30.11.04

PÚBLICOS DA CULTURA E PRÁTICAS CULTURAIS - I

Para Maria Lourdes Lima dos Santos (2004: 8), é recente o domínio dos estudos sobre públicos da cultura em Portugal e há uma número ainda pequeno de investigadores. As metodologias de tais trabalhos são compostas por inquéritos, entrevistas e estudos comparativos. Segundo a mesma autora, a definição de públicos implica a sua caracterização social: 1) conhecimento da estrutura social e institucional dos contextos, 2) relação entre multiplicidade de actividades e variabilidade de bens e obras presentes nessas actividades, e 3) análise das lógicas dos públicos.

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Tal conduz à segmentação de públicos – pelo que é legítimo usar o plural públicos –, obedecendo a uma lógica de heterogeneidade. Mesmo em públicos restritos, estes apresentam-se como conjunto complexo, não estabilizado e com clivagens internas, continua Lima dos Santos. Variados públicos conduzem a práticas culturais específicas. Para Rui Telmo Gomes (2004: 32), maiores práticas culturais correspondem a recursos escolares elevados, alta qualificação profissional, alta probabilidade de consumo cultural regular, frequência de eventos, equipamentos culturais.

Perfis sociais dos públicos

Em termos dos perfis sociais dos públicos e práticas culturais, passa-se de uma perspectiva exclusivista para uma perspectiva de ecletismo das práticas culturais (Gomes, 2004; Conde, 1992). Para Conde (1992: 152), cada público específico de uma modalidade cultural específica é sempre, em paralelo, público de outras modalidades.

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Na análise aos públicos da Porto 2001, capital europeia da cultura, define-se uma tipologia constituída por três tipos de públicos (Gomes, 2004). O primeiro, o público cultivado representa a parcela de público em que é clara a articulação de elevados recursos de qualificação e regularidade de práticas culturais. Já o público retraído faz corresponder recursos de qualificações mais reduzidos e frágeis hábitos de consumo cultural. Finalmente, o público displicente caracteriza-se por elevadas qualificações e hábitos regulares de saída convivial e juvenilização mas rara frequência de eventos e equipamentos culturais. Este último pode ainda ser caracterizado como quase-público ou público potencial.

Quanto aos públicos do festival internacional de teatro de Almada distinguem-se incondicionais e estreantes. A partir da consolidação de um núcleo, os aumentos deram-se devido a: 1) transmissão do hábito de ir ao festival, através de relações familiares e de amizade, e 2) extensão do festival para Lisboa, o que significou o recrutamento de novos públicos.

[continua]
TEMPLATE

Ontem, quando pretendia efectuar a inserção de um novo post, verifiquei que o template (coluna ao lado e conjunto de indicações que formatam o blogue) tinha desaparecido. Enviei um email ao Help Desk da Blogger, mas a resposta ainda não chegou.

Tive de refazer o template. Felizmente que tenho uma espécie de backup (um blogue com uma designação próxima, onde experimento as mensagens antes de as colocar neste). Fiz uma cópia e eis o blogue de novo no ar. Claro que perdi algumas informações na coluna da direita mas irei refazer lentamente esse trabalho.

A todos os que me procuraram e viram um ecrã vazio as minhas desculpas. Continuem a preferir o blogue.

29.11.04

LIVRO DE JOSÉ PEDRO CASTANHEIRA: NO REINO DO ANONIMATO. ESTUDO SOBRE O JORNALISMO ONLINE

É lançado hoje ao fim da tarde o livro de José Pedro Castanheira No reino do anonimato. O estudo sobre o jornalismo online (206 páginas). Trata-se de mais um companheiro da colecção Comunicação da MinervaCoimbra, dirigida por Mário Mesquita, e que eu tive a alegria de inaugurar a colecção, no já ido ano de 1997.

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[imagens da sessão de lançamento, colocadas por volta das 21:40]

De que trata a obra? Trabalho produzido numa pós-graduação de jornalismo no ISCTE (em associação com a ESCS), no ano lectivo 2000-2001, o livro analisa o quarto tipo de jornalismo, o em linha. Nesse sentido, o Expresso Online é parente do jornal impresso, mas de que modo aquele significa este (ou como vão conviver?). Como estudo de caso, o jornalista agora também cientista social escolheu os comentários dos leitores às notícias sobre a Fundação Jorge Álvares no Expresso Online em 2000. Melhor dizendo: “O objecto de estudo foram as diversas peças jornalísticas publicadas em torno do tema, bem como os comentários dos leitores, tal qual foram emitidos no sítio destinado à opinião” (pág. 19).

A Fundação Jorge Álvares foi constituída no final de 1999 e o seu objectivo era o de prolongar e estreitar a cooperação entre Portugal e a China, numa altura em que o poder em Macau começava a transitar do primeiro para o segundo daqueles países. A notícia geraria grande polémica, dado o sigilo e o facto de a sede ser Lisboa, bem como a forma de financiamento através de receitas do jogo.

José Pedro Castanheira fez dois inquéritos para este trabalho agora editado: um sobre os leitores que se identificaram, outro junto dos jornalistas e colaboradores que escreveram sobre a fundação.

A necessidade de continuar a haver jornalistas e mediadores da informação

De então para cá, o mundo do em linha alterou muito. Surgiram os blogues, os jornais criaram media que migraram para o digital (jornais online), introduziram-se filtros para palavras ou expressões, registos prévios e acesso pago (o Expresso foi o primeiro jornal nacional a introduzir esta última modalidade), constatou-se a necessidade de autentificar os comentários e as mensagens oriundas de um universo muitas vezes anónimo (e com óbvios interesses em se esconder sob essa capa).


O livro chama a atenção para o recurso comum “a fontes vagas e genéricas, sem qualquer elementos de identificação” (p. 163) empregue no jornalismo em linha, razão para a pouca credibilidade deste meio de informação. Ou o que José Pedro Castanheira chama também de jornalismo de rumores (p. 177). Assim sendo, pergunta o jornalista: está a acabar o profissional que procura a informação, a trata, usa o princípio do contraditório entre fontes com versões diferentes sobre um tema e analisa e interpreta os acontecimentos? Na internet, coexistem jornalismo, parajornalismo e pseudojornalismo (p. 175, a partir de uma citação de Andie Tucher).

Parece que o jornalista receia mesmo que acabe o jornalismo de investigação tal como o conhecemos. Sem eu reflectir muito nesta sua visão, porque a leitura que fiz do livro ainda foi muito diagonal, lembro as páginas iniciais de Michael Schudson em The power of news (1995: 1-2): imaginem um mundo em que toda a gente – do presidente da República ao patrão do maior conglomerado, de um candidato a qualquer coisa até a um movimento social – enviava informação para qualquer cidadão. A informação do presidente teria mais credibilidade que a do simples cidadão; logo, a sua versão esmagava a dos outros. Mas: haveria tempo para digerir toda a informação? E qual, afinal, a mais importante? Ou relevante? Ou interessante? As pessoas precisam que haja quem ajude a interpretar e explicar os acontecimentos. Não será – adapto aqui o texto de Schudson – o motor de pesquisa Google, que nos dá indicação do texto mais visitado, como sendo o mais importante. O que precisamos é de “intérpretes, repórteres, editores” (Schudson).

Lançamento: hoje, pelas 18:30, no piso 7 do El Corte Inglés, aqui em Lisboa, com apresentação de José Pacheco Pereira.

Adenda (escrita por volta das 12:10) - os jornais Público e Diário de Notícias dedicam, cada um, uma página inteira ao autor e ao livro. É uma boa (e justa, quanto a mim) promoção!
UM MUPI

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Terceira operadora a surgir no mercado, depois da TMN e da Vodafone (antiga Telecel), a inserção da Optimus no mercado foi mais difícil do que os seus proprietários pensaram inicialmente. Mas, associada à marca Sonae, a Optimus tem crescido bem.

As campanhas de publicidade e de promoção de novos serviços ou pacotes são marcadas por um frequente nonsense, mas com textos (mensagens, slogans) e imagens agradáveis.

A que está presentemente nos mupis insere-se nesse sentido, mas não se entende muito bem a mensagem. A frase é a seguinte - Este Natal, quem mais gostas, à distância de €0,01. Confesso que, apesar de entender o conteúdo - falar com a(s) pessoa(s) que mais gostamos fica ao preço de um cêntimo, durante a época natalícia -, o português parece-me pouco correcto. Será que o nonsense também atinge a construção das frases? Com aquelas vírgulas, julgo faltar algum conhecimento de português ao publicitário que assina o texto.
LAZARSFELD VISTO POR DAVID MORRISON (III)

[conclusão do texto iniciado em 22 e continuado em 24 deste mês]

Investigação crítica versus administrativa

A presença física de Paul Lazarsfeld no centro da indústria da comunicação deu-lhe vantagens na exploração de novas oportunidades. Mas a sua associação aos negócios trouxe-lhes críticas. Um deles foi C. Wright Mills. Lazarsfeld não compreendia: “estas pessoas são generosas com os seus apoios financeiros à investigação, permitem-me colocar questões; por isso, tivemos a oportunidade de fazer o Decatur study”. Este Decatur Study refere-se ao trabalho seminal de Katz e Lazarsfeld Personal influences (1955), onde nasceu o modelo de dois patamares de fluxo no processo de comunicação. Mills trabalhava nele mas Katz libertou-o. O estudo de Decatur mostrava que os media não tinham influência na opinião – algo que os clientes das revistas não gostariam de ouvir.

Isto levou Lazarsfeld e colegas a encontrar uma influência, que vinha não directamente dos media mas por influências pessoais através dos líderes de opinião no celebrado modelo de dois níveis. Este é o caso clássico de como se trabalha para a indústria, levantando problemas que precisam de obter respostas e, então, tornar-se conhecimento geral. Neste período, Lazarsfeld enredou-se não com a actividade comercial mas com as agências governamentais, de modo a dar um perfil significativo à investigação em comunicação. Tornou-se o paradigma dominante da investigação de comunicação, nomeadamente a pesquisa dos efeitos.

Comunicação de massa e indústria dos media

Desde o começo, a investigação da comunicação de massa não dependia apenas da cooperação e financiamento da indústria dos media, mas também a comunicação académica sustentava a indústria. lazarsfeld2.jpgO que a Fundação Rockfeller estava interessada era na expansão qualitativa da radiodifusão e no desenvolvimento da rede de rádio ao serviço do país. À Fundação preocupavam os interesses muito próximos entre a rádio e a indústria da publicidade. O projecto da Fundação pode ser aferido por um memorando que reuniria uma conversa entre Marshall e Stanton, então na divisão de investigação da CBS antes de se tornar o seu presidente.

Mais importante a este respeito era a relação que crescia entre a indústria e as agências de publicidade e os compradores de tempo publicitário. É um facto que uma das cadeias nacionais se viu obrigada a reduzir a investigação de modo a manter boas relações com as agências de publicidade que actuavam como intermediários dos patrocinadores na compra de tempo. Os dados que a estação estava a recolher eram contrários a alguma da argumentação pela qual as agências vendiam tempo. Para manter as suas relações lucrativas com as agências, a estação emissora tinha apenas a possibilidade de desistir da investigação.

Marshall notava que a indústria tinha relutância em apoiar a investigação em profundidade devido a considerações comerciais. Também Cantril, numa nota que enviou para a Fundação (1936? 1937?), dizia respeito ao não interesse, por parte da indústria, em querer saber o que é que o ouvinte faz enquanto ouve. Embora seja importante compreender o comportamento do ouvinte, os radiodifusores não estavam interessados porque não tinham recursos que indicassem que as pessoas faziam alguma coisa mas ouviam apenas a rádio. A indústria também temia que os resultados fossem diferentes do expectável.

Leitura: David E. Morrison (2001). "The historical development of empirical social research". In Graham Roberts e Philip M. Taylor (eds.) The historian, television and television history. Luton: University of Luton Press, pp. 9-23

28.11.04

MANY THANKS TO JPP

Hoje é, provavelmente, o dia dos 15 minutos de glória do blogue I. C. (à Andy Warhol). Tudo por causa do apontador que José Pacheco Pereira, do Abrupto, fez para o meu blogue hoje de manhã.

A audiência do I. C. - sempre tão calma ao domingo - disparou de um modo imprevisto. O meu muito obrigado a JPP. Registo o quanto é importante ser-se líder de opinião!

Para quem me visita a primeira vez, informo que o blogue foi inicialmente pensado como instrumento de apoio aos meus alunos de Indústrias Culturais do mestrado de Ciências da Comunicação da UCP. Indico também que a boina que me acompanha na imagem ao lado foi comprada há pouco mais de duas semanas em Pamplona por €12 e fotografada pela Ana Cardoso dentro do museu Guggenheim (Bilbau), num dia de temporal (o cinzento do céu hoje aqui em Lisboa é uma amostra desse dia).
SALVADOR BACHILLER

elpais11.JPGEm página completa (p. 29) da edição de hoje do El Pais, publica-se um anúncio da Salvador Bachiller, loja espanhola de malas e sapatos.
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Na última linha, anotam-se as cidades onde estão as lojas: Madrid, Corunha, Oviedo, Saragoça, Las Palmas, Lisboa (circunferência minha). A grande Península Ibérica está aqui em perfeita execução. Curiosamente, o anúncio do jornal informa a abertura de uma loja em Madrid, coisa que também ocorreu aqui em Lisboa, na Av. de Roma, no centro AquaRoma. Espero que esta loja funcione como âncora num centro tão bonito ao pé de casa.

Ao mesmo tempo, em Espanha, acompanhando os ventos autonómicos, a população de Valência manifestou-se contra a agressão à identidade valenciana por parte do poder central e, também, da Catalunha (p. 27 do El Pais de hoje), e as multinacionais espanholas criam conselhos territoriais para se aproximarem do poder autonómico. Iberdrola, Telefonica e Endesa estão entre essas empresas. A continuar assim, talvez um dia Lisboa venha na frente (e não no lugar derradeiro) da última linha da publicidade da Salvador Bachiller!

Geração rasca

As crianças estão a ser deixadas à sua sorte pelos pais de classe média que têm carreiras a prosseguir, misturadas com novas relações e casamentos, começa assim o texto assinado por Sarah Baxter, do Sunday Times de hoje.

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O resultado é uma geração de jovens obesos, modorrentos, que transmitem sexualmente doenças, dependem de drogas como o Ritalin e estão fora de controlo, com os pais a fazerem outsourcing das suas funções, assinala-se num livro agora saido, de Mary Eberstadt. Esta autora explica o sucesso das violentas letras de ícones musicais como Eminem, pois elas destinam-se aos jovens oriundos de famílias endinheiradas mas com escassa atenção dos pais. O exercício físico destes adolescentes quase se reduz ao espaço entre o frigorífico e o jogo vídeo.

Eberstadt sugere que o tema do abandono dos pais fez com que a música hip-hop se deslocasse das franjas do entretenimento dos negros para o coração dos adolescentes de boas condições financeiras, sejam brancos ou negros.

O livro agora editado está a dividir os sociólogos, escreve a jornalista, entre críticos e partidários da "guerra das mães" que trabalham versus as que ficam em casa a tratar dos filhos. Um dos apoiantes diz: trate o seu cão como muitos pais tratam os filhos e veja se ele gosta. Um das críticas feministas considera que a autora usa um estilo taliban!

Mary Tedeschi Eberstadt é investigadora na Hoover Institution e consultora editorial do Policy Review, o jornal bimestral dessa instituição americana. O seu livro Home-Alone America: The Hidden Toll of Day Care, Behavioral Drugs and Other Parent Substitutes, saiu agora com a chancela da Penguin/Sentinel. A realidade global é a de uma jovem geração rasca como Eberstadt nos oferece ou a construção dessa visão assenta apenas em valores tradicionais e deslocados do mundo actual? Creio que só lendo o texto podemos ter uma percepção perfeita do seu pensamento.
ALEMANHA EM BUSCA DE UMA TECNOLOGIA SUPERIOR AO DAB

Na Alemanha, o Conselho dos Media de Berlim e Brandenburgo mandou parar a emissão de licenças para o Digital Audio Broadcasting (DAB). Conforme mensagem do blogue Media Network Weblog (26 de Novembro), naquela parte da Alemanha, o DAB não teve êxito junto do público: as vendas dos receptores de DAB ficaram abaixo das expectativas, enquanto também é fraca a recepção do sinal. Foram detectados muitos problemas na recepção de DAB no interior dos edifícios, ao passo que se continuava a receber os sinais de FM. Um número de estações de rádio em Berlim deixou de transmitir em DAB, substituindo-os por serviços como uma estação para crianças e a BBC.

O Conselho dos Media de Berlim e Brandenburgo diz que a qualidade técnica do DAB, que data dos anos 1980 e se baseia no MPEG 2, será substituída por uma tecnologia superior, perspectiva não partilhada em toda a Alemanha, caso da Bavaria e do Baden-Württemberg, onde o DAB continua a ser promovido. O DVB-H e o DMB (Digital Multimedia Broadcasting) poderão representar a nova geração tecnológica de radiodifusão. Espera-se que estas tecnologias sejam demonstradas em larga escala na Feira Internacional de Berlim do próximo ano.
OS DESAFIOS DA SONY NA EUROPA

A Sony não está a responder à grande procura de ecrãs planos para televisão, devido a estrangulamentos na linha de produção, segundo informa o blogue Media Network Weblog, em texto de ontem. O resultado é que, em termos de repartição de mercado na Europa, a Sony está a ficar para trás relativamente à Philips: em Setembro, a Sony europeia tinha uma fatia de mercado de 15,8%, enquanto a Philips chegava aos 18,8%.

A empresa japonesa enfrenta outros desafios: após o sucesso, durante anos, do Walkman como modo de ouvir música, hoje as canções são descarregadas através da internet, e a Sony está à sombra do êxito do iPod da Apple. E, nos videojogos, a Playstation da Sony está a perder popularidade para o GameBoy Advance da Nintendo.

A Sony continua a dominar a indústria electrónica de consumo, mas a sua posição está a ser ameaçada em várias frentes do negócio, agora que a proximidade do Natal é indicativo de grandes volumes de vendas. Os gestores da Sony europeia falam mesmo em redução de custos, o que conduzirá a reestruturações empresariais na estrutura de base e na comercialização dos produtos.
ENSINO DO JORNALISMO

Retiro, do blogue Jornalismo e Comunicação, a informação da edição de um número temático da Revista Comunicação e Sociedade sobre o "ensino do jornalismo". A revista está ligada ao Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade da Universidade do Minho. O número compreende artigos, depoimentos e reflexões de Denis Ruellan, Eduardo Meditsch, Xosé López, Manuel Pinto, Joaquim Fidalgo, Madalena Oliveira, Fernando Cascais, Adelino Gomes, Carlos Pinto Coelho, Hália Costa Santos, Helder Bastos, Ivone Dias Ferreira, João Aguiar Campos, Joaquim Vieira, Jorge Wemans, Lopes de Araújo, Luísa Bessa, Manuel Vilas-Boas e Sara Oliveira. Há ainda artigos sobre a blogosfera de José Luis Orihuela, António Granado e de Luís António Santos e Fernando Zamith.

Os meus parabéns ao Manuel Pinto e a todos os colaboradores da publicação.

27.11.04

CINANIMA

cinanima.JPGDecorreu, anteontem e ontem, a projecção dos filmes premiados no último Cinanima (Espinho), aqui ao lado, na Culturgest.

Gostei mais da sessão inicial, com alguns filmes de animação portugueses, de que destaco os de Joana Toste (A dama da Lapa) e do colectivo das crianças das oficinas da Anilupa (No país da Gongolândia). Ambos mereceram os aplausos do público, porque divertidos e o último devido à ingenuidade dos seus jovens criadores.

Na minha memória ficaram ainda The regulator, de Philippe Grammaticopoulos e Legend of the origin of crawfish (de onde é oriunda a imagem do cartaz). Mas os que mais gostei foram South of north, de Andrey Sokolov, a história de dois caçadores marinhos, cuja disputa inicial redunda numa necessária cooperação perante as adversidades encontradas, e Wind along the coast, de Ivan Maximov, uma história divertida sobre os efeitos do vento nas actividades diárias dos cidadãos e animais de uma região. Pelos nomes, julgo tratarem-se de dois russos.

O auditório da Culturgest esteve cheio nos dois dias. O público foi mais generoso no segundo dia, aplaudindo todos os filmes.
ABRIGOS: O LIVRO ONDE SE ESCREVE SOBRE LIVRARIAS

De António Pinto Ribeiro conheço mal a sua carreira, apesar de saber do seu percurso entre os textos publicados no jornal Expresso e a actividade de programador cultural na Culturgest. Da minha turma do mestrado de Ciências da Comunicação na Universidade Nova de Lisboa, no começo da década de 1990, vi que era um dos mais brilhantes alunos. De vez em quando cruzamo-nos na cidade e trocamos palavras de circunstância.

pintoribeiro.JPGPor isso, não imaginava a riqueza da sua vivência, do seu cosmopolitismo. Só quando comecei a ler Abrigos. Condições das cidades e energia da cultura (editado o mês passado pela Cotovia), pude compreender melhor António Pinto Ribeiro. Numa das badanas do livro vê-se melhor o percurso do autor: nascido em Lisboa, "viveu em vários países africanos e europeus" e tem investigado em áreas como Teorias das culturas e programação cultural e artística. O seu primeiro livro foi o escrito em co-autoria com José Sasportes, História da dança em Portugal (1991).

Do livro que comprei ontem [dia 25], primeiro li a parte final, a das livrarias em múltiplas cidades [coloquei aqui por ordem alfabética]: Barcelona, Bruxelas, Ljubljana, Londres, Manaus, Maputo, Milão, Mindelo, Montpellier, Nova Iorque, Paris, Rio de Janeiro, São Paulo, Tunes, Veneza. Fiquei com imensa vontade em visitar algumas dessas livrarias que, em textos curtos (duas páginas), tão bem descreve.

Copista, roubo três linhas do texto sobre a Books for cooks (Londres): "Na verdade, trata-se de uma livraria. Uma livraria muito especial, com uma grande cozinha, onde excelentes cozinheiros confeccionam excelentes pratos. Em certos dias da semana, certos meses do ano, ensinam a cozinhar".

A parte inicial do livro Abrigos tem também uma construção que me agradou imenso. O autor fala dos espaços e paisagens fulcrais das cidades: árvore, café, centro cultural, esquinas, estações de caminhos de ferro, galerias, hotel, jardins, livraria, marginal, mercado, metro, paisagens nocturnas, praça, rádio, rio, aeroporto. Neste texto do começo do livro escreve sobre livrarias: "O que uma cidade pode prometer como futuro aos seus habitantes está inscrito nas livrarias que tem. Da sua quantidade, da sua diversidade, da organização e da beleza das suas montras e prateleiras".

Livrarias de Lisboa

Retiro o destaque dado às montras [e seguindo um post recente aqui no blogue]. Apesar de não contemplar nenhuma livraria de Lisboa, a leitura do texto levou-me a fazer um pequeno levantamento fotográfico de algumas das livrarias desta cidade [agora reparo que esqueci, entre outras, a livraria Municipal].

Nas imagens, observam-se as montras das livrarias Sá da Costa, Bertrand e FNAC (entrada e não montra dado ficar num centro comercial), Portugal, Lello, todas as cinco no perímetro do Chiado, Diário de Notícias (Rossio), Buchholz (ao Marquês de Pombal), Almedina (num primeiro andar, quase parecendo uma casa de bonecas, à praça do Saldanha), e Bertrand e Barata, ambas na avenida de Roma.

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[a mensagem começou a ser escrita no dia 26, pelas 16:40 e concluiu-se pelas 8:55 de hoje]

26.11.04

DOIS NOVOS LIVROS DE JORNALISMO

A MinervaCoimbra lançou dois novos livros de jornalismo, de José Pedro Castanheira (No reino do anonimato) e Joaquim Fidalgo (Em nome do leitor). Aos autores, ao director da colecção Mário Mesquita, e aos editores, os meus parabéns. Prometo ler e fazer comentários em breve.

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BILBAU - MUSEU GUGGENHEIM

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OTEIZA.JPGPatente no museu Guggenheim de Bilbau até 9 de Janeiro de 2005, encontra-se uma ampla retrospectiva de Jorge Oteiza (1908-2003), com cerca de 140 esculturas provenientes de vários museus e mais de 40 desenhos e colagens.

Oteiza foi um dos maiores criadores de arte do país Basco no século XX. Uma homenagem merecida. Embora anteceda a arte minimal americana, podemos inseri-lo nesta visão criativa, associada às vanguardas do começo do século: cubismo, expressionismo, surrealismo e construtivismo.

Observação: trata-se da última memória que coloco neste blogue acerca da minha recente participação no congresso de comunicação em Pamplona (e que aproveitei para dar um salto a Bilbau, apesar do muitíssimo mau tempo que a Ana e eu apanhámos na viagem).
10 MILHÕES DE BLOGUES NO MUNDO NO FINAL DE 2004

Esta é a estimativa apresentada por José Luís Orihuela no texto Weblogs. El médio y el mensaje, publicado no número 601-602 da revista Nuestro Tiempo, pertencente à Universidade de Navarra. Orihuela, alimentador do blogue eCuaderno, é um dos investigadores das ciências sociais que melhor conhece este novo fenómeno de comunicação.

ecuaderno.bmpBlogues, diários em linha ou páginas pessoais na web – eis uma das zonas mais dinâmicas da internet e que lutam por um lugar entre as versões electrónicas dos meios convencionais e os meios apenas digitais (portais informativos, revistas digitais, boletins electrónicos e confidenciais), começa assim o texto de Orihuela. Por o achar muito pedagógico, esta mensagem segue de muito perto o seu trabalho.

Se a WWW abriu, pela primeira vez na história, a possibilidade de se fazer uma publicação sem editor, o certo é que ainda havia um conjunto de obstáculos – era necessário aceder a um domínio para publicar, uma certa destreza no uso da linguagem de programação HTML e alguns rudimentos de desenho gráfico. Os blogues simplificaram este processo e tornaram a publicação em linha uma tarefa intuitiva e amigável como o uso do correio electrónico.

O termo blogue foi cunhado por Jorn Barger em Dezembro de 1997 – há uns escassos sete anos. No começo de 1999, Jesse James Garrett identificava 23 blogues. Foi nesse mesmo ano que se deu o lançamento dos serviços gratuitos de edição e publicação dos blogues Blogger e Pitas. A previsão aponta para dez milhões de blogues no final deste ano de 2004.

Estrutura de um blogue

Como principal elemento de um blogue temos as mensagens (histórias ou posts), ordenadas segundo uma cronologia inversa (as mais recentes, em sentido ordenado). Cada uma das histórias tem uma direcção URL permanente (permalink), o que facilita a sua ligação a partir de sítios externos.

As mensagens podem arquivar-se cronologicamente e por temas (por categorias) e pode existir um pesquisador interno para facilitar a sua localização. A maior parte dos blogues inclui uma selecção de ligações (blogroll) que recolhe os sítios lidos ou, pelo menos, recomendados pelo autor, e alguma referência pessoal (about) que, junto ao título e descritor do blogue, ajudam o leitor a situá-la.

Além da direcção permanente, as mensagens levam o dia e a hora em que são publicadas, um título (que deve ser curto), o corpo da mensagem (que pode incluir referências a outros blogues ou sítios). Na maior parte, inclui um sistema de comentários que permite aos leitores participarem com sugestões e opiniões. Nos blogues colectivos, a assinatura de cada mensagem é a referência básica para identificar o autor, ao passo que, nos individuais, pode ser um pseudónimo (nickname), que permite identificar o autor quando comenta noutros sítios ou responde aos comentários no próprio.

Professor em Pamplona, Orihuela destaca os blogues jornalísticos, políticos, educacionais, autobiográficos, de desenho, economia, ficção, humor e viagens. E termina o seu texto salientando o facto de os blogues ajudaram a recuperar a filosofia inicial da web e também a cumprir algumas das suas promessas. O estilo dos blogueiros assenta na actualização regular que os leva a publicar quase um diário, a navegação intensiva que se reflecte nas múltiplas ligações das suas histórias e um forte sentido de comunidade, gerando valor acrescentado à informação disponível na rede e contribuindo para a sua conversão num espaço semântico.

25.11.04

CORTES DE EMPREGO NO SÍTIO DA REUTERS

Segundo notícia assinada por Jemima Kiss, do sítio Journalism.co.uk, o sindicato dos jornalistas ingês pediu ao director executivo da Reuters para abandonar o corte de postos de trabalho no sítio da agência noticiosa. Esta quer fazer outsourcing e recolocação de postos de trabalho. Os elementos sindicalizados preparam uma acção para o começo do próximo mês. 10 colaboradores do sítio, a trabalharem em Londres, perderão os seus postos de trabalho, reduzindo a equipa de Londres a quatro pessoas. Mais 25 postos de trabalho no Reino Unido, incluindo pessoal de imagem e gráficos, poderão ser eliminados.
INSTITUTO CAMÕES

Lê-se "Futuras instalações do Instituto Camões - Centro Cultural Português". A placa está em Bissau, capital da Guiné-Bissau. A fotografia é de Pedro Luiz de Castro e foi tirada em Setembro (e parece, segundo o autor da foto, estar lá há anos).

Isto a partir de uma mensagem minha colocada no último dia 21, a propósito da expansão da língua castelhana promovida pelo Instituto Cervantes. Eu perguntava: "E o nosso Instituto Camões? Está a abrir delegações ou a fechar?". Eis a primeira resposta. O meu muito obrigado a Pedro Luiz de Castro, autor da imagem. E uma nova pergunta: assim, como podemos competir no mundo?

Medir audiências

Hoje, a aula contou com Helena Barbas, socióloga e directora de estudos de meios da Marktest, onde alunos e professor aprenderam muito sobre a medição de audiências, em especial na rádio e na internet.

Se o sistema de audiências em termos de televisão começou no começo da era da televisão privada (1992), a rádio passou a ter o seu sistema de medição dois anos depois. Assim, é possível quantificar as audiências e ter os perfis de ouvintes e de horários das principais estações. O universo compreende pessoas de 15 e mais anos de idade. A amostra atinge 6006 entrevistas com distribuição de variáveis de género e de dia da semana. O questionário corre em computador (entrevista telefónica para recolha diária entre as 17:00 e as 22:00).

O questionário Bareme rádio envolve três grandes grupos de perguntas: 1) principal estação ouvida nos últimos sete dias, 2) audiência de véspera (indicador mais fiável, por causa da nossa memória), 3) hábito. Esta última variável engrena naquilo a que se chama a probabilização dos resultados, que serve as agências de publicidade para fazerem o seu planeamento de meios. Os indicadores são: audiência média, tempo médio de audiência, tempo médio de audiência acumulada, tempo médio de audiência de véspera, share de audiência e share comercial de audiência. No terceiro trimestre de 2004, em termos de audiência acumulada de véspera, a RFM mantém a liderança (12,9%), seguindo-se a Rádio Renascença (10,2%), a Rádio Comercial (6,1%), a TSF (4,6%), a Cidade FM (4,3%) e a Antena 1 (3,7%).

Internet

Já quanto à internet, a Marktest tem um painel de cibernautas desde 2000, o qual permite medir a actividade na internet, a partir dos computadores utilizados por cada indivíduo. O recrutamento tem uma base aleatória (através de entrevista telefónica, indagando se existe pelo menos uma pessoa que navegue na internet em casa) e existe um permanente sistema de gestão em termos de manutenção do painel (há constantes mudanças de software nos computadores pessoais, que podem incompatibilizar a aplicação informática da Marktest). O actual painel (Novembro de 2004) tem uma amostra em produção de 1067 lares, embora o número em produção útil seja levemente inferior (962 lares).

A análise aos períodos de maior uso dos computadores permitem constatar que este meio de comunicação funciona - em termos de maior consumo - em horários distintos dos da televisão, com um pico à volta das 22:00 [curiosamente, as horas de maior acesso ao meu blogue I. C. decorrem das 15:00 às 21:00]. Ao domínio principal (.pt) acedem 97,8% dos cibernautas e ao domínio secundário (.com) acedem 93,7%, enquanto cada página é vista em média de 38 segundos. Já em termos de acesso a sítios, segundo dados de Outubro último, o motor de busca Google é o mais procurado, seguindo-se o portal Sapo [foi exactamente no mês passado que este foi ultrapassado por aquele na liderança]; contudo, as visitas ao Sapo têm uma duração maior em média (45 segundos) do que o Google (20 segundos), isto porque no Sapo se encontram notícias e informações diversas, enquanto o Google serve apenas para pesquisar a partir de palavras-chave.

Em termos de classificação por temas, os sítios mais visitados são os portais portugueses, seguindo-se os sítios com caixa de correio electrónico, os ligados aos media e os que pertencem ao entretenimento (adultos e jogos).

News Corporation

No sítio da News Corporation, lê-se que se trata da "única companhia integrada verticalmente a uma escala global, envolvida na produção e distribuição de filmes, televisão, televisão por satélite, revistas, jornais, livros e outros activos". Escreve-se ainda: "criação e distribuição de notícias, desporto e entretenimento de alta qualidade em todo o mundo".

Tendo como base um jornal na Austrália, Rupert Murdoch (nascido em 1931) comprou o Sun em 1969 e, de um jornal que vendia abaixo de um milhão de cópias, fê-lo subir até aos quatro milhões. A fórmula era uma mulher seminua na página três, reportagens sensacionalistas e populismo.

Já em 1981, ele comprou a editora Times, que incluía os jornais Times e Sunday Times. Parecia estranho ter este pacote com o Sun e o seu jornal dominical, o News of the World. A compra dos jornais da Times deveria ser analisada pela Comissão de Monopólios, dada a possibilidade de haver posição dominante no conjunto de jornais do país, mas isso não foi feito.
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Julga-se que por influência da primeira-ministra de então, Margareth Thatcher, apoiada pelos jornais do próprio Rupert Murdoch. Os jornais ingleses deste atingiam a classe média e a classe média baixa (trabalhadores), mas também muitos políticos e os capitães da indústria (pessoas ligadas às actividades económicas e que tinham muita influência).

Nos últimos 20 anos, os jornais de Murdoch têm atacado o serviço público (BBC). Foi o caso de, em 2000, criticarem a possibilidade da BBC gastar dinheiro com a televisão digital. A razão desta antipatia de Murdoch para com a BBC prende-se com o facto desta empresa pública ter 40% do capital da BSkyB, a empresa de televisão de satélite que concorria com a News Corporation. Contudo, mais recentemente, devido ao fracasso comercial da mesma televisão digital, as duas arqui-rivais associar-se-iam.

No começo dos anos de 1980, como os operadores de cabo precisavam de capitais, Murdoch voltou-se para a comunicação por satélite. A Sky Television começaria a operar em 1981, investindo Murdoch em 1983. Mas a televisão por satélite só teve impacto no Reino Unido durante a década de 1990, quando a News Corporation entrou em guerra com a British Satellite Broadcasting (BSB), um consórcio de vários operadores de grandes dimensões. Como os custos iniciais eram elevados e começou, desde cedo, a verificar-se que só havia caminho para um operador de satélite, o incumbente, a News Corporation, ganhou a disputa, fundindo-se com algumas dessas empresas concorrentes mas mantendo Murdoch o controlo financeiro e directivo.

Quanto aos Estados Unidos, para avançar com a sua estratégia de compra de media, Murdoch adquiriu a nacionalidade americana. Sabe-se que as companhias multinacionais têm a vantagem de decidir onde se intalar e declarar os seus lucros para pagamento de impostos. Apesar de operar centralmente no Reino Unido, o australiano Murdoch paga impostos do outro lado do Atlântico. A única lealdade é para com os negócios a nível global.

Leitura: Nick Lacey (2002). Media institutions and audiences. Key concepts in media studies. Nova Iorque: Palgrave, pp. 29-31

24.11.04

NEGÓCIO DE TOQUES E DE CONTEÚDOS MÓVEIS VALE €70 MILHÕES

Acima de metade do negócio da indústria musical (discos) - que ronda os €120 milhões anuais - é quanto vale o negócios dos operadores móveis em conteúdos móveis (toques de música, jogos, notícias, televisão para os móveis). Isto é: €70 milhões.

Apesar de corresponder a apenas 2% da facturação total dos operadores de móveis, há aqui duas conclusões a tirar: a primeira é que a actividade clássica de venda de discos está ameaçada e em desaceleração, como eu mencionei aqui há dias no blogue, citando um trabalho de Sanchéz-Tabernero (isto sem entrar com o MP3 e a internet); a segunda é que se trata de um negócio no princípio da actividade, previsivelmente a crescer. Tal pode deixar de ser um nicho de mercado e passar a uma nova divisão de negócios. Só a Vodafone vende mais de 12 mil toques por dia. Mas há ainda muita coisa a saber. Primeiro, o desenvolvimento tecnológico. Depois, os consumos: quem altera mais frequentemente os toques de música no seu telemóvel - rapazes ou raparigas? Faltam estudos sociológicos de recepção e consumo.

Esta informação foi dada por um responsável da Vodafone em colóquio hoje realizado na Universidade Católica, no Dia do Estagiário. Tratou-se da primeira edição visando pôr finalistas do curso em contacto com dirigentes e altos quadros empresariais. Foi um dia muito proveitoso para alunos, para professores e também para esses quadros das empresas e instituições convidados a participar.

Lazarsfeld visto por David Morrison (II)

[continuação da mensagem de 22 de Novembro último]

Quantificação na Europa e na América e ascensão da sociologia de Columbia

Olhando para as mudanças no conhecimento, imagina-se que a quantificação seja uma história apenas americana. As suas origens são europeias, do séc. XVII, mas falharam e não desenvolveram um ramo regular da sociologia profissional. Caso dos métodos de amostra, análises de factor, pesquisas realçando a quantificação, aplicação de modelos matemáticos à votação. Em lado nenhum, na Europa antes de 1933, a investigação empírica ganhou prestígio.

A quantificação na Europa está associada à América, mas como reexportação trazida pelos exilados regressados à Europa. Assume-se que a tradição austríaca da investigação em ciências sociais é muito diferente da alemã, mas tal é um erro contextual porque parte do trabalho de Lazarsfeld. O facto é que este desenvolveu a investigação empírica fora do sistema universitário principal.

lazarsfeld.gifLazarsfeld nasceu de uma família judaica de classe média de Viena em 1901. Entrar na universidade para um judeu era uma tarefa de sorte. Igual para arranjar emprego. Viena era a universidade mais anti-semita da Áustria. O que vemos em Lazarsfeld é criatividade numa marginalidade e a vários níveis: ao bloqueio universitário juntava-se o não reconhecimento da actividade de pesquisa empírica. Além disso, fazer trabalho empírico requeria organização e financiamento. Porfiadamente, Lazarsfeld conseguiu instalar um centro de investigação austríaco de Economia e Psicologia, fora da universidade, mas com uma ligação ténue ao Instituto de Psicologia.

Depois do estudo dos desempregados de Marienthal, seguiram-se outros estudos mais ao nível do que chamamos estudos de mercado – como é que uma pessoa escolhe um produto e não outro. Mas isto alimentou um dos interesses de Lazarsfeld, o estudo empírico da acção; como é que as pessoas agem e decidem foi o seu principal interesse metodológico. Este interesse vê-se nos estudos de votação como o The people’s choice (Lazarsfeld e outros, 1944). Contudo, a ideia principal do centro de investigação era o dinheiro vindo das investigações de marketing subsidiar mais trabalho académico (embora Lazarsfeld, um grande gestor, administrasse mal).

O modelo de investigação que ele desenvolveu em Viena foi transplantado para os Estados Unidos e tornou-se o paradigma para outros centros de investigação que nasciam nas universidades americanas. O centro na universidade de Columbia dominou a investigação em comunicação de massa mas também a sociologia americana em geral. A sua organização – e em especial a formação – teve um grande impacto na sociologia americana.













[imagem de habitantes de Marienthal e fotografia de Marie Jahoda, uma das participantes do estudo liderado por Lazarsfeld em 1931]

Podemos concluir que a decadência da sociologia de Chicago – após uma década de 1920 com figuras notáveis como Robert Park – se explica pela ausência de organização formal que alargasse a influência dada pelos grandes líderes. Mas houve um factor mais que contribuiu para o seu declínio – a redução do interesse no tipo de problemas colocados, caso das dificuldades associadas com a imigração, a natureza desordenada da vida urbana e a marginalização de grupos dentro da cidade. Nos anos 1940, estes problemas eram bem menores.

Mass communication research (investigação da comunicação de massa)

É neste ponto que David Morrison acha ser importante na estruturação da história da pesquisa em comunicação. O começo da moderna investigação da comunicação de massa não é difícil de detectar. Em 1937, a Fundação Rockfeller deu um apoio de 67 mil dólares à universidade de Princeton para examinar “o valor da rádio para os ouvintes”. Foi conhecido como o Princeton Radio Research Project. Mas Hadley Cantril, da universidade, não estava interessado no projecto, pelo que este foi oferecido a Frank Stanton, então um jovem investigador da CBS. Também Stanton não quis ficar com o projecto, aceitando-o o imigrante Lazarsfeld. Cantril e Stanton ficaram como co-directores. O responsável pela Fundação para o projecto era John Marshall, que cunhou a frase “investigação de comunicação de massa”. Além disso, durante uma série de seminários em 1941, organizados por Marshall, para clarificar o trabalho entregue a Lazarsfeld, um dos participantes, Harold Lasswell, desenvolveu o seu famoso modelo de comunicação de massa – quem diz o quê a quem por que canal e com que efeito.

Lazarsfeld nunca passou uma noite em Princeton. Depois, localizou o projecto na universidade de Columbia, quando renegociou o apoio da fundação em 1939. Em 1944, renomeou-o como centro de investigação social aplicada. O modo como construiu o centro seria muito semelhante ao do centro na Áustria. Acrescente-se que Nova Iorque se tornara o principal centro de indústrias de comunicação e da publicidade e sede de empresas de marketing. Lazarsfeld foi o pioneiro nos inquéritos usando amostras, o que lhe permitiu falar com representantes de milhões de pessoas – todo o mundo era passível de ser entrevistado. O desenvolvimento do computador, se já existisse, permitiria o desenvolvimento das suas técnicas.

[continua]

23.11.04

MEMÓRIAS DE PAMPLONA

Praça Castillo, edifício do Diario de Navarra, sala do teatro Gayarre e lojas do centro histórico de Pamplona (Espanha), à noite e à margem do congresso de comunicação, que decorreu naquela cidade em 11 e 12 de Novembro último.

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O que há de comum entre estas imagens? O lado cedo-nocturno (excepto o teatro), com as luzes iluminando o barroco dos espaços. Mas distinguem-se a praça - local de encontro e de passagem para as tertúlias no café - e as lojas - cujas montras nos remetem para o interior. Estas são pequenas lojas de bens (frutaria, livraria, mercearia fina) da mesma zona antiga da praça.

Como noutras cidades espanholas, a praça Castillo é um centro onde (quase) tudo converge: pessoas, comércio, lazer, animação. É uma parte muito nobre de Pamplona, com as suas arcadas, um ou dois hotéis, alguns cafés [o ano passado, por esta altura, a praça estava em obras, por causa da construção de um parque subterrâneo de automóveis].

Nas lojas destaco as janelas (montras), que os modernos supermercados já anularam. A janela é o local em que o potencial consumidor pára para observar. Ou, como escreve Rachel Bowlby (2000: 69): as janelas contemporâneas têm uma virtude, a da coincidência da natureza, progresso e estética com a felicidade. E, mais à frente no mesmo texto, a autora fala da criação de uma atmosfera de exclusividade da montra, embora sem perder de vista os valores de venda.

Leitura: Rachel Bowlby (2000). Carried away. The invention of modern shopping. Londres: Faber and Faber
COLECÇÃO LISBOA PORTA A PORTA

Descobri agora, mas os livrinhos são já de 2001. Trata-se de uma colecção de livros de 14x14,9 cm, de 30 a 40 páginas, e custando €2 cada um.

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Retiro de um: "Manuel António Mendonça, actual proprietário, é um self made man talhado pelos moldes da velha Albion. Aos 79 anos, continua a ir a Londres duas vezes por ano, «beber» as últimas novidades do sector. [...] Quando a Picadilly nasceu, em 1924, Manuel Mendonça tinha 3 anos de idade e não sonhava que um dia seria alfaiate" (autora do texto: Maria Carvalho Costa).

Na livraria Municipal (de Lisboa) [de que sou um cliente cada vez mais assíduo], a empregada disse-me que, para além dos 26 títulos disponíveis, havia um projecto para ir até aos 100. Porém, o projecto foi interrompido, o que é uma pena. É que eles têm saída. Primeiro, pelo preço convidativo [por exemplo, como lembrança no próximo Natal], depois, porque podem ser usados como lembranças em congressos que decorram em Lisboa.

Por favor, responsáveis da editora da Câmara Municipal de Lisboa, retomem a iniciativa!
QUINTA DAS CELEBRIDADES

Para simplificar, o jornal 24 Horas é tablóide e o Correio da Manhã popular. Se aquele, com um grafismo a fazer de conta que é um canal televisivo de imagem fixa a duas dimensões, ocupa capas atrás de capas com as futilidades da Quinta das celebridades, este também não se deixa ficar atrás.

Pelo jornal de cima, ficámos [pretérito] a saber que José Castello Branco, um das personagens centrais da novela/reality-show Quinta das celebridades queria ser mulher [o que não espanta por aí além]; pelo jornal de baixo, ficámos [pretérito] a saber que os filmes pornográficos de Alexandre Frota, outro concorrente do mesmo programa da TVI, chegam a Portugal no dia 26. Importantes informações para o país!

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Vejamos o espaço que os jornais dão aos "acontecimentos" da Quinta: três páginas no 24 Horas (sem contar com a capa), duas páginas no Correio da Manhã. E o que se escrevem nessas páginas? Continuam a ser coisas importantes para a vida do país.

Entrevistas de Ana Maria Lucas

Por exemplo, no 24 Foras, em texto assinado por Lina Santos, conclui-se que "José Castelo Branco, 43 anos, e Jorge Monte Real, 39, não andam enganados quando se tratam por primos. Ambos descendem da mesma família, apurou o 24 Horas junto do genealogista José de Almeida Mello. O especialista investigou as famílias dos concorrentes e chegou à conclusão que «descendem do rei D. Afonso III». É pelo bisavô de Monte Real, José Dionísio de Mello e Faro, que chegamos ao parentesco com «White Castle». Ele vem da tal linhagem que entronca com D. Afonso III" [bom, chega de citação].

Na mesma página, em caixa, referenciam-se duas amigas de Frota, que já trabalharam com o actor porno [comentário meu: !!!] e torcem por ele, mas também gostam de Castelo Branco, que é "muito astral" [esta palavra tem vindo a ser glosada no Bartoon, do Público e noutros media] .

Mas o melhor, o melhor mesmo, são as entrevistas que Ana Maria Lucas dá aos dois jornais que inspiraram esta minha mensagem. Alvo das duas: José Castelo Branco. No 24 Horas, ela confessa que o "conde" é "uma pessoa com grande necessidade de brilhar e via em mim uma rival". Quanto ao Correio da Manhã, a antiga miss de Portugal desabafou que "ele nunca irá compreender o quanto é inconveniente e mal-educado. É um narcisista e portanto nunca se autocritica. Coitado, criticou-me em desespero da perda do pseudobrilho que julga ter". A mesma ex-residente da Quinta ainda tem tempo de falar de Frota: "o Alexandre é fantástico e porreiro como todos os brasileiros. Abre os braços para os amigos, mas não os fecha e portanto nós ficamos ali" (Correio da Manhã).

Observação 1: a minha aula de hoje consistiu na leitura e apreciação de jornais, do Sunday Times ao El Pais (de anteontem) e do Expresso (de sábado), Público e Diário de Notícias ao Correio da Manhã e 24 Horas. Acho que foi um tempo produtivo, pois se percebe que nuns jornais há informação e análise e noutros... histórias do Castelo Branco.

Observação 2: em conversa amena com o dono da loja onde compro habitualmente os jornais, ele contava-me como se vendiam as revistas de televisão, onde surgem na capa as histórias de Castelo Branco e colegas da Quinta. Ele, apesar de contente com o negócio, deixava perceber o quanto lastimava o baixo nível cultural das mesmas publicações. Eu já não sei o que dizer, mas que a página 53 da edição de hoje do 24 Horas me deixou a pensar no fraco nível moral da mesma, isso confesso que é verdade.
REVISTAS

Ia à procura do livro O que é moda e saber se já tinha saído mais um número da revista Trajectos. Não vi nem um nem outra, mas passei os olhos por/e folheei as revistas que estavam no escaparate da livraria Almedina. E adquiri as revistas que vêm nas imagens. Da primeira - 365 -, retive a entrevista de Dina Aguiar, jornalista da televisão; da segunda - Númeromagazine -, a entrevista de Teresa Villaverde, cineasta. Ambas indicando o mês de Novembro como edição (embora já haja uma edição posterior da 365).

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Não sei bem como classificar ambas as revistas. Apetece-me chamar-lhes fãzines, dada a especificidade de orientação, ou então revistas especializadas, o que perde espessura (a segunda aponta para áreas precisas: moda, música, literatura, design, artes). As capas são distintas: mais ousada a segunda, com a modelo Lina O'Connor; mais pós-moderna a primeira (mas, vendo bem, com laivos de capa antiga). Esta tem um sítio, 365's Journal, e um blogue Revista 365 (parado desde 10 de Outubro último). Aquela tem um sítio Número Festival, pela última vez actualizado em 25 de Julho último. Isto é, quer uma quer outra são projectos multimedia, mas a internet conta menos que a revista em papel.

Duas entrevistas, duas mulheres

Vamos às entrevistas. De Dina Aguiar, conta-se o seu percurso como jornalista e, durante muitos anos, apresentadora do telejornal da RTP: "Quando trabalhava na rádio entrevistei o Joaquim Letria e, entretanto, decidi ir ter com ele e perguntar se ele se lembrava de mim. Queria voltar a trabalhar na rádio [terá havido um intervalo na profissão]. E ele respondeu-me: «E televisão, nunca pensou nisso? Olhe que vai abrir o canal 2, vá a esta morada e faça uns testes». [...] Cheguei lá e estavam umas doze mulheres, entre elas a Margarida Marante".

Ela, que nunca gostou muito de política, embora já estivesse envolvida partidariamente, conta que está a ser sondada para a câmara municipal da sua terra (Vila Nova de Foz Coa). E, à pergunta do entrevistador Fernando Alvim - ele próprio homem da rádio e da televisão, além de director da publicação -, sobre se houve um entrevistado que lhe tivesse mentido descaradamente, ela volta a apontar os políticos: "Sempre senti que eles não me queriam dizer nada. Eu tentava dar a volta mas nada". Sobre cozinha, em que parece que ela é boa, diz: "Faço pão, faço bolos, sei fazer tudo! As pessoas estão sempre a dizer que eu tenho de abrir um restaurante".

Já a entrevista de Teresa Villaverde, feita por Aníbal Tavares, é dada num registo mais sério. A realizadora não fez a escola de cinema, "como fez o Pedro Costa ou a Manuela Viegas. Eles tiveram pessoas que os ajudaram a ver, a ver mais depressa, a aprender mais rápido". Ela sabe que a sua ligação ao cinema português, obras e autores, não é diferente: "Cresci a ver filmes na Cinemateca. Não me lembro de mudar de cara para ver o cinema português, alemão ou russo. Para mim, era cinema e pronto". E conta como se ligou a Paulo Rocha, Seixas Santos ou António Reis, que não foram seus professores, mas conheceu-os já como profissional do cinema.

Sobre a nova lei do cinema, Teresa Villaverde acha que o cinema português vai morrer: "Durante uns anos vão continuar a produzir filmes, esses tais filmes que são suposto ser um sucesso e ter muita receita. [...] Relativamente aos filmes que as pessoas sonham fazer e que preenchem um espaço antes vazio no mundo, vão ser cada vez mais escassos". E ainda falou sobre temas como a importância crescente do produtor, os argumentos que vivem de costas voltadas para o público, os preços inflacionados dos filmes portugueses e a relação entre cinema, televisão e publicidade.

Se Teresa Villaverde falou enquanto tomava um café (e depois, com certeza), Dina Aguiar preferiu o ambiente do estúdio de televisão para se deixar fotografar.

Preços: 365: €2; Númeromagazine: €3,5 (no Reino Unido: £3,5; na Europa:€5).

Periodicidade: mensal.

Apoios: a primeira - Adidas, Briefing, Lois, Martini, Rádio Oxigénio, Universidade de Coimbra; a segunda - Ministério da Cultura, Instituto das Artes, Instituto Português do Livro e das Bibliotecas.

Nota final: alguns textos da Númeromagazine estão em inglês.

22.11.04

FRANÇA AUTORIZA UM CANAL DE TELEVISÃO PRÓXIMO DO HEZBOLLAH

Segundo o blogue Media Network Weblog, em mensagem publicada no sábado, o Conselho do Audiovisual Francês deu permissão para a instalação da estação de televisão em língua árabe Al-Manar, considerada próxima do grupo muçulmano xiita libanês Hezbollah. Para os Estados Unidos, este grupo está incluido na lista de organizações terroristas. O Conselho do Audiovisual Francês considera que a Al-Manar aceita "não incitar ao ódio, violência ou discriminação baseada na raça, sexo, religião ou nacionalidade". Grupos judeus pediram para as autoridades francesas não darem a licença aquela estação.

Paul Lazarsfeld visto por David Morrison (I)

[Lazarsfeld lê-se lazursfelt]

O que proponho nesta mensagem, desdobrada em três parcelas, é a leitura do percurso de vida e principais pontos da actividade de Paul Lazarsfeld (1901-1976), a partir de um texto de David Morrison (2001), intitulado The historical development of empirical social research.

Prever o olhar futuro do historiador a partir de Marienthal

Paul Félix Lazarsfeld, um dos fundadores da moderna investigação de comunicação de massa, fez uma interrogação num seu texto de 1950, A obrigação do perito em sondagens de 1950 para com o historiador de 1984: "Não se sobrevaloriza o facto de, em certo modo, o homem das sondagens escrever história contemporânea. Não reprovará o historiador de 1984 o não ter dado suficientes indicações do que se conhecia em 1950"?

O historiador deve ser cuidadoso no uso de dados sociológicos. Isto é: não se deve aceitar a interpretação sociológica dos dados. Primeiro, deve-se perguntar se o que se mediu satisfaz; depois interpretar de novo os dados brutos de uma sondagem ou inquérito, mas nunca trabalhar somente a análise produzida originalmente. Se um estudo parece rigoroso, e muitas vezes parece ser rigoroso porque tem dados estatísticos, isso não significa que seja rigoroso. Por isso, Morrison concorda com Lazarsfeld: a recolha sistemática da opinião pública em questões do dia a dia podem representar uma valiosa fonte de dados para o historiador futuro.

Lazarsfeld fez um trabalho paradigmático em 1931 na Áustria sobre os desempregados de Marienthal (a equipa liderada por si incluía Marie Jaboda e Hans Zeisel). Marienthal, pequena cidade fora de Viena, dependia de uma única fábrica de moagem enquanto actividade económica. O seu encerramento destruiu a comunidade. Antes desta situação, a vida social era vibrante. Existiam vários clubes e elevada a leitura de jornais. Quando cresceu a pobreza, baixou a leitura dos jornais e o interesse pelo exterior, centrando-se a comunidade na sua condição mais interna.

Morrison, no seu texto, pretende mostrar que a análise estatística dos dados recolhidos, em forma quantificável, é útil para os historiadores. A recolha de dados em forma quantificável oferece o exemplo clássico onde o historiador pode usar dados recolhidos pelo cientista social para fazer ligações de causa entre variáveis.

Se, num dado momento, temos um conjunto completo de atitudes, crenças, experiências, e num período posterior temos dados semelhantes, que se podem sobrepor com uma análise de conteúdos de mensagens, então temos um trabalho interessante a fazer. Pelas mudanças nas crenças, através da manipulação estatística de variáveis, descobrimos a saliência de dados factos através da contagem de receptividade às mensagens. Graças a um método proposto – a manipulação estatística das variáveis – fica-se na posse de um conhecimento próximo e controlado do que se trabalha e como.

[continua]