terça-feira, 22 de maio de 2007

TELEVISÃO E CRIANÇAS


Ontem, na Universidade Católica, realizou-se um colóquio sobre televisão e crianças, dentro do espírito do 41º Dia Mundial das Comunicações Sociais. Foram cinco os conferencistas.

A primeira, Teresa Paixão, directora de programas infantis da RTP, falou dos factores educativo, de entreteinmento (com humor) e da formação que esses programas inserem. A responsável pelo actual programa Ilha das cores falou centrou-se bastante na sua experiência enquanto produtora (de ideias, de projectos), tarefa diferente de Sara Pereira, docente da Universidade do Minho, e investigadora na área da recepção televisiva em públicos infantis e juvenis.

Para a docente, os educadores são a família e os pedagogos (escola, professores), não devendo competir esse papel à televisão. Sara Pereira apresentou duas abordagens diferentes de investigação: centrada nos media, centrada nas crianças. Ela ilustrou algumas conclusões da sua investigação: no período de 1992 a 2002, dos quinze principais programas mais vistos por crianças dos 4 aos 14 anos, só um programa infantil apareceria (Uma aventura) e este apenas no ano derradeiro de observação.

Sara Pereira falou da relação de influências, como a acção do telespectador, os estilos e condições de vida, os tipos de família e estilos educativos e os ritmos familiares. A influência da televisão, diria ela, não é necessariamente negativa (pena não ter tido tempo para desenvolver as conclusões do seu estudo sobre a série infanto-juvenil Morangos com açúcar).

Quintino Aires apresentou uma perspectiva diversa da de Sara Pereira. Psicólogo, Aires defende que nada na telvisão influencia uma criança se o que ela vê não se relaciona com um adulto (o mediador, como Sara Pereira se referiu). Quintino Aires argumenta que, para se formar uma opinião ou ter uma reacção, é preciso construir um símbolo do que se vê. Para ele, vive-se no século XXI com demasiados medos quando se fala da construção da criança. Os media são fundamentais à nossa sociedade, porque libertam muita informação. A influência dessa informação está na discussão posterior das questões dentro dessa informação.

Carlos Liz, , o comunicador seguinte, seguiu de certo modo a mesma pista, ao considerar que as crianças operam valores que nascem da interacção entre elas. A explicação que dá para esta afirmação baseia-se num inquérito que vem fazendo a crianças nas escolas e onde constata que estas são (tendem a ser) consumidores exigentes. Uma história que eu lhe ouvira contar dias atrás tratava do presente insucesso dos vendedores de automóveis nos stands. As crianças, quando acompanham os pais na decisão de compra de uma viatura, fazem muitas perguntas, algumas delas de grande pertinência. A fonte de informação das crianças é a rede (a internet).

O último orador, o padre João Lavrador, realçou o destaque dos católicos aos media ao longo do século passado, passando de meios de comunicação social à comunicação social - abandonando a ênfase no processo de transmissão e olhando para o todo complexo - e à indústria da comunicação social - alargando mais o âmbito, na perspectiva de produtos e mercado. Para João Lavrador, a comunicação social opera num duplo sentido: retrata a realidade, controi uma (nova) realidade.

1 comentário:

Carlos Araújo Alves disse...

Estimado Rogério Santos

Atendendo à clarificação que muito agradeço reformulei o que escrevera para não melindrar ninguém (não é esse o meu objectivo), mas realçar o que considero importante:
1 - recusar continuar a acreditar que a televisão não é hoje a principal responsável pela transmissão de valores Às crianças e adolescentes;

2 - aproveitar esse facto para colocar os meios audiovisuais, nomeadamente os públicos, ao serviço da educação, de forma articulada com os currículos escolares.

Muito grato pela sua informação e clarificação.
Abraço