Interrupção

O blogue tem sido muito pouco atualizado. O trabalho de investigação e outros motivos obrigam a uma concentração de esforços num só sentido. Obrigado pela preferência manifestada desde 2003.

11.5.04

DEZ ANOS DE HISTÓRIA DA SIC (1992-2002). O QUE MUDOU NO PANORAMA AUDIOVISUAL PORTUGUÊS [CONCLUSÃO]
[Texto inicialmente publicado na revista Observatório, nº 6, de Novembro de 2002, e aqui reproduzido com pequenas alterações em mensagens já colocadas (29 de Abril, 3, 6 e 10 de Maio)]

Tecnologias e novas empresas e departamentos

O período de novos projectos e parcerias, que localizamos entre 1999 e 2001, tinha raízes anteriores. Aliás, um projecto antes da sua concretização, passa por fases, longas por vezes, de estudo e implementação. Assim, em 1996, iniciou-se o estudo da introdução de novas tecnologias, designadamente a redacção “sem fita”, mas que continuou nos anos seguintes. Já a cenografia virtual, pensada em 1996, foi empregue na emissão das eleições autárquicas, em 1997, atendendo a todas as peças associadas a séries e programas de entretenimento. Nesse mesmo ano, era criado o departamento de merchandising da SIC: a venda de programas, merchandising, audiotexto, telenovelas e discos rendeu mais de dois milhões de euros, enquanto que, em 1999, ultrapassava os 3,4 milhões de euros. Por seu lado, a aquisição de câmaras portáteis digitais destinadas a operações de vídeo móvel ligeiro e de equipamento de edição não linear estiveram entre os objectivos desencadeados pela estação em 1998.

Em 1997, a SIC criava duas empresas em Londres, centro mundial da produção de conteúdos televisivos. Já em 1999, participava em duas sociedades: a SIC Filmes e a Morena Films (espanhola). O objectivo da SIC Filmes, em associação com o ICAM, é produzir dez filmes por ano, no sentido de dinamizar a criação audiovisual em Portugal. Assim, em Janeiro de 2000, cerca de 2,4 milhões de telespectadores viram o filme Amo-te Teresa. Nesse ano, a empresa lançava dez filmes e criava uma estrutura de pesquisa e leitura de argumentos e a figura de argumentista residente.

Também as instalações foram alvo do interesse da estação. Ainda em 1995, foi inaugurada a delegação da SIC no Porto, concretizando a estratégia de estar mais perto dos principais centros de decisão do país. Já em 1998, a estação negociava a aquisição do imóvel contíguo à sua sede em Carnaxide (antiga FNAC), o que permitiu uma expansão sem mudar de instalações (em especial após o lançamento da SIC Notícias).

No âmbito da criação de estruturas, deve realçar-se, durante 1999, o importante contributo da SIC, além de outras empresas, na fundação do Observatório da Comunicação (Obercom), instituição que visa conhecer melhor o que se faz em Portugal na área da comunicação.

Bibliografia
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Cádima, Francisco Rui (1996). O fenómeno televisivo. Lisboa; Círculo de Leitores
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Lopes, Felisbela (1999). O telejornal e o serviço público. Coimbra: Minerva
Lopes, João (1995). Teleditadura. Diário de um espectador. Lisboa: Quetzal
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Obercom (2002). Anuário Comunicação (2001-2002). Lisboa. Obercom
Serrano, Estrela (2002). As presidências abertas de Mário Soares. Coimbra: MinervaCoimbra
SIC (1995 a 2000). Anuários SIC Televisão. Carnaxide: SIC
SIC (1995 a 1999). Relatórios de Gestão Referentes aos Exercícios. Publicados em jornais ou em caderno especial do canal
Torres, Eduardo Cintra (1998). Ler televisão. Oeiras: Celta
Traquina, Nelson (1997) Big Show Media. Lisboa: Notícias Editorial

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