Interrupção

O blogue tem sido muito pouco atualizado. O trabalho de investigação e outros motivos obrigam a uma concentração de esforços num só sentido. Obrigado pela preferência manifestada desde 2003.

28.3.10

CIDADES INDEPENDENTES/INDEPENDENT CITIES

Neste ano de 2010, em que dezassete países africanos comemoram 50 anos de independência e cinco países da América Latina decidem festejar o Bicentenário da sua formação como nações, a realização de um workshop de investigação e produção teórica, no âmbito de um Programa Cultural cujo foco principal incide sobre estas regiões geográficas e culturais, reveste-se, pensamos, de toda a pertinência. [...] Aparentemente, cidades como Casabalanca ou o Cairo pouco terão em comum com Maputo, S. Paulo, Lima ou Bogotá. E, no entanto, como o confirmaram alguns dos investigadores presentes neste workshop, há problemas e soluções que atravessam o “ar do tempo” e que são comuns a muitas delas: um tráfego rodoviário intenso e tendencialmente caótico, a situação de permanente guerra civil, que tipifica muitas cidades sul-americanas e africanas e que torna reféns os seus habitantes, as novas configurações urbanas modeladas pelo aumento cada vez mais significativo das periferias — que as transformam em mega—cidades -, pela extensão tentacular dos bairros de lata/favelas onde se instalam sucessivas vagas de populações rurais na miragem de melhores condições de vida, pelos vazios que a desindustrialização vai provocando, pela criação de um novo tipo de arquitectura, temporária e frágil, produzido pelos que se deslocam no interior das cidades, etc. [foto de cima: Javier Silva-Meinel; foto de baixo: Avelina Crespo]

In this year of 2010, when seventeen African countries will be commemorating 50 years of independence and five Latin American countries have decided to celebrate the bicentenary of their formation as nations, the holding of a workshop dedicated to research and theoretical production, under the scope of a Cultural Programme whose main focus of attention is on these geographical and cultural regions, is, we believe,a highly pertinent occasion. [...] Apparently, cities such as Casabalanca or Cairo have little in commonwith Maputo, São Paulo, Lima or Bogotá. And yet, as some of the researchers attending this workshop have confirmed, there are problems and solutions that pass through the “mood of the moment” and are common to many of them: an intense and generally chaotic road traffic, the situation of permanent civil war, which typifies many South American and African cities and turns their inhabitants into hostages, the new urban configurations shaped by the increasingly significant growth of the peripheries (which has transformed them into mega-cities), by the tentacular spread of the shanty towns/favelas in which successive wavesof rural populations have settled in the vain hope of obtaining better living conditions, by the empty spaces resulting from deindustrialisation, by the creation of a new type of temporary and fragile architecture, produced by those moving around in the heart of the cities, etc.

Texto de/text by António Pinto Ribeiro [Próximo Futuro/Next Future, nº 3]

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