quinta-feira, 2 de julho de 2009

ESPAÇOS ALTERNATIVOS CULTURAIS EM LISBOA

O projecto de mestrado de Luísa Fernández Falcon, Espaços Alternativos. O seu Lugar na Cidade de Lisboa, hoje defendido na Universidade Nova de Lisboa, abordou as artes performativas na actualidade. O centro do projecto foi a comparação em oposição de espaços oficiais (Gulbenkian, CCB, Culturgest) e alternativos (Zé dos Bois, A Capital, Casa dos Dias d’Água). O tempo de análise foi o de três décadas (1970 a 2000). Nesse sentido, referenciou os movimentos teatrais pós-1974, como Cornucópia, Comuna, Artistas Unidos. Destacou em 1994 a Galeria Zé dos Bois (ZDB), no Bairro Alto. Mas distinguiu igualmente as periferias da cidade, como a Malaposta (Olival de Baixo), Ginjal (Cacilhas) e Fábrica da Pólvora (Barcarena), além do Teatro da Garagem. Depois surgiriam a Escola de Artes Visuais Maus-Maus e Alkantara.

A definição de alternativo constrói-se num duplo sentido: 1) negativo, a ideia de oposição, 2) positivo, valorizando a atitude independente ou original e realçando o papel dos fanzines (hoje: ezines) como meios de divulgação da cultura alternativa. Destaca os limites entre o alternativo e o institucional: as instituições apoiam os criadores inovadores; a presença dos criadores valoriza o trabalho das instituições. Para a investigadora, os espaços alternativos, se bem sucedidos, podem entrar em ruptura (dissidência) ao tornarem-se "oficiais".

O texto fala de subculturas (a partir de Dick Hebdige) e o sentimento de pertença a uma comunidade relacionada com o desejo de exclusividade. Mas, refere, se os projectos ou espaços alternativos começam a ganhar visibilidade, aumentam os recursos económicos e arranjam projectos mais ambiciosos. Igualmente, o texto aborda o papel dos responsáveis dos espaços, distinguindo nacionais e estrangeiros.

A autora, agora mestre em Práticas Culturais para Municípios, observa que os espaços alternativos são estruturas de equipas pequenas com um grande capital de entusiasmo, acolhendo uma grande diversidade de iniciativas e eventos (artes plásticas, concertos, cinema, conferências, workshops, festas) voltadas para públicos específicos e artistas participantes [ver pequeno vídeo com a posição da autora].

A investigação de Luísa Fernández foi co-orientada pelos professores António Pinto Ribeiro e António Camões Gouveia. No final das provas públicas, foi aconselhada a publicação do seu trabalho sob a forma de artigo.


1 comentário:

Paulo Paiva disse...

Não é bem um comentário deixo, pretendo sim um contacto (ex. mail) da Luísa Fernández, uma vez que gostaria de ler este trabalho.
Obrigado,
Paulo Paiva

paulopaiva1@gmail.com