Interrupção

O blogue tem sido muito pouco atualizado. O trabalho de investigação e outros motivos obrigam a uma concentração de esforços num só sentido. Obrigado pela preferência manifestada desde 2003.

29.1.11

TELEJORNALISMO

Os noticiários televisivos são actualmente a principal fonte de informação da sociedade - eis o ponto de partida que reuniu oito investigadores (e jornalistas) do Brasil e de Portugal. O resultado é o livro Telejornalismo. A nova praça pública (2006), organizado por Alfredo Vizeu, Flávio Porcello e Célia Mota. A ideia do livro nasceu em 2005, quando foi criada uma rede de pesquisa em telejornalismo no Brasil. Além dos autores que organizaram o volume, o livro conta com textos de Sylvia Moretzsohn, Beatriz Becker, Iluska Coutinho, Aline Lins e João Carlos Correia, e um prefácio de Elias Machado.

No livro, analisam-se rotinas produtivas, modos como os jornalistas procuram atrair o público com as suas notícias, que códigos particulares, que audiência presumida, distinção entre urgência do "vivo" e tempo real (visibilidade por oposição à reflexão), como assinalam os noticiários as experiências do quotidiano, da festa e da comemoração em termos de identidade, que dramaturgia usa o noticiário, que cidadania é veiculada, relação entre televisão e poder, construção autoral colectiva. Semiótica, fenomenologia, sociologia do jornalismo, antropologia, são algumas das ciências usadas no livro.

Retenho algumas das ideias do texto de João Carlos Correia, docente da Universidade da Beira Interior (Covilhã): o mundo parece-nos como se apresenta e há uma premissa de confiança na permanência das estruturas do mundo, o que implica um padrão organizado de rotina (p. 203). Na perspectiva fenomenológica aplicada ao jornalismo, existe uma visão convencional associada ao senso comum. Seguindo o fenomenólogo Alfred Schutz, o conhecimento do mundo do senso comum é próprio de uma comunidade bem integrada, com aparência de coerência, clareza e consistência (p. 211). Se há uma ruptura, após essa alteração, o jornalista reorganiza o tempo e o espaço das ideias e cria uma rotina, uma continuidade, uma trama narrativa que imprime um dado significado aos acontecimentos (p. 205). João Carlos Correia fala de diversidade, pressuposição, leitura preferencial e enquadramento. O autor escreve ainda sobre a construção da realidade social, que atravessa as obras de Berger, Luckmann e Tuchman.

Leitura: Alfredo Vizeu, Flávio Porcello e Célia Mota (2006) (org.). Telejornalismo. A nova praça pública. Florianópolis: Editora Insular, 223 páginas

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