5.3.11

HIPSTER

Conforme o texto inserido na Wikipedia, hipster é um termo que surgiu na década de 1940 e foi revisitado nas décadas de 1990 e de 2000 para descrever adolescentes mais velhos e jovens adultos, urbanos e da classe média, com interesses culturais de correntes minoritárias, como rock indie, cinema independente, revistas como Vice [com edição portuguesa em 2009] e Clash, e sítios como Pitchfork. O termo empregue na década de 1940 identificava o aficcionado do jazz, do bebop em particular, popularizado no início dessa década, que adoptava o estilo de vida do músico de jazz, com vestuário, uso da cannabis e outras drogas, atitude descontraída, humor sarcástico, pobreza auto-imposta, e códigos sexuais descomprometidos. O hipsterismo agrega, se quisermos, elementos de movimentos marginais do pós-guerra como beat, hippie, punk e grunge, continuo a ler na página da Wikipedia.

A revista Pública dedicou atenção a este tema na edição de 30 de Janeiro último, com assinatura de David Pinheiro Silva e Joana Amaral Cardoso. Para os autores, o hipster é um estilo, uma escolha de visual com base cultural, em que capitalismo, internet, música e moda ajudam a definir o estilo da cultura jovem actual. O texto ajuda a compor o que a Wikipedia não engloba, ao procurar identificar os estilos da moda juvenil ao longo das décadas: "Nos anos 1970 havia o hippie, nos anos 1980 o punk e nos anos 1990 o slacker, que ouvia rock grunge e vestia camisas de flanela. A roupa desportiva de b-boys e b-girls da cultura hip-hop seguiram-se-lhe. [...] Hoje, quando olhamos para os adolescentes e jovens adultos, haverá sempre pelo menos um hipster entre eles".

Lê-se ainda que o fenómeno hipster se resume a gosto, conceito que encontramos definido em Pierre Bourdieu. O prefixo hip é sinónimo de algo de novo e fresco. O hipster tem um distanciamento face à política e é adepto do grande consumo, ideia contrária à da definição da Wikipedia, o que me deixa confundido. Um investigador assinalado no texto da Pública indica mesmo que os hipsters não fazem nada de mal, não fazem mesmo nada. Também são considerados como flaneurs, como Baudelaire escreveu. Talvez, no fundo, seja mais uma série de referências adoptadas a nível visual do que uma contracultura ou movimento, onde não há uma substituição de referências mas uma sua acumulação, que remete para a singularidade. Vítor Ferreira, sociólogo citado no texto, diz: "A história do hippie e do punk é escrita nos termos do sistema social e político em que se inseriam. Aqui [nas cenas juvenis actuais] há uma deriva heterotópica, porque se fragmenta muito, em que a acumulação de referências é que vai dar substância biográfica e individual aquela trajectória e remete para uma série de referências que a vão singularizar".

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