Interrupção

O blogue tem sido muito pouco atualizado. O trabalho de investigação e outros motivos obrigam a uma concentração de esforços num só sentido. Obrigado pela preferência manifestada desde 2003.

31.5.10

JAZZ NA UNIVERSIDADE

Amanhã, dia 1 de Junho, pelas 15:00, na Universidade do Algarve, vai decorrer uma Masterclass orientada pelo investigador em História do Jazz na Universidade Complutense de Madrid, João Moreira dos Santos. Tema: Jazz e Comunicação para Ensemble. A Masterclass é patrocinada pelo CIAC - Centro de Investigação em Artes e Comunicação e pela Associação Grémio das Músicas, ao abrigo do protocolo de colaboração existente entre ambas as instituições. À noite, pelas 21:30, no Pátio de Letras, em Faro, segue-se uma Tertúlia/Debate sobre O Ensino Artístico, a Investigação e a Academia no Século XXI.

MIL EMISSÕES DE UM TOQUE DE JAZZ


Já atingiu a milésima edição o programa Um Toque de Jazz, de Manuel Jorge Veloso, na Antena 2. Parabéns. Para ouvir, clicar aqui.

30.5.10

NOTAS SOBRE O MERCADO FRANCÊS DOS MEDIA

Josiane Jouët, da Universidade de Paris II (Panthéon-Assas), em French Media: Policy Regulation and the Public Sphere (2010), analisa os media franceses e o espaço público nas últimas cinco décadas. Em 2009, escreve ela, os telespectadores e os ouvintes de rádio têm acesso a dezenas de rádios e canais de televisão, que contrasta bastante com a situação de 1960. Ao invés, a popularidade dos jornais diários está a descer e o mercado das revistas está florescente.

A principal transformação no audiovisual francês deu-se na década de 1980, quando o Estado possibilitou a criação do Canal Plus por subscrição e vendeu o primeiro canal de serviço público ao grupo Bouygues, em paralelo com a emergência de uma economia neoliberal, dando espaço à concentração dos media e ao desenvolvimento de técnicas de marketing. De então para cá, os governos sucessivos seguem políticas de desregulação, embora haja momentos em que invertem a situação com tomadas de posição re-reguladora, o que torna o mapa jurídico do audiovisual francês muito complexo.

Continua a existir uma forte acção no espaço público em torno do serviço público de audiovisual, que defende programas de qualidade e o papel educativo da televisão. Isso é visível em termos de artigos de opinião na imprensa e na publicação de livros e capítulos de livros pelos mais conceituados intelectuais, como Pierre Bourdieu, Éric Neveu, Dominique Wolton, Rémy Rieffel e Dominique Mehl, que abordam o modo como a televisão age sobre a vida quotidiana e os valores morais, sociais e políticos. Por exemplo, o arranque do programa Big Brother (Loft Story, em França), em 2001, trouxe uma ampla discussão pública sobre qualidade e lixo na televisão.

Igualmente o papel dos jornalistas tem sido discutido amplamente, escreve Josiane Jouët. O facto de a França ter desde o começo do século XX apoiado muito os media (isenção de impostos, porte pago, subsídios) colocou sempre o público em atenção permanente (desconfiança), a que se juntam agora algumas posturas menos éticas dos jornalistas. Sob a pressão da concorrência crescente entre os media, publicam-se falsas notícias sem verificar fontes e editam-se notícias que são publicidade encapotada, com viagens pagas por anunciantes. Alguns jornalistas, em especial os apresentadores de noticiários de televisão, têm estatuto de vedeta e assumem-se como formadores de opinião pública, ao lado de empresas detentoras do capital dos canais de televisão que procuram influenciar o percurso dos temas em debate público.

A posição do Estado tende a ser a de regulador (embora continue com a propriedade de media audiovisuais), com a criação da Haute Autorité de la Communication Audiovisuelle (1982), substituída pela Commission Nationale de la Communication et des Libertés (1986), quando foi nomeado um governo de direita, e pelo Conseil Supérieur de l'Audiovisuel (1989), quando a esquerda assumiu o poder político, mantendo-se ainda com esta designação.

Reparo que, na questão da regulação, há muitas similitudes com a situação de Portugal, embora à autoridade portuguesa estejam acometidas tarefas de regulação da imprensa, que não existem na autoridade francesa. Também em termos de propriedade de empresas públicas de audiovisual e da discussão pública dos temas agendados pelos media existem situações semelhantes em Portugal.

Leitura: Josiane Jouët (2010). "French Media: Policy Regulation and the Public Sphere". In Jostein Gripsrud e Lennart Weibull (eds.) Media, Markets & Public Spheres. European Media at the Crossroads. Bristol e Chicago: Intellect, pp. 157-170

PAISAGENS URBANAS (3)

GRAFFITI TUGA (4)

29.5.10

ALAIN RESNAIS (2003) PAS SUR LA BOUCHE


Gilberte Valandray (Sabine Azéma), durante uma estadia nos Estados Unidos, casara com um americano, Eric Thomson (Lambert Wilson). Como a relação não durou mais de seis meses, acabou por não ser reconhecida pelo consulado francês. Em França, Gilberte casou-se com Georges Valandray (Pierre Arditi), um industrial rico que acreditava ser o primeiro marido dela e se sentia feliz conjugalmente mesmo sabendo que ela era cortejada. A única pessoa que conhecia o segredo era a irmã dela, a solteirona Arlette Poumaillac (Isabelle Nanty). Mas quando Eric foi a França em negócios com Georges, tudo se alteraria. Huguette Verberie (Audrey Tautou) e Charley (Jalil Lespert) constituíam um outro par. O filme é uma adaptação por Alain Resnais de uma opereta francesa da década de 1920.

Do mesmo modo que vimos recentemente em Ervas Daninhas (em que Sabine Azéma também desempenhava um dos papéis principais), o som off e o olhar das personagens para a câmara dizendo apartes, no sentido da desconstrução do cinema, são elementos essenciais. A que se junta a combinação feliz de teatro e música (da opereta), com as personagens a agradecerem a presença dos espectadores. Cinema não convencional, moderno e divertido sobre a condição humana é mais uma prova da longevidade inventiva de Resnais, nascido em 1922. Repito o que escrevi aqui em 11 de Abril de 2010: "O filme não é verosímel, é uma construção, uma ilusão".

CREATIVE AND CULTURAL INDUSTRIES MA, LONDON METROPOLITAN UNIVERSITY

MEDIA SOCIAIS E MARKETING

O curso de Social Media Marketing - Básico (4 horas) (Inesting, Paço d'Arcos) destina-se a gestores e profissionais com funções de marketing, "pouca ou nenhuma experiência de utilização das redes sociais na óptica do marketing, que pretendam realizar uma introdução às diferentes tipologias de social media e respectivas potencialidades de marketing". O programa tem a seguinte composição:


PARTE I – WEB 2.0
1. Definição, Dimensão & Crescimento
2. Potencialidades
PARTE II – TIPOLOGIAS
1. Redes Horizontais (Facebook, Hi5, MySpace, LinkedIn)
2. Redes Verticais (Travelpod, Trip Advisor, LonelyPlan)
3. Blogging (Blogger, Twitter)
4. Bookmarking (del.icio.us, dig, reddit)
5. Agregadores (Friendfeed, Backtype, Technorati)
6. Multimedia (Flickr, Youtube, Slideshare)
7. Wikis (Wikipedia, Wikitravel)
8. Mundos Virtuais (Second Life)
PARTE III – OUTROS CONCEITOS
1. Explicação de conceitos relacionados como Widgets, RSS, Feeds ou Podcasting.
PARTE IV – MARKETING
1. Estratégia de Social Media
2. Marketing Operacional
PARTE V – RECURSOS
1. Ferramentas
2. Web Sites
PARTE VI – TENDÊNCIAS
1. Tendências de evolução da Web 2.0 e do Social Media Marketing

BLOGUE ENCONTROS

Margarida Botelho esteve em Moçambique com a apoio do Programa INOV-ARTE da dgARTES e da Unesco. Agora, criou um blogue - Encontros -, a "ser actualizado do presente para o passado, por isso podem ir acompanhando os novos posts de uma memória que está a ser compilada em livro, com Dezembro 2010 como data esperada para o seu lançamento".


Escreveu Margarida Botelho (transcrevi esta informação e imagens aqui no blogue, a 13 de Fevereiro de 2010):
  • "Durante 8 meses viajei por Moçambique com uma mochila cheia de livros em branco, que foram pouco a pouco ganhando vida. Desenhei um projecto de literacia comunitária com base na ideia que a experiência de construir um livro (literalmente) com a nossa história de vida fornece-nos mais ferramentas para entendermos quem somos e o mundo que nos rodeia".

28.5.10

DA LITOGRAFIA À TELEVISÃO

Do analógico à litografia digital (1947-2010), palestra por José Ruy, amanhã (29.5.2010), no Centro Nacional de Banda Desenhada e Imagem, na Amadora. V Seminário Internacional Obitel, Observatório Ibero-Americano da Ficção Televisiva, no Rio de Janeiro, Brasil (10 e 11.8.2010), com uma representante portuguesa: Catarina Duff Burnay.

GRAFFITI TUGA (3)

MILEY

É amanhã que Destiny Hope Cyrus, aliás Myley Ray Cirus (Myley, diminutivo de Smiley, porque a miúda tem sorriso de bebé), aliás Hannah Montana (a personagem Miley da série com aquele nome), vai cantar no Rock in Rio (as páginas são as centrais do jornal i de hoje).


De 17 anos, Miley tem quase três milhões de fãs no Facebook (mais precisamente 2759056) e 1187978 amigos no MySpace. Do seu primeiro álbum a solo venderam-se 326 mil cópias na primeira semana. O pai é cantor country Billy Ray Cyrus, o avó Ron Cyrus foi político do Partido Democrático, tem dois cães e interpreta a personagem Miley Stewart na série do canal da Disney desde 2006. O filme Hannah Montana estreou em Portugal em Julho de 2009 e foi um êxito de bilheteira.

TRAJES E MODA

Roland Barthes, no seu livro Sistema da Moda, fala em dois tipos de vestuário numa revista de moda. O primeiro é o fotografado ou desenhado, um vestuário-imagem. O segundo é o mesmo vestuário mas escrito, transformado em linguagem. No primeiro, empregam-se formas, linhas, cores; no segundo, palavras. Há, contudo, um terceiro tipo, o vestido real. O modelo que guia a informação transmitida pelos dois primeiros vestuários pertence à terceira estrutura (pp. 15-17).

Mas que dizer do vestuário exposto num museu? Já não é objecto de moda ou desejo e apenas motivo de recordação ou de interesse histórico e sociológico. Ver o vestuário dentro de um cavalete é retirar o conteúdo. O vestido é uma pele exterior, um contentor, a que falta a carne e a vida da sua portadora. Como seria ela? Bonita, velha, alta, magra, alegre? E o roupão ou camisa de dormir, usou-as muitas vezes? A esses vestidos e outros adereços chamam-se manequins, confundindo a função com as manequins das passagens de modelos.

No museu, continuamos no referente de modelo. Como diz Jean Baudrillard, os modelos já não constituem uma transcendência ou uma projecção mas são uma antecipação do real, são imanentes, são uma manipulação, com cenários e situações simuladas (Simulacros e Simulação, p. 152). A roupa presente no museu é um simulacro dessas alegrias ou tristezas e da beleza das portadoras das peças agora expostas. Não agarramos a realidade, mas um substituto, o simulacro, como bem expressa Baudrillard. Desligada da realidade, resta-nos a memória descontextualizada. Nem a informação escrita junto às peças nem a música de fundo conseguem trazer-nos à vida as cenas representadas por essas portadoras da moda.

[imagens tiradas no Museu do Traje. A segunda imagem pertence à exposição temporária de roupa interior do século XIX]

27.5.10

JACARANDÁS

As flores do jacarandás anunciam a maturidade do ciclo da Primavera. O blogueiro fica sempre admirado com a natureza.

REVISTAS EM FORMAT IPAD

As publicações Condé Nast anunciaram ontem a edição da revista Wired em formato iPad. Outros títulos da mesma empresa editora, como Vanity Fair e GQ serão igualmente distribuídas em formato iPad. Neste novo formato há adaptações e reimaginação. Ler a notícia completa aqui. Isto num momento em que se anuncia que a Apple ultrapassa a Microsoft como a mais valiosa empresa de tecnologia, a ler aqui.

26.5.10

EXPOSIÇÃO NO PORTO


A exposição Espólio de Arte Digital do Museu da Bienal de Cerveira na galeria Por Amor à Arte Galeria (R. Miguel Bombarda, 572, Porto) inaugura no dia 5 de Junho (Sábado), pelas 16:00 e fica patente ao público até 3 de Julho de 2010. Do comunicado da organização, lê-se:

  • Considerar as artes digitais como uma forma de expressão plástica, só por si, merece reflexão tanto mais que o computador é um instrumento de trabalho ao mesmo título que a rebarbadora o é para a escultura, a tinta em tubo pré-fabricada o é para a pintura. O problema reside no que é possível fazer com esses instrumentos para a execução da obra de arte, e as novas capacidades que são abertas ao criador face às novas ferramentas. É frequente confundir-se virtuosismo tecnológico com obra de arte, sobretudo numa época em que a novidade dos instrumentos nos maravilha com os resultados obtidos. É certo que, na área digital, há especialidades que beneficiam com esse virtuosismo, como seja a publicidade na web ou no cinema, as indústrias de divertimento como jogos e simulações virtuais, etc. No entanto não podemos esquecer que ao mesmo título que a música e a escrita, as artes plásticas são ciências onde a tecnologia é indissociável da criatividade, e por essa mesma razão as artes digitais são uma nova ciência que se tornou indissociável das novas formas criativas. A mostra aqui presente é certamente um exemplo vivo do aproveitamento tecnológico como forma de arte, por artistas que, não sendo especialistas da tecnologia, souberam aproveitar esta ferramenta para expressar as suas tendências artísticas pessoais, virtualmente, mas numa linguagem contemporânea.

GRAÇA MORAIS E POR PARIS

De 29 de Maio a 19 de Setembro, das 11:30 às 18:00, no CAMB (Centro de Arte Manuel de Brito), em  Algés, de terça-feira a domingo (última sexta de cada mês, das 11:30 às 24:00).

A primeira exposição é de Graça Morais, onde se podem ver obras referenciais do percurso de uma das artistas mais representativas da Colecção de Arte Manuel de Brito e da história da arte portuguesa. A segunda exposição, Por Paris, apresenta obras de artistas da modernidade portuguesa como Vieira da Silva, Júlio Pomar, René Bértholo, Lourdes Castro, Pedro Escada, entre outros, num diálogo com nomes internacionais como Sónia Delaunay, Arpad Szenes, Arman, Christo, Ian Voss, Niki de Saint Phalle e Vasarely [ver mais em http://camb.cm-oeiras.pt/].

25.5.10

PROJECTO DE CANAL DE TELEVISÃO CULTURAL GANHA PRÉMIO NACIONAL 2010

"O Prémio Nacional de Indústrias Criativas 2010, no valor de 25 mil euros, foi atribuído ao OSTV, projecto empresarial de criação do primeiro canal de televisão na área da cultura. Promovido pela Unicer, em parceria com a Fundação de Serralves, o prémio foi entregue na segunda-feira à noite, numa cerimónia realizada à margem do evento internacional Portugal Criativo 2010, sobre tendências atuais das indústrias culturais e criativas a decorrer no Porto. Além do prémio pecuniário, o vencedor vai ter acesso a uma rede de parceiros para apoio ao desenvolvimento de negócio, e a possibilidade de integração na Incubadora de Indústrias Criativas da Fundação de Serralves. O projeto vencedor OSTV visa a «criação de um canal de televisão colaborativo e interativo na área da cultura, a disponibilizar na TV cabo, internet e mobile»" [Destak/Lusa: destak@destak.pt].

O JORNALISMO EM CONGRESSO

Escrevem Carlos Cordeiro e Susana Serpa Silva que os textos publicados no volume por eles organizado, A História da Imprensa e a Imprensa na História. O contributo dos Açores, resultam de um colóquio realizado em Maio de 2009, onde se procurou, por um lado, "debater aspectos do percurso histórico da imprensa e do seu impacte na vida das sociedades e, por outro, integrar a evolução da imprensa açoriana em contextos mais vastos, quer a nível nacional, quer internacional". Os organizadores destacam a importância cultural e histórica dos jornais açorianos. Logo depois, escrevem o seguinte:

"Sendo certo que a imprensa pode ser considerada como uma espécie de retrato da sociedade em que se insere, também é, simultaneamente, motor de progresso e desenvolvimento. Nesse sentido, as colecções dos jornais são fonte insubstituível de consulta por parte de investigadores e de uma ampla faixa de pessoas que, por motivos de interesse cultural ou outro, a elas também recorrem".

O congresso, organizado pelo Centro de Estudos Gaspar Frutuoso (CEGF) da Universidade dos Açores e do Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX (CEIS20) da Universidade de Coimbra, teve comunicações de investigadores tão importantes como José Manuel Tengarrinha, Zília Osório de Castro e Alberto Pena. Fico com algumas ideias do texto de Isabel Nobre Vargues sobre pioneiros da imprensa portuguesa, como Silva Pereira, Alberto Bessa e Alfredo da Cunha. De Alfredo da Cunha, a historiadora releva a qualidade do jornalista ter sido director do Diário de Notícias e de autor de estudos e memórias do jornalismo. Um dos seus textos tem o título O Diário de Notícias, a sua Fundação e os seus Fundadores, onde o jornal é apresentado como o primeiro diário a dispor de um sistema organizado e avançado de obtenção da informação.

Voltando ao texto inicial, da responsabilidade dos organizadores, eles indicam que os jornais denunciavam as cíclicas crises socioeconómicas do arquipélago durante a segunda metade do século XIX, clamando por apoio do governo de Lisboa e apelando por justiça. Os autores falam do desenvolvimento de uma noção ressentida da diferença, da ideia de tratamento distinto face à população continental, com esses jornais a irem ao ponto de defender leis específicas nos Açores. Só no final do século XX é que tal viria a acontecer.

Agradeço a José Manuel Sardica o ter-me dado a conhecer o volume.

24.5.10

JORNALISMO E CIDADANIA

Michael Schudson estuda o papel dos media na democracia americana. Inicialmente, na educação colonial do século XVIII, a informação que o leitor precisava residia na virtude religiosa e não no incentivo da cidadania competente. Da parte dos candidatos, havia a obrigação a informar sobre os indivíduos ambiciosos e interesseiros nas eleições, mas não competia aos cidadãos a avaliação dos grandes temas públicos. Os fundadores da nação americana não favoreciam a publicidade às actividades governamentais e não promoviam a educação do grande público.

Depois, nos finais do século XIX, os partidos políticos estavam mais interessados em distribuir cargos do que defender políticas. A bebida, o dinheiro e o drama eram as coisas que levavam as pessoas a votar. Os desfiles políticos começaram a rarear no começo do século XX, a par do incentivo a uma abordagem mais moral e orientada para políticas específicas. Foi quando as pessoas passaram a registar-se para poderem votar, reduzindo as fraudes eleitorais. Começou a haver eleições primárias para a presidência e os jornais tornaram-se menos partidários.

Reformou-se o sistema de votação, com a mudança dos boletins de voto fornecidos pelos partidos para o fornecimento por parte do Estado. Até então, os votantes anunciavam em voz alta em quem votavam; a partir daí, o eleitor marcava o boletim de voto em privado.

Isto é, houve uma transição lenta: 1) cidadão respeitoso no tempo dos pais fundadores (século XVIII), 2) cidadão partidário leal no século XIX, 3) cidadão informado na era progressista. Os reformadores conseguiram a elevação do eleitor individual enquanto instruído e racional, mas baixou bastante a participação política.

A cidadania não consistia apenas em votar mas abria a frente de acção do cidadão comum. O novo modelo de cidadania acrescentou o tribunal à assembleia de voto como local de participação cívica. O sistema judicial tornou-se via alternativa para a consecução dos seus objectivos. Um dos mais importantes foi o movimento dos direitos cívicos e políticos dos afro-americanos, das mulheres e dos pobres.

Quanto aos meios de comunicação social, Schudson atribui as seguintes funções democráticas:

1) Informação: prestar informação imparcial e completa de modo a serem feitas escolhas políticas fundamentadas. Schudson destaca ferramentas como as entrevistas,
2) Investigação: exercer vigilância sobre fontes de poder concentradas – especialmente sobre o poder governamental,
3) Análise: fornecer quadros coerentes de interpretação para ajudar os cidadãos a compreenderem um mundo complexo. Os jornalistas ajudam a democracia quando explicam um acontecimento ou um processo complicado numa narrativa compreensível,
4) Empatia social: revelar e apreciar pontos de vista de pessoas diferentes. As histórias de interesse humano fazem parte do jornalismo há muito tempo,
5) Fórum público: proporcionar o diálogo entre os cidadãos e ser veículo das perspectivas de grupos sociais diversos,
6) Promoção e mobilização: promover perspectivas e programas políticos específicos e mobilizar as pessoas no sentido de lhes darem apoio. Estas acções passaram a ser menosprezadas, mas a promoção de causas continua a ser importante nas páginas de opinião de muitos jornais e em talk-shows da televisão,
7) Representação da democracia representativa.

Leitura: Michael Schudson (2010). Cidadania e jornalismo. Citizenship and journalism. Lisboa: Fundação Luso-Americana

23.5.10

SOBRE PIRATARIA

  • "O que é pirataria? Quem são os verdadeiros usurpadores do conhecimento alheio? Quem a pirataria beneficia? E quem atinge? Podemos considerar piratas crianças e jovens que compartilham arquivos, se apropriando do conhecimento gerado por nossa civilização? Quem é o autor de uma obra remixada? Existe obra 100% original? Como sobreviverá o artista diante da proliferação da dita «pirataria»? E a indústria cultural, é necessária numa época de compartilhamento de dados peer-to-peer"? (texto de Leonardo Brant, em culturaemercado).  

DÚVIDAS SOBRE UM EDIFÍCIO VELHO


Quando foi construído este armazém de dois pisos, em Benfica? Parece uma arquitectura funcional de começos do século XX, a que adaptaram uma aplicação de passagem de cabo telefónico aéreo, hoje igualmente desarticulado. O que me impressiona é existir ao lado um edifício camarário em actividade (Departamento de Higiene Urbana e Resíduos Sólidos), notando-se a marca da pintura do lado esquerdo da imagem. As janelas são pequenas, assimétricas face aos lados respectivos, quatro em baixo e duas no piso superior, dando conta da menor dimensão deste último, visível ainda na inclinação do telhado. O material das paredes está visível, desagregado o reboco original. Por detrás da casa com o telhado todo destruído, vê-se um eucalipto, marca de pequeno bosque que os prédios de habitação dispensaram. A praça a que se acede do edifício é movimentada por automóveis que entram no serviço camarário ou pertencem a habitantes dos prédios em volta.

Através do Google Maps, conseguem-se obter mais pormenores, dada a contiguidade com o departamento camarário, mas sem esclarecer a razão da ainda não demolição do edifício.

FÓRUM LUÍSA TODI

Uma campanha de angariação de fundos para remodelação do Fórum Municipal Luísa Todi (Setúbal) decorre, com receitas de espectáculos promovidos por diversas instituições culturais. A iniciativa, uma parceria entre a autarquia e a Liga dos Amigos do Fórum Municipal Luísa Todi, inclui a sessão que o Teatro Animação de Setúbal realiza no dia 30, às 11:00, no Teatro de Bolso, da peça infantil A girafa que comia estrelas (texto e imagem retirados do jornal digital rostos.pt).

OLÁ E ADEUZINHO

Olá e Adeuzinho é uma peça de Athol Fugard (África do Sul, 1932), encenada por Beatriz Batarda e interpretada por Catarina Lacerda e Dinarte Branco, apresentada no Teatro da Cornucópia (Lisboa).

Ester e Johnnie são filhos de um antigo ferroviário, Joahnnes Cornelius Smit, que teve um acidente e ficou inválido para o trabalho. Os Smit faziam parte da população branca pobre da África do Sul, com a história a narrar o regresso de Ester a casa paterna após doze anos em Joanesburgo, na esperança de receber parte da herança do pai (que estaria a morrer), composta essencialmente pela indemnização que a empresa de caminhos de ferro pagara ao velho Smit.

Enquanto abrem as malas do pai em busca desse dinheiro, os irmãos vão narrando as suas vidas complicadas e quase sem futuro. Ele, sem emprego pois concorrera a um lugar da mesma empresa do pai mas ficara pelo caminho, passando a vida a fazer de enfermeiro do pai, uma vez que a mãe morrera muito cedo. Ela, regressada de uma vida dedicada à prostituição, redescobre as fotografias da família, os vestidos da mãe e os sapatos que usara quando criança, tudo coisas velhas e sem sentido. No final, ela descobre que o pai já falecera e que o irmão mantinha a ilusão de ainda apoiar o doente. Ela parte, pois não há nenhum dinheiro para herdar, mas ele ganha uma história pessoal: usa as muletas e fala da empresa de caminhos de ferro, uma transferência de pai para filho, útil para quem não via sentido na vida.

A representação é muito segura e convincente. A encenação é minimalista, mostrando bem um quadro de família disfuncional e indigente num contexto social mais geral de pobreza e de depressão económica. A peça passa-se quase toda no lado direito do palco, dando mais intimidade à relação dos irmãos, sempre em desacordo (valores, Deus, o dinheiro), num texto muito denso e dramático (gostei muito do monólogo inicial interpretado por Dinarte Branco). É a primeira encenação de Beatriz Batarda. A peça de Athol Fugard, crítico do antigo regime vigente na África do  Sul, o apartheid, já foi representada em Portugal por Zita Duarte e Luís Miguel Cintra em 1983, para a televisão.

Catarina Lacerda fez o papel de Laurinda no filme de António Ferreira, Deus não quis (2007). Dinarte Branco tem uma carreira mais longa, participando nomeadamente em televisão, com Os Contemporâneos (2008-2009) e Mistérios de Lisboa (2010).

21.5.10

MÃE COREANA

Uma seara, onde a mãe procura energias para se refazer dos problemas familiares, e um jardim (campo de golfe), onde o filho e o colega atacam um grupo de golfistas, marcam dois territórios, opostos ao ambiente do bairro e da pequena cidade onde a história se desenrola na quase totalidade: uma loja de plantas e sementes e onde se exerce ilegalmente acupunctura, e a habitação onde mãe e filho vivem. Mother - Uma Força Única [마더, 2009] é um filme do coreano Bong Joon Ho, história de estilo poético a cobrir um forte drama. O filho, portador de atraso mental, não guardava memória do que fazia; quando muito, procurava exercitá-la massajando a cabeça. Foi acusado da morte de uma rapariga e preso. Na reconstituição do crime, vemos como a terá matado, mas o filme não nos revela tudo e deixa ficar a intriga e o suspense. Muito mais tarde, o rapaz reflecte sobre a posição da rapariga morta, com a cabeça tombada para a frente da varanda: quem a matou queria que ela estivesse visível para quem passava na rua e a pudesse socorrer. Os indícios levam-nos a outros culpados. Mas, quando o vendedor de ferro velho revela à mãe que o rapaz fora efectivamente o criminoso, ela não tem outra solução senão matá-lo. Incendeia a casa para apagar os vestígios. O rapaz, entretanto liberto e substituído por outro acusado, passa pelos destroços e descobre a caixa das agulhas de acupunctura da mãe e adverte-a - "vê lá por onde deixas a caixa" -, sem estabelecer qualquer nexo. A mãe, que insistira e falara com toda a gente possível para o libertar, procura o novo acusado. Pergunta-lhe se tem mãe: a resposta negativa fê-la chorar abundantemente. Uma mãe servia, afinal, para alguma coisa.

20.5.10

LIVROS SOBRE MEDIA, ESFERA PÚBLICA E DEMOCRACIA

O texto de Michael Schudson resulta da conferência que deu em 14 de Abril de 2008 na Fundação Luso-Americana, Cidadania e Jornalismo (ver blogue aqui). No livro, em bilingue (português e inglês), encontram-se ainda os textos de Mário Mesquita, Isabel Gil, Maria João Silveirinha e André Freire. Espero comentar aqui o texto de Schudson, que agora reli com enorme prazer.

O livro editado por Jostein Gripsrud e Lennart Weibull, Media, Markets & Public Spheres, mostra as mudanças das esferas públicas europeias nos últimos 50 anos, com análises em profundidade sobre as mudanças estruturais na imprensa e no audiovisual, visíveis nas relações entre media, alterações nas políticas dos media e história dos media como registo da mudança cultural. A comentar após a sua leitura.

LIBERDADE DE IMPRENSA

"O relatório [sobre liberdade de imprensa], elaborado pela deputada comunista Rita Rato, conclui que as condições do exercício da liberdade de imprensa em Portugal têm vindo a diminuir e que o cenário começa a ser preocupante devido a uma complicada relação entre o poder económico, a política e os media e em especial o condicionamento crescente dos dois primeiros sobre a comunicação social" [Público de hoje].

FILME PORTUGUÊS EM ESTREIA

Um Funeral à Chuva, filme de Telmo Martins realizado em 2009, tem estreia nacional no próximo dia 3 de Junho (Filmes Portugueses.com). Link para vídeo de apresentação: aqui. A história conta o reencontro de um grupo de antigos estudantes universitários, devido à morte de um deles.

CINEMA PORTUGUÊS

A produção portuguesa de 2010 em termos de ficção, documentários e animação em longas-metragens, curtas-metragens, co-produções e séries de animação pode ser consultada no catálogo 2010 Portugal CINEMA, no sítio do ICA.

PORTUGAL CRIATIVO

A ADDICT – Agência para o Desenvolvimento das Indústrias Criativas e a Fundação da Juventude promovem, nos próximos dias 24 e 25 de Maio, no Porto, o *Portugal Criativo@Porto 2010*, um evento que pretende mostrar e celebrar as tendências do sector das Indústrias Criativas.

Sob o tema *Até onde pode Portugal ser criativo?,* esta plataforma reúne participantes de várias nacionalidades, entre os quais se contam especialistas na área das Indústrias Criativas, políticos, artistas, empresários, gestores e jornalistas.

*Portugal Criativo@Porto2010* divide-se em diferentes formatos e espaços da Baixa e Centro Histórico do Porto – Património da Humanidade. No Palácio das Artes – Fábrica de Talentos (equipamento da Fundação da Juventude) e no Mosteiro de São Bento da Vitória (equipamento do Teatro Nacional de São João) decorrem Conferências, Seminários e Conversas.

Paralelamente, integrado neste conceito, tem lugar o *Bairro Criativo*, um conjunto de intervenções artísticas a realizar no espaço público, comissariado pelo criativo britânico Scott Burnham. Aos participantes, que submeteram as suas ideias a concurso, foi lançado o desafio de desenhar e projectar algo que melhorasse a vida no Porto. Os locais da intervenção, que pretende revolucionar a forma como as ideias são concretizadas e partilhadas no contexto da cidade, vão da Praça Almeida Garrett à Praça do Duque da Ribeira, passando pelo Largo de S. Domingos e Praça do Infante.

O *Portugal Criativo*, plataforma internacional anual, é organizado, nesta primeira edição, com a colaboração da Câmara Municipal do Porto, Porto Vivo, SRU-Sociedade de Reabilitação Urbana da Baixa Portuense, Porto Lazer, Teatro Nacional São João, Hard Club e a participação especial do Prémio Nacional das Indústrias Criativas Unicer/Serralves, com o apoio do programa COMPETE (QREN) do Ministério da Economia e Inovação. O Bairro Criativo é uma iniciativa organizada também pela Porto Vivo/SRU, que tem apoio do programa ON.2 Novo Norte (QREN), do Ministério da Economia e Inovação [informação enviada por http://www.addict.pt/].

19.5.10

ESPECTADORES DE TELEVISÃO E QUEIXAS

As Queixas dos Telespectadores em Portugal e Espanha: Primeira Abordagem, colóquio hoje realizado pelo Centro de Estudos de Comunicação e Cultura (Universidade Católica Portuguesa), moderado por Eduardo Cintra Torres (UCP), com Adelino Gomes (provedor do ouvinte da RDP), Paquete de Oliveira (provedor do telespectador da RTP), Estrela Serrano (Conselho Regulador da ERC, Entidade Reguladora para a Comunicação Social) e Carlos Ruiz (Universidade de Ramón Llul, Barcelona).

18.5.10

DOIS MARCOS NA VIDA DO YOUTUBE

O YouTube atingiu duas marcas: dois mil milhões de visitas diárias, cinco anos de idade. Ver o sítio que celebra os cinco anos de vida do YouTube. O YouTube fora comprado pela Google no final de 2006 por 1,65 mil milhões de dólares.

OS MEDIA E O NOVO ESPAÇO PÚBLICO EM INNERARITY

Daniel Innerarity, no seu livro O Novo Espaço Público, tem um conjunto de capítulos que me agradam: história, cidades, Europa e cosmopolitismo, comunicação social (por facilidade de escrita, chamo media).

O capítulo que retenho hoje é o dos media, que ele trabalha nomeadamente a partir de Habermas, Heidegger, Luhmann e Wittgenstein, filósofos de língua alemã, mas sem qualquer incursão na sociologia dos media e de língua inglesa, o que ilustra posições. Para Innerarity, os media dão-nos a ilusão de vivermos num mundo único, num espaço comum cujo referente é a realidade. Contudo, este comum tem pouco a ver com a realidade e resulta de um mecanismo de construção social (p. 88). Para os media, a verdade interessa pouco e conta muito o novo, o actual, o conflitual, as quantidades, o local, o escândalo. O que leva a uma primeira conclusão: vivemos num mundo em segunda mão, dado que os media constituem a mediação universal, fornecem a matéria da nossa realidade. Os media não observam acontecimentos mas observam observações (p. 96).

A segunda grande ideia do capítulo de Innerarity sobre os media é a ideia que estes se mostram como horizonte mitológico. As histórias (notícias) funcionam como mitos: há sempre um confronto sobre o qual tomamos partido, uma catástrofe que nos comove, um escândalo a suscitar a nossa indignação (p. 91). A essência da mitologia é a repetição continuada do mesmo esquema. A mitologia dos media traduz-se em redundância, em repetição de estruturas. Mais do que informação, os media proporcionam segurança, transmitem mais entretenimento que conhecimento. Os media moralizam quando reduzem os problemas aos que decidem e aos atingidos pelas decisões - responsáveis e vítimas.

Uma outra conclusão do capítulo de Innerarity diz respeito a opinião pública. O autor basco considera esta como a cultura latente que predetermina os lugares-comuns e estabelece o repertório dos assuntos públicos (p. 101), pelo que existe uma luta pela actualidade, pela visibilidade e pela atenção pública conferida à vida social e política. Para ele, os media dirigem a atenção não para os que as pessoas pensam mas para o que as pessoas pensam que as pessoas pensam. E vai mais fundo na sua análise aos media, em especial a televisão: o valor de um directo corresponde à ilusão da observação em primeira mão (p. 97). A que se junta a ânsia de realidade satisfeita com a oferta de programas de televisão que vendem realidade e o desejo de autenticidade, com a presença de actores não profissionais.

Leitura: Daniel Innerarity (2010). O Novo Espaço Público. Lisboa: Teorema

17.5.10

MOBILIDADE E HOSPITALIDADE

Próximo Futuro é um Programa Gulbenkian de Cultura Contemporânea "dedicado em particular, mas não exclusivamente, à investigação e criação na Europa, na América Latina e Caraíbas e em África. O seu calendário de realização é do Verão de 2009 ao fim de 2011" (fotografia da capa de Roberto Huarcaya).

Escreve António Pinto Ribeiro no número 4 (Maio de 2010) sobre mobilidade e hospitalidade: "É um facto que em todos os continentes existem cidades, regiões, lugares, rotas e caminhos que, desde sempre, foram assinalados como propiciadores de criatividade e de desenvolvimento social e económico. Cidades mais ou menos míticas, locais de peregrinação histórica, religiosa ou apenas de mera fruição turística foram - e, em alguns casos, permanecem - lugares de acolhimento onde se cruzam e convivem comerciantes, artistas e intelectuais que aí produzem, trocam e criam, dando-lhes visibilidade. Estas profissões, com vocação universal, estão tradicionalmente associadas às deslocações transfronteiriças e ao nomadismo mais ou menos sazonal. A elas, portanto, há muito que associamos aquilo que hoje designamos como a mobilidade dos trabalhadores".

Do texto sobre o 3º workshop de investigação "Gestão das Organizações Culturais e Sociais", retiro a seguinte parcela: "As estruturas teatrais enfrentam, no seu funcionamento quotidiano, um conjunto de questões e de problemas económicos específicos, os quais têm sido profusamente estudados e discutidos no campo da economia da cultura. Contudo, uma ampla panóplia de especifi cidades, em termos económicos, culturais, institucionais e sociais, condiciona fortemente esta actividade, em múltiplas dimensões. Este artigo pretende identificar empiricamente e tipificar os diversos tipos de situações e de reacções a estes problemas, por parte de um conjunto diverso de instituições no campo das artes performativas (marcadas por uma forte diversidade, em termos do seu perfil e das suas opções ao nível estético, cultural e da sua orientação em relação aos seus mercados, mas igualmente por uma multiplicidade de outras características como, por exemplo: padrão de localização, questões geracionais, papel da liderança individual, estrutura organizacional, origens dos financiamentos, etc.)".
 


A Bandjoun Station está situada nos Camarões Ocidental e o seu alojamento permite que artistas criem e produzam nas instalações (imagem retirada da p. 11 do referido número de Próximo Futuro).

RCCIL


No passado dia 11, na City University London houve o lançamento público da base de dados RCCIL (Researching Cultural and Creative Industries in London), incluindo uma conferência de Andy Pratt (do King’s College London). Este professor deu como título da sua comunicação: Constructing an evidence base for research and governance of the cultural and creative industries: reflections on the last decade (escrevi sobre a conferência de Pratt na Fundação Gulbenkian, a 27.5.2007, aqui). A RCCIL é uma base de dados na internet que contém sínteses de investigações, registos bibliográficos e links de relevo. Destina-se a investigadores, docentes, decisores políticos e todos os especialistas que trabalham nessas matérias, com as seguintes áreas mais relevantes: Política, Domínio Público e Espaço Urbano, Economia Criativa, Mercado de Trabalho e Organização Industrial, Acesso e Participação, Educação e Aprendizagem.

SOFTWARE

"A taxa de pirataria de software em Portugal subiu para 54 por cento em 2009 e a indústria perdeu 174 milhões de euros devido a esta prática ilegal. Estas são as conclusões do 7.º estudo da BSA - Business Software Alliance (associação internacional que representa a indústria de software) divulgado pela Assoft - Associação Portuguesa de Software" (Público).

16.5.10

PAISAGENS URBANAS (2)

LIGAÇÕES


Ligações, A partir de Choderlos de Laclos (1741-1803). Adaptação e Encenação: Pedro Barão; Interpretação: Nuno Bernardo (Valmont), Alexandra Freudenthal (Merteuil), Gabriela Relvas (Tourvel), Jenny Romero, Marta Amado, Paula Antunes, Tatiana Pereira, Francisco Gomes e Sérgio Marcelino (companhia In Impetus). A marquesa de Merteuil, personagem pérfida, e o visconde de Valmont, libertino e antigo amante daquela, urdem um enredo sobre amor e traição, com intrigas e planos de sedução, que apanha a senhora (madame de) Tourvel, uma recém-casada. Ligações perigosas, romance de Choderlos de Laclos publicado em 1782 e adaptado ao cinema diversas vezes, narra as relações de aristocratas através de cartas que trocam entre si.

A peça é longa mas bem interpretada, de grande dureza em especial para as actrizes, com cenografia complexa a obrigar a muitos cortes atendendo aos sucessivos quadros. Está em cena numa sala na cave do liceu Camões, agora a comemorar cem anos de ensino, até 6 de Junho de 2010, às 5ª, 6ª, sábado e domingo, às 22:00. Os actores representam a peça mesmo junto aos espectadores [mais informações aqui] [imagem feita na cave do liceu Camões].

15.5.10

A PRESENÇA DE BENTO XVI EM PORTUGAL

Os media deram um grande destaque à presença do Papa Bento XVI em Portugal esta semana. Na sua coluna de ontem no Público, Eduardo Cintra Torres contabilizou 25 horas em "especiais" e noticiários nos três canais generalistas na terça-feira, dia de chegada do Papa. Na quarta-feira, os canais deram relevo à missa no Terreiro do Paço, aliás um magnífico momento de expressão religiosa. Também os jornais dedicaram muito espaço à visita papal, fazendo hoje balanços, como o Expresso (caso da coluna de Fernando Madrinha, texto que gostei muito).

Eu fiz um pequeno vídeo sobre o surgimento de Bento XVI na noite do dia 11 à varanda da nunciatura apostólica em Lisboa (Av. Luís Bívar). Coloquei-o no YouTube, como sinal da minha presença no momento, e verifiquei o número crescente de visitantes. Na noite desse dia 11 acederam ao vídeo 173 visitantes, número que saltou para 207 no dia 12 e baixou para 52 no dia 13 (ver os dois gráficos em baixo). À hora em que coloquei o vídeo, o YouTube registava apenas um outro vídeo, da celebração do Papa no Terreiro do Paço; hoje, o YouTube tem pelo menos 20 vídeos sobre o Papa em Portugal, de amadores como eu, o que prova a importância da visita e a vitalidade dos amadores em fazer pequenos vídeos sobre o que vêem, e a importância do agendamento dos temas nos media e seu impacto e transferência para os novos media, em especial os dominados por não profissionais.


PAISAGENS URBANAS (1)

TELEVISÃO E ESPECTADORES EM COLÓQUIO

Na Universidade Católica, no dia 19 de Maio, vai decorrer o colóquio As Queixas dos Telespectadores em Portugal e Espanha: Primeira Abordagem. Com Estrela Serrano, Carlos Ruiz, Paquete de Oliveira, Adelino Gomes, Rogério Santos e Eduardo Cintra Torres.

GLOBALIZATION, CULTURE AND EDUCATION

The 4th Global Communication Association Conference (Krakow, Poland, October 26-29, 2010), organized by John Paul II Catholic University of Lublin (Poland) and The Pontifical University of John Paul II (Krakow, Poland), invites "academicians, policy makers, corporate executives, representatives from NGOs and research scholars [...] to contribute papers on topics related to the theme of the conference". Conference Themes and Topics in Globalization, Culture and Education in the Information Age are:


See here the Registration Form. Any abstract or paper related queries may be directed to Journalism and Social Communication Department, Prof. Karol Klauza and Mrs Joanna Szegda, at idiks@kul.pl.

14.5.10

SUBCULTURAS

Até à década de 1920, não houve metodologias de análise das subculturas. Então, um grupo de sociólogos e criminólogos de Chicago começou a recolher dados sobre os gangues de rua de jovens e grupos marginais. A observação participante foi a fonte de algumas das descrições mais interessantes e sugestivas de subcultura.

As subculturas são geográficas e biográficas, e transmitem-se aos membros individuais de uma subcultura através de diversos canais: escola, família, emprego, meios de comunicação. No presente, os meios de comunicação desempenham um papel crucial. Por um lado, há leituras bloqueadas excluídas da rádio, televisão e imprensa. Por outro lado, surgem interpretações e significados preferidos, favorecidos e transmitidos pelos canais autorizados de comunicação de massa.

As subculturas representam o ruído, a interferência na sequência ordenada dos acontecimentos, por vezes expressam conteúdos proibidos (consciência de classe, diferença) nas formas proibidas (transgressão dos códigos de conduta e etiqueta, infracção da lei).

As subculturas representam desafios simbólicos à ordem simbólica e o seu surgimento vem acompanhado de uma onda de histeria na imprensa. A histeria oscila entre o medo e o fascínio, entre o escândalo e o entretenimento. O que atrai a atenção inicial dos media são as inovações estilísticas da subcultura. Após a amplificação, esta acaba com a propagação e desactivação do estilo cultural. A subcultura pode transformar-se em pose comercializável, à medida que o seu vocabulário (visual e verbal) se torna mais familiar. A recuperação passa pela conversão de signos culturais (vestuário, música) em objectos produzidos em massa. Passa igualmente pelo etiquetar a conduta dos grupos como desviante pela polícia, media e sistema judicial.

Leitura:
Dick Hebdige (1979/2004). Sucultura. El significado del estilo. Barcelona, Buenos Aires e Mexico: Paidos, pp. 103-130. Ler também aqui.

S.E.L.


"S.E.L. (Soulful Emma Louise) epitomises everything about modern contemporary British soul music today. [...] 2010 is shaping up to be a very exciting year for her. Having discovered her love for music at the tender age of five, S.E.L. began picking up the violin and playing the piano and since has failed to look back. Upon completing a successful degree in music the classically trained singer has been quick to establish herself on the London soul scene working with industry heavyweights like Alicia Keys. S.E.L. has also collaborated with reggae pioneer Sanchez and Blue's Duncan James, arranging vocal harmonies and performing backing and lead vocals. S.E.L. is currently performing with the legendary London based group Soul 2 Soul. Soul 2 Soul is the brain child of life-long London soul man Jazzie B responsible for huge hits like Keep on Movin and Back to Life (However Do You Want Me)" [Urban World]. Videos: here, here and here.

12.5.10

DOUTORAMENTO PROFISSIONAL EM INDÚSTRIAS CRIATIVAS

A Bournemouth University's Media School vai lançar um doutoramento profissional na área das indústrias criativas, dada a importância destas na economia. Integrando teoria e prática, de modo a que se desenvolvam competências específicas, o programa a começar no próximo mês de Outubro, oferece situações de formação em trabalho real. A universidade fica em Dorset, no sudoeste da Inglaterra, na costa do Canal da Mancha.

CULTURA E HIBRIDIZAÇÃO

Os estudos de hibridação modificaram o modo de falar de identidade, cultura, diferença, desigualdade, multiculturalismo, tradição-modernidade, norte-sul, local-global. Nestor García Canclini parte de uma primeira definição de hibridação enquanto "processos socioculturais nos quais estruturas ou práticas discretas, que existiam de forma separada, se combinam para gerar novas estruturas, objectos e práticas". Os estudos sobre hibridação trabalham em três níveis: 1) descrevem misturas interculturais, 2) explicam os processos de reconstrução sociocultural, situando-os em relações estruturais de causalidade, 3) dão-lhes capacidade hermenêutica para interpretar as relações de sentido existentes nas misturas.

Leitura: Nestor García Canclini (1989/2008). Culturas híbridas. São Paulo: EDUSP

ROSTOS FEMININOS EM COLÓQUIO

No dia 21 de Maio, na Aula Magna da Faculdade de Filosofia da Universidade Católica Portuguesa (Braga), realiza-se o colóquio Rostos e Narrativas do Feminino – Imagens da Antiguidade Clássica. Segundo a organização, "Pretende-se com este colóquio responder à necessidade de manter vivo o legado do mundo clássico e, sobretudo, de contribuir para a reflexão sobre o quanto devemos à Antiguidade naquilo que temos sido, criado e até errado, nos vários âmbitos da actividade humana, com destaque para a condição da mulher". Entre os conferencistas, contam-se: Santiago López Moreda (Universidad de Extremadura), Ana Lúcia Curado (Universidade do Minho), Mário Garcia (Faculdade de Filosofia, UCP) e João Duque (Faculdade de Teologia, UCP).

11.5.10

RESEARCH CAREERS: FACTORS OF PRODUCTIVITY

O seminário Research Careers: Factors of Productivity terá lugar amanhã, dia 12 de Maio, no Instituto de Ciências Sociais - Universidade do Minho (sala de Actos). Conta com a presença de Barry Bozeman e Monica Gaughan (Universidade da Georgia, EUA), que têm estudado os factores condicionantes na construção de carreiras científicas, Tiago Silva (Associação de Bolseiros de Investigação Científica -ABIC) e Fábio Oliveira (Departamento de Sistemas de Informação -DSI-UM). Inscrições gratuitas via e-mail: ics.internationalconferences@gmail.com.  

10.5.10

MONTRAS

  • [a] janela e a embalagem foram os precursores e os pré-requisitos no desenvolvimento das orientações que acompanhavam o cliente nos supermercados em termos de self-service. [...] A janela e a embalagem viram-se como exemplos da nova estética comercial, ligada fortemente ao visual, por oposição à aura e ao silêncio, embora o cheiro e o tacto e, ocasionalmente a visão, fossem associados à embalagem. Uma janela e uma embalagem têm a sua própria forma e imagem independente do produto ou produtos em questão; uma janela, e, por vezes, uma embalagem apelam à contemplação, tanto quanto se pode admirar um quadro ou uma escultura, e tais considerações estéticas parecem, muitas vezes, ter precedência sobre os interesses pragmáticos da economia – por outras palavras, levando a pessoa a comprar um objecto (Rachel Bowlby, 2000, Carried away. The invention of modern shopping, Londres: Faber and Faber, pp. 47-48. Tradução livre).

    [As] montras têm uma exposição enorme, o que faz delas fracções imobiliárias valiosas. [...] As montras são um centro de lucro, no seu próprio direito. Mas também funcionam bem para a própria loja (Paco Underhill, 2009, A geografia das compras, Lisboa: Gestãoplus, p 120).
Na literatura clássica francesa, encontram-se algumas referências às montras. Em 1837, Balzac escreveu que as montras de um armazém moderno eram "poemas comerciais" (Grandeza e Decadência de César Birotteau, ed. Guimarães, s.d.: 29) e, no romance Au Bonheur des Dames (1883), Émile Zola indica diversas vezes as montras como novidade do moderno comércio dos grandes armazéns [gentileza de Eduardo Cintra Torres].

Comparo o texto de Bowlby com o de Underhill e sinto-me mais perto daquele do que deste. Para mim, a montra foi sempre um espaço transparente, onde os produtos e bens se mostram na sua maior beleza que não funcionalidade (não sabemos se os sapatos da montra são confortáveis, ignoramos a totalidade das características técnicas olhando um  telemóvel na montra). As montras mais antigas são decoradas com quase todos os bens que existem dentro da loja, por vezes amontoados e, por isso, indistintos - lembro-me de lojas de retrosaria ou de tecidos. A montra da loja de pronto-a-vestir elege um ou dois modelos, dá-lhes realce e pode ter um cenário por detrás. Há também a dimensão dos objectos - a montra de um stand de automóveis apresenta apenas o modelo mais recente. À montra associa-se a porta, conferindo os territórios de mostrar/ver e entrar, ideia que se perde no centro comercial, pois muitas vezes não há uma separação física de lojas - em que a montra é um grande lençol de vidro. O caso mais evidente de ausência de divisória física é o grande armazém, tipo El Corte Inglés, onde as marcas se distinguem pelos anúncios e publicidade, além dos balcões e em que o(a) empregado(a) espera pelos clientes e se circulam por corredores em espaço aberto.

Apesar de gostar do texto de Bowlby, acima citado - e a que eu acrescentei as ideias do parágrafo anterior -, verifico que as montras actuais começam a seguir mais Underhill. Em vez dessa apresentação estética de bens e embalagens, como eu falo, as montras são alugadas a marcas, deixando ver apenas uma pequena parcela - uma pequena montra - por sua vez promovendo a mesma marca. A montra é mesmo um centro de lucro.


[texto concluído a 11.5.2010, às 13:45]

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Programme of first workshop and founding conference of the ECREA Section Communication History, in Potsdam (Germany): User Generated Content: Historical Perspectives on the Participation of Audiences in Social Communication. The workshop will take place 3-5 June 2010. The main venue will be the "Einstein Forum" (Am Neuen Markt 7). The "Einstein Forum" is very close the main railway station in Potsdam.

FESTAS DE LISBOA


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