Interrupção

O blogue tem sido muito pouco atualizado. O trabalho de investigação e outros motivos obrigam a uma concentração de esforços num só sentido. Obrigado pela preferência manifestada desde 2003.

11.1.11

COMUNICAÇÃO & CULTURA - DOIS NÚMEROS DA REVISTA

Pós-género e A festa são os dois mais recentes números de Comunicação & Cultura, revista do Centro de Estudos de Comunicação e Cultura da UCP.

"Como poderá uma figura tão calculista e artificial, tão clínica e estranhamente artificial, tão despida de erotismo genuíno, ter-se tornado o ícone da sua geração"? (Camille Paglia, citada por Isabel Gil e Carla Ganito, coordenadoras do número Pós-género). A figura é, claro, Stefani Joanne Angelina Germanotta, aliás, Lady Gaga. O título do editorial das coordenadoras esclarece melhor: "Paródia, pastiche, perversão e política: a teoria no reino do pós-género". Continuam as duas autoras: "Oriunda da classe média nova-iorquina e educada em escolas de elite, a artista usa o modelo social sob a forma de apropriação inversa, isto é, aproveita o modelo da cultura dominante de fundo capitalista contra si própria". Lady Gaga usa as estruturas da culturalite: a construção da celebridade, os mecanismos de marketização, as novas tecnologias visuais. Gil & Ganito distinguem quatro formulações recorrentes do termo pós-género, associadas ou conotadas ao feminismo liberal, feminismo radical, ciberfeminismo e pós-género + pós-moderno. O volume tem textos de Angela McRobbie, Elizabeth Nivre, Sónia Sebastião, Carla Ganito, Cláudia Álvares e Daniel Cardoso, Lara Duarte, Fernando Ampudia de Haro e Lauro António, além de entrevistas a Gilles Lipovetsky, por Carla Ganito e Ana Fabíola Maurício, e Gaye Tuchman, por Gonçalo Pereira Rosa.

Sobre a festa, escrevem os organizadores do volume (Artur Teodoro Matos, Mário Lages e Roberto Carneiro) que ela "está indeclinavelmente associada à contingência humana e à sua incontornável pulsão comunitária. Na alegria como na tragédia, na vida como na morte, na efeméride como na elegia, a festa celebra o mistério humano da ciclicidade, o retorno geracional, o memorial do tempo e a sua inexorável passagem". O número tem textos de Joaquim de Sousa Teixeira, Ana Isabel Buescu, Alfredo Teixeira, Helena Rebelo Pinto e Maria Teresa Ribeiro, Luís Fagundes Duarte, Marta Lobão Araújo, Nelson Ribeiro e Mário Lages, com uma entrevista a Richard Grusin, por Diana Gonçalves.

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