quinta-feira, 5 de novembro de 2009

MOSCOVO

Vendo a televisão de Moscovo, pode concluir-se que há equivalentes de Murdoch e Berlusconi na Rússia, com a rápida transição do serviço público de propaganda para o entretenimento. Os canais captados na capital são falados em russo (vi um filme em inglês com a língua russa falada por cima da banda sonora original). Há muitos talk-shows em diversos canais de televisão, alguns aproximando-se do karaoke (ou seriam os Ídolos ou a Chuva de Estrelas locais?).

De repente, lembrei-me de Marc Augé e dos seus não-lugares, como os aeroportos, autoestradas e gasolineiras. Quando descobri o McDonald's, as letras cirílicas ao lado dos arcos amarelos do logo não traíam o meu conhecimento. Há uma língua global, a das marcas globais, mas permanecem coisas locais ou regionais, como a comida, o modo de fazer fila (para comprar o bilhete de teatro ou de metro, com uma sequência de uns atrás dos outros diferente da portuguesa) e as prendas que se compram para trazer para familiares e amigos.

Sem falar da beleza grandiosa das estações de metro, construídas no tempo de Estaline, que mandou arrasar quarteirões para erguer largas avenidas onde agora os automóveis circulam a grande velocidade, das catedrais do Kremlin com magníficos ícones (as mais belas igrejas que vi na vida), da superstição dos recém-casados que vão à ponte onde estão "árvores" de cadeados que "garantem" força e felicidade, da nostalgia da União Soviética (bonés com os símbolos da foice e do martelo em alguns velhos, t-shirts com imagens de Lenine), da riqueza de lojas muito vastas com as grandes marcas ocidentais, da pobreza no vestuário de alguns passageiros do metro.


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