estreitamento das relações entre Brasil e Portugal tem no jornalista Carlos Fino um entusiasmado defensor, como provam sua ação na embaixada de Portugal e também a participação, como convidado especial, na série de TV Lá e Cá, exibida na RTP2 e na TV Cultura, durante minha gestão como presidente da emissora”.
Paulo Markun – jornalista, ex-apresentador do programa “Roda Viva” – da TV Cultura, o mais prestigiado programa de entrevistas da TV brasileira

“Meus sinceros cumprimentos pela iniciativa. (...) tenho o privilégio de poder considerar o CarlosFino um grande amigo, extraordinária figura humana e um dos mais competentes profissionais a quem tive o prazer de conhecer no exercício do jornalismo. Ético, sério, inteligente, perspicaz, amigo incondicional dos amigos, Carlos é daquelas pessoas a quem chamo de "amigo sem tempo nem distância". Está e estará sempre presente em minha memória e no coração. Torço para que ele permaneça no posto especialmente quando se celebra o Ano de Portugal no Brasil (e vice-versa). Afastá-lo do cargo neste momento será uma perda irreparável. Vamos aguardar que o bom senso prevaleça de modo a permitir que possamos continuar tendo a satisfação de conviver com o Carlos por, pelo menos, mais alguns anos.
Humberto Netto – jornalista

“Com certeza, (...) não podemos deixar que isso ocorra! Carlos é um grande profissional, além de um amigo.E, certamente, gostaríamos de tê-lo por aqui não apenas neste que será o ano de PT no BR, mas, por muito tempo, haja vista que Carlos tem nos brindado com sua experiência ímpar junto aos jornalistas brasileiros e lusófonos. Seria uma perda inestimável se ele fosse removido do Brasil. Não concordamos com isso, evidentemente.”
Alcimir Carmo, secretário executivo na Federação dos Jornalistas de Língua Portuguesa

Acredito que a imprensa brasileira, por exemplo, nunca esteve tão perto de Portugal graças ao brilhante trabalho que vem sendo realizado por Carlos Fino.Um jornalista que conhece comunicação como ninguém e sempre pronto a dar informações e auxiliar a todos quando se trata de divulgar Portugal.
Edgar Lisboa, Colunista Político do Jornal do Comércio (RS), presidente do Instituto Brasileiro do Rádio (IBR)

Exmo. Sr. Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Dr. Paulo Portas,

O ano de 2012 é estratégico para as relações luso-brasileiras, na medida em que a partir de setembro será celebrado o ano de Portugal no Brasil e vice-versa, momento adequado para o lançamento de bases de uma cooperação cada vez mais permanente que transforme retórica em práticas e atitudes.

Nesse sentido, nós, abaixo-assinados, gostaríamos de contar com a decisão de Vossa Excelência no sentido de manter a presença do jornalista Carlos Fino à frente das atividades como Conselheiro de Imprensa na Embaixada de Portugal em Brasília.

Uma eventual saída de Carlos Fino, agora, precisamente quando se prepara aquele evento, poderia colocar em risco uma série de esforços e articulações, umas já em curso outras em começo de projeto, promissoras de impactos humanos, científicos e económicos positivos no relacionamento entre os dois países.

Ao longo dos últimos sete anos, pudemos testemunhar o esforço de Carlos Fino em abrir espaço para a relação luso-brasileira nos órgãos de comunicação social, destacando sua atividade na assessoria da imprensa e na série de programas "Lá e Cá", trabalho realizado em parceria da RTP com a TV Cultura, que tem plenas possibilidades de prosseguir, agora numa nova série em acordo com a TV Brasil.

Cumpre relatar também que, como atestam os jornalistas que recorreram à Embaixada em busca de informação, é importante destacar a eficiência, o profissionalismo e a extrema correção com que ele sempre desempenhou sua tarefa. Na prática, isso também colaborou para o aprofundamento das relações bilaterais, na medida em que os meios de comunicação passam a veicular mais informações e abrir mais espaço sobre Portugal.

Ademais, são incontáveis as colaborações de Carlos Fino ao intercâmbio entre Brasil e Portugal, por meio de sua presença em encontros audiovisuais (a exemplo do Festlatino, em Pernambuco), eventos acadêmicos (LUSOCOM, em São Paulo), palestras, cursos (como o por ele realizado na Associação Brasileira de Imprensa, no Rio de Janeiro e também em São Paulo, na Bienal Internacional do Livro e sob os auspícios da Federação dos Jornalistas de Língua Portuguesa - FJLP) promoção de acordos de cooperação e participação em debates com estudantes, pesquisadores e professores de graduação e pós-graduação de prestigiosas instituições de ensino brasileiras, tais como, entre outras, Universidade de Brasília, Universidade Católica de Brasília, Universidade de Fortaleza, Universidade de São Paulo, Itaú Cultural, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Universidade Federal Fluminense, e portuguesas como Universidade do Minho, Universidade Lusíada, Universidade de Coimbra, Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, Universidade Portucalense.

Sabemos que o momento econômico português exige medidas de contenção que sacrificarão necessariamente muitas iniciativas e comprometerão muitos planos anteriormente definidos. No entanto, julgamos que, mesmo neste contexto, a ligação de Portugal ao Brasil deve não só ser protegida como até fortalecida. Numa altura em que as notícias dão abundantemente conta da intensificação dos fluxos de emigração de Portugal para o Brasil, apelamos à especial sensibilidade do Governo Português, no sentido de, com este gesto, encorajar uma relação entre dois países a que não faltam razões para reforçar os seus laços.

São motivações de ordem histórica, económica, política e simbólica que fundamentam o nosso entendimento de que a presença de Carlos Fino em Brasília, pelo menos até ao termo do Ano de Portugal no Brasil e do Brasil em Portugal, se traduziria em ganho efectivo para ambos os países, em termos de visibilidade, ação e promoção de uma cooperação cada vez mais alicerçada e com resultados que podem ser aferidos.

Encerrar o posto de conselheiro de imprensa na embaixada e afastar uma pessoa que desfruta de reconhecido prestígio junto dos media e dos meios universitários da comunicação no Brasil, e que, além disso, tem dado provas de grande empenho no fomento das relações bilaterais, não será certamente,
Senhor Ministro, a melhor forma de começar o Ano de Portugal no Brasil e do Brasil em Portugal.

Estamos à disposição para quaisquer esclarecimentos.

Com os melhores cumprimentos,

1) Fernando Oliveira Paulino, professor da Faculdade de Comunicação da Universidade de Brasília

2) Vera Souto, jornalista, Editora-TV Globo

3) Rogério Santos, professor da Universidade Católica Portuguesa

4) Madalena Oliveira, professora da Universidade do Minho

5) Giovana Teles, jornalista

6) Moisés de Lemos Martins, Presidente da Associação Portuguesa de Ciências da Comunicação (SOPCOM), e também da Federação Internacional de Comunicação Lusófona (LUSOCOM)

7) Dad Squarisi, jornalista

8) Laurindo Leal Filho, professor da Universidade de São Paulo

9) Zélia Leal Adguirni, professora da Universidade de Brasília

10) Lúcio Flávio Vale da Silva, Coordenador Externo da Escola Internacional de Futebol da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa - EIF-CPLP-FEF-UnB

11) Humberto França, vice-presidente para Relações Internacionais da Fundação Biblioteca Brasileira de Nova York e Presidente e fundador do Movimento Festlatino

12) Ricardo Noblat, jornalista

13) Francisco Câmpera, repórter da TV Bandeirantes

14) Samy Leal Adguirni, repórter da Folha de S. Paulo, correspondente em Teerã

15) Paulo Markun, jornalista

16) Antonio Hohlfeldt, Presidente da INTERCOM - Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação

17) Dione Moura, professora da Faculdade de Comunicação da Universidade de Brasília
18) Luiz Martins da Silva, prof. da Faculdade de Comunicação da Universidade de Brasília

19) Viviane dos Santos Brochardt, mestranda da Faculdade de Comunicação da Universidade de Brasília

20) Guiomar de Grammont, professora da Universidade Federal de Ouro Preto, Minas Gerais

21) Pedro Rafael Vilela Ferreira, mestrando da Faculdade de Comunicação da Universidade de Brasília

22) Luana Spinillo Poroca, mestranda do Programa de Pós Graduação em Comunicação da Universidade de Brasília

23) Rodrigo Garcia Vieira Braz, doutorando da Faculdade de Comunicação da UnB

24) Eduardo Hollanda - Revista Brasileiros - Editor Especial

25) Márcia Marques, professora da Faculdade de Comunicação da Universidade de Brasília

26) Roberto Petti, Gestão de Direitos e de Beneficiamento de Conteúdo TV Globo

27) José Carlos Torves, Diretor executivo da Federação Nacional de Jornalistas

28) Rolemberg Estevão de Souza, Conselheiro da Carreira de Diplomata do Ministério das Relações Exteriores

29) Sylvia Moretzsohn, professora de jornalismo na Universidade Federal Fluminense (Niterói/RJ)

30) Leyberson Lelis Chaves Pedrosa, jornalista e mestrando em Comunicação Social pela Universidade de Brasília.

31) José Eduardo Barella, jornalista

32) Paulo Caruso, Revista Época e Fundação Padre Anchieta - TV Cultura , São Paulo

33) José Brandão Coelho, Presidente Honorífico,Câmara de Comércio Brasil Portugal Paraná

34) Sérgio Dayrell Porto, professor da Faculdade de Comunicação da UnB

35) Alfredo Prado, jornalista, diretor dos portais Portugal Digital e África21 Digital

36) Kátia Cubel, jornalista, presidente do Prêmio Engenho de Comunicação – O Dia em que o Jornalista Vira Notícia

37) Carlos Manuel Pedroso Neves Cristo, Diretor da "Flecha de Lima Associados"

38) Alexandre Jorge Cavalcanti Ayres, médico do Hospital Universitário de Brasília

39) Humberto Netto, Assessor de Imprensa da Delegação da União Europeia no Brasil

40) Alcimir Antonio do Carmo, secretário executivo da Federação dos Jornalistas de Língua Portuguesa – FJLP

41) Osvaldo Ferreira, Maestro Titular - Orquestra Sinfônica do Paraná, Programador Musical - Allgarve 2011, Director Artístico - Oficina de Música de Curitiba

42) Ana Elisa Santana, jornalista e funcionária da TV Escola

43) Carlos Alberto Ribeiro De Xavier - Assessor Especial do Ministério da Educação

44) Manuel Fernando Lousada Soares, Diretor da LS – Net, Ex Secretário de Estado Adjunto de Tecnologia Industrial do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior,

45) Liziane Guazina, Professora da Faculdade de Comunicação da UnB.

46) Ana Lúcia Prado Reis dos Santos, professora da Universidade da Amazônia, Belém-Pará e doutoranda da Universidade Fernando Pessoa, Porto-Portugal.

46) Victor Gentilli, jornalista, professor da Universidade Federal do Espírito Santo

47) Rogério Christofoletti, professor da Universidade Federal de Santa Catarina
48) Luiz Egypto de Cerqueira, jornalista, redator-chefe do Observatório da Imprensa (Brasil)

49) Ray Cunha, escritor e jornalista

50) Fábio Henrique Pereira, professor da Faculdade de Comunicação da UnB.

51) Flávia Rocha, jornalista

52) Walter Guimarães, jornalista

53) Paulo Victor Chagas, estudante e extensionista do Programa Comunicação Comunitária

54) Emily Almeida Azarias, estudante de Comunicação da Universidade de Brasília

55) Luiz Motta, professor da Faculdade de Comunicação da UnB, ex-secretário de Comunicação do Distrito Federal

56) Francisco Sant'Anna, jornalista, editor responsável do programa Diplomacia da TV Senado.

57) Lúcia Helena Alves de Sá, Presidente da Associação Casa Agostinho da Silva

58) Amândio Silva, Presidente da Associação Mares Navegados

59) Silvestre Gorgulho, Jornalista e ex-secretário de Estado de Cultura do Distrito Federal

60) Mariana Martins de Carvalho, doutoranda do Programa de Pós Graduação da Universidade de Brasília

2.2.12

Sobre a indústria discográfica

A tese de mestrado de Leonor Losa ("Nós humanizámos a indústria". Reconfiguração da produção fonográfica e musical em Portugal na década de 60) foi defendida em 2009 na Universidade Nova de Lisboa. Trabalho de grande qualidade, fiquei a conhecer bastante melhor a atividade fonográfica do país naquele período quando o li agora.

Logo à entrada, a autora diz que a sua tese tinha por objetivo a reconfiguração da produção discográfica, em especial a do editor Arnaldo Trindade, a quem dedica os dois últimos capítulos. O texto tem introdução, cinco capítulos e conclusões. Os nomes dos capítulos são: 2) "Musicas" e "machinas falantes": mercado de partituras e fonogramas em Portugal desde meados do século XIX até à década de 30, 3) A emergência da rádio: sobreposição de reportórios dos anos 30 ao início dos anos 60 do seculo XX (criação da Emissora Nacional, surgimento de "fábricas de discos" e novos reportórios, centralidade da rádio), 4) Panorama editorial em Portugal nos anos 60 (protagonismo da Valentim de Carvalho, Fábrica de Discos Rádio Triunfo: nacionalização da produção fonográfica, Sassetti: edição de novos reportórios, atividade editorial no país nos anos 60), 5) Arnaldo Trindade: percurso biográfico e constituição da editora, 6) "Nós humanizámos a indústria". Reconfiguração da produção fonográfica em Portugal na década de 60 (postura editorial de Arnaldo Trindade e relação com os músicos, produção de "música de tema": tentativas de designação genérica dos produtos musicais).

No quarto capítulo, a autora aborda a autonomização da produção fonográfica em Portugal e o protagonismo dos espetáculos (p. 57), bem como o papel da imprensa especializada, de que releva o Mundo da Canção. A criação de uma fábrica de discos da Valentim de Carvalho ocorreu no começo da década de 1960, já depois do falecimento do fundador da empresa. Um dos sobrinhos, Rui Valentim de Carvalho, contra a vontade da empresa, abriu a fábrica do Campo Pequeno, onde se realizaria a prensagem de EP de gravações originais e cópias de gravações de editoras e etiquetas estrangeiras (p. 64). Na mesma década, seria construído o estúdio de Paço d'Arcos. A centralidade de reportório no fado (caso da fadista Amália Rodrigues) e a qualidade de gravações feitas pelo técnico de som Hugo Ribeiro garantiram a supremacia da editora. A Valentim de Carvalho apostou também em estilos de música importada caso das tipologias rock'n'roll e ié-ié (pop de origem francesa). Já a Fábrica de Discos Rádio Triunfo, fundada em 1946 no Porto, começara como loja de rádios e aparelhos de transmissão (p. 65), dando início em 1948 à produção de fonogramas. A Rádio Triunfo seria também editora, tendo um catálogo forte em música de ranchos folclóricos e intérpretes que desenvolviam as suas carreiras na rádio (Tony de Matos, Maria de Lurdes Resende, Maria Clara, Gabriel Cardoso), com uma relação de proximidade com a Emissora Nacional, cujo estúdio em Vila Nova de Gaia era usado habitualmente para gravações de discos.

A Sasseti, fundada em 1848, seria comprada por António Marques de Almeida e dois outros sócios que tinham fundado a cooperativa Guilda da Música em 1967 (p. 70). Pouco tempo depois associada à organização Zip-Zip, a Sassetti teve uma forte incidência nas gravações de música erudita (Antologia da Música Europeia) e de música popular portuguesa (Sérgio Godinho, José Mário Branco, Luís Cília e José Afonso). Finalmente, a Arnaldo Trindade, cujo proprietário estivera com frequência nos Estados Unidos, distribuiu discos de cantores em voga franceses (Johnny Halliday, Françoise Hardi, Serge Gainsbourg) e ingleses (Sandie Shaw), mas também as etiquetas Island (soul music, rythm'n'blues) e Tamla Motown (reggae) (p. 76). Numa das visitas aos Estados Unidos, Arnaldo Trindade comprara uma máquina de gravação Ampex, de quatro pistas, começando a gravar em 1952. Iniciou a etiqueta Orfeu em 1956 e publicou discos do Conjunto Pedro Osório, Titãs, Conjunto Sousa Pinto, Pop Five Music Incorporated, mas também do Conjunto Maria Albertina, Conjunto António Mafra, Quim Barreiros, num apoio nítido à produção discográfica do norte do país (p. 81). Arnaldo Trindade notabilizou-se ainda pelas estratégias de promoção: oferta de fonogramas às estações de rádio, organização de concertos (exemplos: Elton John, Marino Marini, Sandie Shaw, Sylvie Vartan), publicidade televisiva e sistema contratual com os intérpretes, com pagamento de remuneração mensal tendo como contrapartida a gravação de um fonograma por ano (casos de Adriano Correia de Oliveira e José Afonso).

Textos publicados por Leonor Losa podem ler-se na Enciclopédia da Música em Portugal no Século XX, com direção de Salwa Castelo-Branco, conjunto de quatro volumes editados em 2010 pelo Círculo de Leitores.

Abaixo, texto de Orlando Dias Agudo publicado na revista Antena, nº 80, de 1 de julho de 1968. O jornalista agradecia a gentileza de visitar as instalações da Valentim de Carvalho e da Fábrica Portuguesa de Discos da Rádio Triunfo. Na primeira fotografia, vê-se o técnico Hugo Ribeiro, apresentado na dissertação de mestrado de Leonor Losa.

31.1.12

História do Rádio Clube Português (5)

Environment, Science Journalism, Media, and Politics: The African Perspectives, conference to be held in Zambia


Call for papers for Sixth Global Communication Association Conference, Lusaka, Zambia, July 9-12, 2012. Theme: Environment, Science Journalism, Media, and Politics: The African Perspectives. The Kasoma Media Foundation, the Media Institute of Southern Africa, and the Global Communication Association are pleased to announce the Sixth GCA Conference, to be held in Zambia from July 9-12, 2012, focusing on the environment, science journalism, media and politics. This esteemed conference will bring together diverse scholars, researchers, experts, policymakers and journalists in the aforementioned areas to not only address the challenges facing the continent and its people, but also provide a platform for global interaction and discourse on these issues. We are inviting submissions of abstracts for papers on a broad range of topics including, but not limited to:
Environment and Science Journalism
 Climate change and other natural calamities
 Carbon gas emissions and carbon footprint
 Water policy, supply, sanitation, and resource management
 Recycling, waste disposal and thinking green
 Agriculture and rural development
 Food security
 Biodiversity and biotechnology research
 Forest and wildlife management
 Innovation and sustainability
 Health communication
 Energy and conservation
 Public and environmental affairs
 Eugenics and GMOs
 Interactive environmental journalism
Media and Politics
 Media education and pedagogy
 Media framing of critical issues: Corruption, poverty, HIV/AIDS, conflict, etc.
 Information and communication technologies for development
 Access to information: Rural/urban and other divides
 Science news as Mobilizing Information
 Access and utilization of social media in reporting science
 Science reporting and ethical dilemmas
 Journalistic professionalism in science reporting
 Democracy and media reforms in Africa
 Gender, media and governance
 Culture, indigenous communication systems, and science
 Media and political economy
 Globalization and the media: The African experiences
Deadline for abstract submissions: February 29, 2012
Acceptance note: March 28, 2012
Papers due: June 8, 2012
Abstract Guidelines
Abstracts should be between 200 and 400 words in length and include a title, author’s name, affiliation, and contact information. Submit abstracts in Microsoft Word or PDF format to Twange Kasoma (twange.kasoma@gmail.com). For information about GCA and further conference news, visit http://www.globalcomassociation.com/.

30.1.12

A Minha Sintra

Cidadania e responsabilidade social como alicerces da formação é o título do projecto de mestrado defendido hoje por António Luís Gomes de Almeida Cardoso na Universidade Nova de Lisboa. O projeto é a criação, já efetivada, de um sítio ligado à autarquia de Sintra em Abril de 2011, destinado às crianças do ensino básico do 1º ciclo como público-alvo: A Minha Sintra. Ver texto completo em http://industrias-culturais.hypotheses.org/19883.

29.1.12

Cidades - 10

"[c]om quantas casas e ruas é que uma cidade começa a ser cidade? A nossa linguagem pode ser vista como uma cidade antiga: um labirinto de travessas e largos, casas antigas e modernas e casas com reconstruções de diversas épocas; tudo rodeado de uma multiplicidade de novos bairros periféricos com ruas regulares e as casas todas uniformizadas" (Ludwig Wittgenstein, Tratado Lógico-Filosófico e Investigações Filosóficas. Lisboa: Gulbenkian, 1987, p. 183, sura ou versículo 18 do segundo destes livros).



[Lisboa, a partir do jardim de São Pedro de Alcântara]

28.1.12

A Escola de Teatro do Conservatório segundo Eugénia Vasques

Eugénia Vasques acaba de publicar o livro A escola de teatro do Conservatório (1839-1901). Contributo para uma história do Conservatório de Lisboa. O livro está dividido em sete capítulos: alvores do ensino formal do teatro (1795-1840), primeiras reformas na Escola de Teatro do Conservatório (1839-1860), últimas reformas do século (1861-1901), profissão de atriz, frequência da Escola de Teatro, primeiros métodos de ensino do teatro na Escola, menos pedagogia, mais psicologia: aprendizagem cénica. Ver texto completo em http://industrias-culturais.hypotheses.org/19825.

Projeto Enfarte

O Colectivo Enfarte "é um grupo de artistas multidisciplinar que privilegia o caráter espontâneo, auto-gestionado e informal da intervenção artística independente como meio de expressar sensações, emoções e posições políticas da sua existência/habitat. Rejeitando obrigações conceptuais ou estéticas afastam-se naturalmente da formatação rígida imposta por alguns dos circuitos sociais e artísticos estabelecidos. Colaboradores, amigos e anticorpos de longa data, cruzaram-se em diversos projetos de criação artística, organização de eventos, ativismo político ou projetos musicais. Nascem sob esta encarnação no início de 2011 na cidade de Barcelos com o objetivo de dar vida à publicação aberta Enfarte – zine d’artes e letras. Rapidamente percebem que os propósitos enquanto coletivo vão para lá da publicação da zine assumindo-se desde então como grupo de criação nas diversas vertentes das artes visuais e performativas" (informação dos mentores do projeto).



O Colectivo Enfarte apresenta até 18 de fevereiro criações no Festival NAA: a série de audiowalks Estórias para um lugar Barcelos e a instalação Esculturas para o Espaço Invisível, no centro histórico de Barcelos.

27.1.12

Call for papers Media and Crime


JOURNAL OF COMMUNICATION & CULTURE
Theme: Media and Crime
Editors: José Manuel Paquete de Oliveira and Verónica Policarpo
Issue: Number 14 (Autumn – Winter 2012)
Submission deadline for original articles: 30th April 2012

It is a media cliché to state «crime sells», or «crime boosts audience figures». On the other hand, and irrespective of the generalization that commonly establishes the existence of a causal link between the media (especially as regards the speculative dimension to handling news stories), and the propagation of crime, there have only been the occasional scientific research studies able to actually prove such a correlation. Nevertheless, one assertion may be verifiable: whenever violent crime rises, coverage of such acts fills the pages of many newspapers and television news reports. This thereby constructs a second reality about the social phenomena of violence, across its multiple expressions ranging from acts of domestic physical violence, impacting particularly on women and children, to acts of theft and vandalism displaying signs of rising intensity. Not even the generalised saying reflecting Portuguese public opinion that «Portugal is a country of gentle habits» has softened the blow from this global phenomenon. It should also be added that the prolonged and increasingly aggravated economic and financial crisis with its particular social consequences, experienced on both a national and an international scale, ensure such issues take on even more alarming proportions.

Attentive to and interested in the reflection, study and scientific research on matters of relevance to contemporary society and more specifically to Portuguese society, and specifically focusing on media studies based approaches, Communication & Culture is to dedicate its next issue to this theme.

We would correspondingly call for original articles on the following themes, among others:

 The mediatisation of crime and the individual perceptions of the society they live in.
 Crisis, Media and Crime. To what extent does the way the media report on the financial and economic crisis nurture an increase in deviant behaviours?
 Freedom of information and the respect for the right to the private life of citizens.
 Media revelations of «facts sworn to secrecy» in contrast to the application of justice through the courts.
 The social representation of crime in the media.
 The media as drivers of feelings of fear in the general public.
 The mediatisation of crime as a means of fostering civic and social prevention.
 Images and counter-images of justice in the media.
 Images and counter-images of the police in the media.
 Children as subjects and objects of crime in the media and news reporting.
 Domestic mistreatment and violence in the media.
 Reporting crime as a commercial strategy for differentiation between the different media.
 Information and communication technology based crime in social networks and the digital world.

Article submission:
• All articles meeting the editorial requirements and standards of Comunicação & Cultura are submitted to double blind peer review.
• Articles submitted for publication must be 1.5 spaced throughout and should not exceed the word limit of 40.000 characters, including notes and references, an abstract of 100-150 words and six keywords.
• Please send your article as an email attachment to comunicultura@fch.lisboa.ucp.pt.

26.1.12

Teatrofeira

As Boas Raparigas foram aos camarins, sótãos e anexos, recolheram todos os objetos que por lá andavam e vão vender tudo no palco do Estúdio Zero (rua do Heroísmo, 86, Porto), no dia 4 de Fevereiro, das 11:00 às 19h:00. É o Teatrofeira, onde se vai voltar a ver em cena o vestido que a Maria do Céu Ribeiro usou para ser a Molly de James Joyce, o fato preto com que Wagner Borges assistiu, noite após noite, ao funeral do pai em Mãos Mortas ou a saia rodada com que Carla Miranda lembrou Tina Modotti. São dezenas de casacos, saias, sapatos, malas, conjuntos de copos, tapetes, cadeiras, armários e outros objetos que serviram para contar histórias e deram brilho aos atores em palco. Agora, terminada a sua função, os objetos são cedidos aos espetadores por preços módicos. Contacto: asboasraparigas@gmail.com.

Mi Casa Es Tu Casa em Guimarães

Fernando Alvim é o criador de Mi Casa Es Tu Casa, o evento que vai transformar Guimarães 2012, Capital Europeia da Cultura, na cidade onde a música é ambulante e chega diretamente a salas, sótãos e casas de banho. O evento - a realizar no sábado, 28 de Janeiro, das 12:00 às 22:00 - vai virar de cabeça para baixo a definição de concerto: se até hoje os concertos são planeados e pensados para um espaço público para onde os espectadores afluem, neste sábado são os concertos que vão invadir os espaços privados do público. Aldina Duarte, António Zambujo, Luísa Sobral, Mafalda Veiga, Guta Naki, Virgem Suta e Samuel Úria são alguns dos nomes que vão literalmente entrar nas trinta e duas casas do centro histórico de Guimarães que aderiram voluntariosamente à iniciativa. A Fundação Orquestra Estúdio, formação sinfónica composta por 83 músicos, constituída como eixo central de toda a programação de música clássica da Capital Europeia da Cultura, fará parte do cortejo por volta das 12:00. À meia noite, a noite prolonga-se com Fernando Alvim na cabina DJ do Centro de Artes e Espectáculos São Mamede.

23.1.12

Obras na Casa-Museu Abel Salazar



Obras de Joaquim Bravo, Fernando Calhau, José Pedro Croft, Álvaro Lapa e Joel Shapiro, de 4 de fevereiro até 18 de março de 2012, na Casa-Museu Abel Salazar (São Mamede de Infesta, Maia).

Novo adiamento da medição de audiências pela GFK

Lido na newsletter da Meios e Publicidade, a GfK adiou uma segunda vez o arranque do seu sistema de medição de audiências em televisão. A Comissão de Análise e Estudos de Meios (CAEM) solicitará à Marktest que prossiga em Fevereiro a prestação do serviço de audimetria. O sistema de medição de audiências da GFK ainda apresenta resultados que motivam dúvidas aos membros do conselho técnico de televisão da CAEM.

20.1.12

Mudança no topo do Centro Cultural de Belém

Vasco Graça Moura será o próximo presidente da Fundação Centro Cultural de Belém (CCB). Ele sucede a António Mega Ferreira, cujo mandato termina agora. Mega Ferreira poderia exercer um último mandato de três anos. O secretário de Estado da Cultura, Francisco José Viegas, considerou em comunicado a forma exemplar como Mega Ferreira executou o cargo, com "provas de brilho, criatividade e responsabilidade no cumprimento da missão que lhe foi incumbida".

A administradora Margarida Veiga também cessa funções, sendo substituída pela historiadora de Arte Dalila Rodrigues. Miguel Leal Coelho, responsável pelas atividades comerciais e o centro de espetáculos, mantém funções, pois o seu mandato termina em 2013.

Museologia em Oeiras

18.1.12

Association for Contemporary Iberian Studies. Conference announcement and call for papers. Kings College, London, 4-6 September 2012



The Association for Contemporary Iberian Studies will hold its 33rd Conference organised jointly by Kings College London and the University of Westminster, for 4 - 6 September 2012. The conference will take place at King’s College London. You are cordially invited to offer a paper, panel, or workshop presentation. Proposals for panels of four papers maximum are also invited on specific themes in addition to individual presentations. Any proposed panel should be organised by one convenor who will be responsible for inviting the speakers and chairing the session. You are also invited to suggest any speakers who you think would be willing to offer a paper, bearing in mind, however, that ACIS does not normally offer a fee or expenses for speakers. The choice of all panels and papers will be made by the Conference programme organisers in consultation with the Executive Committee.

Below are the suggested thematic areas for papers and panels, which must relate primarily to Spain and Portugal. The themes are not exclusive and may be interdisciplinary in nature. Politics, Government, International Relations, the EU, Nationalism, Regionalisms, Elections, Economics, Business, Labour, Social and Welfare issues, Education, Film, Television, Journalism, Media, Advertising, Leisure, Tourism, Sport, Twentieth-Century History, Cultural Studies, Identities, Gender, Language, Linguistics, Language Policy and Pedagogy.

Other suggestions are welcome, and Panels can be more specifically oriented within these broad areas. Papers will be allocated a maximum of 30 minutes on the programme (i.e. approx 20 minutes for the paper and 10 minutes for discussion and debate). If you wish to offer a paper, please refer to the Guidelines for Papers (on the next page). For papers and/or panels, please send, preferably by e-mail, a title and abstract (approx. 150 words) by Friday 30 March 2012 to: Professor Rikki Morgan-Tamosunas, University of Westminster, 309 Regent Street, London, Tel. +44 (0)20 7911 5026, E-mail: conference@acis2012.org. Informal enquiries concerning papers and topics are welcome before the deadlines. Please note that a year’s membership will be included in the conference fee. Details concerning conference registration will be made available in due course on the ACIS website http://www.iberianstudies.net/. Please visit this site for further information about the Association.

Grande Prémio de Teatro Português

O Teatro Aberto, em parceria com a Sociedade Portuguesa de Autores, abriu mais uma edição do Grande Prémio de Teatro Português. O prémio galardoa uma peça inédita de um autor nacional, anualmente. Das mais importantes atribuídas em Portugal e na Europa, a distinção proporciona ao autor da obra vencedora um valor pecuniário e a possibilidade de ver a sua peça editada em livro e estreada no Teatro Aberto. Foi o interesse na divulgação da dramaturgia portuguesa contemporânea que motivou a existência desta iniciativa que nos últimos anos premiou os autores Filomena Oliveira e Miguel Real Uma Família Portuguesa (2008) (primeira imagem em baixo) (ver meu texto aqui), Luis Mário Lopes A Casa dos Anjos (2009) Rui Herbon O Álbum de Família (2010) (segunda imagem em baixo) (ver meu texto aqui) e Cláudia Clemente Londres (2011). Este último texto estreará na Sala Vermelha do Teatro Aberto em Junho de 2012. A entrega das peças é até 24 de Fevereiro de 2012 e o regulamento está disponível no sítio do Teatro Aberto.

O Século cómico [1918-1919]

Apresentou-se em Lisboa, em 1913, como continuador de O Século: suplemento ilustrado (1898 – 1901; 1910-1912), mas com a promessa de cultivar uma “graça” menos politizada: “o seu fim principal será distrair, afastando preocupações incómodas” e oferecendo “o bom humor tão necessário nos tempos que vão correndo”, ontem como hoje. E o fantasiar do lápis e da pena marcaram, de facto, a natureza anódina do novo suplemento humorístico de O Século. Suavizando até o impacto noticioso da I Grande Guerra, como pode confirmar nos dois anos que a Hemeroteca Municipal de Lisboa colocou em linha, aqui, numa digitalização feita a partir de microfilme. Entre os novos heróis merece especial destaque “O Quim e o manecas”, criados por Stuart Carvalhaes. Além dele, encontramos desenhos de Amarelhe, Hipólito Collomb, Rocha Vieira, Jorge Barradas, João Valério, entre outros caricaturistas. Em 1918 e 1919 a direcção da publicação foi assumida por Acácio de Paiva, sendo editor Alexandre Certã. A redacção, administração e oficinas de impressão ficavam na Rua do Século, 48, no Bairro Alto. Custava na altura 20 reis (preço avulso). Devido à crise de papel, resultante da guerra, desde Julho de 1916 que O Século Cómico estava integrado na Ilustração Portuguesa, outra revista do grupo jornalístico O Século, propriedade de Silva Graça. Brevemente, a Hemeroteca disponibilizará os restantes anos desta folha humorística, que durou até 1921 [informação fornecida pela Hemeroteca Municipal de Lisboa].

Teorias da comunicação

Ver em http://www.utwente.nl/cw/theorieenoverzicht/Alphabetic%20list%20of%20theories/: