18.3.10

TRABALHO NAS INDÚSTRIAS CULTURAIS EM MURDOCK

Graham Murdock (2003: 15) começa o seu texto por destacar o papel das indústrias culturais e as profissões a si associadas. Cita Roland Barthes quando declarou a morte do autor e indicou o leitor como o fornecedor dos significados gerados pelos artefactos culturais, criando uma audiência pronta a ser analisada em termos de consumo. A ênfase passou a ser colocada no trabalho simbólico da vida quotidiana através da leitura, visionamento, compra e cultura "faça você mesmo", numa crescente valorização do consumo como local central da formação da identidade.

Nota Murdock que, nos anos mais recentes, tem havido uma alteração nos estudos culturais e dos media com o foco no trabalho e nas profissões (2003: 16), nas instituições, indústrias e políticas, em especial o jornalismo, a televisão e a música. O estudo do trabalho cultural significa observar o centro da empresa, com a relação entre a criatividade e as pressões estruturais, as estratégias organizacionais e as profissões. Além da análise cultural, há investigação em economia política, sociologia, economia, geografia cultural e económica e antropologia. Murdock distingue elementos precisos na investigação e debate, incluindo o mapeamento das estruturas e operações das indústrias culturais no todo ou em sectores específicos. Aqui cabem análises de oportunidades de investimento, distribuição da produção, relações entre a organização industrial e a diversidade cultural. Além disso, propõe-se estudar as estruturas organizacionais e as estratégias de marketing das principais organizações dentro da produção cultural, as ocupações culturais e as suas segmentações usando entrevistas ou questionários para construir quadros de grupos particulares de trabalhadores num momento particular. Finalmente, Murdock indica estudos etnográficos que empregam observação directa de específicos projectos culturais e locais de produção (redacções ou estúdios de gravação), de modo a examinar como as pressões externas e internas se relacionam com a criatividade e moldam a diversidade e o estilo de expressão pública em circunstâncias particulares.

Murdock elenca algumas das principais mudanças dos sectores das indústrias culturais desde a década de 1980: privatização, liberalização, reorientação dos regimes de regulação, empresarialização, concentração, "comodificação". São categorias que encontramos no texto dos dois volumes organizados por Helena Sousa, mais acima, embora neste texto haja mais desenvolvimento, em especial quando ele se propõe fazer um mapeamento dos campos das indústrias culturais (2003: 23-27): artefactos e fluxos, centros e periferias, redes e localização, empresas comerciais e serviço público.

Leitura: Graham Murdock (2003). "Back to work. Cultural labor in altered times". In Andrew Beck (ed.) Cultural work. Understanding the cultural industries. Londres e Nova Iorque: Routledge, pp. 15-36

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