7.3.11

CULTURA DOWNLOAD

A jornalista Lucinda Canelas partiu à procura de jovens com 21 anos, a idade do jornal Público. Uma das entrevistadas lembrava-se do gravador de vídeo VHS mas nunca tinha ouvido falar em discos de vinil. Em 1990, o CD já existia mas ainda predominava o vinil. Hoje, há muitas tecnologias: portátil, telemóvel, mp3. Por outro lado, a cultura jovem do começo da década de 1990 associava-se a um espaço territorial específico, ao passo que hoje o território é virtualizado e à distância de um clique.

A jornalista procurou traçar o perfil do jovem português de 21 anos com base nos seus consumos culturais, aludindo a que nem sempre os estudos distinguem consumos técnicos e de lazer. Primeiro, nota a existência de uma predominância esmagadora de jovens conectados à internet. Depois, a presença constante da música. Em terceiro, a ideia que os amigos e a família continuam a ser parceiros estratégicos. Em quarto lugar, e apesar da internet e das redes sociais, a convivência continua a ser importante, caso de bares e cafés, que criam uma geografia urbana. O meio social é um factor a levar em conta quando se trata de consumos culturais, continua a ler-se no texto de Lucinda Canelas. Tecnologia, escolaridade e urbanização são três eixos primordiais dos consumos culturais dos jovens.

O texto toca outras questões. O motivo central dele é o download, como aparece no título da peça jornalística: A cultura deles está no ADN e no download. Geração download surge na chamada de atenção da capa do jornal. Já não é geração rasca ou parva como se tem dito nestas últimas semanas, mas a geração que descarrega ficheiros, com grande parte dos consumos culturais ilegais, escreve a jornalista. Aqui, devia haver uma distinção entre internet e descarregamentos, por um lado, e consumos culturais (ler livros, ir a espectáculos como cinema, teatro e dança), por outro lado. Aliás, o sociólogo entrevistado destaca que houve crescimento de públicos em todas as áreas culturais.

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