segunda-feira, 27 de junho de 2005

Harold Lasswell

Harold Lasswell (1902-1978), psicólogo e investigador nas áreas de política e das ciências sociais, é bastante conhecido pelo seu modelo de comunicação: quem diz o quê a quem, por que canal e com que efeito. O primeiro quem controla a mensagem, o segundo quem é a audiência ou receptores, o quê é a matéria comunicada, o canal conduz à análise dos media, o efeito é a reacção do público.

Um dos mais importantes trabalhos de Lasswell foi Propaganda technique in world war (1927), em que desenvolve o conceito de propaganda (de novo na ribalta aquando da guerra no Iraque, na Primavera de 2003). Para Lasswell, a propaganda tem quatro objectivos prioritários: 1) mobilizar o ódio contra o inimigo, por meio de histórias de grande atrocidade; 2) manter a amizade dos aliados; 3) preservar a amizade e procurar a cooperação dos que se mantêm neutros; 4) desmoralizar o inimigo. A propaganda, segundo Lasswell, é a técnica de influenciar a acção humana através da manipulação das representações, como símbolos, por meio de rumores, relatos, imagens e outras formas de comunicação social.


Lasswell estudou particularmente a campanha governamental que fez alterar a opinião pública americana de uma posição anti-guerra para uma de pró-guerra e contra a Alemanha (I Guerra Mundial). Ele via na propaganda um utensílio essencial para a gestão governamental da opinião, isto é, a necessidade de gerar o apoio das massas ao seu governo. Mais tarde, Carl Hovland e um grupo de psicólogos de Yale editavam um livro, onde se descreviam experiências efectuadas durante a I Guerra Mundial sobre o exército americano, também a propósito da propaganda (1949).

Estávamos no começo da Mass Communication Research, a cargo de Lasswell, e centrada em dois eixos: os efeitos das mensagens dos media e a análise de conteúdo para descobrir as razões da influência directa total sobre as audiências, então atribuída aos media. A teoria linear da agulha hipodérmica – um modelo directo de causa e efeito – procurava trabalhar a forma de melhor influenciar os públicos. Lasswell foi, sucessivamente, professor nas universidades de Milikan, Chicago, Columbia e Yale.

Passagem do modelo da agulha hipodérmica para o efeito limitado dos media

Menos interessado em dividir o acto de comunicação nas várias partes e mais interessado em examinar o todo face ao processo social global, Lasswell considera as três funções do processo de comunicação: 1) vigilância sobre o meio ambiente, que revelam ameaças e oportunidades que afectam a comunidade, em termos de valores; 2) correlação de forças entre os componentes da sociedade, 3) transmissão da herança social (Lasswell, 1978: 117).

Este texto, inicialmente impresso em 1948, mostra a transição feita pelo autor da teoria hipodérmica para a dos efeitos limitados. Ele destaca os líderes grupais especializados, que desempenham papéis específicos de vigilância sobre o meio e conduzem estruturas de atenção, proporcionando uma determinada condutibilidade da mensagem (1978: 107). Além disso, as mensagens ocorrem dentro do Estado mas envolvem mais os canais familiares, a vizinhança, os grupos e os contextos locais (1978: 109), podendo existir a comunicação em dois sentidos (a retroacção). Estava-se na segunda função apontada pelo autor, a correlação de forças entre os componentes da sociedade, e que conduz ao terceiro elemento do processo social: a transmissão de valores de geração para geração. Ideais como esclarecimento, respeito ou bem-estar sucedem ao longo das gerações como valores pilares de uma sociedade (1978: 111), os miranda (termo latino que designa os valores dignos de admiração e respeito), moldados e distribuídos nas instituições, como o lar e a escola.

Leituras: Harold Lasswell (1978). “A estrutura e a função da comunicação na sociedade”. In Gabriel Cohn (org.) Comunicação e indústria cultural. S. Paulo: Companhia Editora Nacional (original de 1948) (pp. 105-117), ou
Harold Lasswell (2002). “A estrutura e a função da comunicação na sociedade”. In João Pissarra Esteves (org.) Comunicação e sociedade. Lisboa: Livros Horizonte e CIMJ (pp. 49-60)

8 comentários:

mjr disse...

“A propaganda, segundo Lasswell, é a técnica de influenciar a acção humana através da manipulação das representações, como símbolos, por meio de rumores, relatos, imagens e outras formas de comunicação social.”
Ou, como disse Baudrillard (1) sobre o pensamento viral da propaganda (do qual que se deve esconder o ‘pensamento livre’ que só se pode cultivar em lugares secretos): “Cifrar, não decifrar. Trabalhar a ilusão. Iludir para provocar acontecimento. Tornar enigmático o que é claro, ininteligível o que não é senão demasiado inteligível, (e) ilegível o próprio acontecimento. Acentuar a falsa transparência do mundo para aí semear uma confusão terrorista, os germes ou os vírus de uma ilusão radical, isto é, de uma desilusão radical do real. Pensamento viral, deletério, corruptor de sentido, gerador de uma percepção erótica da perturbação da realidade.”
(1) Baudrillard, J., ‘O crime perfeito’, Relógio d’Água, 1995, p140

Menina_marota disse...

Passei paara conhecer o teu Blog... e, deixar-te um abraço ;)

Bruno Lopes disse...

O seu Blog está me ajudando bastante nos estudos que estou fazendo para a realização de uma prova de Concurso Público. Muito obrigado e parabéns! Ahhhh... possivelmente estarei fazendo algumas perguntas específicas, Ok?
Abraço,
Bruno Lopes (Rio de Janeiro, BRASIL)
brlopesmktg@terra.com.br

LUANA AMORIM disse...

oLA ESTAVA PESQUISANDO UM ASSUNTO SOBRE TEORIA E SUA PAGINA ME AJUDOU MUITO...BRIGADA

Amanda disse...

Oi sou Amanda, estudo jornalismo e estava vendo seu texto sobre Lasswel, me ajudou bastante.
Interessante o seu blog.
Abraços.
Fortaleza-Ce

Thiago Silveira Cogo disse...

Ótima iniciativa, muito bom o conteúdo do seu Blog, Rogério!

Thiago (Estudante de Jornalismo)
Acesse meu blog:
www.jornalismojovem.blogs.sapo.pt

Thiago Silveira Cogo disse...

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Victor Kane disse...

Caro amigo, sobre o livro de Lasswell, Propaganda Techniques in World War, eu o encontro em português?

Grato

V.Kane