22.9.11

TELENOVELAS

Isabel Ferin, professora associada da Universidade de Coimbra, editou agora o livro Memórias da telenovela. Programas e recepção. Na contracapa do livro, ele é apresentado como sistematizador de um género televisivo de muita audiência em Portugal: a telenovela. A autora mostra de Gabriela, cravo e canela até a produção nacional actual.

O livro é, porém, mais do que aquilo que se lê na contracapa. É a investigação de uma vida, da docente que tirou dois graus (mestrado e doutoramento) em S. Paulo e aí adquiriu as metodologias de investigação de um género televisivo igualmente muito popular no Brasil. É ainda o facto de a autora trazer a tipologia de investigação e ter criado discípulos que prosseguem com investigação própria. A primeira frase da apresentação do livro é a seguinte: "Memória da Telenovela é uma obra sobre ficção seriada televisiva". Isto abre para outra dimensão, a do percurso do formato e o seu impacto na sociedade. A soap opera americana, amada e odiada em simultâneo, porque considerada produto de consumo popular e produto de baixa qualidade, chegou à América latina e hibridizou-se, transformou-se. De Cuba passou para o Brasil, Argentina e México, os ainda hoje grandes produtores de telenovela, antes dela chegar à Europa, nomeadamente Portugal.

Isabel Ferin (à direita na imagem, com Nelson Ribeiro a apresentar o seu livro anteontem) procura no seu texto agora publicado sistematizar os dados sobre a ficção produzida em Portugal, uma "tentativa de construção de uma memória de um dos géneros televisivos de maior audiência no nosso país" (p. 8). Além da apresentação, Memória da Telenovela divide-se em três partes (contextos históricos e geográficos; produção e emissão; audiências, usos e recepção) e nove capítulos (história dos media e da ficção em Portugal; das soap operas às telenovelas; sobre a cultura de massas; a revolução da Gabriela; as agendas da telenovela brasileira em Portugal; da telenovela à prostituição; ficção seriada, 2007-2009; audiências e recepção; públicos especiais).

Porque ainda não li o livro na totalidade, retenho apenas a estrutura do primeiro capítulo, em que a autora esboça uma periodização funcional para explicar a investigação sobre a história da ficção e dos media em Portugal desde a década de 1930 (a tese de doutoramento da autora, não publicada, foi sobre António Ferro, o ideólogo do Estado Novo) até 2005. Assim, ela divide esse longo período em cinco etapas: Estado Novo (1930-1974, subdividido em quatro ciclos), revolução de Abril de 1974, normalização democrática e modernização (1977-1988), mercado televisivo e ficção (1992-1998), estratégias da ficção em português (1998-2005). Dados estatísticos, compreensão dos acontecimentos políticos, culturais, sociais e empresariais, a par dos principais programas na televisão portuguesa, dão um panorama alargado deste nosso passado rico e complexo.

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