domingo, 1 de março de 2009

REDES (NÃO) SOCIAIS?

Todos os dias, recebo mensagens de internautas que querem seguir o que escrevo no Twitter. Confesso a minha incapacidade de compreensão das vantagens de escrever no Twitter e noutras redes sociais, apesar dos recentes e encomiásticos artigos de jornais (Diário de Notícias de quinta-feira, Expresso de ontem). Alguém escrevia que aderir às redes sociais é estar na moda.

Ontem, chegou-me o convite de um jornalista muito versado em tecnologias das redes sociais. Quando fui ler o que ele havia publicado, encontrei o seguinte: "Agradeço o interesse de todos os que enviaram pedidos, mas serve esta mensagem para informar que não escrevo no Twitter". Ora, para que serve a solicitação de adesão? É ele um caçador furtivo que quer ler o que os outros escrevem, mas não quer dizer o que pensa - ou faz neste momento? É ele sociável, ou o oposto? Para que quer o seguidor do Twitter seguir outros se não quer ser seguido? O Twitter é um panóptico para alguns? Um big brother?

As redes electrónicas são mesmo estranhas.

3 comentários:

Afonso Pimenta disse...

Na minha opinião o Twitter não serve para nada. Talvez apenas como mais uma ferramenta, entre muitas, para se divulgar um projecto. Contudo, como ferramenta social acho completamente dispensável para além do facto de aprofundar ainda mais o facilitismo em termos de escrita e algum alheamento. Passo os olhos pelo que se escreve e vejo apenas uma quantidade infindável de banalidades sem propósito algum. E mesmo que se poste alguma coisa com algum interesse, ninguém tem disponibilidade para estar atento a tamanho avolumar de "informação". De qualquer forma também aderi. Vou utilizar para promoção. Contudo, sem acreditar muito no efeito.

Unknown disse...

Rogério,
não venho aqui em defesa do Joao Pedro, mas eu creio que ele irá passar a actualizar a sua conta no Twitter em breve.

E Afonso pergunte por exemplo à Dell se o Twitter não serve mesmo para nada.

Afonso Pimenta disse...

A minha primeira frase entra um pouco em contradição com o que disse a seguir. Retiro então o "não serve para nada". Tudo serve para algo, mesmo que tenha pouco interesse. É óbvio que não é possivel "parar" (para quê?) a tendencia unificadora que a web trouxe nem o carácter de urgência (para quê?) na divulgação e promoção. A partir de agora, espera-se pouco para anunciar. Se instrumentos como o myspace já reduziam a distância entre consumidor e "produto" (ou não fossem eles "amigos"), o twitter confunde tudo, homogeniza e impõe. Tudo é divulgado, anunciado, comunicado em verdadeiro tempo real. Desde as arestas ao lixo. Ambas ganham a mesma importancia. Toda a gente tem algo para dizer. Ou, melhor ainda, necessidade de dizer. O efeito surpresa desvanece-se. "Amigo" e produto passam a ser um só. A tolerância é reduzida ao minimo.