Interrupção

O blogue tem sido muito pouco atualizado. O trabalho de investigação e outros motivos obrigam a uma concentração de esforços num só sentido. Obrigado pela preferência manifestada desde 2003.

6.9.10

VIAJAR - EXPOSIÇÃO

Viajar é uma exposição integrada nas comemorações do centenário da República. O catálogo tem textos de diversos investigadores, além das interessantes imagens fotográficas, núcleo forte da própria exposição.

Escreve Maria Alexandre Lousada que a história do turismo em Portugal continua por fazer. A investigadora indica que o termo para identificar o viajante ainda usado no começo do século XX era grafado como touriste, aquele que fazia um tour. A origem aristocrata dava lentamente lugar às viagens e estadias de massa. Hotéis, termas, estradas, comboios e guias de viagem faziam parte dos artefactos e da realidade nova. Os guias do escritor Ramalho Ortigão, publicados em 1875 e 1876, identificam gostos e locais de veraneio. O escritor aponta, por exemplo, a Granja (entre Porto e Espinho), cujas primeiros edifícios começaram a erguer-se após a construção da linha ferroviária. A praia enchia-se no Verão e ficava despovoada após passar essa estação do ano. Na mesma década, Bordalo Pinheiro fazia caricaturas representando os tipos de banhistas: o nadador, o alferes, o forte, as meninas para casar.

Além da referida acima Granja, outras praias ganharam notoridade junto aos grandes aglomerados urbanos graças ao caminho de ferro, como Estoril e Cascais, escrevem noutro texto Carlos Cardoso Ferreira e José Manuel Simões. O Manual do Viajante em Portugal, logo na sua primeira edição em 1907, incorpora um mapa da rede de linhas ferroviárias. Nasciam o excursionismo, novos entretenimentos e motivos de cultura e espaços de terapias para os males da saúde. O casino do Estoril tem razão de ser nesse vaivém turístico, do mesmo modo que as termas da Curia e outras. A inovação dos transportes foi outro elemento essencial, caso do navio para levar passageiros à Madeira, como escreve Benedita Câmara.

Acabo com uma referência do texto de Eduardo Brito Henriques e Maria Alexandre Lousada sobre a ocupação de um dia na Foz do Douro em finais da década de 1880: se começava com um banho matinal, a tarde era ocupada pelo passeio, andar em burro e nos piqueniques e à noite ia-se ao clube. Já em Cascais, além do também banho matinal, a preguiça tomava conta dos touristes à tarde, a que se seguiam partidas de ténis e um "chásinho reconfortante das cinco horas". Ao domingo, as senhoras  e os cavalheiros vestiam-se de "toilette" e passeavam no jardim e no passeio marítimo então desigando "esplanada". E ainda havia representações teatrais, corridas de cavalos e regatas.

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