Interrupção

O blogue tem sido muito pouco atualizado. O trabalho de investigação e outros motivos obrigam a uma concentração de esforços num só sentido. Obrigado pela preferência manifestada desde 2003.

30.9.15

Música nas praças a 3 de outubro


Livro sobre rádio, som e internet

Acaba de ser publicado o livro digital Radio, Sound and Internet, organizado por Madalena Oliveira e Fábio Ribeiro.



Do editorial, assinado pelos organizadores, retiro o seguinte:

"At odds with the idea that radio is an archaic and nostalgic medium, the Internet has been understood as a kind of new transistor. However more than an expanded form of wireless communication, the Web corresponds to a new age for radio and audio media. Born to be blind, or non-visual, for the first time radio has been seriously challenged by the empire of images. Due to its optical nature, the Internet has actually “forced” radio to become visible, given that there is no other way to tune in a radio broadcaster on the Internet than “navigating through” icons. Although more visibility usually means less capacity to listen to something, the Internet has also brought new forms of listening to. Podcasts and audio on demand are today a sophisticated, but absolutely simple, way of providing listeners with new audio productions. Corresponding to a new way of listening to radio and a new paradigm of audio content distribution, as acknowledged by Ignacio Gallego (2010), podcasting represents one of the most innovative audio services provided by Internet. Adapted both to information and fiction/entertainment, this format changed the way radio has always been regarded. If in the past it was exclusively dedicated to live broadcast, which meant that audience and broadcast were simultaneous, today radio is, likewise other mainstream media, a platform of customized content".

Feira de discos de vinil

No dia 28 de Novembro, das 10:00 às 21:00, vai decorrer a Feira de Discos de Vinil de Lisboa, na Taberna das Almas (Regueirão Anjos 68, Lisboa) aberta a todos os interessados, vendedores amadores e profissionais. Para além da venda de discos, a Feira conta com a representação de editoras independentes nacionais e estrangeiras, exposição de equipamentos aúdio, exposição de ilustração por Esgar Acelerado, apresentação do Festival Barreiro Rocks 2015 e concerto no encerramento do evento. Inscrições para o email: info@feiradediscosdevinildelisboa.com.

29.9.15

Jogadores, de Pau Miró

No final da peça, os atores estavam felizes, convictos de uma boa representação. E o público não regateou aplausos. A peça de Pau Miró, Jogadores, apresenta quatro homens de meia idade mas no limiar das suas capacidades produtivas. Um é barbeiro, ex-dono da barbearia, depois empregado e despedido, que sabe que a mulher anda com outro. O segundo homem é coveiro de profissão e passa a vida a falar da prostituta ucraniana e dos ciúmes que tem dos outros clientes dela. O terceiro é um ator falhado, que em sucessivas audições, não arranja lugar. Para ele, é mais fácil roubar no supermercado, onde por vezes é descoberto. O último dos quatro parece o mais intelectual, professor de matemática que, num momento de desvario, agride violentamente um aluno, é suspenso e obrigado a pagar uma indemnização.

Jogadores compulsivos de póquer e de casino, motivo que os leva a reuniões todas as noites, lembram-se de assaltar um banco. Precisam de refazer financeiramente a vida. Hesitam, discutem violentamente e passam à ação. Parecem conseguir o céu e o inferno, estão enredados em vidas sem futuro. Diz o professor: "É fácil prever o futuro. Basta olhar para o céu. Ou para o espelho. Se te vires ao espelho, podes saber o futuro".


Tradução do texto por Joana Frazão, com Américo Silva, António Simão, João Meireles e Pedro Carraca, cenografia e figurinos de Rita Lopes Alves, luz de Pedro Domingos, coordenação técnica de João Chicó, assistente João Pedro Mamede e encenação de Jorge Silva Melo. Do próprio Pau Miró: "É como se estas personagens se tivessem esquecido do texto e estivessem à espera que voltasse. Perderam o pulsar do mundo, e só têm uma maneira de o recuperar, talvez demasiado arriscada, seguramente demasiado perigosa. E louca. E também desesperada. Ao fim e ao cabo, no entanto, a única maneira".

25.9.15

Vasco Ribeiro e os spin doctors

Vasco Ribeiro vai lançar o livro Os Bastidores do Poder - Como spin doctors, políticos e jornalistas moldam a opinião pública portuguesa no próximo dia 2 de outubro, às 18:45, no Atrium Saldanha. Conta com apresentação do jornalista Gonçalo Bordalo Pinheiro e de J. Martins Lampreia. Do que eu conheço do seu trabalho, será um texto brilhante e um livro muito oportuno no atual momento eleitoral.

[o convite abaixo é para a apresentação em Vila Nova de Gaia, a 30 de outubro]


23.9.15

Leonor Barbosa de Melo

A soprano Leonor Barbosa de Melo, com o pianista Pedro Oliveira Lopes, cantou Was du mir bist de Erich Wolfgang Korngold, no dia do seu casamento (5 de setembro). O vídeo que fiz, com a câmara do telemóvel, não é o melhor, mas fica aqui. Obrigado, Leonor.



Uma outra versão pode ser vista aqui.

20.9.15

"Nous sommes pareils à ces crapauds qui " de Ali et Hèdi Thabet


Mathurin Bolze, bailarino e artista de circo (companhia MPTA), Hédi Thabet e a bailarina grega Artemis Stavridi - que é a mulher de Bolze -, acompanhados de músicos gregos e tunisinos, interpretam diversas personagens: o casal em que ele é machista, o encontro e desencontro de siameses. A interpretação é de um enorme rigor. Fiquei com muito respeito por Hédi Thabet, uma enorme personalidade que ultrapassa um problema visível mas se comporta com uma grande elegância e dá uma grande lição de como é bom viver. Para perceber melhor o que escrevo, ver o vídeo em Nous sommes pareils à ces crapauds qui.

Na imagem, almoço dos artistas na zona de representação. Participação nos dias 11 e 12 de setembro no auditório da Academia Militar, à rua Gomes Freire, em Lisboa, integrado no Festival Todos.

18.9.15

Kafka no Rivoli

João Lagarto e Sérgio Praia interpretaram a partir da encenação de Ana Luena É Impossível Viver, com base em contos de Franz Kafka, a partir de tradução de José Maria Vieira Mendes. São figuras que se cruzam - o companheiro, o bêbado, o devoto, a criança-fantasma.

O teatro é palavra, embora no final, um dos atores dissesse preferir o silêncio. Ou o movimento. Por vezes, tem-se dificuldade em acompanhar o que as personagens expressam, mas é pelas palavras que as seguimos. Penso que seja pela complexidade dos pensamentos, por alguma insofismável característica pessoal.

Também se perguntou nesse final após a representação se um ator não podia fazer as deixas do outro. Eles e a encenadora confessaram ter trocado por vezes os papéis, o narrador tornava-se a personagem ou vice-versa. Como se fosse um jogo de espelhos ou de duplos [por isso a minha imagem do teto da sala de acesso ao auditório Isabel Alves Costa].

Sala cheia a ver os gestos, as palavras e os movimentos no espaço.



17.9.15

Percursos

Inauguração amanhã dia 18, às 19:00 no mercado do Forno do Tijolo, em Lisboa, com trabalhos de André Alves, Carlos Filipe Maia, Cátia Cunha Pimentel, Flávio Filho, Gonçalo Pôla, Hugo Valério, Luis Bompastor, Luis Ferreira, Mafalda Silva, Nuno Lopes, Rebeca Bonjour, Sara Almiro e Sara Matos.

Exposição até 5 de outubro, de quarta a sábado, das 14:00 às 20:00 na rua Maria da Fonte, em Arroios, Lisboa (metro: Intendente/Linha Verde).

16.9.15

João Paulo Guerra

A voz de João Paulo Guerra já não se ouve na manhã da Antena 1 (8:20), a ler e comentar as notícias dos jornais, a Revista de Imprensa. Soube agora que ele foi substituído por João Paulo Baltazar, o diretor de informação da rádio pública.

Eu tenho um elevado apreço pelo trabalho de João Paulo Guerra. Creio não haver ninguém com a acutilância da leitura e do cruzamento de histórias jornalísticas como ele. Ele lia como se fosse uma página do melhor romance, dado o enredo e a harmonia com que mudava de tópico. Por outro lado, já não há fechos do espaço com o anúncio de um festival de poesia ou de gastronomia. E ainda a ironia que ele punha nas palavras quando falava sobre certos temas.

Em entrevista para a minha investigação sobre rádio, João Paulo Guerra contou-me que o seu trabalho começava cerca das cinco horas da manhã quando recebia os jornais em casa. Lia atentamente as publicações para ter pronta, às 7:20, uma leitura das capas e, uma hora depois, a leitura dos assuntos mais importantes. Tinha equipamento ligado à RDP para fazer o seu trabalho diretamente de casa. Depois, ia correr para o estádio do INATEL. A atividade dava-lhe duas vantagens: ao levantar-se cedo tinha um dia muito comprido, ao correr no estádio mantinha a sua forma física.

O novo leitor do espaço chama-lhe timidamente quiosque e o animador António Macedo não me parece tão à vontade. Pelo menos não se lhe ouve o "assim seja" como na despedida de cada intervenção de João Paulo Guerra. Não sei se João Paulo Baltasar tomou a melhor atitude ao substituir o veterano leitor de notícias, pois o seu dia de trabalho é tão intenso em termos de decisões e de estratégias para se comprometer com uma rubrica de rotina diária e muito matinal.

Atualização em 11.10.2015: ver aqui: João Paulo Guerra passa a participar num comentário semanal chamado O Fio da Meada, em conjunto com outros intervenientes.

15.9.15

Recordar o 25 de abril de 1974 e a importância da rádio

Em dois recortes do Diário Popular (25 e 27 de abril de 1974), no primeiro as ocupações das estações pelos militares e no segundo as canções senha transmitidas pela rádio para orientação das ações dos militares.



13.9.15

Imobiliário e arrendamento nas cidades

O texto publicado ontem por Marisa Antunes no Expresso (papel) compara Lisboa e Porto em termos de lojas que abrem e lojas que fecham. Os dados e as conclusões (tendências) merecem aqui reflexão. Dados oficiais indicam que, por semana, há um decréscimo de uma loja em Lisboa e um aumento de cinco no Porto. A questão essencial é o custo dos arrendamentos, na altura em que se cumprem três anos da atual lei do arrendamento. Na avenida Almirante Reis (Lisboa), praticam-se preços de rendas que atingem 3 a 4 mil euros, quando o preço de uma renda acima de 1500 euros se torna incomportável. O preço a juntar a ordenados e impostos acaba rapidamente com os negócios. Isso explica a razão pela qual aquela zona mas também as avenidas de Roma e de Guerra Junqueiro estão a perder lojas, visível, por exemplo, nas lojas de sapatos na avenida de Roma. Há uns dez anos, contei mais de vinte ou quase trinta lojas de sapatos (fiz aqui um álbum fotográfico delas); hoje, o número é diminuto.


Ao invés, escreve a jornalista, o Porto está a atrair mais lojas, com reconversão de atividades, do comércio a retalho para serviços de hotelaria. O turismo parece ser uma tábua de salvação. O texto elenca zonas como a praça dos Poveiros e praça D. Filipa de Lencastre (que Marisa Antunes designa como túnel de Ceuta), onde lojas desocupadas se transformaram em zonas de gastronomia.

Eu tenho uma perspetiva diferente, assente em dois pontos. Por um lado, a minha visão é pessimista sobre o crescimento atual. Ele é baseado numa única indústria: o turismo. Os habitantes estão a afastar-se desses locais, deixando as cidades de ter pessoas que alimentam diversas atividades comerciais. Os locais passam a ter uma dupla situação: muita gente durante o dia, desertas à noite.

Por outro lado, o artigo é esquemático. Dou exemplos: em Lisboa, junto ao campo Mártires da Pátria, nomeadamente na rua Gomes Freire, nascem pequenos restaurantes temáticos que atraem uma clientela diferente, visível no presente fim de semana com o programa Todos. Com o programa de Moda no Chiado, esta semana, as ruas daquela zona tornaram-se quase intransitáveis. No Porto, as ruas 31 de Janeiro e Sá da Bandeira perdem muitas lojas. A não ser a hipótese de revitalização do mercado do Bolhão, aquela zona terá uma ainda maior depressão. Isto é, acho interessante caracterizar as cidades, mas torna-se necessário estar atento a pequenos fenómenos locais que complexificam as situações urbanas.

[primeira imagem: Porto, traseiras do passeio das Cardosas; segunda imagem: Lisboa, campo Mártires da Pátria; terceira imagem (vídeo): Lisboa, descida da rua do Carmo]




Doutoramento de José Gabriel Andrade

Foi defendida a tese de doutoramento de José Gabriel Andrade Júnior, O Espaço Global da Língua Portuguesa, no passado dia 10 de setembro, na Universidade Católica Portuguesa. Brasileiro de Santos, São Paulo, Gabriel Andrade fez o centro da sua investigação o uso das tecnologias da informação nos portugueses a viver no Brasil e nos brasileiros a residir em Portugal, num total de 21 respondentes. Com um aparato teórico forte, apoiado nomeadamente em autores como Arjun Appadurai, Homi Bhabha, Néstor Canclini, Jesús Martín-Barbero, Sérgio Buarque da Holanda, Isabel Ferin, Boaventura Sousa Santos, Manuel Castells e Rosa Cabecinhas, o jovem investigador cruzou os conceitos de lusofonia, globalização e tecnologia dos novos media e definiu um pentagrama onde articulou media, turismo, migrações, governo e organização.


Na fotografia, da esquerda para a direita: Anthony Pereira, Verónica Policarpo, Fernando Ilharco (orientador), José Gabriel Andrade, Isabel Gil (vice-reitora da Universidade Católica), Rogério Santos e Isabel Ferin.

12.9.15

José Carlos Abrantes e o teatro

José Carlos Abrantes, no passado mês de julho, surpreendeu com a sua participação na peça A Ronda de Arthur Schnitzler, no Teatro de Turim. Eram dez diálogos onde as personagens vivem encontros e várias formas de se relacionar com o outro, tudo isto vivido a diferentes tempos, num espaço comum. Com encenação de Patrícia Lucas e produção Teatro Turim (Lurdes Silva) e interpretação de Bárbara Água, Elisabete Jarró, Luís Correia Rafael, José Carlos Abrantes e Sara Braz Ferreira e luz de Henrique Moreira. Por razões pessoais, não pude ver. Por isso, fui ao encontro de José Carlos Abrantes e entabulámos uma conversa agradável em esplanada do Jardim das Conchas numa manhã deste mês de setembro. Além da peça, falámos de outros tópicos, mas o vídeo versa apenas sobre essa experiência no teatro.



José Carlos Abrantes exerceu as funções de Provedor do Telespectador da RTP entre 2 maio de 2011 e 30 de abril de 2013. Nesse período fez cerca de 80 programas Voz do Cidadão, exibidos em todos os canais da RTP. Foi também Provedor dos Leitores do Diário de Notícias entre fim de abril de 2004 e junho de 2007. Foi professor de Teoria e História da Imagem na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra(1994-2001) e na Escola Superior de Comunicação Social de Lisboa. Em Coimbra leccionou também Comunicação Audiovisual. Foi membro da direção do Instituto Jornalísticos. Foi também professor na Universidade Aberta, na Universidade do Algarve , no Instituto Politécnico de Castelo Branco e deu aulas na Universidade Católica de Louvain, no quadro do Programa Erasmus. Tem organizado eventos culturais e mediáticos em parceria com a Livraria Almedina, o Teatro S, Luís, o Instituto Franco Português e algumas Universidades (Universidade de Coimbra, Universidade Nova, Universidade Católica., entre outras). Foi sócio fundador da Associação Portuguesa de Comunicação (Sopcom) e do Centro de Investigação Media e Jornalismo (CIMJ), tendo feita parte da direção deste último. Trabalhou com a imprensa escrita, a rádio e a televisão. Alimentou vários blogues (um deles dedicado às imagens, As Imagens e Nós) e está presente no Facebook e no Twitter. Publicações mais recentes Em escrita: Os Poderes das Imagens, a aparecer em 2016 Abrantes, J.C., Nós, os Leitores, Lisboa, Edições 70, 2008 Abrantes, J.C. e Daniel Dayan (Orgs), Televisão: Das audiências aos públicos, Livros Horizonte/CIMJ, 2006 Abrantes, J.C. (Org.), Ecrãs em mudança, Lisboa, Livros Horizonte/CIMJ, 2006 Abrantes, J.C (Org), A construção do Olhar (Coord), Livros Horizonte/CIMJ, 2005 Abrantes, J.C., 1001 Razões para Gostar de Portugal, Lisboa, Texto Editores, 2005. Foi director da colecção “A Construção do Olhar”, das Edições 70, que publicou livros de Monique Sicard, Serge Tisseron, Daniel Dayan, Ema Sofia Leitão e Rogério Santos.

11.9.15

Júlio Pomar

Os três volumes Júlio Pomar, Textos Críticos, escritos e publicados entre 1942 e 2013, em edição da Documenta, serão apresentados por Maria Filomena Molder no dia 17 de setembro de 2015, pelas 17:00, no Atelier-Museu Júlio Pomar, Rua do Vale, 7, em Lisboa.


9.9.15

OBITEL 2015 Yearbook

"We are pleased to announce the release of the OBITEL 2015 Yearbook . It is available in Portuguese, Spanish and English for free download at the OBITEL website: http://obitel.net. The OBITEL (Ibero-American Observatory of Television Fiction) is a research network made up of 12 national teams that systematically monitor, throughout a year, fiction shows that are produced and broadcast through open television channels in their respective countries. The results of this monitoring are presented through the singularities and tendencies of fiction in each country and in a comparative chapter that provides a general overview of television fiction in the member countries: Argentina, Brazil, Chile, Colombia, Ecuador, Spain, United States (Hispanic networks), Mexico, Peru, Portugal, Uruguay and Venezuela. The present Yearbook celebrates 10 years of the OBITEL and its special topic is Gender Relations in Television Fiction" (Maria Immacolata Vassallo de Lopes and Guillermo Orozco Gomes, OBITEL Coordinators).

"A estrutura do Anuário Obitel está dividida em três partes. A primeira parte é um capítulo de síntese comparativa da ficção dos países Obitel. Essa comparação é feita a partir de uma perspectiva quantitativa e qualitativa que permite acompanhar o desenvolvimento da ficção em cada país ao longo do ano, destacando seus principais cenários. Na segunda parte há 12 capítulos (um para cada país), com uma estrutura interna em que as seções do anuário costumam ser fixas, embora algumas sejam mais específicas do que outras. As seções que integram cada um dos capítulos são as seguintes: 1) O contexto audiovisual do país, que apresenta informação geral do setor audiovisual em relação à produção de ficção televisiva: história, tendências e fatos mais relevantes no ano. 2) Análise da ficção de estreia, feita por meio de diversas tabelas que apresentam dados específicos dos programas nacionais e ibero-americanos que estrearam em cada país. Nessa seção são destacados especialmente os dez títulos de ficção mais vistos do ano. 3) Recepção transmídia: nessa seção é apresentada e exemplificada a oferta que as emissoras de televisão propiciam às suas audiências para que possam consumir suas produções na internet, assim como a descrição do tipo de comportamento que as audiências adotam, por si mesmas, para ver, consumir e participar das suas ficções nas páginas e sites da internet. 4) Produções mais destacadas do ano: as mais importantes, não apenas quanto à média de audiência (rating), mas também em termos de impacto sociocultural ou de inovação que tenha gerado em novos formatos, estéticas e roteiros. 5) O tema do ano, que neste Anuário 2015 é Relações de Género na Ficção Televisiva Ibero-Americana".

A coordenadora nacional portuguesa é Catarina Burnay. Em 2014, a docente da Universidade Católica coordenou o livro A História na Ficção Televisiva Portuguesa, lançado pela Universidade Católica Editora.

8.9.15

Memórias de animadores (entertainers)

Dois dos mais conhecidos animadores de televisão e rádio, Júlio Isidro e Carlos Cruz, preparam as suas memórias. As do primeiro estarão prontas no final deste ano, segundo a TV Guia. As do segundo estarão já escritas mas não conheço o processo de edição.

Quer um quer outro são ou foram figuras destacadas dos media audiovisuais desde meados da década de 1960, nomeadamente concursos e festivais. Ambos foram também locutores de noticiários.

Sam Shaw - 60 Anos de Fotografia

A inesquecível fotografia de Marilyn Monroe de pé sobre um respiradouro do metro e uma lufada de ar soprando o seu vestido branco é um dos trabalhos mais conhecidos do fotógrafo nova-iorquino Sam Shaw e, naturalmente, faz parte das cerca de 200 imagens que compõem a exposição Sam Shaw: 60 Anos de Fotografia. Uma retrospectiva que percorre as mais de seis décadas da prolífica carreira do reconhecido fotógrafo, passando pelo fotojornalismo, os retratos e a indústria cinematográfica. A exposição, que inclui algumas fotografias raras e nunca antes vistas e outras tão célebres quanto a imagem de Marlon Brando de t-shirt rasgada no filme Um Eléctrico Chamado Desejo (1951), inicia em Cascais a sua digressão mundial e estará patente no Centro Cultural de Cascais, pela mão da Fundação D. Luís I, de 11 de Setembro até 8 de Novembro de 2015 (texto da organização) [já fizera referência à exposição em 30 de junho, em http://industrias-culturais.blogspot.pt/2015/06/sam-shaw-60-anos-de-fotografia-no.html] [New York City, 1954].




Street Art Portugal

A Zest apresenta o primeiro álbum nacional – de norte a sul do continente, passando pelos Açores – com as peças mais significativas que marcaram o ano de 2014 em termos de Street Art em Portugal. São mais de duas centenas de imagens, de quase uma centena de artistas, na sua quase totalidade nacionais, numa coleção que irá passar a registar a história gráfica da arte de rua em Portugal, apresentando novos e não tão novos artistas (texto do editor).


[http://zestbooks.wix.com/streetartportugal]

7.9.15

A história da rádio segundo Álvaro de Andrade (1)

Álvaro de Andrade não escreveu propriamente uma história da rádio, mas deixou algumas memórias escritas nas páginas do Diário Popular. Procurarei recuperar os seis ou sete textos que editou, a começar pelo publicado a 4 de agosto de 1970. Do que se lê, trata-se da memória de dois dos locutores mais antigos da Emissora Nacional, a que Álvaro de Andrade esteve ligado na época inicial. Os pioneiros, como lhe chama, são Fernando Pessa e João da Câmara.

Álvaro de Andrade, do qual já escrevi aqui na sua faceta de homem ligado ao teatro, dirigiu dois semanários de rádio (Rádio Semanal e Rádio Nacional), organizou o Anuário Radiofónico Português (1937, 1938) e foi adjunto da direção de Serviços de Produção da própria Emissora Nacional.

De Pessa destacaria a "voz inteligente, agradável, otimista". A ida do locutor para Londres no período da II Guerra Mundial criou um vazio, preenchido com as crónicas e os programas emitidos pela BBC. De Câmara, destacaria as reportagens das missas dominicais da igreja de São Domingos e a apresentação dos programas de ópera no São Carlos, com "a facilidade elegante e culta da locução e a pureza da linguagem, aliadas ao timbre equilibrado e insinuante da sua voz clara".



6.9.15

Museu Nacional Machado de Castro

Lê-se da missão do Museu Nacional Machado de Castro (Coimbra): "As atividades do Museu apostam na divulgação da cultura e na educação do gosto, enquanto capacidade crítica de saber aquilo de que gostamos".

É um prazer voltar a visitar o museu: escultura (pedra de calcário e granito, madeira, marfim, barro), pintura, ourivesaria, tapetes orientais (portugueses-hindus), cerâmica, têxteis, arqueologia. Um dia, numa visita guiada ali efetuada, ouvi pormenores sobre a história de um dos tapetes e as relações entre ocidente e oriente. Refleti: a história da cultura do mundo num pano longamente tecido e agora frágil pela sua idade, o que me encheu de muito contentamento.


5.9.15

Jorge Barreto Xavier confessa-se

Jorge Barreto Xavier escolheu o semanário Sol para o balanço da atividade como secretário de Estado da Cultura, onde faz o elogio da sua obra. Refere as reaberturas do Museu Nacional Machado de Castro (Coimbra) e da Casa das Artes (Porto), a extensão do Museu Alberto Sampaio (Guimarães) e a intenção de mudança do Museu da Música (Alto dos Moinhos, Lisboa) para o convento de Mafra. E também a legislação: questões fiscais sobre direitos conexos, mecenato cultural, lei da cópia privada e lei do preço fixo do livro.

Na entrevista, o  secretário de Estado fala dos atores da cultura e da arte: "É uma área em que os egos são por natureza muito grandes, desde os artistas ou curadores aos responsáveis pelas instituições, às vezes egos do tamanho do mundo". O jornalista César Avó coloca a questão do ego de Jorge Barreto Xavier. Ele não esconde a dimensão do seu, contaminado pelo trabalho ao longo dos anos no setor. E admite ter temperamento forte, não necessariamente difícil.

Sobre a recente polémica do alargamento do Museu Nacional de Arte Contemporânea (Chiado), ele diz ter havido uma polémica, com a ausência da verdadeira notícia que foi a ampliação do museu. Ando há tempos para escrever sobre isto, mas como ainda não visitei a coleção, estou a reservar isso para uma próxima ida ao Chiado. E sobre a dicotomia secretaria de Estado versus ministério da Cultura, ele sente-se bem com a primeira fórmula e considera uma "glorificação quase patética" a segunda fórmula, proposta pela oposição. E reclama quando dizem que o peso do orçamento da cultura deve estar nos 1%, como propõe a oposição e não nos 0,25%, em que está. O orçamento de Estado para a área terá atingido neste momento os 0,7%.

Parece-me que o secretário de Estado traça de si um quadro muito bondoso, mas muita gente reconhece o fim do seu ciclo político. O próprio Jorge Barreto Xavier nesta entrevista diz permanecer num sítio até três a quatro anos, o que quer dizer que está na altura adequada de mudar de posição. Algumas questões não resolvidas ficarão mal no seu currículo: a estratégia da língua portuguesa, a articulação do Instituto Camões e da CPLP, a reflexão do valor de 3% nas exportações nacionais. E uma visão menos interessante do que entende por cultura e da relação desta com o entretenimento, e da fronteira entre iniciativa privada e papel do Estado. Também tenho dúvidas sobre a apropriação das inaugurações e reaberturas, pois os ciclos de conceção e concretização das iniciativas vão além de mandatos governamentais. Parece-me mais ajuizado dizer que é um esforço dos governos com vontade cultural. Finalmente, sobre o Museu dos Coches, nem uma palavra. Durante meses, as notícias indicavam a oposição do governante à abertura, porque o museu daria maior prejuízo se aberto do que fechado. Agora, as notícias falam de um grande aumento de visitantes. Será Jorge Barreto Xavier uma força de bloqueio?

Nascido em Goa, em 1965, veio ainda criança para Portugal. Os seus pais, um juiz e uma professora primária, pertenciam a uma família que aderira ao catolicismo no século XVII e não podia ficar mais tempo após a integração dos territórios então administrados por Portugal no conjunto da nação da Índia. Licenciado em Direito, pertence ao PSD e é adepto do Sporting. Sempre esteve ligado à cultura, tendo sido já vereador da cultura da câmara de Oeiras e diretor-geral das Artes e administrador do Fundo de Fomento Cultural do Ministério da Cultura entre 2008 e 2010 (governo PS).






4.9.15

Oitenta anos de rádio pública (ainda)

Há um mês, a rádio pública comemorou os seus oitenta anos de emissão. Em 4 de agosto de 1935, o então presidente da República Óscar Carmona visitava oficialmente a Emissora Nacional, pelo que essa é a data simbólica de inauguração. Esta fora prevista para 1 de agosto, mas um impedimento pessoal de Carmona fez deslizar a visita para três dias depois. Por isso, também se costuma associar a data de arranque ao dia inicial de agosto. O conceito de rádio pública é recente, pois até 1974 a Emissora Nacional era designada por rádio oficial, pertença do Estado.

Eu dei uma colaboração neste 4 de agosto, falando para a RTP online, com perguntas de Rui Santos.

3.9.15

Fuenteovejuna em 1973

"A cada minuto que passa o perigo aumenta" parece ser o motivo inicial de Fuenteovejuna de Lope da Vega na versão livre de Natália Correia para o Teatro Experimental de Cascais, com direção de Carlos Avilez em 1973. A ação decorre em Espanha durante uma sucessão dinástica, com dois partidos divididos após a morte de Henrique IV. Um centra-se na irmã do defunto, a futura Isabel de Castela, outro (que inclui o nosso rei D. Afonso) a filha do próprio Henrique IV, D. Joana. O povo de Fuenteovejuna está no centro da história.

O recorte do Diário Popular, de 14 de maio de 1973, é a crítica de teatro sobre a peça. Dias depois, o mesmo jornal indicava que a companhia de Cascais ia em tournée para Angola. Vi-a em Luanda entre julho e agosto desse ano, já não posso precisar. Fiquei entusiasmado. Pela interpretação, parecia-me que muita coisa podia mudar também em Portugal. Lembro-me do desempenho de Zita Duarte (1944-2000). Creio que vi ainda outra peça do Experimental.

Não soube, então, do discurso de Américo Tomás em Aveiro, no final de junho. Ele sentia que "em muitos postos de comando se inseriram pessoas que deliberadamente procuram minar os alicerces da ordem social". Naquela cidade, em 4 de abril, começara o III congresso da oposição democrática. Entre outros, eram oradores iniciais José Manuel Tengarrinha e Maria Barroso. Depois, como que a responder a este congresso, a ANP (partido único) reunia-se em maio. A rádio transmitia o folhetim Simplesmente Maria. Vera Lagoa e outros organizavam o concurso de miss Portugal 1973, com transmissão direta na RTP em 30 de abril. Neste mesmo dia, informava-se de rebentamento de petardos em várias partes do país, a 21 de junho noticiava-se a perturbação de aulas na faculdade de Ciências do Porto, sem mais detalhes.

Fuenteovejuna pode ser vista em http://www.rtp.pt/rtpmemoria/?article=1477&visual=2&tm=8&layout=5.


Ensaio audiovisual digital

O Grupo de Trabalho “Cultura Visual Digital” convida todos os interessados, membros e não-membro da AIM, a submeterem propostas de comunicação para a organização de um ou mais painéis temáticos no âmbito do VI Encontro Anual da AIM, que se realizará no Porto, de 4 a 7 de maio de 2016.

Sem prejuízo de outros temas relevantes para esta área de investigação, propomos este ano o tema específico do ensaio audiovisual digital.

A utilização da imagem em movimento no contexto da crítica cinematográfica, da análise fílmica e até das expressões mais diversas da cinefilia contemporânea registou um crescimento assinalável nos últimos anos. Para além da popularidade cada vez maior destes ensaios, a multiplicação de conferências internacionais, cursos de formação, abertura de secções em revistas científicas e publicação de bibliografia de referência sobre o assunto tem contribuído para uma crescente reflexão crítica sobre estas práticas e até mesmo para a sua progressiva institucionalização.

No entanto, enquanto produto da Web 2.0 e da vulgarização de tecnologias de visionamento e montagem digital, as práticas do ensaio audiovisual caraterizam-se por uma grande diversidade metodológica, são especialmente resistentes à normalização e abrangem vários contextos e influências, dentro e fora do campo específico do cinema e muito para além da universidade: da sala de aula à conferência académica; do filme-ensaio ao filme de compilação; do found footage à video-arte; da crítica de cinema à análise textual; do extra de DVD ao remix, o mashup e o supercut.

Esta chamada de comunicações tem como objectivo mapear estas práticas e reflectir sobre as suas tensões definidoras. Encorajamos o envio de comunicações sobre, entre outros, os seguintes tópicos:
-estudos de caso;
-relações com práticas artísticas;
-relações com culturas de fás e cinefilia digital;
-relações com a cultura audiovisual contemporânea;
-implicações no ensino e na investigação dos estudos filmicos;
-implicações na questão de direitos de autor e relação com arquivos fílmicos

As propostas não devem exceder os 1500 caracteres (incluindo espaços) e deverão ser enviadas diretamente para os coordenadores do GT até 15 de outubro de 2015. No caso de aceitação, o autor deverá então submeter a sua proposta no site da AIM até 31 de outubro de 2015. A aceitação final dependerá do processo de arbitragem científica geral do Encontro.

Contato para envio de propostas:
Tiago Baptista: trbaptista@mail.com

+info sobre o Encontro aqui
+info sobre o GT Cultura Visual Digital aqui

[texto da organização]

2.9.15

Parodiantes de Lisboa

Sempre que encontro uma notícia sobre os Parodiantes de Lisboa, penso em escrever sobre eles mais do que já fiz. Nesta imagem (Diário Popular, 17 de março de 1968), parece-me que os irmãos Andrade são fotografados na então nova sede, à avenida Estados Unidos da América, aqui em Lisboa. Em começo de 1973, eles estavam mais fortes do ponto de vista financeiro (Diário Popular, 12 de fevereiro de 1973). Certamente que eles fizeram muitas brincadeiras; aqui, ficam registadas duas, uma em que distribuíram 500 frangos à porta do teatro ABC no dia 1 de abril, dia das mentiras (Diário Popular, 2 de abril de 1968), outra, no dia de Santo António (Diário Popular, 13 de junho de 1968).