sábado, 17 de dezembro de 2005

AINDA A TESE DE DOUTORAMENTO DE FELISBELA LOPES

Para além da tese e das arguências, quero deixar aqui registadas algumas notas que tirei da argumentação de Manuel Pinto, orientador de tese de Felisbela Lopes.

Na génese do trabalho defendido na segunda-feira em Braga, e que aqui esbocei uma síntese, disse, está o programa "Mediascópio" (que tive o prazer de colaborar este ano). Inicialmente, tal projecto desenrolou-se em termos de fontes de informação, caso das da televisão, marcando os estudos de jornalismo, inscritos num conjunto que passa por Francisco Rui Cádima, o principal arguente na tese de segunda-feira, e por trabalhos anteriores de Felisbela Lopes [e, acrescento eu, de Isabel Ferin e Nuno Goulart Brandão]. O esforço desenvolvido pela nova doutora e por outros pesquisadores significa um esforço assinalável de colmatar zonas de silêncio dos media em Portugal, no seu geral, e da televisão, em particular.

A investigação já produzida representa uma contrapartida aos intelectuais que olham a televisão como tendo uma influência nefasta. Aí engrena a tese de Felisbela Lopes, Uma década de televisão em Portugal - 1993-2003. Estudo de programas de informação semanal dos canais generalistas. À curva descendente desse tipo de programação, até 2001, parece opor-se uma outra linha, onde se detectam sinais de despertar. Manuel Pinto entende que, em 2002-2003, houve um novo problematizar da cultura, quando se fez o debate público sobre a televisão estatal. Perguntou ele: a discussão então gerada não serviu para questionar a programação do serviço público de televisão? Manuel Pinto entende que os estudos sobre os media e a televisão ajudam a compreender estes e a aprofundar e fundamentar a crítica para uma televisão esclarecida e eficaz [nota: a escola de Braga, como eu costumo chamar aos docentes de Comunicação da Universidade de Braga, pela sua produção bibliográfica e actividade cívica, teve diversas intervenções públicas, caso de textos publicados em jornais de referência em favor do serviço público, nomeadamente do segundo canal da RTP].

Na conclusão do seu raciocínio, o professor da Universidade de Braga viu a tese então em defesa como um estudo recortado sobre a informação a partir de três pontos: 1) evolução do sector ao longo de um período de tempo, 2) contextualização, e 3) comparação entre os vários operadores de televisão. Isso acarretaria: 1) problematização que foi emergindo, como a questão das televisões temáticas (e do que não se fala), 2) quem tem voz e quem é remetido ao silêncio, e 3) esforço para exprimir a heterogeneidade do espaço público, objecto de expressão e, simultaneamente, de silêncio.

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