16.7.11

ESPAÇOS CRIATIVOS – DO TRADICIONAL AO NOVO

Duas notícias em dias seguidos no jornal Público despertaram a minha atenção (dias 14 e 15 deste mês). A primeira informa a chegada de nove recém-licenciados à aldeia de Querença, em Loulé, no Algarve. Razão principal: inverter a tendência de despovoamento do interior do país. Não são os pioneiros ou povoadores do tempo dos reis da primeira dinastia mas jovens que vão ganhar dois salários mínimos por mês durante um ano e criar o seu próprio emprego, a partir de projecto que envolve a câmara municipal de Loulé, a Fundação Manuel Viegas Guerreiro e a Universidade do Algarve, num financiamento de 150 mil euros. Actividades: recuperar hortas da fonte de Benémola e criar uma marca para esses produtos, construir um viveiro para plantas autóctones, ter um espaço para continuar a ilustrar publicações para onde trabalha.

A outra notícia conta como duas irmãs querem fazer reabilitação urbana a partir da recuperação do conceito de mercearia. Para elas, a mercearia é mais do que uma loja de conveniência na rua, é um espaço de relação entre produtores e consumidores. Há um objectivo: como competir com os preços das grandes superfícies? As duas irmãs entendem que o investimento está na arquitectura e na identidade visual, conservando o carácter único de loja.

A principal leitura que faça destas notícias é a recuperação do tradicional com técnicas modernas de gestão, fazendo com que espaços que perderam vitalidade e gente voltem a ser lugares de vida, ligação e proximidade. Parece que estamos a reinventar o mundo, com redes humanas e sociais inseridas nas novas redes da comunicação.

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