11.4.11

PROVEDOR DO ESPECTADOR DA RTP

O recém-saído provedor do telespectador da RTP, José Manuel Paquete de Oliveira, dá hoje uma longa entrevista ao jornal Público sobre a função que desempenhou durante cinco anos. Indica que a anterior administração o ouvia muito e que a actual está mais preocupada com as audiências e as finanças. Paquete de Oliveira entende dever haver mais atenção à relação audiências com serviço público: "a televisão pública será sempre responsável pela tal distinção e pela qualidade do seu produto", disse.

Sobre uma hipotética governamentalização da RTP, o antigo provedor diz não ter constatado nem ter qualquer testemunho para comprovar interferências, embora considere que a televisão pública tem essa marca genética de ser pública, logo, de poder ser "a televisão da voz do dono". Das conversas mantidas com José Alberto Carvalho (saído para a TVI conjuntamente com Judite Sousa), este reflectia muito sobre a subjugação e o escrutínio a que estava sujeito.

Das queixas mais recebidas, o sociólogo falou sobre a duração dos programas, caso dos noticiários e do seu cumprimento. Foi um combate dele mas também da ERC, que fez determinações. E destacou ainda a sua reflexão sobre programas considerados de serviço público, como o Prós e Contras e sobre o tempo nos noticiários dedicado a informação de política partidária (pelo que se viu neste fim-de-semana, parece-me haver um grande exagero de uso de tempo para essa actividade), ao futebol e à moral conservadora levantada por alguns programas de humor.

Na entrevista, Paquete de Oliveira confessa que sentia que o lugar fora criado para resolver problemas de má consciência. No lead do texto assinado por Joana Amaral Cardoso e Jorge Mourinha, lê-se que, depois de Paquete de Oliveira "ter batido com a porta", a RTP ainda não arranjou substituto. Segundo me informavam na semana passada, o caso estaria prestes a ser resolvido. Esperemos, pois, pelos próximos dias.

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