Interrupção

O blogue tem sido muito pouco atualizado. O trabalho de investigação e outros motivos obrigam a uma concentração de esforços num só sentido. Obrigado pela preferência manifestada desde 2003.

20.2.12

Henrique Galvão e a Emissora Nacional, segundo Francisco Teixeira da Mota

No seu livro Henrique Galvão, um herói português, Francisco Teixeira da Mota recorda os cinco anos em que o capitão Galvão foi presidente da Emissora Nacional, após ter recebido o inesperado convite para o cargo pelo ministro Duarte Pacheco, em Maio de 1934 (2011: 88). Na Emissora Nacional, instalara-se uma luta entre o responsável dos CTT, Couto dos Santos, que tutelava a Emissora, e António Ferro, do Secretariado da Propaganda Nacional. Salazar acabaria com a disputa com a nomeação do capitão Galvão. A Emissora era o “jornal de maior circulação no país”, dizia aquele, tornando-se um eficaz instrumento do Estado Novo (Mota, 2011: 90).

Henrique Galvão, desde o final de 1935, promoveu a venda pela Emissora Nacional de aparelhos de receção a baixo preço, para alargar a audiência nacional, aparelhos esses vendidos pelos sindicatos e casas do povo. Galvão promoveu igualmente a colocação de altifalantes em diversos locaise recintos como estádios desportivos e praças centrais de diversas cidades, o que garantia que as populações ouvissem discursos e cerimónias oficiais. Ainda Henrique Galvão foi o criador do Boletim da Emissora Nacional, onde se publicavam notícias da atividade da estação e as palestras ali transmitidas. A Emissora promoveu festejos populares e históricos, caso da Exaltaçãodo Condestável a 14 de Outubro de 1935. Com as emissões de ondas curtas, a Emissora receberia cartas de colonos em Angola e Moçambique, nomeadamente. Salazar falou numerosas vezes na Emissora Nacional. As palestras incluiam nomes como Virgínia Vitorino, Agostinho Campos, Maria Archer e muitos outros. Áurea Rodrigues, Fernando Pessa e Maria de Rezende seriam os primeiros locutores (Mota, 2011: 92).

Quando a Guerra Civil de Espanha rebentou, Henrique Galvão preferia que a estação oficial não transmitisse informações sobre o tema. Mesmo quando o general Sanjurjo morreu de acidente de aviação, ele que era um dos máximos responsáveis dos nacionalistas espanhóis, preferiu não transmitir a informação, tarefa que o Rádio Clube Português se encarregou. Em nome do realismo político, dado que Portugal tinha relações diplomáticas com o governo de Madrid, o capitão Galvão preferiu o silêncio. Sairia da Emissora Nacional em 1940.

O livro de Francisco Teixeira da Mota não traz nada de novo sobre o período da Emissora sob a direção de Henrique Galvão mas mostra-nos o quadro de lenta mas progressiva dissidência que haveria de culminar no desvio do paquete Santa Maria. Galvão, inspetor superior colonial, isto é, funcionário do Estado, fora encarregado de missões em Angola, Moçambique e Cabo Verde, deputado e organizador de eventos de forte impacto nacionalista como a Exposição Colonial do Porto (1934) e a Exposição dos Centenários (1940). A desconfiança face à Situação crescia, por se considerar marginalizado pelo poder apesar dos altos cargos que desempenhou e da relação que ia mantendo com os altos dignatários do país, como Oliveira Salazar e Marcelo Caetano.

Sem comentários: